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História Lhe darei todas as flores: Vhope - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


oi, oi, eu voltei! ♡

a música a que fiz referência na pétala passada e nessa é green - cavetown, se quiserem escutar saibam que recomendo muito (pois é relaxante e bonita)

e eu tenho uma outra coisa a dizer: o capítulo a seguir tem um astral ruim, eu sei. algumas partes vão ser um tanto melancólicas, mas vocês vão entender, sim?

observação: as frases em itálico na pétala passada representaram os pensamentos do taehy, enquanto, no capítulo de hoje, representarão os de hoseokie - como de costume.

boa leitura, uma boa noite/tarde (ou dia) e uma boa vida <3

Capítulo 8 - Oitava pétala: Obrigado


Fanfic / Fanfiction Lhe darei todas as flores: Vhope - Capítulo 8 - Oitava pétala: Obrigado

A mente de Jung criava dúvidas incessantes que tornavam o trajeto incerto e longo. Tinha de perguntar; tinha de saber quem era Kim - e desejava isso há dias. Observava o movimento constante dos olhos negros que fixavam-se em qualquer mínima mudança na paisagem, ora nas nuvens, em carros caros que corriam ou em si. Hoseok sentia que havia no vizinho uma certa inquietação, uma pitada de ansiedade. Era natural de si? Todas as vezes em que o viu, parecia estar na mesma condição.

Talvez seja. 

A partir do momento em que o Sol começou a subir, com seu calor e brilho intenso, soube que ele preferia a sombra; estava acostumado. Muita luz fazia seus olhos arderem, Taehyung disse-lhe uma vez, cobrindo com o braço os raios solares que vinham em sua direção. Havia descoberto também que o vizinho pisava o chão com força, como se tivesse de fugir a qualquer momento - e lhe pareceu estranho, a princípio - e, pelo o que concluiu de seus fios que caíam sobre os olhos diversas vezes, cortava pouco a franja ondulada. Não tinha o que esconder debaixo dela; eram olhos bonitos e expressivos os que tinha. 

Eu sei como ele age, mas eu não o conheço. 

Pois tinha poucas informações. Além de poucas histórias, havia descoberto poucas manias e preferências alheias. Pois Kim, era como um livro nunca lido antes, em sua concepção. De quê valiam suas impressões e expectativas se, até onde sabia, elas todas poderiam estar erradas? Para que fim servia saber seu mangá favorito se isso em nada fazia o jovem de pele dourada e roupas largas ser cristalino, ao seu ver? Hoseok sabia que só havia uma forma de tentar conhecê-lo: se Kim quisesse que isso ocorresse. Caso contrário, nunca teria suas suposições a seu respeito confirmadas, tampouco acertaria as questões mais simples sobre si - pois além de não ter jamais sido lido, Kim era também como um livro que não pode ser compreendido sem certa reflexão, era como um livro cujo desfecho não pode (e nem deve) ser previsto.

Mas eu tenho de tentar. 

Durante o trajeto, pensava em palpites sobre qual seria o local escolhido por Kim. Se fosse como ele, seria calmo e dotado de beleza, suavidade e delicadeza. Talvez estivesse prestes a lhe apresentar seu local favorito da cidade, porém essa hipótese lhe soava íntima demais. Taehyung não faria algo assim, sabia. Caminhavam há vinte e dois minutos e, a cada fim dos sessenta segundos, sentia-se ainda mais curioso. Deveria perguntar? Oras, nenhum motivo tinha para não fazê-lo. 

ㅡ Kim, ㅡ chamou-lhe pelo nome de sua família, vendo seus cadarços desamarrarem-se aos poucos. ㅡ ainda não me disse para onde estamos indo. 

ㅡ Eu não te contei porque você não quis saber, hyung. ㅡ Taehyung sorriu pequeno, sincero. ㅡ Assim como você, eu tenho uma boa razão para gostar dele. Eu não o frequento pelas flores, mas por ser calmo, bonito... ㅡ pausou brevemente para perceber a atenção com que Hoseok absorvia cada palavrinha vinda de si, e todo aquele cuidado com o qual o moreno lhe ouvia o fez sentir constrangido. ㅡ Eu achei que você poderia gostar tanto quanto eu. 

ㅡ Tem flores lá? ㅡ Kim assentiu. ㅡ Acho que está certo, Taehyung. 

Hoseok riu baixo, jogando a garrafa de vidro na lixeira de metal. Sentia-se bem quando tentava imaginar como o local poderia ser. Verde. 

Isso é um bom sinal.

ㅡ Não há muitas outras coisas; há um balanço e alguns bancos velhos... uma araucária alta na qual eu tentava subir quando era criança. Era engraçado. 

ㅡ Mora aqui desde pequeno?

ㅡ Desde sempre. ㅡ suspirou ao afirmar. ㅡ E acho que vou continuar morando para sempre. 

ㅡ Isso é muito tempo... ㅡ Jung escutou um “eu sei disso” baixo vir de Taehyung. O mais jovem parecia incomodado. ㅡ É o que quer? 

ㅡ É o que quero. ㅡ soou incerto; Hoseok não questionou, somente concordou e checou as horas. Andavam há meia hora. 

Foi uma das primeiras coisas que aprendeu sobre Kim: tinha uma personalidade instável, que estava sempre a mudar - e isso lhe fazia lembrar de Park. 

↬ '⚘(. . .)'

Pelo restante do caminho ambos manteram-se em um silêncio que, embora parecesse desconfortável, naquela situação, era bom. Hoseok aproveitava-o para admirar o que tinha ao seu redor; Taehyung admirava a melodia doce da música. A rua sem saída havia sido alcançada, seu fim podia ser visto sem esforços; Kim estava feliz por estar chegando ao seu destino. 

Ele sorriu novamente.

ㅡ É no fim da rua. ㅡ apontou, ansioso. 

ㅡ Já estava começando a ficar cansado, para ser sincero. ㅡ admitiu, descontraído. ㅡ E a curiosidade estava me torturando, Taehyung.

ㅡ Desculpe por isso... ㅡ Kim havia visto graça no comentário anterior, tornando seu tom de voz risonho - e oposto ao usado em situações anteriores. ㅡ Realmente nunca veio aqui? 

Ele notou meu olhar.

Jung observava as plantas que brotavam de pequenas rachaduras nas calçadas, as casas térreas e simples, todas com quintais floridos, os postes decorativos em suas frentes. Era novo para si e, sem dúvida, era o bairro mais bonito que já havia visitado. 

ㅡ Não sei como, mas... ㅡ notou que daquele lugar - que era um ponto alto e frio - podia ver o condomínio onde ambos viviam. Visto de cima não parecia tão grandioso. Todos eram pequeninos, frágeis. Era inacreditável. ㅡ Eu nunca vi esse lugar. 

Não foi tão ruim caminhar por subidas durante uma hora; não para isso.

A placa que indicava que a rua não tinha saída estava perto de ambos os corpos, logo, o pedaço de terra cercado de araucárias com folhas pontudas e um balanço construído pelos moradores da rua também. Era logo ali, a poucos metros; era logo ali que o garoto de oito anos costumava manchar os uniformes escolares com terra ao cair do brinquedo; era logo ali onde o mesmo menino, aos treze anos de idade beijou pela primeira vez uma garota. Usava gorro e tinha as bochechas vermelhas, e o toque suave dos lábios lhe fez sorrir tímido. Tinha boas lembranças. 

ㅡ Chegamos. 

A voz havia saído baixinha, como se estivesse a contar um segredo e Hoseok admitiu a si mesmo: era um belo som. Gostaria de ouví-lo dizer assim mais vezes? 

Amaria

O balanço que - somente - aparentava ser fraco era embalado pela brisa fraca. Para frente, para trás, lento. Se aquele não fosse um belo dia, um dia claro, a cena seria interpretada de maneira sombria. Cerca de sete araucárias erguiam-se sobre suas cabeças, à incontáveis metros acima, derrubavam no chão galhos. Havia terra, barro e flores. A grama, alta em somente alguns lugares, era verde de forma invejável. O skate fora abandonado, apoiado em um tronco - no qual poderia se manter acima do chão, preso a uma pequena saliência na madeira antiga. Ele ficou ali enquanto Hoseok apressava o passo até o brinquedo. 

Taehyung ficou ali, a observar.

Jung caminhava. Explorava. Não podia, por hora, conhecer o garoto, mas nada podia lhe impedir de conhecer local - que, devido às chuvas da noite anterior, não contava com crianças e cães. Não era grande, tinha um tamanho agradável. Os bancos amadeirados davam a ele um aspecto de uma pequena praça, com natureza ao seu redor - o que, diante da troca das folhas pelo cimento, do verde pelo cinza, do essencial pelo desnecessário à vida, era raro.

ㅡ O que achou? 

ㅡ É tão simples... ㅡ e a palavra não teve significado negativo. ㅡ é tão bonito. 

Ele teve de aumentar a altura de sua voz, pois havia subido naquela rocha de tamanho considerável. 

ㅡ É tão verde! Entendo porque gostava daqui. 

Àquela altura, Kim se perguntava a razão de tê-lo escolhido. Oras, se havia, mesmo que por um mísero instante, temido a hipótese de estar só com um até então desconhecido, por quê diabos optou por levá-lo a um lugar que tinha altas chances de também estar vazio? Como não havia pensado nisso? Por que ainda pensava nisso? Taehyung estava farto de tudo aquilo; farto de sempre imaginar que o pior poderia acontecer, de sempre preocupar-se e sentir-se mal no dia seguinte por ter se deixado levar por sentimentos tão ruins. 

Queria não ter tanto medo. 

Queria entender por completo que o vizinho sorridente não havia lhe dado motivos para desconfiança, pelo contrário, deu-lhe a opção de ir aonde achasse mais adequado, deu-lhe seu tempo, iria lhe dar flores. 

ㅡ Taehyung? ㅡ parecia perdido.

ㅡ Eu estou ouvindo, Jung. ㅡ declarou, balançando levemente a cabeça e forçando um sorriso sem-graça. 

Decidiu caminhar até o outro corpo, a fim de manter a conversa. Hoseok havia sentado com as pernas cruzadas - em posição de lótus - e olhava para si ternamente, como se compreendesse suas pausas e distrações repentinas. Não se incomodava ou mostrava ofendido com seus devaneios, e isso aliviava a Taehyung.

ㅡ Podemos conversar agora.

ㅡ Sim, hyung.

Respondeu mesmo quando tinha ciência de que aquela não era uma pergunta. 

ㅡ E por onde quer começar?

Taehyung olhou o céu brevemente, mordeu o lábio inferior e pôs-se a ditar tais palavras. 

ㅡ Aconteceu ontem à noite... ㅡ igual fazia mais cedo, na noite anterior e em todas as vezes em que se sentiu ansioso, bateu os pés um contra o outro. ㅡ Eu só queria que meu avô não fosse tão... tão impaciente, tão... E-eu não sei! Eu queria que ele entendesse que eu me importo com ele, com a saúde dele. 

Após soltar as palavras rapidamente, respirou fundo. Não havia porquê para pressa, Hoseok fazia emanar um silêncio e interesse paciente. 

ㅡ E o que houve ontem à noite? 

Hoseok acariciava a pétala de uma flor roxa e sem perfume, que era pequenina e forte o bastante para sobreviver entre as pontas agressivas das rochas. Lembrava-se dos raminhos que saíam das brechas nos asfaltos. 

ㅡ Depois que eu voltei ao apartamento dele... ㅡ a partir desse ponto, Jung pôde escutar cada detalhe mínimo do relato do vizinho como se estivesse tendo a visão de um flashback. A forma como as letras, que formavam sílabas e terminavam em frases completas e certas, escapavam dos lábios alheios lhe fazia querer visualizar tal cena. Foi o que tentou fazer. 

O tempo, em momentos feito esse, parece que está devagar, prestes à parar por completo. 

ㅡ Eu tenho de admitir que estava feliz pelo que disse na portaria, e aquela cena acabou com tudo aquilo. Nós estávamos discutindo novamente pelo mesmo motivo... ㅡ respirou fundo, sensível. ㅡ Ele sempre faz isso e eu sempre acabo me irritando com ele. Eu sei que não é certo, eu sei que um vício não se desfaz de uma noite para outra, mas ele não se esforça! Eu tento ser compreensível, e como eu tento! 

ㅡ Taehyung, você não precisa falar alto. ㅡ Jung tocou seu ombro e recebeu desculpas vindas do mais jovem. Sorriu sem mostrar os dentes, disposto a dar a ele palavras amigas. ㅡ Eu entendo você, de verdade... mas já parou para pensar nas razões do teu avô? Deve haver algum motivo que o faça ter vontade de fumar - além do vício. 

ㅡ Eu penso nisso sempre. 

Taehyung tirou os fios da frente dos olhos e continuou:

ㅡ Ele diz que é por culpa do estresse... e, em partes, por culpa minha. 

Poucos sons podem ser escutados.

As vozes haviam se calado e o ranger das correntes foi ouvido. Agudo e constante. 

ㅡ Não vejo motivos para que a culpa seja tua, Taehyung.

Riso nasalado; irônico?

ㅡ Isso não interfere em absolutamente nada. Ele vê. 

A tensão havia se estabelecido, e fez com que Taehyung se colocasse de pé. Com a cabeça baixa, porém sem ar de derrota, caminhou até o balanço velho, que estava gelado. Suas correntes machucavam seus dedos e sua palma, mas no momento não deu importância àquilo. Há mais de dez anos as suportava. Estava tudo bem. Era raro que ignorasse as árvores, as joaninhas, os desenhos das nuvens, porém aquele era um dia raro por si só. Foi o dia em que Taehyung pôde ser minimamente sincero com alguém, e talvez o fato desse alguém ser seu vizinho esperançoso e sem intenções de julgamento lhe fizesse querer rir. Sentia-se estranho. Estranho por descobrir que poderia abrigar dentro de si alegria e melancolia, simultaneamente. 

Jung seguiu-no, ficou ao seu lado. Embalou o balanço suavemente, paro o espanto repentino do garoto.

ㅡ Eu posso fazer isso? 

ㅡ P-pode. ㅡ respirou fundo. Ainda tinha algo a dizer. ㅡ Hoseok-hyung?

Taehyung olhou para cima, vendo o quão bem o mais velho ficava em verde. Sua pele morena combinava com a cor; tudo combinava com a música. 

Hoseok-hyung... 

O céu estava tão azul naquela hora, o sol tão quente e radiante, tão vital quanto o sorriso quadrado que Jung ainda esperava ver naquela manhã. Hoseok olhou-lhe de volta. 

ㅡ Eu preciso te agradecer. ㅡ o colecionador não enxergava com clareza, mas suas bochechas começavam a tomar um tom rosado. ㅡ Ontem à noite, quando me contou que iria me dar flores... eu acho que fui ingrato contigo. Eu juro que não foi proposital. 

ㅡ Está tudo bem, Taehyung. Acho que o estranho fui eu por ter dito aquilo.

ㅡ Não! Mesmo assim, você se preocupou comigo hoje de manhã, faltou ao seu emprego por mim. Me doou seu tempo e sua atenção. Eu te devo um obrigado. 

Hoseok parou de empurrá-lo, parando o balanço devagar. Os pés de Kim encostaram o chão novamente e o mais velho ficou de frente para si. Jung de pé, Kim sentado. 

ㅡ Muito obrigado por me escutar... poucas pessoas fazem isso, hyung. 

Ergueu seu olhar e pegou a flor arroxeada estendida a si. Sorriu quadrado - do jeito que o tornava adorável. 

ㅡ Gosto de tentar ajudar as pessoas.

E acho que vou gostar mais ainda se essa pessoa for você. 


Notas Finais


ok, talvez o cap tenha ficado um pouquinho confuso, talvez o humor de taehyung seja realmente bem instável, talvez eu tenha ficado muito feliz por esse pequeno gesto no final uwu

a florzinha roxa tem um significado grande, podem apostar! ♡ até a próxima <3


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