História Liars - Capítulo 4


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Notas do Autor


Ok, faz um tempo que não atualizo isso aqui... eaí, como estão? espero que bem skksksks

Desculpem-me pelo atraso, e boa leitura <3 Espero que gostem :3

Capítulo 4 - Um idiota um pouco menos idiota


Fanfic / Fanfiction Liars - Capítulo 4 - Um idiota um pouco menos idiota

– Vai pra casa mais cedo hoje? – Perguntava Miku, enquanto arrumava meus materiais em minha bolsa – Ah, é por aquele seu trabalho de meio período, certo?

– Sim, sim – respondi, agora pronta para ir embora. – Me pediram para chegar mais cedo hoje.

Algo que havia esquecido de mencionar aqui: às sextas, eu passo a noite em um trabalho que uma amiga arrumou para mim desde o ano passado em uma loja de conveniência. Meu horário costuma ser das 18h até as 22h, mas hoje tinha que fazer um favor pra minha chefe, por isso a saída antes das atividades extras.

– Ah, entendi! A propósito, Rin... – Miku se levantou de sua carteira rapidamente, apanhando seu celular coberta por entusiasmo. – Olhe isso! Olhe, olhe!

Me aproximei de minha amiga para ver do que se tratava; logo vi na tela de seu celular uma janela de bate-papo online:

Kai-chan ♡ : Podemos sair juntos depois da aula hoje? Queria te pedir algo importante...

– Acho que ele vai me pedir em namoro!

– Uau! Sério? – Ignorei o fato do nome de Kaito estar como “kai-chan" nos contatos dela. – Não estariam indo rápido demais?

– Que nada! Ele é tão fofo comigo!

– Okay, mas isso não tira o fato de ser rápido demais. Vocês ao menos saíram juntos mais uma vez?

– Mas e você e seu irmão? Como foi? – Perguntou ela, me ignorando totalmente.

Len – Corrigi – Foi ótimo, tirando a parte em que... brigamos.

Eu dei um soco nele. E talvez, um bem mais forte que nas outras vezes.

Mas é claro! O que ele esperava me beijando daquele jeito? Um soco foi até pouco! Mas acontece que não trocamos uma única palavra desde então... teria sido inusitado demais?

Não é como se tivesse sido a primeira vez que ele apanhou de mim, e ele mereceu por ter roubado meu primeiro beijo daquela forma! Eu acho.

Talvez eu não quisesse ter feito aquilo...

Aaah, pare de preocupar com esse idiota, Rin!

Me despedi da Miku e segui para as escadas. Não precisei me explicar nem mesmo pra diretora, tanto ela quanto meus professores estavam acostumados com meus dias de trabalho, então estava tudo no controle.

Enquanto descia as escadas dando uma olhada nas horas em meu smartphone, ouvi um som estranho com baixas risadas no fundo. Mais dois passos até virar para os próximos degraus e pronto: estava uma garota do terceiro ano, Luka, aos beijos com...

Len?

Minhas pernas travaram.

Meu corpo não se movia por mais que eu quisesse desaparecer dali. Eles nem notaram minha presença, ou apenas a ignoraram completamente.

Quando finalmente caiu a minha ficha do que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz, minhas pernas se moveram até demais. Desci todas as escadas até chegar ao térreo, logo passando para fora do prédio onde ignorei acidentalmente dois amigos que tentaram falar comigo. Continuei na mesma velocidade até estar longe da vista de qualquer janela, nem sabia em qual direção estava indo, só queria estar o mais longe possível deles.

Ou o mais longe possível dele.

Nem mesmo sabia que podia me sentir tão mal por aquele idiota!

Parando pra recuperar um pouco de fôlego, encostei minhas costas sobre um muro. Foi quando me dei conta de que estava chorando.

Merda.

Ele estava beijando ela. Por que isso me machuca? Por que ele estava beijando outra depois de ter me roubado um beijo? Por que ele é tão estúpido?

Por que eu sou tão idiota?

Limpei meu rosto com as mãos o mais brutalmente que pude, respirei fundo, e segui até meu trabalho. Não tenho tempo pra chorar por um estúpido, nem mesmo pensar nele!

Queria dar outro soco naquele nariz. Que raiva!

Caminhando até rápido demais, acabei por pegar meu celular e mandar uma mensagem pra Len.

 

Rin: Idiota! Ignorante! Pervertido! Estúpido! Alien!

 

Maldito impulso.

Por que diabos o chamei de alien? Não tem nem sentido.

Pouco tempo depois cheguei na loja onde trabalho, o céu já estava se tornando laranja.

– Rin! Que bom vê-la! – Disse minha chefe, me dando um forte abraço. – Está com cheirinho de limão como sempre ♡

Ela não regula muito bem.

– Fez um corte de cabelo novo? Parece um pouco menor. – Continuou ela.

– Ele não sai desse mesmo tamanho já tem um tempo... – Triste realidade de quem tanto espera seu cabelo crescer.

O pior é que quando cresce, eu corto de novo.

– O que aconteceu com você? Parece triste.

– N-Nada! – Esqueci que meus olhos estavam vermelhos pelo choro...

– Não me diga que foi por um garoto!? Ah, é sempre assim quando somos adolescentes. Mas aproveite enquanto é jovem, vai sofrer bem mais depois. Por isso eu digo: beba bastante saquê que nada vai te fazer sofrer.

– Muito obrigada pelo conselho. – Se é que isso foi um.

– Pode me ajudar com essas caixas, meu amor?

– Sim, senhora Meiko!

Fui às pressas até o pequeno banheiro de empregados para vestir meu uniforme. Enquanto trocava as roupas, ouvi meu celular notificar uma mensagem, era Len. Respirei fundo e ignorei.

Vestida com as simples roupas, fui ajudar Meiko a desempacotar algumas mercadorias enquanto outro colega de trabalho ainda chegava. Logo depois fui atender no caixa eletrônico, deixando meu celular próximo de mim sobre a mesa. O mesmo notificou outra mensagem de Len.

Agora eu estava curiosa. Mantenha-se firme!

Enquanto atendia uma moça, ouvi o mesmo som que já estava ficando irritante.

Tá, que seja!

Peguei o celular pra ler o que aquele bastardo queria falar comigo.

 

Len: Já acordei levando xingamentos. Valeu, irmãzinha! Haha

Len: Seu pai está desmaiado no quarto e eu tô com fome, sabe alguma pizzaria por aqui?

Len: Len morreu de fome, aqui quem fala é um alien que tomou seu corpo. Sabe alguma loja de conveniência próxima?

 

– QUÊ? – Gritei sem querer e todos olharam pra minha cara, inclusive Meiko. – D-Desculpa.

É, a curiosidade matou o gato.

O que ele quis dizer com “acordei levando xingamentos”? Ele não foi pra escola? Eu vi um clone?

Rin: Você não foi pra escola hoje?

Ele me respondeu no mesmo segundo

Len: Eu tô gripado, esqueceu? Que irmã ótima você é!

Rin: Você nem mesmo olha na minha cara! Como eu ia saber que não foi?

Len: Você quem não olha na minha cara. E olha que quem levou o soco fui eu.

Rin: Claro! Me beijando a força daquele jeito, esperava o que?

Len: Depois de me olhar durante o encontro inteiro pra ver se eu estava realmente afim da sua amiga, parecia querer aquele beijo.

Meu rosto corou. Estava prestes a xingar ele de todas as formas possíveis, até ser interrompida.

– Com licença. – Disse um rapaz que esperava pra ser atendido. Não parecia ser muito mais velho que eu.

– S-Sim! Ah, desculpe.

Após passar a mercadoria, dei o preço e logo ele abriu a carteira pra pegar uma nota. Após estender a mão, fui apanhar o dinheiro o que fez nossos dedos se encostarem. Eu queria pegar, mas ele não soltava.

– Senhor, o pagamento... – Disse, um pouco desconfortável.

Ele me fitou, e continuou segurando minha mão.

– Senhor!

– Ah, Desculpe. – Soltou.

Devolvi o troco o mais rápido que pude, pois ele não parava de me encarar. Engoli a seco quando o mesmo apanhou a sacola com sua mercadoria e seguiu até a porta da loja, me dando uma última olhada antes de sair por completo.

Pensei em reportar pra Meiko, mas isso traria problemas a ela. Ao mesmo tempo em que eu estava com medo de fazer qualquer coisa. Era melhor deixar passar do que fazer algo imprudente, ao menos eu acho.

Olhei no celular, era 20h.

Continuei meu trabalho normal após mandar uma mensagem para Len dizendo que levaria uma lasanha pra dividirmos. Ao bater 22h, fui me trocar pondo meu uniforme escolar de volta pra ir embora.

Me despedi de Meiko, na qual me deu um forte abraço como sempre, e logo saí com a lasanha em uma sacola.

Passando pela próxima esquina, notei um rapaz sentado em um dos bancos de praça que havia na calçada. Era o mesmo que me encarou durante o trabalho. Minha coluna se arrepiou. O ignorei e segui meus passos agora um pouco mais rápidos que o normal.

A rua estava deserta, quando olhei pra trás, ele estava se levantando do banco pra me seguir.

Merda.

Peguei meu celular e comecei a ligar desesperadamente pro meu pai.

Atende, pelo amor de Deus!

 

Chamada não atendida

 

Teimei em ligar novamente, enquanto continuava em passos rápidos. Até que finalmente alguém atendeu.

– Pai!

– Não sou seu pai, mas estou com fome – Disse Len.

– Tá, você serve! Tem um homem me seguindo, sabe onde fica a rua 34?

– Acabei de me mudar, mas eu dou um jeito.

Desligou na minha cara, idiota!

Enquanto andava quase correndo, encontrei um bar ainda aberto. Está ótimo! Me sentei em uma das cadeiras vagas e apenas fiquei quieta, tentando disfarçar a respiração fora do normal. Depois de contar até 10 umas 4 vezes, olhei para trás disfarçadamente e notei que o homem ainda estava ali, me esperando. Meu coração apertou.

– Desculpe, senhorita. Estamos fechando. – Disse uma garçonete.

– Sem problemas, estou apenas descansando um pouco. Torci o tornozelo, sabe?

– Está tudo bem?

– S-Sim! – Eu minto tão mal assim?

– Temos que retirar as mesas.

Me levantei, mas me mantive ali, próxima de onde tinha gente. Cadê aquele idiota?

Quando a loja estava prestes a fechar por completo, fui praticamente expulsa do lugar. Voltei a caminhar em linha reta como se nada tivesse acontecendo, e o homem voltou a me seguir.

Meu coração estava prestes a saltar quando esbarrei com alguém em uma esquina. Era Len.

– Seu idiota! Por que sempre demora tanto?

– Você me deu o nome de uma rua enorme, como eu ia adivinhar em qual lado era? Andei mais de mil números.

Quando me dei conta, ele estava ofegante. Sinal de que havia corrido até aqui. Sem ao menos pensar, o abracei.

Fizemos silêncio. O que fiz foi algo estranho? Só quando parei naquele momento que notei meu corpo tremendo.

Sim, eu estava apavorada.

– Vamos pra casa. – Sorriu.

Ah, ele sabe ser carinhoso? Que novidade.

Após Len envolver meus ombros em seu braço, virei meu rosto procurado pelo perseguidor e ele havia desaparecido. Foi estranho como me senti tão segura na presença de Len. Porém, apenas tentei me acalmar enquanto começamos a andar.

– Tem que tomar cuidado ao andar a essa hora sozinha. – Comentou ele. – Ainda mais com esse uniforme.

– Não é c-como se eu pudesse fazer algo. – Ainda estou tremendo, que droga.

Estar tremendo de medo ao lado do meu irmão mais novo – e idiota – é um veneno ao meu orgulho.

– Você larga às 22h sempre?

– Sim. Por que a pergunta?

Ele apenas negou com a cabeça e seguimos em silêncio. Essa foi a primeira vez que tive uma conversa normal com ele, sem piadas de duplo sentido, ou coisas do tipo.

Foi até agradável.

Ao chegarmos em casa, notei que meu pai ainda estava apagado e Lily ainda não tinha largado de seu emprego. Segui fazendo nossa lasanha, enquanto Len sentava-se no sofá procurando algo nos canais da tv.

– Não tem nada de terror aqui?

– São canais avulsos, não sei se tem algum passando algo de terror. Abre o menu.

– Onde diabos acha isso no controle? Ah, achei.

Bufei. Estávamos brigados, mas estranhamente agíamos como irmãos. Ou algo perto disso.

Enquanto esperava a lasanha ficar pronta, encostei-me na bancada sem olhar para ele.

– Obrigada.

– Pelo que?

– Por ir lá me buscar.

– Não precisa agradecer, claro que eu iria resgatar minha preciosa irmãzinha em apuros.

Agora sim ele voltou ao normal.

– Idiota.

– De nada. E desculpa por aquilo.

Me arrepiei.

– Aquilo o que?

– O beijo. Foi seu primeiro, não foi?

– C-Como sabe? Foi tão ruim assim?

– Disse isso pelo soco.

Eu automaticamente ri sem preocupações. E ele me acompanhou. Ouvir nossas risadas era como um sinal de que podíamos nos dar bem.

Assim ele me deixaria em paz?

Logo separei a lasanha pra nós dois e fui me sentar ao seu lado. Estávamos em um clima agradável, mas ainda era estranho por ser a primeira vez.

Finalmente Len achou um filme de terror e ficamos assistindo enquanto comíamos. Ao terminar, deixamos os pratos na mesinha de centro e continuamos assistindo até o próximo filme começar, o que era de comédia romântica.

– Ah, começou esses filmes mentirosos. – Disse.

Sim, sou apaixonada por romances. E não, não acredito no típico “felizes pra sempre”. Eu tenho vontade de experimentar aquele amor louco no qual você se joga de cabeça, mas ao mesmo tempo não acredito que exista. Irônico, não?

– Por que mentirosos? Não acredita em amor verdadeiro? – Disse em voz debochada.

– Ninguém é feliz pra sempre. Até mesmo quando você encontra alguém, esse alguém vai embora de uma forma ou de outra. Logo não vale a pena. – Sempre que toco no assunto, lembro-me de meus pais.

E principalmente da dor imensa que vi meu pai sentir.

– O termo ser feliz pra sempre não precisa durar pra sempre. Quando você ama alguém de verdade, esse amor se prevalece mesmo depois que esse alguém for embora. Mesmo que doa, você foi feliz, e esse momento de felicidade fará parte de você pra sempre. Mesmo que no começo seja uma memória dolorosa, depois de um tempo será algo que você irá gostar de recordar. – Deu uma pausa pra tomar um gole de refrigerante. – Ao menos é assim que eu penso.

– Uau, nunca pensei que ouviria algo tão maduro vindo de você. – Embora ainda não concorde.

– O que pensa que eu sou? Um nanico pervertido cheio de piercing que não sabe nem escrever o próprio nome?

É, quase isso.

– Claro que não. – Rimos juntos mais uma vez.

Ficamos em silêncio durante alguns minutos até ele se levantar pegando os pratos.

– Vou lavá-los rápido para me deitar.

– Já? Amanhã é sábado. – Um homem indo lavar louça por conta própria? Que cavalheiro.

– Eu corri quatro quarteirões e revirei uma rua enorme ponta a ponta, tô esgotado. – riu.

Ele realmente foi correndo.

– Eu lavo então. – Me levantei, seguindo-o até a cozinha.

– Não precisa, eu sempre fui colocado pra lavar as louças da minha mãe.

– Não estou falando que você não sabe lavar louça, só retribuindo um favor.

–  Pode retribuir de outro jeito. – Sorriu perversamente, como sempre.

Esqueça tudo que eu disse sobre nos darmos bem!

– Esquece, pode lavar! – Me virei indo subir as escadas.

– Irá me retribuir de outro jeito mesmo?

Nunca!

Ele falou algo mais, porém não deu pra ouvir depois de fechar a porta do banheiro comigo dentro. Tomei um rápido banho, escovei meus dentes um tanto sonolenta, e penteei meu cabelo. Já pronta pra me deitar.

– Me ignorou, que má.

Ah, ele ainda existe.

– E vou continuar ignorando.

– Agora você me respondeu.

Grunhi e segui pelo corredor, ao passar na frente de Len que estava terminando de subir as escadas, o mesmo soltou um leve assopro em minha orelha esquerda, me arrepiando. Meu corpo esquentou como sempre, já estava até me acostumando com sensações estranhas. O ignorei – o máximo que pude – e continuei até meu quarto, abrindo a porta.

– Boa noite. – Disse ele.

– Uma péssima noite pra você! – Disse, fechando a porta em sua cara.

Peguei meu celular e me joguei em minha cama. Relaxando meu corpo, fitei o teto que possuía um forro rústico de madeira.

Sem perceber, meus pensamentos estavam em Len. O que me trouxe um leve sorriso espontâneo.

Por que diabos eu tô sorrindo pensando nele?

Ah, vamos lá... talvez ele seja um idiota um pouco menos idiota.

Bom, ao menos nos reconciliamos. Isso é bom? Ou não deveria ser?


Notas Finais


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Obrigada pela leitura <333


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