História Lie: Amor e Vingança - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bts, Jikook, Jikook!flex, Jimin, Jungkook, Kookmin, Kpoperatroxa!betagem, Namjin, Sadfic, V-hope
Visualizações 168
Palavras 2.371
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olha só quem voltou... :B
desculpem a demora, vou deixar vocês lerem...

Capítulo 7 - Sob a insanidade, o medo corrói


Park Jimin

 

6 de março de 2014

Quinta-feira

 

A cada passo dado, os músculos do meu braço repuxavam numa dor aguda. Incomoda. A minha frente Choi Se Yoon andava apressado. As pernas longas vencendo uma distância difícil de acompanhar. Principalmente, quando ele me arrastava daquela forma, segurando meu antebraço quase na altura do cotovelo. Elevando-o acima da minha cabeça. Tornando meu caminho uma sequência desajeitada de tropeços. Os dedos ossudos enterrando na minha pele. A certeza de que nenhum hematoma seria resultado da sua falta de atenção ou cuidado. Eu sabia. Desde que o vi no colégio, eu senti que tudo acabaria da pior forma. Ele parecia obstinado a me machucar.

Medo corria nas minhas veias e cortava minha respiração. Enquanto ele acelerava o ritmo dos passos, meu coração pulsava na garganta. Nesse instante, já havíamos atravessado todo o pátio central. O estacionamento encontrava-se a alguns metros. Uma distância ridícula que me fazia estremecer. Porém, por mais que eu desejasse gritar e pedir ajuda, não havia ninguém ao nosso redor. Tudo estava vazio e lamentavelmente silencioso. Estávamos a sós. Pelo menos, Jungkook estava longe... longe dele. Seguro. Fora do alcance de todo aquele ódio infundado e irracional.

O barulho do alarme do carro sendo destravado. Um prenuncio. Um arrepio na coluna. Eu não queria ir para casa. Não com ele. Não daquele modo. Minhas pernas travaram, entretanto, eu era apenas um garoto. Magricelo e pequeno demais para ir contra alguém que tinha o dobro da minha força. Inutilmente, estagnei. Como se fosse feito de pano, cai quando meu braço foi puxado, causando um estalo no ombro seguido de um grunhido de dor. Meus joelhos bateram no cimento e só não esfolaram totalmente porque a calça do fardamento serviu de algum anteparo. Mesmo assim, eu senti que a pele tinha rompido e que, lentamente, o sangue empapava o tecido.

― Jiminie, não me faça te dar uma surra para que você entre no carro.

Seu rosto tinha descido até a altura da minha orelha. A ameaça sussurrada num tom calmo. Inabalável. Assustador. Logo depois, Choi soltou meu braço e me puxou pelos cabelos, me forçando a levantar. Meu couro cabeludo ardeu numa fisgada que se concentrou na região da nuca. Eu quis chorar, mas meu corpo parecia preso num estado de choque que me impedia de reagir de qualquer forma mais intensa.

Sequer percebi que meu padrasto tinha aberto a porta do carro e, por breves segundos, acreditei que fosse me chocar contra a lataria quando Se Yoon me empurrou na direção do veículo. Institivamente, apertei os olhos e envolvi os braços ao redor da minha cabeça, sentindo o estofado de couro macio me presentear com um pequeno alívio que não durou muito.

― Você não vai envergonhar minha família desse jeito. Sua mãe sempre faz todas as suas vontades e olha no que deu. Está mais do que na hora de alguém te colocar limites. Mas, não se preocupe, ainda não é tarde demais. Eu vou te ensinar direitinho como um homem de verdade deve se comportar.

Não respondi. Não me mexi. Apenas permaneci deitado, encolhido contra o banco. O medo corroendo minhas entranhas. Respirar ficava cada vez mais difícil.  Meu queixo tremia tanto quanto minhas mãos que além disso, suavam, deixando uma sensação úmida. Pegajosa. Desconfortável.

Tentei enxugar as palmas molhadas no tecido grosso da calça e senti o volume que meu celular fazia no bolso dianteiro. Choi parecia concentrado na estrada, então decidi arriscar. Cuidadosamente, deslizei o aparelho para cima com a ponta dos meus dedos, movimentando o mínimo possível, acompanhando lentamente o deslocamento de forma que minha palma cobrisse o eletrônico por inteiro.

Tudo em vão.

― Nem pense nisso.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o freio brusco jogou meu corpo para frente. Por pouco, não cai no espaço entre os bancos. O desespero tomou conta de mim, Choi se virou na minha direção e puxou o celular dos meus dedos gélidos e escorregadios. Com um sorriso transbordando escárnio e desprezo, abriu a tela de chamadas recentes e apertou o nome de Jungkook. O barulho do toque soando no modo viva voz.

― Tem certeza que quer envolvê-lo nisso?

Sem demoras meu namorado atendeu, chamou meu nome. A voz embargada em preocupação. Por mais que eu desejasse pedir ajuda, mordi meu lábio inferior e reprimi um grunhido frustrado. Eu não poderia envolvê-lo nisso... Depois de ter a certeza que eu permaneceria calado, meu padrasto encerrou a chamada. Seu sorriso aumentou gradativamente. Um espectro que emanava terror.

― Bom garoto. ― Sussurrou.

― Aonde está me levando? ― A pergunta arranhou minha garganta. Falar custava um esforço descomunal.

― Estamos indo para casa. Precisamos ter uma conversa em família.

Durante o restante do percurso, me mantive quieto. Tinha certo receio que qualquer coisa dita ou feita pudesse mudar sua decisão. E, mesmo que fosse ridículo, eu depositava todas as minhas esperanças na possibilidade de que tudo aquilo acabaria quando, finalmente, estivéssemos na companhia de minha mãe. Ele dizia amá-la, então talvez ela fosse a pessoa certa para convencê-lo de que eu não precisava de nenhuma correção. De que era absolutamente natural dois garotos se gostarem romanticamente. De que o que eu tinha com Jungkook era especial e muito mais valioso que qualquer julgamento lotado de preconceito e ódio.

Embora eu soubesse que as coisas não funcionavam de um modo tão simplório, quis me afogar nessa ilusão boba a fim de não sucumbir a um surto de desespero e acabar pulando do carro em movimento. Contar os segundos mentalmente nunca fora tão angustiante. Sentir o carro diminuindo a velocidade e estacionando nunca fora tão libertador.

Mesmo que meu corpo ainda tremesse por inteiro, levantei e abri a porta do veículo, correndo em direção a entrada da casa. Após o quinto toque consecutivo da campainha, minha mãe surgiu. O rosto um pouco inchado, certamente de cochilar no sofá da sala, enquanto a televisão exibia mais um capítulo da novela que ela nunca assistia por inteiro.

Não havia como ela imaginar que aquela não era uma noite como as outras, mesmo que já tivesse me alertado tantas vezes; “Não deixe que o Yoon saiba de Jungkook”. E em algumas complementava; “Tem pessoas que não entendem que amar transcende gêneros. E nem sempre é por maldade, então vamos com calma.”. Eu torcia para que ela estivesse correta. Cruzava os dedos para que tudo aquilo fosse parte de um choque inicial, mesmo que meus ferimentos denunciassem a gravidade da situação.

― Filho, o que houve? ― A voz feminina veio acompanhada do barulho da porta fechando atrás de mim, onde Choi se encontrava.

― Omma...

― Seu filho... ― Meu padrasto me interrompeu aos gritos, mostrando um descontrole que, até aquele momento, estava mascarado por uma calma sinistra. ― Você nem imagina o que ele fez. Sabe aquele amiguinho dele? Aquele que vive grudado nele por todo canto. Alguém me ligou hoje e me disse onde podia encontrar os dois. E quando chego lá, advinha o que vejo? Seu anjinho estava nu com o outro moleque. Você já deve imaginar o que eles estavam fazendo, não é? Talvez até aprove essa falta de vergonha. Mas, agora que eu sei, isso não vai mais se repetir.

― Você machucou meu filho?

― Se eu machuquei o seu filho? ― Gargalhou. ― Eu ainda nem comecei a educá-lo de verdade! Mas não se preocupe, estamos progredindo. Não estamos, Jimin?

― Nem pense em tocar num fio de cabelo...

Mamãe ainda estava falando quando ele se aproximou do meu corpo encolhido. Suas mãos contraíram, cerrando os punhos. O gosto metálico invadiu minha boca junto da dor. O soco abriu a parte interna da minha bochecha e roubou meu equilíbrio por alguns segundos de forma que precisei me apoiar na parede ao meu lado para não cair. Ouvi alguns gritos, mas não consegui discernir nada do que foi dito. O mundo girava em volta da minha estupidez. Ainda não havia terminado... Choi não respeitava a presença da minha mãe, tampouco estava disposto a encerrar sua lição.

Aos poucos, recobrei meus sentidos, embora ainda estivesse um pouco tonto. Sentado no chão, senti minha mãe me abraçar. Seus joelhos em contato com o piso frio, os braços finos formando uma redoma delicada. Talvez tentasse impedir uma nova agressão. Talvez acreditasse que ainda poderia me defender. Sendo que, se aquele homem realmente decidisse me espancar, não havia muito o que ser feito. Nenhum de nós poderia impedir.

E o pior de tudo era perceber que, devido as suas atitudes irracionais guiadas pela raiva, a possibilidade de seus punhos se direcionarem a ela fazia meu estômago embrulhar numa quase certeza mordaz. Mesmo que me faltasse coragem e minhas pernas parecessem prestes a ceder ao menor movimento daquele homem, eu não poderia permitir que minha mãe apanhasse no meu lugar.

Isso nunca.

― Você está completamente louco se acha que pode fazer o que quiser com o meu filho sem sofrer nenhuma consequência. Saia daqui antes que eu chame a polícia. ― Ela tentou ameaçá-lo, mas o medo que transbordava pelos seus olhos somente alimentava o sadismo nele.

Pensei em intervir, dizer algo que Choi quisesse ouvir. Óbvio que nada do que ele fizesse me convenceria de que amar Jungkook era crime, porém minha prioridade, naquele momento, era manter minha mãe segura. Nem que, para isso, tivesse que soltar um ou duas mentiras nojentas para acalmá-lo. Entretanto, assim que tentei abrir a boca, uma dor aguda atravessou minha mandíbula, me fazendo crer que o osso havia deslocado com o soco de antes.

― Você não faria isso, meu amor. Não queremos envolver outras pessoas nos assuntos da nossa família. Vamos resolver nossos problemas juntos. ― A voz grossa saia tranquila novamente. Era inevitável não questionar sua saúde mental, ele parecia um lunático instável.

Ao contrário do que ele poderia esperar, minha mãe não baixou a guarda, nem esperou qualquer outra palavra sua. A passos rápidos, caminhou até o telefone e segurou o aparelho entre os dedos trêmulos que apertaram os botões rapidamente. Entretanto, eles estagnaram assim que ouvi um barulho metálico. Choi havia sacado uma arma e a apontava diretamente para mim. O telefone foi ao chão, mamãe erguia os braços com as palmas das mãos abertas. Completamente rendida e assustada. O gosto da bile invadindo meu paladar, a sensação era horrível.

― Não machuca meu filho, por favor, deixe ele ir. Podemos resolver isso entre nós dois, somente você e eu... Yoon, ele é só uma criança... Jimin não queria irritá-lo... ― A súplica dela escorria por suas bochechas em lágrimas pesadas. Seu medo era palpável, tanto quanto o meu.

― Vamos fazer um trato, querida. ― Choi manteve o tom calmo e contido, como se discutisse sobre o tempo chuvoso da manhã seguinte. A arma continuava na mesma posição, firme e estável, evidenciando que não deveria ser a primeira vez que ele segurava um objeto do tipo. ― Estou vendo que você está alterada, não está pensando direito, então vou te dar uma chance para esfriar a cabeça e botar tudo em ordem. Enquanto isso, eu e Jimin vamos dar uma volta, conversar um pouco. Se você chamar a polícia ou se eu souber que contou a alguém, seu filho não volta mais para casa, está entendo?!

― Não... por favor, não!

Os soluços misturavam-se as palavras. Um lamurio que ainda sustentava esperanças tolas. A partir daquele momento, eu já sabia; era a última vez que veria seu rosto. Contudo, me contive da melhor forma possível, permitindo apenas que algumas lágrimas escapassem pelos meus olhos.

Eu iria morrer.

Choi me mataria.

― Acho que você não entendeu, meu amor. É um aviso, não um pedido.

Ele se aproximou, deslizando o cano da arma pelo meu rosto. Pressionando o metal contra o meu maxilar. Em resposta a dor, mordi o lábio inferior, sentindo os ossos latejarem em pontadas agudas. Sem qualquer resquício de fé em algum milagre que pudesse reverter a situação, desejava que apenas acabasse logo, que não doesse tanto.

― Por favor, Yoon... não faz isso... ― Mais uma vez ela tentou. Mais uma vez em vão.

― Vamos, Jimin, levante. Você não vai querer que sua mãe venha passear comigo no seu lugar, ou vai? ― Seus olhos encontraram-se com os meus. Um sorriso sádico moldando seus lábios. Em silêncio, neguei. ― Ótimo, bom garoto. Quanto a você... ― Direcionou sua atenção a minha mãe. ― ...faça o jantar enquanto se acalma e nos espera. Logo estaremos de volta.

Ainda ouvi alguns pedidos sôfregos da minha mãe, porém não prolonguei o momento. Eu precisava levá-lo para longe dela, antes que o descontrole mental daquele homem resolvesse atingi-la diretamente. Então, mesmo com o corpo inteiro tremendo, levantei e caminhei até a porta, sentindo que estava sendo acompanhado de perto.

― Vai ficar tudo bem. ― Menti para ela. Tentei reforçar suas esperanças e toquei na maçaneta, sem estar verdadeiramente pronto para me despedir. O metal gelado trazendo a lembrança do cano da arma contra a minha bochecha.

Um arrepio transbordando pavor.

Ao sair, o vento frio da noite bagunçou meus cabelos. As luzes da casa ao lado estavam apagadas. A garagem vazia. O cenário desabitado me fez soltar um soluço involuntário enquanto escutava o barulho da madeira fechando atrás de mim. Choi tocou na região da minha lombar, me guiando até o carro e abrindo a porta traseira do veículo em seguida. Sentei no banco, sem relutar, sentindo a ânsia do conformismo embebido em medo amargar meus pensamentos.

Provavelmente, também não veria mais Jungkook...

Todos os arrependimentos resolveram me cobrar. Deveria ter matado mais aulas para beijar sua boca... Deveria ter fugido com ele para o litoral quando tive chance... ter confessado que o seu sorriso era o que me fazia rir descontroladamente sem motivo aparente... ter pedido para dormir ao seu lado em todas as noites que senti vontade... ter cedido a todos os seus pedidos de abraço, mesmo quando estava chateado com bobagens... e inalado mais do perfume da sua pele, sem me preocupar com sua timidez perante aos outros...

...deveria ter aproveitado mais o tempo em que estive ao seu lado... pois agora eu sabia.

A vida é frágil, efêmera.

E poderia ser injustamente curta.


Notas Finais


Gente, foquem aqui!!!!
Me desculpem pelo capítulo curtinho, mas estou pensando em manter o capítulos de Lie assim.
Desse modo, posso att com mais frequência porque tempo é o que me mata e o que me falta...
Por isso trouxe o que tinha pronto pra não demorar mais ainda pra att...

Gostaria de saber o que vocês pensam a respeito disso...
E por favor, não abandonem a fic ou me deixem no vácuo...
eu sou um bebê e posso provar....T.T


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