História Ligado ao mar - Capítulo 11


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Categorias Teen Wolf
Personagens Aiden, Alan Deaton, Allison Argent, Bobby Finstock, Chris Argent, Claudia Stilinski, Cora Hale, Derek Hale, Ethan, Gerard Argent, Isaac Lahey, Jackson Whittemore, Jordan Parrish, Ken Yukimura, Kira Yukimura, Liam Dunbar, Lydia Martin, Malia Tate, Melissa McCall, Natalie Martin, Personagens Originais, Scott McCall, Sheriff Noah Stilinski, Stiles Stilinski, Theo Raeken
Tags Adoção, Drama Familiar, Irmandade, Irmãos, Lydia Martin, Stiles, Stydia, Teem Wolf
Visualizações 41
Palavras 4.162
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


:/

Capítulo 11 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction Ligado ao mar - Capítulo 11 - Capítulo 10

Ele resolveu começar a forçar a barra com Lydia. Já que estava com ela na cabeça, Stiles deixou Liam lidando com alguns peixes que eles pegaram quando foram velejar mais cedo e ficou circulando por dentro da casa. Emitiu alguns ruídos de satisfação ao ver o que Rose estava preparando para colocar no fogão, e então subiu as escadas.


No telefone do seu quarto ele teria um pouco mais de privacidade, e o cartão de Lydia estava em seu bolso.


Ao chegar à porta do quarto, parou e quase chorou de gratidão. Já que sua cama estava feita, os travesseiros arrumados, com fronhas trocadas, e a colcha azul alisada de forma profissional, viu que alguns dos lençóis pendurados no varal eram seus.


Naquela noite ele iria dormir em lençóis limpos e passados que ele não tivera que lavar. Aquilo tornou a perspectiva de dormir sozinho um pouco mais tolerável.


A superfície de sua antiga cômoda de carvalho não estava apenas livre de poeira. Ela brilhava! As prateleiras que ainda exibiam a maior parte de seus troféus e alguns de seus livros favoritos haviam sido limpas e arrumadas, e a cadeira entulhada que ele trouxe lá debaixo para usar como porta-tudo estava vazia. Ele não tinha a menor idéia de onde ela colocara as coisas, mas imaginou que as encontraria no local apropriado.


Talvez ele tivesse ficado mal acostumado por passar a vida em hotéis nos últimos anos, mas lhe fazia bem ao coração entrar em quarto sem ter meia dúzia de pequenas tarefas desagradáveis à espera.


As coisas estavam melhorando, e assim ele se jogou na cama, se espreguiçou e pegou o telefone.


-Aqui fala Lydia Martin. - sua voz baixa, neutra, profissional. Stiles fechou os olhos para fantasiar melhor a forma como ela estava vestida. Gostou da idéia de imaginá-la por trás de alguma mesa bem burocrática usando aquele vestidinho colante que usara na véspera.


-Srta. Martin, como se sente em relação a caranguejos?


-Como…


-Deixe-me reconstruir a frase. - e se recostou ainda mais, até ficar completamente deitado, e sentiu que era capaz de cair no sono em cinco minutos mesmo sem querer. -O que acha da idéia de comer caranguejos cozidos?


-Acho boa.


-Ótimo! Que tal amanhã à noite?


-Mieczyslaw…


-Aqui em casa - deixou mais específico. -A casa que nunca fica vazia. Amanhã é o primeiro dia da temporada de pesca do caranguejo. Scott vai trazer uma tonelada deles pra casa. Vamos cozinhá-los. Você vai poder assistir ao vivo e a cores como os Stilinski… como foi mesmo que você falou…? se relacionam e interagem. Vai poder ver como Liam está se sentindo aqui, como ele está se acostumando a esse ambiente doméstico em particular.


-Isso é muito bom.


-Ei, já lidei com Assistentes Sociais antes. É claro que nenhuma que usasse sapatos azuis de salto alto, mas…


-Eu estava fora do meu horário de serviço - lembrou ela. -Entretanto, acho que o jantar seria uma idéia aceitável. A que horas?


-Seis e meia, mais ou menos isso. - ele ouviu um barulho de papéis e se sentiu ligeiramente irritado ao notar que ela estava consultando sua agenda.


-Tudo bem vou poder ir sim. Seis e meia, então.


Ela parecia realmente uma assistente social marcando uma reunião profissional para um momento adequado ao cliente.


-Você está sozinha aí?


-Em minha sala? Sim, no momento estou sim… por que?


-Só pra saber. Andei pensando em você. Aconteceu várias vezes, o dia inteiro. Por que não me deixa ir até a cidade em que você mora e pegá-la de carro amanhã? Assim, vou poder levar você se volta para casa depois. Podíamos parar no caminho e… eu ia falar que nós podíamos passar para o banco de trás, mas o Corvette não tem um. Mesmo assim, acho que a gente ia conseguir se ajeitar.


-Tenho certeza disso, e esse é o motivo de eu preferir dirigir até aí eu mesma, em meu carro.


-Mas eu preciso colocar as mãos em você novamente…


-Não duvido que isso possa voltar a acontecer… eventualmente. Enquanto isso…


-Eu quero você.


-Eu sei.


Ao sentir que a voz dela se tornou mais densa e que já não parecia tão formal, ele sorriu.


-Por que não deixa que eu lhe diga o que gostaria de fazer com você? Posso ir passo a passo. Você pode até mesmo fazer anotações em seu caderninho para futura referência.


-Acho que seria melhor a gente adiar isso. Embora eu não descarte a idéia de discutir o assunto alguma outra hora. Sinto muito, mas tenho um compromisso marcado para daqui a poucos minutos. Vou vê-lo, e à sua família, amanhã à noite.


-Dê-me dez minutos a sós com você, Lydia - ele sussurrou. -Apenas dez minutos para eu poder tocá-la.


-Eu… podemos tentar encaixar isso no nosso horário de amanhã. Agora eu preciso ir. Até lá, então…


-Até. - feliz por tê-la balançado, ele colocou o fone lentamente no gancho e se deixou mergulhar em um sono bem merecido.




-------------------////////




Foi acordado mais ou menos uma hora mais tarde pela porta da frente que bateu com força e pela voz de Louis, que falava alto e parecia furioso.


-Lar, doce Lar… - murmurou Stiles, rolando para fora da cama. Foi cambaleando de sono até a porta e seguiu pelo corredor, até as escadas. Era péssimo de cochilo, e quando se permitia tirar um acordava zonzo, irritado e louco por um café.


Ao chegar ao pé da escada, Louis já estava na cozinha, abrindo uma garrafa de vinho.


-Onde, caralhos, todo mundo se enfiou? - quis saber, enquanto lutava com a rolha.


-Sei lá! Sai da minha frente! - esfregando a mão no rosto, Stiles despejou o resto do bule de café em uma caneca, enfiou-a no microondas e apertou algumas teclas.


-Acabei de ser informado pela seguradora que eles vão prender o dinheiro do seguro do papai até fazer uma investigação completa.


Stiles olhou fixamente para o microondas, desejando ardentemente que aqueles dois minutos passassem depressa para que ele pudesse ingerir cafeína. Seu cérebro enevoado ouviu os termos seguro, pagamento, investigação, mas não conseguia organizar tudo na cabeça.


-É o que?


-Se liga, droga! - Louis o sacudiu, com impaciência. -Eles não querem pagar o seguro de vida do papai porque suspeitam de suicídio.


-Isso é papo furado! Ele me garantiu que não se matou.


-Ah, foi mesmo? - apesar de se sentir enjoado e furioso, Louis ainda conseguiu levantar uma sobrancelha, com ar de ironia. -E você teve essa conversa com ele antes ou depois de ele morrer?


Stiles ia falar, mas se segurou a tempo e quase ficou vermelho. Em vez disso, tornou a xingar e abriu com força a porta do microondas.


-O que eu quero dizer é que ele não faria algo assim de jeito nenhum, e eles estão falando isso só para atrasar o processo, por que no fundo não quererem liberar o dinheiro.


-O fato é que não vão liberar mesmo, pelo menos por agora. O investigador deles anda conversando com as pessoas, e algumas delas, pelo jeito, ficaram deliciadas com a oportunidade de contar a ele os detalhes mais desagradáveis da situação. E eles sabem a respeito da carta da mãe de Liam e dos pagamentos que papai fez a ela.


-Então… - Stiles provou o café, queimou a língua e xingou. -... Para o inferno com os caras da seguradora! Vamos deixar que eles fiquem com a porra desse dinheiro.


-Não é tão simples assim. Para começar, se eles não pagarem, vai ficar decidido que papai cometeu suicídio. É isso que você quer?


-Não! - Stiles apertou o ponto entre os olhos, em uma tentativa de aliviar um pouco da pressão que estava aumentando em sua cabeça. Passara a maior parte de sua vida sem dores de cabeça, mas agora se sentia perseguido por elas.


-Então, isso significa que vamos ter que aceitar as conclusões a que eles chegarem ou vamos ter que levá-los diante de um tribunal para provar que ele não se matou. Isso vai ser uma tremenda confusão, especialmente porque vai ocorrer em público. - lutando para se acalmar, Louis experimentou o vinho. -De qualquer modo, seu nome vai ficar manchado. Acho que vamos ter que achar essa mulher, essa tal de Grace Dunbar, afinal. Temos que esclarecer tudo direitinho.


-E o que o faz pensar que se a gente encontrar e conversar com ela as coisas vão se esclarecer?


-Temos que arrancar toda a verdade dela.


-Como, através de tortura? - não que essa idéia não o agradasse. -Além do mais, o garoto tem pavor dela. - acrescentou Stiles. -Se ela aparecer, pode melar todo o processo de guarda do filho.


-E se não aparecer pode ser que a gente jamais descubra a verdade, toda a verdade. - Louis precisava saber de tudo, pensou, para pode começar a aceitar o que aconteceu.


-Pois aqui está a verdade ao meu modo de ver - Stiles bateu com a caneca sobre a mesa. -Essa mulher estava em busca de um alvo fácil e sacou que encontraria um. Papai se amarrou no garoto e quis ajudar. Assim, saiu em campo para lutar por ele, do mesmo jeito que fez conosco, e ela ficou forçando a barra para sugar mais grana dele. Imagino que ele estava chateado ao voltar pra casa naquele dia, preocupado, distraído… estava dirigindo em alta velocidade, calculou mal, perdeu o controle do carro, sei lá! Foi isso que aconteceu.


-A vida não é tão simples quanto você a leva, Stiles. As pessoas não saem de um ponto e chegam a outro da maneira mais rápida que conseguirem. Existem curvas, desvios e bloqueios no caminho. Seria bom se você começasse a pensar nisso.


-Por quê? É desse jeito que você encara tudo, e me parece que nós dois acabamos exatamente mesmo lugar.


Louis soltou um suspiro. Era difícil argumentar contra aquilo. Então decidiu que um segundo cálice de vinho ia cair bem.


-Não importa o que você pensa, estamos com um problemão nas mãos, e vamos ter que lidar com ele. Onde está Liam?


-Não sei onde ele está. Por aí…


-Por Deus. Stiles, por aí onde? Você é o responsável por ficar de olho nele.


-E fiquei de olho nele o dia inteiro. Agora ele está por aí. - foi até a porta dos fundos, deu uma olhada no quintal e franziu a testa quando não viu Liam. -Provavelmente está lá na parte da frente da casa, dando uma volta no jardim ou algo do tipo. Não vou colocar uma coleira no garoto e trazê-lo preso na correia.


-A essa hora ele devia estar fazendo o dever de casa. Você só precisa ficar de olho nele durante umas duas horas depois da escola.


-Só que hoje as coisas não correram desse jeito. Ele tirou uma folga da escola hoje.


-Como assim? Ele matou aula? Você deixou que ele matasse aula quando estamos com o Serviço Social do governo farejando tudo por aqui?


-Não, ele não matou aula. - indignado, Stiles se virou. -Um babaca na escola andava zoando ele, dando pequenos socos, deixando o garoto cheio de marcas roxas e chamando-o de filho da puta.


A postura de Louis mudou na mesma hora, de ligeira irritação para imensa fúria. O brilho se seus olhos aumentou e ele apertou os lábios.


-Quem é esse babaquinha? Quem é esse cara?


-Um garoto gordinho chamado Cole. Liam enfiou a mão na cara dele e eles queriam suspendê-lo por três dias por causa disso.


-Porra nenhuma que eles vão fazer isso! Quem é o palhaço do diretor agora, algum nazista?


Stiles teve que sorrir. Em se tratando de briga, sempre se podia contar com Louis Stilinski.


-É uma mulher, e ela não me parece ser nazista. Depois que eu fui até lá e consegui arrancar toda a história de Liam, ela mudou de posição. Vou tornar a levá-lo na sala dela amanhã para outra pequena reunião.


Ao ouvir isso, Louis sorriu, um sorriso bem debochado e cruel.


-Você? Mieczyslaw esquentadinho Stilinski vai bancar o responsável por um aluno em uma reunião na escola? Ah, eu queria ser uma mosca na parede só pra ver isso.


-Não precisa, porque você vai junto!


Louis engoliu o vinho com pressa e engasgou.


-Como assim vou junto?


-E Scott também vai - decidiu Stiles naquele momento. -Vamos todos. Frente unida. Sim, é desse jeito que vai ser.


-Eu tenho compromisso às…


-Cancele. É pelo garoto. - avistou Liam saindo do bosque com o cãozinho ao seu lado. -Viu? Ele só estava circulando por aí com o cachorro. Scott já deve estar chegando a qualquer momento, e eu vou convocá-lo para essa reunião também.


Louis olhou para o vinho e franziu a testa.


-Odeio quando você tem razão. Nós todos vamos…


-Vai ser uma manhã divertida. - satisfeito, Stiles deu um soco amigável no ombro de Louis. -Dessa vez nós vamos ser os adultos. E depois de vencermos essa pequena batalha com as autoridades podemos celebrar amanhã à noite com uma porção de caranguejos.


Louis se animou.


-Primeiro de abril. É a abertura da temporada de pesca. Legal!


-E temos peixe fresco hoje à noite. Eu mesmo pesquei e preparei. Agora vou pro chuveiro. - Stiles movimentou os ombros. -A Srta. Martin vem jantar aqui amanhã.


-Hã-Hã… bem, você… o que? - Louis se virou enquanto Stiles saía da cozinha. -Você convidou a assistente social para jantar? Aqui?


-Isso mesmo. Já disse que gostei do jeito dela.


-Pelo amor de Deus! - Louis só conseguiu fechar os olhos. -Você está a fim da assistente social?


-E ela está a fim de mim também. - Stiles deu um sorriso. -Estou gostando disso.


-Stiles, sem querer cortar o barato da sua idéia distorcida de romance, use um pouco a cabeça. Estamos com esse problema com a companhia de seguros. E estamos com esse problema com Liam na escola. Como é que isso tudo vai combinar com o Serviço Social?


-Quanto ao primeiro problema, a gente não conta na para ela e, quanto ao segundo, a gente conta a história de forma correta. Acho que vai funcionar muito bem com a Srta. Martin. Ela vai adorar a idéia de nós três indo até a escola para defender Liam.


Louis abriu a boca, considerando o argumento, e acabou concordando:


-Você tem razão. Isso vai ser bom. - então, quando novos pensamentos começaram a surgir em sua cabeça, ele a virou meio de lado: -Talvez você possa usar o seu… poder de influência sobre ela para fazer com que ela coloque esse caso para a frente e tire a burocracia da nossa cola.


Stiles não disse nada por um instante, surpreso por se sentir tão zangado só de ouvir uma sugestão como aquela. Assim, sua voz saiu baixa ao responder Louis:


-Olhe, eu não vou usar coisa alguma com ela, e as coisas vão ficar desse jeito. Uma situação não tem nada a ver com a outra. E isso vai continuar desse jeito também.


Quando Stiles saiu, Louis apertou os lábios, pensativo. Ora, ora, pensou, aquilo não era interessante?



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Enquanto Scott manobrava o barco para atracar na doca, avistou Liam no pequeno porto. Por trás de Scott, Simon, o cachorro, soltou um latido forte e alegre. Scott afagou seu pêlo.


-Sim, meu chapa, estamos quase em casa.


Enquanto trabalhava com as velas, Scott observava o garoto, que atirava gravetos para o cão. Quando era menor, sempre havia um cão naquele porto para correr atrás de gravetos ou bolas… ou rolar na grama junto com ele. Lembrou-se de Bruce, o labrador de focinho meigo por quem ele se apaixonara loucamente assim que chegou à casa dos Stilinski.


Aquele havia sido o primeiro cão com quem ele brincara e o primeiro que o consolara em toda a vida de Scott. Com Bruce ele aprendeu o significado do amor incondicional, e certamente aprendeu a confiar no cão muito antes de confiar em Noah e Cláudia Stilinski ou nos meninos que se transformariam em seus irmãos.


Imaginava que Liam se sentia exatamente da mesma forma. A gente sempre podia confiar em um cão.


Ao chegar ali, tantos anos atrás, ferido no corpo e na alma, não tinha esperança alguma de que sua via pudesse realmente mudar. Promessas, afirmações de confiança, refeições saborosas e pessoas decentes não significavam nada para ele. Assim, ele pensou em acabar com aquela vida.


A água já o atraia naquela época. Scott se imaginava caminhando dentro dela, afundando aos poucos até que a água lhe cobrisse a cabeça. Ainda não sabia nadar; portanto, tudo seria bem simples. Era só se deixar afundar, afundar e afundar até que não houvesse mais nada.


Mas, na noite em que escapou silenciosamente da cama para fazer isso, o cão resolveu vir para fora, em companhia dele. Bruce lhe lambeu a mão, pressionou o corpo peludo de encontro às suas pernas e lhe trouxe um graveto, abanando o rabo, com os olhos castanhos esperançosos. Da primeira vez, Scott atirou o graveto bem alto e bem longe, com toda fúria. Mas Bruce foi à procura dele alegremente e trouxe de volta, abanando o rabo.


Scott tornou a atirar o graveto, e de novo, e dezenas de vezes… Então, simplesmente se sentou na grama e, sob a luz da lua, chorou muito, colocando o coração para fora e apertando o cão como se fosse uma tábua de salvação.


A necessidade de acabar com tudo passou.


Um cão, pensou Scott, enquanto passava a mão na cabeça de Simon, podia ser algo glorioso.


Viu quando Liam se virou e avistou o barco. Sentiu uma leve hesitação, e então levantou a mão, acenando para ele e, sempre acompanhado pelo cãozinho, correu pela doca.


-Segure as cordas, campeão.


-Sim, capitão! - Liam pegou com competência as cordas que Scott lhe atirou, enrolando-as e dando um nó, amarrando-as na estaca do cais. -Stiles me disse que você vai trazer caranguejos amanhã.


-Disse é? - Scott sorriu ligeiramente e girou para trás o boné dos Mets. -Vai lá, garoto. - murmurou para o cão, que estava, sentado, vibrando o corpo sem sair do lugar, à espera do comando para abandonar o barco. Soltando um latido para celebrar, Simon pulou na água e foi nadando até a beira. -Para falar a verdade, Stiles tem razão. O inverno não foi muito forte, e a água já está esquentando. Acho que a gente vai pegar muitos caranguejos sim. Amanhã deve ser um bom dia de trabalho.


Inclinando-se para o lado, puxou uma armação de metal para pegar caranguejos que estava pendurada na doca e afirmou:


-Ela está em fiapos.


-Fiapos? Ora, por que haveria fiapos em uma velha gaiola feita com tela de galinheiro?


-Armadilha. Isso é uma armadilha para pegar caranguejos. Se eu levantasse isso da água e ela estivesse cheia de fiapos, parecendo uns cabelos, algas alouradas, isso iria significar que a água ainda estava fria demais para os caranguejos. Acontece isso, às vezes, quando a gente já está quase em maio, se o inverno foi muito duro. Isso sempre traz uma primavera dura para quem tira o sustento da água.


-Mas não esse ano, porque a água está bem quente para pegar caranguejos - concluiu o menino.


-Parece que sim. Você pode colocar a isca nessa armadilha aqui mais tarde: pescoço de frango ou pedaços de peixes servem bem para isso. E de manhã pode ser que a gente encontre alguns caranguejos muito aborrecidos aí dentro. Eles caem direitinho todas as vezes.


Liam se ajoelhou, querendo ver mais de perto.


-Eles são meio burros, né?


-São apenas mais famintos do que espertos, eu diria.


-E Stiles me contou que vocês os cozinham vivos! Não vou comer isso não, de jeito nenhum!


-Você é que sabe, fique à vontade. Quanto a mim, acho que vou encarar umas duas dúzias deles quando chegar amanhã de noite. - deixando cair a armação de arame de volta na água, Scott pulou com destreza do barco para a doca.


-Rose esteve aqui. Ela limpou a casa e arrumou as coisas.


-Foi? - Scott imaginou que a casa toda deveria estar com um suave perfume de limão. A casa de Rose sempre tinha esse cheiro.


-Stiles a beijou… bem na boca.


-Como é que é? - Scott parou de caminhar e olhou para o rosto de Liam.


-Foi quando a gente estava chegando de barco e ela estava aqui para arrumar as coisas. Foi de brincadeira.


-Brincadeira… sei! - Scott encolheu os ombros e ignorou o bolo que sentiu dentro da barriga. Não era da sua conta quem Rose beijava. Não tinha nada a ver com ele. Mas sentiu os dentes rangendo quando Stiles, com os cabelos ainda escorrendo, saiu na varanda dos fundos.


-Como você acha que vai ser a temporada dos caranguejos esse ano, Scott?


-Vai dar pro gasto. - respondeu ele secamente.


Stiles levantou as sobrancelhas ao sentir o tom de voz do irmão.


-Qual, Scott? Um deles escapou da armadilha mais cedo e pinçou sua bunda?


-Quero só tomar um banho e pegar uma cerveja. - e Scott passou direto por ele e entrou dentro de casa.


-Amanhã vamos ter uma mulher jantando conosco.


Isso fez Scott parar novamente, e ele se virou, mantendo a porta telada entre eles.


-Uma mulher? Quem?


-Lydia Martin.


-Merda! - foi o único comentário de Scott enquanto se afastava.


-Por qual motivo ela vem aqui? O que ela quer? - o pânico surgiu dentro de Liam como uma fonte borbulhante, que transbordou em sua voz antes que ele conseguisse impedir.


-Ela vem porque eu a convidei, e ela quer comer caranguejo. - Stiles enfiou os polegares nos bolsos e se balançou para trás, apoiado pelo calcanhar. Por que era sempre ele que tinha que encarar aquela carinha pálida de medo? -Ela deve estar querendo verificar se tudo o que a gente faz por aqui é peidar, coçar o saco e cuspir no chão. Acho que dá pra segurar tudo isso por uma noite. Mas você vai ter que se lembrar de levantar a tampa do vaso para mijar e depois tornar a abaixá-la. As mulheres detestam quando a gente não faz isso. Fazem um discurso social e político se você não levanta a tampa do vaso. Vá entender!


Um pouco da tensão desapareceu do rosto de Liam.


-Então ela está vindo aqui só pra ver se nós somos um bando de porcos? Bem, Rose limpou a casa toda, e não é você que vai cozinhar. Então acho que tudo vai correr bem.


-Vai correr melhor ainda se você ficar com essa boca suja e metida a engraçada fechada.


-A sua é tão suja quanto a minha.


-Sim, mas você é muito mais baixo do que eu. E não pretendo pedir que você me passe a porra das batatas na frente dela.


Liam soltou uma gargalhada diante disso, e seus ombros, que estavam duros como pedra, relaxaram.


-Stiles, você vai contar pra ela a merda que deu na escola hoje?


-Olhe, comece a treinar uma palavra alternativa para “merda”, pelo menos até amanhã à noite. - bufou Stiles. -Sim, vou contar para ela o que aconteceu na escola hoje. E vou contar também que Louis, Scott e eu fomos com você até lá para resolver isso.


-Todos vocês? - dessa vez o que Liam conseguiu fazer foi piscar. -Vocês vão todos lá mesmo?


-É isso aí! Como eu falei, quando alguém sacaneia um Stilinski, sacaneia todos eles.


Foi um choque completo e uma surpresa que deixou ambos aterrorizados quando lágrimas começaram a aparecer nos olhos de Liam. Elas ficaram ali por um momento, enevoando aqueles olhos profundos e brilhantes. Na mesma hora, os dois enfiaram as mãos nos bolsos e se viraram para o outro lado.


-Eu preciso resolver… um lance aí… - disse Stiles, sem saber o que falar. -É Melhor você ir… lavar as mãos ou algo desse tipo, porque a gente já vai jantar.


No momento em que conseguiu coragem para se virar de novo, com a intenção de colocar a mão no ombro de Liam, a fim de dizer algo que, sem dúvida alguma, iria deixar os dois com cara de idiotas, o menino saiu correndo para dentro, indo para a cozinha.


Stiles apertou os olhos com os dedos, massageou as têmporas e baixou os braços, falando em voz alta:


-Puxa, tenho que voltar depressa para disputar uma corrida, que é um lugar onde sei o que estou fazendo. - deu um passo em direção a porta, mas então balançou a cabeça e resolveu recuar na mesma hora. Não queria entrar em casa com toda aquela emoção e toda aquela carência que pairava no ar.


Deus, tudo o que ele queria era a sua liberdade de volta; acordar e descobrir que tudo aquilo foi apenas um sonho. Melhor ainda, acordar em algum quarto imenso, na cama de um hotel anônimo em uma cidade bem exótica com uma mulher nua e excitada ao seu lado.


Só que, quando ele tentava imaginar a cena, a cama era a mesma em que ele dormia agora, e a mulher era Lydia.





Notas Finais


Talvez tenha uma próxima


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