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História Like A Dream - Capítulo 6


Escrita por: Zorome

Notas do Autor


Dessa vez fui um pouco mais rápida kkkk Olá!! Mais um capítulo! Espero que gostem <3

Capítulo 6 - Promete Que Não Vai Surtar?


Fanfic / Fanfiction Like A Dream - Capítulo 6 - Promete Que Não Vai Surtar?

13/03/20, Sexta-feira

O dia começou bem como todos os outros. Ino foi para a faculdade e se encontrou com os amigos nos tempos livres. Fez questão de lembrar Hinata de contar como havia sido a noite anterior, porém a amiga não tinha tempo para falar direito, apenas resumiu contando que o show havia sido muito divertido e que Naruto não a deixou sozinha em momento algum. Também falou sobre o atendente da sorveteria, falou como havia sido estranho ele pedindo seu número, mas que havia sido compreensivo quando negou. No fim, Hinata saiu com pressa da roda de amigos esquecendo de dizer o nome do ruivo. Se Ino tinha visto no crachá do mesmo, já havia se esquecido. 

Infelizmente, mais tarde, acabou encontrando Sai, porém, a conversa do dia anterior pareceu ter surtido efeito. Ele seguiu seu caminho passando por ela junto a seus amigos. Por mais que o clima ruim fosse notado por qualquer um, isso não incomodava a loira. Só não queria falar com ele, de resto, não se importava. 

Nas aulas tudo correu perfeitamente bem, pôde prestar atenção e esquecer os problemas. Quando chegou ao fim da última aula, Ino se levantou recolhendo suas coisas enquanto conversava com uma colega que tinha proximidade. As duas caminharam sem pressa até a saída da sala e Ino se surpreendeu ao ver Shikamaru ali encostado esperando por ela.

- O que veio fazer aqui? - Perguntou quando ficou de frente com o mesmo. - Não deveria estar reclamando de alguma coisa debaixo de alguma árvore do campus? - Riu baixo. O moreno mostrou os dentes, rindo sem nenhuma vontade.

- Ino, eu vou indo, ok? - A colega, também loira, chamou sua atenção. - Tenho que encontrar minha amiga, mais tarde você me envia as fotos que pedi?

- Ah! Claro! Pode deixar. - Sorriu - Até segunda. 

- Até. - Sorriu de volta e também se despediu de Shikamaru com um aceno leve de cabeça. 

Os amigos observaram a menina ir. Ino virou o rosto prestando atenção em seu amigo ainda olhando sua colega.

- Aposto que seriam um casal muito fofo. - Sorriu sapeca.

- Ah, não. Com certeza não. Ela me lembra muito você, isso é no mínimo aterrorizante. - Ino o olhou com tédio no rosto. Passou por ele com o nariz em pé.

- Não deixarei você me estressar, seu insuportável.

Shikamaru riu baixo e seguiu a amiga a alcançando e passando a andar ao seu lado. Os dois caminharam sem pressa até a praça de alimentação. decidiram comer alguma coisa antes de irem embora.

- Você vai ir na sua mãe?

- Provavelmente, mas devo ir mais tarde. - No mesmo instante a loira se lembrou do compromisso que havia marcado mais tarde com o ruivo da sorveteria. - Já está nervoso pra ver minha mãe? - Resolveu provocar o amigo para esquecer por hora sobre mais tarde. -  Eu já falei que ela é casada, né? E você meio que conhece meu pai. - Brincou parando na frente da pequena loja que havia ali. Pediu educadamente um suco de laranja e um bolinho pequeno de chocolate.

- Você fica brincando com essas coisas... No dia que seu pai ouvir isso e me fazer parar no hospital quero ver você levando a culpa. - Riu baixo e pediu um café para si.

- Você que pede por isso, só quer saber da minha mãe. Nunca vi isso.

- Ela é bem mais agradável que você. Não vejo motivo pra ser diferente. - Ino se virou pra ele dando língua para o mesmo.

Assim que compraram o seus lanches, os dois se direcionaram para uma mesa ali perto, era pequena. A praça de alimentação era em um local aberto, havia pequenos negócios por ali, alguns providenciados pela própria universidade, mas também havia alunos que vendiam coisas simples por ali. O sol brilhava forte e tudo que se ouvia era as vozes dos estudantes conversando por ali.

- Ontem conversei com o Sai. - Comentou abrindo seu bolinho. - Resolvemos tudo que tínhamos para resolver. Vamos seguir nossas vidas sem interferir um na vida do outro.

- Eu não esperava menos que isso. - Tomou um pouco de seu café. - Se você voltasse com ele, te chamaria de trouxa pelo resto da sua vida.

- Acredita que ele me traiu outras vezes antes? - Dizer aquilo em voz alta foi um pouco difícil para a mesma. - Acho que mesmo assim você pode me chamar de trouxa pelo resto da vida.

Shikamaru suspirou olhando a amiga. Estava decepcionado com Sai, era seu amigo e não havia deixado de ser. Mas a decepção realmente o entristecia, se soubesse que esse relacionamento fosse terminar assim, teria dito a Ino que não confiava muito em Sai no início, mas na época não conseguiu. Ela estava muito feliz, não queria acabar com a felicidade da amiga se opondo ao namoro. Ino provou do seu bolinho sem pressa. 

- Não quer ir pra minha casa? - Perguntou a mesma o pegando de surpresa. - Podemos assistir alguma coisa. Você não queria me mostrar uma série nova de ação?

- Acho que podemos sim. - Deixou o copo em cima da mesa e apoiou os cotovelos ali. - Hoje não estou tão ocupado, o que tenho pra fazer posso fazer a noite.

-Show, então! Quer chamar mais alguém? Meu pai vai estar trabalhando e mamis também. Não tem problema chamar mais gente. Contanto, claro, que a gente limpe a bagunça. - Riu fraco.

- Isso me lembra o ensino médio. - O moreno sorriu levemente de canto enquanto se lembrava do passado. Ele e os amigos sempre iam para a casa da loira, já que seus pais eram os mais flexíveis. - Vou chamar Chouji. Ele estava esses dias me pedindo para passar um tempo atoa.

- Beleza. Eu duvido que as meninas aceitem, mas talvez Tenten se junte a nós.

- Faz tempo que a vi. 

Ino sorriu de leve. Tenten era quase um bixo do mato, do nada sumia uns dias e aparecia em seguida com as roupas sujas e machucada. Sentia falta da amiga as vezes, ela não estudava na universidade, então se viam pouco, por conta dos horários de ambas. Ela conhecia Tenten desde pequena, porém só haviam ficado próximas na adolescência. Tenten, Shikamaru, Sakura e Chouji eram os únicos amigos que conhecia desde nova, o restante ela conheceu na universidade. Bom, claro, isso sobre amigos verdadeiramente próximos.

-Vou mandar uma mensagem pra ela, você fala com Chouji. - Falou ao seu amigo já pegando o celular. - Vou falar com as outras também, mas só pra não falarem que não chamo, porque sei que vão negar. - Enquanto falava, já digitava as mensagens para as amigas. 

Shikamaru apenas deu um gole em seu café. Pegou seu celular e passou a digitar para o amigo,

- Temos que comprar comida. - Comentou clicando na conversa com Chouji.

- Você acha que não sei disso. Com Chouji e Tenten no mesmo lugar… - Riu de nervoso enquanto digitava.

Por mais que Tenten fosse magrinha, a morena por vezes, comia a mesma quantidade assustadora de Chouji, mas sua rotina de atleta não a permitia engordar.

Os dois falaram com seus amigos. Como esperado por ambos, Chouji aceitou ir, Sakura e Hinata negaram pois estariam ocupadas com estudos. Tenten aceitou ir, mas avisou que chegaria um pouco atrasada na casa da loira. 

Sendo assim, Ino e Shikamaru terminaram de comer e beber o que haviam comprado enquanto conversavam sobre a série que ele gostaria de mostrar. Pouco tempo depois já estavam no carro do moreno, ele dirigia tranquilamente na direção da casa da loira enquanto ela escolhia as músicas que tocavam no som do veículo

 

14:26

 

- Temari, quantas vezes vai ser necessário que eu diga as mesmas coisas? - O ruivo perguntou enquanto limpava a mesa redonda.

Estava no seu horário de trabalho, seu chefe havia saído para ir ao banco e o movimento estaria aumentando em pouco tempo. Seu turno era apenas até as 17:30, depois disso, outro funcionário assumiria seu lugar. Enquanto trabalhava, Temari apareceu para ver o mesmo. Dizia ela que estava indo para um outro lugar, mas como passou perto do estabelecimento, resolveu parar ali e vê-lo.

- Prometo que você vai gostar, ela é muito seu tipo. É só um jantar! - Pediu insistente ao lado do amigo o observando limpar a mesa. Gaara endireitou a coluna se virando na direção da mesma. 

- Não é não. - Disse firme. 

O ruivo até achava engraçada a forma que ela queria bancar o cupido, mas ainda assim, não daria o braço a torcer. Não queria saber de romance no momento e não estava afim de conhecer gente nova. Parecia até um disco arranhado.

- Você é duro na queda, em. - Temari cruzou os braços emburrada. O ruivo apenas balançou a cabeça com o comportamento da mais velha. 

- Pra onde estava indo? - Perguntou voltando ao balcão sendo acompanhado pela amiga.

O ruivo calmamente limpou mais uma vez o balcão pedindo licença à loira. Temari olhou para trás quando ouviu o sino da porta soar avisando a entrada de alguém.

- Estava indo a um brechó que tem aqui perto, vi umas fotos de umas peças novas no instagram deles. São maravilhosas! Decidi ir comprar uma blusinha né, me presentear.

Gaara rolou os olhos e avisou que voltaria em breve. Pegou seu bloco e caneta e saiu de trás do balcão indo até a mesa em que dois clientes haviam sentado. Sem pressa os atendeu. Tempo depois voltou ao balcão preparando os pedidos. Nesse meio tempo, Temari ficou em silêncio esperando ele terminar o atendimento, sabia que o ruivo não gostava de ser atrapalhado. Assim que ele terminou e serviu os clientes, voltou até a amiga.

- Meu chefe volta daqui a pouco, tenho certeza que ele vai reclamar se me ver batendo papo com você.

- Essa é sua maneira educada de me mandar embora? Nem conversamos direito! Como foi o show ontem? - Perguntou se acomodando mais no balcão. O ruivo desistiu e apenas a deixou fazer o que quisesse.

- Foi muito bom, por mais que eu tenha cometido as mesmas falhas de todas as outras apresentações.

- Você é muito perfeccionista, aposto que se eu perguntar aos outros eles dirão que foi incrível. - Pareceu pensar por um instante. - Tá, menos o Deidara, mas é porque ele é chato quanto a isso, que nem você.

- Somos realistas, não chatos. - A corrigiu.

- Se você diz, quem sou eu pra discordar. 

Ela riu baixo olhando o ruivo e em seguida sentiu seu celular vibrar no bolso de trás da calça. Temari pegou o aparelho e ao ver o nome na tela seu rosto tomou uma expressão do tédio. Mostrou a Gaara.

Era Kankuro. 

- Ontem esse maluco nem voltar pra casa voltou. - Disse a Gaara que sorriu levemente de canto. Ela logo atendeu ao irmão. - Que é peste?

A voz do outro lado parecia ofegante, provavelmente ele estava no trabalho.

- Passei em casa e não te vi, queria saber se tava viva.

- Eu tô, né. Se dependesse de você pra me salvar de um assassino no meio da noite… Uma decepção de irmão. - Respondeu apenas para provocar.

- Não tente me fazer ficar com peso na consciência. Deixei comida em casa pra você, fui lá meio dia só comer e tomar banho. Mais tarde eu vou chegar varado de fome.

- Problema seu, eu vou sair.

- Se eu chegar e você não tiver deixado nada pra mim eu nunca mais vou matar uma barata pra você.

- Não preciso de você, sou uma mulher independente, tenho medo de poucas coisas.

- Temari… - Seu tom soou como uma ameaça. A loira engoliu seu ego.

Por que baratas tinha que ser seu ponto fraco?

- Tá! Insuportável. - Ouviu a risada do seu irmão do outro lado. - Vou desligar, bom trabalho. 

- Okay, tchau, até mais tarde.

- Até. - Desligou e suspirou. Ao menos ele não havia perdido a hora para o trabalho.

Gaara observou de longe os clientes, atento caso o chamassem. Voltou a atenção para Temari.

- Ele está bem?

- Não perguntei, mas pareceu estar normal. - Suspirou - Às vezes ele dá muito trabalho.

- Por isso eu acho que você é a dupla perfeita para ele, você o mantém na linha e se não fosse por ele, você seria uma rebelde marrenta. Ele te obriga a ser responsável. - Disse com um sorriso discreto nos lábios. Temari bufou deixando seus ombros caírem.

- Ele tira minha vontade de viver. - Gaara riu fraco, sabia que era exagero dela. Ela amava o irmão. - Bom, melhor eu ir antes que seu chefe chegue e você me culpe pela bronca. - Desceu do banco ficando de pé e se esticou bagunçando rapidamente os fios ruivos do cabelo do rapaz que reclamou. - Até outra hora, vou ver um dia e hora pra você ir lá em casa. De preferência, quando Kankuro estiver lá.

Gaara afirmou com a cabeça e se despediu da amiga que não demorou em se retirar da sorveteria, estava ansiosa para ir até o brechó. Gaara se permitiu prestar atenção apenas em seu trabalho dali em diante.

 

As horas se passaram tranquilas, Gaara trabalhou bastante como em qualquer outra sexta-feira. As pessoas costumavam ir muito no fim de semana e às terças. Isso ele nunca entendeu. 

Já Ino, recebeu seus amigos em casa. Assim como planejado, estava ela, Shikamaru, Chouji e Tenten. Eles compraram e prepararam algumas coisas para comer enquanto viam TV. O fato de Ino e Tenten não terem se encontrado a um tempo, causou conversas durante a série, o que fazia Chouji e Shikamaru reclamarem a todo momento com as duas.

E assim a tarde se passou, até chegar o momento em que Ino deveria ir para a floricultura, havia avisado a mãe que iria assumir das 17:00 em diante. 

As sextas a floricultura ficava aberta até mais tarde, aproveitavam para arrumar as coisas, fechar o caixa com mais precisão e organizar melhor as plantas para o dia seguinte. Shikamaru se ofereceu para dar carona a todos, levar Ino até o trabalho da mãe e os amigos até suas casas. E assim eles fizeram.  

 Quando Shikamaru estacionou, Ino não perdeu a oportunidade.

- Está se mordendo de vontade de falar com a minha mãe, né?

- Vai logo. - Ele riu. O moreno se perguntou se Ino não se dava conta de como era bizarra umas brincadeiras dela. 

- Não esqueça de marcar o passeio com as meninas, loira oxigenada!!! - Tenten quase gritou enquanto Ino saía da parte traseira do carro.

- Não vou esquecer!! - Ino devolveu no mesmo tom e riu baixo. olhou Chouji no banco do passageiro ao lado de Shikamaru. - Você tá me devendo uma pizza, viu? Eu não vou esquecer! - Avisou olhando o amigo que fez um bico, odiava perder uma aposta.

- Não precisa me lembrar, eu cumpro o que prometo. - Ino sorriu o olhando e se aproximou segurando o rosto dele e dando um beijo forte na bochecha gordinha do mesmo. Se afastou e riu do rosto corado dele.

- Te amo. - Se afastou indo na direção da floricultura. 

Shikamaru retirou o carro dali e seguiu seu caminho.

Ao entrar na floricultura sua mãe atendia uma cliente, então para não atrapalhar apenas as cumprimentou. Seguiu até os fundos da floricultura indo colocar seu avental. Ela usava uma roupa simples, nunca ousava muito quando ia para a floricultura.

Ino vestia um moletom cinza na parte de cima que ficava um pouco abaixo do início de sua coxa. Era quente e confortável, achou melhor usá-lo pois estava começando a ficar frio. Na parte de baixo, usava uma calça legging preta e nos pés um tênis branco. 

Sem pressa deixou sua bolsa numa cadeira que havia na pequena cozinha. 

O fundo do local não era nada demais, havia apenas um banheiro pequeno, uma cozinha simples com uma mesa e duas cadeiras. Também havia um estoque, mas Ino quase não entrava ali, apenas sua mãe.

Depois de pegar seu avental e colocá-lo, Ino amarrou o cabelo em um rabo de cavalo alto. Saiu do banheiro depois de se olhar no espelho e voltou até onde sua mãe estava, viu a cliente ir embora com o que havia comprado.

- Fiquei surpresa quando disse que ficaria aqui nesse horário. - Sua mãe comentou chamando a atenção da loira. Ino desviou o olhar pensando em uma desculpa. Não diria que havia vindo para conseguir ver um estranho. - Mas vou me aproveitar da sua boa vontade. Preciso muito ir ao mercado. - Ino soltou o ar que estava prendendo, aliviada por não precisar dar justificativa.

- Não se preocupe, vou cuidar da loja direitinho. Pode ir na paz. - Disse confiante. Sua mãe tirou o avental enquanto saía de trás do balcão. - Mas o que vai fazer no mercado?

- Tenho que comprar algumas coisas para amanhã, vou passar o dia aqui e lembrei que não fiz as compras na segunda, devia ter feito. - A voz ficou longe indicando que ela estava nos fundos. 

- Podia ter me dito, eu iria pra você. - Ino calma organizava os materiais no balcão. 

- Lamento, Filha… - Ouviu a voz voltando e logo enxergou sua mãe. - Mas não confio em você pra fazer compra. 

Ino a olhou ofendida. Como assim? Seu pai a chamava de má cozinheira e agora sua mãe afirmava que não confiava uma simples compra a ela? A mais velha riu com a cara de indignação da filha. 

- Um dia eu deixarei você fazer isso. Por agora, fique aqui e faça o que sabe fazer. Vender minhas flores. - Se aproximou e beijou a testa da filha. Já estava pronta pra ir. - Vou indo, tome cuidado. - Ino afirmou com a cabeça devagar com um fraco bico. Observou a mãe ir até a porta e sair a deixando só.

O tempo passou tranquilo. Ino atendeu algumas pessoas que apareceram, cuidou de algumas flores as organizando e varreu o chão da floricultura. Tentava se manter ativa, para não ficar criando teorias em sua cabeça.

Olhou a hora em seu pulso. Ele havia marcado 18:00, já eram 18:20, estava ansiosa e ele ainda se atrasava, apenas para fazer a mesma ficar ainda mais agoniada do que estava. 

Se aproximou do balcão ficando de costas para a entrada da floricultura. Deitou os braços ali e deixou sua testa apoiada nas mãos. 

Não aguentava mais esperar. 20 minutos era tanto tempo assim? Não se lembrava disso.

Ino ficou alerta quando ouviu a porta abrir. Levantou seu rosto pedindo mentalmente pra que fosse o ruivo. Ao se virar, teve certeza. Ele havia chegado. E aquele momento foi quase um flashback para a loira, porém, sem a chuva e sem o terno.

Ele usava uma calça jeans azul escura e uma blusa simples preta. O cabelo ruivo estava bagunçado, o que deixava um ar rebelde emanar do mesmo. Ele carregava um casaco verde escuro na mão e usava um sapato preto simples.

O ruivo fechou a porta de vidro após entrar no local. Estar naquele lugar novamente era um pouco estranho. Olhou em volta notando que o local tinha uma atmosfera diferente durante a noite. Seu olhar passeou pelas flores até chegar na loira que o olhava paralisada. Franziu as sobrancelhas com a expressão de surpresa da mesma. Coçou a garganta pelo silêncio que tomou conta da floricultura. Resolveu dizer algo.

- Entã… - Ino não o permitiu continuar.

- Uaal... - Ela subiu as mãos na altura do próprio rosto usando seus dedos para criar um quadro para a imagem à sua frente. - É exatamente como naquele dia. Só faltou estar encharcado e o terno de funeral. 

- Funeral? - Ele piscou os olhos algumas vezes com a comparação. Ino baixou os braços colocando um leve sorriso nos lábios.

A loira com calma se aproximou da mesa delicada que havia ali. Se lembrava de como havia o abordado na sorveteria, mais cedo resolveu que pediria desculpas por ter se alterado. Mas antes, queria saber qual era a dele.

- Venha, sente-se aqui. - Indicou uma cadeira com calma. Se sentou na outra que ficava de frente para a que ofereceu ao mesmo.

O ruivo observava o comportamento da mesma. Ela agia como se tudo estivesse sob seu controle, mas o nervosismo dela também era notável. Provavelmente porque ele era um desconhecido. Ele calmamente se aproximou sentando na cadeira que ela havia indicado.

Ino cruzou suas pernas deixando seu antebraço descansar em sua coxa. O observou sem pressa de iniciar o assunto.

- Qual o seu nome mesmo? - Perguntou antes de qualquer coisa. - Não chegou a dizer.

- Gaara. - O ruivo respondeu acomodando-se melhor na cadeira. - Foi mal pelo atraso, tive um problema no trabalho. 

- Você está aqui, é o que importa. Gostaria de um chá? Posso preparar. - Ino ofereceu por educação. Ele negou com a cabeça.

- Gostaria de ir direto ao assunto. - Disse um pouco ansioso, o que fez Ino rir baixo.

- Na sorveteria não parecia nada interessado em ouvir.

- E você parecia mais desesperada para falar. - Devolveu. 

A loira desmanchou seu sorriso e estalou levemente a língua. 

“Respondão.” Pensou.

Desviou o olhar pensando em que palavras usaria para começar a falar.

 - Ok, já que faz tanta questão de pular a parte das apresentações, eu não ligo. - Deu de ombros. Gaara se ajeitou na cadeira se preparando para ouvir a mesma. - Bom, foi na semana passada, na terça. - Ela olhou para o lado buscando suas memórias. - Eu estava aqui sozinha, tinha decidido estudar porque quase não apareciam clientes. - Gaara afirmou com a cabeça apenas para mostrar que acompanhava a mesma. - Notei que estava chovendo muito apenas quando ouvi você... - Se interrompeu, não sabia se podia se referir a ele, afinal ele jurava que não era ele. - Ouvi você entrar. - Continuou percebendo que pouco importava a ele como ela falava. - Estava de terno, como eu disse antes. Mas parando para pensar agora, acho que o cabelo estava um pouco maior. - Franziu as sobrancelhas olhando o ruivo à sua frente.

- Continue. - Pediu ele se inclinando para frente apoiando seus cotovelos em suas próprias coxas. Prestava atenção na mesma.

Ino ainda estava assustada com aquele detalhe que não havia notado antes. Mas continuou.

- Enfim.. Eu o atendi como qualquer outro cliente, mas você não disse uma palavra. Resolvi pegar uma toalha para você se secar. Realmente não se lembra de nada? - Perguntou franzindo as sobrancelhas. Gaara negou com a cabeça. Ela suspirou e continuou. - Quando voltei com a toalha, eu tentei conversar, mas continuou em silêncio e então… - A mesma hesitou deixando seu olhar cair para a própria mão. O ruivo pendeu um pouco a cabeça para o lado tentando encontrar os olhos da mesma.

- Então…?

- Você… Ou ele, não sei. Começou a chorar. - Ela levantou o olhar encarando o mesmo. 

- Chorar?? - Perguntou como se não tivesse entendido o que ela disse.

- Sim… Chorar.

- Por que eu.. Ele. - Se corrigiu. - Choraria? 

- Não sei, não me contou o motivo.

O ruivo afirmou com a cabeça devagar, aceitando a resposta. Voltou a encarar a mesma.

- E o que aconteceu depois?

Ino sentiu suas bochechas esquentarem. Se lembrar do que ele ou um suposto desconhecido fez a deixava desconcertada, não queria contar aquela parte, mas Gaara deixou claro na sua expressão que havia percebido que tinha mais coisa.

- Nada demais… - Ao menos tentou.

- Não me parece ter sido nada demais. - Disse e arqueou uma de suas sobrancelhas.

Não ignoraria só porque ela estava com vergonha, precisava saber de todos os detalhes. Ele observou a Yamanaka engolir em seco e colocar a franja um pouco para o lado. Não negaria que achou um pouco de graça ver a mesma desconcertada.

- Bom, ele me abraçou. - Disse o mais simples que podia, parecia mais fácil assim. Usou o “ele” para deixar a situação menos vergonhosa.

- Te abraçou. - Repetiu o que ela disse. Ela não parecia querer dizer mais nada além daquilo. Soltou uma fraca risada deixando pouquíssimo ar sair pelo nariz. - E depois?

- Bom, é aí que eu gostaria de chegar. - A loira pareceu ficar mais séria, o que fez a atenção dele dobrar de tamanho. - Eu não estava desesperada por você ter vindo aqui e me abraçado, por mais que o encontro tenha sido... estranho. O problema é… Eu não me lembro de mais nada depois disso. Depois do abraço, eu apenas lembro de acordar onde estava, aqui na mesa estudando.

Gaara a olhou um pouco surpreso com a declaração. Não estava esperando por essa.

- Não se lembra de nada depois disso?

- Por que fica repetindo tudo que digo? Parece um papagaio. - Se estressou com o mesmo. 

Gaara se assustou por 1 milésimo de segundos com a reclamação da mesma. Encostou suas costas pensando no que ela havia dito. Se ela não fosse louca então aquilo era realmente estranho. O ruivo olhou a moça a sua frente.

- Tem uma forma de me provar que não é uma doida varrida.

- Doida varri…

- A floricultura tem câmera de segurança?

Ino deixou uma expressão confusa tomar conta de seu rosto, mas logo entendeu batendo uma palma rápida. 

- Claro!! Como não pensei nisso antes?? - Se levantou rápido. Tinha se esquecido disso, se tivesse pensado nisso antes não teria que ficar dizendo para si mesma que não era louca.

Gaara sorriu levemente com a animação da mesma, estava surpreso por ela não ter chegado a pensar naquela alternativa. Viu a loira correr para trás do balcão. Se levantou caminhando sem pressa e também deu a volta no balcão. Parou ao lado da loira apoiando uma de suas mãos no balcão e enfiando a outra no bolso da calça jeans.

Ino sentiu seu braço esbarrar na camisa preta do mesmo e automaticamente a aproximação dele a deixou incomodada, mas não o suficiente para a afetar. 

Rapidamente Ino procurou pelo sistema da câmera de segurança no computador a sua frente. Assim que achou procurou conforme a data do dia em que o homem apareceu. Assim que achou ela olhou o ruivo ao seu lado.

- Promete que não vai surtar? - Ela agora acreditava que ele não se lembrava.

- Pode colocar. - Depois de mais uma troca de olhar, Ino colocou a filmagem.

A loira procurou com pressa o horário que aquilo havia acontecido. 

E lá estava ele. 

Na filmagem, por mais que fosse difícil enxergar, ainda assim conseguiam ver. Vindo na calçada, o ruivo andava apressado até a porta de vidro. Ele parecia desesperado, mas ao chegar na porta, seus passos congelaram.

Gaara ao lado de Ino engoliu em seco. Não poderia mais dizer que era uma alucinação da loira. Era exatamente igual a ele. Como ela havia dito, apenas o cabelo era levemente maior, exatamente como ficava quando deixava uns 3 meses sem cortar.

- Não sei se era você. - Ino abraçou seu próprio corpo ainda olhando a imagem a sua frente. - Mas tem uma coisa que eu não disse.

- Gaara olhou a mesma devagar franzindo o cenho. Tinha mais?

- Acho que naquela noite, algo devia ter acontecido comigo. - Ele observou o rosto de Ino. Ela olhava para frente pensativa, notou ela apertar as mãos em seus próprios braços. 

- Por que acha isso? - A loira se virou para olha-lo.

- “Eu cheguei a tempo.” - Disse ela repetindo o que se lembrava. - Você… Ele disse essas palavras.

Sem saber o que responder, o ruivo apenas desviou o olhar pensando sobre aquilo. Era realmente estranho. Tinha uma pessoa por aí igual a ele, aquilo era problemático. Independente de onde havia surgido. 

- Não era eu. - Disse calmo voltando a olhar a mesma. - Prometo pra você. Eu não tive um surto e fiz isso, lembro muito bem onde estava neste dia. Mas… - Parou para pensar se realmente diria aquilo ou não. - Vou tentar encontrar essa pessoa. Afinal, se ele fez isso com você, pode confundir outros. - Suspirou pesadamente. - Se eu descobrir alguma coisa, prometo avisar a você. Pode fazer isso por mim também?

Ino pareceu pensar sobre o assunto por alguns segundos. Mas, no fim, acabou afirmando com a cabeça.

- Pode deixar.

O mais alto sorriu fraco como agradecimento. Devagar se afastou dela e saiu de trás do balcão.

- Tem certeza que não tem mais nada para me dizer? - Perguntou se virando para ela enquanto colocava seu casaco verde escuro.

Ino se lembrou do pedido de desculpas. Andou até ele devagar e os dois caminharam calmamente até a saída do lugar.

- Na verdade… Gostaria de me desculpar. - Ela juntou suas mãos na frente de seu corpo. - Agi por impulso no nosso primeiro encontro. - “Encontro?” Se questionou.

- Ah, eu realmente achei que você tinha problemas psicológicos, então não liguei muito. - Ino fechou os olhos e pressionou os lábios segurando o xingamento que quase saiu. Gaara prendeu um leve sorriso ao ver a mesma se segurar. - Então também te devo desculpas.

Ino abriu os olhos surpresa com as palavras dele. 

- Então nos desculpamos?

- Parece que sim. - Eles trocaram olhares por um breve segundo e logo ele voltou a Falar. - Preciso ir, obrigada por me contar o que houve.

- Nada… Nos falamos em breve para trocar informações. - Sorriu calma.

O rapaz afirmou com a cabeça e se despediu. Sem enrolação, saiu da floricultura. Precisava achar esse cara, mas como faria isso?

Ainda na loja, Ino fechou a porta e voltou ao balcão para rever as imagens. O ruivo não havia pedido, mas depois tentaria editar encurtando o vídeo para mandar para ele. Talvez ajudasse. 

Se sentou na cadeira que tinha ali olhando para qualquer lugar enquanto pensava na conversa anterior. 

Era absurdo como eram parecidos. Ela resolveu não contar a Gaara alguns detalhes. Já era muito difícil lidar com alguém com a mesma aparência que ele, não queria assustá-lo. O problema era que ela acreditava nele, ele parecia sincero ao dizer que não havia estado lá, mas para ela, ainda assim, era ele. Nada no mundo a faria esquecer a voz do mesmo e muito menos o cheiro. E essas características eram idênticas ao desse Gaara que havia acabado de sair. Tinha certeza. Suspirou pesadamente.

"Que loucura." Pensou.


Notas Finais


Ah! finalmente as coisas estão começando a andar. Me perdoem se enrolei muito até aqui kk costumo fazer isso. Espero que me entendam kk Quero agradecer de verdade a quem leu até aqui, sei que falo isso em todos os capítulos, mas é de verdade a gratidão. <3 Tchaaau, até o próximo!


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