História Light On - Capítulo 1


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Categorias Supergirl
Personagens Alex Danvers, Alura Zor-El, Cat Grant, J'onn J'onzz "John Jones" (Caçador de Marte), Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor, Maggie Sawyer
Tags Supercorp
Visualizações 221
Palavras 1.808
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sim, outra fanfic... Eu sei, eu sei. Mas essa não dava pra "segurar" mais tempo não, gente, haha.

Não, eu não vou abandonar as outras fanfics, eu tenho um tempo e um jeito maluco de inspiração pra cada uma delas, mas não se preocupem, eu vou terminar todas.

Quem me conhece, quem lê minhas outras fanfics sabe que eu tenho tendência a trabalhar temas mais "pesados", e como avisei na sinopse, essa será mais uma dessas histórias. Talvez uma das mais pesadas, eu não sei. Só sei que precisava compartilhá-la com vocês...

É isto.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo I


"A depressão é a imperfeição no amor. Para poder amar, temos que ser capazes de nos desesperarmos ante as perdas, e a depressão é o mecanismo desse desespero. Quando ela chega, destrói o indivíduo e finalmente ofusca sua capacidade de dar ou receber afeição. Ela é a solidão dentro de nós que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com outros, mas também a capacidade de estar em paz consigo mesmo. Embora não previna contra a depressão, o amor é o que tranquiliza a mente e a protege de si mesma. " [O Demônio do Meio Dia – Andrew Solomon]

***

Smallville era uma pequena cidade no interior do Kansas sem nenhum atrativo. Exceto pela sua beleza natural, não havia motivos para os turistas quererem visita-la. A cidade não tinha muitos lugares para se divertir, apenas alguns bares na avenida central, um único clube de dança, uma grande biblioteca perto da escola e um fliperama. Fora isso, só havia lojas de conveniência, brechós, padarias e outros estabelecimentos comerciais que não geravam interesse ao público de fora. Todos os cidadãos eram medianos, exceto os Luthor.

Os Luthor eram donos de uma grande empresa com várias sedes, sendo que uma delas ficava na estrada entre Smallville e Midvale. Por conta dos negócios, Lionel Luthor vivia viajando e passava mais tempo em National City do que em sua casa em Smallville, deixando Lena sozinha na companhia de Lilian Luthor, sua “mãe de criação”. O problema era que as duas não se davam muito bem...

Lena acreditava ter sido adotada pelos Luthor, mas na verdade era fruto de uma relação extraconjugal de Lionel e por isso Lilian sempre direcionou a ela um ódio inexplicável. Um ódio que com o passar dos anos se tornou indiferença e Lena não conseguia compreender o que havia feito de errado para ser tão rejeitada.

Por pertencer a uma família tão rica, ninguém podia desconfiar do grande sofrimento da jovem Luthor. Todos que cruzavam com ela nas ruas, na escola, onde quer que fosse, achavam que ela era uma privilegiada e muitos a detestavam por isso. Sentiam inveja de seu dinheiro, de sua beleza, de seu sobrenome, sem imaginar o tamanho do farto que era para ela ser uma Luthor...

 

Estava decidida. Não esperaria mais nenhum dia sequer. Domingo. Tudo acabaria naquele domingo. No fim das contas, era irônico. Sempre sentiu uma aversão estranha aos domingos. Eram dias desgraçados, que mexiam profundamente com sua cabeça e a deixavam ainda mais para baixo do que já costumava estar. Sempre os detestou. Seria em um domingo que daria fim a sua existência sem sentido e agonizante.

Não havia alternativas. Já tinha esgotado todas as possibilidades. Não havia nada no qual pudesse se agarrar para tentar prolongar as coisas. Não podia contar com ninguém. Absolutamente ninguém. As pessoas não podiam entender. Tudo estava perdido. Ela estava perdida.

Sentia-se constantemente à beira do abismo e agora estava prestes a saltar dele. Acabou aceitando que a única maneira de vencer a escuridão era entregando-se a ela.

Passou o dia trancada em seu quarto – como sempre. A diferença era que neste dia estava planejando como seria o seu fim. Pelo menos poderia escolher de que maneira deixaria o mundo...

Apesar de estar prestes a tirar a própria vida (um ato de desespero que as pessoas cometem quando não há mais esperanças), Lena ainda tentava, sem querer, apegar-se a algo. Sua mente buscava qualquer memória, por mais simples que fosse, para lhe convencer de que o suicídio não era a única alternativa. De que apesar de toda dor e vazio que sentia, Lena tinha forças para lutar um pouco mais.

Não, ela não tinha mais forças. Ou tinha, mas não conseguia ver, porque estava exausta.

Tão perdida, tão afundada em sua própria dor, Lena Luthor não conseguia perceber que haviam outras pessoas no mundo passando pela mesma situação. Outras pessoas também estavam sofrendo muito. Talvez até estivessem, no mesmo momento que ela, pensando em suicídio. Sabia que era bem possível. E sentia muito pelas outras pessoas, mas não havia nada que pudesse fazer por elas, nem por si mesma.

— Eu vou sair — avisou ao descer e encontrar seus pais milagrosamente na sala.

Lionel estava lendo em sua poltrona e Lilian mexia em seu notebook. Nenhum dos dois sequer ergueu o olhar em sua direção.

Apesar de já conhecer bem a família que tinha, Lena ainda se permitiu ter esperanças de que os dois pudessem olhá-la, pudessem impedi-la de fazer o que pretendia.

Esperou que algum deles perguntasse onde ela ia, que dissessem: “pare, não vá”, mas eles não fizeram nada.

— Ok, querida — foi a resposta em uníssono.

Perda de tempo, pensou.

***

As ruas estavam vazias. Todos estavam dentro de suas casas. Mal havia anoitecido, mas os termômetros já marcavam uma queda brusca de temperatura em Smallville.

Com as mãos dentro do bolso do sobretudo preto, Lena caminhava lentamente, despreocupada como nunca. Era como se agora que estava prestes a morrer, finalmente pudesse respirar com liberdade. E era isso que estava fazendo.

Caminhava pela cidade pela última vez. Era sua despedida. Não gostava muito de Smallville e de seus cidadãos, mas até que sentiria falta de algumas coisas, como o fliperama em que passava a maior parte do tempo jogando Street Fighter.

Não estava com pressa, embora quisesse se livrar logo de toda dor e angústia que carregava. Na verdade, agora que estava contemplando a frente de seus olhos o fato de que tudo terminaria para sempre, Lena se via na obrigação de aproveitar os últimos instantes de uma maneira plena.

A pé, andou por toda cidade até que quando chegou em um bairro mais afastado, do subúrbio, começou a ouvir o som de sirenes e de gritos. Não demorou muito para ver uma aglomeração de pessoas no meio da rua e uma casa em chamas. Lena ficou paralisada no primeiro momento, seus olhos verdes esbugalhados diante da imagem do fogo, que já havia tomado conta de toda a casa.

Apesar de ser uma tragédia, aquela imagem lhe pareceu tão bonita. O vermelho vivo das chamas, que iam destruindo pouco a pouco cada parte da casa... Era a tragédia mais bonita que já havia visto.

Então Lena ouviu os gritos estridentes e desesperados de uma mulher e “acordou”. Correu para perto da fita amarela que os bombeiros haviam colocado no lugar e viu uma mulher de longos cabelos castanhos desesperada, gritando aos prantos que sua filha estava dentro da casa e que precisavam tirá-la de lá. Os bombeiros a seguravam para impedi-la de adentrar e pediam que ela mantivesse a calma.

— Minha filha está lá dentro! Como eu posso me acalmar? — berrava.

Lena percebeu que seu coração estava batendo ferozmente. De repente, como em um passe de mágica, estava se sentindo viva. Viva como não se sentia há meses, talvez como nunca tivesse se sentido antes. Podia sentir seu sangue fervilhando sob a pele, a adrenalina, uma emoção que fazia seus órgãos tremerem.

Sem pensar duas vezes, Lena atravessou a fita em uma velocidade absurda, sendo percebida apenas quando já estava há um passo de adentrar a casa em chamas. Ouviu os bombeiros gritarem, mandando que ela voltasse, mas era tarde demais.

Entrou na casa e não conseguia enxergar nada além do fogo se alastrando pelas paredes. Usou seu sobretudo para cobrir o nariz e andou em direção às escadas.

— Tem alguém aqui? — gritou.

Precisava saber se a filha da mulher estava em cima ou embaixo.

— Aqui em cima — ouviu a resposta fraca.

Depressa, Lena subiu às escadas e quase foi acertada por uma viga de madeira que caiu do teto. Passou pelo pequeno corredor e viu uma porta aberta, provavelmente de um quarto. Precisou atravessar o que parecia uma fogueira no chão para chegar até a entrada e então viu uma garota, provavelmente da sua idade, caída no chão, com a perna presa embaixo do que antes era um guarda-roupa.

— Eu estou presa — a garota loira falou com a voz engasgada e começou a tossir, pois já estava há tempo demais respirando aquela fumaça preta.

— Eu vou te ajudar — Lena falou, abaixando-se perto da garota e tirando seu sobretudo.

Levantou o pesado destroço que estava prendendo a perna da loira e então viu o ferimento. Não sabia dizer se era grave ou não, mas sangrava bastante...

— Será que você consegue andar?

Lena estendeu as mãos para que a menina pudesse se levantar com seu apoio e nesse momento reparou em seus olhos. Eram grandes e azuis e pareciam reluzir tanto quanto as chamas ao redor delas. Pareciam dois cometas.

— Eu não sei, está doendo muito — gemeu de dor ao segurar nas mãos da estranha e fazer força para se erguer do chão.

— Aqui, se apoie em mim — Lena passou o braço pelo corpo da garota, que por sua vez a envolveu os ombros, segurando-se nela. — Isso vai nos proteger do fogo — explicou enquanto usava seu sobretudo como uma espécie de escudo sobre suas cabeças. — Eu vou te tirar daqui. Como é o seu nome? — murmurou, encarando os cometas de perto. A loira parecia assustada, mas confiou nas palavras da estranha.

— Kara — falou simplesmente.

Sentindo muita dor e fazendo um esforço descomunal, começou a dar passos com a ajuda da desconhecida que não pensou em perguntar o nome.

Como Kara não poderia pular, Lena teve que abrir mão do sobretudo, usando-o para sobrepor o fogo do chão para que elas pudessem sair do quarto, passando para o corredor rumo as escadas.

Estavam perto de conseguirem alcançar as escadas quando outra viga desabou do teto, separando-as e derrubando-as no chão.

Kara, que já estava exausta e com muita dor, achava inútil insistir. Provavelmente morreria ali na casa onde nasceu e cresceu.

— Vai embora antes que você morra também — disse a desconhecida quando a mesma se levantou e foi para perto dela. — Minha perna está doendo demais... Nessa velocidade nós não vamos conseguir sair antes que a casa desmorone.

— Eu não vou te deixar — Lena disse seriamente, encarando os olhos azuis. — Nós vamos sair daqui. Nós duas.

E sem esperar por resposta, Lena pegou Kara do chão em seus braços e se pôs a descer os degraus às pressas, vendo que a cada instante a situação da casa se tornava mais precária e que a qualquer momento tudo desabaria sobre elas.

Quase sem ar, Kara encostou o rosto no peito de Lena e fechou os olhos enquanto era carregada. Estava aguardando pela morte, porque não acreditava que conseguiriam escapar.

Quando Lena finalmente conseguiu sair da casa em chamas, caiu de joelhos no chão com a loira nos braços, sentindo finalmente seus pulmões falharem, obrigando-a a tossir fortemente. Foi nesse momento que Kara tornou a abrir seus olhos azuis e se surpreendeu ao encontrar intensos olhos verdes lhe encarando. A cima da cabeça da desconhecida não havia mais fogo e destroços, só um lindo céu estrelado.



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