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História Likastía- planeta dos felinos - Capítulo 27


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Notas do Autor


Amatoxina existe realmente e é considerado um dos 15 venenos mais letais conhecidos pela humanidade. E sim, mercúrio é mega super power tóxico na vida real.

Capítulo 27 - Verdades malditas


Fanfic / Fanfiction Likastía- planeta dos felinos - Capítulo 27 - Verdades malditas

- A resposta é não. – Carya disse sem rodeios depois que Eltar repetiu a proposta que Leviatã havia feito por alto para Seth.

- Acho que você não entendeu. – Eltar disse.

- Ah, eu entendi muito bem. Vocês querem a minha ajuda pra destronar e matar seu pai tirano, sem que ninguém saiba que fui eu, pra que você assuma o posto dele. – Carya disse. – Se eu não topar o que vocês vão fazer? Contar pra ele que eu sou a nova guardiã do poder Tiger? Vão em frente. Contem. Não vou trair meus princípios por causa disso.

- Nosso pai, Carya. Você também tem o sangue desse tirano. – Eltar corrigiu com um sorriso sarcástico.

- Você realmente não entendeu, menina. – Leviatã disse. – Acha mesmo que existe a opção de rejeitar nossa proposta?

Carya olhou desafiadoramente, Rodan permaneceu com sua carranca habitual, mas Seth tinha um olhar assustado, desconfiado.

- Do que está falando? – Seth perguntou o mais calmo possível, sua voz em nada denunciando o medo e desconfiança em seus olhos.

- Ele está só tentando nos assustar, Seth. – Carya disse.

- Estou? Estranho porque achei que seu amante alí seria mais perspicaz com o veneno em seu corpo. – Leviatã disse, sorrindo com olhos de predador.

- Não existe veneno em meu sangue, apesar do espião do seu amiguinho ter tentado. – Rodan disse. – Vocês não são os únicos com antídoto para pó de amatoxina.

- Possivelmente, mas não era amatoxina naquele pó. Não sozinha, pelo menos. – O sorriso de Leviatã se tornou mais cruel. – É interessante o que se pode fazer com alguns venenos misturados e um pouco de magia de maldição.

Carya mal conseguiu disfarçar o pânico em seu rosto. – De que diabos você está falando, seu mago desgraçado, filho de um bode com uma demônia!?

- Comandante, você por acaso não percebeu que suas alucinações ainda estão acontecendo? – Leviatã perguntou.

- Rodan? – Seth chamou.

- Sim. Muito leves, apenas alguns vultos ou pequenas imagens intrínsecas na imagem real. – Rodan disse. – Pensei que era efeito do veneno ainda.

- Você já foi envenenado por amotoxina antes e sabe que não existem esses resquícios após a cura. – Leviatã disse. – É interessante como os plebeus adoram se iludir...

- SEU... SEU... – Carya mal conseguia falar em meio à raiva e ao medo, suas mãos estavam fechadas em punhos ao lado de seu corpo, aquele ar oscilante e quente começando a surgir ao seu redor.

- Não precisa ficar nervosa, irmãzinha. Nós não queremos machucar seu amante. Na verdade, eu nem tenho nada contra ele. – Eltar disse zombando. Era óbvio que ele e Rodan se odiavam, afinal já tinham se enfrentado em batalha antes! – Eu até vou pedir pro meu amigo aqui salvar ele. Quer ver só? Leviatã, meu querido amigo, por favor, salva esse leonino velhinho. Não seja assim tão mal.

Carya deu um passo à frente, com dentes e garras à mostra, pronta pra estraçalhar Eltar e arrancar aquele tom zombeteiro dele na unha. Rodan e Seth seguraram ela com dificuldade, cada um por um braço.

- Ah, Eltar, eu até queria, meu garoto... – Leviatã entrou na zombaria, ignorando a fúria de Carya como se não fosse nada. - ...mas, você sabe como é ne... produzir o antídoto pra essa mistura não é barato. Mas eu estou de bom humor hoje, acordei me sentindo generoso, então vou dar dois presentinhos pra esse trio de felinos tão adorável. Vou dar duas informações úteis.

- Desembuche, mago. – Rodan disse quase cuspindo a última palavra como se fosse um inseto nojento em sua boca.

- Primeiro de tudo, acho que será interessante ver nosso bom amigo Seth tentar descobrir um antídoto, então vou lhe dizer os dois venenos que formavam aquele pó, mas não o feitiço de maldição. Os venenos são amatoxina, óbvio, e mercúrio. – Leviatã disse visivelmente divertindo-se com aquele jogo. – Segundo, Rodan tem seis meses antes que o veneno comece a transformar seu cérebro em uma gosma nojenta e ele vire um retardado, incapaz de fazer até o mais simples movimento sozinho. Depois, claro, a morte.

- SEU MONSTRO DESGRAÇADO! EU VOU ARRANCAR O ANTÍDOTO DE VOCÊ! – Carya se soltou de Rodan e Seth, pulou em cima de Leviatã, com chamas brilhando em seus olhos. – NEM QUE EU TENHA QUE ARRANCAR SUA CARA EM MORDIDAS!

Leviatã criou um escudo protegendo ele e Eltar e fez um sinal para que os guardas não se mexessem. – Acha mesmo que eu traria ele comigo, criança?

- VOU MATAR VOCÊ, SEU PEDÓFILO DO INFERNO!

- Faça isso e seu namoradinho nunca mais terá uma chance de se salvar. – Leviatã disse com aquele sorriso que Carya estava odiando, e esperou ela se acalmar pra abaixar o escudo.

- Vamos, Carya. Não é um mau negócio. Você cumpre sua missão divina, não precisa subir ao trono que Likastía inteira sabe que você nunca quis, salva seu leonino esquisito e livra o mundo de um tirano. Vê? Todo mundo sai ganhando. – Eltar disse.

- Como vou ter certeza de que essa desgraça de antídoto funciona?

- Não vai, Carya. Ou acredita em nós e tenta salvar seu queridinho ai ou deixa ele morrer. Basta matar o rei com seu foguinho aí e, no mesmo instante, te entrego o antídoto pra liberar seu namoradinho da maldição. – Eltar respondeu.

- Carya, não aceite. – Rodan disse.

- Aceito. – Carya respondeu entredentes.

- Porra! Porque ela nunca me escuta? – Rodan murmurou.

- Porque ela é a Carya. – Seth respondeu baixinho.

- Mas, escutem bem seus merdas, se Rodan não for salvo, se vocês armarem pra gente, se derem qualquer vacilo e quebrarem a porra desse acordo, eu garanto que Tigrésius vai parecer uma mocinha santa e indefesa comparado comigo e o que vou fazer com vocês!

- Eu não duvido. – Leviatã disse. – Você se parece mais com seu pai do que pensa, menininha nervosa.

~o~

- O que aconteceu aqui? – Rodan perguntou assim que chegaram perto da cidade de Jubay. Tudo estava um alvoroço. Pessoas choravam, sussurravam consolando umas às outras, guardas estavam armados e alertas muito mais do que o habitual, comércios estavam fechados, janelas e portas das residências também, poucas pessoas transitavam nas ruas e as que o faziam estavam assustadas e tristes.

- Guarda! – Seth chamou. – Boa noite, senhorita cadete. Poderia me dizer o que está acontecendo.

A cadete, reconhecendo Rodan e Carya, endireitou a postura e falou como se respondesse à um general. – Senhor Mago, Comandante, Tenente. Houve dois ataques simultâneos. Um na base da montanha e outro acima, na praça. Tudo que sei é o que ataque na base foi uma distração.

- O que aconteceu com o ataque na praça? – Rodan perguntou.

- Foi caótico, senhor. Não sabemos muito ainda, apenas que levaram alguém cativo. Uma das felinas da família real.

Os três nem esperaram a cadete terminar, correram todo o caminho até o palácio de Lordok. Quanto mais perto do palácio chegavam, mais o lugar parecia fúnebre. Ao entrar no palácio, Rodan e Carya nem se lembraram da reverência, ou mesmo de cumprimentar alguém dentre os militares e magos ao redor da mesa onde haviam vários mapas.

- Quem? – Rodan perguntou se aproximando às pressas de Lordok.

- Rádara. – Lordok disse abatido. Seus olhos estavam vermelhos e fundos. Ele acrescentou, com a voz quase sumindo, para Seth: – Teira está muito mal, foi atingida no peito.

- Onde ela está? – Seth perguntou.

- No quarto. Eu... Eu senti a vida dela... Seth... Está muito fraca. – Lordok disse e, silenciosamente, todos os militares e magos saíram, deixando só os amigos ali pra consolar Lordok que mal estava conseguindo se controlar.

- Meus filhos! – Hunna finalmente conseguiu abraçar os filhos, Fagrir vindo logo atrás.

- Pensamos que eles tinham levado vocês. – Fagrir disse quase soluçando.

- Eu não sei se suportaria perder vocês também, crianças. – Lordok se aproximou, pegando os dois pelas mãos.

- Estamos bem, senhor. Eu vou ver a rainha agora. Não perca a fé. – Seth disse e literalmente correu para tentar fazer algo por Teira.

- Onde vocês estavam? – Hunna perguntou enxugando as lágrimas de alívio.

- É. Onde vocês estavam? – Devon, de pé na porta, perguntou com um olhar que dizia muito mais do que se ele tivesse gritado.

- É melhor todos se sentarem. – Carya disse, usando o tom profissional de um militar.

Lordok olhou pra expressão séria de Rodan, deu um suspiro cansado imaginando que catástrofe aconteceria ainda naquela noite, se sentou em sua cadeira habitual. Hunna e Fagrir, de mãos dadas, se sentaram ao lado do rei. Devon ficou de pé encostado em uma pilastra perto da porta a trancando. Rodan olhou pra ela e acenou com a cabeça em agradecimento, olhou pra Carya e sinalizou pra que ela começasse, ambos de pé ao lado um do outro, em frente ao trio de amigos.

- Vocês conhecessem, mas é bom lembrar. – Carya começou. – Todos conhecem a lei que rege as chamas de Éris, o poder máximo de Likastía, dado ao rei Tiger através de um amuleto, o anel real. – Hunna acenou com a cabeça afirmativamente, Lordok e Fagrir só franziram o cenho tentando entender onde essa conversa ia dar. - Em casos raros, como punição divina de Kallisti a um rei que usou o poder indignamente, outro felino pode ser escolhido pela deusa e desenvolver esse poder sem o uso do anel do rei, e, assim se tornar o novo guardião das chamas. Nesse caso o indivíduo em questão fica em pé de igualdade para lutar contra o rei indigno e tem a obrigação de lutar contra ele, vencer e assumir o trono para governar e concertar as merdas que o rei anterior fez.

- Seria tão bom se a deusa Kallisti nomeasse alguém... Mas, até onde sei, não há registros confiáveis de que isso já aconteceu alguma vez na história. Isso é só um mito. – Hunna disse tristemente.

Carya fechou os olhos, pensou no ódio que sentira horas antes quando Leviatã sorriu e soltou aquela verdadeira bomba sobre a maldição em Rodan. Ela sentiu o calor em seu estômago aumentar e usou a técnica que aprendera com seu irmão para direcionar o fogo à um único ponto de seu corpo. Seus olhos por trás das pálpebras se aqueceram e quando ela abriu os olhos, aquela visão avermelhada que lhe permitia enxergar o calor nos corpos à sua frente era o indicativo de que seus olhos agora eram duas chamas furiosas.

Hunna, Lordok e Fagrir se levantaram como um só de seus assentos. Olhos e bocas arregalados, incapazes de pronunciar uma única palavra. Carya respirou fundo, focou em suas memórias mais tranquilas com seu irmão, sua amiga, Rodan, seus pais e com seus padrinhos Lordok e Teira. As chamas lentamente retrocederam em seus olhos e sumiram.

- Poderosa Kallisti, menina! Você é a guardiã das chamas de Éris! – Lordok exclamou, uma gota de esperança surgindo.

- Minha...minha... Nossa... Amor, nossa bebezinha! – Hunna não sabia se sentia orgulho, medo, preocupação... Ela não queria nem mesmo que Carya fosse militar porque era perigoso. Agora então...? – Deuses... Você terá que lutar contra aquele monstro.

- Carya, querida, quando isso aconteceu? Você não é muito auto-controlada para ter tanto controle assim sobre tamanho poder em pouco tempo. – Fagrir disse.

- Já faz um tempinho, pai.

- Desde o ferimento em Lhágua. Durante aqueles sonhos. – Rodan complementou.

- Querida, eu amo você como se fosse minha filha, mas, infelizmente, não posso pedir que você se esconda ou não lute contra o rei Tiger. – Lordok olhou como se pedisse desculpas à Hunna. – Você é a guardiã escolhida por Kallisti e não podemos ir contra nossa maior divindade, não teríamos chance de qualquer forma. Além do mais...

- Eu não poderia ficar quieta vendo as atrocidades que aquele ser imundo comete sem lutar contra ele. Eu me tornei militar, sabendo que poderia fazer algo contra ele mesmo sem ter magia nenhuma. Agora que tenho esse poder, não posso, não quero e não vou fugir de uma boa briga. – Carya disse.

- Mas... – Hunna já começava a chorar com medo de perder a filha.

- Querida, Kallisti não escolheria alguém que não tivesse chances de vencer a luta pelo trono Tiger ou sem honra. – Fagrir tentou consolar a esposa.

- Mas isso não é tudo. – Carya disse, a voz falhando de emoção.

- Tem mais? – Lordok olhou surpreso.

- Estou amaldiçoado. E é uma maldição mortal. – Rodan disse sem rodeios.

Devon, silencioso até então, se afastou da pilastra e deu alguns passos à frente, assustado, o chão parecendo ter sumido sob seus pés. Lordok colocou a mão nas costas da cadeira pra se apoiar, o mundo girando ao seu redor. – Primeiro Rádara é levada por um bando de espiões mercenários, depois Teira é gravemente ferida tentando proteger nossa filha e agora meu melhor amigo....

Hunna se aproximou de Lordok colocando uma mão em seu ombro enquanto Fagrir se aproximou de Devon e apoiou o rapaz com um braço ao redor de seu ombro. Rodan contou detalhadamente tudo que acontecera no encontro com Eltar e Leviatã. Quando o relato terminou, Lordok e Devon pareciam prontos pra matar qualquer um, mas não adiantaria. Era hora de pensar antes de agir.

~o~

As buscas por Rádara só confirmaram o que todos já imaginavam. Os espiões haviam sido contratados por Tigrésius e a jovem princesa leonina estava presa em suas masmorras. Seth havia conseguido estabilizar Teira, mas ela precisaria de muito tempo para se recuperar e, principalmente, de tranquilidade. Mas que mãe ficaria tranquila sabendo que sua filha estava nas mãos do ser mais cruel que conhecera? Sabendo disso, Lordok e Seth concordaram que o melhor era manter ela em um tipo de sono profundo, dentro de um objeto mágico parecido com uma pedra preciosa lapidada, até que fosse seguro despertá-la de seu sono mágico. Mas quando seria isso? Ninguém sabia.

A capital leonina, Jubay... Não. Todo o reino leonino parecia estar em luto. O desânimo na população em geral pela tragédia com sua rainha e o futuro incerto de sua princesa era tão denso que até mesmo as crianças não brincavam mais nas ruas, as tavernas cheias de clientes estavam estranhamente silenciosas, os comércios tinham o mesmo clima, o palácio então...

No reino Tiger a história era outra. Assim que Rádara foi trazida à presença do rei, um palco foi montado na praça principal e Tigrésius fez seu show se gabando da captura como se ele próprio tivesse ido até as Montanhas Amarelas, ferido mortalmente Teira pejorativamente chamada de ‘rainha-escrava’ e capturado a herdeira lençar de Lordok. Com Eltar e Leviatã de cada lado, alguns passos atrás, ele apresentou a jovem felina lençar com roupas mais esfarrapadas do que a dos escravos, um saco de tecido sujo na cabeça, pulsos e tornozelos presos com correntes mágicas e um colar de ferro no pescoço que se apertavam quando ela tentava se soltar ou lutar contra seus captores, cheia de cortes e hematomas. Quando Tigrésius ergueu o saco de tecido, exibindo o rosto da menina, o povo jogou pedras, tomates, ovos, até pedaços de madeira na direção dela. Tigrésius deu alguns passos para o lado pra não ser atingido, segurando uma corrente presa ao colar de ferro, gargalhou com a cena. Nobres no palanque, como já era habitual, riram junto com seu rei. Rádara conseguiu desviar de alguns objetos lançados contra ela, recebendo uma onda de vaias e xingamentos que ela nunca ouvira antes em sua vida.

Depois do que pareceu uma eternidade, ela foi levada com puxões em sua corrente, mas mantendo sua cabeça erguida, apesa de sua situação deplorável. Ela precisou de toda sua coragem pra não chorar, gritar, espernear em pânico só de pensar em tudo que sua mãe sempre contara ter vivido com aquele Tiger travestido de rei. Ela tinha certeza que passaria pelo mesmo nas mãos dele, mas ficou confusa quando ele a jogou (literalmente) na cela fedendo à esgoto, escura e fria de uma masmorra protegida por grades de ferro, com ordens expressas do próprio Tigrésius pra que ninguém tocasse, nem mesmo olhasse ou dissesse uma palavra ofensiva à ela ou ele mesmo queimaria vivo o idiota que fizesse isso. Sem lhe direcionar nem mesmo um olhar, ele saiu. Nesse momento Rádara teve certeza de que aquele Tiger tinha algo muito maior em mente. Ela se encolheu em um canto onde havia uma pequena janela quadricular alta e gradeada, pensou no ferimento que vira sua mãe sofrer enquanto ela perdia a consciência, em seu pai sofrendo por ambas, no quanto seu amigo Seth sempre tão sensível sofreria e... Carya. Sua amada Carya... Mesmo sendo ignorada ou, pior, sendo tratada por ela com excessiva formalidade, Rádara tinha certeza que Carya a amava e sofreria por ela.

- Se não fosse o imbecil do Rodan... – Ela murmurou, quase sem voz.

- Você estaria com ela até agora. Talvez nem tivesse sido capturada. – A voz de Eltar a despertou de seus devaneios.

- O que você quer? Me apedrejar também? Vai ter que entrar na fila! – Rádara gritou.

- Você tem uma ideia muito errada sobre mim, alteza. – Eltar disse e, para surpresa de Rádara, não havia ironia em sua voz, apenas um toque de tristeza levemente disfarçada. – Mas teremos tempo para conversar sobre isso mais tarde. O rei me enviou para lhe entregar isto.

Rádara viu o pacote nas mãos dele e se aproximou desconfiada.

- Vou levá-la onde possa se arrumar decentemente. – Eltar disse.

- Me arrumar? Você está de brincadeira com a minha cara?

- Garanto que não. São roupas dignas de uma princesa para que você não ande maltrapilha pelo palácio. Meu pai não acha correto tratar uma nobre assim.

- Isso só pode ser piada. – Rádara disse.

Eltar abriu a cela e pegou a corrente no pescoço de Rádara puxando sem grosseria, mas com firmeza. – Não tente nada, alteza. Não quero ter que machucá-la, mas vou se for preciso.

Rádara seguiu Eltar, alerta para qualquer coisa que pudesse pegar e esmagar o crânio dele. Mas Eltar era esperto e conhecia o palácio como a palma da mão, incluindo as masmorras onde ele mesmo fora jogado tantas vezes na infância. Ele seguiu o caminho tendo sempre cuidado para não deixar ela se aproximar das paredes e não ter como agarrar alguma tocha ou enfeite e usar contra ele. Ambos pararam em frente à uma porta ricamente decorada. Sem bater, ele apenas entrou e a puxou para dentro. Havia uma sala de estar elegante com poltronas, mesa de centro, mesa com um jogo de xadrez armado, dois sofás, uma estante com livros e pergaminhos, uma porta lateral que dava para uma varanda de uns 20 metros de altura, um jardim com flores silvestres e macieiras abaixo. Do outro lado do cômodo haviam duas portas abertas. Uma dava para um quarto com uma enorme cama forrada com uma colcha com o emblema Tiger em cima, poltronas, criados-mudos de cada lado da cama, uma janela coberta por grossas cortinas cor de vinho, um baú enorme aos pés da cama e um tapete que parecia afundar sob seus pés. Na outra porta havia um banheiro com uma serva parada discretamente ao lado de uma grande banheira cor de cobre, cheia de água quente esfumaçando e pétalas de flores amarelas exalando um perfume delicioso.

Confusa, Rádara quase deu um salto quando Eltar pegou suas mãos e soltou as correntes, se abaixou e soltou as dos tornozelos. – Calma, princesa. Não vou machucá-la. Temos mais em comum do que pensa.

- Eu duvido. – Rádara murmurou.

- Bem, você ficará apenas com essa coleira de ferro aí, mas sem a corrente. Se tentar alguma gracinha essa coisa vai se apertar até que meu pai ou Leviatã usem o encanto pra fazer ela parar ou até arrancar sua cabeça do pescoço. Por favor, não tente nada. Não quero que se machuque. – Eltar disse com uma expressão muito preocupada.

- Aham... Sei... Me polpe, Eltar. Porque você se preocuparia comigo? Sempre tentou me capturar!

- Apenas porque devo obediência ao meu rei e pai. Não quero ver você ferida porque sei o quanto minha irmã te ama. – Eltar disse baixo, tão triste que daria até vontade de abraçar e consolar ele. – Esta é Nyela, escrava pessoal do meu pai que ele colocou à sua disposição. Ela vai cuidar de você.

Nyela fez uma reverência profunda como fazia para o príncipe Eltar e, de cara, Rádara soube que gostaria da jovem onça branca, a mesma espécie felina de sua mãe. Eltar deixou as duas sozinhas e Nyela se aproximou silenciosamente para ajudar Rádara a tirar as roupas. A princesa percebeu que a jovem estava trêmula e se perguntou que atrocidades Tigrésius havia feito com a jovem e quais ela própria sofreria. Distraidamente, seus olhos vagaram pelo quarto e pousaram no quadro acimada porta com o lema Tiger estampado sobre o desenho de um escudo com duas espadas atravessadas:

- Um tigre nunca recua, um tigre nunca se rende, um tigre sempre se defende com garras e dentes... – Ela disse em voz alta. – Dependendo do caráter do tigre, esse lema pode ser uma maldição.

- Especialmente se ele se tornar rei. – Nyela deixou escapar e ficou pálida.

- Hahahahaha. É uma grande verdade. – Rádara riu e Nyela relaxou.

As duas começaram a conversar e logo se sentiram à vontade uma com a outra.


Notas Finais


Olha, eu não sei não heim, mas to sentindo que isso não vai prestar.


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