História Ligados - Capítulo 12


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Categorias Meninas Super Poderosas (The Powerpuff Girls)
Personagens Docinho, Durão, Explosão, Florzinha, Fortão, Lindinha, Macaco Louco, Professor Utônio
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Palavras 4.663
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Esporte, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeiramente, eu devo desculpa a vocês
Desculpem demorar para atualizar, é que meu celular tinha quebrado quando fui fazer prova e meu computador está com algumas teclas quebradas.

Mas como eu prometi, 3 mil palavras do Bommer.

Capítulo 12 - Escola


Brick (on)/Narração em 1° pessoa.

 

  Pensamentos ligados. 

 

 A coisa estava ficando séria e por mais que eu quisesse, não podia fazer nada. Teria sido tão mais fácil se elas tivessem morrido naquele dia... suspiro pela terceira vez, só nesses 5 minutos.

 

 Geralmente não deixaria transparecer minha irritação, mas a última coisa que eu ligo é pra como elas vão me ver. Meus irmãos estão acostumados a me verem irritado pelos cantos, então nem me dou o trabalho de disfarçar.

 

  -Tá apaixonado, cara?-O moreno ao meu lado me dá um cotovelada.-Ta suspirando muito.

 

   Infelizmente, Butch tem a mania de tentar fazer piadas. Não respondo. Nem tem necessidade. Mas tudo isso é ridículo. 

 

 Estou numa ponta da mesa, Blossom na outra. Butch e Bommer perto de mim e as suas cópias, perto deles. Como eles estão todos tomando café da manhã, normalmente? E elas?!

 

 Nem se incomodam com a nossa presença. Até a morena que estaria discutindo, hoje simplesmente ignorou as alfinetadas do moreno.

 

 É como se estivessem certas que não vamos fazer nada. Como poderiam saber? A ligação não nos protege de nós mesmos, podemos até não matar elas. Mas da pra brigar. Até de mais.

 

 Butch pega dois pães de canela de uma vasilha que estava tampada em cima da mesa e a morena finalmente parece acordar de algum transe e a primeira coisa que faz é dar um tapa na mão dele.

 

 -Tira a pata!

 

 -An? Fizemos um acordo, tampinha.-Ele reclama e ela cerra os olhos. Mas não tira a mão de cima da vasilha.

 

 -Você já comeu três e ainda tá comendo bacon com ovos.-ela pega a vasilha e põe no próprio colo, em baixo da mesa e a tira da vista de todos.

 

 -O que é isso?-A loira se pronuncia, enquanto se estende na cadeira, para ver o que tem no colo da irmã.

 

 - Eu disse que tinha uma aposta com o Mitch, infelizmente faltei três dias na escola por causa de umas pragas, mas a aposta ainda ata valendo.

 

 -Há...aquela dos 200 dólares?

 

 Nesse momento o moreno engasga com o café e põe a mão na boca.

 

 -Calma.-Bommer diz ao lado dele e da uns tapinhas na costa do mesmo.

 

 -200 dólares? Você só vai me dar 20!

 

 Ela se limita a um dar de ombros. 

 

 -Por que você vai dar 20 dólares pra ele?-A loira pergunta curiosa, enquanto come um pouco dos ovos enchidos no prato.

 

 -Eu tinha que acordar cedo pra fazer isso e a preguiça não queria acordar. 

 

 Então contra todas as expectativas de todos na mesa, a loira riu. E não foi um risinho. 

 

  Ela gargalhou.

 

 Todos na mesa pararam de comer e a fitaram. 

 

  "Quando foi a última vez nesses dias que ela sorrio assim? Acho que eu não conseguiria..."

 

 Demorou dois segundos para eu perceber que não foi o meu pensamento . No lado oposto da mesa, a ruiva estava com a cabeça tombada para o lado e um pequeno sorriso triste no rosto.

 

 Se ela percebeu que direcionou o pensamento pra mim, não demonstrou. 

 

 Mas era típico dela. 

 

 -An, qual a graça mesmo?-Butch perguntou, assim que as gargalhadas dela diminuíram e ela se endireitou na cadeira. 

 

 -Desculpe. Não é nada.

 

 -Você gargalhou por nada? Bubbles, você já soube mentir melhor.-A ruiva se pronuncia, pela primeira vez desde que sentaram na mesa.

 

 A loira fica vermelha

 

 -Bom...eu lembrei do dia que em que a Buttercup acordou o professor no sofá e imaginei ela fazendo o mesmo com o Butch.

 

 Então as três irmãs trocam olharem cúmplices e começam a rir. O som dos talheres tilintando nos pratos é abafado pelas risadas femininas na cozinha.

 

 Aperto a mão em punhos. Como podem estar tão, tão...tranquilas? Somos seus inimigos. Elas nos mataram um vez e nós quase matamos elas depois. Elas quase mataram o Bommer a uns dias atrás! 

 

 Respiro fundo. Não vai adiantar explodir aqui, os planos iriam por água abaixo.

 

 -Será que dá pra compartilhar a história?-O moreno ao meu lado fala, um pouco emburrado.

 

 -Teve um dia em que o professor dormiu no sofá.-As risadas cessam e a loira pega a palavra.- Buttercup estava com raiva porquê ele não deixou ela ir em uma festa no fim de semana, então como vingança ela pôs uma venda nos olhos dele e pegou um fósforo.

 

 -Ele não acordou?-Bommer pergunta, intrigado com a história.

 

 -O professor tem um sono muito pesado.-A ruiva responde.

 

-Então deixei o cheiro da fumaça perto dele e peguei uma panela.-A morena narra a história.-Então comecei a bater a panela, a gritar "FOGO!FOGO." Ele levantou assustado e não conseguia ver nada, então ele caiu na mesa da sala, cego e cheirando a fumaça.

 

As três começaram a rir novamente, mas dessa vez acompanhadas por um Butch histérico é um Bommer que tentava disfarçar as risadas com tosses.

 

  Quanta idiotice.

 

Eu era o único que não via graça nisso? Na verdade, acho que eu era o único que não via graça na situação em geral. 

 

 Morando com as inimigas, há. Hilário.

 

 Por alguma razão, minha atenção estava na ruiva a minha frente. Ela também estava rindo e por um momento desmanchou a imagem de "líder seria das Superpoderosas." 

 

 Acho que eu nunca havia visto ela rindo...desse modo. Tão despreocupada.

 

 Irritante.

 

Certo, os nossos encontros não eram necessariamente o exemplo de normalidade, mas as outras duas vira e mecha faziam algumas piadas internas e se divertiam. 

 

 Não a ruiva.

 

 Ela era sempre séria e...por quê estava pensando nisso mesmo? Foco, Brick.

 

 O macaco entregou celulares para a gente quando mandou trazerem as malas. Os celulares tem o número dele com uma linha direta e proteção contra Hackers, assim poderíamos nos comunicar sem interferência.

 

 O problema é que elas ouviriam, então temos que trocar mensagens. Ontem à noite o macaco me mandou uma mensagem, para informar a situação atual.

 

 "Tudo conforme o plano, o doutor está me ajudando no raio, mas nem imagina que não vai somente separar vocês."

 

 Tudo de acordo com o plano na parte dele então, só faltava nós continuarmos com a nossa. Os outros dois sabiam que o raio tiraria os poderes delas...ou é isso que pensavam.

 

 Antes ele tiraria os poderes delas, as tornariam indefesas, mas o macaco conseguiu ajustar alguma coisa-que eu não me importei de perguntar-e o raio vai matá-las. Menos trabalho para nós três.

 

 Esse sempre foi o plano, mas não me sinto seguro de contar pros outros dois, eles são diferentes...ou talvez eu esteja.

 

 A questão é que Butch seria contra o plano, ele gostaria de lutar com elas e não matá-las de forma tão "sem graça" e Bommer provavelmente deixaria o segredo escapar, ele não fala muito mas não mede as palavras.

 

 O elemento X dentro delas vai sumir. E o elemento foi que criou elas, então sem isso elas se tornariam cascas vazias, já que só estão vivas por causa dele. Eu e meus irmãos somos diferentes, temos pouco elemento X e o elemento Y nos mantém vivos e é responsável por nossos poderes.

 

  Agora é só esperar.

 

 Observo a animação na mesa. Butch tentando pegar mais pães de canela, Bommer tem sua atenção voltada para a comida, a morena está escondendo os pães de canela enquanto a ruiva e a loira estão em uma conversa amigável sobre o passado.

 

 Parecem uma família feliz...patético.

 

 -Está na hora.-Blossom verifica o relógio de pulso e se levanta.

 

 -Hora de que?-Butch se levanta, enquanto boceja.

 

 -Escola.-Um sorriso sombrio é visto na face da ruiva.-Hora da escola.

 

         &---&-----&-----&------&------&-----&

 Bommer, narração 1° pessoa.

 

 Ao chegarmos na escola, diferente do que imaginei, as meninas não continuam juntas. 

 

 Se despedem assim que chegam no portão e pegam caminhos diferentes. Butch vai atrás de Buttercup e vejo eles discutirem alguma coisa. Brick anda a três passos de distância de Blossom, silencioso como sempre.

 

 Ele está escondendo alguma coisa. Brick pode achar que não notamos-Bom, Butch certamente não nota.-Mas eu vi ele trocar mensagens de madruga ontem e o único número salvo nos nossos novos celulares são o do macaco.

 

 -Vamos.-Bubbles sorri ao meu lado e indica uma direção.

 

 Caminho ao seu lado e reparo ao redor. As pessoas param quando a veem e a cumprimentam, a loira é claro, cumprimenta todos de volta com um sorriso.

 

 Suspiro. Eu não queria estar aqui, tem muitas pessoas. E muitas pessoas significam muitos olhos, muitos comentários, muitas...muitas críticas.

 

 Eu diria que sou parecido com Brick, nesse requisito. Não gostamos de lugares lotados, mas Brick ao invés de mim, gosta de sair de casa para o que, eu não sei.

 

 Mas eu nunca gostei. Talvez em uma outra época...quando éramos pequenos e a única coisa que eu me importava era roubar doces, mas eu não sei quando ou como, a opinião das pessoas começou a ficar na minha cabeça.

 

 Elas faziam caretas quando me viam, fugiam, guardavam as crianças...não os culpo, mas isso certamente não é algo que faça você querer sair de casa.

 

 -Iremos passar na sala dos professores, está bem?-Acordo dos meus pensamentos quando ouso a voz da loira.-Tenho que pegar uns papéis para o time de xadrez.

 

 Não digo nada, mas ela parece ler a dúvida em meus olhos e acrescenta.

 

 -Eu não faço parte de nenhum clube, não gosto me prender as coisas assim.-Ela ri como se estivesse contando uma piada.-Mas eu ajudo todos, sempre que possível e de vez em quando, participo de uma competição ou duas.

 

 Ela vira seu olhar para frente novamente e para. Quando percebo, chegamos a sessão dos armários e ela abre o que deve ser o seu, número do armário 211, assim que abre, vejo fotos grudadas na porta do mesmo.

 Uma dela com suas irmãs, parecem estar em um parque e estão rindo. Outra parece ser um gato...não, é um cachorrinho fantasiado de gato . 

 

 Prefiro nem perguntar.

 

 Tem outras fotos dela no meio de pessoas que não conheço e várias figurinhas fofas coladas ao redor das fotos.

 

 Pelo visto as pessoas decoram seus armários de acordo com as personalidades.

 

 Reparo em Bubbles. Ela usa duas tranças para o lado, que chegar até acima de seus peitos...que peitos...

 

 Desvio o olhar.

 

 Prosseguindo, usa o típico uniforme, de cor azul e possui um moletom branco amarrado a cintura.

 

 Vejo que realmente essa escola é diferente das outras, que que os alunos que escolhem as cores dos uniformes. Ao redor vejo pessoas com o mesmo estilo de roupa, mas com cor preta, roxa, vermelha, laranja, branca...várias.

 

 Não me sinto ansioso para usar esse uniforme, a sorte é que posso usar um casaco por cima e ficar de capuz o dia todo, assim evita chamar atenção.

 

 Até agora ninguém perguntou sobre mim, no máximo me olharam duas vezes, por pensarem que sou aluno novo e esse sentimento de ser imparcial perante a multidão é...bom.

 

 "-Some daqui, vagabundo!-O homem cospe em minha direção, mas pega no chão.-Por que não morre logo em uma vez? Ninguém quer você aqui!-ele grita e parece que vai avançar para cima de mim, mas é segurado pelos seus dois filhos.

 

 Eles estão chorando enquanto seguram o pai.

 

 Não entendo, a única coisa que eu fiz foi pegar doces da loja...mas então ele começou a gritar e uma multidão enfurecida se juntou a ele.

 

 Todos estão gritando.

 

 -Por que você não deixa a cidade?!

 

 -Morre de um vez!

 

 -Vai embora, vagabundo!"

 

 -Bommer!-a loira fala um pouco alto, novamente me acordando de meus pensamentos.-Você me ouviu?

 

 Fico em silêncio. Eu deveria agradecer a ela, por me acordar desses pensamentos, perdi a conta de quantas vezes perdi a noite de sono por ficar lembrando, de quantas vezes eu...

 

 -Eu disse que vamos pegar o número do seu armário também.-Ela faz um bico.-Você poderia pelo menos fingir que está me escutando.

 

 Guarda os livros e começa a andar. Vou atrás.

 

 Me desculpa, vou te escutar. Me vejo pensando em falar, até abro a boca, mas...as palavras não saem.

 

 Minhas palavras valem alguma coisa? Não vale nada até para pessoas comuns, imagina para a superpoderosa.

 

Fico quieto, como sempre.

 

 -Bubbles!-Uma voz masculina chama nossa atenção e vejo um garoto vindo em nossa direção.-Estava te procurando, eu-ele para, como se só agora notasse minha presença.-Quem é seu amigo?

 

 Ela olha de mim para ele e dele para mim. Suspiro, já imaginando que vai contar "esse é uns dos supervilões que o macaco criou, espero que se deem bem." Mas eu devia saber, que ela não vai falar isso.

 

 -Esse é Bommer, aluno de intercâmbio dos Estados Unidos, ele e os irmãos estão ficando conosco, então se ver alguém grudado na Blossom ou na buttercup, já sabe.-Ela sorri e nos apresenta.-Bommer, este é Jack.-Ele este a mão e eu a aperto, mesmo a contragosto.-Jack, Bommer.

 

 Fico surpreso com a naturalidade que a mentira saiu da boca dela. Acho que minha imagem de "perfeita" que eu tinha das superpoderosas, acabou de ser quebrada. Elas mentem. O que as faz tão diferente da maioria então?

 

 O tal de Jack aperta minha mão com força de mais..eu ligo? Não. Mais um para odiar minha existência, ele que entre para a fila.

 

 -Enfim.-ele solta minha mão e eu a volto para o bolso da minha calça.-Eu tava te procurando, topa ir no cinema hoje?

 

 Bubbles fica vermelha e da um sorriso amarelo.

 

 -Me desculpe, mas tenho compromissos.

 

 -Você disse isso na última vez.-Ele diz irritado, seu sorriso de desmanchou e o mesmo cruzou os braços.

 

 -Mas é verdade!-Ela diz com firmeza.-Prometi a Bommer que iria mostrar a cidade para ele, chegou a poucos dias, sabe?

 

 Ergo a sobrancelha em sua direção, mas ela continua fitando o tal de Jack, nos olhos. Realmente, fico surpreso. Outra mentira e ninguém diria que o que ela diz não é verdade, nada indica isso, seus olhos nem piscam conforme derrama as mentiras em volta do garoto.

 

 -Sério?-ele suspira, acreditando nela.-Pode ser na próxima?-Ele a olha esperançoso.

 

 -Claro.-Ela se despede com um sorriso inocente e o vejo olhar desconfiado para mim.

 

-Você mentiu.-Digo, acho que a primeira coisa que digo, desde que chegamos a escola.

 

 -Não, não menti.

 

 A olho confuso, mas a mesma continua andando, com um pequeno sorriso nos lábios, enquanto acena para as pessoas que passam.

 

 -Mentiu sim.-Afirmo novamente.

 

 Ela suspira.

 

 -Existe uma linha tênue, entre mentira e meia verdade.-Ela traça uma linha com os dedos.-Você é seus irmãos vieram dos Estados Unidos e estão morando com a gente, e depois da escola eu planejava mesmo mostrar a cidade para você.

 

 -Não quero ver a cidade.-Ela me olha confusa e eu dou de ombros.-eu cresci aqui, não tem nada que eu queria ver.

 

 -Mas...não está com saudade de nada? Vai servir para matar a saudade, afinal, aqui foi seu lar e..

 

 -Aqui nunca foi meu lar.-Disparo rápido, a interrompendo.

 

 Ela me olha desconfiada mas não diz nada. Também, o que iria dizer? Ela sempre teve tudo.

 

 Podia andar na rua sem ter pedras atiradas em sua direção, podia ir na praça e não ver os pais esconderem as crianças e a polícia te expulsar.

 

 Ficamos em silêncio o resto do caminho até a sala do diretor. Assim que chegamos, vejo que alguns alunos estão sentados em umas cadeiras na frente. Passo por eles e abro a porta da sala.

 

 -Bommer!-Ouso ela me chamando mas ignoro, ouço também algumas reclamações das pessoas que estavam na cadeira, mas não é importante. Quanto mais cedo terminar, melhor.

 

 Ela me alcança e entra na sala, fechando a porta atrás de si.

 

 -Tínhamos que esperar na fila!

 

 Não a respondo, só observo o homem atrás da cadeira, ele me olha com receio.

 

 Sorrio um pouco. Então esse sabe quem eu sou.

 

 -Vim pegar a chave do armário.

 

 -Por favor.-Bubbles me olha feio e acrescenta, rapidamente.

 

 O diretor acena com a cabeça e me entrega um papel,  ele diz o número do meu armário e a senha.

 

 Número 215.

 

 -Bubbles, creio que poderá se encarregar se ensinar as regras a esse...ao seu amigo.

 Estreito os olhos, e ele engole em seco. Bubbles parece não perceber a tensão palpável na sala e só sorri e acena com a cabeça.

 

 

Nós viramos para sair. Bubbles sai da sala, mas eu paro e me viro novamente para o diretor.

 

 -Bommer?-Ela me olha de modo questionador.

 

 -Espera um pouco.-resmungo baixo. Entro na sala e fecho a porta.

 

 O diretor deixa cair uns papéis que estavam em sua mão. Ando até sua mesa e fico de frente a frente com ele.

 

 -Quem mais sabe?-Digo baixo, com receio que que Bubbles esteja tentando ouvir atrás da porta.

 

 -N..ninguém..eu..o...o prefeito só contou para mim.-Ele diz e acrescenta rapidamente.-e eu não contei para ninguém e nem vou contar.

 

 Continuo o fitando, olhando em seus olhos. Ele começa a soar. Me afasto.

 

 -Aprenda a disfarçar.-Digo por fim.-Se nos vermos nos corredores, aja normal.

 

 -Sim, senhor!-ele diz rápido e se encolhe, parece do perceber que chamou um adolescente de senhor.

 

 Soltou uma risada e saio da sala.

 

 Ao contrário da minha preocupação, Bubbles não estava tentando ouvir a conversa, estava conversando com uma menina que esperava na cadeira.

 

 Me aproximo e a mesma nota a minha presença.

 

 -Bommer, essa é Grenda.-Aponta para uma garota de cabelos castanhos e uniforme rosa.-Grenda, esse é o estudante de intercâmbio que eu te falei.

 

 Ela acena com a mão e eu aceno com a cabeça.

 

 Elas se despedem e vamos em direção a sala de aula, eu não pergunto nada mas a loira começa a explicar.

 

 -Na nossa escola, cada horário é uma sala diferente, então decore o seu horário pra saber que sala deve ir.-Ela pensa um pouco.-pensando bem, nem precisa, já que suas aulas são as mesmas que as minhas.

 

 Ela ri e balança a cabeça, como se perguntasse como pode esquecer daquela parte.

 

  -Nossa aula começa às 8 horas e vai até as 11, depois disso é o horário de almoço, costumamos ir para casa almoçar ou podemos almoçar no refeitório, as 13:30 volta as aulas e vai até as 16:00, depois disso pode ir embora, mas se você participar de algum clube, fica até as 18:00, entendeu?

 

 Assinto com a cabeça.

 

 -Temos aula de biologia agora, se ficar perdido, eu te passo minha anotação.-Ela pondera o que falar e adiciona.-Vamos fazer essa aula com Buttercup e com o Butch.

 

 Ela sorri, como se fosse uma boa notícia.

 

  Assim que chegamos na sala, percebo que Butch e Buttercup já chegaram. Eles estão sentados no meio da sala, perto da janela. Buttercup na cadeira da frente e Butch na cadeira atrás dela.

 

 Vou em direção ao moreno e sento ao seu lado. Ele tá dormindo.

 

 -Oi!-Bubbles cumprimenta a irmã.-Como foi hoje?-Se senta ao lado dela, na minha frente.

 

 -Terrível.-A morena resmunga.-Consegui os 200 dólares, mas o Butch ficou amiguinho do Micht e disse que eu enganei ele pra ajudar a fazer os pães, então aquele desgraçado disse que eu tinha que dividir o dinheiro com essa praga e no final fiquei com 100 dólares.

 

  A loira ri

 

 -Bom, pelo menos você conseguiu 100 dólares.-Ela tenta consolar a irmã, mas a morena só faz resmungar algo incoerente.

 

 A professora entra na sala e todos fazem silêncio.

 

 -Soube que temos alunos novos hoje.-Toda turma olha em minha direção e na direção de Butch que, a nível de informação, ainda está dormindo na cadeira.

 

 -Podem ser apresentar?

 

 Bubbles vira para mim e sorri, me encorajando.

 

 -Bommer, foi intercambista dos Estados Unidos com meus irmãos.-Digo, sem me levantar da cadeira, permaneço de braços cruzados e com um olhar desinteressado.

 

 -E esse ao seu lado, é seu irmão?-Ela aponta para Butch, que ainda está dormindo.

 

 -Sim.-digo, ignorando o fato de que eles está dormindo.

 

 -Ele está...dormindo?-A professora diz meio incerta.

 

 Nessa hora Buttercup se vira para trás e suspira alto.

 

 -só pode ser brincadeira.-Resmunga alto e dá um tapa na cabeça do moreno.-ACORDA!

 

 Com o susto o moreno acorda e se levanta da cadeira, olhando para os lados.

 

 -Onde foi o incêndio?!-Então parece se tocar que esta no meio da sala de aula, quando a turma toda começa a rir, menos Buttercup que bate a mão na testa.

 

 -Sem incêndios aqui.-A professora diz e Butch repara nela, no centro da sala.-Seu irmão estava falando que vocês vieram dos Estados Unidos, ainda não se acostumou com o fuso horário?-Ela pergunta simpática.

 

 E Butch na maior cara da pau, suspira alto e se senta novamente.

 

 -Ainda não, é difícil sabe? A essa hora eu estaria dormindo lá...-Suspira novamente e coça os olhos.-Muito difícil. Se mudar assim de uma hora para a outra e uns dias depois já ter aula...

 

 A turma parece se compadecer com ele e lhe lançam olhares de pena. Menos Buttercup, que de novo bate a mão na testa e...ela tá contando até 10?

 

 -Entendo, mas vai se acostumar, não se esforce muito se tiver muito cansado pode descansar a cabeça na cadeira um pouco. -Ela diz, claramente tocada com s história falsa.-Qual seu nome?

 

 -Butch.-Ele responde rápido, sem qualquer parcela de sono que parecia ter ainda agora.

 

 -Bommer.-Ela direciona seu olhar para mim.-Você disse "irmãos" então vocês tem mais irmãos?-Ela pergunta, curiosa. A turma também, os alunos até se inclinam na cadeira para ouvir melhor.

 

 -Há sim.-Butch continua, super animado com a atenção que está recebendo.-O Brick, ele não tá nessa aula, mas é bonito que nem eu.-Ele diz convencido, o que faz a turma soltar umas risadinhas, então ele acrescenta.-Mas eu sou mais.-Então a turma explode em gargalhadas e até mesmo a professora e Bubbles riem.

 

 Depois da sessão de perguntas, a professora-que descobrir se chamar Amélia.-começa a explicar sobre sobre Cordados, e eu sinceramente, não presto atenção nem na metade do assunto. Butch voltou a dormir assim que ela virou de costas e parece que ela está com muita pena para acorda-lo.

 

 Quando a campa toca, sinalizando que devemos mudar de sala, Buttercup bate com o caderno na cabeça do moreno e o mesmo levanta rápido e a olha feio.

 

 -Quer brigar, tampinha?

 

 -Vem pro soco, avestruz.-Praticamente rosna. 

 

 Mas antes que aconteça algo, Bubbles pega o braço da irmã e a guia para fora da sala, vou com Butch logo atrás.

 

 -Tomara que esse raio fique pronto logo.-ele resmunga, só para mim ouvir. Observo Bubbles rindo mais a frente e aceno com a cabeça.

 

 Tomara mesmo. Daqui a um tempo as pessoas vão descobrir nossas identidades e começaram a jogar pedras...que podem pegar nela.

 

 Não que eu me importe.

 

 -Você prestou atenção em alguma coisa da aula?-O moreno me pergunta.

 

 -Sim.

 

 -O que foi? Fala aí, não ouvi nadinha.

 

 -O nome do assunto.- Ele me olha indignado e dou de ombros.-Só isso que eu aprendi.

 

 &------&----quebra de tempo---&-----&-----&

 

 Depois que todas as aulas acabaram, Butch foi com Buttercup para a quadra de vôlei e Brick foi com Blossom para o conselho estudantil. Tive três aulas com Butch e duas com Brick.

 

 Brick não disse nada o dia todo, mas vi que prestou atenção nas aulas, pelo menos, a que tivemos juntos.

 

 -Vamos.-Bubbles me chama para a saída e assim que passamos o portão ela continua.-Sabe, pode me avisar se quer participar de algum clube, podemos dar um jeito. Eu iria ficar um pouco no clube de xadrez hoje, mas não achei justo com você.

 

 Ela diz aperta a alça da bolsa.

 

 -Tenho uma surpresa pra você, mas pra isso, teremos que nadar um pouco pela cidade.-ela faz uma cara de culpada e acrescenta.-desculpe.

 

 -Tudo bem.-respondo, simplesmente.-Onde vamos?-Pergunto, não que eu esteja interessado realmente.

 

 Ela sorri e por um dedo na frente dos lábios.

 

 -S e g r e d o.

 

 Andamos por um tempo. Observo a cidade que parece igual e ao mesmo tempo, tão...diferente.

 

 As pessoas não me olham com nojo e até agora ninguém jogou pedra em mim e nem

 

 (SAI DAQUI VAGABUNDO.)

 

 Falaram nada sobre minha presença. Acho que por passarem alguns anos, não me reconhecem mais e agradeço por isso.

 

 Passamos pelo centro da cidade e vejo crianças correndo ao redor da enorme estatua das meninas.

 

  Pessoas batem foto e conversam sobre o monumento. Uma estátua das três salvadoras da cidade, o símbolo da esperança. Sinto algo arranjar na minha garganta ao perceber a sombra das estátuas.

 

 Três garotas. Três  sombras...Três garotos.

 

 -Chegamos.-Desvio o olhar da estátua e observo a loja que entramos. Assim que Bubbles abre a porta um sininho toca, avisando nossa chegada.-Bem vindo, a melhor sorveteria da cidade.-Ela diz orgulhosa e se senta em uma mesa.

 

 -Sorveteria?-pergunto.

 

 -Sim.-Ela aponta para o outro lado da loja, onde tem alguns frisarem é uma bancada de doces.-Aqui podemos pegar quanto quiser e pagar o peso. Eu lembro que você gostava de doces, então achei um bom lugar para você começar a criar boas lembranças da cidade.

 

 -Boas lembranças?-pergunto confuso.

 

 -Bom...-Ela cruza as mãos.-Eu percebi que você não gosta muito daqui, por causa da sua infância, mas você então tem culpa! É por causa do jeito que foi criado e de como as pessoas te trataram, então peguei a missão de fazer você gostar da cidade.-ela me olha esperançosa e suspira.-Bom, pelo menos um pouquinho.

 

 Fico sem palavras. Ela não só se preocupou comigo, mas também com o fato do meu passado, e como se referir a ele...sem me culpar, como se eu fosse a vítima.

 

 Não vou mentir me surpreendeu, mas...

 

 -Eu não como doces.-Observo uma família sentada em uma mesa próxima, rindo e se divertindo.-Não mais.

 

 Bubbles desmancha sua expressão de felicidade, mas quando penso que ela vai desistir ela simplesmente se levanta e vai pegar sorte para ela.

 

 Ela fica um tempo lá e observo pegar o maior pote e por muitos sabores de sorvetes, cobertura e granulado. Depois de pagar ela se senta na minha frente e põe o pote de sorvete em cima da mesa, me pergunto como ela vai comer tudo sozinha, mas então ela este de uma colher para mim e pega outra para si mesma.

 

 -Até as 18:00 horas, você tem que ficar comigo e digo que não vamos sair daqui enquanto não provar, pelo menos uma colher.-Ela diz decidida.

 

 Olho no relógio da parede. 16:34. Suspiro.

 

 Por quê ela quer tanto que eu tenha boas lembranças dessa cidade? 

 

 Pego a colher de sua mão e pego um pouco de sorvete do pote, levanto em sua direção, para monstrar e ponho a colher na boca.

 

 Acho que fiz alguma careta porque ela sorri e começa a comer, mas não antes de falar.

 

 -Viu? Sorvete é sempre uma boa lembrança.

 

 Não a respondo e não percebi quando começo a comer junto com ela. Não como sorvete há...tanto tempo.

 

 Desde aquele dia.

 

 "VAGABUNDO! POR QUÊ  NÃO SE MATA LOGO?"

 

Paro de comer e Bubbles me olha intrigada.

 

 -Está tudo bem, Bommer.-Ela pega na minha mão, que está em cima da mesa.-Você ainda é humano, não pode viver do passado.

 

 Observo sua mão sobre a minha. Ela tem razão, não posso viver do passado, mas isso não significa que eu esteja pronto para começar a pensar no futuro ou em me livrar dos meus medos no presente.

 

 -Coma.-Ela diz, com os olhos um pouco suplicantes. Penso bem.

 

 O que eu estaria perdendo?

 

 "MORRE DE UMA VEZ!"

 

 "VAI EMBORA"

 

"VAGABUNDO"

 

 "CRIANÇA INÚTIL."

 

 Ela sorri. E eu tento ignorar os comentários na minha cabeça, as vozes.

 

 Pego outra colher de sorvete.


Notas Finais


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