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História Lifeline - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Olá :).
Só quero avisar que neste capítulo terá uma música de uma banda argentina chamada Miranda!
Não acho que seja necessário ouvir para acompanhar e tal, será apenas usada uma parte da música em uma interação de pensamentos. Porém, caso queira saber qual é: https://www.youtube.com/watch?v=FPCKkPcSphM.

Capítulo 6 - You break down my walls


--PAOLA--

Sorri para o porteiro que liberava a minha entrada na Band. Henrique Fogaça me pediu uma carona mais cedo, então acompanhava. No automático, guiei o meu carro para a mesma vaga de sempre. Estacionei com a minha boa habilidade no volante e saímos do automóvel. Parei para me admirar pelo reflexo da janela e ajeitar os meus cabelos. Pode parecer idiota, mas fiquei quase uma hora me arrumando em casa. Mais de 40 anos de vida e agindo como uma adolescente. O que eu queria com isso? Mostrar para a Ana Paula que eu estou muito bem, obrigada. Provar que já a superei por completo.

No fundo, não posso dizer que estou perto deste feito. Se eu pudesse arrancá-la do meu coração, o faria. Mas fica impossível quando apenas o seu cheiro amadeirado faz o meu coração disparar.

Foi assim quando, após andar com o Fogaça pelo corredor da sala de reunião do MasterChef, adentrei o local e seu perfume entrou pela minha narina trazendo lembranças que eu lutei para não me recordar no último ano.

Um choque. É assim que eu posso resumir a sensação que tive quando os nossos olhos se cruzaram. Eu que estava dando risada do Fogaça, tive que desfazer o meu sorriso. Minha cabeça virou uma confusão jamais vivida por mim. Ali, a poucos metros, está a mulher que amo, mas que não tenho mais. A pele que o meu corpo sente falta, mas que não posso tocar. A materialização nítida da Ana Paula depois de 12 meses vendo-a apenas pela janela do carro quando ia buscar a Fran.

Busquei um auto controle que nem eu sabia que tinha. Onde encontrei a frieza que precisava para o momento? No inferno que se tornou a minha vida nos últimos meses do nosso casamento. Sempre foi automático: toda vez que pensava em ligar ou procurá-la, bastava lembrar daqueles braços a suspendendo no ar e sua risada alegre, para matar um pouco do amor que sinto.

As três horas de reunião foram uma tortura. Senti a todo momento os olhos dela sobre mim. Em poucos momentos em que ela tentava focar nas palavras da equipe, era a minha vez de olhá-la e me reprimir pelo ato.

Ao final do encontro profissional, descobri que a única coisa que me desestabiliza é o lado mãe da Ana Paula. Me vi nela quando encerrei a ligação da minha babá que informava que a Fran estava passando mal. Sua preocupação estampada em seus grandes olhos castanhos me fez enxergar alguém que eu ignorei. A apresentadora é e sempre será a mãe da Francesca. Meus pensamentos nunca foram de egoísmo ou vingança, eu apenas quis proteger a minha filha da mesma decepção que eu tive com essa mulher.

Pensei que tinha encerrado o nosso breve contato ao começarmos a discutir para ver quem iria ao hospital, mas o dia me reservava mais uma surpresa.

- Paola, por favor, sem brigas... – Me doeu ver a Ana Paula praticamente implorar.

Coração de pedra até certo ponto. Nunca tive e não será agora que terei um.

Quando dei por mim, me vi dentro do meu carro para ir ao hospital junto com o Jacquin e Ana no dela para me acompanhar. Mais algumas horas ao lado dela. Sem saber como reagir, fugir foi a única solução que encontrei.

- Mas o que é esso? Cê tá louca, Paola? Para o carro! – Jacquin assustou-se.

Segui com uma velocidade um tanto acima do permitido pelo estacionamento e quando tive acesso à rua, pisei mais fundo.

- Larga o carro, Paola! Você não está em condición nenhuma de dirigir. Quer nos matar? PARA!

A minha adrenalina baixou quando ouvi o grito do francês. Imediatamente encostei o carro e respirei fundo.

- Eu estou ficando louca, Erick – falei tentando controlar a minha respiração.

O cozinheiro tirou o meu cinto de segurança e eu entendi que deveria dar a direção para ele.

Após a troca de lugares, como uma criança que tomou uma bronca do pai, me recolhi no banco do passageiro.

Antes do carro começar a andar, vi Jacquin responder alguma mensagem no celular.

- O Fogaça vai com a Aninha.

- Puta que pariu, esqueci do Henrique. Que mierda!

- O que está acontecendo, Paola? Você está totalmente descontrolada.

- Ana Paula – confessei apenas pronunciando o nome.

- Mas a NaPaula não fez nada. Quem deveria estar descontrolada assim era ela. Só vi você indo para cima dela de maneira até covarde.

Escondi o meu rosto com uma certa vergonha pelas minhas atitudes. Em silêncio seguimos até o hospital.

Chegando no local, conversei rapidamente com uma enfermeira para saber o estado de saúde da minha filha. Ouvi mais uma bronca do Jacquin que me fez esperar pela Ana para visitar a Francesca. O que pacientemente o fiz.

Ver a Fran feliz com a presença de nós duas foi o que bastou para cair a minha ficha sobre a proposta da Ana. Porém, quando a pequena, em um ato inocente, uniu as nossas mãos, senti queimar-me por dentro. Foi aquela sensação gostosa que só a paixão pode nos proporcionar com um toque. Seus dedos deslizando pelos meus e seu aperto, foi o suficiente para descobrir que no fundo a jornalista ainda me tem. Quando pensei em corresponder o seu gesto, o meu coração apertou e a ferida se abriu. Neste momento algo ficou claro para mim: eu nunca vou conseguir perdoá-la. O seu carinho virou algo indigesto que me intoxicou apenas com sua presença.

A palavra “recepção” ao sair da boca da doutora foi um alívio. Era a minha chance de me recuperar do efeito ‘Ana Paula Padrão’. Nervosa, sem forças para caminhar, parei no meio do corredor para conseguir me acalmar. Pelo menos foi o que eu pensei que faria, mas tudo saiu do controle.

- Paola.

A voz suave da Ana soou como música aos meus ouvidos, mas o toque em meu braço me fez ficar tensa. Percebendo isso, a apresentadora retirou a sua delicada mão de mim.

- O que estás haciendo aqui? – Perguntei nervosa.

- Não é o melhor local, nem o melhor momento, mas é a melhor oportunidade. Nós precisamos conversar.

Conversar? Conversar sobre o quê? Será que ela percebeu alguma coisa?

- ¿Ahora? Eu tenho que ir à recepção – foi a única desculpa que veio na minha cabeça.

- Nós não terminamos a nossa conversa porque fomos interrompidas pela ligação da babá. Eu realmente não quero te tomar a Fran, como você me acusou.

Alívio foi o que senti ao saber que o assunto é sobre a Fran. Fiquei tão tranquila que me permitir me perder em seus olhos cheios de ternura.

- Está tudo bem, Ana Paula. Se a Fran quer morar com você, deve ter um bom motivo.

Eu só queria encerrar aquele contato.

- Mas ela não quer exatamente morar. Francesca só quer ficar mais tempo comigo.

- Vai sugerir de novo que ela passe uma semana na casa de cada uma?

- E você enxerga uma solução melhor? Pensa só um pouquinho.

Eu estava tão perturbada com o leque de emoções do momento que as lágrimas que segurei pediram para sair. Eu não estava em mim. Não conseguia parar para pensar. Uma lágrima escapou.

Ana aproximou-se e vi quando sua mão veio na direção do meu rosto. Medo. Freie o seu gesto, desviei e evitei sentir o seu carinho de novo.

- Não me toque, Ana. Por favor, afasta-se.

Implorei. Eu não sei se conseguiria resistir.

- Você não vê que o melhor para a Fran é que a gente se una como mães dela? Viu a felicidade da nossa pequena apenas por nos ver no mesmo ambiente? Poderíamos até marcar algum dia do mês para jantarmos juntas como uma família.

- No, no, no – me desesperei. - Essa proximidade é demais para mim. Yo no puedo, no quiero.

Essa conversa está tomando outra proporção e a culpa é minha por não conseguir controlar os meus sentimentos.

- Então você prefere me entregar a Fran do que ao menos tentar conviver comigo? Nós já teremos de conviver pelo MasterChef, porra.

Por um momento me esqueci até de que nos próximos meses terei que sentir seu perfume por perto, ouvir sua voz, conviver, talvez tocá-la.

- Estaba realmente pensando se vou conseguir trabajar contigo.

- Pao, – fiz uma careta ao ouvi-la me chamar com carinho – não é preciso parar a sua vida por causa de mim. Tudo o que você está fazendo reflete na Francesca. Será que você não percebe isso? Me desculpa te jogar isso na cara, mas uma coisa é fato: você está usando a nossa filha para se vingar de mim.

- Quem está usando a Fran agora, Ana Paula? O que você está me pedindo é um sacrifício. Depois de ser traída da forma que fui, me pergunto se devo realmente aguentar tudo isso que vivi hoy.

- Não seja dramática, Paola. Muda esse argumento de traição. Eu estou há 1 ano pagando um preço alto por uma coisa criada por você. Por que tudo isso?

Mais uma vez me veio a gravação da final da terceira temporada do Masterchef.

“- Deixa a Paola pra lá – ouvi a Ana dizer.

Eles riam de alguma coisa. Ou pior, de mim.

- Hum... isso daqui está uma delícia.

Vi que a Ana comia a sobremesa que ele nos apresentou há uma hora.

- Me inspirei em você.

Ouvi um grito fraco de surpresa. O que vi foi o Gustavo suspendendo a Ana pela cintura e girando-a.

- Me coloca no chão, Gustavo!

Ana ordenou, mas o fez rindo de toda situação.

Quando pensei em sair de lá para esquecer essa bobagem, dei uma última olhada para eles.

Quebrei-me inteira quando o participante colocou suas mãos na cintura fina da Ana Paula. A cena a seguir passou em slowmotion: eles se beijaram”.

- Tudo isso? ¿Usted realmente cree que es poco? Traición, Ana Paula. Toda que vez que olho para você, é nos braços de outro que te vejo. Quando sinto sua pele tocar a minha, imagino com quantos você me traiu e depois fez o mesmo ato. Es un tanto infantil, pero así es como me siento.

Perdi o controle. Com o peito rasgado pela dor da perda, gritei perto de seu rosto uma confissão que veio do fundo da minha alma:

- VOCÊ ME DESTRUIU. VOCÊ ME FAZ MAL.

Perdi o contato visual com a baixinha imediatamente. Ana desconsertou-se de uma forma que eu jamais tinha visto antes.

Estávamos tão próximas que senti sua respiração se descontrolar causado pelo nervosismo. Por míseros segundos olhei para a sua boca. Senti vontade de tomar seus lábios para acalmar o seu coração.

Eu não consigo controlar o meu desejo de protegê-la.

Cada vez mais atraída, minha boca implorava por sentir seu sabor, mas quando estava prestes a beijá-la, Ana deu um passo para trás e fechou os olhos.

Engoli seco. Me censurei mentalmente. Esperei até que ela dissesse algo.

- Você tem razão. Não é possível a nossa convivência, pelo menos por enquanto. Mas eu insisto: pense na Fran. Ela realmente não pode ficar entre as nossas brigas. Uma semana com você, outra comigo. A cada segunda uma leva para a escola e a outra busca. Nesta segunda você leva e eu a busco para passar a semana e o final de semana comigo. Na outra segunda eu levo e você a busca para ficar contigo. Assim evitamos qualquer contato que não seja profissional. É o certo, Paola.

Confusa pelo seu tom de voz magoado, sem saber o que dizer, me limitei a pensar na Fran.

- Será que a Fran quer isso?

Com um sorriso triste e sem olhar para mim, respondeu:

- Não afaste a sua filha de si própria. Eu sei o que você está fazendo. Eu estava lá quando surgiram os seus questionamentos sobre termos um filho. Sei quão insegura você pode ser quando lembra da sua mãe. Faça diferente.

Abracei o meu próprio corpo na tentativa de mais uma vez me perdoar por deixar que meus pensamentos negativos falassem mais alto.

- Segunda-feira você pode ir buscá-la. Na outra segunda será a minha vez.

Esperei algum sorriso ou mais palavras. Desejei uma trégua.

- Eu vou me despedir dela no quarto, então. Cuida bem da nossa pequena.

Tarde demais para mais conversas. Ana me deixou no meio do corredor.

Ainda fiquei parada e levei a minha mão esquerda à boca. Senti um vazio. Alguns minutos com a Ana Paula perto de mim e já queria beijá-la.

Escorreguei pela parede e sentei-me no chão. Um desastre, é como posso resumir todo o ódio que cultivei para esquecer a jornalista. O amor que sinto por ela ainda corre pelas minhas veias.

- Senhora? Está tudo bem?

Olhei para uma enfermeira que demostrava preocupação pela cena. Levantei-me com certa facilidade, não gosto quando as pessoas sentem pena de mim.

- Eu estava... descansando – tentei sorrir. – Com licença, eu preciso ir à recepção para assinar a alta da minha filha.

Sem me despedir da moça, sai pelo corredor afora.

Encontrei Jacquin e Fogaça batendo um belo papo, sentados na cadeira de espera. Tranquilizei-os, paguei o hospital e assinei a alta.

Ao invés de voltar, preferir ir à toalete para dar tempo da despedida entre a Ana e a Francesca. Tudo o que menos quero é ter que passar mais alguns minutos com a minha ex.

Foi o certo, pois quando fui ao quarto buscar a Fran, a apresentadora já não estava mais lá. Melhor assim.

Francesca se aconchegou em meu colo e junto com o Henrique e a Nina fui para o meu apartamento.

...

O relógio marcava 22:26 quando terminei de dar a sopa que preparei para a Francesca.

- Estava boa, mi amor?

- Nota 8 – respondeu sorrindo.

- Considerando que eu sempre ganho uma nota baixa, devo considerar que essa sopa foi a melhor que fiz na vida – passei a minha mão em sua bochecha.

- Estava sí, mamá – bocejou em seguida.

Fiz a Fran levantar-se para escovar os dentes antes de colocá-la para dormir e em poucos minutos a voltamos para o seu quarto.

- Mamá, por que a mamãe não veio cuidar de mim também?

Às vezes me sinto tão mal por ver que a minha filha não entende a separação. Pudera, uma criança que na época tinha apenas 4 anos foi jogada em uma ruptura nada sadia e viu sua vida mudar de uma hora para outra sem que pudesse ter voz.

- Hija, eu conversei com sua mamãe hoje e as coisas vão a cambiar um poquito.

- Vocês voltaram? – seu sorriso foi de orelha a orelha.

Encarei os seus olhos esperançosos e me doeu ter a certeza de que uma possível retomada do meu casamento é algo inatingível.

- No, mi amor. Sua mamãe e yo continuamos separadas. Mas você lembra do que te disse? Nuestra separação no tiene nada a ver com você.

Francesca cobriu-se com a coberta para que eu não pudesse vê-la.

- Que vá a cambiar, mamá? – Perguntou com a voz abafada.

Com cuidado, tirei o cobertor do seu rosto e ajeitei o seu cabelo.

- Eu e a Ana decidimos que você passará uma semana com ela e uma semana comigo.

- Uma semana inteira? – sorriu.

- Sí – consegui sorrir também. – Nesta segunda, sua mamãe vai buscá-la na escola e tu poderás ficar com ella até a outra segunda. Na outra semana será a nossa vez de ficarmos juntas e assim serão as próximas semanas.

- Já que não posso ter as duas juntas, me parece legal.

Fiquei abraçada com ela por alguns minutos e beijei a sua testa quando seu sono começou a pesar.

O cansaço do dia bateu quando atravessei a porta do quarto de Francesa.

Caminhando com certa lentidão, resolvi me alimentar com um pouco da sopa antes de tomar banho e dormir.

- Porra, que susto! Pensei que você já tivesse ido para casa.

A Nina eu já tinha dispensado. Mas para a minha surpresa, Henrique está sentado no sofá da minha sala mexendo no celular.

- Não vou sem antes saber se você está bem.

Sentei-me ao seu lado e Fogaça abriu o seu braço para me acolher.

- Estoy bien, tatuado.

- Dia corrido, não?

Não o respondi. Aproveitei o carinho que ele fez em meus cabelos para descansar.

- Paola...

Estranhei o seu tom de voz. Henrique sempre ficava quieto, só me fazendo companhia ou fazendo umas brincadeiras para me fazer rir.

- ¿Qué...?

- Cê tá ligada que eu peguei carona com a Aninha, né?

Me remexi incomodada com o assunto. Resolvi sair de seu abraço para prestar atenção na conversa.

- Desculpa, eu esqueci que você estava comigo. Estava com pressa para ver a Fran.

- Sem problema, mano – sorriu de lado.

Estudei o Fogaça por algum tempo. Sempre tão falante, a sua falta de palavras me irritou.

- Fala logo, Henrique. ¿Qué pasa, carajo?

- Sei lá... é que... porra... – enrolou o quanto conseguiu. – Você já parou para pensar que a Ana pode ter falado a verdade? Que aquele beijo com o babaca lá pode ter sido uma confusão?

- Cazzo! Até você agora? 20 minutos trancado em um carro com ela e já caiu no papinho dela?

- Não é assim também, Paola. Eu nunca fui de me meter muito na história de vocês. É só que, bem, conversando com ela, aparentemente a versão faz sentido.

- Está tarde, no? Preciso dormir.

Quis fugir do assunto, mas Henrique estava disposto a conversar.

- Espera, Paola. Tem noção de que você pode estar sendo injusta? Lembro do quanto você sentia ciúmes do cara e até te dava razão por que era nítido que ele tentava alguma coisa com a Ana. E se o infeliz sabia que você estava olhando e agarrou a sua mulher para provocar?

- Eu nunca fui chamada de burra de maneira tan grotesca. Acha que eu não perceberia isso? Eu não me separei da Ana apenas por vê-los juntos.

- Não? - Assustou-se.

- No – confirmei.

- Foi por que, então?

Escondi o meu rosto entre as minhas mãos. Eu sinto vergonha pelo assunto. Foi exatamente quando tudo começou a mudar entre mim e a Ana.

- Paola?

- O que foi, Fogaça? – Perguntei sem paciência.

Senti a mão do tatuado no meu cabelo.

- Fala o que aconteceu, Pao. Confia em mim, sou seu amigo.

- Esquece, Fogaça.

- Que esquecer, porra. Você precisa desabafar. O que está além daquele dia?

Levantei a minha cabeça abruptamente e o encarei.

- Para quê? Para você sair daqui correndo e ir contar para a Aninha? – Ironizei a forma como ele a chamou. – Você agora não é mais um defensor dela? Mais um confidente? Vá perguntar para ela – disse apontando o meu dedo indicador para a porta. - Está tarde, eu preciso ficar sozinha e cuidar da minha filha. Nos vemos depois.

- é teimosa demais, Paola.

- Sou! Agora você pode me dar licença? – Falei já me levantando.

- certo, já vou. Eu sei que não deveria ter entrado nesse assunto, mas eu tinha que tentar te entender. Sou seu amigo, Paola, não quero deixar de ser. Se um dia você quiser voltar nesse assunto, saiba que estarei pronto para te ouvir sem julgamento. Mas enquanto isso, quero que entenda que estou de braços abertos para continuar te acolhendo.

Mierda! Eu fui tão estúpida com o Henrique. Precisarei tanto dele para encarar o MasterChef, assim como eu precisei sua amizade para não sucumbir totalmente à tristeza.

O cozinheiro levantou-se e se dirigiu à porta.

- Desculpa, Henrique. Eu só... esse assunto me deixa irritada. Você não tem nada a ver com isso e acabei sendo grossa. Perdoa-me?

- Relaxa, argentina. Só peço que pegue leve com a volta do programa. Uma boa conversa esclarece mais coisas do que a nossa visão consegue alcançar.

Fogaça me deu um abraço rápido e seguiu o seu caminho.

 

--1 mês depois--

 

Olhei mais uma vez para o relógio no painel do meu carro, como se isso fizesse com que os minutos não passem. A única certeza de que ele me dá é a que estou realmente atrasada.

Péssima ideia passar no Arturito antes de ir para mais um dia de gravação. Não vou chegar no horário e isso me irrita profundamente.

No primeiro farol vermelho, lembrei que a Nina me ensinou a mexer em um aplicativo de música. Resolvi colocar para tocar em uma lista que ela achou com canções argentinas. Ficar nervosa não vai me fazer chegar no horário. Mas escutar música pode me fazer chegar com um humor melhor.

Dei play, um som de guitarra e gritos de uma plateia fez-se ouvir. O farol abriu e comecei a dirigir.

“Déjalo así mi amor (Deixa assim, amor)

No quiero mas excusas por favor (Não quero mais desculpas, por favor)...”

 

- Dios... esta canción no... – reclamei.

 

Enquanto a voz de Alejandro Galante continuava a cantar, eu me recordava que nunca gostei muito de ouvir essa música pois achava a letra melancólica. Canções de amor triste pararam de fazer sentido depois que conheci Ana Paula Padrão.

 

“...Y es que tu (E é você)

No eras tu sin mi no (Não era você sem mim, não)

No eras nada (Você não era nada)

Ni yo (Nem eu)

Existía sin tu compañía (Existia sem sua companhia)”

 

Bem, agora eu posso falar que a letra faz todo sentido.

 

“Corazón (Coração)

Dame algo de razón (Dei-me alguma razão)

Hemos perdido personalidad (Perdemos nossa personalidade)

En esta relación (Nessa relação)”

 

Não pude deixar de comparar em como eu e a Ana parecíamos uma pessoa só para quem nos via. Por um lado, isso parece até essencial para a convivência. Mas por outro lado, ficamos tão acomodados que não nos damos conta de que dentro de casa a pessoa pode ser uma, mas longe outra.

A voz chorosa do cantor fez uma lágrima rolar pelo meu rosto ao cantar o refrão:

 

“...Esta noche te lloraré tanto (Esta noite chorarei tanto)

Que te irás de mí (Que você vai me deixar)

Limpiaré con lágrimas la sangre (Limparei com lágrimas de sangue)

Que ha corrido aquí (Que correu aqui)

El cd que habíamos compilado (O CD que havíamos compilado)

Para hacer el amor (Para fazer amor)

Ayer fue mi disco favorito (Ontem foi o meu disco favorito)

Y hoy es lo mas triste que oí (E hoje é o mais triste que ouvi)”

 

Ir para o MasterChef, embora no começo não me agradasse, ver a Ana era o momento mais favorito do dia. Hoje é o mais triste.

A letra veio em minha cabeça de maneira automática e cantei:

- Hoy por primera vez

Yo te confesaré

Que me cuesta dejarnos

Y que no sé

En cuanto tiempo me acostumbraré

(Hoje pela primeira vez

Vou te confessar

Que me custa deixar-te

E eu não sei

Quanto tempo vou demorar para me acostumar)

 

Usei a letra para confessar o que exatamente tem acontecido comigo nos últimos dias. Não me acostumei ainda com a distância. Talvez também não seja tão triste vê-la. Não queria, mas algo dentro de mim pede por isso. O meu coração pede essas migalhas que a minha razão anda permitindo dar.

 

“Nunca fui (Nunca fui)

Dependiente de mí (Dependente de mim)

Más bien lo fui de tí (Porém, eu era de você)...”

 

Enxuguei as lágrimas que começava a cair com mais volume. Não é um sinal de que estou chorando de soluçar, nem me entregando aos prantos de desespero, mas estou triste por saber que a Ana por muito tempo foi a minha lifeline e hoje tudo mudou.

 

Mais uma vez o refrão tomou conta do som deixando o ambiente mais melancólico. Depois a voz da Juliana Garras me lembrou que tenho que voltar a ser a Paola de antes. Aquela antes de ser destruída. Depois voltou o Alejandro para reforçar:

 

“...Yo te juro que no (Eu te juro que não)

No te guardo rencor (Não guardo rancor)

Sólo quiero volver (Só quero voltar)

A ser ese chico que te presenté (A ser esse garoto que te apresentei)”

 

- El CD que habíamos compilado

Para hacer el amor

Ayer fue mi disco favorito

Y hoy es lo mas triste que oí

 

Cantei em sussurro.

 

“Lo mas triste que oí (O que triste que ouvi)

Fue tu adiós al partir (Foi seu adeus ao partir)

Y con esta canción (E com essa música)

Me desprendo de tí (Me desprendo de ti)”

 

Sai do aplicativo antes que começasse uma outra canção. Tenho que aprender a achar uma lista que só toque músicas alegres.

Eu só queria que com as últimas palavras da canção, eu me desprendesse da Ana Paula também.

Parecia tão fácil há um pouco mais de um mês.

Desde o primeiro contato, na cozinha do MasterChef, o baque foi sentido por mim. Nós duas não sabíamos como agir, nada saia com naturalidade. A primeira vez em que se juntou a nós no palco, para fazer perguntas, a apresentadora ficou ao lado do Jacquin. Pato a corrigiu imediatamente, pedindo para ficar ao meu lado. Não pude deixar de notar o seu incomodo. 12 horas de gravação e Ana nem olhou na minha cara.

Fiquei sabendo que no mesmo dia, a jornalista teve uma reunião com a Miriam e o diretor. Não tenho certeza se o assunto foi sobre a sua postura séria demais, mas no segundo dia, a Ana Paula sorridente voltou.

Em frente as câmeras, eu e a baixinha conseguimos agir como boas profissionais que somos. Sem termos a antiga intimidade de toques e brincadeiras, conseguimos ao menos conversar durante a prova. As nossas costumeiras trocas de olhares para indicar a ela o que eu achei sobre um prato não aconteceu mais. Nem eu procurava e nem ela pedia. Ouvimos que as pessoas sentiriam falta disso.

Nos bastidores a situação foi pior. Parece um código: onde eu estou, Ana não está. Onde Ana está, eu evito.

A única coisa que tem funcionado, é a divisão das semanas com a Fran. Minha filha voltou a sorrir como antes e a sua tranquilidade com a nova situação me mostrou o quanto errei. A jornalista até contratou a Nina para auxiliá-la com a Fran.

Tudo que refleti fez o tempo passar e logo entrei na portaria da Band cumprimentando o porteiro. Logo no primeiro dia de volta ao trabalho, Ana Paula não estacionou o seu automóvel ao lado do meu. Pensei que tinha sido coincidência, mas nos outros dias foram a mesma coisa. Definitivamente, a conversa no hospital teve um efeito maior do que previ.

Sai do meu carro e apertei o alarme para travá-lo.

- Bom dia, chef.

Não precisava nem olhar, o sotaque português já entregava de quem veio a saudação.

- Bom dia, Filipa. Tudo bem? – Sorri ao notar que ela fazia o mesmo.

- Tudo bem e você?

- Estou bem – respondi. – Você não deveria estar se preparando para cozinhar?

- Ué, o Pato mandou uma mensagem e adiou a gravação em uma hora e meia. Estou dentro do horário.

- Então eu não estou atrasada? Ainda bem! Eu nem vi essa mensagem.

Respirei aliviada e a candidata continuou me olhando. Eu fiquei sem graça por notar seu olhar diferente. Não que tenha reparado apenas hoje, mas fora da gravação foi a primeira vez.

- Bem, eu tenho que ir, ainda preciso me maquiar, ver o look de hoje e ficar apresentável para vocês.

- Bobagem, Paola. Você é linda de qualquer jeito. Não precisa passar em lugar nenhum, pode ir direto gravar.

O sol bateu em seu rosto, deixando-a ainda mais bonita. Os olhos verdes brilhantes percorreram o meu corpo. Eu engoli seco.

- Acho melhor irmos – disse sem graça.

Caminhei lado a lado com a competidora pelo estacionamento e iniciamos uma conversa sobre o Arturito.

Filipa desde a seleção se mostrou uma forte candidata. Seu desempenho até agora é muito bom para uma amadora. Nascida na capital portuguesa, o pouco que sei sobre sua história de vida é que veio para o Brasil após terminar os seus estudos e aqui firmou-se. É impossível não notar sua beleza, todos comentam pelos bastidores.

É claro que seus olhares para cima de mim não passam despercebidos também. Fogaça vive comentando que ela é mais uma pessoa que passa pelo MasterChef e tem uma queda por mim.

Na primeira temporada eu me incomodei quando soube que alguns tinham crush em mim, depois comecei a achar graça e levar na brincadeira. Ana ficava louca de ciúmes, mas acabava tudo bem quando a gente conversava e se acertava.

Agora não existe mais Ana. Porém, isso não quer dizer que eu me envolveria com alguma participante. Primeiro que não seria ético, segundo que eu não estava a fim de me relacionar com ninguém. Até tentei, mas foi um desastre.

Quando chegamos na portaria, dei de cara com a apresentadora que fazia uma dança engraçada com um dos homens que comandam as câmeras. Ana Paula e seu bom humor matinal. Sorri involuntariamente pela cena.

- ... então nos vemos na prova, Paola.

Notei que a Filipa se despedia de mim, enquanto a brasiliense olhava para nós com seriedade.

- Boa sorte, Filipa. Cozinhe bem – disse com gentileza.

A portuguesa sorriu e entrou na emissora após acenar com a mão para a Ana e o cameraman. Vi que a jornalista não acenou de volta e deu as costas para mim. Ela foi a próxima a entrar e eu fiquei sem entender. Nos outros dias, pelo menos um balançar de cabeça eu ganhei.

Fui direto para o meu camarim. Como eu não estava atrasada, comi uma fruta enquanto esperava a maquiadora.

...

- 3 MINUTOS PORRA!!! – Gritou Fogaça.

Eu olhava atenta para cada candidato correndo na correria. Fiquei apavorada quando um dos amadores correu para pegar o seu prato e esbarrou em uma concorrente que desequilibrou e virou a panela no chão.

- Puta que pariu! – Disse fechando os olhos.

Quando tive coragem de olhar o estrago, vi a portuguesa olhar boquiaberta para o outro cozinheiro. Ela estava sem reação e o rapaz pedia desculpa a todo momento.

- Filipa – a chamei. – Esquece a panela, não para de cozinhar. Vamos!

Com uma certa raiva, a garota terminou a farofa que fazia e foi em busca de empratar.

Acabei sorrindo pela sua força de vontade. É bom ter candidatos fortes e que se virem.

Ana Paula começou a regressiva e o desespero de alguns começaram. Nunca vou me acostumar com os que deixam tudo para a última hora.

- Para tudo!

A apresentadora anunciou que nós jurados íamos passar provando os pratos e assim fizemos. Como sempre, alguns que não deram certos e outros bons. Escolhemos rapidamente os melhores e os priores em uma conversa.

Um bom, um ruim. Outro bom e outro ruim. Chegou a minha vez de chamar uma que foi bem.

- Filipa, por favor.

A portuguesa trouxe o prato insegura. O acidente havia a abalado.

- O que você fez?

- Bem, chef... eu fiz o peixe cação, com camarão grelhado, o palmito também grelhado – explicou nervosa. – Uma farofa de castanha e usei um pouco do molho de camarão.

- Que foi? Está insegura? Nunca te vi tan nervosa – questionei olhando para ela.

- Não é nada, chef. Talvez a tensão do momento – tentou sorrir.

- Hum... vamos ver. Acha que o seu tempero funcionou de novo?

- Sim, chef. Quem prova o tempero da portuguesa sempre quer de novo – passou confiança e jogou um charme.

Olhei para baixo contendo o sorriso. Peguei os talheres e experimentei o prato.

‘Puta merda, essa portuguesa cozinha pra carajo’, pensei. Minha boca adorou o sabor e o molho está divino.

Mantive a minha cara séria enquanto pensava.

- O que caiu? – Apontei para sua bancada.

- Estava fazendo batatas cozidas para acompanhar.

Aproximei-me bem dela e sorri.

- Eu tenho certeza de que a batata estaria uma delícia, mas o seu prato está completo, saboroso, impecável.

- Ai que alívio – a portuguesa respirou fundo e seus olhos brilharam. – Obrigada, chef. O seu elogio é tudo para mim.

Achei graça do seu jeito de falar.

- Você acha que o seu colega fez isso de propósito? – Provoquei.

Esperei que Filipa respondesse, mas quem o fez foi a Ana do seu palco:

- Claro que não, Paola. Acidentes acontecem.

Olhei para a minha ex que estava com um rosto sério e de braços cruzados.

- Sim, pode ser. Mas estamos em uma competição aqui, Ana Paula.

- Eu sei. Mas a competidora se saiu bem, não foi prejudicada e não é prova de eliminação. Parece até que você está querendo jogar a culpa em alguém para enaltecer ainda mais outra pessoa.

Nossos olhos brigaram em silêncio. O clima pesou. Para descontrair o clima, Jacquin brincou:

- Qual foi, Paola? Quero provar o prato ainda hoje.

Ignorei a Ana e voltei a minha atenção para a participante.

- Obrigada, Filipa.

Guardei os talheres usados e voltei para o meu lugar.

Senti a apresentadora me fuzilar com os olhos. Desta vez, eu a encarei de volta. Pela primeira vez, trocamos olhares significativos. Seus olhos pararam de me julgar e passaram a ser tristes.

Não entendi a sua atitude e muito menos o que está acontecendo. Acabei preferindo quebrar o nosso contato visual e prestei atenção no que os meus colegas falavam.

A avaliação seguiu e Filipa acabou sendo escolhida a vencedora da prova.

- Pronto, pessoal. A prova de eliminação será depois do almoço, estão todos liberados – Miriam comunicou.

...

Como de costume no último mês, me refugiei na sala do café para almoçar o que trouxe de casa. Uma vez o Fogaça resolveu almoçar comigo, outro dia foi o Jacquin. Mas no geral fico sempre sozinha.

Diferente de outras vezes que acabei de almoçar e ia para o camarim ou tomar um ar pelo jardim da emissora, resolvi beber um chá e ficar por ali com meus pensamentos. O clima pesado mexeu muito comigo. Mesmo sabendo que no fundo, pela maneira que a Ana me ignora, uma hora ela explodiria. Para não criar mais problemas, o jeito é tentar encontrar uma forma de fingirmos melhor o nosso convívio.

Ouvi a porta abrir de maneira abrupta e me virei com rapidez pois pelo perfume eu sabia quem entrou ali.

- Opa, desculpa... eu... eu não sabia que você estava aqui. Com licen...

- Você não precisa sair só porque eu estou aqui, Ana Paula – disse analisando-a. – Você veio beber um café, não foi? Beba.

Assustada, a jornalista ficou parada no mesmo lugar.

Desde que a vi após se arrumar para a gravação, admirei a sua beleza. O vestido azul marinho aberto nas costas, o salto preto e os cabelos presos fizeram uma combinação perfeita.

Peguei uma cápsula de café e o ergui para ela. Espresso Barista sempre foi o seu favorito. Após ver a sua indecisão, o deixei sobre a mesa.

Com passos vacilantes, Ana aproximou-se de mim e colocou a cápsula na máquina.

Eu continuei em pé, encostada na mesa, bebendo o meu chá. Sei que com a minha atitude, eu abri espaço para a Ana estar no mesmo lugar que eu. Senti medo de sua proximidade, mas me mantive firme na decisão de criar um ambiente mais harmônico.

- Paola – sua voz soou baixa, receosa.

- ¿Sí? – incentivei a sua conversa.

- Quero te agradecer por deixar a Fran ir comigo à praia no final de semana, mesmo sendo os seus dias com ela – sorriu apenas com os lábios. – Eu não deveria ter comentado com ela que iria.

- No se preocupe e também no precisa agradecer. Francesca ama praia e me pediu fazendo biquinho, difícil negar.

Ana terminou de fazer o café e se aproximou, ficando também em pé.

- Quase impossível e me lembra você – deu risada.

Sem saber o que dizer ou como agir, virei-me para a mesa e peguei um petisco que estava em uma bandeja.

Coloquei metade na boca e apreciei o sabor. Definitivamente, quem fez essa barquinha recheada com palmito cremoso merece um troféu do MasterChef.

Sem consegui me conter, gemi de satisfação e agi por impulso:

- Nossa senhora, eso está maravilloso. Prova.

Como fiz incontáveis vezes nos anos passados, levei a outra metade que sobrou na minha mão até a boca da Ana.

Por instinto, a vi aceitar o petisco oferecido. Seus lábios passaram pelos meus dedos polegar e indicador. Eu os levei até a minha boca e isso fez com que eu caísse em mim.

O que eu estou fazendo?

Os olhos de Ana reviraram por puro prazer pela comida e eu achei a imagem mais bonita do mundo. Mais uma vez me vi encantada pelos seus gestos.

Quando engoliu a comida, a brasiliense olhou de forma carinhosa para mim e achou graça de algo.

- Você está com um negócio... – sussurrou.

Sua mão direita foi para no meu rosto. Mais especificamente no canto da minha boca. Senti o seu toque macio e fechei os olhos. Os seus outros dedos passaram pelos meus lábios. Carinho.

Delicadamente, sua mão escorregou pelo meu queixo, passou pelo meu pescoço e parou na minha nuca exposta pelo coque desajeitado. A minha pele arrepiou-se.

Ana tirou o espaço que nos separava, eu já podia sentir o calor do seu calor. Quando as minhas pálpebras se separaram, olhei diretamente em seus olhos que estavam ainda mais negros. Me encontrei em seu desejo. Ela chegou mais perto e eu não recuei. Parecíamos dois imãs de polos magnéticos opostos que se atraíam uma para a outra de modo fácil e inevitável.

Meus olhos desceram na direção da sua boca entre aberta. Com a proximidade cada vez maior, passei a língua entre meus lábios. Puro desejo aguardando para ser saciado.

Fiz o caminho entre seus olhos e lábios mais duas vezes. Por último, foi Ana quem olhou para os meus lábios. Senti um aperto na minha nuca. Seus olhos me encararam e pediu permissão. Inclinei a minha cabeça para frente e ela terminou com o espaço que ainda restava. Senti os seus lábios contra os meus.

Coloquei minhas duas mãos em sua cintura e apertei a puxando para que nossos corpos se tocassem. Ana mantinha uma de suas mãos em minha nuca, fazendo carinho com a ponta dos dedos, enquanto a outra apertava a minha cintura.

Seus lábios tão conhecidos ainda se encaixam com perfeição na minha boca. Pedi passagem para me aprofundar com a língua. Saudade, magnetismo, impulso. Eu já não usava mais a razão, somente o coração.


Notas Finais


E agora?


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