História Light - Capítulo 66


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Albert Spencer (Rei George), Alice, Anna, August Wayne Booth (Pinóquio), Cora (Mills), Daniel, David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Dr. Whale (Dr. Victor Frankenstein), Elsa, Emma Swan, Fa Mulan, Henry Mills, Ingrid / Rainha da Neve / Sarah Fisher, Lacey (Belle), Liam Jones, Lilith "Lily" Page, Malévola, Marian, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Mérida, Milah, Neal Cassidy (Baelfire), Paige (Grace), Peter Pan, Princesa Aurora, Príncipe James, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Roland, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sidney Glass, Sr. Gold (Rumplestiltskin), Tinker Bell, Vovó (Granny), Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Red Wicked, Swan Queen, Swanqueen
Visualizações 135
Palavras 3.663
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello pessoal....
Vim mas cedo por uma causa especial 😍😍😍
Isso msm nossa querida "Sam" está fazendo niver hj 👏👏👏👏👏
Esse capítulo é dedicado a vc meu bem ❤️
Meus parabéns e que Deus lhe abençoe nesse dia tão especial para ti ❤️❤️❤️❤️

Pessoal relevem os erros.
Boa leitura 😘

Capítulo 66 - Carregando o mundo nas costas


Fanfic / Fanfiction Light - Capítulo 66 - Carregando o mundo nas costas

Emma




A mulher, proprietária do carro atingido pelo meu há alguns minutos, fala e fala sem parar, descontrolada e de forma desconexa, pelo menos para mim.

Uma fileira de carros forma-se atrás de mim, com motoristas impacientes.

Eu não faço a mínima ideia do que ela está falando, gritando, histérica, na realidade. Minha mente está focada em apenas uma coisa, a foto em meu celular.

Tento passar a ela os dados do seguro, e tudo que venha a precisar para resolver esse inconveniente.

Aparentemente, ela está bem, eu estou bem, fisicamente, pelo menos. Então, por que todo esse estardalhaço?

Continuo respondendo suas perguntas absurdas, sem prestar atenção, concordando com tudo o que ela está dizendo, sobre pessoas ricas e a falta de consideração pelos outros, meu sexto sentido diz que é o melhor a fazer no momento.

Enquanto ela fala, verifico rapidamente os danos causados pela batida, tudo no modo automático. Fora um amassado no para-choque e um farol trincado, os danos eram ínfimos, já não posso dizer o mesmo do outro carro.

Como ela consegue dirigir pela cidade com um carro como aquele?

— Você está falando sério? — pergunta a mulher, saltitando pela rua em um estado de deslumbramento. — Um carro novo!

Eu havia mencionado sobre um carro novo?

Eu não sei, acho que sim, pois agora, a jovem que só agora noto ter os cabelos roxos, sorrir como uma idiota e olha para mim como se eu fosse uma rainha ou algo parecido.

Olhando o velho Cadillac Deville 88, vermelho, eu posso entender o motivo de tanto contentamento. Apenas as rodas do meu carro, valeriam mais do que o carro dela inteiro.

— Olha, agora eu não tenho tempo, fale com meu advogado, sim — murmuro, apressadamente oferecendo o cartão a ela.

— Bem que meu horóscopo disse que era meu dia de sorte...

Eu entro no carro ignorando-a e ao invés de pegar a estrada novamente com cautela e atenção, vejo-me dirigir como louca, sem sombras de dúvidas, infringindo todas as leis de trânsito enquanto costuro pela cidade.

Ligo para o Graham, a mensagem na caixa postal me deixa ainda mais irritada e tensa. Envio uma mensagem:

Entre em contato comigo urgente.

Em pouco minutos, estou na entrada privativa do SET, minha empresa. A razão estar ali meu cérebro ainda não consegue registrar. Assim que alcanço o caminho que leva ao meu escritório, sou bombardeada por olhares curiosos, arregalados e atônitos de todas as direções.

Anteriormente os olhares seriam de admiração e respeito, hoje, vejo olhares carregados de dúvida e surpresa.

Sigo direto para o elevador que dá acesso a minha sala. Não entendo a razão pela qual meu inconsciente me trouxe até aqui. Talvez seja porque essa é minha selva. Aqui eu tenho a sensação de ter as coisas sobre controle.

A primeira pessoa que vejo é Aline, assistente da Rose. Está ao telefone, o sorriso morre em seu rosto e ela me encara muda, com expressão abobalhada. Se eu tivesse em condições normais teria rido de sua reação.

Passo por ela que balbucia alguma coisa inaudível, não sei se para mim ou para quem conversava ao telefone.

— Rose?

— Meu Pai Santíssimo! — a pilha de papéis em suas mãos voa em direção a mim como uma chuva de papel durante o carnaval.

A tão pragmática, controlada e eficiente secretária encara-me como se visse um demônio saído do inferno.

— Sra. Swan — murmura ela, levando a mão ao peito, a testa enrugada em seu rosto pálido. Noto que parece mais magra que antes, até mesmo um pouco abatida. — O que faz aqui?

— Eu poderia perguntar o mesmo.

Eu não sei o que eu faço aqui.

Literalmente minhas pernas me conduziram para o escritório. Há muito tempo que deixei de pensar e agir coerentemente. Estou afundado em um mar de caos e desespero.

— Estou feliz que esteja de volta.

— Killian pediu... — ela engasga nas próprias palavras — o doutor Jones pediu que eu retornasse. Eu soube o que aconteceu com a Regi...

É claro que a presença dela ali é muito valiosa. Além de excelente funcionária, Rose é uma pessoa leal.

Eu já havia feito todos os testes possíveis. Inicialmente eu havia sido uma chefe ranzinza e impaciente, muito além do que costumava ser. Primeiramente porque não acreditei que a jovem bonita e de olhar sincero, indicada por minha antiga secretária, conseguiria suportar a pressão e estresse causado por uma grande companhia como a minha.

Depois, eu havia jogado um certo charme para constar se ela faria a linha apaixonada pela chefe. Isso havia irritado Killian, mesmo ele não conseguindo admitir.

Curiosamente, apesar dela ser muito bonita, não há como negar isso, não houve qualquer tipo de atração entre nós. E minha admiração aumentou após vê-la passar por cada teste imposto a ela. Uma suposta proposta irrecusável de emprego de outra empresa, um convite milionário de espionagem.

Ela havia passado por todos eles, de forma intocável, mesmo muitas vezes eu mostrando-me severa e intragável.

Talvez o fato de ficar tão próxima a Killian tenha falado mais alto, muitas vezes eu vi seu semblante paciente ficar vermelho, mas apesar de furiosa, ela se continha.

— Obrigada, Rose — sorrio sem jeito.

Eu sei bancar a chefe linha dura, esse papel eu executo muito bem, abrir-me como amiga é bem diferente. A única que eu havia conseguido abrir-me sem constrangimentos, desnudar minha alma completamente, sem a vergonha de parecer ridícula é Regina.

— Senhora Swan...

— Pode me chamar de Emma, Rose — acho que cruzamos essa linha algum tempo, desde que Regina havia se afeiçoado a ela.

— Emma, — ela sorria, amplamente envergonhada. — Você me acolheu quando mais precisei. Tudo o que sei agora foi porque teve paciência em ensinar-me. Ajudou-me quando meu mundo parecia destruído, embora só agora eu saiba o real significado de um mundo destruído. Eu a respeito muito e jamais viraria as costas em um momento como esse.

— Eu me sinto perdida — desabo diante dela.

Ela é o tipo de pessoa que consegue fazer você se abrir apenas com um simples olhar. Ou talvez eu não tenho conversado sobre meus sentimentos o tanto que deveria fazer. Ninguém é feito de aço e os fortes fraquejam também.

— Tudo dará certo — sinto seus dedos pressionando os meus. — Eu quase perdi a pessoa que agora é a mais importante na minha vida. Mas Deus foi misericordioso comigo, será com vocês também. Não perca a fé.

Acredito que fé, é tudo que nos resta.

— Buscarei um café para você.

Atino que ela compreenda que preciso de alguns minutos para me recompor. Mostrar fragilidade não é uma característica que eu goste de evidenciar. Como sempre, ela sabe o momento exato de sair.

— Diga a Killian que estou aqui — murmuro com a voz rouca. — Encontre Graham também. É de suma importância.

— Sim, senhora.

Pelo visto, alguns hábitos não são fáceis de mudar tão rapidamente.

Olho em torno da sala bem decorada, aliso a mesa imponente, caminho até as paredes de vidro, de onde posso observar boa parte da cidade. Muitas vezes aqui, eu me senti um deus.

Observando tudo e todos, mas preso em meu próprio mundo. Ficar sozinha não é uma novidade para mim. Mas também, essa parte da minha vida havia ficado para trás há muitos meses. Voltar a isso, apenas a essa mesa fria rodeado de pessoas que me admiram, mas não amavam, não da forma que preciso, é o mesmo que; estar sozinho em meio à multidão, ter tudo e não ter exatamente nada e, todas essas frases feitas que tão perfeitamente se encaixam a mim.

Olho para a foto mais uma vez. A expressão de pânico em seu rosto faz meu coração contrair-se dentro do peito.

Embora seja apenas uma captura do passado, a imagem mexe comigo de uma forma inexplicável. É difícil ver quem você ama sofrer. Eu gostaria de ver apenas o sorriso em seu rosto, pois quando ela sorri, eu sorrio junto.

— Killian está a caminho e Graham chegará em uma hora — Rose retorna com o carrinho de café. — Quer que eu traga o relatório dos últimos dois meses?

Eu devo ter passado muito tempo perdida em meus pensamentos, nem ao menos a vi entrar.

— Honestamente —respondo como se estivesse me desculpando — eu não tenho cabeça para negócios hoje.

Provavelmente enquanto essa situação perdurasse. Minha esperança é o pedido de liberdade provisória que Dorothy solicitou ao Juiz. Eu sei que juntos, em nossa casa, suportaríamos tudo. Eu não pestanejaria em pagar qualquer pedido de fiança que ele fizesse.

— Entendo — murmura ela — eu gostaria de ter tido a oportunidade de visitar a Regi, na verdade, não...

Espero que as coisas se resolvam logo.

Killian é um excelente advogado, tenho certeza que ele encontrará uma solução. E aquela mulher...

A cara de descontentamento que vejo no rosto dela não me passa despercebida.

Ciúmes?

— Embora eu não goste muito dela — continua ela, enrugando o nariz — parece ser uma boa advogada também.

Eu espero que seja, pois...

— Emma!

O estrondo da porta batendo contra a parede assusta-a e deixa-me em alerta.

Killian não está apenas furioso, está colérico.

— Você é uma imbecil por natureza ou está fazendo doutorado?

A pergunta irônica combinada com tom explosivo em sua voz me diz que ele já sabe o que fiz com o Jefferson. Mordo a língua para evitar dar uma resposta mordaz a ele. Calo-me, pois no fundo, eu sei que o discurso que virá a seguir estará coberto de razão. Mas o que eu poderia fazer, ficar calada, dócil, enquanto aquele imbecil a torturava dia a dia? 

— Killian, eu — o celular em minha mão queima como se chamas lambessem meus dedos, lentamente.

— Por que diabos você achou que agredir um policial iria passar despercebido? — estoura ele. — Eu estou cansado de limpar suas besteiras.

Nem seus dois filhos juntos, fazem tanta merda assim!

Observo Rose colocar a mão em seu peito, como se quisesse acalmá-lo.

— Eu sei que isso foi idiota, mas... — eu preciso dizer a ele, não, mostrar a mensagem que havia recebido. O assunto sobre Jefferson eu cuidaria depois.

— Sua sorte é que ele estava mais preocupado em rechear a conta bancária — continua ele, interrompendo-me pela segunda vez. — Um belo processo é o mínimo...

— Dá para calar a maldita boca e me ouvir? — vocifero irritada — Jefferson e todas as outras coisas podem ir para o inferno! Tenho coisas mais importantes aqui.

— Pensei que tirar sua esposa da prisão fosse o mais importante — repreende ele, amargo. — Não se unir a ela.

— Porra, Killian! — jogo o celular em cima dele. — Olha isso aí!

Ele olha para a tela, várias emoções transpõem por seu rosto. Espanto, incredulidade, hesitação.

— Eu tenho o que você quer — Killian lê em voz alta a mensagem anexada à imagem. — Que porra é essa?

A foto é uma imagem da Regina no apartamento de Lily. A morena de costas, as duas engalfinhadas, enquanto vemos o pânico no rosto de Regina e sua tentativa de livrar-se dos dedos em garras de sua opressora.

— Quando você recebeu isso?

— Assim que eu saí de lá — sento — me, passando as mãos nos cabelos. — Inclusive, me envolvi em um acidente de trânsito.

— Espero que não tenha matado ninguém — murmura ele, voltando a se concentrar na foto.

— Não, embora minha vontade tenha sido de matar alguém naquela hora — murmura. — Ah, devo ter prometido um carro novo a uma maluca... Não sei bem.

Ainda não entendo o que aconteceu, estava tão concentrado na imagem, tudo à minha volta ficou fora de foco.

— O Natal está muito longe, não? — diz ele, jogando o aparelho de volta. — Vou pedir que alguém dê um jeito nisso também.

— Essa foto mostra que Lily era uma pessoa violenta — murmuro agitada. — Deve servir como prova, não é? Qualquer pessoa poderia tê-la matado, menos Regina. Veja o pavor no rosto dela. A forma que ela tenta proteger o ventre.

— Ou que Regi agiu em legítima defesa — Killian suspira, sentando na cadeira em frente à minha — Veja bem, uma foto pode ter mil interpretações. A acusação pode alegar que ela se sentiu acuada por isso e atacou Lily de volta, matando-a.

— Que droga, Killian! — urro, angustiada. — Pensei que iria ajudar-me e não complicar as coisas.

— Emma, eu tenho que analisar todos os fatos — diz ele, calmamente. — Prever todos os passos que eles darão.

Faz parte do meu trabalho.

Por mais que isso me deixe frustrada, no fundo, sei que ele tem razão.

— E quanto a fiança?

—Ainda não sei. Não tive tempo de acompanhar a petição. Tentei argumentar com Jefferson assim que ele me procurou. Por que não deixou que eu resolvesse isso, cara?

— Jefferson não me preocupa agora. Deixe ele se divertir um pouco com meu dinheiro — Murmuro, enquanto brinco com uma caneta.

Ele havia provocado a pessoa errada.

Não costumo ser uma pessoa vingativa.

Até a segunda página. — Antes disso acabar, ele terá uma surpresa bem agradável.

— Regina está acima de qualquer coisa, deveria ter averiguado imediatamente.

— Dorothy está vendo isso — ele murmura. — Está a caminho daqui a pouco, de acordo com a mensagem que recebi dela.

Às vezes eu sinto que irei enlouquecer, se já não estiver a beira da insanidade. Ter Regina tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Minha cama, meu coração, corpo e alma sentem a falta dela. Sinto falta de acordar toda manhã, alguns minutos antes dela, com ela abraçada a mim. Deslizar o nariz por seu pescoço, embriagado pelo perfume natural de seu corpo. Depositar beijos suaves ao longo de seus ombros, fazendo-a acordar com gemidos enrouquecidos. De acompanhá-la no banho, enquanto ela cantava com sua voz cristalina e eu em meu tom desafinada.

Eu tenho saudades desses pequenos detalhes cotidianos, mas que faziam meu mundo perfeito. E só tenho suportado tudo isso, porque anseio ter esse paraíso de volta. Eu vou aguentar. E quando ela estiver livre, estarei esperando-a de braços abertos




                         ****




Graham encara a imagem com olhar um pouco mais analítico. Eu não consigo ler a expressão em seu rosto. Ele sabe manter os sentimentos abaixo da superfície. Talvez seu treinamento militar tenha ajudado com isso ou apenas as questões relacionadas ao seu passado tenham o deixado mais fechado para a vida.

— Eu tenho o que você quer — ele faz uma pausa, olhando fixamente para a tela. — E o que esse desgraçado deseja em troca? Dinheiro? Pode usar isso a favor de Regi, não é?

Killian repete a ele tudo o que já havia alertado a mim. Embora a foto possa ser usada em benefício da Regina, precisa ser no momento certo. De acordo com ele, um julgamento é como um tabuleiro de xadrez. É preciso movimentar as peças na hora apropriada para não ser surpreendido com um xeque-mate.

— Consegue rastrear a mensagem, Graham? — Killian questiona-o.

Amaldiçoou-me internamente por ter evitado o óbvio. De onde saiu essa foto haveria muito mais. Provas que ajudariam sem margem de dúvidas.

— Farei isso agora mesmo — diz ele a caminho da porta. — Volto em alguns minutos.

Eu queria acompanhá-lo enquanto ele banca o detetive. Ficar à espera de alguma informação é angustiante.

— Senhora, — a voz da Rose ecoa através do alto falante — a Sra. Hernandes está aqui.

— Peça que ela entre — apresso-me em responder.

Eu fixo o olhar na porta como quem espera o ente querido retornar de uma longa jornada na guerra. Ela traz notícias que podem mudar nossas vidas e nos tirar desse tormento a qual vivemos.

— Você tem boas notícias, não é? — pergunto, antes mesmo que ela possa cruzar a porta.

O retarde na resposta e o olhar vacilante que direciona a Killian, como se pedisse ajuda silenciosa.

— O Juiz recusou o pedido.

Primeiro eu tento assimilar o que ela está dizendo. Em seguida, as palavras caem sobre mim como uma avalanche.

Recusou, recusou, recusou.

— Maldito!

O primeiro objeto que vi voando foi a tela do computador em minha mesa, seguido do telefone e todas as pastas que antes estavam meticulosamente empilhadas.

— Calma aí — diz Killian.

Meu corpo é lançado contra a parede, os braços dele pressionando meu meus ombros. A ardência em minhas costas, causada pelo impacto, de certa forma, é um sinal do meu corpo, provando que ainda estou viva. Dificilmente tenha alguma parte de meu corpo que não esteja machucada.

— Eu sei — murmura ele. — Você já foi além dos seus limites, mas eu preciso de você em pé, Emma. Me ajuda.

Cerro os punhos maltratados, a dor me anestesia. Ainda sou capaz de sentir alguma coisa. Isso é bom.

— Eu quero vê-la.

Eu consigo imaginar o que ela está sentindo nesse momento, isso me destrói.

— Não pode, Sra. Swan. Talvez eu consiga uma visita para amanhã. O Juiz nesse caso tem uma linha dura.

— Talvez não é suficiente para mim — dou-lhe um olhar duro. — Garanta isso.

O clima é tenso, pesado. Um longo e profundo silêncio se instala, cada um preso em seus próprios pensamentos.

— Temos uma evidência nova, Dorothy — a voz de Killian quebra o silêncio.

— Evidência?

Já que Graham havia saído levando o telefone, ele é obrigado a contar a ela a imagem e o teor da mensagem e suas conclusões.

— Killian tem razão, mas eu sou bem mais otimista — murmura ela. — Pelo o que Regi nos disse, ela procurou por sua filha em todos os cômodos da casa, o que elimina a presença de alguém lá dentro, pelo menos na hora em que esteve presente ou ela teria visto-o.

— A questão é como essa foto foi tirada?

— É uma captura de tela — Graham retorna — uma gravação.

Nos encaramos entre surpresos e eufóricos. Havia uma câmara em algum ponto da cena do crime. Se havia uma gravação da Regina com Lily, há imagens de quando o verdadeiro culpado invadiu o apartamento dela.

— Se acharmos a fita... — balbucio comigo mesma.

— Conseguimos inocentá-la. — Dorothy conclui.

— O que conseguiu sobre o telefone?

— pergunta Dorothy. — Eu posso ver?

— Absolutamente nada.

Graham caminha até Dorothy entregando o celular a ela.

— A pessoa foi precavida, usou um celular descartável.

— O que ele quer? — Killian conjectura. — Dinheiro é pouco provável ou teria entrado em contato há muito tempo. O que ele quer...

— Talvez outra pessoa tenha encontrado a gravação. — Sugiro.

— Vou solicitar uma nova averiguação no apartamento — murmura Dorothy enquanto faz a transferência da imagem para seu telefone. — A câmera ainda deve estar lá dentro...

— Não acho que ainda deva ter algo dentro dela. — Graham rebate, erguendo as sobrancelhas, intuindo que ela tivesse falado algo absurdo.

— Mas é uma prova, quem sabe encontramos algumas digitais, qualquer coisa — revida ela, apontando um fato que ele ainda não havia se dado conta.

— Faça seu trabalho Sherlock, deixe que eu cuide do meu.

— Sim, senhora — Graham bate continência, fazendo com que ela saia irritada.

— Eu vou com ela — Killian lança um olhar de reprimenda a ele e volta a olhar para mim. — Vai ficar bem?

— Eu vou.

Não estou mentindo para tranquilizá-lo. Eu preciso que Killian, Dorothy e Graham estejam focados nisso, o fato de imaginarem que possa fazer algo irracional não os deixaria cem por cento, consequentemente prejudicaria Regina.

E apesar de que tenho vivido em meio a essa grande oscilação de sentimentos entre expectativas frustradas e a frustração total, mas agarro-me a esse novo fio de esperança com todas as minhas forças.

Quem sabe o fim esteja mais perto do que nós imaginávamos.

— Bonita, mas invocada — Graham debocha. — Tirando aqueles óculos, se soltasse os cabelos e suavizasse mais o rosto...

Acredito que ele refira-se a advogada. Era o que me faltava. Graham no seu modo macho alfa.

— Acha que está solteira?

— Está mesmo me perguntado isso? — pergunto, incrédula.

— Desculpe — ele sorri. — Força do hábito, mas foi indelicado de minha parte.

— Deixe de ser babaca e me conte sobre seus planos.

— Por que acha que tenho planos?

Ergo a sobrancelha de forma impaciente. Está certo, eu não espero que ele descreva cada passo que dá ou suas formas nem sempre legais de conseguir informações, só não quero ficar às escuras.

— Pedi que investigassem o hospital em que sua irmã foi dado como morta.

— Descobriu alguma coisa?

— A enfermeira que cuidou dela não trabalha mais naquele hospital. Vou encontrá-la em New Haven, Connecticut, amanhã à noite. Seja o que tenha a esconder, eu vou descobrir.

Repassamos todas as informações que ele obteve até aqui. Apesar dos seus esforços, os avanços têm sido mínimos.

É nítido que o homem por trás das máscaras, costura todas as evidências a seu favor. Somos apenas o peão em seu tabuleiro. Agora entendo porque minha inconsciência havia me levado até o escritório. Enquanto eu não souber quem é seu informante, minha casa não é segura.

Essa nova constatação me deixa irrequieta. Meus filhos estão ali. De forma alguma, posso deixar sua segurança em risco. No entanto, tirá-los dali poderia levantar suspeitas. Elsa está viva? Quem realmente está por trás de tudo isso e o que realmente quer? Damos voltas e voltas não parecemos chegar a uma solução.

— Preciso ir para casa — comunico a ele. — Mantenha-me informada do que descobrir em New Haven.

Há apenas uma pessoa que eu confiaria o bem estar deles.


Notas Finais




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