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História Like A Dream - Capítulo 7


Escrita por: Zorome

Notas do Autor


Meu Deeeeeeeus eu demorei muito kk Acabei tendo um problema, eu quebrei meu celular e era por ele que eu escrevia a maior parte de tempo ;--; Mas logo logo, se Deus quiser, ele vai estar consertado! Mas ainda bem que finalmente consegui trazer esse capítulo <3 Espero que gostem, de verdade ><

Capítulo 7 - A Experiência


Fanfic / Fanfiction Like A Dream - Capítulo 7 - A Experiência

14/03/20, Sábado, 10:39

Não conseguia pensar em qualquer outro lugar a não ser aquele para tentar encontrar alguma resposta. Claro, Gaara não esperava que uma senhora aleatória soubesse sobre o poder de uma ampulheta velha, mas ela era a única pessoa que vinha a sua cabeça para falar um pouco mais sobre antiguidades. 

Na verdade ele estava perdido, ir falar com aquela senhora poderia não adiantar em nada, mas algum passo ele tinha que dar. Queria entender mais sobre o objeto na sua mochila. Depois daquele dia, aquilo não voltou a acontecer, mas sentia que podia acabar acontecendo de novo.

Andou sem pressa até ficar de frente para a porta da loja. Se perguntava como iria dialogar sem precisar contar sobre a experiência que teve. Abriu a porta entrando devagar. No mesmo instante pôde ouvir uma música clássica tocando baixo dentro do local. Fechou a porta assim que entrou e procurou a senhora de antes com o olhar. Sentia um fraco cheiro de incenso por ali. Deu alguns passos até o balcão coçando a garganta um pouco alto para talvez chamar a atenção da mulher. Onde quer que ela estivesse. 

Não demorou muito, logo a moça apareceu com um pano na mão direita e um produto na esquerda. Parecia estar limpando algo antes. 

- Desculpe a demora, eu estava limpando. - Sorriu gentilmente, porém, logo sua expressão mudou. Curiosa, apertou os olhos para tentar enxergá-lo. Colocou o óculos que estava pendurado numa cordinha em volta de seu pescoço e só então se lembrou do rapaz, depois de o ver nitidamente. - Ah, então é você. Lembro de você. - Sorriu colocando o pano na mesa.

- É, eu vim tentar vender algo antes. - Ele olhou em volta, observando outra vez as coisas que a senhora vendia ali.

- Mudou de ideia, meu jovem?

- Não. - Disse direto fazendo a vendedora soltar uma fraca risada.

- Então, o que veio fazer aqui? - Perguntou. - Não me diga que veio comprar algo? - Sorriu.

- De jeito nenhum. - Respondeu rapidamente. Nunca gastaria seu precioso dinheiro com velharia. Ouviu a senhora estalar a língua.

- O que quer então? - Perguntou um pouco irritada. O olhar de julgamento dele para seus tesouros a ofendia.

Gaara pressionou os lábios levemente enquanto pensava uma última vez se devia mesmo fazer isso.

- É sobre a ampulheta. - Falou calmo. - Eu gostaria de saber mais sobre ela, mas não consigo pensar em nenhuma outra pessoa pra me ajudar. Você pode me ajudar? - Ela pareceu pensar no seu pedido. - Por favor. - Pediu por fim.

- Qual seu nome mesmo, rapaz?

- Gaara No Sabaku. - Respondeu.

- Apesar de você não ter perguntado, meu nome é Chiyo. - Ela, sem pressa alguma, pegou a lupa e outras ferramentas em sua gaveta. - E sim, eu posso ajudá-lo. Mas vou pedir algo em troca. - Gaara com receio a encarou.

- O que? - Perguntou. - Dinheiro?

- Não, isso não. Só… Fale comigo de maneira carinhosa, está tratando uma senhora como um amigo do futebol.

Gaara mordeu fraco o lábio inferior. Era seu jeito natural de interagir, e também, com esse problema que carregava na mochila, esquecia facilmente de ser simpático.

- Me desculpe. - Disse calmo abaixando o olhar. A senhora soltou uma breve risada balançando a cabeça.

- Me mostre a ampulheta. - Pediu.

O ruivo pegou a ampulheta de sua mochila e deixou em cima da mesa para que ela a analisasse. Podia ver os olhos dela brilharem enquanto observava a ampulheta. A senhora chamada Chiyo passou alguns minutos estudando como podia o objeto. Enquanto isso, o ruivo esperava pacientemente ela terminar, se perguntava a quanto tempo ela trabalhava com essas coisas. 

Assim que ela terminou, colocou a ampulheta na frente do mesmo.

- Bom, posso lhe dizer poucas coisas. - Gaara afirmou com a cabeça se apoiando no balcão a ouvindo com atenção. - Essa ampulheta tem entre 70 e 80 anos, não posso afirmar, teria que estudar ela melhor. - Disse calma. - Ela vale muito por causa do tempo que durou e também, por causa do material, creio que pode durar muito mais. Te ofereci aquele dinheiro porque realmente vejo valor nisso, diferente de você que julga meus bebês. - Pegou um vaso que estava na prateleira ao lado o abraçando. 

- Você saberia dizer de onde ela veio? - Perguntou sobre a ampulheta.

- Eu não vejo o passado querido, eu só admiro belezuras como essa. - Riu baixo. - Por mais que seja uma ampulheta muito resistente e valiosa, na época, pode ter surgido de qualquer lugar, até mesmo de um feirante desconhecido de alguma esquina.

- Gaara suspirou ao ouvir a resposta dela. Ela devia estar certa.

- Mas olha… Você não disse antes que era uma herança de família? Por que não pergunta ao seu pai? Talvez ele saiba algo que o pai dele contou. - Sorriu dando a dica.

O ruivo desviou o olhar pensando naquela opção. Não parecia nada confortável, mas não deixava de ser uma boa ideia. Suspirou e afirmou com a cabeça de leve para a senhora. Tentaria falar com ele. 

Como imaginava, ela não teria muito a dizer, mas saber quanto tempo o objeto tinha de existência já era um passo. 

- Vou falar com meu pai, obrigada, de verdade. - Disse calmo.

- Imagina. Também estou curiosa… - Ela sorriu levemente. Gaara retribuiu e se afastou devagar do balcão pegando a ampulheta e começando a guardar. - Vai saber que tipo de segredos algo assim guarda, não é?

Gaara paralisou enquanto guardava o objeto.

Levantou o olhar devagar encarando a senhora. Ela havia dito a última frase cantarolando e agora cantarolava uma música aleatória enquanto limpava o balcão. Uma pergunta se passou pela cabeça do ruivo. Ela sabia mais do que dizia saber?

Seus pensamentos foram interrompidos por seu celular que tocava, colocou a mochila nas costas e tirou o celular do bolso vendo o número da mãe na tela. Olhou a senhora e, ainda suspeitando, se despediu saindo da loja. Não havia esquecido da frase que ela havia dito. E não se esqueceria. Atendeu o celular assim que saiu da loja.

 

11:50

 

Provou um pouco do tempero que havia acabado de fazer. Um sorriso largo surgiu em seus lábios, estava orgulhosa do que tinha acabado de fazer.

- Uma obra prima!! - Fechou as mãos fazendo o sinal italiano com as mãos. - Delizie! - Beijou a ponta de seus dedos.

Se afastou do fogão enquanto dançava. Quase nunca acertava nos temperos, bom... também não acertava muito nas outras partes. Se sentia ofendida quando seu pai zoava sua comida, mas às vezes não podia discordar dele. 

Porém, no dia atual, fez tudo perfeitamente calculado. Seu pai ficaria com o queixo caído.

Enquanto pensava no seu pai, tomou um susto com a entrada repentina dele na cozinha, já que estava dançando vergonhosamente ainda. Parou de dançar e colocou um sorriso animado no rosto.

- Papii!! Adivinha quem você vai elogiar hoje? - Soltou de forma infantil, mas logo murchou seu sorriso lentamente quando notou a expressão no rosto do pai.

Ele estava com a cara fechada enquanto andava apressadamente da geladeira à pia. Estranhou. 

Seu pai não agia assim, apenas quando estava preocupado ou sob pressão.

- Aconteceu alguma coisa? - Perguntou calma olhando o homem. O mesmo se virou para a filha e forçou um leve sorriso.

- Ah, nada, está tudo bem. Só o trabalho que está um pouco difícil. Fez comida? - Perguntou tentando mudar o assunto. Ino franziu o cenho.

- Estou fazendo… Quando estiver pronto eu aviso, não saia sem comer. - Disse calma. - É algum caso complicado? - Ele era advogado e trabalhava no escritório mais famoso da cidade.

- Seu pai caminhou até a mesa em silêncio. Parecia pensar antes de falar qualquer coisa. Ino achava aqueles momentos muito estranhos, seu pai normalmente era falante e alegre. Aquilo a preocupava.

- Sim, políticos dão muito trabalho. - Ele sorriu amarelo e abriu um envelope que só agora Ino percebeu que ele segurava.

- Ah… Entendi… Boa sorte, pai. - Sorriu calma o observando de longe. - Para aumentar seu ânimo, você precisa comer da minha comida. - Aumentou seu sorriso novamente. O mais velho não conseguiu evitar sorrir junto com a filha.

- Certo, então ande logo, preciso sair. Vamos ver se hoje vai me dar dor de barriga.

Ino fechou a cara olhando seu pai e fez um bico quando ouviu a risada dele. Sorriu levemente em seguida. Preferia ver o mesmo sorrindo.

Os próximos minutos Ino passou cozinhando. Quando ficou pronto, os dois comeram juntos. Realmente havia ficado gostoso, mas seu pai ainda sim a zoou, apenas para irritar a loira. Quando terminaram, Inoichi se despediu da filha dizendo estar em cima do seu horário, logo se retirou deixando Ino sozinha em casa. 

Ino arrumou toda a cozinha sem pressa de terminar, afinal estava livre por enquanto. Assim que terminou, subiu para seu quarto para pintar as próprias unhas enquanto escutava qualquer coisa, mas seus planos foram interrompidos temporariamente. Assim que se sentou na cama com os esmaltes para escolher, ouviu seu celular tocar no bolso. Suspirou pegando o aparelho e olhando o número na tela. Arregalou os olhos jogando o celular no colchão pelo breve susto.

Era ele.

Por que estava ligando?

Depois de chamar algumas vezes ela pegou rapidamente se dando conta que ele podia desligar a qualquer momento. Coçou a garganta e atendeu rapidamente.

- Saudades? 

- Sério?. - O ruivo balançou a cabeça devagar. Ela sempre atendia o telefone daquela maneira?

- Achei que demoraria mais para ligar novamente.

Gaara fechou um dos olhos por causa da claridade do sol. O mesmo se encontrava no jardim de sua mãe, observando a enorme piscina que havia ali. Sua mãe havia ligado e obrigado o mesmo a ir almoçar com ela, estava ali desde então. Se aproximou da cadeira de praia que havia ali e se sentou na beirada.

- Eu também. - Respondeu sereno.

- Então, o que você quer? Imagino que não me ligou à toa.

- Não foi pra saber se você comeu bem. Estou ligando por causa de uma informação... interessante. - Apoiou seu cotovelo no joelho enquanto falava. - Minha mãe encontrou esse cara. 

- Que cara? - Franziu o cenho não compreendendo, mas logo entendeu. - O TERNINHO? - A voz estridente de Ino fez o ruivo afastar levemente o celular do ouvido.

- Terninho? - Perguntou. Se perguntou se esse era o nível de criatividade dela.

- Ela o encontrou onde? - Perguntou ignorando o questionamento dele. 

- Na rua principal. No mesmo dia que você o encontrou, mas acredito que algum tempo antes de você. Vim almoçar na casa dela, e ela reclamou que semana passada passei perto dela e a ignorei. Para tirar minha dúvida, perguntei sobre a roupa que eu estava usando. Ela falou sobre o terno.  - Quando se referiu ao cara com "eu" não conseguiu evitar a estranheza na voz. .

- Não brinca… - Sussurrou. Ino estava um pouco espantada com aquilo. Ter confirmações de que não estava louca era incrível.

- Ela disse que eu andava rápido muito rápido e sério. Falou que posso só não ter notado ela mesmo.

Ino puxou as pernas para cima do colchão pensativa. Aquilo tudo era loucura demais.

- Não tem nenhuma chance de você ter um irmão gêmeo? Pergunte a sua mãe já que está aí. Temos que considerar as alternativas simples por enquanto.

Gaara franziu o cenho. Tinha certeza de que aquilo era impossível, sua mãe não esconderia uma informação dessa dele, e seu pai… Ah, não sabia nem o que pensar. Que chance teria de ser um irmão gêmeo?

Notando o silêncio dele, Ino voltou a falar.

- Não quero confundir você, querido, mas eu me lembro muito bem do terninho. Era como se realmente fosse você. Pode me achar exagerada… Mas é verdade.

O ruivo ficou em silêncio de novo. Conseguia sentir verdade nas palavras dela. Engoliu em seco.

- Vou perguntar à minha mãe, você tem razão. Melhor considerar as respostas simples primeiro. Só não sei como fazer isso. - Disse baixo a última parte.

- Eu imaginei, você não parece bom com comunicação mesmo. - Antes de ouvir ele ir contra sua afirmação, ela se adiantou. - Faça o seguinte, apenas suponha como seria a vida se você tivesse um irmão gêmeo. Veja a reação dela. - Sugeriu. Ela esperou o mesmo pensar na sugestão.

- Ok, vou tentar fazer algo do tipo. Não sei se a reação vai me ajudar em algo, mas… - O ruivo desviou os olhos da água para o chão. - Se ele for um irmão...

- Uma coisa de cada vez, homem. É só uma suposição. Agora vai lá e não deixe de me avisar depois!!

Um suspiro escapou do mesmo. Ela estava certa, não ficaria nervoso por uma suposição. Por mais que fosse uma situação estranha, um irmão gêmeo seria uma boa explicação. Bom… A mais simples.

- Certo, vou falar com você mais tarde. Ah... - Pareceu se lembrar de algo. - Você me chamou de querido? - Perguntou como que quisesse que ela confirmasse que não havia escutado errado.

- Chamei, não posso? - A voz desinteressada soou pelo celular do mesmo.

Gaara ergueu uma de suas sobrancelhas. Ela falava daquela forma com qualquer um?

- Que seja. Ligarei para você mais tarde. - Repetiu.

- Tá bom… E a propósito, eu comi bem si- - Ouviu o barulho da chamada encerrando. Olhou o celular irritada. - Ele desligou na minha cara? De novo?

Gaara, que havia acabado de desligar, levantou da cadeira colocando o celular no bolso. Esfregou as próprias mãos. Estava nervoso para ir falar com sua mãe. 

Era só uma perguntar, estava tudo bem. 

Caminhou a passos largos pelo jardim, até chegar na cozinha. Ela que dava acesso direto ao quintal. 

A mansão de seu padrasto era realmente de tirar o fôlego, Gaara muitas vezes se perguntou se sua mãe não se sentia num hospício. Para o mesmo, tudo era muito branco e grande. Quando ficou uns dias ali, pode jurar que sentiu cheiro de soro.

O que não era branco, era marrom. A paleta da casa e dos móveis era essa, branco e marrom. Sem falar do tanto de planta dentro de casa. "Como se não bastasse o jardim no quintal" Pensou Gaara passando pela porta de vidro e encontrando sua mãe à mesa enquanto cortava alguns papéis. 

Ao notar o filho, ela sorriu.

- Fez a sua ligação? - Perguntou voltando a atenção à tesoura e ao papel.

- Sim, fiz. - Se sentou na cadeira ao lado da dela e passou de leve as mãos na própria calça.

- Era uma garota? - Perguntou arqueando a sobrancelha e o observando.

- Não. Era um amigo. - Mentiu. Não queria responder perguntas por agora.

- Ainda bem. - Ela deu de ombros. - Ao menos nenhuma estranha vai tirar você de mim. - Sorriu prestando atenção no que cortava.

Gaara sorriu levemente com a brincadeira da mãe. Observou por um tempo o que sua mãe fazia. Tentava tomar coragem pra falar, mas ele não tinha jeito algum com esses tipos de enrolações.

- Mãe, posso perguntar uma coisa? - Perguntou juntando suas mãos em cima do colo.

- O que seria? - Levantou o olhar para o filho.

- O que teria feito se tivesse tido gêmeos? Se eu fosse gêmeo? - As frases saíram rápidas.

O ruivo suspirou internamente. Sentia em seu interior que havia sido direto demais, sua mãe poderia estranhar a pergunta.

Ignorou a sua falta de habilidade com aquilo e focou na reação de sua mãe. Ela expressava confusão e logo em seguida… "Pena?" Pensou o mesmo.

- Filho… Está se sentindo sozinho ao ponto de imaginar a vida com um irmão? - Perguntou preocupada. Suspirou pesadamente vendo o filho. - Eu já disse que viver naquela casa não era bom pra você, venha morar comigo. - Gaara encarava sua mãe sem nenhuma expressão.

 Por que considerou aquela possibilidade mesmo? Claro que não podia ser um irmão gêmeo. Soltou uma fraca risada balançando a cabeça. Sua mãe era realmente muito transparente. 

- Não me sinto sozinho, eu estou bem. De verdade. - Disse calmo. 

- Não acredito 100% em você, mas também não vou insistir, sei que é cabeça dura que nem seu pai. - Deixou o material na mesa. - Mas por que me perguntou isso do nada?

- Por nada, passou pela minha cabeça apenas.

- Bom, já que perguntou… - Parou para pensar levando a mão ao queixo. - Eu provavelmente me gabaria duas vezes mais por ter dois filhos tão lindos. - Abriu um grande sorriso. - Mas eu me contento com um só. - Riu de leve e passou a mão nos fios ruivos e rebeldes do filho.

O ruivo observou a mãe voltar a cortar. Ela provavelmente estava planejando enfeitar alguma coisa, sua mãe adorava fazer as coisas manualmente, de acordo com ela, era bom para passar o tempo. 

Gaara se ofereceu para ajudar a mãe e seu pedido foi aceito. Eles cortaram os papéis por um tempo enquanto conversavam um pouco sobre tudo, inclusive sobre a banda de Gaara e os amigos dele. Tempo depois ela comentou que seu marido chegaria em pouco tempo, o que fez a vontade de ir embora de Gaara aparecer. Se apressou em falar que devia ir, afinal ainda tinha que trabalhar e antes devia passar em casa. Sua mãe, mesmo contrariada, aceitou. Eles se despediram após ela o acompanhar até a saída, e Gaara logo saiu da casa de sua mãe indo diretamente até o ponto de ônibus. Sentiu seu celular vibrar no bolso da calça e assim que o pegou viu o número de Ino na tela. Atendeu parando quando chegou ao ponto.

- Você perguntou?? Sinto que posso morrer de curiosidade a qualquer momento. - Parecia ansiosa e realmente estava.

A loira estava na sua mesa de estudo, já havia pintado suas unhas. Quando acabou, decidiu ir estudar, porém não conseguiu, só conseguia pensar em como Gaara se sairia com sua mãe ou com qual seria a resposta dela. Estava nervosa. 

- Tenho total certeza de que sou filho único. - Ele soava sério.

- Jura? O que ela disse? Conseguiu perguntar como quem não queria nada? Sinto que você foi péssimo. - Gaara se lembrou dela o questionando sobre sua solidão e resolveu não mencionar isso.

- Nada demais, mas o suficiente para acabar com minhas dúvidas.

- Caraca… - Deixou sair e suspirou. - Se ele não é seu irmão gêmeo… Então realmente encontramos alguém que é idêntico a você? Como isso é possível? - Mordeu a ponta do lápis enquanto pensava.

Gaara notou que seu ônibus estava se aproximando e assim que chegou perto, pediu a Ino para esperar um segundo. O mesmo entrou passando o cartão e se sentou em qualquer lugar ao lado da janela. Suspirou pensando sobre o objeto na sua mochila.

- Eu tenho uma hipótese. - Disse calmo voltando seus olhos para a janela. - Mas pode ser louca demais.

- Tem? - Ino cerrou os olhos se afastando da mesa com sua cadeira de rodinha. - Que seria...?

Ele ficou em silêncio pensativo sobre se devia dividir aquilo com ela ou não.

- Antes de te falar… Quero fazer uma experiência. Dependendo do que acontecer, vou mandar uma mensagem pra você.

- Fala sério! Por que está sendo misterioso? Não tenho saco pra isso não. - Reclamou deixando seu corpo amolecer na cadeira como uma geleia.

- Estou sendo cuidadoso, é diferente. 

A calma na sua voz mostrava a indisposição de começar qualquer discussão. O pouco que sabia dela era o suficiente para saber que ela gostava de discutir.

- Não é diferente não, me diga de uma vez.

- Não.

- Gaara, não me faça esperar, abre o bico! - mandou.

- Você é sempre mandona assim?

- E você é sempre teimoso assim? - Perguntou de volta e se levantou da cadeira.

- Não deixe de me falar nada se algo estranho acontecer novamente, é importante que eu saiba de cada detalhe. - Pediu ignorando o questionamento da mesma. 

- Não me igno- - O som da ligação terminando a fez cerrar o punho e encenar o soco que queria dar nele, só que socando o ar. - Ele vai ver só!

Abriu o aplicativo de mensagem e em seguida abriu a conversa do contato do ruivo, escreveu sem paciência:

“Se desligar na minha cara de novo, pode dar adeus para a gravação da câmera da floricultura.” 

Sorriu maléfica e caminhou feliz até a cama. Sua alegria de ter dado a volta por cima não demorou nem um minuto, ele a respondeu logo em seguida.

Gaara

Faça o que quiser.”

Conseguiu ouvir, claramente, a voz desinteressada do mesmo através daquela mensagem. Ino deixou seu corpo cair no colchão com desânimo. Que cara chato, em.

 

O dia passou tranquilo para ambos. Ino voltou aos seus estudos e dedicou sua tarde a eles. Ao final da tarde até conseguiu fazer uma videochamada com Sakura e Tenten. Conversaram por bastante tempo falando sobre a vida e sobre algumas séries que gostavam em comum, nada fora do padrão. Ela não chegou a ver seus pais nesse tempo, seu pai passou o resto do dia no escritório e sua mãe ficou até tarde na floricultura, os encontrou apenas a noite, depois das 21:00. De qualquer forma, havia sido um dia tranquilo para a loira.

Já Gaara realmente havia ido trabalhar assim como tinha avisado a sua mãe. Depois do trabalho, que terminou tarde, ele pôde ir pra casa. Mesmo sendo sábado infelizmente a banda não se apresentaria, o único lado bom era que ele poderia ir pra casa dormir mais cedo, e claro, testar a ampulheta mais uma vez. Só esperava não encontrar o seu pai.

Para a infelicidade do ruivo, ao chegar em casa encontrou o mesmo, ao menos estava sóbrio e não encheria o saco dele. Pensou em ter a conversa que planejava ter com ele sobre a ampulheta, mas resolveu dar uma folga a si mesmo do seu pai. No dia seguinte pela manhã tentaria falar com ele.

Quando chegou a hora de deitar, que era cedo, já que Gaara gostava de dormir cedo quando podia, ele resolveu testar a ampulheta. Havia passado esses dias com curiosidade mas não pôde usar por conta dos afazeres do dia a dia.

Tentou se lembrar de tudo que havia feito no dia em que, acidentalmente, viajou no tempo. Ele se lembrava de ter girado a ampulheta e colocado no móvel ao lado da sua cama, somente isso. Se perguntava se era o suficiente para fazer funcionar. Devagar ele repetiu os passos de antes e se deitou no colchão.

E se ficasse preso no lugar para que fosse mandado?

Resolveu descobrir isso na hora.

O ruivo fechou os olhos enquanto a areia descia entre o espaço que o vidro da ampulheta deixava. Aos poucos, um sono que ele nem ao menos sentia começou a consumir o mesmo. Em menos de 1 minuto Gaara caiu em um sono profundo.

 

21/03/20, Sábado, 17:39

O primeiro sentido que chamou a atenção do mesmo foi a audição. Conseguia ouvir o barulho de pessoas caminhando e conversando e claro, o barulho do trânsito que estava até calmo. Abriu seus olhos devagar enxergando o asfalto da rua.

O sol já havia ido embora deixando apenas a claridade de fim de tarde. O mesmo olhou em volta mantendo a expressão serena de sempre. Pensou se devia se beliscar.

Realmente havia viajado novamente, segundos atrás estava na sua cama. O mais interessante era que havia ido para o mesmo lugar de antes. Naquela rua, no meio da faixa de pedestres. Olhou para trás quando um motorista buzinou para o ruivo andar logo e sair da frente.

Gaara deu passos calmos até a calçada. Suspirou devagar e procurou seu relógio no pulso para ver o horário. Não tinha certeza absoluta, mas podia jurar que era o mesmo horário da outra vez. Olhou as próprias roupas, e não eram as mesmas que haviam ido deitar. Havia ido deitar com uma roupa normal e calçado, para caso realmente conseguisse viajar, mas havia sido inútil, estava vestido com outras roupas suas. Ainda assim, isso o ajudou a entender melhor a situação. Da outra vez não conseguiu prestar atenção nisso. 

Se sua roupa havia mudado, então tinha chance de ele ter assumido o lugar do seu eu no futuro. O que significa que podia não encontrar a si mesmo. O que explica o porquê de não ter visto a si mesmo quando foi até a floricultura comprovar o que havia visto. 

Então até agora as coisas que sabia sobre a viagem no tempo eram:

A ampulheta o levava para o mesmo lugar e horário.

A possibilidade de ocupar o lugar no futuro ao invés de haver dois de si, era muito grande.

E essa possibilidade era o que o fazia questionar a própria teoria sobre o desconhecido que sua mãe e Ino encontraram.

Se perguntou se assim como a ampulheta o mandou para o mesmo lugar e horário de antes, será que também havia viajado a mesma quantidade de dias que antes? Ou seja, uma semana?

Os passos do mesmo desaceleraram ao perceber que chegou próximo a floricultura. 

“Verdade, é próximo.” Pensou. 

Não resistiu e devagar olhou para dentro do estabelecimento que estava aberto. Estranhou quando não viu a loira ou a mãe dela no balcão lá no fundo. Era um cara que falava ao telefone. Resolveu entrar para perguntar que dia era. Abriu a porta de vidro e entrou devagar. 

O rapaz que conversava baixo ao telefone notou a presença do mesmo e se apressou em se despedir.

- Olha, fica tranquila, tudo bem? Um cliente chegou, daqui a pouco nos falamos de novo. - Disse calmo e Gaara se aproximou notando o moreno sorrir com algo que a pessoa do outro lado disse. - Ok, até daqui a pouco. - Desligou o celular e se apressou e deixar no balcão e dar atenção ao cliente. - Boa tarde, bem vindo a floricultura Yamanaka.

Gaara sorriu seco afirmando com a cabeça devagar. 

- Boa tarde, eu vim pedir uma informação apenas. Por acaso pode me dizer que dia é hoje? - O moreno atrás do balcão estranhou mas não perguntou nada.

- Hoje é dia 21 de março. Ano 2020. - Completou com um tom amigável. - Entrou só pra perguntar isso? - Riu fraco.

- Sim... - Respondeu Gaara. Fez uma nota mental sobre aquilo. Havia sido uma semana novamente. - Eu estou sem celular. - Justificou.

- Ah, entendi… - O mesmo lembrou da melhor amiga o ameaçando para que vendesse bem as flores e animasse os clientes. - Mas você não vai mesmo querer comprar nada? Nem dar uma olhadinha?

- Não, valeu. - Não compraria mesmo, se arrependeu muito da última vez pra passar por isso novamente. - Você é novo contratado? Já passei aqui antes e nunca vi você. - Gaara perguntou direto.

Não podia negar, estava curioso. Antes só havia visto a mãe da loira ali e uma vez ela, mas sabia que ela trabalhava às vezes lá. Não sabia que tinha um funcionário.

- Ah não... É só por enquanto, estou aqui porque algo urgente aconteceu então a dona e a filha dela não podem estar aqui.

- Ah… Entendi, algo… Grave aconteceu? - Perguntou hesitante. Lembrou-se de Ino e da senhora que encontrou antes.

- Sobre isso… - O mesmo desviou o olhar e logo voltou a encarar o rapaz a sua frente. - Por acaso conhece elas? Parece preocupado. - Os olhos atentos dele não saíam do ruivo a sua frente.

- Conheço a filha. Ino, não é? - Perguntou calmo, não viu problemas em falar, sua curiosidade o guiou. - A conheci a pouco tempo. 

O moreno afirmou devagar com a cabeça. Aquilo soava esquisito aos seus ouvidos. Será que Ino tinha ganhado um stalker? Vai saber né.

- Bom, não sei se confio muito em você, mas não faz mal falar, eu acho. - Sorriu fraco. - Afinal, até passou na TV. - Suspirou.

- Que? - Gaara franziu o cenho se aproximando um pouco. 

“Passou na TV?” Se perguntou.

- O que aconteceu?

- A três dias atrás, o banco de Konoha foi assaltado, o pai dela estava lá. Ele levou um tiro.

Gaara arregalou os olhos olhando o moreno a sua frente. O pai da loira havia levado um tiro? O ruivo permaneceu congelado. Tudo que passava em sua mente, era a imagem de Ino. Permaneceu em silêncio. O moreno voltou a falar.

- Ele é um advogado respeitado do Escritório de advocacia mais respeitado da cidade, por isso foi ao ar, mas claro, também porque foi o resultado de um ataque ao banco. Ele permanece vivo, mas a situação está muito difícil.

- Sabe dizer a hora em que isso aconteceu? - Perguntou deixando seu olhar cair sobre o balcão.

- Durante a tarde, acho que pelas 15:00.

Gaara engoliu em seco. Teve que manter os pés no chão se lembrando que estava no futuro e que, como esperava, voltaria em pouco tempo para o passado. Como falaria sobre isso com Ino? Contaria sobre a ampulheta? Ela acreditaria nele? 

Será que conseguiria impedir aquela tragédia acontecer na família daquela loira que havia acabado de conhecer?


Notas Finais


Me desculpem desde já os erros até aqui, sempre que procuro, eu acho, e isso as vezes acaba sendo frustrante. Estou sempre voltando pra consertar kkk Se chegou até aqui, então significa que você leu hehehe Então eu agradeço de coração <3 Até o próximo!!


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