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História Levi Austral - O Mago Pesquisador - Capítulo 18


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Notas do Autor


Espero que gostem.

Capítulo 18 - As bruxas da Ninfa - Parte 1


 Os homens chegaram à casa do líder em questão, era gigantesca, com uma arquitetura detalhada e trabalhada, tinha um ar luxuoso provindo das peles de animais no chão e nos sofás, os quadros de pinturas abstratas nas paredes e as tonalidades escuras delas. Levi e Canis ainda estavam com suas roupas em tons terrosos, e vendo que não se encaixavam ao ambiente, o mago reverteu a magia de camuflagem, dando cor às roupas novamente. 


 Canis surpreendeu-se, e logo disse a Levi com tom animado. "Finalmente! Pensei que teríamos que usar essas cores feias até recuperarmos a lágrima." Levi riu, e enquanto caminhavam para a sala de conselho, onde Jahar estaria, respondeu o guerreiro. "Era o plano, mas passaremos um tempo por aqui, pelo menos até concluirmos a missão de aniquilar as bruxas, não vejo o porquê de não usarmos trajes bonitos." Falou, e olhou para o líder dos homens com quem estava, interrogando-o sobre a história de Dan e sobre seu líder, mas eles não revelaram muitos detalhes, deixando o mago e o guerreiro no escuro. 


 Chegaram a uma porta gigantesca, madeira maciça, escura e entalhada com símbolos estranhos a Levi, o que era ainda mais estranho, pois o mago gostava de estudar linguagens e códigos, mas quando ia planejava perguntar o que os símbolos significavam, Apheu bateu à porta, e uma voz fez-se ouvir do outro lado, grave e calma. "Entrem." E assim fizeram, empurraram a porta e um cheiro suave de rosas os abraçou, quando viram o interior da sala, era ainda mais luxuoso do que o resto da casa, as paredes tinham um tom vinho com detalhes de uvas em uma linha que estendia-se por toda a sala, o chão era de madeira escura, uma gigantesca biblioteca era vista no lado esquerdo de uma mesa redonda de mármore, o teto dava a ilusão de ser o próprio céu, Levi julgou ser magia, e sentado em uma cadeira de couro com os braços cruzados em cima da mesa, estava um homem forte, vestido com trajes de batalha, como um soldado, seus olhos eram azuis e seu cabelo negro, seus lábios eram grandes e sua voz grave e rouca, porém calma, e ele falou aos que adentraram à sala. "Quem são esses, Sarb?" Levi estranhou o nome, o homem dirigiu a palavra para o líder do grupo, e este o respondeu. "São viajantes, Jahar, mercenários. Nós os encontramos enquanto fazíamos uma ronda por nosso território, buscando ervas medicinais." Jahar assentiu com a cabeça, e continuou falando. "Entendo, o que querem aqui?" Olhou para Levi, o mago abriu a boca para respondê-lo, mas Apheu tomou a palavra. "Senhor, fomos atacados pelas bruxas novamente, e eles nos ajudaram." Jahar colocou-se de pé subitamente, e aproximou-se deles. 


 "As bruxas de novo?! Como estão? Estão feridos?" O homem mostrou preocupação com todos, fazendo Levi entender o porquê de ele ser tão respeitado. Apheu falou-lhe novamente. "Não, não fomos machucados, mas Few…" entristeceu seu semblante, e Jahar entendeu. "Entendo. Tiveram uma baixa, eu sinto muito." Pôs a destra no ombro de Apheu, consolando-o. "Sim, mas esse mago nos ajudou." Jahar olhou para Levi, e Apheu continuou falando. "Ele matou as bruxas com facilidade, e a sedução delas não teve efeito sobre ele. Pensei que ele, ou melhor, eles, seriam os homens perfeitos para destruírem a célula das bruxas ao norte. Mas decidimos trazer o caso a você, para que pudesse decidir." Jahar parecia descrente, não podemos culpá-lo, Levi não parecia ser um assassino, apenas um estudante de magia, não tinha como ver violência em seu rosto ou em seus modos. "Sim, eu fiz isso, Jahar. E acredito ser capaz de matar todas as outras bruxas, eu e meu companheiro, Canis." Olhou para o guerreiro, que estava calado até o momento. "Nós mataremos todas as bruxas que assolam sua aldeia, mas temos um preço." Jahar fechou o semblante e dirigiu-se à mesa, enquanto escutava o mago.


 Levi falava calmamente, eloquente e certo do que dizia. "Como Sarb falou, nós somos mercenários e estamos em viagem. Precisamos nos manter durante toda ela, e serviços como esse são perfeitos para ganhar dinheiro no caminho. Claro, não daremos um preço que vocês não possam pagar, mas não faremos nada por amor, afinal, esse problema não nos envolve." Jahar sentou-se novamente e sua expressão não era boa, o líder disse ao mago. "Está querendo ganhar dinheiro com o medo de meus cidadãos? Sua astúcia me impressiona, mago. Não serei chantageado por ninguém, podemos dar um jeito de lidar nós mesmos com esse problema." Levi sorriu, desapareceu rapidamente e apareceu sentado na mesa de Jahar, todos se surpreenderam, e antes que Jahar falasse algo, Levi o disse. "Vocês podem lidar com as bruxas? Por favor, está se iludindo, Jahar. Posso não conhecer você, mas tive uma breve experiência com aqueles ali, e sei que nenhum deles seria capaz de matar uma bruxa noviça, quem dirá uma bruxa experiente. Você decide se me contratar vale a pena ou não, mas sua decisão afetará todo o povo, decida sabiamente." Disse o mago, e Jahar indignou-se com sua atitude, mas Levi estava certo, ele não tinha soldados para mandar resolver o problema das bruxas, e como Levi e Canis não tinham nenhum laço afetivo com eles, a morte deles não teria nenhum peso sobre a aldeia. 


 O líder ponderou bastante, e decidiu aceitar a oferta do mago, oferecendo 50 moedas de ouro pelo serviço, mas Levi não aceitou. "50 moedas de ouro? Você só pode estar brincando. 200 moedas ou mais, abaixo disso eu não aceito, Jahar." O mago disse a ele, afastando-se da mesa e voltando para o lado de Canis, que observava a conversa deles e trocava algumas informações com Apheu. "200 moedas?! Esta não é capital de um reino, Levi! Não temos tantos recursos para desperdiçar com um mercenário." Disse Jahar, raivoso. "Desperdiçar? É o preço da segurança da sua aldeia, seu idiota. Se acha que sua gente não vale isso, apenas diga, eu irei embora." Levi falou, e Jahar levantou-se de súbito e sacou sua espada, mas quando levantou-se, cerca de 20 pequenas lâminas de ar estavam envolta dele, numa distância mínima de sua pele.


 Jahar ficou paralisado, os homens que estavam com eles apontaram suas bestas para as costas de Levi, mandando-o desfazer a magia, mas o mago era desobediente. "Eu matei 3 bruxas, acha que não consigo lidar com você? Como eu disse, se acha que não vale a pena, apenas diga, não temos tempo a perder com negociações." Jahar sentou-se novamente, o mago desfez as lâminas e os homens guardaram suas bestas. Jahar suspirou e disse-lhe. "Está bem. Não tenho prazer nesse acordo, mas pela segurança da aldeia, te darei 200 moedas de ouro pela morte de todas as bruxas do norte." Levi assentiu com a cabeça, dando as costas para Jahar. Os homens fizeram reverência a Jahar e caminharam junto de Levi e Canis até a porta, mas antes que saíssem, Jahar os disse. "Uma última coisa. Mercenários não são bem-vindos em Dan, vão embora o quanto antes, forasteiros." Canis indignou-se com a fala de Jahar, mas olhou para Levi e o mago estava sorrindo, então saíram da sala. 


 Eles caminhavam para o hall principal da casa, onde os homens planejavam fornecer algumas informações aos dois mercenários. O hall era igualmente luxuoso, tinha tom azul marinho e vários ornamentos nas paredes, dois grandes sofás estavam ali, vermelhos e de veludo, lá eles sentaram e conversaram. O mago falou. "Certo, o que vocês sabem sobre as bruxas?" Disse, sentando-se no canto do sofá maior que havia ali, sendo respondido pelo líder daquele grupo. "Não temos muitas informações das bruxas, elas têm atormentado essa aldeia há anos, queimando algumas de nossas plantações com magia, envenenando pessoas, seduzindo pessoas e matando-as, sem falar que roubam os nossos soldados que saem daqui para comprar alguns suprimentos e remédios. Elas são uma grande dor de cabeça." Levi estranhou as últimas informações. "Remédios?" Pensou ele. Bruxas não precisam de remédios, pois as entidades normalmente cuidam de seus corpos, se não conseguirem usar magia de cura. 


 O fato daquelas bruxas precisarem de remédios significava que não tinham feitiços para curar suas feridas ou doenças, ou seja, não eram bruxas elementais, pois as entidades elementais utilizam as propriedades curativas dos elementos para cuidar de suas bruxas, o que não era o caso dessas. "Entendo. Vocês disseram que elas se localizavam a alguns quilômetros daqui, não é? Sendo assim, podemos ir assim que amanhecer, Canis?" Canis ficou surpreso, dizendo. "Eu também vou?" E o mago franziu o cenho, respondeu o guerreiro. "Claro, a não ser que não queira, mas seria uma boa oportunidade de você aprender a lidar com bruxos, não acha?" O guerreiro assentiu. Levi pediu quartos para passarem a noite ali, e Sarb os levou para instalações menos glamourosas que o resto da casa, mas os dois aceitaram e dormiram, esperando o raiar da alva para mobilizarem-se.


 O sol nasceu, iluminando aquela aldeia e todos os aldeões, alertando o mago e o guerreiro de que eles deveriam ir ao encontro dos alvos. Quando acordaram, os dois desceram e não encontraram o grupo do dia anterior, passearam pela casa de Jahar e o encontraram sentado a uma mesa cheia de comida, pães, bolinhos, suco de laranja e chá de hortelã, manteiga fresca, creme batido e queijo de cabra. "Nossa, uma mesa digna de um rei." Canis riu, e Levi falou sorrindo. Os dois haviam trocado de roupa, Levi estava vestido com uma blusa semelhante a um kimono lilás com pequenos pássaros negros na bainha, calças negras e sapatos de couro. Canis estava com uma blusa azul marinho com os clássicos ornamentos de ondas, calças marrons e botas negras cano alto, anéis dourados e brincos igualmente de ouro. Jahar trajava vestes grandes em tons terrosos, uma túnica com pingos negros e calças coladas, botas de cano médio marrons, brincos de ametista, um colar de ouro com a imagem de um tigre e 1 anel com uma pedra de jade no dedo indicador direito. 


 "Hum, dormiram na minha casa sem pedir minha autorização? Bom, uma atitude digna de mercenários, vão comer sem minha permissão também?" Canis agora gargalhava, e Levi bocejou, dizendo ao líder. "Se essa arrogância servisse para algo, você conseguiria matar aquelas bruxas, não acha?" O mago apontou a destra para a mesa e pequenos pentagramas surgiram acima de cada um dos pratos que estavam na mesa de Jahar, e tudo duplicou-se, os mesmo pratos surgiram acima dos pentagramas, flutuando, os pratos abaixo dos pentagramas apodreceram instantaneamente, e os pentagramas fizeram as cópias desapareceram. Jahar levantou-se da mesa e olhou para o mago. "O que houve, o que você fez?!" Canis ficou surpreso, também não entendeu o que havia acontecido, mas o mago sorriu e disse. "Bom, estamos indo salvar a aldeia, tchau, tchau." Levi e Canis desapareceram, deixando apenas a figura irada do homem. 


 Os dois apareceram no telhado da casa, sentaram-se, todos os pratos apareceram diante deles, e eles comeram até se fartarem. Após o café da manhã, Levi disse a Canis. "Bruxas são mais difíceis de lidar se conseguirem aparatar. Pois podem brincar com os inimigos, desaparecendo e surgindo em outro lugar, lançando feitiços por todos os lados. A melhor estratégia é usar uma magia para bloquear essa habilidade delas em um certo campo." O mago colocou a palma da destra para cima e disse. "Mana Zone." Milhares de partículas surgiram, como fumaça, algumas andavam errantes, umas velozes, outras lentas, umas azuis, outras brancas, diversas formas, tamanhos e cores, tudo foi revelado quando o mago falou. O guerreiro ficou boquiaberto, e o mago continuou falando a ele. "Isso é a magia, em sua forma mais pura. Não há comandos nela, elas não são nada, mas são tudo ao mesmo tempo. Este feitiço nos faz ver a magia em um campo gigantesco, e eu o fiz para que você pudesse ver a extensão do campo do feitiço de antiaparato." Levi posicionou o polegar e o indicador direito para um estalo, e disse. "non apparate." Estalou os dedos, um domo gigante surgiu ali, cobrindo quase toda a aldeia. 


 Canis viu aquilo e perguntou ao mago. "Essa é a magia para que elas não fujam?" E Levi assentiu. "Sim. As bruxas que estão dentro dessa área não conseguem aparatar, a menos que eu desfaça o feitiço. Nossa estratégia será essa, eu usarei magia de maximização para aumentar o campo, cobrindo toda a área que elas se encontrarem, assim nós poderemos lidar com elas de frente, sem deixar nenhuma escapar. Entendeu?" Canis assentiu, e ficou animado para lutar contra as bruxas, perguntando quando iriam. "Iremos agora. Está pronto?" O guerreiro novamente concordou. "Sim, por onde iremos?" Perguntou ao mago, e ele respondeu sorrindo. "Por cima." Canis franziu o cenho, e quando notou, seus pés não tocavam mais o chão, os dois ascenderam velozmente para os céus, voando para o norte. 


 Canis mal conseguia manter os olhos abertos devido à velocidade que eles voavam, Levi estava na frente, mas não tinha problema com isso, já estava acostumado a usar magia de voo e viajar longas distâncias. Após 3 horas de voo e pouca conversa, eles pararam de súbito no ar, Canis abriu os olhos e perguntou a Levi se já haviam chegado, e o mago o respondeu. "Estamos acima do local." Estavam sobrevoando uma grande floresta, Canis não via nada além de árvores, sua expressão era de pura confusão, e ao perceber isso, o mago sorriu e disse a ele. "Não consegue ver, não é? Mana Zone." Milhares de pequenas partículas azuladas surgiram abaixo deles, como um gigantesco domo. "Vê isso? Magia de camuflagem. Elas não querem ser descobertas, estão prevenidas contra invasores." O mago ainda sorria, e Canis o disse. "Estão se ocultando. Você consegue desfazer a barreira?" Levi riu, e encarou o guerreiro como se ele fosse um bobo. "Sim, com certeza. Mas você quer enfrentar todas elas de frente? Muito corajoso." Canis negou. "Não? Então seria burrice anular uma magia tão complexa como essa. Magia de camuflagem não é algo fácil de se fazer, consome mana enquanto está ativa e exige concentração, ou seja, há bruxas encarregadas apenas por essa barreira. Se eu a anulasse, seria como anunciar para elas que nós chegamos, entende?" Canis assentiu. "Entendi, mas então como iremos lidar com as bruxas? Nem sabemos quantas são, pra começo de conversa." O guerreiro parecia estar com dor de cabeça, mas Levi não estava preocupado, acreditava que não seria difícil matar as bruxas.


 Após alguns minutos pensando, o mago teve uma ideia e disse a Canis. "Ouça, eu posso mandar uma enxurrada de lâminas de cristal por cima, mataremos um grande número assim. Posso usar magia de maximização, para a magia tornar-se ainda mais potente." Canis achou que era uma boa ideia, e não havia outra, de qualquer forma. "Como você fará?" Perguntou ao mago. "Eu invocarei as lâminas abaixo de nós, e as mandarei como uma chuva para baixo. Vou usar o grimório." Levi deu leves palmadinhas no livreto que estava em sua escondido em uma bolsa em sua cintura, o objeto voo para frente de si, abriu-se e começou a folhear-se sozinho, parando na página da magia que Levi usaria. Canis aproveitou para tirar algumas dúvidas sobre o livro. "Por que você usa esse livro? Você tem magias que só consegue realizar com ele?" O mago olhou para o guerreiro com expressão de estranheza, e o respondeu antes de invocar a magia. "Não, o grimório funciona como um depósito de mana, então eu o uso para invocar magias que precisam de uma grande quantidade de mana, para não me cansar. Se me dá licença." O mago ergueu as duas mãos para baixo, fechou os olhos e segundos depois, milhares de pequenas adagas surgiram no ar, reluzentes, feitas de cristal e perfeitamente lapidadas. 


 O mago concentrou-se um pouco mais, fazendo todas as adagas apontarem para baixo, na direção da célula das bruxas, e antes de lançar as adagas, usou a magia de maximização. "Maximize Magic: Crystal Inquisition!" Disse, uma aura esverdeada envolveu todas as adagas, e elas foram lançadas numa velocidade inacreditável em direção ao solo. Canis surpreendeu-se, e quando o mago endireitou a postura, o ataque atingiu a célula das bruxas, rompendo a barreira e matando dezenas delas. As adagas não paravam de cair, algumas bruxas tentavam proteger-se com feitiços de escudo, mas devido à grande quantidade de adagas, os escudos cediam e as bruxas eram mortas, várias delas morreram assim, e as que sobreviveram, reuniram-se para tentar entender o que havia ocorrido. "Vamos, Canis. Antes que elas fujam." Os dois desceram rapidamente para o centro da pequena cidade, não era o esperado pelo mago, era singela e deselegante, não era algo digno de bruxas. 


 Levi conseguiu ver um grupo de 5 bruxas reunidas, e antes que elas pudessem fazer algo, o mago ergueu a destra para o alto e usou magia antiaparato. "non apparate." Disse, e as bruxas não conseguiram fugir dali. "Olá, eu sou Levi. Vim matá-las por atormentarem Dan, adeus." O mago falou, um pentagrama carmesim surgiu à sua frente, lançando chamas em direção às bruxas que tentavam correr e apagar o fogo, mas não conseguiam, apenas eram consumidas lentamente. "Soul Fire". Enquanto as chamas queimavam as bruxas, Canis avançou contra elas, decepando suas cabeças com a espada rapidamente, e quando terminaram, Levi usou magia de percepção para ver se ainda havia alguma bruxa ali, mas não sentiu nada. "Parece que conseguimos, vamos embora." Canis disse. "Até que foi fácil, não é?" Levi assentiu, e os dois ascenderam novamente. 


 Os dois voavam ainda ganhando altura, o mago pensava no quão fácil havia sido aquela missão, as bruxas não usaram nenhum truque para anular as chamas, nem resistiram, Levi parou de súbito no ar, e Canis assustou-se. "O que houve?" Levi não conseguia imaginar que seria tão fácil, e não acreditou, disse a Canis. "Canis, você não acha que foi muito fácil?" O guerreiro estranhou a fala do mago, e assentiu. "Sim, foi muito fácil, mas conseguimos. O que importa agora?" Levi não conseguia aceitar, tinha algo errado, muito errado. Olhou novamente para baixo, e o lugar estava destruído, mas não conseguia ver nenhum corpo das bruxas, o mago pensou alto. "Mas o que está acontecendo? Não, não. Está errado!" Após isso, uma dor de cabeça fortíssima tomou conta de si, quando olhou para o guerreiro, este tinha uma expressão vazia, e ele derreteu como sorvete, assim como todo o mundo ao redor dele. 


 O mago fechou os olhos, quando abriu, a realidade tinha mudado completamente, pois ele estava no centro daquele lugar que pensava ter destruído, suas mãos estavam presas com magia, estava imobilizado, o guerreiro estava igualmente ajoelhado ao seu lado, com os olhos abertos, mas vazios, como se estivesse sem alma. Levi piscou algumas vezes, sacudiu a cabeça e levantou o olhar, encarando 10 mulheres que ali estavam, rindo compulsivamente. Elas lembravam as 3 que o mago havia matado no dia anterior, eram ruivas, algumas com cabelo curto, outros com cabelo longo, mas todas ruivas alaranjadas, usavam vestidos negros que desciam até seus joelhos, e no lado direito do vestido havia um corte no tecido que subia até a cintura. Uma delas disse ao mago, com voz aguda e rasgada. "Ora, um deles conseguiu acordar. É uma pena, nós íamos começar a nos divertir agora. Olá, mago. Como te chamas?" Perguntou a Levi, e ele a respondeu. "Eu...não, como vocês nos prenderam nesse feitiço de ilusão? Não tinha como…" O mago pensava em todo o trajeto até aquele local, e não havia brecha para ele e o guerreiro caírem em um feitiço daqueles.


 A bruxa não falou mais nada, apenas sorria, deixando outra falar. "Não gosto de dar crédito a outras pessoas, mas não fomos nós as responsáveis pelo feitiço. Um feiticeiro especialista em magia de ilusão nos ajudou, afinal, não é sempre que recebemos a visita de dois mercenários com o objetivo de nos matar." A bruxa falava, e o mago tentava entender quando ele havia sido enfeitiçado. "Ei, você está prestando atenção?" Levi foi tirado de seus pensamentos por uma das bruxas, virou o rosto para Canis e disse a ele. "Canis, acorde! Ei!" O guerreiro não reagia, continuava no mesmo estado vegetativo. Uma bruxa disse-lhe. "Você não vai conseguir acordá-lo. Demorou muito para ele lançar o feitiço sobre vocês, mas no caso do seu amigo aí, valeu a pena, ele não conseguirá acordar tão facilmente. A propósito, como você conseguiu despertar?" Levi ouviu a bruxa e pensou, o anel. O anel demoníaco com certeza havia anulado o feitiço quando o mago percebeu que estava sendo enganado, trazendo Levi de volta a realidade.


 O mago disse à bruxa. "Talvez o seu feiticeiro não seja tão bom assim, não acha?" As bruxas riram, uma pequena esfera de fogo surgiu na mão de 5 delas, as bruxas reuniram-se em um círculo ao redor dos dois, e começaram a recitar um encantamento. "ignis carnes meas hostibus devorabitur igni et spiritus abiectis totum barathrum." As chamas das bruxas cresciam, manifestando-se nas mãos das outras 5 bruxas, e apontando as chamas para frente, elas criaram um laço ao redor dos dois. Uma das bruxas falou, enquanto as outras continuavam recitando o encantamento. "Suas últimas palavras?" Sorriu, e Levi baixou a cabeça, igualmente sorridente. Sussurrou. "Sim. Demonic ring: cancel spell." Falou, sua mãos ficaram livres, as bruxas terminaram o encantamento, e o anel de fogo começou a se fechar para atingir Levi e Canis.


 Levi levantou-se rapidamente e bradou. "Boreas!" Os ventos daquele lugar reuniram-se ao redor dele, espalhando o fogo e afastando as bruxas de si. Enquanto as bruxas levantavam-se, o mago apontou a destra para Canis e disse. "Liberar!" O mago utilizou sua mana para desfazer os laços mentais do feitiço de ilusão, fazendo o guerreiro acordar subitamente. "Desgraçado!" Uma bruxa falou, e todas lançaram feitiços sobre eles, fogo, água e ar eram os elementos que elas utilizavam, e o mago entendeu que elas haviam feito contrato com uma entidade natural. Levi ergueu uma barreira de mana ao redor deles, bloqueando os ataques das bruxas enquanto Canis recuperava sua consciência. "Levi?! O que está acontecendo, por que estamos aqui de novo? E essas bruxas, nós matamos elas, então por quê…" O guerreiro falava confuso, e o mago o contou da forma mais simples que conseguiu pensar. "Era um feitiço de ilusão, nada daquilo aconteceu. Essas são as bruxas, temos que matá-las." Canis assentiu, ainda confuso, Levi desfez a barreira e eles pularam para trás, afastando-se das bruxas e seus ataques. 


 "Ouça, elas são numerosas, precisamos usar ataques que causem dano em todas ao mesmo tempo." Levi disse, uma das bruxas lançou uma rajada flamejante em sua direção, mas o mago levantou uma ventania que dispersou as chamas. "Eu entendi! Afogue-o, Poseidon." Canis sacou sua espada, uma luz a envolveu, fazendo-a transformar-se em um tridente dourado, que o guerreiro girou e apontou para as bruxas. "Tú, ó besta que guarda as profundezas do oceano, empresta-me teu poder para que eu afogue meus inimigos! Kraken's Fury." O corpo do guerreiro foi envolvido numa aura azulada fortíssima, elevando sua mana de forma tremenda, a concentração de mana se expandiu, e o mago invocou um escudo ao redor de si para proteger-se da onda de mana que o guerreiro emitiu. 


 A parte de cima dos braços de Canis tornou-se escamosa como o corpo de um peixe, também havia algumas escamas em seu rosto, seus olhos estavam ainda mais azuis e suas pupilas tornaram-se finas e verticais, como as de um felino, também surgiram tentáculos de água ligados ao seu corpo e o comprimento deles era de 2 metros. O guerreiro disse ao mago. "Eu vou ganhar tempo. Pense em algo para eliminá-las, Levi, e me mande um sinal para que eu me afaste." O mago concordou, observando o guerreiro cravar o cabo do tridente no chão, fazendo surgir um pentagrama que invocou uma quantidade absurda de água, inundando todo aquele local. O mago ascendeu para o ar, ficando a alguns metros do chão, pensando em uma maneira de matar as bruxas de uma só vez. 


 Enquanto Levi tentava bolar uma ideia para lidar com as inimigas, Canis lutava contra elas sozinho, o que não estava sendo difícil, pois o guerreiro tinha o absoluto controle sobre a água, e as bruxas utilizavam muita magia de fogo, ou seja, Canis tinha a vantagem ali, usufruindo dela completamente. O guerreiro avançou contra elas, rasgou o mar que havia criado naquele local, erguendo uma onda gigantesca que foi em direção às bruxas, mas elas uniram-se e criaram uma barreira de ar, protegendo-se do impacto da onda,  Canis foi rapidamente em direção à barreira e a atacou com os tentáculos de água, num ataque direto, que rompeu a barreira e mergulhou as bruxas na água. Canis conseguia movimentar-se acima das águas, então tinha vantagem sobre as demais, que estavam boiando na água invocada pelo guerreiro. Ele disse. "Water darts!" Centenas de pequenos projéteis de água formaram-se acima das bruxas, prontos para atingi-las. 


 O mago observava de longe e pensou. "Acho que não será necessário eu intervir, Canis parece que está prestes a finalizá-las." Assim o mago pensava, e até Canis, mas quando o guerreiro ordenou aos projéteis que caíssem sobre as bruxas, Levi sentiu um abalo em sua magia de percepção, uma muralha de terra ergueu as bruxas, elevando-as acima deles e protegendo-as com uma cúpula. Levi aproximou-se rapidamente de Canis, e disse-lhe. "Eu senti outra presença aqui, acredito que seja o feiticeiro que elas falaram."  Canis franziu o cenho e olhou para cima, onde as bruxas estavam, apontou o tridente e uma corrente de água foi de encontro à elas, mas foi transpassada por uma coluna de pedra que veio na direção de Levi e Canis, mas os dois desviaram, afastando-se do impacto. 


 Ao olharem para cima, viram a figura do homem que os prendeu no feitiço de ilusão, o homem que ajudou as bruxas e que agora, era um traidor de Dan. "Sarb?" Levi disse, franzindo o cenho, e Canis estava boquiaberto. Sim, Sarb, o líder do grupo da noite passada estava conspirando contra a aldeia com as bruxas, e estava ali, com o rosto fechado olhando para eles. 

 


Notas Finais


Obrigado por ter lido até aqui!


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