História Libertatem, interativa - Capítulo 18


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Palavras 4.995
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, FemmeSlash, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Romance e Novela, Sci-Fi, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


. gente voltei do meu recesso e devo dizer que fiquei com saudade do meu bolinho que é essa fanfic e já quero pedir para que vocês me perdoem por qualquer coisa e qualquer preocupação que eu tenha causado nessa pequena ausência, agora eu estou de volta e me sentindo muito melhor. obrigada a todos que se preocuparam e me deram apoio, vocês são muito importantes pra mim e se esse capítulo flopar é apenas consequência da minha ausência, infelizmente.

a música tema desse capítulo é Hold On

Capítulo 18 - May we meet again


Resistam e encontraram a força
Combatam e encontrarão a morte

Feche seus olhos e conte até dez, em cada segundo tente visualizar algo que você ame ou que lhe faça se sentir seguro. Não apresse a contagem, por favor, mas quando abrir os olhos se lembre destas dez coisas com carinho, elas serão seus dez motivos para sobreviver hoje.

1. O por do sol atrás das montanhas é sempre lindo e cheio de vida.
2. Quando está chovendo poças de água se formam no chão me obrigando a pular nelas.
3. Músicas antigas trazem uma nostalgia estática e me deixam feliz por alguns minutos.
4. Há uma biblioteca ao norte com livros novos que ainda não tive a oportunidade de ler.
5. Eu preciso ver a praia, estamos quase chegando ao litoral.
6. Os animais tem alta imunização ao vírus e nos seguem em alguns caminhos.
7. Preciso ouvir mais piadas ruins dos meus amigos antes de dormir.
8. Crianças quando nos avistam não tem medo de nós e permitem nossa aproximação.
9. Batizamos nosso pequeno robô de Mallow e ele abana a antena como se fosse um rabo.
10. Maya, eu preciso fazer isso porque ela faria o mesmo.

⌞•••⌝

Maxine armou a flecha perseguidora e apontou na direção do barulho atrás de algumas árvores esperando por qualquer ataque idiota em meio ao seu turno de vigília. Kendra caminhou com cuidado em sinal de rendição e então a ruiva abaixou a guarda e permitiu que um suspiro atravessasse seus lábios. Olhou o horário em seu relógio ao imaginar que tivesse passado de seu tempo, mas logo percebeu que ainda restam alguns minutos. Quatorze para ser exata. Só existem dois motivos para a outra estar ali: todos morreram e elas têm que fugir, mas isso é impossível visto que os clones são programados para defesa e alertariam a central então o outro motivo é que a Barrow quer companhia.

— Pensei que fosse me matar — declarou Kendra com um sorriso. — Depois do que aconteceu no rio eu não duvido que você queira mesmo matar alguém.

— Eu quero apenas esquecer aquilo e seguir com essa missão sem que aconteça de novo — a ruiva explicou pousando seus olhos no horizonte aberto. 

Base do terreno 22
Um mês atrás.

(...) Estou dando a vocês a oportunidade de se tornarem gaviões e me ajudarem com isso antes que todos morram.

Darling suspirou quando o berço retornou ao estado anterior e então ela olhou para os três jovens ali que ainda estão digerindo a quantidade de informações que receberam em tão pouco tempo. Não é como receber a noticia de que você conseguiu os ingressos para ver o show da sua banda favorita é literalmente ser informado de que o mundo está ruindo e que suas escolhas são fundamentais no desenvolver dessa história. É como aqueles jogos em que suas decisões influenciam o final. Efeito borboleta!

— Pronto está tudo explicado agora você irá dormir por algumas horas — declarou Storm pousando as mãos no rosto alvo da engenheira. — Está acordada a mais de trinta horas e não queremos uma líder cansada tomando decisões de cabeça quente. Durma ou eu te conduzirei a isso. 

— Você ganhou — admitiu a loira. — Irei dormir um pouco e diga ao Mark que todos já estão liberados para irem embora ou se unirem a nós. Não quero influencias externas ou internas e monitore que quem escolher ir receba um kit de sobrevivência básica. Michael quer dormir com a mamãe um pouquinho? — a cientista indagou vendo o menino observando do lado de fora da tenda. O jovem afirmou e correu para os braços da mais velha que o aninhou e deixou um beijo lento em seu cabelo para então guiar ele aos quartos. 

Trinidad comprimiu os lábios e abaixou a cabeça após observar o carinho materno. Ele nunca amou sua mãe e nunca a amaria, talvez em algum momento tenha sentido pena da mulher que sempre pareceu ser tocada pelo rancor, mas sua criança interior se reprimiu e chorou em função da ausência de um carinho como aquele ao menos uma vez.

Kendra respirou frustrada e tentou manter seus orbes em algum ponto que não fossem os dois berços naquele laboratório que a pedido da cientista foi transferido para um local com segurança reforçada. Ela quis novamente deixar que sua força esvaísse e dar espaço para o conjunto de lágrimas que se formava em seus olhos, contudo as palavras de sua tutora sobre o mundo e a infecção invadiram sua mente com conduta superior a mantendo em seu estado natural: fria e sólida como um iceberg.

Maxine caminhou relutante até qualquer assento próximo e derramou seu corpo magro sobre uma cadeira de acolchoamento acinzentado. Seu queixo tremeu e as lágrimas se derramaram como duas cachoeiras. O palato salubre rapidamente se depositou em seus lábios e ela não se incomodou em limpar o rosto ou com os pares de olhos a observando. De um momento para o outro todo o mundo pareceu desaparecer deixando apenas ela e seus pensamentos invasivos de uma culpa que não é sua e nunca seria. 

— Entregue isso de volta pra Darling — a ruiva declarou cansada mostrando em sua palma a aliança que guardou com zelo desde o momento em que Maya o havia colocado em seu dedo após um amistoso jantar em sua casa onde o pedido oficial de namoro havia sido feito.

— Não! — a voz rouca de Maya preencheu o ambiente e rapidamente todos os olhares ainda perdidos e fraquejados se voltaram para aquela que é na verdade um clone.

Com cuidado a inteligência artificial se ajoelhou na frente da ruiva e a encarou. Maxie comprimiu os lábios e retribuiu o olhar logo sentindo falta do olhar brilhante que aquela imensidão verde possuía. Questionou a si mesma como não havia percebido antes? Agora que sabe a verdade tudo parece ser um ponto que delega. Ela que sempre dizia que reconhecia sua namorada em qualquer lugar do mundo havia sido enganada por um robô.

— Eu não sou ela, mas eu sinto o que ela sente e tenho memórias do que ela viveu e na maioria delas você está presente. Às vezes eu acesso o mais profundo do núcleo interno de memórias dela só para assistir de camarote a vida incrível que vocês tinham. Nesses momentos posso sentir até mesmo os batimentos cardíacos e a falta de ar. Ela não te amava — a ruiva prendeu a respiração ao ouvir a declaração. — Ela te ama. Ela é pura e gostaria de tirar essa culpa do seu coração. Eu sei disso porque ela está me enviando correntes elétricas desde o momento em que você entrou nessa tenda. Ela não pode sentir ou se lembrar de nada do que está acontecendo nesse lugar, mas se ela acordasse agora iria te procurar, porque ela sabe que você está aqui. 

Storm comprimiu os lábios e franziu o cenho enquanto observava a cena mantendo uma moderada distância. Por alguns segundos ela contestou seus próprios atos e teve de checar no tablet se havia mesmo colocado o experimento número um em programação de defesa e os números e códigos mostrados em sua tela apenas confirmaram isso. Automaticamente suas mãos suaram fazendo com que a mais velha pouse o aparelho sobre uma das mesas e migre para o notebook sendo acompanhada pelos olhos de Kendra, que mesmo não sendo uma expert deduziu que algo não está acontecendo como esperado.

— O que houve? — a mais nova indagou tentando acompanhar a digitação rápida da cientista e os olhos que buscam por algo concreto na tela que parece ser apenas um emaranhado de listas e números incontáveis em diversas abas. Kendra pôde jurar que viu uma cena como essa em algum filme com cientistas malucos e hackers profissionais.

— Não sei ao certo o que está acontecendo — a morena se explicou tirando os óculos do olho e massageando as têmporas em uma iniciativa chula de manter a calma. — Tecnicamente aquela cena não deveria ter acontecido quando o clone está seguindo programações restritas de defesa e consequentemente é direcionado a um setor onde não tem acesso a nada do original. Mas está vendo esses números salientados? — a cientista apontou para a tela alguns números em destaque que iam e vinham entre os demais como uma bolinha de ping pong.

Barrow confirmou que os está enxergando e a mais velha molhou o lábio com a ponta da língua antes de dar continuidade.

— São dedutores de instabilidade no todo e eu preciso descodificar tudo para chegar a uma conclusão precisa.

Mil pensamentos diferentes povoaram a mente da cientista a partir do momento que o clone se pronunciou sobre a devolução da aliança. Todos a direcionam para apenas um: Maya mesmo estando sob as medidas de segurança do berço havia conseguido se conectar diretamente com o clone por alguns minutos dando a entender que seu contato rompeu a segurança das mais variadas linhas de programação. Por um segundo sorriu com esta ideia, porque se ela consegue fazer isso em coma profundo suas ações estando acordada seriam incontáveis. 

⌞•••⌝

“Não consigo imaginar um mundo em que você se foi
Eu estaria tão perdido se você me deixasse sozinho”

Trinidad havia tomado à decisão de vestir o branco e se tornar parte do processo de irradicação absoluta do vírus. Não se importou em ouvir a opinião dos demais sobre isso e agora em frente a um pequeno espelho observando seu reflexo dentro da jaqueta o jovem finalmente consegue dizer a si mesmo que está fazendo a coisa certa e que se morresse seria com honra.

Havia lido uma vez que não existe ato de amor mais puro que o ato de se sacrificar em prol de outra pessoa. Nunca havia entendido tal dizer, mas depois dessa tarde teve um pouco de certeza de que será capaz de se sacrificar em nome de uma pessoa que conviveu, amou, mas nunca conheceu.

— Ficou muito bom em você — a voz contida de Visenya tomou conta do pequeno cômodo e chamou atenção do rapaz que de tão concentrado em seus pensamentos não havia notado a presença da loira antes dela dizer qualquer coisa. — Eu só vim aqui para me despedir!

— Sabe que pode voltar se algo acontecer ou se simplesmente quiser — o moreno comentou tentando convencer a si mesmo de que eventualmente ela mudaria de ideia sobre o novo sistema e também sobre sua líder. — Se for para o leste por uns dois dias encontrará um acampamento de refugiados, não fique a deriva por muito tempo porque esses suprimentos não são eternos.

— Nesse caso saberá onde me encontrar se algo acontecer ou se simplesmente quiser — a loira o respondeu usando de seus argumentos e eles sorriram em cumplicidade. — O que está fazendo por aquela menina morta é lindo e eu tenho certeza que isso acalma sua mente sobre várias coisas, mas quando perceber o quão cruel é aquela outra mulher e que você foi conivente com as decisões dela se sentirá pior do que está agora.

Rock suspirou profundamente e então sorriu dando abertura para que ela vá antes que eles discutam sobre suas opiniões divergentes. Visenya não tardou a compreender e também sorriu ao tomar consciência de que aquele será o último momento que se verão. A loira se aproximou com cautela e depositou um beijo calmo na bochecha do rapaz para enfim deixar o cômodo e em alguns minutos o prédio que até então a prende e sufoca. 

“Longa estrada infinita
Você está em silêncio ao meu lado
Conduzindo um pesadelo do qual não posso escapar”

Quando acordou algumas horas mais tarde a cientista a frente de tudo sentiu o braço mole e formigando em função de cabeça de seu menino pousada sobre o mesmo. Sorriu contida para a cena tranquila do mesmo dormindo como se o mundo não estivesse eclodindo de forma silenciosa e invisível. Seria um pecado despertar o garoto naquele momento então se moveu com cautela até conseguir substituir seu braço pelo confortável travesseiro azul. Ficou alguns segundos na beirada da cama apenas contemplando o rosto incólume do menino e sentiu o filete de lágrimas se formar em seus olhos sem que conseguisse evitar que algumas corressem por sua pele alva até seu queixo e então pingassem em sua mão.

Seu marido costumava lhe advertir sobre como parecia que ela não tinha olhos para os outros dois filhos. Ele que nunca havia acordado cinco vezes a cada madrugada e visitado cada quarto apenas para ter certeza de que nunca estaria com frio ou precisando de colo. Ele que não perdia o sono quando qualquer um dos três demorava a chegar em casa. Incontáveis foram às vezes em que substituiu a cama pela poltrona da sala e aparou sua menina mais velha que comumente estava alterada pelo álcool. Nunca negou os erros que cometeu com suas crianças, mas não carrega o fardo de ter sido uma mãe ausente. Ao menos essa culpa ela não possuí.

— Podemos conversar um pouco? — ao perceber a presença da jovem no quarto a cientista limpou o rastro de suas lágrimas e se virou mantendo sua típica seriedade junto de uma preocupação e ansiedade trespassando o limite de seus olhos anis. — Meus amigos decidiram ir embora e minha família está longe de mim ainda. O que eu preciso fazer pra não sentir nada como você?

— Enquanto você der atenção ao seu emocional e não ao racional tudo irá ser um motivo para se desesperar e em momentos de crise tudo o que não preciso é de alguém emocionalmente incapaz e não pensante. Ser minha borboleta não te obriga a ficar se é isso o que a está prendendo — a mais velha respondeu com frieza e até mesmo um pouco de desdém.

Marjorie piscou algumas vezes tentando compreender o humor ácido da mulher. Entende que está tudo uma grande merda que não será resolvido com mágica, mas enfim conhecer a real personalidade da mais velha a assustou. Talvez não estivesse preparada para lidar com tanta responsabilidade ou para suportar o fato de que mesmo parecidas fisicamente àquela cientista nunca será sua mãe e não lhe dará o suporte que precisa. Estar sozinha pela primeira vez era aterrorizante. 

Darling manteve sua postura e saiu do quarto antes mesmo da mais nova, esta que parecia discutir algo consigo mesma. Já do lado de fora a loira caminhou até a enfermaria improvisada no pátio e com um sinal chamou por Killian e o pediu para que locomovessem Arlon até um dos berços e o processo de reconstrução fosse iniciado. O homem de feições dura e cego de um olho obedeceu sem fazer perguntas e a cientista logo viu a movimentação de sua ordem sendo cumprida. Tendo noção de que será um processo demorado e cansativo para aquele que monitora o berço decidiu criar em sua cabeça uma forma de se distrair. Dois dias apenas reconstruindo o rosto de um garoto não é o tipo de coisa que você algum dia pensou que estaria fazendo. 

⌞ASTON HEYRON UNIVERSITY, PASSADO⌝

Sabe aqueles filmes de terror que são ambientados em alguma escola repleta de corredores escuros e ecos indecifráveis onde de repente se ouve um barulho vindo do andar debaixo ou de cima e seus pés te obrigam a caminhar até ele apenas para descobrir que algo estalou ou simplesmente caiu no chão. AHU é esse tipo de lugar quando fecha suas portas para as comemorações de fim de ano e a única vida que permanece ali são as árvores que batem seus galhos nas janelas de vidro do segundo e terceiro andar. Os alunos nunca se arriscavam pelos corredores e raramente estavam sozinhos mesmo durante o dia e a via disto é necessária uma dose incomum de coragem ou uma aposta para pular os muros e entrar no prédio em uma noite fria e gelada após o jantar de ação de graças.

É claro que para Apollo aquela era a oportunidade perfeita de provar sua coragem enquanto para Delphine era a oportunidade de fugir da sua família e dos presentes incríveis que sua irmã mais nova havia ganhado enquanto ela desembrulhava pares de meias e suéteres que nunca usaria. A aposta é teoricamente simples em seus pontos de vista. Eles deveriam entrar por uma porta lateral que por algum motivo nunca é trancada e subir até o andar de química sendo este o sétimo e também o local onde uma estudante havia sido assassinada com o uso de ácidos há muitos anos. Este fato não é um mito adolescente, tanto que a foto de Liz Heyron é exposta em cada andar e seu sobrenome é agora também o da faculdade.

— Não é tão ruim quanto fizeram parecer — o loiro comentou colocando as duas mãos dentro do bolso da sua blusa do Pink Floyd que parecia ter saído de uma máquina do tempo assim como o rock antigo que toca nos fones do mais velho e que ele tanto curte. — Digo quando você está no ensino médio o que mais ouve é que será aterrorizado por esses corredores e até agora tudo o que eu vi foram salas trancadas, armários e pôsteres.

— Então ganhamos a aposta? Estamos no sétimo andar em frente à sala dos ácidos há mais de quinze minutos. Pensei que essa noite seria cheia de emoções — Delphine falou frustrada. — Mas não estou reclamando por ter lucrado cem paus. E você vai me beijar ou não?

— Delphine — ele gemeu e então a beijou.

Assim que seus lábios finalmente se tocaram, suaves e macios, uma explosão de cores, luzes e calor tomaram conta da menina que tendo seu primeiro beijo sente como se realmente flutuasse e a única coisa que a mantinha presa ao chão eram os braços do loiro ao seu redor. Ela não esperava aquele tipo de beijo. Não que fosse reclamar, longe disse – estava extasiada com a maneira possessiva e urgente como Apollo explorava sua boca. 

⌞•••⌝

“Rezando sem esperança a luz não está apagando
Escondendo o choque e o frio em meus ossos”

Aqueles que conseguiram encontrar a resistência dois dias após suas saídas do terreno vinte e dois agora recebem novamente tratamentos de saúde física e mental. Margaretta estava a quase duas horas sondando o filho dormir sobre uma confortável cama e o sorriso não sumia de seu rosto. Se depois de cada tempestade existe mesmo um arco-íris o seu estava bem ali a fazendo ter novamente esperança de encontrar seus outros dois amores e então darem juntos e continuidade perfeita do que haviam começado. Paul buscou sem sucesso por seu filho e mesmo que não assumisse tal coisa em voz alta ainda mantinha a esperança de que sua filha estivesse mesmo viva e surgisse no horizonte a qualquer momento, contudo isso não aconteceu o fazendo se perguntar que fim teria sido dado aos que não vieram e apenas as piores hipóteses habitam sua mente.

— Ele ficou com a mãe — o jovem com a mão enfaixada pronunciou se sentando na grama ao lado do homem mais velho o reconhecendo como o médico que havia trocado as faixas de sua mão assim que chegaram há catorze horas. — Não falei antes porque estava meio dopado com umas folhinhas amargas que encontrei no caminho. Conhecendo os dotes maternos daquela mulher eu desistiria de ver seu filho novamente, porque ela é louca.

— Do que está falando meu jovem? — o médico geral indagou delegando um emaranhado confuso em suas palavras e também em seu rosto que já são lar de algumas rugas.

— O imperador foi assassinado a algumas noites pela sua esposa que estava em marte em todo o tempo em que aquele homem comandou como bem queria. Sabe por que ele tinha autoridade para fazer qualquer coisa? Porque sua esposa o fornecia a maior e mais eficaz tecnologia já vista pelo homem e também fazia parte de seu conselho aberto e particular. Não estou inventando histórias ou supondo qualquer coisa, o meu pai era um dos membros e me disse isso com clareza. Ela é uma ameaça ainda pior que o imperador e está ludibriando jovens com seu remorso sobre seus atos passados. Como o assassinato da Maya!

Paul piscou algumas vezes e pousou seus olhos castanhos sobre o mais novo que mantém suas feições duras. Não parecia estar mentindo apenas por divertimento próprio. Contudo ainda é demais para simplesmente acreditar como se nunca tivesse sido apresentado para a real pessoa com a qual foi casado por muitos anos.

Darling tinha seus problemas e seu passado perturbador a assombrando, mas nunca seria capaz de matar uma pessoa. Seja o inescrupuloso Pisch ou a própria filha. Não! Algo está furado em toda essa confissão e ele provaria isso. Saiu caminhando a passos largos e quando entrou em sua tenda particular encontrou a filha lendo um livro comum e apenas sorriu para ela com os lábios juntos enquanto busca com os olhos o essencial para colocar em sua mochila. Orientou Mia a confirmar que ele faria uma varredura em busca de plantas medicinais e ela concordou em silêncio. Sendo um homem importante naquele complexo ele já possui o próprio carro e não precisa de quaisquer autorizações para sair e com o automóvel a viagem que duraria dois dias aconteceria em questão de horas. 

“Espere eu ainda te quero
Volte eu ainda preciso de você
Me deixe pegar a sua mão, eu vou consertar tudo”.

A penumbra da madrugada dava um ar ainda mais gracioso ao quarto iluminado por velas com suas chamas bailando conforme o vento. Os corpos dispostos sobre a cama trocavam apenas caricias amistosa e sorrisos que mesmo que pudessem rasgar seus rostos eram mais tristes e incompletos a cada dia. Darling sente cada um de seus ossos implorando para que ela durma por horas após se dedicar amargamente a reconstrução do rosto do jovem que havia sido torturado antes de sua chegada. Felizmente havia conseguido um resultado de noventa e sete por cento o que é avanço para os números que havia calculado inicialmente. Storm com a cabeça carinhosamente pousada no ombro da loira apenas pensa nos feitos do clone há alguns dias e na sua suposição que tem grandes chances de serem corretas, mas falar sobre isso para sua amante seria depositar nela uma esperança de fim dolorido.

Estavam prestes a dormir quando ouviram o alarme soar e a movimentação aumentar nos corredores. Elas realmente não queriam sair do quarto quando existem pessoas treinadas para a defesa do complexo então apenas ignoraram o som alto e deram atenção apenas para o sono e cansaço de seus corpos. Até vir o som do primeiro tiro.

Quando chegaram ao andar de entrada e saída encontraram a multidão exaltada e uma barreira humana impedindo que o invasor atrasasse. Darling ia passando entre as pessoas sem cortesia alguma até chegar ao centro de tudo onde está Lorenzo com o braço sangrando enquanto é acolhido por suas duas amigas. A cientista deu sinal verde para que um médico o encaminhe para a ala médica e retire a bala o mais rápido possível. Felizmente para a continuidade de sua paz mental nenhuma arma vinda de fora é carregada com capsulas de veneno. Logo aquilo seria apenas um arranhão nas memórias do mais novo.

— São três da manhã e eu passei dois dias acordada em frente a uma máquina fazendo cálculos então na presença de qualquer problema atirem contra — a loira falou com a voz carregada pelo cansaço. Passou por um de seus guardas e tirou uma das pistolas de seu coldre. — Saiam da frente e me deixem ver o rosto do energúmeno que atira em uma criança desarmada no meio da madrugada.

Kendra apertou o braço do homem e o empurrou defronte sua superior. Aquela jaqueta realmente é persuasiva, dois dias e ela já está agindo como se trabalhasse há anos dentro do conglomerado. Avalon não hesitou em chutar o rosto do mesmo, estava irritada após ver seu amigo desarmado e sem apresentar perigo algum ser baleado em função de nada. Poderia virar toda a madrugada o chutando e quando se cansasse o faria com a outra perna, mas foi impedida por Jonathan que teve de tirá-la do ambiente após sedação. Realmente nada fica mais fácil ou menos violento nesse lugar.

Paul levantou os olhos com cautela para então se levantar lentamente demonstrando as dores corporais que sente. Darling comprimiu os lábios e entregou a arma que segurava para o guarda em suas costas esperando por qualquer ação violenta do invasor. Paul nunca foi o tipo de homem que machuca as pessoas ou que age por impulso, mas ceder a todos os males que aturdiram sua mente em todo esse tempo o estava deixando determinado a colocar um em qualquer pessoa que tenha compactuado com os ideais de Pisch. Quando avançou e pousou a lâmina escura no pescoço da mulher já vendo o filete de sangue tudo o que estava em sua mente era a ideia de que isso é o certo. Automaticamente todos os armados do ambiente tinham suas miras voltadas para a cabeça do invasor, atirador e assassino em potencial. 

— Bebê pode, por favor, entregar essa faquinha ou serão tantos tiros na sua cabeça que iremos demorar até conseguir limpar — Kendra declarou mexendo sua pistola de um lado para o outro enquanto olha com atenção para o movimento da cada músculo da mão dele.

— Solta ela agora — foi Storm a dar ordem em tom nunca dito antes. — Sei que as ameaças de te machucar não te farão recuar porque você está fora de si, mas se não a soltar agora eu atiro nele — a morena admitiu apontando para o menino que acabava de chegar após ouvir a grande movimentação que vinha do primeiro andar. — Se a matar eu vou matar o seu filho e depois a sua filha na sua frente.

Paul soltou a faca que rapidamente caiu no chão e fez sinal de rendição com as mãos para então ser violentamente segurado por dois daqueles que lhe apontavam suas armas a meio segundo atrás. Darling limpou o sangue em seu pescoço com um tecido em seu bolso e tomou o filho nos braços com zelo falando baixo em seu ouvido que a morena nunca o machucaria e o mesmo assentiu em concordância. Ele em nenhum momento havia visto sua mãe agir com violência desde que chegou, mas havia acabado de assistir seu pai com uma faca pousada no pescoço da mesma.

— Qualquer coisa que tenha ouvido sobre mim é verdade — a loira admitiu beijando o cabelo castanho do menino. — Inclusive sobre a Maya e o imperador, eles não mentiram. Fui eu que menti pra você por anos porque eu tinha ambições maiores que a vida pacata que estávamos tendo em nosso casamento e sim elas me levaram a situações que me arrependo e me culpo todas as noites. Agora eu quero que vá embora e não volte aqui nunca mais. Qualquer emissário ou delinquente que eu ver num espaço de dez quilômetros entrará morto nesse prédio. Eu estava disposta a fazer as coisas da maneira correta dessa vez, mas quando o lado de fora demonstra perigo e ingratidão então o lado de dentro não é obrigado a aceitar como um cachorro que acaba de apanhar e aceita um carinho com o rabo abanando. A partir de agora pessoas de fora são rebeldes para mim. 

— E o que faremos sobre a vacina? — Maxie sussurrou no ouvido da loira.

— Chame seus amigos para a sala de reunião em uma hora e convoque também a Diana para que possamos debater algumas coisas sobre métodos — a respondeu no mesmo tom. 

⌞•••⌝

Arlon abraçou a irmã novamente e a prendeu em seus braços tentando aumentar aquele tempo em que a tinha ali, pois não sabia se esse contato iria acontecer novamente. Havia decidido não ficar e sua decisão não foi contestada apenas informada de que voltar não é mais uma opção em qualquer circunstância. Kendra gostaria de conseguir mudar a decisão do mesmo, mas sabe que isso é impossível e que sua escolha é sensata mediante tudo o que o sistema já o causou. Seria a primeira vez em que eles ficariam realmente distantes e a despedida nunca é fácil para nenhum dos envolvidos. Shade observa tudo de longe, encostado a uma barra de ferro com os braços cruzados sentindo que seu irmão é o maior cuzão do mundo por quebrar o trio no momento em que mais precisariam estar unidos.

— Ei carinha você deveria ir também — a Barrow falou olhando o irmão de sangue. Shade franziu o cenho e fez sua melhor cara de desentendido fazendo com que os outros dois soltassem gargalhadas gostosas e se olhassem em comunhão. — Delphine está viva e com um filho seu crescendo dentro dela. Eu não quero que essa criança nasça longe de você.

— Mas... — Shade tentou.

— Não estou te dando uma opção irmãozinho — ela o parou com um sorriso de lábios juntos e segurou o rosto do mesmo entre as mãos sendo perceptível a vontade de chorar entre eles. — É sua obrigação não deixar que essa criança conheça a vida de merda que tivemos. Quando ela nascer quero que diga que ela é muito amada e que nunca vai sofrer sozinha e que não importa em qual lugar do mundo eu sempre irei amar meu sobrinho.

— Eu não faço ideia de como ser pai irmãzinha. Não sei cuidar de mim — ele respondeu com o queixo tremendo. — Vamos comigo então. Somos um time, lembra?

— Vai se sair bem eu tenho certeza — respondeu Kendra acariciando o cabelo dele. — O meu lugar é aqui onde eu terei a chance de tentar fazer com que a minha vida tenha algum sentido e o seu é com seu bebê fazendo a vida dele ter sentido. Arlon espero que você o zoe muito se a criança for à cara do pai, porque com certeza será uma criança horrível.

— Sendo filho do Shade o certificado de burrice tem cinquenta por cento de chance de vir e a feiura também — respondeu Arlon entrando na brincadeira. — Então cara, nós vamos?

— Temos responsabilidades com nosso povo — Shade admitiu suspirando. — Que nos encontremos novamente. 


Notas Finais


se você souber a referência desse capítulo saiba que eu te amo muito
espero que tenham entendido o início, caso não sabem que podem me chamar


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