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História Life in music - Capítulo 20


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Notas do Autor


ooooooi lindeeees!! Deu tempo de sentir saudade? Pelas minhas contas foram só 16 dias e eu to muito feliz de estar voltando com mais um capítulo!
Uma boa leitura procês! 💖

Capítulo 20 - Nos Eixos


Bakugou on 


Talvez o fato de que nosso desentendimento era tão fácil de se resolver tenha acarretado tantas desvinculações do verdadeiro resolver do caso.

Desperto de um sono que não me era entregue de forma tão prazerosa à dias, e em minhas primeiras sensações, enquanto luto contra a luz do Sol que entra pelas frestas da janela e procuro não chutar Kieno na ponta da cama, sinto um calor se expandir ao meu lado de forma aconchegante, abraçando minha cintura e por fim se concentrando em meu peito, que some e desce regularmente à deste corpo quente que se faz presente: Eijirou. Seus cabelos estão baixos e aproximo meu rosto dos mesmos para sentir seu cheiro impregnar minhas narinas, me fazendo sorrir involuntariamente ao sentir a pequena proteção e calma que ele desperta em mim. Com medo de acordar ambos que se encontram na cama ao me levantar, decido por relembrar do nosso entendimento na noite passada e refletir sobre quando me tornei tão merecedor de teu amor. 


Flashback on 


Estamos sentados na cama, minhas mãos se ocupam em acariciar o cabelo de merda do Kirishima e entrelaçar a outra com as suas. Ele me contara inúmeras vezes sobre o quanto sentiu saudade de mim e quais eram seus milhares de planos para me reconquistar ou alguma coisa do tipo, mas antes que eu explodisse em espera de sua parte do combinado, o obrigo a abrir a carta que chegou em suas mãos neste mesmo dia mais cedo, e ele o faz. 

—Acho que vou ler em voz alta.— Ele diz enquanto encara a carta com uma sobrancelha levantada. 

—Para quê? Eu sei o que escrevi, e você está na minha frente, consigo ler. —Afinal, estávamos sentados juntos na cama à essa altura, ele pedira com seus olhos suplicantes de sempre, não me dando outra alternativa. Agora, seu corpo se encaixava no meio de minhas pernas e suas costas repousavam levemente em meu peito. 

—Ora, essa!— Kiri se vira abruptamente para mim e suas írises competem com as minhas para ver qual iria ceder.— Kieno não consegue ler, sendo nosso filho, obviamente devemos à ele uma explicação. 

O encaro perplexo enquanto me divido em rir ou xingar o garoto por ser tão adorável, mas afinal, o cachorro precisa mesmo saber dos meus sentimentos? Eles não têm, sei lá, um radar que capta os sentimentos dos seus donos? 

—Oh. Que seja então, só...só vai logo, eu não aguento mais esperar. 

Kirishima sorri para mim antes de iniciar sua leitura, com a voz levemente tremida assim como suas mãos. 


Dia 19 de dezembro. 


  Ruivo de merda; 


De todas as coisas que eu poderia lhe dizer em uma carta, eu quero lhe mandar ir se fuder. Você realmente abandonou a porra do seu teclado com uma criança com o pé na cova? Você certamente não existe. 

Kieno está bem, mas assim como eu, sente sua falta. Passei duas horas tentando escrever-lhe algo decente, passei 5 noites digitando seu número no meu celular e me achando completamente tolo antes de apagar. Passei 5 dias errando acordes no violino e ficando sem comer pois me encontro vazio sem sua presença. 

A última vez em que perdi alguém, fora com Muriel. Quando pequeno, eu meio que o culpei por não mais voltar a brincar comigo, e a partir daquele momento me tornei retraído e possessivo o suficiente para não desejar perder outrem, para nada nem ninguém. Ver-te entregue à novas amizades e a um mundo que eu não consigo me encaixar retirou meu ar e minha sanidade o suficiente para que eu achasse sensato excluí-lo de minha vida, mas errei, e agora percebo isso. 

Caralho, o que você fez comigo? Em 5 fuckings dias sinto como se não pudesse mais viver sem ouvir tua risada, e por mais tóxico que eu possa ter sido em algum momento, eu o quero de volta, precisamos tentar de novo. 

Estou jogando a porra da minha vida no abismo, caso você queira me procurar. Me desculpe por não fazer isto antes. Estar completo agora me parece difícil demais e tenho medo do que eu esteja fazendo conosco. Saber que você abandonou seu teclado me fez pensar se você está na mesma merda que eu. 

Sei que mandar uma carta é algo muito filha da puta, mas mensagens não estariam sem minha letra particularmente perfeita, sem as manchas de minhas lágrimas e não se comparariam à intensidade de emoções que você merece para preenchê-lo. 

Irei entender se você continua a transbordar em outros lugares, e espero e desejo que você me dê a honra de não mais estar vazio. 

Me desculpe pelos xingamentos e pela forma que iniciei e irei encerrar esta carta romântica mal feita, mas saiba que,  com todos os esforços que me cabem, estou te esperando voltar para casa e daria o mundo e os caralhos à 4 para que isso aconteça, e lhe asseguro de provar. 



Um silêncio toma conta do cômodo em que nos encontramos, sendo cortado apenas pelos pequenos roncos de Kieno, que dorme tranquilamente próximo às pernas de Eijirou; este que abruptamente se vira e dá um tapa em meus ombros, fazendo com que eu arregale os olhos e o encare atônito por certos segundos, sem entender o porquê daquilo. 

—Você pensa que é o quê?— Ele diz, enfatizando cada palavra com um tapa ou soco em meus ombros e peito, antes de me olhar assustadoramente.— Não é nada másculo ficar sem comer, se culpar sozinho por sua própria ansiedade e trauma e ainda ficar falando coisas como que eu não te mereço! Eu sou inquebrável, Bakugou, Unbreakable! Eu passo por essas coisas de boa! Eu só...— Nesse momento, Kirishima encerra sua sequência de ataques para suspirar pesadamente em meu peito.— Só quero que haja diálogo, tá legal? Eu preciso saber o que acontece contigo e você comigo…É assim que se resolve. 

Pensei em tudo o que poderia ter sido evitado se eu tivesse falado o que estava me incomodando da mesma forma que ele tinha capacidade de fazer. Pensei em como ele se culpou sendo que a culpa foi totalmente minha e acima de tudo, pensei em como ele faz sentido de todas as formas, quando eu não passo de uma confusão desenfreada. 

—Eu...eu sei ok? Me perdoa. — Abracei seu corpo, que diferente do momento em que me batia, agora parecia frágil em meus aconchegos.— O que você acha? Pode voltar a me iluminar? 

—Vamos voltar a brilhar juntos.— Sua voz se fez baixa e abafada, talvez pelo meu peito ou pelo sono que nos acometia. Antes que eu percebesse, Eijirou havia adormecido nos meus braços, e não pude deixar de sorrir ao reparar na mensagem que ele mandara para um grupo antes de adormecer. Kirishima não cansa de me surpreender. E eu de amá-lo. 


Flashback off 


—Bom dia Baku!— A voz de Eiji me desperta dos flashbacks de ontem e de tantas dúvidas, sanadas pelo sorriso que o mesmo direcionou à mim antes mesmo de abrir seus olhos. 

—Bom dia, amor. — Digo enquanto beijo sua têmpora. — Nós ainda temos que conversar, né? Digo, você realmente vai me perdoar depois daquela carta mixuruca dos infernos? O quão perfeito você é? 

—Bakugou...—Ele ri gostosamente, fazendo com que seus olhos se apertem ainda mais e verrugas surjam no canto de seus olhos avermelhados de sono.— Está tudo nos eixos. Eu te perdoei e tenho quase certeza que você à mim. Nós temos que conversar sim, mas não sobre o acontecimento. 

Inclino minha cabeça, arqueio uma sobrancelha e, antes que eu tenha chances de perguntar, Kieno pula em nossa frente e nos lambuza de beijos e lambidelas na nossa fronte. Kirishima gargalha e eu aprecio a cena, antes de uma fala repentina do mesmo me pegar desprevenido. 

—Como desconfiado, eu vou morar com você o resto da minha vida.— Ele olha de soslaio para mim enquanto sorri e se entretém com o carinho em nosso cachorro.— Mas para isso, vamos ter que ir na Ashido. Aproveite e converse com ela, que tem muito mais à oferecer do que beijos no seu namorado. 


[...]


Durante todo o percurso até a casa da rosada, meu namorado se dispõe a falar sobre cada integrante peculiar de seu grupo de amigues e bobagens relacionadas à estes. Enquanto dou-lhe a merecida atenção que o ruivo pode obter de mim, penso no que achar sobre Ashido. É claro que ela me deve desculpas, tanto quanto eu à ela, mas não sinto que um de nós estará à disposição para abaixar a guarda dessas forma. 

—Chegamos, vai comigo?— Kiri me pergunta, mas nego com a cabeça, vendo seus olhos murcharem um pouco quanto à isso.— Oh, ok. Não demoro. 

Após um breve selinho, o ruivo parte até sua amiga, sendo recebido por ela  conversando um pouco, até que ele se vira para mim e me chama com um aceno de mão. Me aproximo relutantemente, após certos segundos, ele se inclina e cochicha para mim: 

—Eu sei que tudo aquilo pegou mal, mas seja o primeiro a seguir em frente... Por mim, ela é minha melhor amiga. — Ele sorri e entra, após falar com Mina alguma coisa não muito relevante. 

Os primeiros minutos de espera se mostram desconfortáveis e eu não vejo como posso desfazer minha muralha cotidiana para auxiliar no desejo de Kirishima de sua melhor amiga e seu namorado não serem inimigos marcados, mas antes que eu ao menos tente, Mina respira fundo e me olha decididamente, antes de iniciar: 

—Bakugou…?— Ela diz devagar, e profiro um rosnado como "prossiga" para a mesma.— Por que...como vocês, como você conseguiu alguém tão bom quanto o Kirishima?— A rosada solta o ar surpresa, como se nem mesmo soubesse que estava o segurando.

 Refletir sobre isso poderia render tempo, e por mais que me incomode ouvi-la dizer como se eu não merecesse o ruivo, me abstenho na sua pergunta. Não por ser de difícil resposta, mas por haver um significado muito mais profundo para mim do que eu poderia lhe abrir diretamente. Mas, ao pensar no sorriso do garoto sempre que acordamos juntos, decido em plenos milissegundos o que eu posso dizer em resposta: 

—As vezes você precisa bater na mesma tecla do seu sentimento até que a resposta esteja clara o bastante. Eu amo pra caralho o Cabelo de Merda, e por isso me vejo disposto a ser aquele que dá um passo a frente antes que ele o precise fazer.— Digo isso de forma confiante, por saber que não há palavras o suficiente que possam explicar o porquê de eu ter encontrado Eijirou. Talvez eu não o mereça da forma que ele acredita que eu seja merecedor, mas não há maneira mais clara de demonstrar meu amor pelo mesmo do que tentando, antes que o caralho do mundo se disponha em o fazer lutar para isso. Talvez eu realmente não o mereça, mas somente por isso eu farei de tudo para dar a porra do mundo à Kirishima Eijirou. 

Ao ver as írises amareladas de Ashido me fitarem como se eu fosse uma alucinação, suspiro resignado e vou atrás do meu namorado, para apressar o mesmo e provavelmente o fazer encerrar uma conversa com uma formiga que lhe parece máscula por carregar duas plantas sozinha. 

O encontro no meio do caminho, e antes que ele diga qualquer coisa, seguro em sua mão, arrancando algumas de suas coisas, e parto para a saída. Ele sai se despedindo de Ashido e continua na sessão de acenos enquanto ainda é possível enxergar a cabelo de chiclete e outras pessoas de seu tal recinto. 


[...]


Estamos caminhando de mãos dadas em direção ao nosso apartamento, em um silêncio confortável enquanto prestamos atenção no movimento ao nosso redor. 

—Então, falou com Ashido?— Kirishima me pergunta sorridente, mesmo que um pouco relutante.

—Eu...sim, ela me fez uma pergunta e, por seu olhar de curiosidade e o quanto responder aquela pergunta mostraria a quem pertence o terreno, eu respondi.— Ele me encara em confusão, e eu aponto para seu corpo inteiro.O terreno. 

—Ah...Ah! Bobo, mas qual foi a pergunta? 

—O que ou como eu fiz para merecer alguém tão bom como você, algo relacionado. 

—E sua resposta?— Ele se coloca em minha frente, enquanto me encara firmemente nos olhos, me fazendo corar irritantemente. 

—Respondi que "As vezes você precisa bater na mesma tecla do seu sentimento até que a resposta esteja clara o bastante. Eu amo pra caralho o Cabelo de Merda, e por isso me vejo disposto a ser aquele que dá um passo a frente antes que ele o precise fazer".—Refaço minha fala e ao notar o brilho nos seus olhos, não deixo de acrescentar.— Porque, Kirishima Eijirou, se for preciso eu rodo a porra do mundo pra provar que, mesmo sem lhe merecer, eu farei de você o garoto mais feliz do mundo. Eu nunca mais te farei chorar e eu mudaria tudo que há em mim se for para te fazer feliz ao meu lado. 

—Ah, Katsuki, você não precisa mudar nada!— Eiji diz se inclinando em minha direção, ficando cada vez mais próximo e me fazendo sentir seu cheiro de macadâmia e nozes junto à sua respiração quente em meu rosto.— Você é o garoto mais másculo do mundo, e eu não preciso de mais nada além de você!— Kirishima cola nossos lábios, me permitindo novamente sentir sua textura e seu sabor; agarro sua cintura e aprofundo nosso beijo, pedindo passagem com minha língua e explorando teu ser, teu sentir e seus desejos primordiados no toque que, mais do que tudo, eu me permito ter se for ao lado dele. 


[...]


Até o luar despencar no céu estrelado, Kirishima e eu nos abstemos em performances na rua. O sentimento de estar completo ao lado dele fez com que toda e qualquer sinfonia tivesse um grau a mais de paixão, como se agora todas as notas estivessem mais altas e melodiosas e, tal como nossos corações em um batimento uníssono, em plena harmonia. Nada mais importando, nem mesmo o rendimento que parece ter duplicado através de nossa apresentação, pois além de qualquer sonho que estejamos buscando alcançar juntos, permanecer nos eixos com Eijirou é e sempre vai ser a porra da minha maior prioridade. 


Bakugou off 

 


Notas Finais


Gente, uma das sensações mais loucas da vida de uma escritora deve ser a de estar encerrando uma história. Algumas coisas tensas ainda vão acontecer, embora (como uma amiga, escritora e instrutora literária disse) eu seja a escritora cubo de açúcar, então teremos muita doçura pela frente, eu percebi que estou encerrando e sanando muitas das dúvidas e buracos que poderiam ter na história. Eu amo tanto Life In Music, o que eu construí com ela e com vocês, que a cada dia que eu escrevo e posto algo aqui, meu coração se enche de amor e outras milhares emoções.

Ala, a doida sentimental. Enfim, enfim, eu amo vocês! Até os comentários ou o próximo capítulo, porque muita coisa ainda vai rolar hihihi (Essa vida de ser quem está escrevendo e não quem está lendo é tudo.)
Obrigada por ler! 💕


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