História Life Is Strange - Capítulo 6


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Categorias Teen Wolf
Tags Derek, Derekxstiles, Love, Romance, Sterek, Stiles, Stilesxderek, Teen Wolf, Yaoi
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Palavras 4.725
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


'm so happy 'cause today | Estou tão feliz porque hoje
I've found my friends | Encontrei meus amigos
They're in my head | Eles estão em minha mente
I'm so ugly, but that's okay, 'cause so are you | Sou tão feio, mas tudo bem, você também é
We broke our mirrors | Nós quebramos nossos espelhos
Sunday morning is everyday for all I care | Manhã de domingo é como qualquer outro dia
And I'm not scared | E não estou com medo


Lithium (Lítio)
Nirvana

Capítulo 6 - Lithium


Acordou.

Não que fosse um fato assim tão importante. Abrir os olhos, piscar algumas vezes. Perceber que a luz entrava de forma peculiar pela janela.

Não que fosse de fato assim tão diferente de qualquer outro dia. A luz sempre deveria entrar ali por aquela janela, atravessar o mesmo vidro embaçado pelo respirar da manhã cálida depois da noite fria.

Talvez o fato da luz parecer tão diferente naquele dia era porque estava na cama. E sentia-se bem por estar acordando.

Ficou deitado na mesma posição 1, 2, 3 minutos. Talvez mais. Respirava lentamente, sentia-se completamente bem, apesar da inutilidade das pernas que lhe deixava vulnerável, imóvel.

Virou o rosto e observou safiras. Dois olhos azuis, remelentos ainda, talvez acordara a pouco também. O silêncio era uma joia que nenhum dos dois tentava romper. O silêncio era muito mais importante do que palavras, do que bom dias, do que um “como você dormiu?”.

Pareciam que se entendiam mutuamente, em uma ressonante ausência de sons. Derek levou os ásperos dedos ao rosto do garoto. Fizera sexo com ele na noite passada, se lembrava disso. Lembrava-se perfeitamente demais.

– Está tudo bem?

Perguntou o homem.

Stiles apenas balançou a cabeça, não tinha muito humor, mas estava, sim, bem.

– Posso ir ao banheiro? – Perguntou Stiles.

– Claro – Falou Derek, apontando para a porta. Um segundo destoante em sua cabeça lhe fizera lembrar que Stiles não podia andar – Eu, eu vou te carregar.

Stiles deu um curto sorriso. A ausência de movimentos lhe deixava exausto. Depender tanto, de braços e pernas para si.

– Obrigado – Agradeceu. Viveria agradecendo?

Mordeu os lábios, viu Derek se levantar e expor o corpo robusto, busto, abdômen e braços. Uma sincronia de perfeições. Seus desejos adolescentes lhe deixara desconfortável. Ainda nu, o jogador se aproximou de si, passou os braços ao redor de seu corpo, por baixo de suas pernas.

O homem lhe sorriu, Stiles deu um curto sorriso.

Que fariam agora?

Ignorariam a noite?

Falariam sobre ela?

Stiles de fato não sabia, não sabia como seria o Modus Operandi pós sexo. Apenas ficou calado enquanto foi colocado no troninho. Derek saiu para que tivesse algo de privacidade.

Derek lhe deitou na cama depois de usado o banheiro. Ficou deitado ali e nu. Inteiramente nu. Sentia-se estranhamente vulnerável. Fechou os olhos e lembrou-se da noite anterior. De como a boca do jogador tinha gosto de álcool e, ao mesmo tempo, o gosto dele.

Lembrava-se dos próprios gemidos e arfadas. Não ficava excitado, mesmo que tivesse assim tamanha vontade de mais e mais daquela sensação. Mas apenas ficava imóvel e se lembrava do mesmo teto, da mesma janela e como elas pareciam itens tão diferentes do que eram hoje.

Uma lasca de frio atravessou seu corpo. Arrepiou-se. Forçou os braços e conseguiu se sentar. Deu um pequeno sorriso ao observar um item caído aos pés da cama de Derek, com um certo esforço se esticou e se arrastou até pegá-lo.

Era uma camisa de Futebol Americano, a camisa de Derek. Número 24. “Hale”. O Quarterback. Grande o suficiente para que quando colocasse parecesse em seu corpo um vestido.

Não tinha ombreiras, e em seus ombros o peso do mundo parecia recair.

Fizera sexo na noite passada.

Era fato, e, uma após outra vez repassava o fato. Viu Derek sair do banheiro, apoiando-se no mural da porta enquanto lhe observava, o rosto molhado, o cabelo úmido.

– Olha só que bonitão – Ele sorriu um sorriso natural.

– Eu... err... estava com frio – Mentiu, olhando para baixo.

– Eu acredito em você – Respondeu Derek, cruzando os braços fortes – Vamos tomar café Quarterback?

– Vamos lá, Hale.

Foi novamente carregado até a mesa. Derek brutalmente empurrou com o braço latinhas para o chão, depois colocou uma toalha, depois foi até a máquina de expresso e fez dois cafés. Pão, geleia, bordas-cortadas.

– Você é dos que corta as bordas – Observou Stiles, pegando o pão e dando uma mordida.

– Eu... você gosta das bordas? – Perguntou Derek, observando ambos os pães.

– Não é questão de gostar ou não gostar – Respondeu o escritor, tomando o café em seguida – Fresco – Disse com um meio sorriso, azul, a geleia de framboesa manchara seus lábios, até limpá-lo com a língua.

– Não sou fresco... – Indagou Derek, mordendo o pão e engolindo.

Comiam nus na sala bagunçada.

– Vamos evitar o elefante na sala? – Perguntou Stiles, suspirando, enquanto passava a ponta do indicador na borda da xícara.

– O elefante?

– É, o assunto, sabe, que está aqui gritando.

– Mas que assunto? – Questionou Derek, bebendo mais um pouco de café.

– Sabe, o que fizemos ontem à noite.

– Eu sei o que fizemos ontem à noite.

– Então!

– Então? – Derek realmente não compreendia onde Stiles queria chegar. Ou talvez sabia.

– Eu... – Stiles realmente não sabia o que falar.

– Eu te machuquei? – Perguntou Derek, profundamente.

– Não é isso... – Respondeu Stiles, de fato sentia um leve desconforto da noite passada, mas não era nada disso que pensava. – Eu não sei o que falar – Disse o rapaz, observando o outro.

– Então não fale nada – Disse Derek, dando um pequeno sorriso.

– Eu só não sei como funciona sabe? Transamos, e depois?

Derek deu de ombros.

– Transamos novamente, se for o caso. E de novo. E mais uma vez. – Afirmou o homem, com um meio sorriso.

– Eu... Não quero. – Afirmou Stiles.

– Então não transamos – Respondeu simplesmente Derek, observando com os olhos azuis os confusos olhos amendoados do outro.

– Mas eu quero, não é isso – O garoto estava realmente confuso. Colocou uma mão entre os cabelos, e a outra apoiou-se na mesinha.

– Seja o que você decidir, está tudo bem, ok? – Falou o homem, se levantando para pegar um saco de lixo.

Stiles ficou reparando no corpo de Derek, em suas nádegas perfeitamente desenhadas, tais como as pernas, que eram fortes. Tudo em Derek exalava algo de virilidade.

– E por céus, pode por uma roupa? – Exigiu Stiles, voltando os olhos para o pão, comendo mais uma mordida.

– Mais tarde, agora está cedo – Derek deu uma piscadela e se aproximou, dando um selo na testa do rapaz em sua mesa de jantar.

Stiles ficou apenas observando o outro trabalhar, pensativo. Como é que um cara como Derek poderia estar afim de alguém como ele? Eram tão opostos em tudo. Foi pego novamente e levado até o sofá, onde ficou até que Derek terminou de limpar tudo.

– Ontem... – Principiou Stiles, pensativo se deveria falar aquele tipo de coisa.

Derek ligou a TV, em um canal de esportes qualquer, enquanto levava a atenção ao rapaz com sua camisa de jogo. Como ele ficava sexy vestido com suas roupas maiores que o corpo. Não precisou responder verbalmente, apenas arqueou as sobrancelhas, esperando as palavras do rapaz.

– Sabe, você tinha bebido... E...

– Não precisa continuar a falar – Cortou Derek, quase rude – Eu estava ciente, estava perfeitamente ciente do que fiz, tudo bem?

– Eu sei é que...

– O que?

– Por que você gosta de mim?

Aquela pergunta cortou o ar, agitou as partículas e Derek. O homem não esperava um tipo de pergunta como aquela. Aquela insegurança. O homem abaixou o olhar, por que gostava dele?

– Você sabe – Continuou Stiles, tinha olhos umedecidos – Eu sou um deficiente Derek, eu não sou lá uma pessoa muito legal ou com bons atributos... você é um homem bonito, que tem qualquer um que quer, qualquer mulher, qualquer outro homem.

– Você está pensando nisso? Sério? – Questionou Derek, se aproximando do rapaz, via aquelas lágrimas que queriam cair e se sentia tão vulnerável.

– Por que você gosta de mim, Derek? – Tornou a cortar o ar com aquela pesada pergunta – Eu estou quebrado.

– Talvez seja por isso – Afirmou o homem – Não é um fetiche ou algo do tipo – Falou rapidamente em seguida.

– Ótimo, seria assustador se você saísse procurando em hospitais garotos quebrados como eu – Falou Stiles, em um humor negro.

– Você tem que parar de ficar olhando só nos atributos ruins de você – Afirmou Derek. Tocou Stiles no rosto e se aproximou mais, lhe beijando lentamente.

Que pode uma criatura, senão entre criaturas, amar?

Sentiu beijo em seu pescoço, um beijo grosso e gostoso. Longo, suficiente para ter um pequeno surto existencial e depois voltar à realidade. Sim, estava quebrado, roto. Não podia se meche muito, mas ainda estava ali, respirando e sentindo beijos e toques. Por alguns instantes pensou conseguir se mover, mas eram apenas as mãos de Derek que lhe puxavam para o colo.

– Já disse como está sexy com essa minha roupa? – Questionou Derek.

– Já – Respondeu Stiles, suspirando – Deve ser um fetiche seu, ou algo do tipo – afirmou o rapaz, concentrado nos músculos que as mãos experimentavam.

Eram homens. Sim. Dois homens se tocando sobre um sofá, em um apartamento no meio da cidade. O silêncio entre eles era cortado por uma conversa baixa e dissonante dos pensamentos. Pensamentos que iam e voltavam, nos toques e nos olhares.

– É, provavelmente é – Afirmou Derek. Apalpou o corpo do outro, com as mãos por dentro da camisa, conseguindo erguê-la, tirando-a, revelando o corpo pálido, cheio de pintinhas – Adoro meu dálmata.

– Sério? Dálmata? – Stiles começou a rir. Derek também começou.

Como um momento tão sério e erótico convertera-se em risos no meio de uma cobertura em um bairro nobre? Talvez fosse aquilo que Derek precisava, de risos e olhares, olhares de como Stiles lhe olhava. Com uma insegurança adorável e, ao mesmo tempo, tamanha determinação com as palavras.

– Isso não é sexy – Afirmou Stiles, com um sorriso, sentindo Derek lhe alisar e depois ir com a boca até um de seus mamilos, lhe estimulando ali com a boca – Mas... Deuses, isso é.

Gemeu, baixo, conforme. Fechou os olhos e segurou Derek ali, sentiu ele lhe mordiscar e gemeu mais. Sentiu ele crescer em meio as suas pernas. E gemeu mais. Alto o suficiente para atrair o olhar de Derek.

– Sou eu quem defino o que é sexy aqui, ok? – Falou Derek, se recostando no sofá, colocando ambos os braços atrás da cabeça, talvez para exibir os braços fortes, o peitoral trabalhado. Stiles revirou os olhos, e o jogador sorriu mais com os caninos levemente afiados à mostra.

A campainha tocou, Stiles foi colocado com delicadeza ao seu lado e então Derek foi atender. Stiles ficou observando porta a fora da sacada do apartamento, como o dia estava estranhamente belo, sentia vontade de escrever e ah! Como tinha que escrever, capítulos e capítulos de trabalho. Já conseguia até imaginar os dramas que tinha que escrever, tudo o que os personagens teriam que fazer.

Seria assim sexo tão inspirador?

Talvez.

Muito mais que isso, sentia como se o amor que sentisse em si fosse inspirador.

Mas seria amor?

Ou seria apenas sexo?

O fato é que não sabia, as frases apareciam curtas em sua mente, as falas das personagens de suas histórias se desenrolavam em um sonho acordado esquizofrênico, quando se deu conta, Derek voltara. Tinha uma expressão calma.

– É melhor eu lhe trocar, seu cuidador chegou.

– Ah, Scott? – Lembrou-se Stiles, olhando janela a fora ainda, quase como em um estado catatônico. Derek olhou na direção do olhar do jovem escritor.

– Está... Tudo bem?

– Ah, sempre está – Respondeu Stiles, abanando a cabeça – Certo, se trocar – Indagou, erguendo os braços como uma criança que espera ser pego no colo – Eu sei, estou mau acostumado já.

O homem sorriu e virou-se, deixando que o rapaz agarrasse em seu pescoço para então suspendê-lo do chão, segurar-lhe as pernas em um atípico cavalinho entre adultos. Quem observasse e visse dois homens nus fazendo aquilo só poderia pensar em coisas não apropriadas.

Mas o fato é que se divertiam.

Derek sentia-se feliz depois de tanto.

Os pensamentos e sentimentos de Stiles não eram previsíveis, nem mesmo mensuráveis. Apenas existiam, e estavam lá, enquanto era carregado.

Foi deitado na cama, e sentiu-se perfeitamente bem em ficar deitado ali. Era bom sentir as pernas, sentir que estava com frio de estar nu. Mesmo que não pudesse movê-las, apenas a sensação já era boa. Observou Derek se trocar, colocar um short, colocar uma regata, tão rapidamente.

O homem se virou para si, pegou a sua cueca no chão e o colocou, depois a calça. Era como uma barbie, a qual Derek poderia manipular a bel prazer. E o garoto apenas ficava imóvel, enquanto as mãos ásperas lhe tampavam a nudez com as roupas.

– Sua camiseta está arruinada – Afirmou Derek.

– Está? – Questionou Stiles – Eu quero a sua camiseta.

– Aquela que você estava vestindo? – Questionou Derek, arqueando as aduncas sobrancelhas.

– Exatamente, deve valer alguma coisa no ebay – Afirmou com humor Stiles. Derek resmungou e foi até a sala, pegando-a e dando para que Stiles. – Você tem que colocar ela em mim.

– Mas... Você...

– Você tirou, você coloca – Afirmou o rapaz, enquanto ouvia a campainha – Scott pode esperar.

Derek resmungou algo e vestiu o rapaz, colocando-lhe a camiseta esportiva, que lhe ficava grande o suficiente para ir até a metade da coxa.

– Está lindo – Afirmou Derek. Pegando novamente o boneco de pano que Stiles estava sendo naquele momento e, carregando-o, deixou-o no sofá.

Atendeu a porta, Scott estava ali. Tinha um sorriso bobo no rosto.

– Deu tudo certo, ham? – Derek deu um sorriso, dando um soquinho na barriga de Scott, que sorriu de volta.

– Yeah – Resmungou o rapaz, com um sorriso grande.

– Yeah? – Argumentou Stiles, olhando para trás para observar o rapaz que entrava na sala.

– Quero dizer, tudo certo – Falou Scott de uma maneira mais formal.

– Ótimo, depois de me abandonar aqui, o mínimo que tinha que garantir era que desse tudo certo – Falou dramaticamente Stiles.

– Me desculpa, sério, eu não sei o que estava se passando na minha cabeça! Pode descontar o dia do meu salário!

Scott falou aflito, será que perderia o emprego por isso? Aproximou-se rápido do seu quase ´amo´, que se sentava no sofá.

Stiles sorriu, e abanou a cabeça.

– Está tudo bem, eu me cuidei.

– Você se cuidou? – Questionou Derek da cozinha, pegando três latinhas de coca-cola. Jogando uma para Scott que a agarrou no ar e entregando uma em mãos para o próprio Stiles.

– Você estava bêbado, não estava em condições de me cuidar.

– Hum – Resmungou Derek, se sentando na poltrona do papai.

– Cadê sua roupa? – Questionou Scott.

– Rasgou – Afirmou o homem, se recostando.

– Mas como?

– Já estava meio arruinada lá do jogo... – Afirmou Stiles, assentindo, reflexivo.

– E terminamos o trabalho aqui, sabe – Disse Derek, com uma expressão assustadoramente séria enquanto olhava a TV.

– O que? – Exclamou Scott – Você caiu?! Está bem?

– Ele está ótimo – Afirmou o jogador, bebendo seu refrigerante.

– Derek é que é abusado – Respondeu Stiles, cortando a conversa – Quando ele foi me levar na cama, a roupa acabou se rompendo.

– Espera, vocês dois dormiram na cama, juntos? – Questionou Scott.

Sim Não

Afirmaram juntos Derek e Stiles, respectivamente. Stiles olhou para Derek, e Derek olhou para Stiles.

– Digo, não – Afirmou Derek, querendo sorrir, mas mantendo-se sério, amassando a latinha de coca com a mão, em uma clara demonstração de força física. Deixava a força moral com Stiles. Jogou a latinha amassada a um canto.

– Isso... Está muito estranho para minha cabeça – O rapaz abanou a mesma.

– Descanse os pensamentos, então – Falou Stiles – Quero ir para casa agora.

– E por falar em casa, você tem uma infinidade de remédios para tomar! Desde ontem à noite!

– Tenho certeza que a maioria eu não preciso tomar – Afirmou o deficiente, mordendo os lábios – Eu me sinto tão mal tomando tudo aquilo...

– Mas tem que tomar, os médios lhe receitaram, você sabe.

– A psiquiatra quem me deu a maioria, é para problemas que eu não tenho, eu já aceitei minha condição – Afirmou o rapaz, dando de ombros – Vamos, quero ir para casa agora.

– Você é o tipo de paciente difícil, não é? – Derek disse, se levantando e ajudando Stiles a se levantar também, segurando-o.

– Você não tem ideia, agora me carrega logo – Afirmou Stiles, olhando de perto para Derek, enquanto se apoiava em seus braços, segurando ambos para então ser suspendido novamente. – Vai, vamos – Mandou o escritor, surgindo uma vontade quase metafísica de ir embora dali.

– Scott, me faz um favor. – Falou Derek, – Meu celular, ali – apontou com um aceno de cabeça – Tira uma foto minha segurando a princesa aqui, ela está muito mandona.

– O QUÊ?! – Exclamou Stiles, virando o rosto, – ME SOLTA, EU NÃO, ONDE JÁ SE VIU – Balançava os pés. Sentia-se ridículo em ser carregado por Derek daquela forma.

Ou melhor, até gostava, agora que pensava. Mas era algo deles. Não queria um registro disso. Especialmente porque fotos como essa vazavam a qualquer momento.

– SCOTT MCCALL, se você tirar essa foto, eu te demito! – Ameaçou o Stilinski. Enquanto via o rapaz mexer no celular do jogador e preparar para tirar a foto. – Vocês dois! Estão conspirando contra mim!

– Suas palavras certinhas não vão te salvar, Stilinski – Afirmou Derek, lhe chamando pelo sobrenome. Olhou para o rosto de Derek.

Uma foto. Stiles logo percebeu que a sessão de fotos começara, então apenas escondeu o rosto no peito de Derek, tentando se tampar o melhor possível.

Mas não tinha muita escapatória, de todas as formas se percebia que era ele.

– Ok, terminamos por hoje – Falou Derek. Dando uma piscadela para Scott, que sorriu.

Achava muito estranha a relação do jogador com Stiles, mas não falaria nada, na pior das hipóteses, Derek era apenas um amigo ´zueiro´, na melhor delas, era alguém que estava fazendo bem para Stiles.

Desceram para o subsolo, para o estacionamento, Stiles em uma acirrada expressão fechada.

– Odeio muito vocês dois – Afirmou o rapaz, enquanto era carregado.

– Irônico, nós te amamos – Falou Derek.

– Não use antíteses comigo – Falou o escritor – Vou criar personagens para vocês dois, só para poder matar mais de uma vez.

Derek deu um pequeno sorriso de lado.

– Quero ler um de seus livros, me recomenda algum? – Questionou Stiles.

O escritor ficou pensativo, e então corado, pensativo em seguida.

– Agridoce, é um livro só – Afirmou o jovem escritor.

– E sobre o que é? – Perguntou Derek, o elevador descia, a porta se abriu e entrou vizinhos de Derek, que estranharam muito a cena. Scott tinha um sorriso bobo, o jogador um semblante sério como sempre e... carregava um garoto nos braços.

– Bom... Dia – Falou o vizinho.

– Bom dia – Responderam os três, quase juntos.

A estranha nuvem os acompanhou até o térreo, quando o vizinho saiu, e então desceram mais para a garagem.

– E então, sobre o que é esse livro?

– É um romance, sobre lobos, amor e preconceito. É meio grande, o livro, sabe...

– Está falando que eu não consigo ler um livro grosso? – Falou Derek, sentindo-se provocado – Não é porque sou um esportista que sou burro.

– Eu nunca disse isso – Afirmou Stiles, mas com um pequeno sorriso.

– Senhor antíteses e outras palavras difíceis.

Stiles foi colocado no banco da frente e o cinto de segurança, passado em seu corpo. O caminho foi silencioso e cheio de vácuo, sentia uma movimentação constante dos olhares de Derek. Para cima de si.

Ficaram em silêncio, não havia muito o que se dizer. Além da verdade. Além do fato que transaram no dia anterior e quase alguns minutos atrás.

E o que isso tudo significava?

De fato, não o sabia;

Não sabia se era amor, ou vontade.

E temia ser apenas vontade. Ele que sempre fora tão cheio da razão, ele que sempre fora tão cético, ele que fora sempre tão casto. Talvez por um misto de opção, ou um misto de medo, ou talvez a antiga e opressora de apenas ficar sozinho e não procurar nada que lhe agradasse.

Mas não estava só, ao menos não no sentido físico da palavra. As vezes ainda sentia a solidão enraizada em seus pensamentos, por mais que haviam vozes, por mais que chamassem seu nome.

Aquela sensação catatônica, que lhe sugava e apartava de tudo e de todos.

A casa chegou, tão familiar quanto possível.

– Você está sem cadeira-de-rodas – Afirmou Scott.

Ao menos os jornalistas ali não estavam.

– É, eu percebi... – Afirmou o Stilinski, mordendo os lábios. Derek parecia saber lhe ler, parecia saber que a áurea de suas expressões havia mudado.

Seria a casa?

Seria a proximidade do local do incidente?

Não sabia, Stiles tinha essa característica que lhe deixava cada vez mais curioso. Um pacote de inteligência, de indecisão, de imprecisão, envolto em perspicácia e dispersão. Sinônimos e Antônimos fundidos em pequenas expressões e ações.

Esse era o rapaz.

– Quem é aquele cara? – Indagou Derek. Havia um rapaz no celular, encostado na porta.

– Minha nossa! Eu esqueci totalmente! Seu fisioterapeuta! – Afirmou Scott, abrindo a porta do carro e já saindo do mesmo.

– Ei, espera, eu ajudo – Falou Derek, saindo também. Stiles apenas fechou os olhos por um ou dois segundos, até sentir mãos lhe pegarem como quem pega um bebê.

Havia algo de delicadeza e preciosismo na pegada de Derek. Por algum motivo sentia que mesmo que pedisse, ele nunca lhe largaria. Mas poderia ser apenas uma sensação, a verdade sempre é mais opaca que a imaginação.

A porta foi aberta e o rapaz de pernas moles colocado sobre a cama, com vários travesseiros atrás.

– Desculpa, acabei me atrasando... – Indagou o escritor ao homem que tinha apenas um sorriso de “tudo bem”.

– Olá, sou Matt – Cumprimentou o fisioterapeuta Derek, com um pequeno sorriso, que pegou a mão com força suficiente para que o homem ficasse com uma expressão de incompreensão – Bem, hoje vamos treinar mais um pouco as pernas. Scott tem feito isso também?

– O quê? – Questionou Derek, curioso. Stiles observou interessado em saber o porque de tamanho interesse em si do outro.

– Derek, você não tinha que estar andando com as bolas ou algo assim?

– Eu não tenho treino hoje, tive jogo ontem, Stiles – Respondeu o jogador.

– Ele é jogador de futebol – Explicou Stiles.

– Futebol Americano – Corrigiu o homem, cruzando os fortes braços e observando o homem mover as pernas de Stiles, em um movimento de ida e vinda.

Scott trouxera puxando por um lado uma espécie de bicicleta sentada.

– Ah, hoje não! – Gemeu aflito Stiles.

– É, teoricamente você tinha que estar fazendo todos os dias – Falou o profissional, que foi pegar Stiles para mover até o aparelho, mas Derek logo entrou na frente, com uma pequena ponta de ciúmes – Bem... – Indagou desconsertado o fisioterapeuta, arrumando o cabelo loiro – Ok, vamos colocar no dois e é por quinze minutos.

Os pés do escritor foram amarrados aos pedais, enquanto o corpo, à poltrona. Então a maquina começou a se mover em um mecanismo lento e gradual, movendo as pernas para que os músculos não se atrofiassem.

Foram quase uma hora e meia, enquanto Derek ali acompanhava, Scott recebera dinheiro para comprar um novo meio de transporte para Stiles.

Quando o rapaz voltou, voltara com uma cadeira-de-rodas azul gritante. Derek arregalou os olhos, “Stiles odiaria!”.

Mas, de muito que desconhecia do rapaz, ali estava mais uma surpresa. Stiles se sentou e sorriu, a cadeira rangeu, parecia delicada, mas moveu-se mais facilmente que a outra, além de ser mais confortável.

– Então – Advertiu o fisioterapeuta para Scott – Todos os dias ele deve fazer, pelo menos meia hora – Afirmou, enquanto Stiles rodava com a cadeira-de-rodas azul.

– Tudo bem – Afirmou Scott, acompanhando o homem até a porta, enquanto Derek sorria ao ver o menino e sua cadeira.

A tarde se passou em filmes e porcarias, com muito convencimento o escritor tomara seus remédios, ou a maior parte deles. Sim, era um paciente muito chato. Scott foi então comprar pizza, deixando os dois à sós. Derek assistia à TV, enquanto Stiles tinha o notebook no colo.

– Você já foi à baladas, ou coisas do tipo? – Perguntou o rapaz, roendo as unhas.

O jogador moveu o rosto, observou o garoto, depois apenas assentiu.

– Claro, você nunca foi? – Disse Derek, voltando a olhar a TV, no canal esportivo, onde mostrava os adversários.

– Eu não – Afirmou Stiles pensativo – E como é?

– Abafado, muito barulho, muitas pessoas.

– Preciso de mais detalhes... – Indagou o escritor, escrevendo algumas coisas.

– Sério que você nunca foi? Nem mesmo...

– Antes de perder as pernas? Não, eu nunca foi – Complementou Stiles, não se importava de ser politicamente incorreto, era sobre ele mesmo que falava.

– E porque está tão interessado assim?

– É para um livro, tem uma cena, que planejei se passar em um lugar meio assim, barulhento, muita gente... – Afirmou.

– Ah – Indagou Derek, pensativo – E se eu te levar? Sabe.

– Não parece uma boa ideia... – Murmurou Stiles, voltando a digitar algumas coisas, mas o pobre capítulo não passava muito mais das três páginas no Word. – Eu vou mudar de lugar, vou tentar encaixar com outra coisa. – Deu de ombros.

– Tem umas baladas bem legais, que tocam músicas boas, Rock. Tem cerveja, tem comida...

– Você não se dá muito bem com cerveja – Afirmou Stiles, rindo. Um riso divertido, seguido por um sorriso de lado.

– É claro que me dou bem com cerveja – Respondeu o homem, sentando-se no sofá, para então puxar o seu garoto para o colo, o computador caindo para o lado.

– Derek, Scott pode chegar a qualquer instante – Stiles suspirou. Contragosto, sentindo as mãos do homem perseguirem seu corpo. Sentiu-se tocado e bem.

– Eu quero que você saia dessa casa – Disse o homem, em um olhar onipresente – Você tem que conhecer um pouco o mundo, ele não vai te morder.

– Ele me tirou os movimentos – Respondeu o escritor, refletivamente – Matou meus pais. Acho meio normal eu ter medo do mundo.

– ‘Tou aqui agora – Derek tocou o rosto do rapaz de pele pálida e manchinhas no corpo – A gente ouve música, só, e eu bebo algumas, só. A gente dança.

– Eu não posso dançar – Voltou a se automutilar com as verdades.

– A gente dança na cama, então.

– Se falar mais um ‘a gente’ – Advertiu Stiles, irritando-se com aquele modo de falar do jogador, tão debochado com a língua, tão querendo usar a própria língua...

– Gente?! – Exclamou uma terceira voz, dois pares de olhares indo logo para o indivíduo com os pacotes de lanche.

– Eu... Er... – Stiles ficou muito corado, enquanto Derek apenas deu aquele sorriso debochado.

– Ele deixou cair algo aqui em meu colo – Derek continuou, Stiles lhe fuzilou com o olhar, em fúria, querendo estrangular o jogador de futebol americano.

– Er... – Indagou Scott, abrindo os pacotes e tentando pegar as comidas e dar para eles.

– Acho que quebramos ele – Afirmou Stiles, pegando o próprio lanche, enquanto recebia olhares próximos de Scott, olhares inquisitivos. O mesmo acontecia com Derek, que pegava o lanche e recebia um olhar que queria ter todas as informações.

– Vamos à uma balada no próximo sábado – Disse Derek para Scott – Você vai? Posso chamar aquela garota...

– Ah – Scott coçou a cabeça – Bem, é que...

– Vasd naam tasou ckm hel? – Perguntou Stiles de boca cheia, observando inquisitivo Scott.

– O quê?! – Scott fez uma careta de incompreensão. Stiles deglutiu.

– Eu perguntei se você não transou com ela...

– Ah... Eu... Eu fiz, foi legal e tudo mais – Scott corava, pegando algumas batatas-fritas e escondendo-se debaixo delas – Mas a garota não quer algo sério, não quero só ficantes – Deu de ombros.

– Ownt, ele é do tipo romântico – Caçoou Stiles, com um pequeno sorriso, pegando mais um pedaço de lança e mordendo, observando Scott no chão, que ainda levava o olhar de si para Derek.

– Mas tudo bem, vai ser legal – Afirmou Scott, mordendo o lanche e desviando o olhar dos dois para perguntar: – O que há entre vocês?

“Nada. Transamos”, a resposta foi mútua. Derek e Stiles respondendo, respectivamente.

– Eu pensei... Que não era para esconder... Você já tinha deixado bastante explícito – Afirmou Stiles, dando de ombros, fazendo um shrug, ¯\_(ツ)_/¯.

– Mas não era para falar... Assim... – Indagou o jogador, mordendo, enquanto ambos observavam um boquiaberto Scott.

– Ok, eu vou ir tomar banho para dormir – Afirmou o rapaz, em um salto – Antes de você ir, Derek. Então, sábado...

– Sábado, acho que é o melhor dia...

– Definitivamente... – Resmungou Scott, pensativo, não tinha roupas para essas baladas mais ‘alto nível’ que o jogador deveria frequentar. Mas agora que estava ganhando um pouquinho melhor em cuidar de Stiles, talvez poderia ir com ele até o shopping e comprar algumas coisas melhores.

– Eu volto, amanhã, entretanto – Afirmou Derek – Não vão me ver só sábado, como nessas suas histórias – Disse apontando para o computador de Stiles.

– Se você diz – Stiles só se importava em comer naquele momento, tinha uma grande fome depois do treinamento com as pernas. Mas também ficou pensativo, como seria uma balada? Ou uma boate, ou algo assim.

Tinha que anotar mentalmente o lugar, para suas personagens. Mas não conseguia parar de pensar como seria estar novamente com Derek.

Mais uma mordida e todos os questionamentos foram embora em uma mastigada.


Notas Finais


Relow,
Estou no Nirvana por já ter passado um dia do ENEM. Ainda tem outro. E sim, esse é o motivo do meu atraso, tanto nessa fic, como na outra. =(
Me desculpem, mas é que eu realmente precisava estudar T..T E não tive tempo algum... =(

Mas aqui está!
Não posso prometer muito essa semana, mas sábado vai chegar! haha
Mesmo que eu faça algumas horas extras

PS, não tive tempo de responder aos comentários, mas vou fazê-lo assim que possível! <3
Eu leio todos! <3 E eles me deixam zas feliz.
Sério! <3


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