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História Ligue. Desligue. Repita (Bucky BarnesLeitora) - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


História passível de gatilhos para Transtorno Obsessivo Compulsivo.




Da mesma autora de: Todo Céu em Fúria/ Dark Love/ O Soldado, O Falcão, O Capitão e O Bebê

Capítulo 2 - Capítulo 2 Turn OnTurn Off


Capítulo 2 – Turn On/Turn Off

- No capítulo anterior-

- Oh, cara! Graças a Deus – Bucky suspira enquanto cai pesadamente contra a parede ao lado da porta, permitindo que Sam entre no apartamento.

- Foram apenas 5 minutos, Bucky – o amigo o acalma – Como foi?

Lógico que Wilson havia feito aquilo de proposito.

- Entre pensar que você tinha sido atropelado ou assaltado e deixado em algum lugar para sangrar até a morte, eu não chamei a polícia – Bucky continua suspirando deslizando pela parede até o chão, ele coloca a cabeça entre os joelhos e respira fundo algumas vezes.

- Isso é ótimo – Sam diz caminhando de volta para ele já com as duas mãos livres. Elas pousam nos ombros de Bucky dando-lhe um aperto encorajador.

- Realmente eu não gostaria que você não fizesse essa merda comigo – resmunga.

- Eu sei. Mas é preciso – ele diz com firmeza e dá um tapinha no ombro direito de Barnes – Vem, vamos nos sentar. Os pãezinhos de canela acabaram de sair do forno. E por que infernos tem uma cômoda no seu corredor?

 

Bucky leva alguns minutos para se recompor e acompanhar Sam até a cozinha, onde vê a sacola de papel pardo em cima do balcão de granito, ele já pode até vislumbrar em sua mente a mancha gordurosa que seria deixada na superfície. Ele vai ter que limpar pelo menos três vezes antes que ele não sinta mais o açúcar pegajoso derretendo sob seus dedos.

- A garota do apartamento ao lado estava tentando movê-lo ou algo parecido. Ela prendeu o tornozelo no processo, mas não conseguia se ajudar porque estava usando uma tipoia no braço direito. Aí, eu tive ajuda-la.

Sam parou por um segundo, mas depois casualmente voltou a colocar os pãezinhos em um dos pratos.

- Ela está bem? – ele pergunta, colocando um prato em frente à Bucky enquanto se senta com o seu.

- Bucky – o amigo chama atenção dele, ele se dá conta que não olhou diretamente para Sam durante toda conversa.

- O quê?

- Você saiu do seu apartamento ajudar a garota. E foi necessário o quê? Cinco minutos?

- Menos até. E eu tive que tomar banho de novo depois – Bucky falou cutucando um dos pãezinhos açucarados a sua frente.

- Eu sei que você não quer que eu faça uma cena, mas foda-se, eu vou – uma pausa dramática se segue – Incrível! – Sam exclama – Você saiu do seu apartamento, por conta própria, para ajudar sua vizinha. Isso é formidável, cara!

Bucky nega com a cabeça – Levei cinco minutos para criar coragem, Sam. Esperei que outra pessoa aparecesse para ajuda-la primeiro. E isso foi antes que eu conseguisse superar o fato de que eu não teria que ligar a minha maldita cafeteira... Ah, merda.

De repente, Bucky é atingido pelo desejo incontrolável de ir até a torneira da cozinha e liga-la e desliga-la. Pacientemente Sam espera enquanto o amigo liga e desliga a manopla cinco vezes antes de ter certeza que o perigo passou. Barnes bate duas vezes para ter certeza que está desligada, não querendo desperdiçar mais água por causa de sua autoproclamada insanidade.

- Mas você foi lá fora, Bucky. Foi opção sua. Porque você é um cara gentil e prestativo. Isso é um progresso. – Sam diz quando Bucky se acomoda em sua própria cadeira novamente, a mente dele estava mais calma no momento – Olha cara, eu sei que as coisas são lentas e que você odeia tudo isso. – ele suspira antes tomar um pouco do café – Mas você vai melhorar. Suas rotinas estão começando a ser rompidas. Isso é um inicio. O que eu quero é que você continue – seja transparente comigo – tente e não substitua essas pequenas quebras por novas rotinas. É tudo que você precisa fazer agora, ok?

Buck respira fundo – Ok, vou tentar.

- Então a sua vizinha, ela é bonita?

- Saaaaaam – ele geme frustrado e rola os olhos.

- Sim? Sim? – Wilson brinca, cutucando o pé do amigo por baixo da mesa.

- Ok... Ela é bonita – Bucky admite por fim.

- AHA! – Sam vibra como uma criança – Eu sabia!

É oficial, Bucky odeia o amigo.

 

Antes de deixar o andar do amigo Sam coloca um bilhete por debaixo da porta da vizinha bonita de Barnes.

 

Três dias depois, Bucky percebe que desenvolveu uma nova mania. Depois de realizar sua rotina matinal, uma hora repleta de manias, ele precisa ir até a porta da frente e checar fechadura, abrir a porta alguns centímetros e fecha-la sete vezes. Ele bate na maçaneta três vezes para se certificar que está realmente trancada.

Merda!

- Isso é ótimo, não é mesmo? – ele resmunga, olhando de volta para porta, como se para ter certeza que estava realmente fechada, então é necessário que ele volte e bata mais três vezes na maçaneta de novo. Se aquilo continuar, ele vai ficar preso no corredor por cerca de trinta minutos todos os dias.

Felizmente, sua mente se encontra silenciosa e satisfeita depois de tudo, e ele consegue descansar no sofá por quase quinze minutos, quando ele percebe um pano de prato fora do lugar e Bucky precisa limpar a cozinha inteira.

- Boa tarde, meu nome é S/N + S/SN, estou aqui para ver Sam Wilson?

 O homem sentado à mesa do escritório ligeiramente espremido olha para cima e sorri simpático.

- Seria eu. Em que posso ajuda-la?

S/N segura o bilhete entre os dedos indicador e médio.

- Acho que sou eu quem deve ajuda-lo. Bem, é sobre meu vizinho, James Barnes.

- Oh, certo – o sorriso de Sam se torna mais largo – Você é a garota bonita que machucou o pé na cômoda.

A garota cora.

- Bem, sobre o bonita eu não sei. Mas sim, eu sou a idiota que ficou com o pé preso entre a parede e o móvel, enquanto tentava arrasta-lo com um braço imobilizado.

O homem ri.

- Desculpe, minha intensão não era envergonha-la.

Ela meneia com a cabeça.

- Tudo bem. Normalmente, não sou tão idiota daquele jeito.

Sam levanta uma sobrancelha ao olhar a tipoia no braço direito de S/N.

- Certo, não – ela ri – Isso não exatamente minha culpa. Alguém esbarrou em mim na saída do Whole Foods e eu acabei caindo.

Sam assente, ainda rindo e gesticulando para que ela tome assento.

- Fico muito grato por ter vindo, significa muito você estar aqui – ele começa, percebendo que ela ainda manca ao tomar seu lugar na cadeira à frente dele.

- Bem, eu não sei direito por que estou aqui. Sua mensagem não explicava nada além de que James Barnes é um veterano em recuperação – ela diz calma, mas o seu olhar mostra sua curiosidade.

- Você percebeu que ele precisa de ajuda – Sam sorri de novo quando ela assente – E se você está aqui, suponho que esteja disposta a ajudar. Então sim, significa muito.

S/N cora mais uma vez. E Sam pode entender porque Bucky a acha tão bonita. Quando o rubor aparece em suas bochechas, ela fica nada mais que adorável.

- Eu gostaria de explicar algumas coisas sobre James e, então, eu poderia sugerir algumas medidas que poderiam ajuda-lo. E nisso você estaria inclusa.

Ela assente.

- Bucky... é assim que a maioria das pessoas o chamam, ele é um veterano condecorando por bravura, que perdeu um dos braços durante uma missão de alto risco. Ele perdeu metade da unidade que comandava e recebeu dispensa especial por salvar a outra somente com o braço direito. Ele não gosta de falar sobre isso, porque ele não se vê como um herói. Bucky se vê como um capitão que levou aqueles sob seu comando para uma emboscada, mesmo que não houvesse como ele, nem mais ninguém, prever o que aconteceria – Sam inspira fundo, essa conversa só acontece porque é do interesse de Bucky, que S/N seja inteirada sobre sua história. E tudo que ele discute com Bucky é legalmente confidencial.

Ela tem as sobrancelhas levantadas, os olhos estão ligeiramente úmidos.

- Ele voltou da reabilitação há aproximadamente um ano, mas ainda no centro de reabilitação ele começou desenvolver alguns distúrbios psicológicos.

- No plural? – S/N pergunta num tom suave – São vários?

Sam afirma com um breve aceno de cabeça.

- E a causa principal é o Transtorno de Estresse Pós-traumático. Mas acontece de formas variadas. Bucky não sofre necessariamente de ansiedade, que desencadeia um ataque de pânico quando escuta um barulho muito alto, como a maioria das pessoas acredita que o TEPT pode ser definido. A mente dele desenvolveu mecanismos de enfrentamento para lidar com o medo e o trauma, nem sempre o modo que nossa mente encontra para suportar essas coisas é benéfico. Ele acabou desenvolvendo TOC e Agorafobia. – ele inspira e expira verificando se ela ainda esta o acompanhando – No momento que ele fechou a porta do apartamento atrás de si, depois de receber alta do hospital, não conseguiu abri-la de novo. Quando ele voltou a sua rotina matinal de sempre, a que fazia antes de viajar, ele não conseguiu mudar, e tudo só foi se tornando cada vez maior desde então.

Sam dá um sorriso compreensivo ao perceber que ela está ficando desconfortável e um pouco triste.

- Por exemplo – ele recomeça- quando Bucky acorda, ele o faz antes que o despertador seja ativado, às seis horas da manhã. Ele sai da cama e precisa tomar banho imediatamente. O chuveiro em si leva quinze minutos a mais do que é necessário por causa das “manias” que ele desenvolveu. Quando ele termina o banho, ele tem que seguir uma rotina de compulsões, que o garantem que tudo está bem e nada ruim vai acontecer. Ele precisa abrir e fechar o tubo do creme dental três vezes antes usa-lo e acender e apagar a luz do banheiro antes de sair.

Sam percebe que S/N não está exatamente desconfortável, mas sendo empática, se colocando no lugar de uma pessoa que está envolvida numa situação como aquela. No final ela entendeu que não era nada divertido para ninguém.

- Droga – ela sussurrou com uma expiração pesada.

- É uma droga mesmo – Sam concorda tristemente – O pior é que, quando a rotina dele é interrompida ou algo não sai do jeito que deveria, ele precisa começar tudo de novo.

A garota continua quieta, concordando quando Wilson faz uma pausa, avaliando a mesa de trabalho enquanto ela processa tudo que acabou de ouvir nos últimos minutos.

- Antes de pedir sua ajuda, eu preciso que você saiba de algumas coisas – ele fala, chamando atenção dela.

- Quais coisas?

- Eu entendo que pode ser muito tentador sentir pena dele, é lógico, porque é uma situação trágica. Mas se você se aproximar dele e, é muito importante que tenha isso em mente, também não sei se ele vai concordar com isso, você não pode sentir pena dele. Ele odeia ser tratado como se pudesse quebrar a qualquer momento, mesmo que, se os gatilhos certos forem acionados, isso possa acontecer. Ele odeia quando se apiedam dele ou o veem como alguém doente.

S/N concorda mais uma vez – Eu entendo – ela suspira recostando na cadeira – Mesmo assim você não acha que ele precisa de um pouco de compaixão?

- Claro! Ok, não me interprete mal – Sam diz num tom reconfortante – Eu não sou um cara sem coração. Ele precisa saber que as pessoas que o rodeiam o compreendem, mas simplesmente não consegue lidar com as pessoas lamentando por ele.

 Ela acenou afirmativamente.

- Então – o terapeuta retomou com um sorriso – O que pretendo fazer, antes de vocês se encontrarem, é conversar com ele sobre a possibilidade disso acontecer. Sobre apertar as mãos e tudo que se segue quando duas pessoas se conhecem e, de preferência, quando você não estiver presa sob alguma mobília.

A moça revira os olhos, mas é incapaz de reprimir o sorriso – Sim, sim. Claro. E?

-Hmmm...Nós podemos chamar isso de primeiro passo Espero que ele deixe você se aproximar e, eventualmente, ele consiga expandir seu circulo pessoal. Isso seria um grande progresso. O próximo passo, eu creio, é apresentar você a Bucky, S/N. E quem sabe, ele consiga fazer uma amiga – Sam diz num tom esperançoso – Depois que você o conhece e ele ficar confortável perto de você, o Bucky vai ser o melhor cara que você poderia ter conhecido.

 

Droga! Que droga! – Bucky grita batendo a cabeça contra a porta.

- Bucky, eu preciso que você se acalme – a voz abafada de Sam conseguindo atravessar o som do sangue correndo a toda velocidade em seus ouvidos. O coração dele batia rápido a ponto dele pensar em desistir e voltar para cama.

Da última vez que aquilo aconteceu, ele ficou na cama por três dias.

- Respire fundo, amigo, do jeito que praticamos – Sam diz e Bucky não pode deixar de se perguntar é como sempre o homem pode ser tão calmo – Está tudo bem, só faça o que precisa ser feito.

Ele está fazendo seu melhor para controlar sua respiração e realizar uma tarefa simples, a de abrir a porra da porta da frente.

Bucky congela por um momento fechando os olhos, a mente dele ainda está gritando, ainda lhe dizendo que a única forma de abrir a porta é dar algumas dolorosas cabeçadas em uma superfície solida ou abrir e fecha-la pelo menos sete vezes e ele provavelmente deveria tocar a maçaneta também sete vezes, só para que ele se certificasse.

Passam-se alguns minutos antes que Sam volte a falar com ele de novo – Buck? Fale comigo.

- Estou aqui – ele responde, inclinando a testa contra a porta, caso a decisão de dar cabeçadas saia como a grande vencedora.

Não. Realmente Barnes não quer entrar nessa. Sam vai ficar muito desapontado por ele ter desenvolvido outra mania.

-E-Eu preciso...preciso abrir e fechar a porta  – Bucky murmura, as lágrimas ameaçando cair dos seus olhos.

- Ok, tudo bem – Sam fala com seu tom casual de sempre, como se Bucky não estivesse louco – Quantas vezes?

- Eu acho que...hmmm sete vezes, pelo menos – uma lágrima escapa e rola pela bochecha dele.

- Está bem, vá em frente. Eu tenho tempo.

Bucky bufa através das lágrimas, o som é quebrado seguido por um soluço. Do lado de fora da porta Sam fecha os olhos, quase podendo sentir a dor do amigo atravessando a madeira quando toca a superfície da porta. Ele se esforça ao máximo para impedir que a piedade e a tristeza se infiltrem nas suas palavras.

- Não tenha pressa, cara.

Bucky assente para si mesmo e respira mais algumas vezes.

Leva mais de dez minutos para que ele reúna toda sua coragem para abrir a porta alguns centímetros e fechá-la de novo. Ele não faz sete vezes, mas nove, só para se sentir seguro; e bate na maçaneta sete vezes antes de conseguir abrir a porta para Sam.

- E aí, cara? Dia difícil, hã? – ele entra e tenta olhar nos olhos do amigo, mas ele se recusa a encara-lo – Vamos, parceiro – ele diz num tom manso e segura Bucky pelo ombro e o puxa para um abraço.

Bucky desmorona, soluços destroem cada parte do seu corpo, depois que ele abraça Sam com um braço, o mais firme possível.

- Me desculpe, Sam... eu não...eu não consigo mais – sua cabeça oscila levemente, enquanto ele tenta recuperar o fôlego, mas ele está absolutamente exausto.

- Xiii, está bem. Está tudo bem –Sam tenta acalma-lo, esfregando a mão nas costas de Bucky com gentileza, segurando firmemente perto. Você passou por outras coisas e vai passar por essa também.

Wilson decide que aquele não será o dia que vai sugerir que Bucky e S/N se conheçam.

 

Naquela manhã Bucky não quer sair da sua cama. Ele só deseja virar para o lado e ignorar os números verdes do despertador digital, eram 5:45 da manhã.

Contudo, ele não pode. Seu cérebro está gritando para ele levantar e ir para o banho e começar com a rotina. Sam diria para ele “Que se dane, amigo! Fique na cama! Você bem que merece dormir até mais tarde vez ou outra".

E o cérebro diz a ele: Vá para o banho agora! Ou isso vai acabar muito mal. Vá. Agora. Você não quer que nada ruim aconteça.

Ele dá ouvidos ao seu cérebro.

 

Sam decide que não vai pressionar Bucky, começando com não se atrasar propositalmente. Ele aconselha Steve e Tony a fazerem o mesmo. E se, eventualmente, eles tiverem que se atrasar eles precisam avisar a Bucky imediatamente, para que evitem que o amigo receba uma carga de estresse muito grande.

É meio-dia de segunda-feira, e Sam é tão pontual como um britânico. Bucky leva sete abrir e fechar de porta mais sete toques na maçaneta, antes que ele permita a entrada do amigo em sua casa. O veterano tem um sorriso cheio de hesitação no rosto.

- Ei, cara – Sam diz lhe devolvendo o sorriso, sabendo que aquele é o dia em que ele vai convencer Bucky a conhecer S/N – Como está sendo o seu dia?

Bucky encolhe os ombros levemente – Tive que tomar banho duas vezes, mas está tudo bem.

Normalmente, Bucky se sente infinitamente frustrado quando tem que repetir uma rotina, ele fica envergonhado por causa de todas suas manias. Porém, naquele dia ele se sentia calmo e relaxado, aceitando o fato de ter que repetir o banho mais uma vez.

- Isso é muito bom – Sam diz sorrindo indo em direção à cozinha, onde duas xícaras já estão apostos – Obrigado, cara. Isso é exatamente o que eu precisava – ele suspira se perguntando como Bucky consegue fazer um café tão perfeito, e aquilo não tem nada a ver somente com o fato dos grãos para bebida estarem sempre frescos. Aí, ele se chuta mentalmente, é claro que o café precisa está perfeito. O homem tem TOC – Quero falar com você – Bucky o olha desconfiado – Não é nada sério. Então, relaxe e sente-se, ok?

As palavras de Wilson não aliviam em nada o olhar do ex-capitão – Você está fazendo isso se tornar algo sério.

- Apenas sente e relaxe – Sam diz com humor sentando-se também – Conversei com sua vizinha duas semanas atrás. Ela foi ao VA a convite meu.

- O que? – Bucky se sobressalta empalidecendo instantaneamente.

- Barnes, cale a boca e me deixe terminar – o tom grave de Sam, não impediu que ele bufasse e cruzasse de forma petulante o braço direito sobre o peito – Pra começar, ela é muito legal. O nome dela é S/N e foi até o VA porque eu perguntei se ela talvez pudesse ajudar você.

- Sam – ele geme – Você não fez isso.

- Eu fiz – o homem responde com um sorriso orgulhoso – Agora cale-se. Como eu já disse, ela é muito legal. E eu sei que você quer conhece-la, cara. Pude ver isso na sua cara quando disse que ela era bonita. E a proposito, eu estou plenamente de acordo com isso.

Sam precisa admitir que é muito divertido vê a confusão instalada no rosto de Bucky.

- M-mas ela... O quê? – o homem de cabelos compridos gagueja e respira fundo tentando manter o controle sobre si mesmo. Aparentemente, não funcionou tão bem quanto o esperado, porque ele se levanta para acender e apagar a luz do forno do fogão três vezes, e tocar o botão outras três.

- Ela quer te conhecer, Bucky. Ela quer ajudar você – o terapeuta usando o seu tom casual costumeiro – E isso vai ser ótimo para que você expanda seu círculo de amizades. Você precisa de outras pessoas além de Steve, de Tony e de mim. E ela também é muito amigável e paciente.

- Você está soando como um garoto propaganda de um site de namoro, Sam.

Ao ouvir aquilo ele arqueia uma sobrancelha com um ar divertido – Eu nunca falei nada sobre namoro, irmão.

O rosto de Bucky ganha um tom vermelho-escarlate e ele desvia o olhar, seus olhos pousando no forno, que ele precisa ligar e desligar. Ele o faz apenas uma vez e toca duas vezes para garantir que o eletrodoméstico esteja desligado.

- Aqui, só entre nós dois Bucky – Sam se inclina levemente, em direção ao homem a sua frente – Você quer conhece-la?

Demora quase um minuto antes que o volte a encara-lo.

- Eu quero – ele admite num murmúrio – Ele parece ser legal. Mas eu... – ele suspirando esfregando mão no rosto, depois segurando a ponte do nariz – Eu estou assustado – ele chia, enquanto visivelmente luta com uma de suas compulsões.

- Do que você tem medo? – Sam pergunta depois de tomar um gole do seu café, equilibrando a conversa entre algo o casual e o sério. Bucky sente que será eternamente grato por aquela habilidade do amigo.

- Medo que ela ache que eu sou louco – ele sussurra, olhando para imaculadamente limpo.

- Ei – Sam chama a atenção dele com um tom severo – Acha mesmo que eu deixaria alguém que achasse isso se aproximar de você?

Bucky nega com a cabeça – Não. Eu acho que não – ele sorri.

- Exatamente – Sam ri – Você feriu meus sentimentos, rapaz – ele coloca a mão no coração para enfatizar o efeito dramático.

- Ok, ok – Buck ri – Por Deus, por que sempre você tem se comportar como a rainha do drama, cara?

Sam Wilson sorri – Sério. Eu acho que vai ser ótimo para você ser apresentado a ela. Quer tentar?

- Claro, vamos fazer isso – Bucky suspira encolhendo os ombros se dando por vencido.

- Excelente. Espere aqui – Sam se coloca de pé como se tivesse sido impulsionado por uma mola, antes que Bucky consiga detê-lo.

O terapeuta sai pela porta e vai direto bater na porta de S/N.

- Oh Cristo! – Bucky se esforça para respirar, notando sua mão instável e ligeiramente trêmula. Ele não achava que Sam fosse apresenta-los imediatamente. Barnes achava que teria algum tempo para se preparar.

Por outro lado, se ele tivesse esse tempo, acabaria tendo tempo também para se preocupar.  E com isso, um pico de estresse, que poderia acarretar no desenvolvimento de novas manias. Ele deveria saber que Sam faria aquilo, porque era a única forma de Bucky fazer algo do tipo sem ser levado à loucura.

Ele ouve de S/N e a voz divertida de sempre de Sam a cumprimentando, pedindo que ela venha até o apartamento vizinho. Não há hesitação alguma da parte dela, então a próxima coisa que Bucky vê é, sua porta se fechando e Sam de volta com S/N logo atrás dele.

- Bucky, eu gostaria de te apresentar oficialmente sua vizinha S/N+S/SN, este é Bucky – Sam gesticula de um para o outro com um largo sorriso.

- Oi, Bucky. É bom te ver de novo – a garota dá um passo à frente estendendo a mão para que ele possa aperta-la.

Ele observa que ela não sua mais a tipoia e parece não ter mais nenhum outro ferimento. Nem manca ao caminhar.

- Oi. Hmmm... É bom te ver de novo – ele diz, ou melhor, sussurra e pega mão dela. Os olhos dele vão direto para Sam, que lhe dá um sorriso encorajador – Como você está? – Barnes diz dando uma olhada para o braço de S/N e para o tornozelo também.

- Oh, estou bem de verdade – ela diz com um sorriso – Nenhum dano permanentemente, pelo menos. E mais uma vez, muito obrigada pela ajuda. Como eu disse, eu não sou tão idiota daquele jeito.

Bucky não pôde deixar de sorrir com aquilo. Contudo, aquele era o momento de fazer a pergunta de um milhão de dólares.

- Eu acredito – ele fala, notando sua voz voltar ao volume habitual – Mas por que você estava empurrando um móvel tão pesado como aquele sozinha e com um braço imobilizado?

- Oh – ela enrubesce. Buck acha aquela uma das coisas mais adoráveis – Hmmm...Bem... Antes de me mudar para cá, há mais ou menos um ano, eu morava com o meu namorad... ex-namorado, e ele ficou prendendo a penteadeira. E só há pouco tempo ele concordou em me devolver, mas deixou na calçada – S/N suspirou irritada – E foi o jeito coloca-la para dentro sozinha. O Joey não estava na portaria no momento para me ajudar, então ficou por minha conta somente. Acho que me empolguei por ter conseguido entrar no elevador sem ajuda.

- Espere – diz Sam elevando um pouco as mãos – Seu namorado impediu que você tivesse de volta algo que era seu por um ano? E para completar deixou na calçada? Você teve que subir quatro andares. Ele sabia do seu braço?

S/N assente timidamente.

- Hmmm...Ele sabia. E também nosso termino não foi nada bonito.

- Mas isso não serve como desculpa – Bucky quase rosna ao dizer aquilo, surpreendendo-se ao se incluir na conversa, outra vez. Normalmente ele houve mais do que fala.

- Porra, tem razão, Bucky, não é – Sam exclama – Sem ofensas, S/N, mas seu ex é um idiota.

Ela bufa sem conseguir conter o riso.

- Por que você acha que eu terminei com ele?

Sam também ri e assente.

- Esse é um bom motivo.

Bucky e S/N compartilham um olhar, as bochechas dela esquentam quando ele sorri, ela cora mais uma vez.

Sam limpa a garganta fazendo um sinal para todos se sentarem. Logo ele começa a falar como a amizade entre os dois poderia ajudar Bucky a diminuir suas compulsões; uma forma leve e divertida de quebrar a rotina de ambos diariamente. S/N concorda, brincando com Bucky, dizendo que vai lhe pedir uma xícara de açúcar em algum momento do dia. Sam ri quando é a vez de Bucky corar.

 

A primeira vez que S/N bate a porta dele, Bucky precisa abrir e fechar a porta dez vezes antes de deixa-la entrar. A garota só sorri docemente para ele, quando sua presença é revelada através da porta e pergunta educadamente se pode entrar.

Bucky acha que é ótimo conversar com alguém, que não o trata como se ele a palavra “frágil” impressa na testa, ou que tentasse coloca-lo na linha como Sam fazia. Eles sempre falam sobre coisas do dia a dia, como o que S/N fazia, onde ela havia crescido qualquer coisa que não envolvesse as manias de Bucky, ou o medo dele sair na rua.

- Eu nasci naquela cidade que parece um cenário dos filmes de Hollywood, Beaufort*.

- Cidade minúscula – Bucky ri antes de tomar um pouco do seu café.

Ela ri – Acho que foi por isso mesmo que sai de lá o rápido possível, Eu vim para Nova York, aos dezenove anos, para fazer faculdade. Só que, acabei desistindo no primeiro ano, porque eu entendi que Sociologia não era bem minha coisa.

- Em primeiro lugar, por que começou? – Buck pergunta rindo.

Ela suspira divertida – Eu era muito jovem e pensei que seria minha única chance. Mas eu estava errada. Meus pais não ficaram muito felizes comigo desistindo do curso. Acho que eles pensaram que eu não teria escolha, que acabaria voltando para casa e eles teriam algum controle sobre a minha vida.

Bucky enruga a teste, mas S/N levanta as mãos em rendição.

- Ok, não foram meus pais realmente. Eu sei que eles me amam, eu os amo também. Só que acho, que pensaram que não me daria bem em nada e eles só queriam ter que aquilo não acabaria acontecendo.

- Mas você acabou ficando em Nova York, não foi? – Bucky pergunta, enquanto ela mexe na manga camiseta.

- Sim, eu acabei conseguindo um emprego de hostess* em um restaurante, uma coisa divertida, mas não era o meu emprego dos sonhos – ela ri do olhar que Bucky dá a ela –Eu sei, qualquer um acharia que era um grande desafio.

Sarcasmo, Bucky pensa, isso é divertido.

- De todo jeito – ela continua com um leve encolher de ombros- eu acabei voltando para universidade e me tornei farmacêutica, agora sou uma dos responsáveis pela farmácia a um quarteirão daqui. Meu turno é todas as manhãs.

- Parece que é algo que você gosta? – Bucky sorri, vendo os dedos dela envolvendo a caneca de café.

- Sim, trabalho lá cinco anos. E gosto muito.

Bucky de repente sente vontade de falar sobre si, mas antes que ele abra a boca, uma onda de ansiedade toma conta dele e ele precisa se levantar para ligar e desligar o botão do forno três vezes e tocar duas, só para se sentir um pouco mais calmo. Só um pouco.

- Eu... hã... – ele respira – Merda, eu... antes de ser convocado, eu morava com meu amigo, o Steve.

S/N assente para que ele continue.

- Ele, é um...um artista. Ele tentou se alistar, mas acabou sendo rejeitado por causa do problema cardíaco, que faz com que ele use um marca passo. Ele é um homem forte, uma casa de tijolos, mas infelizmente tem esse problema. – Bucky diz – E pensado bem, fico feliz por ter sido assim. Mas quando ele foi recusado, ele não sabia o que fazer. Ele teve alguns pequenos trabalhos, também desenhava no tempo livre. Os esboços são realmente muito bons. Depois ele foi de esboçar para fazer esculturas. Então, ele criou um site e uma conta no Instagram, agora ele tem renda muito boa e segura por causa do seu talento.

- Isso é muito legal – ela diz – Eu gostaria de ter um talento assim.

Bucky concorda – Eu também. Gosto do fato dele conseguir fazer o que ama e ganhar dinheiro com isso. Mas, infelizmente, pra mim significava um apartamento sempre bagunçado com todo tipo de material artístico. Algumas vezes me deixava irritado. Eu sempre fui meio louco com arrumação, mas isso...quando eu voltei...ficou mais intenso - ele para e respira fundo, tentando reprimir o desejo de ligar e desligar mais uma vez forno em que está encostado – No momento, eu estou encostado aqui, mas ansioso para lavar as canecas, mesmo que elas ainda estejam cheias.

S/N l dá a ele um olhar avaliativo por um segundo – Bem, nós estamos tomando café, não é? Você vai ter que esperar um pouco, amigo – e lhe dá uma breve piscadela divertida.

Bucky pisca, as sobrancelhas erguidas em espanto. Surpresa agradável.

- Eu e o café temos um relacionamento especial. Você não pode simplesmente acabar com isso – ela encolhe os ombros e toma outro gole.

Bucky continua olhando para ela com surpresa, o riso começando a borbulhar no peito.

 

 

 

*Hostess - é o funcionário de restaurante que entre suas funções a de verificar os nomes dos clientes na lista de reserva e guia-los até suas mesas.

*Beaufort - é uma cidadezinha com mais ou menos 12 mil habitantes na Carolina do Sul, ela realmente parece um cenário dos filmes de Hollywood.

 

 

 

 

 

 

 

*Hostess - é o funcionário de restaurante que entre suas funções a de verificar os nomes dos clientes na lista de reserva e guia-los até suas mesas.

*Beaufort - é uma cidadezinha com mais ou menos 12 mil habitantes na Carolina do Sul, ela realmente parece um cenário dos filmes de Hollywood.

 


Notas Finais


Uma das coisas que mais amo nessa história é a interação do Bucky e do Sam, da sensibilidade deste último com o amigo.

Até breve!


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