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História Liberdade de Verão - Capítulo 1


Escrita por: e ColinCipher


Capítulo 1 - "O Novo Lar"


Fanfic / Fanfiction Liberdade de Verão - Capítulo 1 - "O Novo Lar"

- É aqui onde você desce, garoto. 

Afirmou o motorista com a voz embargada quando o ônibus parou no meio-fio em frente à plataforma de desembarque. Com um guinchar dos freios que gerou um bate-boca entre os outros passageiros por fazer o veículo dar uma guinada. 

Eri - Obrigado. 

Falou Eric ao arrastar-se para fora do ônibus. Com uma mochila sobre o ombro e a bolsa de viagem numa das mãos. Esticou-se todo por um momento. Após sentir as pernas um pouco bambas com a longa viagem. Esperava um emaranhado de gente do lado de fora. Pronto para saudá-lo. Só que a única coisa que Eric via era um amontoado de troncos caídos. Tocos de árvores e folhas mortas. Além disso grama cobria o asfalto do ponto de ônibus. 

Eri - Ah, bosta. 

Suspirou com tom temeroso. Já podia sentir a comichão provocada por sua alergia. Mas se qualquer tipo de madeira fazia com que se sentisse mal. Árvores vivas eram ainda piores. 

Eri - Eles devem ver um bocado de vida selvagem por aqui. 

Observou o garoto com voz seca. Ainda que sem interesse algum. Esfregando os olhos. Não conseguia evitar que a paisagem o distraísse. Afinal era um garoto da cidade. Não vira nada em ambos os lados da estrada de cascalho por meia hora. Nada além de árvores. Nem mesmo outros carros. Só bosques e mais bosques. Como se aquela floresta se espalhasse como uma infecção por todos os lados. 

- Um pouco de tudo: alces, ursos, lobos, veados. Os guaxinins e os ursos às vezes causam problemas. 

Riu alguém atrás dele. Como se risos não lhe viessem com facilidade. Eric virou-se só para encontrar um homem sentado num toco de árvore. Era pelo menos 15 centímetros mais alto do que o garoto. Meio corpulento. Usava uma camiseta floral salmão de mangas curtas que expunha os braços musculosos. Apesar do clima estar um pouco frio.

Eri - Tio Bud...?

Pigarreou Eric. Sentindo ter voltado a ser um pouco mais o garoto californiano que era. Era para ser o tipo de reunião sentimental cara a cara. Para dizer o mínimo. Só que Eric não vira o tio desde o velório dos pais. Quando o acidente de carro o deixara órfão. Por isso o garoto achava que essas coisas eram inatas. Algumas pessoas sempre se preocupavam. Claro. Outras nunca o faziam. Eric supunha que seu tio pertencesse à última categoria. Mas depois de horas no divã com o psicólogo. Descobrira que Bud fizera os acertos para levá-lo para morar com a família no Oregon. Pelo menos. Cuidar de seus interesses. 

Bud - Você deve ser o Eric. 

Falou o homem com um sotaque sulista. Gentil à sua maneira. 

Bud - Como você já bem sabe, sou Buddy Gleeful...

Eri - O irmão do meu pai.

Concluiu o garoto sem rodeios. Não conseguia desviar os olhos do chapéu de palha do tio. Aquilo disfarçava descaradamente a ausência de cabelo.

Bud - É, isso mesmo.

Falou Bud meio sem jeito. Forçando um sorriso. Talvez parecesse aliviado por Eric não ter lhe estendido a mão.

Bud - Isso é tudo o que você tem?

Indicou bagagem com a cabeça.

Eri - É só isso. 

Deu de ombros. Sem se orgulhar nem se sentir culpado. Viajar com pouca bagagem era algo conveniente para alguém que se mudava tanto quanto ele.

Bud - É. Só isso.

Repetiu Bud solenemente. Como que para gravar na memória. Só então guiou Eric em direção a um Rolls-Royce acinzentado. Com um veleiro pintado na porta.

Bud - Está pronto?

Apoiava-se na porta do passageiro ao dizer. Eric deu de ombros outra vez. Era óbvio que ele não estava pronto para absolutamente nada. Por isso fechou os olhos e procurou seu centro interior. Como a mãe lhe ensinara. 

Eri - Você consegue. Já fez isso antes. Você é bom em conhecer pessoas novas. 

Só que essa nova cidade era pequena. Com cerca de cem habitantes. De acordo com o panfleto. Eric nunca se dera bem em cidades pequenas. Provocava ondas demais para sobreviver num laguinho. Para dizer o mínimo. Precisava descobrir um jeito de ter sucesso ali. Sabia que precisava. Pelo menos. Quatro anos mais tarde ele poderia voltar para a cidade grande e desaparecer. Quatro anos mais ele poderia reivindicar seu enorme fundo fiduciário. Quatro anos que pareciam uma eternidade.

Eri - Estou pronto, acho.

Falou o garoto com voz suave. Bud concordou com um aceno de cabeça. Ergueu as malas de Eric com facilidade. Jogou-as no banco traseiro e fez um gesto ao sobrinho para que se sentasse no banco do passageiro.

Bud - Estamos a minutos de viagem até em casa.

Explicou enquanto entrava pelo lado do motorista.

Bud - Isso nos dá a oportunidade de nos conhecermos. 

Saíram do ponto de ônibus e viraram numa rodovia solitária. Eric sabia que havia uma cidadezinha ali perto. Mas o destino deles ficava 30 km floresta adentro. Sem muita coisa no caminho. 

Bud - Você veio direto de San José ou passou algum tempo em casa? 

Indagou Bud de olho na estrada. 

Eri - Eu vim de São Francisco, na verdade, mas passei o verão passado em San José, num acampamento com uns amigos.

Falou Eric. Sentindo-se tonto e desorientado. Talvez fosse em consequência do ônibus. Estranho. Mais estranho para alguém que costumasse se sentir bem após viagens de transportes públicos. Só que a cabeça dele doía. Como se aros de metal se fechassem ao redor de sua testa.

Bud - Teve um dia longo, então. 

Falou Bud ao passarem por um posto de gasolina. Algumas casas espalhadas. Árvores e mais árvores. Eric baixou o vidro na esperança de que o ar fresco o reanimasse. Só então entraram numa densa floresta de pinheiros e álamos. Seguindo um longo trecho ininterrupto de árvores. Copas cheias de folhas se arqueavam e se encontravam no alto. Filtrando a luz em frágeis raios que mal coloriam o chão. Já o ar pairava denso. Com o cheiro de coisas verdes mortas havia muito tempo. Semi-decompostas.

Bud - Sei que mudou de escola diversas vezes, Eric. Mas acho que você vai gostar daqui, depois que se aclimatar. 

Eri - Ceeeerto. Parece uma boa estratégia. 

Falou o garoto com ceticismo. Agora realmente fazendo uma careta. Claramente Bud recebera uma tarefa ingrata a qual obviamente executava a contragosto. Eric imaginou como o tio teria reagido na reunião da firma de advocacia: 

Bud - Levar o pirralho até o Oregon? Sob a minha guarda?

Perguntara na certa. 

Bud - Não podemos simplesmente deixá-lo no ponto de ônibus e esquecê-lo? Ou num orfanato? 

Isso teria sido muito arriscado. Havia a possibilidade de o menino fugir. Só que após o incidente no primeiro fim de semana. Eric passara a ser considerado um fugitivo em potencial que precisava de acompanhante. Como um bebê. Isso era de enlouquecer os miolos. 

Eri - Não demonstre seu medo.

Murmurou para si mesmo. Afinal não queria parecer uma chorão. Não ao lado do tio que não via desde pequeno. Por isso Eric continuou olhando para frente. Observando o carro atravessar o denso matagal. Até que as árvores começaram a escassear e a luz aumentou. 

Eri - Parece... ahn... isolado. 

Olhava para frente ao dizer. Tentando não pensar no que o esperava. Uns vislumbres de água e o ar mais fresco anunciaram que haviam chegado ao destino. 

Bud - Ah. Bem. É mais ou menos isso. Dá para se caminhar por quilômetros sem nunca deixar a propriedade. 

Falou Bud como se aquilo fosse um bônus. Conduziu o carro adiante por mais 40 metros. Até onde a quantidade de árvores diminuía. Revelando o chalé de aspecto antigo. Com uma imensa placa de anúncio no qual se lia Cabana do Mistério. Sua entrada parecia circundada por pessoas perambulando ao redor. Algumas se reagrupando e prontas para partir. Outras procurando o dinheiro nas bolsas e carteiras. 

Bud - Chegamos. 

Anunciou o tio. Entregando a Eric uma chave cheia de dentes.

Bud - A sua suíte é a que está atrás de uma grande prateleira. Precisa de ajuda com a bagagem? 

Eri - Não, obrigado. Eu me viro. 

Falou o garoto com amargor. Observando a construção. Era uma casa destinada aos que já sabiam se cuidar sozinhos. Só que quando a viu pela primeira vez. Eric sabia que estava numa fria. Não que alguém pedisse sua opinião sobre alguma coisa. Afinal não era algo de que gostasse de falar. Sua vida não poderia se tornar mais deprimente do que já era. Mas até que o lugar era mais bonito por ali. Pelo menos. Com o forte aroma de coníferas. Sendo levado pelo vento em direção á floresta verdejante. 

Bud - Ei, ande logo! 

Acenava Bud na cara dele. Pedindo-o para que saísse logo do carro. Eric acabou não respondendo. Só tirou as malas do banco traseiro. Depois fechou a porta com força quando saiu do carro. 

Bud - Vou pedir a um dos meus funcionários para lhe mostrar todo lugar antes de segunda-feira. Se estiver com fome, acho que pode conseguir alguma coisa na cozinha.

Falou o tio. Eric não estava com fome. Só sentia que a dor de cabeça piorara. Sentia como se alguém estivesse batendo em seu crânio. Mas queria conversar um pouco com o tio. Perguntar onde é que ficava exatamente o seu quarto. Só que Bud não lhe deu tempo de responder. Logo seguiu em frente com o carro. Cuspindo cascalho de debaixo das rodas. Eric preferiu não olhar para evitar que sua vontade de voltar à Califórnia se estampasse em seu rosto. Sua vontade de pegar o próximo ônibus de volta para casa e à civilização. Voltar para o pequeno apartamento dele em São Francisco. Só que lá não era mais sua casa. Não mais. Eric agora sabia que não podia voltar. Jamais. 

Eri - Que saco. 

Pendurou as malas no ombro. Ignorou a maré humana e deu um passo à frente. Estava quase lá quando um dos pés rompeu a frágil superfície de um montículo de cogumelos podres em decomposição. Outra péssima notícia para seus tênis brancos. 

Eri - Eca! 

Ganiu e se atirou para trás. Sentindo aquele cheiro horrível. Torcendo para não aterrissar de costas em outro monte de cogumelos. Acabou sendo agarrado pelo braço e puxado com força para cima. 

- Ei! Cuidado aí, desajeitado.

Falou alguém diante dele. Ainda segurando-o pelo braço. Era uma menina miudinha. Com olhos de um amarelo felino bem grandes. Usava uma calça jeans justa e preta e uma camisa com manchas de tinta sobre uma blusinha mais apertada. Seu cabelo longo e preto enfiado sob um gorro pendia solto em mechas úmidas ao redor dos ombros. 

Eri - Obrigado. 

Falou o garoto. Olhando a camisa para ver se tinha se sujado de tinta também. Sentiu um olhar alcançá-lo do outro lado do jardim. Eric olhou por cima do ombro e encontrou um par de óculos escuros. Óculos que escondiam um olhar fixo nele através da multidão. Não dava para distinguir quem era por causa da longa distância. Mas os olhos de Eric interceptaram aquela pessoa na mesma hora. Era só uma garota.

Estava com uma aparência terrível. Como um pedinte de rua que se perdera. Mas era exuberante como uma exótica flor tropical. Com longos cabelos castanhos caindo soltos ao redor dos ombros. Sua saia estava suja de lama em volta de toda a bainha e a blusa parecia estar encharcada. Sua boca era generosa e sensual. Beijável. Estava centralizada sobre um queixo teimoso e entalhada naquele sorriso cínico. Quase cruel.

- Então... eh... até mais. 

Despediu-se a menina com manchas de tinta sobre a blusinha. Com um meio aceno estranho. Eric desviou o olhar do par de óculos escuros do outro lado do jardim. Intimidado. Voltou a olhar para a menina miudinha diante dele. Mas acabou não respondendo. Só ficou observando enquanto ela caminhava para longe dele. Sentindo uma onda de calor emergir pelos membros.

Atreveu-se a olhar mais uma vez para onde a pedinte de rua estava. Mas ela já havia saído dali. Desaparecera como uma assombração. Só que por mais que tentasse. Eric não conseguiu desviar o olhar. Aquele rosto permaneceu em sua mente. Queimando por um instante. Como uma imagem sendo gravada em um filme. 

Eri - Bom, com isso eu não consigo competir. 

Falou para ninguém em especial. Esfregando os braços como se estivesse com frio. Parado a quase dez metros da entrada do chalé. Só que ele já queria ir embora logo. Sair dali antes que as coisas ficassem agitadas demais. Mas até que Eric estava ansioso para ver o lugar onde iria morar. Por isso subiu na varanda que havia num dos lados da casa. Com grande dignidade e de cabeça erguida. Como um santo que caminhasse sobre as chamas. Girou a maçaneta e empurrou a porta da cabana fortemente com o ombro. Sua entrada dava para um saguão meio escuro. 

Pior era que o lugar estava repleto de coisas. Potes de produtos químicos e extratos vegetais. Ramos de plantas secas pendiam do teto. Como um exótico jardim de ponta-cabeça. Havia uma grande estante que outrora fora um mostruário de loja. Com uma fileira de pequenas gavetas cheias de ferramentas antigas. Objetos recuperados e produtos para venda. Como camisetas e chapéus. Arrumados em duas fileiras nas estantes do chão ao teto em cada parede. Mas fora as quinquilharias. Aquele lugar cheirava a tinta e verniz. Especiarias e poeira. De modo exótico. Como um dos mercados indianos junto á escola de Eric.  

Eri - Com licença. 

Falou o garoto. Fazendo uma pausa no balcão cheio de bijuterias. 

- Sim, como posso ajudá-lo, senhor? 

Falou o atendente. Falando com um sotaque inglês escancaradamente falso. Estava arrumando as garrafas na prateleira de trás. Fora do alcance dos clientes mais agressivos. 

Eri - Meu nome é Eric Marsh. Acabei de me mudar pra cá.

Informou o garoto. 

- Eric Marsh? 

Repetiu o atendente. Virou-se para Eric e franziu o cenho. 

- Então é um deles? Ouvimos falar que você viria. Continue um pouco mais por esse caminho, garoto. 

Apontou para uma das extremidades do prédio. Bastante isolado. Saindo de um pequeno corredor.

Eri - Obrigado...

Rob - Robert Stacey Valentino. Mas os meus amigos me chama só de Robbie.

Respondeu o atendente rápido demais. Estendendo a mão para Eric. 

Eri - Obrigado, Robbie.

Sorriu o garoto. Apertando a mão do atendente. Estremecendo em seguida e largando-a rapidamente. Fora como enfiar a mão em uma tomada elétrica. 

Eri - Ai, você me deu um choque!

Rob - Foi mal. É só um mau hábito.

Deu de ombros. Balançando um pequeno aparelho de dar choque na cara de Eric. Mas até que sua resposta pareceu uma reação sincera. Sem nenhuma ponta de sarcasmo.

Eri - Está bem.

Falou ele em tom insolente. Massageando os dedos que ainda formigavam. Não querendo que Robbie soubesse o quão irritado estava. Contudo. Até que o atendente parecia legal. Gentil à sua maneira. Vestia uma roupa totalmente inadequada para aquele lugar. Parecia um missionário que bate de porta em porta nas manhãs de domingo. Com camisa branca engomada. Gravata escura e calça social com vinco. 

Eri - Dê o fora daqui agora mesmo. Dê o fora antes que ele te exorcize. 

Pensou naquele instante durante a perda se seus sentidos. Só que o próprio Eric achou que também não estava vestindo nada adequado. Por isso acabou dando de ombros. Arqueando uma das sobrancelhas para o atendente. Fingindo observar os colares e amuletos expostos. Até que uma caixa com pedras polidas chamou sua atenção. 

Eri - Quanto custa essa?

Rob - Apenas dois dólares. 

Falou o atendente. Eric tirou duas notas novas da mochila e colocou-as no balcão. Tomando o cuidado de não tocar na madeira. Examinou as pedras na caixa e pegou uma ovalada. Era de cor lilás cheia de veios.

Eri - Vou levar esta aqui. É o quê?

Rob - Quartzo roxo.

Falou o atendente. Já os dólares haviam desaparecido. 

Rob - Aquele é o seu quarto. Pode colocar as suas coisas ali. E obrigado pela compra. Esta já é a segunda semana de mau tempo. Mais uma igual a essa e vamos virar um show de lama. 

Sorriu para o garoto. Antes de virar-se para outro cliente. Eric pegou o quartzo e foi-se pelo corredor á passos lentos. Começou a trovejar lá fora por puro acaso. De modo que levou Robbie a fazer uma careta preocupada.

Rob - Ainda bem que está quase na hora de fechar.

Comentou ele. Temeroso.

Rob - Pelo visto, vai cair uma tremenda tempestade.

Eri - É.

Foi a única resposta. Mais do que ele gostaria de dizer naquele dia maldito. Certamente choveria em breve. Já que a brisa trazia um forte aroma de ozônio. Só que Eric acabou ignorando tudo aquilo. Afinal estava em casa. Não era a sua casa. Mas era um lar. Por isso ele colocou a mochila nas costas. Indo até o quarto que lhe foi mostrado. Era um aposento pequeno. Só que também era limpo e de aspecto confortável. Como o restante do chalé.

Possuía uma janela de onde avistava o bosque nos arredores. Sua mobília incluía uma cama de solteiro. Com uma sólida cabeceira de carvalho. Cômoda escrivaninha com estante. Tapetes de pano no chão azulejos de cerâmica no banheiro. Havia também um vaso de flores silvestres recém-colhidas dando um toque de cor ao aposento. Mais estranho era que elas ainda desabrochavam. Contra qualquer lógica vegetal. 

Eri - Que estranho. 

Falou o garoto para si mesmo. Ainda que sem interesse algum. Colocou as malas sobre a cama. Apertou o interruptor da luz. De início houve um estalo. Antes da lâmpada do quarto acender. Com um clarão ofuscante e áspero. Quase como se fosse um sinal de que a lâmpada ia explodir. Eric esfregou os olhos pelo brilho. Após esforçá-los na escuridão. Chutou algumas caixas para fora do caminho.

De modo a trancar a porta. Logo desfez as malas. Metodicamente. Guardou sua escova. Pasta de dentes e o resto do material de higiene. Localizou as tomadas elétricas. Montou o tocador de MP3 em seu nicho e posicionou os alto-falantes. Ligou a música bem alto. Torcia para que aquilo atraísse visitantes. Mas não funcionou. Isso era bom até certo ponto. 

Eri - Ah. Certo. 

Murmurou o garoto. Meio envergonhado. Passou os livros da caixa para a estante. Restos de sua coleção que já fora muito maior. Arrumados em duas fileiras. Era um número relativamente grande de livros de bolso. Cerca de uma dúzia de volumes caros e encadernados. Livros bastante manuseados. Pelo menos a maioria. 

Eri - Ninguém toca no meu tesouro. 

Falou com um sorriso sombrio. Deixando que o ar enchesse seus pulmões. Olhando ao redor após terminar de guardar as coisas. Suas roupas ocuparam apenas três das seis gavetas. Seu laptop fora desempacotado e alojado sobre a escrivaninha. Não havia telefone. Nem uma conexão de internet que pudesse encontrar. 

Eri - Perfeito. 

Falou ao puxar para trás os cabelos. Pegou o celular e olhou para a tela. Sem sinal. Eric praguejou baixinho e o devolveu ao bolso da calça jeans. Bud não estava de brincadeira. Não quando disse que aquele lugar seria isolado. Também o tio não dissera nada sobre colegas de quarto. Por isso Eric não ficou surpreso ao descobrir que tinha um quarto só para si. Tudo o que ele precisava naquele momento. Só um pouco de paz. Agora talvez ele pagasse o preço por isso. 

Eri - Você merece, Eric Marsh. Agora pegue um galão de gasolina e queime suas raízes. As queime enquanto ainda pode. 

Observou o quarto com tristeza por um momento. Suas paredes haviam sido deixadas vazias. Era uma tela em branco para alguém pintar. Só que Eric não costumava mais personalizar muito seus quartos. Não havia por quê. Já que viajara com pouca bagagem. Tinha aprendido a carregar seu senso de identidade consigo. 

Eri - Não há lugar como o lar.

Continua...



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