História Liar - Capítulo 3


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Categorias Violetta
Personagens Alex, Andrés Calixto, Angeles "Angie" Saramego, Antonio Ferández Vallejos, Braco, Broduey, Camila "Cami" Torres, Diego, Dionisio "DJ" Juárez, Federico, Francesca Cauviglia, Gregório, Lara, León Vargas, Ludmila Ferro, Marco Tavelli, Maxi Pontes, Napoleão "Napo" Ferro, Nathália "Naty" Vidal, Pablo Galindo, Personagens Originais, Rafael Palmer, Roberto Benvenuto, Violetta Castillo
Visualizações 11
Palavras 3.654
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi,oi!
Voltei
Um pouco tarde, mas voltei
Quero agradecer aos favoritos e ao comentário, espero que gostem do capítulo! Tenham uma ótima leitura!

Capítulo 3 - Capítulo 3


León Vargas


Ela parecia confusa com o meu pedido e eu também estaria, mas eu não estava afim de discutir sobre isso e perder a música que havia acabado de criar.

– O seu celular, rápido! – varri o seu corpo com o olhar até perceber que ele estava no bolso do avental que ela usava, peguei o mesmo e agradeci mentalmente por não ter senha.

– Espera um momento... – a impedi de continuar falando e abri o gravador, suspirando antes de cantar a música na melodia que criei.

Pero hay cosas que sí sé

Ven aquí y te mostraré

En tus ojos puedo ver

Lo puedes lograr

Prueba imaginar


Podemos pintar colores al alma

Podemos gritar, yeah

Podemos volar sin tener alas

Ser la letra en mi canción


No es el destino

Ni la suerte que vino por mí

Lo imaginamos

Y la magia te trajo hasta aquí


Podemos pintar colores al alma

Podemos gritar, yeah

Podemos volar sin tener alas

Ser la letra en mi canción

Y tallarme en tu voz


Quando terminei, apenas salvei a gravação e enviei para mim por e-mail, devolvi o celular.

– Obrigado. – agradeci e não esperei por sua resposta, apenas saí correndo, pronto para voltar para casa, eu já tinha ideia do que acrescentar depois, os arranjos a fazer. Estava tudo caminhando pelos trilhos certos.


[•••]



Violetta Castillo


Primeiro fiquei sem ação ao vê-lo tomar o meu celular e, antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ouvi a sua voz em uma música que eu nunca tinha escutado antes. O ar me faltou e o meu coração disparou, cada célula do meu corpo sentiu aquilo, aquela letra, aquela voz, meu corpo inteiro respondeu.

– Obrigado. – ouvi-lo dizer aquilo e vê-lo correr logo em seguida me tirou do meu transe.

– Espera! – gritei, tentando acompanhá-lo com a bicicleta, mas eu estava tão absorta, que mal conseguia me equilibrar na bicicleta, o resultado, foi uma queda feia, não só machuquei o joelho como também quebrei meu celular.

Chegar em casa e explicar o que tinha acontecido para a minha tia foi uma luta grande, ainda mais quando o meu foco estava sendo direcionado completamente para a música que não saía da minha cabeça.

– Ai! – resmunguei ao sentir a ardência no meu joelho. – Isso dói, Angie. – reclamei enquanto ela limpava o machucado e ria da minha careta.

– Isso é pra você não vir mais machucada pra casa. – comentou com um ar risonho.


[•••]



Dois dias depois


Não consegui me concentrar em nada desde aquele dia, eu me pegava sonhando até mesmo acordada, eu pensava nele o tempo todo, eu cantava aquele mesmo trecho de música quantas vezes fosse necessário para lembrar que não tinha sido um sonho, ele realmente era real.

Eu queria poder escutar a voz dele mais uma vez, mas o meu celular estava quebrado ao ponto de nem mesmo ligar.

– Ela está fazendo de novo. – Escutei André reclamar, enquanto se sentava na carteira a minha frente. – Violetta, o celular se conserta se você o encarar?

– Se meu celular quebrar, eu perco tudo que tem nele? – perguntei realmente preocupada com o fato de que eu perderia a gravação dele.

– Tirou o cartão de memória? – Federico perguntou e eu neguei.

André pegou meu celular, tirou o cartão de memória, deu para o italiano que o colocou em seu celular e me entregou.

Procurei as gravações e assim que a encontrei, coloquei os fones e apertei o play. Sorri. A voz dele era exatamente igual ao que eu lembrava e me fez sentir ainda mais feliz, o que eu achava impossível.

Pude escutar a gravação toda, antes que os meninos tirassem o fone de meus ouvidos.

– O que eu faço? – perguntei risonha.

– Como assim? – Andrés perguntou confuso.

– Acho que estou apaixonada.

– O QUÊ?!


[•••]



Uma semana depois


A semana que passou foi uma bagunça completa, eu ia até a Puente de la Mujer todos os dias depois da escola, como se eu fosse encontrá-lo a qualquer momento... E eu torcia por isso, era estranho, mas eu me sentia próxima a ele de uma forma estranha e eu queria vê-lo de novo, mesmo que só uma vez. Aquela música, procurei na internet para tentar descobrir que música era, mas ela não existia em mais nenhum lugar.

Com o torneio mais próximo, estávamos ensaiando todos os dias, sempre que podíamos. Precisávamos ganhar, principalmente para eu me redimir da minha última apresentação, por isso, sempre treinávamos na sala de música da escola, Antônio liberava ela para os nossos ensaios.

– Trabalho ou amor? Amor ou trabalho? O que vai escolher? – Federico perguntou enquanto André batucava a característica música de suspense.

Ri.

– O que você disse?

– Você suspira pensando no cara. – ele era, dentre todas as pessoas, o que mais me entendia.

Federico sempre soube dizer o que eu sentia mesmo que eu tentasse esconder, agora André era um tipo de amigo que não sabia lidar com os sentimentos e parecia querer resolver problemas assim com grosseria, mas ele tinha seus momentos bons, eles dois tinham, eles se tornaram meu mundo justamente por isso.

– E se eu nunca mais o vir?

– Violetta! – me assustei com o tom irritado que André usou. – Não é hora de pensar num cara, você está louca? – como eu dizia, ele não sabia lidar com sentimentos, eu conhecia ele bem e sabia que ele não fazia para me machucar, mas, às vezes, era só o que conseguia.

– Tá com raiva por quê? Ela trabalha mais que nós. – Federico interveio, colocando o violão no tripé.

– Como é possível sentir amor a primeira vista? – ele perguntou parecendo quase indignado. – Você está iludida, sendo dramática. Isso é ridículo!

– André! – resolvi interferir eu mesma.

– O quê?

– Você nunca amou ninguém? – perguntei e percebi sua hesitação, eu sabia que sim, ele já tinha amado alguém, eu percebia isso quando o via, eu só nunca soube por quem.

– O quê?

– Como pode ser um engano? Acordo com vontade de vê-lo outra vez, durmo e sonho com ele. Preciso de mais certeza? – perguntei e ele permaneceu em silêncio. – Você sabe como é, então não fale assim comigo.

Me virei e fui embora da sala, escutando-o me chamar para voltar, mas eu não iria ficar ali escutando que eu era uma idiota por estar atrás de alguém que só tinha visto uma única vez.


[•••]



Dia seguinte


León Vargas


– Vai mudar a música título um mês antes do lançamento? – Pablo perguntou parecendo inclinado a rejeitar.

Eu tinha conseguido a melodia ideal, a música ia ficar perfeita, o sucesso da Stray Out ia só aumentar, eu tinha total certeza disso.

– É, quero fazer isso. – respondi simples me sentando no sofá da sala dele.

– Por quê?

– Essa música é melhor, você precisa de outro motivo? – repliquei e ele riu fraco, se sentando diante de mim.

– Vamos tirar uma música que está 70% gravada e recomeçar do zero? – ele perguntou, ainda parecendo inclinado a recusar. – Se não acabarmos a tempo, a multa será alta. E quer meu voto de confiança?

Respirei fundo e me inclinei em sua direção.

– Eu assumo a responsabilidade. – assim que eu falei isso ele acenou concordando.

– Certo. Você é o produtor da Stray Out, faça o que quiser. – comentou, para então continuar. – Mas não sei se os outros vão aceitar. Eles precisam ensaiar.

Eu fiz o que eu sabia fazer de melhor. Ser um idiota.

– A gravação será feita por músicos profissionais.

A Stray Out nunca teve um bom instrumental e eu sabia disso, todos na empresa sabiam disso, até eles mesmos, por isso, fazíamos uso de outros músicos na hora das gravações e das apresentações, para o som sair um pouco menos pior.

– E Alex?

Alex era a exceção da banda, ele tocava baixo muito bem e me fazia pensar que botá-lo no banda, em meu lugar, foi a melhor ideia que eu já tive.

– Ele não me preocupa. Ele sempre aprende rápido.

– Muito bem, então... Eu aceito.


[•••]



– Eu sou contra. – Broduay foi o primeiro a falar sua opinião e eu não gostei nenhum pouco dela. – Não há garantias da música nova ser um sucesso. Por que regravar e adiar o lançamento?

Cruzei os braços.

– Não vou adiar. O lançamento será na data marcada. – olhei para o resto dos meninos. – Nós vamos conseguir.

– León, a nossa agenda já é apertada. Não teremos tempo pra ensaiar. – o brasileiro rebateu e eu revirei os olhos.

– Precisam de tanto tempo assim?

– Você perguntou isso mesmo? – ele perguntou beirando a incredulidade.

– Se os músicos criarem o ritmo certo, vocês só precisam fingir que tocam. Precisam de tempo pra isso? – perguntei, a minha intenção não era ofendê-los, mas foi isso que consegui fazer.

– Está dizendo que não precisamos ensaiar, só fazer o que você manda?

– Broduay, eu não qui dizer... – tentei pôr a mão em seu ombro, mas ele se esquivou.

– Tudo bem. Você é o produtor gênio. – ele se aproximou desafiador. – Quem sou eu pra argumentar, certo? – não respondi, apenas sustentei o seu olhar. – Boa sorte.

Ele saiu. Maxi tentou chamá-lo, mas foi em vão. O clima tenso reinou na sala de ensaio e eu esperei que algum deles falasse alguma coisa.

– Broduay tem razão. – Diego foi o primeiro a se manifestar. – Isso não nos afeta nos programas musicais, mas temos uma turnê pela frente.

– Vocês podem usar a gravação. – tentei argumentar, no momento, eu só queria o melhor para a minha música.

– E se alguém notar que não tocamos? – Maxi perguntou, parecendo magoado com a minha constatação.

– Sei que estão preocupados, mas temos uma música melhor, não dá para ignorá-la. – repliquei olhando para os três membros que permaneceram na sala. – Não posso desistir dela.

– E nós? Você pensou em nós? – voltei minha atenção para Diego, que estava sério, não era a primeira vez que eu o via assim, mas era a primeira vez que eu era a causa disso. Não consegui responder.

Ele se levantou.

– Vamos convencer o Broduay. Até mais. – Diego saiu, sendo seguido por Maxi, me deixando sozinho com Alex.

Levei as mãos a cintura e encarei o teto, respirando fundo. Isso estava pior do que eu imaginava.

– Você gosta de viver assim? – o francês perguntou e eu o encarei.

– O quê? – perguntei vendo o mesmo colocar o baixo que segurava no tripé.

– Mesmo que eles te odeiem... – ele começou. – ... Vai ficar feliz porque é a sua música?

Ri seco.

– Eles não estão satisfeitos, mas vão entender. – pelo menos, era o que eu esperava.

– Entender? Não, eles vão aceitar. – Alex se levantou e sorriu de canto. – Como quando você saiu da Stray Out.

– O que quer dizer? - me aproximei devagar.

– O que os outros não dizem. – franzi o cenho. – Sei que é talentoso, mas não pode ficar nos controlando. – foi a vez dele de se aproximar. – Só eu posso te dizer isso. Não comecei na banda com você, nem sou músico de estúdio substituível. – ele se virou, pronto pra sair e foi aí que eu entendi aonde ele queria chegar.

– Hmm. – murmurei, tornando a cruzar os braços. – Entendi aonde você quer chegar. O guitarrista do estúdio. Sei que ele é seu amigo.

Ele voltou a me olhar. Um olhar frio, que eu bem conhecia e não temia.

– É parte do motivo. Eu era músico de estúdio e acabei na Stray Out... – um sorriso repleto de escárnio apareceu em seu rosto e ele apontou para mim. - ... No seu lugar.

Dito isso, ele foi embora, me deixando sozinho na sala. Eu sei que eu não estava certo, mas tudo que eu fazia era para não destruir a vida deles diante das fãs, não podia deixar que a empresa tirasse a única coisa boa que restava para eles. Não ia deixar que tirassem a diversão deles como Pablo tirou a minha anos atrás.

– O que você fez? – perguntei, furioso com o produtor diante de mim. – Não é assim que tocamos.

A música que ele estava me mostrando não era a nossa, não era nenhum de nós tocando e ele não parecia nenhum pouco mal por ver que eu percebi a diferença. Ele pausou a música.

– Você notou. Eles nem perceberam. – murmurou se escorando na mesa de som. – Chamei os melhores músicos de estúdio.

– Quer que a gente finja que toca? – a minha indignação era clara em minha voz. Não estava gostando daquilo nenhum pouco. – Como fantoches?

– Quer estrear sozinho como compositor? – ele rebateu minha pergunta com outra e eu arregalei os olhos, surpreso com aquela constatação.

– O quê?

– Você acha que seus amigos conseguiriam tocar a sua música? – ele se levantou. – Você tem bom ouvido, já deveria saber. – o botão do play foi alertado mais uma vez e a música voltou a soar em meus ouvidos. – Você tem boas músicas na cabeça. Como está aqui.

Parei um pouco. Apenas escutei a música, era exatamente como eu imaginava, diferente de quando tocávamos, quando realmente me concentrei na música, pude identificar o som do baixo que substituiu o meu e eu soube... Ele era muito bom.

– Quem é ele? – perguntei, deixando Pablo confuso.

– O quê?

– O baixista que me substituiu. Quem é ele?

Lembro que, naquele mesmo dia, ele me levou para conhecer o baixista que havia me substituído na gravação. Clement Galan... Alex... Ele continuava sendo o baixista mais incrível que eu já tive o desprazer de conhecer.

– Se me disser como quer, eu faço. – ele falou, simples, parando de tocar e eu só pude me bater mentalmente por estar parecendo um paspalho diante dele.

– Então... – engoli em seco, eu sabia o que tinha que fazer, eu precisava fazer, não podia usar ninguém, eu não queria usar a música de ninguém. – Posso te pedir um favor?

– Claro. – respondeu de bom grado.

E de novo, eu quis me bater mentalmente por estar com ciúmes de um cara que parecia não ter nada contra mim.

– Toque baixo na Stray Out no meu lugar. – vi sua expressão surpresa, mas apenas continuei. – Eu não vou mais tocar.

Era isso, eu entendia o que eles estavam sentindo, mas, ainda assim, eu não podia desistir da música, eu não podia desistir daquilo.


[•••]



Violetta Castillo


Eu estava nervosa, meu coração parecia pronto para puxar fora do meu peito. Os gritos histéricos só aumentavam ainda mais a minha ansiedade.

O torneio já tinha começado e eu só vi os melhores subindo naquele palco, eu tinha certeza que não conseguiria nem mesmo chegar aos pés deles. Eu amava cantar, mas eu me sentia perdida em cima de um palco, sempre sozinha, mesmo que eu estivesse com Federico e André comigo.

– Temos que nos preparar. – Federico falou e eu assenti, tirando o case das costas para pegar o violão.

Levei a mão ao pescoço para sentir a medalhinha que tanto me acalmava, mas acabei por não sentir nada.

– Minha medalhinha. Onde está? – olhei para o chão, começando a procurar por entre as pessoas.

– Aonde você vai? Ei! Precisamos nos preparar.

Ignorei Federico e já estava pronta pra sair, mas André me segurou.

– Você está louca? Aonde vai?

– Lá fora um minuto. – respondi tentando sair mas ele tornou a me impedir.

– Não há tempo, vamos tocar agora.

Tinha algo errado. Estava tudo errado, eu não ia conseguir.

Eles me arrastaram até o palco e lá estava eu, me sentindo sozinha mais uma vez, assustada com todos os olhares em cima de mim.

– Violetta? – escutei o apresentador chamar. – Você deve estar muito nervosa. Vamos animá-la com uma salva de palmas.

O som das palmas parecia distante para mim, tudo estava girando e flashes iam e viam na minha mente. Eu era só uma criança, éramos pequenos ainda, estávamos cantando, por que estávamos cantando?

Meus olhos marejaram.

Era um recital... Isso, um recital da escola, mas por que eles gritaram? As vozes em conjunto... Por que elas estavam chorando? Eu era pequena demais, eu não conseguia entender o que estava acontecendo.

_"Por que você estaria sozinha? A mamãe, o papai e a vovó estarão na primeira fila."_ – a voz dela ecoou em minhas lembranças e a lágrima teimosa caiu.

Era tudo mentira, eu estava sozinha.

– Bem... Os jurados reprovaram vocês. Lamento, mas a banda da escola On Beat está desclassificada. – outra lágrima caiu. Por que tão fraca? – Lamento, mas vão ter que sair do palco.

Eu ia sair, mas, antes que eu pudesse, meu olhar sobrevoou a platéia e foi na direção de uma pessoa específica, eu lembrava dele.

Arregalei os olhos, ele estava ali. O dono dos meus pensamentos estava ali, caminhando para fora da empresa, meu peito de encheu, não sabia dizer de quê. Meu coração pulsou forte e rápido. Eu tinha que fazer alguma coisa, ele estava indo embora.

– Ei, Violetta! Vem, temos que ir. – André me chamou, mas eu não dei ouvidos, estava seguindo os passos dele com o olhar.

_"Se lembra do que eu disse quando eu te dei a medalhinha?"_

– Não tenha medo. – sussurrei para mim mesma e olhei para o microfone, inclinada a fazer aquilo.

E eu fiz. Respirei fundo e cantei, cantei o trecho da música que assolava o meu coração e envolvia a minha mente. Ele já estava na porta giratória, quando comecei.


Pero hay cosas que sí sé

Ven aquí y te mostraré

En tus ojos puedo ver

Lo puedes lograr

Prueba imaginar


Ele parou, mas para o meu azar, ele apenas se abaixou, pegou algo do chão e estava prestes a voltar a andar. Cantei mais alto.

Podemos pintar colores al alma

Podemos gritar, yeah

Podemos volar sin tener alas

Ser la letra en mi canción


Sorri ao ver que tinha conseguido a sua atenção, ele se virou em minha direção e o meu coração pulsou ainda mais em alegria. Continuei até onde eu me lembrava.


No es el destino

Ni la suerte que vino por mí

Lo imaginamos

Y la magia te trajo hasta aquí


Podemos pintar colores al alma

Podemos gritar, yeah

Podemos volar sin tener alas

Ser la letra en mi canción

Y tallarme en tu voz

Ele ainda estava ali, era ele e eu só pude sorrir antes de vê-lo ser arrastado para fora, por alguém que estava querendo entrar.

Não pensei duas vezes, apenas corri. Corri para fora do palco e nem mesmo falei com Federico e André que queriam explicações sobre o que eu fiz, apenas saí da empresa.

Ele estava ali e eu precisava falar com ele.

[•••]


León Vargas


Eu não sabia dizer bem o que eu senti. Era a minha música, cantada por alguém que eu não fazia a mínima ideia de quem era. Eu estava surpreso, talvez... Pensava na probabilidade da minha música ter vazado em algum lugar, mas eu já teria descoberto, não é?

Não tive tempo de raciocinar, porque eu já estava sendo empurrado para fora e tive menos tempo ainda para me preparar para o furacão pequeno que se aproximava de mim, completamente animada.

– Finalmente nos encontramos! – os passos que ela avançava era os mesmo que eu dava para trás, a fim de manter meu espaço.

Quando ela parou de andar, estava ofegante e eu tive o meu tempo para ficar confuso com aquela cena.

– Você me conhece? – perguntei e ela pegou o celular afobada, pendurando o violão.

– Meu celular! – ela exclamou como se isso respondesse muita coisa.

– Perdão?

– Você usou meu celular na Puente de la Mujer. – explicou e eu franzi o cenho tentando me lembrar.

Lembrei da música, da Puente de la Mujer e, logo em seguida, me veio ela na cabeça, era a garota da bicicleta que eu tinha tomado o celular.

– Ah, sim, aquela vez... – ela me interrompeu tomando minha mão direita.

– Você acredita em amor à primeira vista?

Arregalei os olhos com a pergunta súbita, já não sabia mais o que responder.

– O quê?

O silêncio reinou e eu deci meu olhar até sua mão que segurava a minha, percebendo o que tinha feito, ela soltou a minha mão e se afastou um pouco mais, parecendo um pouco envergonhada por sua atitude.

– Sabe, pode parecer absurdo, mas não consegui te esquecer. Eu te procurei, porque eu queria te ver de novo.

Sim... Isso era absurdo e eu estava me vendo em um situação de onde não tinha saída.

– Mas... – tentei falar, mas ela me interrompeu mais uma vez.

– Eu só tinha a gravação da sua música.

– Gravação? – perguntei confuso até me lembrar que eu não tinha apagado a gravação do celular dela.

– Sim, pensei em postá-la... – a interrompi, nervoso.

– Postou na internet? – perguntei exasperado e talvez até um pouco alto demais.

– Não, só pensei em postar.

Fiquei um pouco mais aliviado.

– Não pode fazer isso! Nunca! Entendeu? – perguntei e ela assentiu, ainda sorrindo. – Onde está o arquivo?

Ela me mostrou o celular.

– Aqui.

– Me dá o seu celular. - tentei pegá-lo da sua mão,mas ela foi mais rápida ao afastá-lo de mim.

– Por quê?

– Bem...

O que eu responderia? Não podia simplesmente dizer que queria apagar, ela perguntar o motivo e eu não poderia dizer que era uma composição feita especialmente para a Stray Out, Não conheço ela, ela poderia me chantagear.

Pensei rápido. Não foi ela quem falou em amor a primeira vista?

– Eu queria pedir seu número de telefone. – respondi, acalmando mais a voz, deixando-a no tom normal.

– Meu número?

– Sim. – sorriu. – Porque acredito que se apaixonou à primeira vista.

Eu sei que era errado, eu estava iludindo ela de certa forma, mas eu precisava apagar aquele arquivo com urgência.

– Me dá o seu número.

Quando ergui a mão com o celular percebi que ainda segurava o colar que tinha encontrado no chão, aquele furacão tinha me feito esquecer dele.

– Minha medalhinha! – ela pegou o colar da minha mão.

– É sua?

– É! Onde encontrou? – perguntou, parecendo animado ao reaver seu colar.

– Entre as portas giratórias. – respondi e puxei o colar de suas mãos para que ela ficasse na parte mais importante da conversa. – Escute. Qual o seu nome?

– Violetta Castillo. – ela respondeu com um riso fraco.

– Violetta Castillo. – pronunciei cada sílaba devagar, gostei de como seu nome soou. – Certo. Pegue. – devolvi o colar e entreguei meu celular. – Me dê o seu número. - pedi e ela começou a digitar, realmente animada.

Suspirei enquanto a observava. Ela era bonita demais e parecia muito encantadora, a voz dela também me era familiar e expressiva, era uma boa cantora ao que parecia, parecia ser alguém gentil, estava me crucificando por estar fazendo isso com ela... Por estar fazendo algo que eu fazia muito bem... Mentir.


[•••]




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