História Life Is Strange - Capítulo 8


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Categorias Teen Wolf
Tags Derek, Derekxstiles, Love, Romance, Sterek, Stiles, Stilesxderek, Teen Wolf, Yaoi
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Palavras 3.217
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


You used to captivate me by your resonating light | Você costumava me cativar pela sua luz ressonante
Now I'm bound by the life you've left behind | Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás
Your face it haunts my once pleasant dreams | Seu rosto assombra meus únicos sonhos agradáveis
Your voice it chased away all the sanity in me | Sua voz expulsou toda a sanidade em mim

My Immortal (Meu Imortal)
Evanescence

Capítulo 8 - My Immortal


“Respire. Acalme-se.”

Era o que falava para si mesmo, mentalmente. A imagem da lembrança de Derek à sua frente era completamente distorcida, um efeito dos antidepressivos e do álcool.

Um efeito da depressão e da tristeza, que deixava seu peito quase como sem querer respirar.

E o ar, como doía.

Como doía a inexistência dos movimentos, como doía sua cabeça e seu corpo. Cansado demais para qualquer coisa.

E chorou,

como um rio que – depois de se encher – transborda.

Scott lhe olhava, com os olhos marejados. Bêbado o suficiente para não compreender, o coração ainda batendo rápido demais depois de ter tirarado Derek de cima de si.

– Stiles, o que está acontecendo?! – A voz do rapaz era embargada.

– Scott... Chame um taxi, vamos embora.

– Stiles...

– Scott! Por favor – Pedia Stiles, chorava entre as palavras. Chorava de raiva e de tristeza.

Era mais de tristeza.

Sim, chorava de tristeza. Tristeza das lembranças do sexo que tivera, incrível e que, agora, eram apenas uma ilusão. Sentia-se sujo e inútil. Derek transara consigo por culpa.

Derek estava consigo por culpa. E, todo o dinheiro e amor eram apenas uma forma de comprar as pernas que lhe foram roubadas: pelo álcool. Maldito álcool. Maldito jogador.

– Já pedi o Uber... – Indagou Scott, olhando o aplicativo.

– Tudo bem – Respondeu Stiles, enquanto que Scott procurava as roupas.

Viu Scott se vestir. Era tão bonito. Não o rapaz (Scott era bonito, porém), mas o ato: vestir-se. Agora, em sua própria prisão, aquilo parecia um ato de liberdade.

Mas com a licença da escritora: liberdade era pouco, o que ele desejava não tinha nome.

E o que ele tinha era isso, a ausência completa de qualquer liberdade própria. Sentia Scott vestir sua cueca, erguer suas pernas e seu tronco, sentia ele lhe vestir a calça. Não que não conseguisse completamente fazer isso – até conseguiria. Mas apenas o esforço já lhe lembrava de épocas mais fáceis.

Estivera sozinho e, agora, estava.

– Scott... – Não aguentou quando o outro lhe entregou a camiseta, a qual vestiu-a lentamente e observou o outro: olhava-lhe nos olhos.

Scott lhe abraçou, talvez por entender que o outro precisava.

– O que aconteceu? – Perguntou o rapaz, mesmo bêbado conseguia ter o discernimento novamente.

– Foi ele, foi ele! – Respondeu Stiles, abanando a cabeça – Foi o idiota que me atropelou.

– Stiles... – A voz cortou o ambiente. Era Derek.

Alto e forte, com os músculos imponente, o corpo brilhando pela água. Vestia a calça molhada: vestida no desespero após sair da banheira.

– Stiles... Por favor – Derek também chorava.

Mas era um choro diferente. Apenas saíam lágrimas, mas não tinha o rosto alterado. Apenas o desespero.

– Por favor... – O homem se aproximou, mas o rapaz Mccall se colocou no meio.

– Derek... Apenas... Sai cara – Falou o moreno, erguendo a mão para impedir uma maior proximidade – Se já fez muita merda hoje, cara.

Apesar de toda a beleza que o jogador exalava, Stiles apenas via uma imagem opaca, evitava olhar, na verdade. O tempo parecia passar devagar demais, queria ir embora, queria que o carro já tivesse chegado. Queria estar em sua casa, em silêncio.

– Stiles... Não, por favor, deixa eu falar com você. Por favor – Implorava Derek, começando a chorar de verdade – Eu te amo, eu te amo de verdade... Não foi tudo uma enganação.

– Você é doente, Derek – Respondeu Stiles, engolindo em seco – Você quer conversar? – Falou Stiles, empurrando como podia Scott, para poder enxergar Derek.

A mesma imagem opaca.

– Você é doente – Abanou a cabeça, o escritor. Agora sairia tudo o que tinha na boca. A bebida lhe ajudava a destilar o veneno que tinha entre os lábios – Você me atropelou Derek, você me deixou inútil nessa cadeira. Deve ser muito bom sair correndo pelo campo enquanto você sabe que sairá impune por ter me matado.

Derek não conseguia respirar, sabia que tinha que ouvir. Sabia que era a verdade e, em todo o tempo, os pensamentos lhe martelavam. E as palavras, as palavras de Stiles lhe chicoteavam.

– Um bêbado, imagino – Respondeu Stiles – E ficou comigo por pena. E me seduziu por pena, ou remorso. Eu acho que foi por remorso.

– Stiles... Não – Derek queria se explicar. Queria dizer que...

Talvez tivesse sido, à princípio, por remorso, por medo. Mas depois se apaixonou pelo modo único que aquele escritor-semi-depressivo lhe apresentava.

– Você não sabe como eu me senti, como eu me senti feliz em transar com você – Falou Stiles – Imagino que deve ter sido bem difícil ficar duro transando com um deficiente.

– Stiles! – Scott não conseguia acreditar no que o rapaz estava dizendo, como podia falar algo como aquilo?

– Fica quieto, Mccall – Respondeu Stiles, as lágrimas haviam secado. Agora a única coisa que restava era o ódio e a dor – Derek, você acha que eu não fiquei inseguro quando transamos? Se eu ia ser bom o suficiente para você? Você conseguiu sentir prazer comigo, Derek? Pela minha ausência de movimentos e meu esforço hercúleo para fazer algo que lhe agradasse.

– Stiles – Derek fechou os olhos, engoliu em seco. Não conseguia acreditar naquelas palavras. Tentava não acreditar. Sabia que ele estava com raiva. Sabia que apenas escutaria mais e mais palavras de ódio, sabia que ele iria lhe machucar de tantas formas possíveis que nem mesmo conseguiria aguentar-se de pé.

Mas ali ficou, ouvindo tudo. Tinha que ouvir. Merecia.

– E eu não consigo dizer se o que você fez foi verdadeiro ou não. Você é um psicopata, Derek. Um maldito psicopata, que quer se safar de um processo que eu iria lhe mandar. Mas fique tranquilo Derek, eu não vou lhe processar, porque não quero ver sua cara nunca mais.

– Não. Stiles, por favor... – Derek naquele momento não aguentou – Por favor, não, eu te amo! Eu juro, o que eu e você temos... É real, eu juro. Eu te salvei porque sei que o que fiz foi errado...

Os olhos do jogador marejaram.

Nem todas as trombadas brutas do futebol americano lhe machucaram mais do que aquelas palavras.

– Você fodeu comigo Derek – Stiles disse, engolindo em seco – Você fodeu de uma forma... – Stiles não conseguia falar, iria chorar demais, iria se acabar e acabaria pior ainda.

Uma buzina tocou e Stiles mesmo se empurrou para longe dali, deslizando sonoramente pelo piso.

Derek não lhe impediu, apenas saiu do caminho. Scott parecia horrorizado com o que acontecera, estava com os olhos arregalados e, antes de sair finalmente, disse para Derek “dar um tempo”, que Stiles estava “de cabeça quente”.

O caminho para casa nunca parecera tão tortuoso. Aquela mata que antes passara, parecia um ninho de abutres. Parecia ver fantasmas. O estômago doía muito.

Era aquela dor muito além da acidez. Que lhe ia até a boca e sentia vontade de vomitar, mas não queria vomitar. Sentia vontade apenas de ficar calado, ficar encolhido em um canto qualquer e chorar.

Tudo fora mentira.

Estava triste.

Era tudo mentira.

oOo

Tempo.

O que seriam 28 dias?

Para algumas criaturas, era o tempo de uma vida inteira.

Para outras, era tempo de ter o coração partido.

Stiles escreveu no computador, era parte de seu livro. Precisava escrever. Talvez as teclas do notebook fosse a única coisa que poderia contar. Tudo tornara-se estranho e não tinha vontade de nada.

Deixara de comer, além do que era obrigado.

Fingia sorrir como nunca.

Passava a impressão de ser um bom garoto, em recuperação.

Aceitava um copo de suco que Scott lhe preparara. Para então passar horas sem comer.

Dizia um “Olá”, para logo passar horas fingindo escrever, enquanto apenas fitava uma página em branco. Apenas para evitar a conversa.

Tão logo, o instrutor de exercícios desistira de tentar lhe fazer se mover. Reclamava de dores que não existiam. Reclamava de ter que subir na máquina e ter a perna movimentada.

“É inútil”.

Falava. E tão logo abandonou até isso.

Cuspia os remédios que Scott lhe trazia.

E os dias ensolarados de São Francisco tornaram-se tão cinzas quanto os piores invernos.

E o inverno chegou. Trazendo a neblina, ofuscando qualquer raio de Sol cálido. E a casa tornara-se novamente escura e fria.

Não era a perna inútil que lhe perturbava.

Não era a ausência de movimentos que lhe irritava.

Era sua vida, no geral. Antes e depois do acidente.

E por falar de acidente. Essa memória lhe trazia na cabeça a imagem de Derek. Seu falso profeta.

Como fora tolo e adolescente demais para acreditar que aquilo fora real? Eles transaram.

Transaram.

Compartilharam de sorrisos e de calor. O quão real foi isso?

O quão foi encenação do jogador para escapar da punição.

O odiava. E talvez fosse o único motivo pelo qual não esperava Scott ir embora e engatinhava – se arrastava – até o mar e se matava afogado.

Queria existir para o odiar.

E, existindo,

se odiava.

 

oOo

 

– Largou o aleijado, viadinho? – Perguntou uma voz que repudiava, mais que tudo.

As câmeras, de longe, capturavam falsas verdades. E o insulto fez seu sangue ferver. As câmeras capturaram a briga. Seu punho acertando violentamente o rosto do jogador do seu time. Os rapazes separando-os.

Era, claro, um plano do outro jogador para tirar o Quarterback.

Fosse a briga alguns pés adentro do gramado, teria sido expulso da temporada. Futebol Americano já era por si só um esporte violento.

Mas eram eles homens, e homens brigavam. E a câmera retratava o violento Derek Hale. Camisa 24. Brigando e xingando o “colega de time”. Mas não retratavam os bolsões de olheira abaixo de seus olhos.

Não retratavam as pupilas dilatadas de energéticos após virar a noite fitando o teto.

E nem todo o álcool conseguia lhe fazer dormir.

Deveria se entregar à polícia?

Iria preso?

Provavelmente não. Não existiam provas. Fora o crime perfeito.

O carro ocultado. Esmagado e apodrecendo em um ferro velho que nem ele mesmo conhecia. Fora alguém que ‘contratara’, que cuidava desses casos.

Entrara carregando Stiles no colo, no hospital.

Nem mesmo se se acusasse, saberia responder como cometera o crime.

Eram apenas as palavras de Stiles, e as suas. Mesmo que se acusasse a si mesmo... Considerariam uma pancada forte demais na cabeça.

Fodera legal. Mas nem todos os anos felizes far-lhe-iam conseguir ocultar a verdade.

E chorava, agora só, no vestuário. As meias calçadas no tênis de pregos. As ombreiras caídas e o torço nu. As bermudas de jogo justas nas pernas sensualmente fortes.

Um homem como esse chorava. E era triste de se ver.

O álcool lhe trouxera Stiles, e o álcool lhe tirara.

E às noites, o álcool agora não conseguia lhe curar o próprio complexo paradoxo.

E... O maldito garoto que lhe iniciara naquele maldito livro...

Lhe fazia fitar as estrelas, tão presentes no céu. E se lembrar dele.

Porque fora cativado. Era cativo. E, cada vez que lia o maldito livre do principezinho, lembrava-se do Stilinski. E queria-o mais. E bebia mais. E olhava as estrelas.

E deitava, e não dormia.

E assim passavam os dias. Entre as competições.

Pela falta de sono, era cada vez mais agressivo – talvez fosse algo bom. Estavam ganhando.

Derrubava.

Agarrava a bola.

Corria até o outro lado e dava um touchdown.

E ia ao vestuário.

Todos conversavam, e fingia interesse.

E ia para o apartamento “Descansar”.

E bebia.

E via as estrelas,

e elas viravam dia. Acordado.

E voltava a treinar. Derrubava.

E continuava, como uma máquina. Movido à energéticos, álcool e tristeza.

 

oOo

 

– Terminei – Disse Stiles, orgulhoso. Tinha um sorriso de orelha à orelha.

Scott tomava um copo de suco quando Stiles falara isso. Estava acostumado àqueles sorrisos. E era inocente demais para perceber que não eram sorrisos. Principalmente depois de alguns “meses” do incidente. Pensou que Stiles estava curado.

Todos pensavam, na realidade.

– Terminou? – Perguntou Scott. Nunca entendera muito bem o trabalho do amigo. E era sincero o suficiente para falar que tinha preguiça de lê-los.

– E eu dediquei o último à você, Scott – Afirmou Stiles.

– Para mim? Eita. Tenho um livro com meu nome?

– Não – Respondeu Stiles, – Vem aqui.

E Scott foi. Tinha a dedicatória, escrito curto e grosso “à Scott”.

– Olha, para mim – Falou o rapaz, olhando – Nossa! Setecentas páginas! Isso é tipo... Muito.

– É o último livro, de oito.

– De OITO?! – Scott arregalou os olhos.

– Fique tranquilo, eu colocar o seu nome não quer dizer que tenha que ler... – O escritor disse rindo, recostando-se. – E agora terminei. O oitavo. E tudo terminou. E agora posso descansar em paz.

– Pode... Você é bem rico, pode viver dos livros o resto da vida – Murmurou Scott, voltando a pegar seu suco e toma-lo – Está Sol. Talvez possamos ir tomar um pouco, é tão bonita a primavera...

– Olha você, admirando o florescer da vida – Murmurou o rapaz na cadeira de rodas. As pernas não poderiam estar mais finas, afinal, desistira completamente de qualquer movimento e exercício.

O corpo tomara um formato doentio, também. Pouco comia.

A palidez lhe tomava conta do rosto, deixando as pintas ainda mais demarcadas. E Scott cada vez ficava menos consigo. Treinava, pelo que dizia. O corpo estava mais atlético, e comia muito. Dormia algumas noites ali na sua casa. Repunha os estoques do mercado. Era o jovem de dezessete anos promissor.

– É... Só to falando... Talvez você queira ir na praia... Entrar no mar.

– Eu estou bem, Scott – Era o que respondia, com um belo sorriso.

– Vamos, Stiles – Disse o rapaz, insistindo.

– Okay.

Scott lhe pegou no colo. A cadeira não se movimentava na areia. E, pé-ante-pé foram.

Sentou-se perto da água. Os dedos roçaram-se nela. As pernas molharam-se. Podia senti-la. O último traço de sensação no membro semimorto. Mas ainda sentia. Cruelmente gelada. Como aço cortando.

Os dedos afundaram-se na areia, fixou-se ali. Tão imóvel quanto uma gárgula. Era uma escultura de uma palidez que desafiava a paisagem. E terminara o último livro.

Tudo estava bem.

Tudo estava bem?

Sorria estaticamente, enquanto via Scott despir o tronco bronzeado, as bermudas e mostrar as pernas recém-formadas. Correu em direção ao mar.

Observava a figura. Não com inveja, ou com admiração.

Não observava Scott com o mínimo de desejo (apesar de que ele fosse bonito o bastante para isso).

Não.

Observava o correr. E perguntava-se se ser um escritor era uma graça ou uma maldição.

Não apenas corria. Existia uma palavra, um substantivo exato que descrevia exatamente o que Scott era naquele momento: A Liberdade.

E as ondas batiam contra seu corpo. Enquanto que as mesmas águas batiam contra os próprios pés. E a ausência de movimento não lhe perturbara por alguns instantes. Porque ver Scott correr já lhe deixava feliz.

– Então. Estou em uma liga de Futebol – Anunciou Scott.

– Americano? – Perguntou Stiles com certo rancor na voz.

– Ah, não. Futebol, Futebol – Respondeu o adolescente, com um ligeiro sorriso.

“Futebol Americano”. Isso lhe trazia a tona os meses que se passaram.

As inúmeras ligações de Derek, especialmente à noite. E logo a ausência total de suas ligações. Até pesquisara na internet para vez se ele se matara ou algo do tipo.

Mas não, nunca estivera tão bem em sua carreira.

“Bem”

Bem?

Não. Stiles conseguia ver as olheiras. E sabia o motivo delas. Também as tivera, alguns dias, algumas semanas. Mas logo dormira perfeitamente. Escrevia. Dormia. Escrevia e dormia.

Era o que podia fazer.

Era a sua última paz. Sua única paz.

Dormir e acordar, e escrever um pouco.

Às vezes comer. Às vezes beber.

Mas sempre em casa, nunca olhava a TV. Talvez tinha medo de vê-lo. E agora, apenas duas simples palavras “Futebol Americano”, traziam à tona sua imagem. Como se estivesse ali, ao seu lado, naquela mesma praia que outrora realmente estivera.

– Futebol... Acho que... Pode ser que eu entre, para algum time legal, importante – Falou Scott, dando de ombros.

– É, talvez. Você parece estar bem saudável. Tem tanquinho e tudo mais.

– Ah... Ter um tanquinho é fácil, difícil é entrar em um time – Disse o rapaz, suspirando e se sentando próximo ao amigo escritor.

– Diz isso para quem está fazendo quinze minutos de abdominais todos os dias, naqueles cursos – Respondeu Stiles rindo.

Ria sofregamente. Ainda se lembrava dele. Tão nítido... Estava ali do seu lado. Ainda podia sentir o aroma no ar. Ainda sentia a perturbação na areia, nos átomos que foram modificados quando Derek estivera ali.

“Nunca se entra duas vezes no mesmo rio”, já afirmava Heráclito. E ele tinha razão. Ali era diferente porque Derek estivera ali. Mas agora já não era igual.

– E tem algo estranho acontecendo – Afirmou Scott – Não sei, eu tenho dezessete anos... Seria o último ano no abrigo, eu tinha pensado em tudo... Depois... Bem, tinha juntado um dinheirinho trabalhando para você. Consigo alugar um lugar até conseguir um solário no time...

– Scott, você pode morar comigo se quiser – Stiles disse, abanando a cabeça – Pode até trazer suas namoradas se quiser, seus amigos, eu não me importo.

– Não Stiles, isso não – Scott abanou a cabeça. – Mas digo. Parece que alguém está querendo me adotar.

– O que? Sério? Isso... É ótimo? – Stiles curvou as sobrancelhas. – Talvez seja um casal de velhos ricos que querem dar alguma oportunidade à um jovem promissor...

– Sei lá. É estranho – Murmurou Scott – Não sei se devo aceitar... Digo, ela marcou para eu conhecer os prováveis pais adotivos... Mas...

– Scott, você precisa aceitar isso. É para o seu bem, vão ser pessoas legais que vão te dar oportunidades!

– Mas e você? – Perguntou Scott, franzindo o senho.

– Eu estou bem – Respondeu Stiles. Ampliando o sorriso nos lábios.

“Eu estou bem”.

– Vê? A Psiquiatra disse que em alguns meses já posso parar com os antidepressivos... – Continuou o escritor – Agora que eu terminei de escrever o livro... Que terminei... Estou melhor ainda. Vou ter tempo para ir ao mercado, à fazer exercícios... Vou estar bem.

Scott ficou pensativo, sentou-se ao lado do amigo. Pegou na mão de Stiles.

– Te amo muito, se sabe né? – Murmurou o rapaz, os olhos escuros observando as íris amendoadas do escritor.

– Também te amo, Scott – Respondeu Stiles.

– E não quero te deixar, sabe – Afirmou o cuidador.

– E eu não quero que me deixe – Continuou Stiles, suspirando.

Não conseguia manter contato visual por muito tempo, então apenas admirou o horizonte. Viu as ondas batendo nos pés, gelada. Fechou os olhos. O vento soprava silencioso.

– Mas está na hora de entrar. Preciso tomar um banho, descansar.

– Descansar? – Resmungou Scott, puxando Stiles, agarrando-o e o suspendendo, voltando para dentro da casa de praia do escritor.

Stiles deu um ligeiro sorriso. Foi ao banheiro. Já conseguia mais ou menos toma banho só. Usava os braços, sentava-se embaixo da água, voltava à cadeira-de-rodas-para-banho. Depois de se secar, empurrava-se pelo portal até o quarto. Escolhia as peças que estavam penduradas à sua altura. Pegava as roupas e deixava-as em cima da cama, trocava-se lentamente.

O que antes demoravam poucos minutos, tornara-se quase quarenta minutos. Um processo que fora aperfeiçoado desde que começara a treinar, mas que ainda lhe custava imensamente.

Scott se foi, e a casa se preencheu de vazio. E tinha o silêncio.

Deitou-se com sua tristeza e seus pensamentos depressivos,

e imaginou as milhares de formas de se matar,

e como elas doeriam,

e como morreria, e como era a morte.

Descrevia com uma precisão cirúrgica sua dor. E era assim que a se sentia, imaginária.

Fechou os olhos, mas ainda continuava a sofrer.

E o dia clareou, e escureceu.

Dia após dia. Via Scott, despedia-se de Scott, que, cada vez, ausentava-se mais.

O livro fora publicado.

O dia clareava.

E escurecia.

Sofria.


Notas Finais


Olá crianças!
Desculpe por esse capítulo. A demora e o conteúdo. É forte, mas é necessário.
Eu estava bem triste nos dias que o escrevi, e acabei pegando um pouco pesado. Mesclei um pouco o Eu Lírico com eles. E talvez... Talvez tenha dado certo... =3

Obrigado à Four-4 BrunoStilinski Cinxryuu heloisi Luhpandakawai Lord_Castiel LaddyZoe Tgwar AmaLupin LoupGarouBerkan maylinsayuri22 FujoshiAssumida madlayla SpideyPoolFilha Litha-Chan OnlyKookmin Jpadalecki candy555 Stilinske-Hale Naty44 jp124 mmylla ankergayshipper AnjoCaidoNegro lucy2020 AlecHale malecsterek MinYoonmin93 & Diogenny


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