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História Lie to me (taekook, vkook) - Capítulo 45


Escrita por:


Notas do Autor


Ooooi!
Eu sei que estou demorando mais ultimamente 👉🏻👈🏻
É uma mistura de bloqueio+atenção em outras coisas. Vou fazer o possível para voltar para a frequência de atualização de antes!
Espero que gostem do capítulo!! Muito obrigada pelo apoio e pelos comentários, como sempre 🥺
Sempre vou ser grata por ter esse lugar. Escrever sempre foi um sonho e eu finalmente sinto que estou realizando ele
💜

Capítulo 45 - O is for Open


Open
aberto
1. que permite entrar, sair ou ver, por não apresentar obstáculos; 
2. franco


– É a terceira vez que ele faz uma aplicação desnecessária de CVC. Honestamente, nem mesmo quando éramos apenas estagiários cometíamos esse erro. – Taehyung apertou os olhos contra o punho, tentando mitigar o cansaço. – Existem efeitos colaterais em um uso de um cateter, ainda que não são graves. Provavelmente a arritmia do paciente foi por conta disso. Eu juro, ou o Mark melhora, ou ele sai do hospital. Se nenhuma das duas coisas acontecerem, quem vai sair sou eu. Não posso ficar me responsabilizando pela negligência dele.


O Cirurgião-Chefe assentiu, coçando o queixo, olhando para alguns prontuários que tinha em mãos. 


– Você está certo, Taehyung. Você é o melhor profissional que temos aqui, e jamais gostaria de perdê-lo. Mas, você sabe… – o homem engoliu em seco, procurando as palavras. – O tio de Mark é o vice-diretor do hospital. Estou de mãos atadas.


Taehyung riu com escárnio, olhando para o lado. O hospital não se importava de ter alguém que colocasse em risco a vida de seus pacientes? Ao que parecia, era mais importante distribuir cargos para os familiares de quem possuía influência. 


– Por hora, tire a tarde livre para descansar, Taehyung. Eu sei que a manhã foi agitada.


 Concordou com a cabeça, agradecendo ao menos a atenção do seu superior direto.


Foi até o seu consultório e organizou suas coisas para ir embora. Agora que não estava pensando mais nos problemas do hospital, sua mente ocupava-se com um assunto que ele considerava ainda pior.


Três dias.


Era o número de dias que havia passado desde o (em boa parte) desastroso encontro com Jungkook. Um prazo curto que parecia ser muito muito mais duradouro e arrastado. 


As horas passam lentamente quando em tempos de adversidade. 


Ainda não sabia se sentia vergonha, confusão ou frustração. Talvez uma combinação de todos esses fatores. Uma coisa tinha certeza: precisavam terminar a conversa em algum momento, não podiam continuar deixando pontas soltas.


Ou conversavam sobre tudo, dando um fim definitivo para a história que tinham, ou...


Ou…


Taehyung balançou a cabeça, novamente não permitindo que cenários onde ele e Jungkook ficavam juntos surgisse. Não queria iludir-se.


Antes de voltar a conversar com Jungkook , precisava assentar seus próprios sentimentos, mas ao mesmo tempo parecia que a única maneira de fazê-lo era resolvendo todas as pendências que tinha com o professor. Era paradoxal: precisava acalmar-se para poder conversar com ele, ao mesmo tempo que necessitava da conversa para que pudesse tranquilizar suas emoções. 


Pensava se estava preparado, mal tendo se recuperado da última conversa que tiveram. E mesmo que não, estaria preparado algum dia? 


Olhou para o relógio na parede. Teria uma primeira tarde livre depois de muito tempo. 


Quanta loucura seria se tentasse encontrar Jungkook? 


***


–  Dylan e Colin, eu não tenho o dia inteiro. Não é um exercício difícil. 


Raramente os seus estudantes reclamavam, mas os dois estavam abrindo uma grande exceção à essa regra. Recusavam-se a fazer a atividade proposta por Jungkook. O treinador queria que um cronometrasse o tempo do outro na corrida de 100 metros. A cada vez que um atravessasse a linha de chegada, quem estava cronometrando deveria tentar elogiar o desempenho do colega. 


Jungkook não explicou o objetivo do exercício. A ideia era justamente fazê-los entender por conta própria. 


A primeira tentativa tinha sido um desastre. Colin fora o primeiro a correr os cem metros, porém, dizer que ele estava correndo era uma ofensa ao esporte. Tinha literalmente caminhado para completar o percurso, mais lentamente do que alguém normalmente andaria.


Era entendiante de olhar, até.


Quando finalmente completou a metragem, mais de um minuto depois, Jungkook estava descrente que a dinâmica que propusera iria funcionar.


Um deles apontou para a arquibancada, e Jungkook achou que era apenas mais uma desculpa para parar o exercício.


– Treinador, acho que tem alguém esperando o senhor.


Jungkook franziu o cenho, girando seu corpo em direção à pequena arquibancada. Seu coração palpitou, e à essa altura a reação já era tão esperada que mal percebia alguma mudança no corpo.


Existiria um dia em que não reagiria à Kim Taehyung?


Sentado no cimento, ele apoiava uma mão no rosto e o cotovelo no joelho, fazendo uma pose quase adolescente. Vestia um casaco marrom e estava de luvas, estas furadas para deixar os dedos de fora. Estampava um sorriso de boca fechada.


– T-taehyung? 


Jungkook gaguejou, todavia, com um volume de voz estável. Ver Taehyung enquanto estava em seu dia-a-dia era desconcertante, mais do que era costume em outras situações. Deu-lhe um sorriso nervoso, não sabendo como poderia responder de outra forma. 


Clareou a garganta, virando para os estudantes. 


– Esperem aqui. 


Com um breve trotada, Jungkook alcançou a arquibancada, não subindo nela, porém. Manteve uma distância segura, ficando atrás da barra.


– Oi. – cumprimentou um pouco ofegante, mais pelo nervosismo do que pelo exercício.


– Ei. – Taehyung respondeu, levantando a mão em um aceno. 


– Aconteceu alguma coisa? – Jungkook questionou direto. Estava muito ansioso com a presença dele, não conseguindo manter uma postura calma. Trocava o apoio do pé, mexendo incessantemente seu corpo.


– Não, não… – Foi a negativa. Taehyung apoio as mãos no colo, abaixando a cabeça para tirá-las. – Pensei que poderíamos conversar? – afirmou, com tanta incerteza que a frase parecia mais um questionamento.


– Claro. Você quer ir para algum lugar?


– Para mim tanto faz… Você conhece algum lugar aqui perto?


– Acredite, aqui no bairro não é o melhor lugar para ter uma conversa assim. Você está de carro? – Taehyung sibilou que não. – Então, eu te dou uma carona até um Café que sempre vou. Fica há uns quinze minutos daqui, pode ser?


– Perfeito. – o médico aceitou. Cruzou as mãos, não sabendo o que fazer agora que tinham acordado a saída. 


Jungkook o olhou estranho, com curiosidade e um misto de medo. Clareou novamente a garganta. 


– Ok, vou dispensar os garotos. – falou, virando-se em direção à pista novamente. 


– Não precisa! – a resposta foi rápida, fazendo Jungkook parar em um solavanco. Taehyung coçou a nuca – Er… Você pode terminar, eu espero aqui ou em outro lugar, se preferir. 


– Nah. Não acho que vamos progredir muito hoje… Esses dois, eu juro. – passou a mão na testa a fim de aliviar a dor que começava a apontar ali. 


– Eu vi a dinâmica mais cedo… Você está tentando fazer os dois se aproximarem, certo?


– Sim… Sinceramente, não precisam ser amigos, mas aos menos mais companheiros, estão na mesma equipe… – Jungkook ouviu ao fundo o som dos dois garotos discutindo. Deu um sorriso cansado. – Esqueça. Só quero que eles não saiam no soco em qualquer oportunidade. 


Taehyung soltou um risinho, tampado a boca com a mão enluvada. Jungkook reparou imediatamente no aro: era um gesto inerentemente delicado, e o contraste com a força no olhar que Taehyung possuía era tão interessante que ele não podia deixar de encará-lo. 


Mas, ele deveria parar. E assim o fez, caminhando de volta para perto dos alunos antes que eles pudessem entrar em uma briga ali. Pelo tom de suas vozes, a briga escalava. 


– Vocês estão dispensados por hoje.


Dylan e Colin entreolharam-se, parecendo esquecer a discussão que tinham entre si, ao menos por hora. Não era costume do treinador liberar o time assim, muito menos os dois que estavam em uma espécie de castigo. Além disso, Jungkook era estrito em seu trabalho, sempre cumprindo todos os horários e nunca deixando a pista mais cedo (mesmo em momentos como aquele, em que já estavam todos fazendo hora extra na pista devido ao castigo).


Ambos olharam para trás de Jungkook, mirando o para eles desconhecido sentado na arquibancada. Voltaram seus olhos para o treinador, suas testas franzidas com o questionamento que faziam em suas mentes. 


Quem era o homem responsável por deixar o rígido professor tão suave?


Não ousavam perguntar, então apenas responderam em uma sincronia que faria Jungkook orgulhoso em outra situação.


– Até amanhã, Sr. Jeon. 


As vozes de adolescentes são costumeiramente altas. E o que Jungkook mais temia acontecera, pois quando aproximou-se de Taehyung novamente ele estava com um sorriso que dizia com clareza que ele tinha escutado. 


– Sr. Jeon? – brincou, não imaginando o que estava causando. 


A voz profunda de Taehyung dizendo aquilo atingiu lugares que não deveria. Jungkook não respondeu, suas orelhas esquentando. Sabia que seu rosto deveria estar vermelho. 


Andaram até o carro em um silêncio confortável. Alocados dentro do veículo, seguiram para o Café que Jungkook tinha sugerido. 


– É engraçado.– Taehyung cortou o silêncio, quando Jungkook estava parada em um sinal. – Nós sempre voltamos para uma posição confortável tão facilmente… Temos uma facilidade grande de sermos civis um com o outro, mesmo depois de brigas.


Jungkook olhou de relance para o lado. Taehyung fixava sua visão em algum lugar fora da janela.


– Eu acho que é porque nos damos bem, no fim das contas. 


Taehyung concordou, apoiando o braço na janela, descansando sua cabeça no próprio ombro. O sinal abriu, e Jungkook voltou-se a contragosto para a rua. 


***


– Vou ficar só com uma água por enquanto. Meu estômago dói quando estou muito ansioso. – Taehyung fez uma careta. Fechou o cardápio, postando-o sobre a mesa. 


– Acho que vou ficar apenas com um café, então.


Quando os pedidos simples chegaram, Jungkook decidiu que era hora de começar.


– Taehyung. – usou o nome como introdução, como se quisesse ganhar mais um tempo, apesar da vontade que tinha que conversassem logo. – Você…


Jungkook apertou os olhos. Não, não era assim que iria começar.


– Eu quero contar sobre mim, mas não no intuito de justificar nada do que eu fiz, tá? Eu só… Só preciso que você saiba que não foi tudo uma mentira. 


Não recebeu resposta, mas considerou isso uma autorização para continuar.


– Eu comecei na prostituição sendo um camboy em um site. Tinha perdido a oportunidade, não, me tiraram a oportunidade de entrar em uma universidade com uma bolsa. Todos os meus amigos tinham dinheiro, e eu trabalhava o dia todo para não conseguir comprar nem sequer uma peça de roupa de segunda mão deles.


Jungkook cruzou os braços, fixando-se nas suas coxas parcialmente escondidas embaixo da mesa.


– Hoje consigo ver os problemas em pensar assim. E que eu deveria ter tomado decisões diferentes… Mas, o fato é que eu não tomei, Tae. E pouco tempo depois eu estava realmente fazendo programas, e eu só queria ter mais coisas, mais dinheiro. – Jungkook apoiou o cotovelo na mesa e enterrou sua mão no cabelo, suspirando. – E então veio a heroína. Ela realmente ajudava a lidar com o todo resto, por um tempo. Até ela se tornar o meu maior obstáculo.


Dedos hesitantes tocaram o antebraço de Jungkook. Um toque leve, que chamou a sua atenção imediatamente. 


– Quando seu irmão fez aquela proposta, eu não quis aceitar. Eu não saía com homens… Não por não sentir atração, na profissão não escolhemos com quem saímos baseados nisso, e sim porque eu sempre fui muito receoso com o que poderia acontecer…Levar estranhos para sua casa nem sempre é muito seguro. Homens estranhos na sua cama é menos ainda.


Um tremor correu pelo corpo de Jungkook. Lembrou-se de Sana e como a encontrara aquele dia.


– Aí, ele ofereceu todo aquele dinheiro. Eu poderia pagar meu apartamento, talvez sair da prostituição. – Jungkook pausou, como se considerasse melhor. – Na verdade… Eu sabia que não ia deixar o que fazia, apesar de usar isso como uma desculpa.


Taehyung entendeu o que ele queria dizer. Por tudo que tinha visto e ouvido, dinheiro nunca era suficiente para Jungkook naquela época. 


– E então nos conhecemos…–  Taehyung começou, sua voz baixa. 


Jungkook finalmente levantou sua cabeça, encontrando os olhos castanhos de Taehyung. 


– Eu realmente sinto muito. 


– Foi a pior coisa que aconteceu comigo. – Taehyung disse, mas seu rosto tinha mais tristeza do que afronta. Os ombros de Jungkook caíram, as palavras fazendo todo seu interior contrair em tensão. Era realmente o fim, depois de tanto tempo. Era... – Mas, talvez uma das melhores coisas também.


Jungkook piscou, suas órbitas brilhantes e cheias de dúvida.


– Se não fosse por aquilo, eu teria passado a vida inteira tentando agradar meu pai. O que aconteceu foi como um grito para que eu acordasse para a vida limitada que tinha, para eu me descobrir. Não me arrependo de ter te conhecido, Jungkook… Mesmo assim, eu sofri muito, principalmente porque foi minha primeira vez, você entende? 


– Sim, Tae, sim... – Jungkook colocou as mãos no rosto, na tentativa de esconder seus olhos marejados e sua expressão quase-chorosa.


– Eu já colecionei tantas lágrimas por você, Jungkook. E é essa coleção que não me deixa esquecer, seguir em frente. Com ou sem você, estou preso.


Pronto. Tinham colocado tudo a limpo, ou pelo menos no que concernia a maior parte dos tabus que existiam em suas conversas. Taehyung novamente estendeu uma mão para tocar Jungkook. Agora, segurava com firmeza o punho, removendo-o da frente de sua face.


– Eu tentei seguir em frente sem você, não funcionou… Se você estiver disposto, Jungkook, eu gostaria de tentar de novo. Agora com você.





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