História Ligado ao mar - Capítulo 10


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Categorias Teen Wolf
Personagens Aiden, Alan Deaton, Allison Argent, Bobby Finstock, Chris Argent, Claudia Stilinski, Cora Hale, Derek Hale, Ethan, Gerard Argent, Isaac Lahey, Jackson Whittemore, Jordan Parrish, Ken Yukimura, Kira Yukimura, Liam Dunbar, Lydia Martin, Malia Tate, Melissa McCall, Natalie Martin, Personagens Originais, Scott McCall, Sheriff Noah Stilinski, Stiles Stilinski, Theo Raeken
Tags Adoção, Drama Familiar, Irmandade, Irmãos, Lydia Martin, Stiles, Stydia, Teem Wolf
Visualizações 40
Palavras 4.129
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


:l

Capítulo 10 - Capítulo 9


Fanfic / Fanfiction Ligado ao mar - Capítulo 10 - Capítulo 9

Stiles estava olhando de cara feia para uma cesta cheia de meias e cuecas cor de rosa quando o telefone tocou. Sabia muito bem que as meias e cuecas eram brancas ou mais ou menos isso, quando ele as enfiara na máquina de lavar. Agora estavam todas com um tom rosa bebê, ele nem sabia que existia esse tom de rosa.


Continuou a colocá-las no cesto para enfiá-las em seguida na secadora, quando viu uma meia vermelha escondida no meio das cor de rosa. E rangeu os dentes.


Louis, jurou, podia se considerar um homem morto.


-Merda! - colocando tudo de lado e dando um soco na secadora com um acesso de raiva, foi atender o maldito telefone.


Lembrou-se de baixar o volume da TV portátil que estava ligada sobre o balcão da cozinha. Não que estivesse assistindo alguma coisa com atenção, e certamente não estava dando a mínima para a bagunça de paixões e traições da novela da tarde.


Ligou o aparelho apenas para fazer barulho mesmo.


-Aqui é Stilinski falando. O que foi?


-Oi, Stiles! Puxa, foi a maior dificuldade para te achar, campeão! Aqui é Peter Hale.


Stiles viu uma embalagem aberta de biscoito Oreo que estava sobre a mesa e encheu a mão.


-Como vão as coisas, Peter?


-Bem, posso lhe garantir que estão melhores do que nunca. Estou passando algum tempo aqui, ancorado ao largo da Grande Barreira de Corais.


-Hum… legal isso! - murmurou Stiles com a boca cheia. E então levantou as sobrancelhas ao ver uma mulher maravilhosa se jogar na cama sobre um homem ridiculamente bonito na tv do outro lado da cozinha.


Talvez passasse algo de interessante na programação diurna da tv, afinal.


-Dá pro gasto! - afirmou Peter. -Ouvi falar que você botou pra quebrar no circuito do Mediterrâneo algumas semanas atrás.


Algumas semanas?, Refletiu Stiles enquanto enfiava outro biscoito na boca. Ele jurava que já havia passado alguns anos desde que ele voara acima da linha de chegada com seu hidrofólio. A água azul, a velocidade arrebatadora, as multidões delirando e um monte de dinheiro pra torrar como quisesse.


Agora ele teria a sorte se conseguisse achar um restinho de leite na geladeira pra acompanhar o Oreo já meio esfarelado que tinha nas mãos.


-É verdade, Peter, também ouvi essa notícia.


Peter deu uma boa risada.


-Bem, Stiles, aquela oferta para comprar o seu brinquedinho continua de pé. Mas estou ligando para lhe fazer uma outra proposta.


Peter Hale sempre tinha alguma proposta para fazer. Era o integrante rico de uma família ainda mais rica, os Hale, e fazia do mundo o seu playground. Adorava barcos. Participava de corridas, patrocinava-as, comprava e vendia máquinas de voar sobre as águas. E arrebanhava mulheres, troféus e pedaços da sua herança com espantosa regularidade.


Stiles sempre achara que a estrela de Peter começou a brilhar desde o momento da sua concepção. Já que não fazia mal algum ouvir, e a cena da cama acabara de ser substituída por um comercial que mostrava uma escova gigante para lavar vaso sanitário. Ele desligou o aparelho.


-Estou sempre pronto para ouvir uma boa proposta.


-Estou montando uma equipe para a disputa da La Coupe Internacionale.


-A One-Ton Cup, para embarcações de grande porte? - Stiles começou a sentir os hormônios se agitarem e perdeu subitamente todo o interesse por biscoito e leite. Aquele campeonato internacional era um dos mais importantes do mundo aquático.


-Essa mesmo… você lembra que os australianos venceram no ano passado; portanto, a disputa deste ano vai ser sediada aqui na Austrália. Quero dar uma surra neles esse ano, e já consegui um barco que é uma jóia perfeita! É ágil e rápido como você nunca viu, campeão. Com a equipe certa, vamos conseguir trazer a taça de volta para os Estados Unidos. Preciso de um líder de equipe. Quero o melhor do mundo. Quero que seja você. Em quanto tempo acha que pode vir pra Austrália?


Em menos de cinco minutos, era o que Stiles queria responder. Poderia arrumar uma mochila em menos de um minuto; na verdade, entrar em um avião e se lançar para lá. Para participantes de corridas de barco, aquela era a melhor oportunidade da vida. Ao abrir a boca para responder, seus olhos se fixaram na cadeira de balanço que ficava na varanda, bem perto da janela da cozinha.


Então, fechou os olhos e ouviu com um estranho ressentimento o zumbido constante das meias cor de rosa que rolavam dentro da secadora no cômodo do lado.


-Vou ter que ficar de fora dessa, Peter. Não posso sair daqui agora.


-Olhe, escute bem… estou disposto a lhe dar algum tempo para colocar todas as suas transas aí, todas elas mesmo. Coloque todas as fodas em dia. - assinalou ele, com uma gargalhada de gozação. -Posso esperar umas duas semanas. E se você receber alguma oferta eu cubro.


-Não vai dar não, Peter. Eu estou com… - o que?... Roupas pra lavar? Um garoto pra criar? De jeito nenhum ele ia se humilhar oferecendo de graça essa informação. -É que os meus irmãos e eu estamos abrindo um negócio - respondeu em um impulso. -Estou cheio de compromissos aqui.


-Você…? Abrindo um negócio? - dessa vez o riso de Peter foi mais longo e divertido. -Não brinque tanto assim com a minha cara, Stiles, que isso me deixa bolado.


Agora eram os olhos de Stiles que se estreitavam. Não tinha dúvidas de que Peter Hale, de Beacon Hills, se juntaria a outros dos seus amigos e conhecidos de outros lugares e todos morreriam de rir diante da idéia de Mieczyslaw Stilinski ter se transformado em um homem de negócios.


-Estamos construindo barcos. - disse entre os dentes. -Bem aqui, no litoral leste, na baía de Chasapeake. Barcos de madeira. Serviço personalizado e de alta qualidade. - acrescentou, determinado a manter o seu terreno. -Cada embarcação é única! Em seis meses as pessoas vão ter que gastar uma grana alta para ter um barco projetado e construído pela Stilinski Embarcações. Como somos velhos amigos, posso tentar encaixar você na fila.


Que fila? Pensou.


-Barcos… - o interesse na voz de Peter aumentou. -Bem, você sabe muito bem como conduzi-los. Então imagino que também saiba como construí-los.


-Não há dúvida alguma a respeito disso.


-Olhe, esse é um empreendimento bem interessante, mas encare os fatos, Stiles, você não é um homem de negócios… não vai conseguir ficar enfiado o tempo todo em uma linda baía no litoral de Maryland, comendo caranguejos e martelando tábuas compridas, enchendo-as de pregos. Você sabe que eu consigo fazer com que essa corrida valha mais a pena para você. Dinheiro, fama e sorte. - e deu mais uma risada. -Então, depois que a gente vencer, você pode voltar para casa e começar a construir corvetas.


Ele ia conseguir aguentar, prometeu Stiles a si mesmo. Ia conseguir lidar com os insultos e com a frustração de não ser capaz de fazer as malas e ir para onde escolhesse. O que ele jamais faria era dar a Peter Hale a satisfação de saber que ele se sentia confuso e com a cabeça desordenada.


-Você vai ter que arrumar outro chefe de equipe, Peter. Se quiser comprar uma embarcação de primeira, pode me ligar quando quiser.


-E se você conseguir realmente terminar de construir um barco me dê uma ligada. - suspirou profundamente no fone. -Você está perdendo a maior chance de sua vida, Stiles! Se mudar de idéia nas próximas horas, entre em contato comigo o mais rápido possível. O problema é que eu preciso montar toda a equipe ainda nessa semana. A gente se fala…


E Stiles o ouviu desligar.


Stiles não tacou o telefone pela vidraça. Teve vontade de fazer isso, mas considerou a idéia e descobriu que era ele mesmo que ia ter que varrer os cacos de vidro; por tanto, de que lhe serviria o chilique?


Assim, colocou o telefone no gancho com cuidado, vai que né. Chegou a respirar fundo. E se os pratos que colocara na máquina de lavar louça não tivessem escolhido aquele momento em particular para fazer a lavadora começar a girar e sacudir, não teria socado a parede com o punho.


-Por um momento, ainda agora, achei que você ia desistir.


Stiles girou o corpo e viu o pai sentado à mesa da cozinha, rindo.


-Pronto, olha que beleza! Só faltava essa pra completar meu dia!


-Por que não pega um pouco de gelo para colocar em seus dedos?


-Meus dedos estão bem! - reagiu Stiles, analisando-os atentamente. Havia alguns arranhões de leve. E a dor aguda que sentia era uma boa forma de mantê-lo preso à realidade. -Pensei a respeito disso, pai, pensei mesmo… simplesmente não acredito que o senhor esteja aqui.


-Você está aqui, Stiles. - Noah continuava a rir. -É isso o que importa. Foi muito duro dispensar uma competição como essa. Sou grato por isso. Estou orgulhoso de você!


-Peter disse que está com um barco maravilhoso. Com o dinheiro dele por trás da equipe… - Stiles apertou as mãos na borda do balcão e olhou para fora da janela, em direção às águas plácidas. -...Eu poderia ganhar esse campeonato. Fui chefe de uma equipe que chegou em segundo lugar na Copa da América, há cinco anos, e venci o circuito Chicago-Mackinac no ano passado.


-Você é um grande marinheiro e excelente competidor, Stiles.


-É… - uniu os dedos lentamente, até ficar com o punho fechado. -O que estou fazendo aqui? Se continuar assim, vou acabar me viciando nas novelas da tarde na TV. Vou começar a achar que Thomas e Theresa não são personagens fictícios, mas gente de verdade, amigos pessoais. Vou começar a recortar cupons de desconto no jornal para os produtos do supermercado, colecionar receitas e acabar fodendo de vez com a minha sanidade ao invés de foder com alguma mulher.


-Estou surpreso com você falando a respeito de como cuidar de uma casa nesses termos. - a voz de Noah era cortante e exibia desapontamento. -Organizar uma casa e cuidar de uma família é um trabalho importante. O mais importante que existe.


-Mas não é o meu trabalho!


-Parece que, por agora é… sinto muito por tudo isso.


Stiles tornou a se virar. Já que ia levar em frente a conversa com uma assombração que ele tinha certeza que era apenas alucinação, era melhor olhar de frente pra ela.


-O senhor sente muito pelo quê, exatamente? Por morrer e me deixar na mão com toda essa coisa?


-Bem, na verdade, isso foi muito inconveniente para todos nós.


Stiles quase riu da resposta, pois o comentário e o tom irônico na voz eram tipicamente coisa de Noah Stilinski. Só que ele precisava esclarecer as coisas que estavam mal resolvidas.


-Tem gente por aí dizendo que o senhor jogou o carro contra a árvore de propósito.


O sorriso de Noah desapareceu e seus olhos se tornaram sérios e tristes.


-Você acredita nisso?


-Não. - Stiles soltou um longo suspiro. -Não, eu não acredito nisso.


-A vida é um presente. Nem sempre ela funciona às mil maravilhas, mas é algo precioso. Eu jamais magoaria você nem seus irmãos jogando a minha vida fora.


-Eu sei disso. - murmurou Stiles. -Ajuda muito ouvi-lo afirmar, mas eu já sei disso.


-Talvez eu pudesse ter interrompido o fluxo dos acontecimentos. Talvez devesse ter feito as coisas de forma diferente - suspirando, Noah começou a girar a aliança de ouro em volta do dedo. -Mas não fiz isso. Agora, tudo depende de você. De você, de Scott e de Louis. Havia uma razão para que vocês três viessem até nós, até mim e Cláudia. Havia também uma razão para vocês terem chegados quase juntos. Sempre acreditei nisso. Agora compreendo tudo.


-E quanto ao garoto?


-O lugar de Liam é aqui! Ele precisa de vocês. Está em apuros nesse exato momento e precisa que você se recorde de como era estar no mesmo lugar em que ele está agora…


-Como assim em apuros nesse exato momento?


-Atenda o telefone - sugeriu Noah, sorrindo, segundos antes de o aparelho começar a tocar.


E então desapareceu.


-É melhor começar a dormir mais do que tenho dormido. - decidiu Stiles, e então pegou com força o fone do gancho, gritando:


-Sim, sim, o que foi?


-A… alô?... Sr. Stilinski?


-Certo. Aqui é Mieczyslaw Stilinski falando.


-Sr. Stilinski, aqui fala Stella McCartney, vice-diretora da Escola de St. Christopher.


-Sei… - Stiles sentiu o estômago afundar.


-Estamos com um pequeno problema aqui. Liam Dunbar está em minha sala.


-Que tipo de problema?


-Ele se meteu em uma briga com um dos colegas. Vai ser suspenso, Sr. Stilinski. Agradeceria muito se o senhor pudesse comparecer à escola, a fim de podermos explicar tudo ao senhor, antes de levá-lo para casa.


-Ótimo! Maravilha! - já quase fora de si, Stiles passou a mão pelos cabelos. -Já estou indo.



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A escola não mudou muito, notou Stiles, desde que ele cumprira pena ali. Na primeira vez em que ele passou por aqueles portões, Cláudia Stilinski só faltou arrastá-lo.


Agora, quase dezenove anos mais velho, percebeu que o seu entusiasmo pelo prédio não aumentou nem um pouco.


Enfiando as mãos nos bolsos, Stiles se encaminhou para a sala da administração. Já conhecia bem aquele caminho. Afinal, fizera ele inúmeras vezes, durante o tempo que passou na Escola St. Christopher.


A secretaria mudara. Não era a mesma velha com olhos de águia que estava do outro lado da mesa. Essa aqui era mais jovem, mais agitada e o cobriu de sorrisos.


-Posso ajudá-lo? - perguntou ela com a voz alegre.


-Vim aqui pagar a fiança de Liam Dunbar.


Ela piscou ao ouvir isso, sem entender, e seu sorriso pareceu mais intrigado.


-Como disse?


-Sou Mieczyslaw Stilinski. Vim falar com a vice-diretora.


-Ah, o senhor quer dizer a Sra. McCartney. Sim, ela está o aguardando. Segunda porta à direita, seguindo por aquele pequeno corredor. - o telefone tocou e ela atendeu de imediato. -Bom dia! - cantarolou.


Stiles decidiu que preferia a megera que guardava as salas da diretoria no seu tempo àquela recém chegada toda alegrinha. No momento em que se viu diante da porta, levantou os ombros, manteve o queixo firme… e sentiu as palmas das mãos começarem a suar.


Havia coisas, pensou ele, que jamais mudavam.


A Sra. McCartney estava sentada à mesa, alimentando seu computador com dados, na maior calma. Stiles notou que seus dedos se moviam sobre o teclado com eficiência, e aquilo combinava com ela.


Do outro lado da sala, Liam estava sentado meio largado em uma cadeira, olhando para o teto. Tentava parecer entediado, imaginou Stiles, mas só conseguia mostrar que estava irritado. O garoto estava precisando cortar os cabelos, notou, pondo-se em seguida a pensar em quem teria que lidar com isso. Usava uma calça jeans desfiada nas bainhas, uma camiseta de Jersey dois números maior que ele e botinas incrivelmente sujas.


Para Stiles, tudo pareceu perfeitamente normal.


Bateu no portal. Tanto a vice-diretora quanto Liam olharam para ele, com duas expressões dramaticamente diferentes. A Sra. McCartney lançou-lhe um educado sorriso de boas vindas. Liam fez cara de deboche. Ele ia matar aquele garoto.


-Sr. Stilinski?


-Sim… - então se lembrou de que, ali, deveria representar o papel de guardião responsável. -Espero que possamos esclarecer tudo, Sra. McCartney. - e pregou um sorriso igualmente educado no rosto, enquanto caminhava até a mesa para cumprimentá-la.


-Agradeço ao senhor por ter vindo tão depressa. Quando somos obrigados a tomar medidas disciplinares, tais como essa contra o aluno, queremos que os pais ou responsáveis tenham a oportunidade de compreender a situação. Por favor, Sr. Stilinski, sente-se.


-Qual foi o problema? - Stiles se sentou em frente a ela e descobriu que não gostava nem um pouco a mais do que em sua época.


-Infelizmente Liam atacou fisicamente um colega esta manhã, durante o intervalo. O outro menino já está sendo tratado na enfermaria da escola, e seus pais já foram informados.


-Então, onde é que eles estão? - Stiles levantou uma sobrancelha.


-Os pais de Cole estão ambos no trabalho neste momento. De qualquer modo…


-Por quê?


-O que deseja saber, Sr. Stilinski? - o sorriso voltou, menos radiante e mais atento, questionador.


-Por que Liam bateu em Cole?


A Sra. McCartney suspirou, explicando:


-Compreendo que só recentemente o senhor assumiu a guarda de Liam; portanto, talvez não esteja a par do fato de que esta não é a primeira vez que ele briga com outro aluno.


-Sim, já sei disso. Estou perguntando a respeito do incidente de hoje.


-Muito bem… - ela cruzou as mãos. -De acordo com Cole, Liam exigiu que ele lhe desse um dólar, e quando Cole se recusou a lhe entregar o dinheiro, Liam o atacou. Até o momento - acrescentou ela, desviando o olhar para o menino. -Liam não confirmou nem negou o ocorrido. A política da escola exige que os alunos sejam suspensos por três dias, como ação disciplinar, quando eles se envolvem em brigas no recinto escolar.


-Certo. - Stiles se levantou, mas quando Liam fez menção de se levantar também, ele apontou-lhe um dedo, mandando que ficasse sentado, foi até junto do menino, agachou-se até ficar na altura dos seus olhos e perguntou: -Você tentou obrigar esse garoto a lhe dar dinheiro?


-Foi o que ele disse. - e Liam levantou um dos ombros.


-E você enfiou a mão na cara dele…


-Sim, sentei o cacete. Mirei bem no nariz - acrescentou, sorrindo de leve, e afastou o cabelo loiro da frente dos olhos. -Assim dói mais.


-E por que fez isso?


-Talvez por não gostar daquela cara gorda.


Com a paciência tão esfarrapada quanto o jeans de Liam, Stiles apertou-o pelos ombros. Quando viu que o garoto recuava e se encolhia, um sinal de alarme soou em sua cabeça. Antes que Liam conseguisse fugir, Stiles o segurou pela gola e expôs um dos braços do menino, puxando-o para fora da camisa imensa. Viu pequenas manchas roxas que Stiles sabia que haviam sido feitas por nós de dedos e desciam do ombro de Liam até o cotovelo.


-Me solta! - com o rosto vermelho de vergonha, Liam tentou se desvencilhar, mas Stiles simplesmente o virou de costas. Havia arranhões vermelhos feitos com força por toda parte nas costas do menino.


-Para de se mexer, garoto! - Stiles soltou Liam e pousou as mãos nos braços da cadeira. Seus olhos continuavam encarando o menino. -Agora me conte o que aconteceu. E nem pense em mentir pra mim!


-Não quero falar sobre isso!


-Não lhe perguntei o que você quer! Estou mandando você contar tudo, agora. Ou será… - disse ele, baixando tanto a voz que só Liam conseguia ouvir. -... Que você quer deixar esse moleque safado sair dessa limpinho?


Liam pensou em falar, mas pareceu mudar de idéia. Teve de se certificar de que seu queixo estava bem firme para não gaguejar.


-Ele estava puto comigo. Fizemos uma prova de história no outro dia e eu me dei bem. Qualquer idiota teria tirado uma boa nota nessa prova, porque ela estava fácil demais, mas ele é menos que um idiota, e tirou nota baixa. Desde então ficou me provocando, me chamando pra brigar no corredor e me dando socos. Eu sempre saia fora, porque já estou de saco cheio de levar “SE


-Levar o que?


-Suspensão Escolar. - explicou Liam, girando os olhos. -Isso é muito chato… eu não queria mais ser suspenso, então não entrava na pilha dele. Só que ele continuava a me socar e xingar: baba-ovo, queridinho da professora, cu-de-ferro e um monte dessas coisas. Eu não ligava, mas, quando ele me empurrou contra os armários do corredor e disse que eu não passava de um filho da puta e que todo mundo na escola sabia disso, sentei o cacete nele e deixei ele no chão.


Envergonhado e se sentindo enjoado, tornou a levantar um dos ombros, de forma desafiadora, e completou:


-Pronto!... Ganhei três dias de férias. Grande coisa!


Stiles assentiu com a cabeça e se levantou. Quando se virou para a vice-diretora, seus olhos estavam quase pretos de tanta raiva.


-A senhora não vai suspender esse menino durante três dias por ele ter se defendido de um boçal ignorante… e se tentar fazer isso passo por cima da senhora e vou reclamar na Secretaria da Educação.


Completamente chocado, Liam levantou o olhar para Stiles. Ninguém jamais tomara partido dele em toda a sua vida. Ele jamais esperaria que alguém o defendesse.


-Sr. Stilinski…


-Ninguém pode chamar o meu irmão de Filho de uma prostituta, Sra. McCartney! E se vocês não têm por aqui uma política de repressão a xingamentos e assédios deveriam ter! Portanto, estou avisando a senhora de que é melhor analisar com mais atenção este caso. É melhor reavaliar quem é que merece suspensão aqui. E pode também dizer aos pais do pequeno Cole que se não quiserem ver o filho chorando por causa de um fiozinho de sangue escorrendo do nariz seria bom dar-lhe um pouco mais de educação.


A Sra. McCartney pensou por alguns instantes antes de falar. Já era professora e conselheira de crianças há quase trinta anos. O que viu no rosto de Liam naquele momento foi esperança. Estava misturada com perplexidade e cansaço, mas, ainda assim, era esperança. Aquele era um olhar que ela não gostaria que acabasse.


-Sr. Stilinski, pode ter certeza de que vou investigar esse assunto a fundo. Não fui informada de que Liam estava machucado. Se o senhor levá-lo até a enfermeira enquanto converso com Cole… e os outros alunos…


-Não, eu posso cuidar dele.


-Como achar melhor. Vou cancelar a ordem de suspensão, por enquanto, até ficar satisfeita com os fatos.


-Pois faça isso, Sra. McCartney. Eu, por mim, estou plenamente satisfeito com os fatos. Agora vou levar Liam de volta pra casa. Ele já suportou muito por hoje.


-Concordo com o senhor.


O menino não lhe pareceu abalado ao entrar na sala da diretoria, pensou ela. Parecia atrevido. Não parecia abalado quando ela mandou que ele se sentasse enquanto ligava para sua casa. Parecia hostil.


Naquele momento, porém, estava abalado, finalmente, com os olhos arregalados e perplexos, e suas mãos agarravam com força os braços da cadeira. O escudo que o menino mantivera em torno de si mesmo, um escudo que ela não conseguira nem arranhar, da mesma forma que nenhum dos professores conseguira, parecia ter sido profundamente atingido.


Agora, decidiu, eles iam tentar ver o que poderia ser feito por ele.


-Se o senhor mesmo trouxer Liam para a escola amanhã de manhã, para se encontrar comigo aqui, vamos resolver de vez essa questão.


-Pois estaremos aqui! Agora vamos! - disse a Liam, e saíram da sala com determinação.


Enquanto caminhavam pelos corredores, indo na direção das portas da frente, seus passos ecoavam nas paredes se forma assustadora.


-Até hoje isso me causa arrepios - disse Stiles.


-O que? - perguntou Liam, empurrando a porta para fora.


-O som dos passos quando você segue o longo caminho que vai dar na diretoria.


Liam deu uma risada, encurvou um pouco os ombros e continuou a caminhar. Seus estômago parecia ter milhares de borboletas guerreando entre si.


Abriram as portas nos lados opostos do Corvette e Stiles parou, esperando até que os olhos dos dois se encontrassem.


-E então… - perguntou. -... Você acha que quebrou o nariz dele?


-Talvez. - a sombra de um sorriso pareceu surgir em torno da boca de Liam.


-Ótimo! - Stiles entrou e bateu a porta do carro. -Ir direto no nariz é legal, mas, se você não quiser um monte de sangue escorrendo por toda parte, mire no estômago. Um bom soco curto e sólido bem na boca do estômago não deixa muitas evidências.


-É que eu queria que ele sangrasse.


-Bom, você é que faz suas escolhas na vida. Hoje está um dia legal para velejar. - decidiu ao ligar o carro. -A gente bem que podia fazer isso.


-Acho que sim. - Liam ficou beliscando a calça na altura do joelho. Alguém ficou do lado dele, era só o que a sua mente confusa conseguia pensar. Alguém acreditara nele, o defendera e tomara o seu partido. Seu braço estava machucado, seus ombros doíam, mas alguém o defendeu hoje. -Obrigado - murmurou.


-Tudo bem, não precisa agradecer. Se alguém sacaneia um Stilinski, sacaneia todos eles. - olhou de lado enquanto saía do estacionamento e viu que Liam estava com os olhos fixos nele. -É assim que as coisas funcionam. Bem, agora vamos comprar hambúrgueres ou algo desse tipo pra levar com a gente no barco.


-É… eu estou com fome. - Liam passou a mão sobre o nariz. -Você me arruma um dólar?...


Quando Stiles deu uma gargalhada e pisou fundo no acelerador, aquele foi um dos melhores momentos da vida de Liam.




Ele era um Stilinski.



Notas Finais


Até a próxima, eu acho


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