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História Like A Dream - Capítulo 8


Escrita por: Zorome

Notas do Autor


Helloris! Demorei uma semana certinha kk Eu acho. Mas finalmente estoy aqui! Olha, eu tenho medo dos capítulos estarem muito grandes, então qualquer coisa, podem reclamar kkk Espero que gostem do capítulo! Nos vemos lá em baixo hehehe

Capítulo 8 - Takoyaki


Fanfic / Fanfiction Like A Dream - Capítulo 8 - Takoyaki

16/03/20, Segunda-feira, 10:20

Na biblioteca, o barulho era mínimo, os alunos realmente respeitavam a regra do local, e se conversavam, o faziam baixo. Sakura adorava o local, já passou muitas horas naquele lugar, era onde tinha paz. Paz interior e paz exterior. Podia estudar sem nenhuma perturbação ao seu ouvido.

Enquanto caminhava, folheou o livro que havia pego a pouco tempo, estava muito animada para ler. Distraída não viu que havia uma pessoa parada na sua frente, então seus passos se cessaram quando bateu de frente com um rapaz. Por um segundo, conseguiu ver a clavícula do indivíduo, quase coberta pela camisa social que tinha os dois primeiros botões abertos. Levantou a cabeça rapidamente e prendeu a respiração quando deu de cara com Sasuke a encarando com uma de suas sobrancelhas arqueadas.

Num pulo, se afastou indo para trás. Desviou o olhar algumas vezes para pontos diferentes, constrangida. 

O moreno que até então apenas observava a rosada deixou um fraco sorriso, quase que imperceptível, dominar o canto de sua boca. Quando conseguiu ver a Haruno assustada assim? Provavelmente, nunca. Os olhos dele caíram sobre as bochechas levemente rosadas da mesma. 

- O que faz aqui?  Não olha por onde anda? - Perguntou sussurrando. O tom irritado fez o mesmo notar que ela tentava se recuperar mantendo a postura brava de sempre. 

- Era você que estava andando. - Respondeu simples, com o volume de voz baixo. Ela engoliu em seco com a afirmação dele. É, parecia que ele estava ali antes, pensou.

- Quando vemos alguém andar sem olhar para frente, é esperado que dê passagem a essa pessoa. Pra… Evitar esbarrar. - Ela falou mais pra dentro que pra fora. Fechou o livro devagar e ajeitou a saia rodada que usava. - Enfim, licença. - Voltou a andar passando pelo mesmo.

- Sakura. - Chamou o moreno.

A rosada parou de andar, havia dados alguns meros passos. Sasuke caminhou até ficar ao lado da mesma. Segurava a alça de sua mochila nas costas com a mão direita, e com a esquerda segurava um livro, provavelmente do seu curso.

-É seu aniversário hoje, certo? - Perguntou. Sakura virou seu rosto na direção dele e franziu o cenho.

- Sim, por que? - Perguntou o olhando. 

Sasuke a encarou por alguns segundos. Ela achava muito estranho ele saber disso, afinal?

- Por nada, ouvi Naruto comentar. - Disse calmo. Sakura afirmou devagar com a cabeça. - Feliz aniversário. - Ela, que havia desviado o olhar, o olhou com surpresa. 

- Está me parabenizando? - Franziu o cenho olhando o mesmo.

- Sim… Não posso? - Olhou a mesma sem entender.

Sakura sentiu uma avalanche de sentimentos inundar seu coração e mente. Olhou para o lado como se não conseguisse olhar no rosto do mesmo soltando uma risada irônica em seguida. Voltou a olhar o Uchiha. Ele notou a raiva nos olhos da mesma. 

- Não quero nada que venha de você. Não me parabenize. Nunca mais. 

A voz da mesma saiu séria, assim como estava sua  expressão. Sasuke a olhou mais surpreso e pasmo do que nunca. Por que ela estava falando daquela forma com ele? Se perguntava o porquê daquilo. Sabia que ela não ia muito com a cara dele, mas aquilo não era exagero? Não era demais?

Os dois se encaravam quando uma voz um pouco alta para aquela espécie de local tomou a atenção deles, um loiro havia saído de trás de uma prateleira.

- Sasuke, tá fazendo o que? Demora demais, mano, pelo amor de… Ah, Sakura! - Sorriu quando percebeu a amiga e se aproximou. - O que estão fazendo? - Sorriu parando no meio dos dois e os encarando.

Sakura voltou a encarar Sasuke que a olhou com um olhar questionador. Ela estalou a língua e deu atenção ao loiro.

- Nada demais, apenas nos encontramos ainda agora. - Respondeu baixo.

- Por que tá sussurrando? - Naruto perguntou novamente alto. Como esperado, uma menina que estava passando com seus livros olhou feio para Naruto.

- Shhhhhh - Fez ela para o mesmo com um olhar assassino e continuou seu caminho.

- Por causa disso. - Respondeu Sasuke ao lado do amigo. - Então, fala baixo ou cala a boca. 

Naruto tampou a boca com suas duas mãos por um tempo, mas logo se virou para Sasuke.

- Vamos embora, eu tô com fome!! - Sussurrou de maneira exagerada levando a mão à barriga. O moreno rolou os olhos.

- Cadê a novidade? - Sakura deixou uma leve risada sair.

O Uchiha a encarou sem entender. O humor dela havia melhorado do nada? Por acaso ela esqueceu a forma rude que falou com ele? 

Não a entendia.

Naruto, esfomeado, pediu aos dois para acompanhá-lo até a praça de alimentação para comer. Sakura tentou recusar dizendo que precisava estudar, mas Naruto conseguia ser extremamente insistente, assim como Ino. Acabou se deixando levar pelas vontades do amigo e foi junto.

Todos percebiam o clima ruim entre Sasuke e Sakura, menos o loiro, ele fazia questão de sempre juntar os dois quando estava presente. Sakura se perguntava o que tinha na cabeça dele, será que teria que o puxar um dia para deixar claro que odiava o melhor amigo dele?

Assim que chegaram, não demorou para encontrarem Shikamaru que lia alguma coisa enquanto tomava seu tão amado café. Os três se aproximaram e a primeira a se sentar ao lado do moreno foi Sakura.

- Oi amigo! - Sorriu largo.

- Ah, oi Sakura. - Sorriu fraco para a rosada e notou os outros dois se aproximarem. - Faz tempo que vi meu casal favorito.

Naruto fez uma cara de nojo e olhou Sasuke que o encarou sem interesse algum. Shikamaru soltou uma fraca risada e olhou a rosada enquanto os dois também se sentavam.

- Você está bem? - Perguntou.

- Sim, e você? Estudando muito?

- O suficiente. - Respondeu e bocejou.

- Olha só como ele se acha. - Naruto resmungou super audível. - Vocês o mesmo curso, mas eu só vejo Sasuke estudar. - Cruzou os braços cerrando os olhos para Shikamaru. Se aproximou levantando mais o livro do mesmo para saber o que ele lia. - Um romance?? Sério, o que tem de errado com você? Como consegue notas tão boas??

Sakura riu baixo balançando a cabeça.

- Essa é sua inveja por não saber nem estudar direito?

- Eu estudo!! - Se revoltou. 

- Vou fingir que acredito. - Naruto voltou a bater boca com a Haruno e após alguns minutos de discussão, Shikamaru interrompeu. 

- Por acaso viram Ino hoje? - Perguntou. - Tenho que entregar uma coisa que ela esqueceu comigo.

- Ino? - Sakura desviou o olhar tentando buscar alguma informação sobre a mesma. - Não falei com ela hoje, nem por mensagem, então não.

- No ateliê. - A voz de Sasuke chamou a atenção do grupo. - Eu encontrei ela mais cedo, disse que ficaria um tempo no ateliê com alguns colegas. Acho que estão fazendo um trabalho. - Os três ficaram olhando o moreno por alguns segundos. - O que foi? 

- Desde quando… Você e a Ino conversam? - Naruto perguntou.

- Como assim? Somos colegas também. Não posso falar com ela sozinho? - Franziu o cenho. Naruto sorriu de uma maneira estranha.

- Claro que sim. - Desviou o olhar, deixando claro que tinha estranhado.

Shikamaru fechou seu livro dando de ombros. Se sentou um pouco mais ereto. Será que iria até lá? Melhor deixar ela terminar e depois falar com ela, apenas mandaria uma mensagem mesmo.

 

No ateliê, a loira juntava todo o material que havia usado, assim como seus colegas de grupo. Estavam trabalhando em um vestido de gala. A ideia que haviam pensado juntos a agradava muito, haviam elaborado um vestido simples, porém, bem glamuroso. O modelo era um trapézio, azul pastel e bem longo. Não havia decote, era bem reto na frente, porém a abertura nas costas compensava bastante. Havia, também, algumas pedrarias discretas quase no final da parte superior do vestido. Ele era simples e lindo. Ino o usaria sem problema algum se pudesse, mas duvidava dos colegas, um dia, permitir.

Quando terminaram de arrumar toda a bagunça que fizeram, os colegas da loira se despediram dela indo embora. Ino ficou um pouco mais, tinha algumas coisas suas para guardar ainda. 

Enquanto arrumava suas coisas, a mesma não conseguiu evitar se lembrar do ruivo. A última vez que havia conversado com ele tinha sido no sábado. Se lembrava bem do mesmo dizendo que tinha uma hipótese de quem poderia ser o rapaz que se parecia com ele. Lembrava do mesmo dizendo que tentaria algum tipo de experiência e depois mandaria uma mensagem para ela. 

Ela, desde então, permaneceu curiosa pela mensagem que ele prometeu, mas o domingo passou e não recebeu nada, assim como essa manhã. Talvez estivesse sendo ansiosa demais, resolveu apenas esperar pacientemente.

Mas não negava que a curiosidade estava a matando por dentro.

A mesma saiu do ateliê com dificuldade, já que carregava suas coisas em uma caixa mediana. E eram bastante coisas até. Mas dava conta. Fechou a porta e seguiu pelo corredor caminhando devagar enquanto cantava qualquer coisa. Enquanto andava notou que, estranhamente, os corredores estavam um pouco vazios, mas logo se lembrou do evento que estava acontecendo. Havia uma espécie de palestra acontecendo, mas quando soube não se importou muito, assim como seus amigos. Mas aquilo explicava a pouca movimentação por ali.

Dobrou em outro corredor enquanto caminhava. Olhava pra frente prestando atenção para não cair com suas coisas. Seus passos ficaram mais lentos quando ouviu passos atrás de si, provavelmente alguém vinha do corredor que havia acabado de sair. Se virou para ver quem podia ser e seu coração falhou uma batida. Seus olhos se arregalaram.

Viu de longe o ruivo passar no fim do corredor, só que ele seguiu adiante, diferente dela que havia virado o corredor antes. 

Mas a loira não havia prendido sua respiração apenas por ser o ruivo, o problema era que era o outro.

Era o ruivo de terno. Cabelos levemente mais longos. E agora sua expressão não mostrava mais tristeza. Mostrava algo parecido com raiva, assim como seus passos longos e duros. Logo a loira perdeu o mesmo de visão, já que ele seguiu andando no corredor.

“Eu o vi! Vi de verdade!” Pensou.

Depois de alguns segundos paralisada pelo choque, a mesma largou a caixa no chão e correu até o final do corredor olhando na direção que ele havia seguido. Não conseguiu encontrar o mesmo, então se apressou em correr pelo corredor tentando alcançar ele, mas acabou dando de cara com o grande pátio da universidade. Ali sim tinha várias pessoas conversando. 

Olhou desesperada em volta e deu alguns passos tentando achar o mesmo.

“Sumiu?’ Se indagou. Sua respiração descompensada a fez levar a mão ao peito enquanto ainda o procurava. Se aproximou de uma menina que conversava com um homem. 

- Licença, você por acaso viu um ruivo gatinho de terno passar por aqui? - Sorriu fraco ainda ofegante.

- Ruivo gatinho de terno? - Riu a menina achando a pergunta engraçada. - Não, acho que eu me lembraria. Desculpe.

- Tudo bem, obrigada. - Suspirou agora mais recuperada. Se afastou ainda olhando em volta.

- Não acredito que deixei ele sumir. - Sussurrou.

Ainda com esperança o procurou por mais tempo, mas não achou nada. Decepcionada, a mesma voltou até onde tinha largado suas coisas. Juntou tudo ainda encabulada com o que tinha acabado de acontecer. O que ele estava fazendo na sua universidade? Por que estava daquela forma?

Não entendia nada que estava acontecendo, mas sabia que tinha que falar com Gaara. Urgentemente.

 

O ruivo colocou sua guitarra no pedestal e seguiu até o velho e pequeno sofá que havia ali. Se jogou deixando sua cabeça cair para trás no encosto e cobriu os olhos com o pulso direito. Sua cabeça estava a ponto de estourar de tanta dor. 

Era seu dia de folga. Como toda segunda, estava na garagem da casa de Kiba com o resto da banda ensaiando para o próximo evento. Havia acordado e decidido dar o máximo de si no ensaio, mas não conseguia prestar atenção em nada.

Havia errado letra das músicas, trocado alguns acordes na guitarra, entrado na hora errada…

Estava sendo uma negação. 

Isso tudo porque não conseguia parar de pensar sobre a ampulheta e sobre o que havia escutado daquele cara na floricultura Yamanaka.

Até então não tinha decidido se falaria com a loira. Por algum motivo, não queria revelar aquilo para ela, era uma coisa muito louca e não queria que ela se envolvesse com isso. Mas o ruivo entendia que era sobre o futuro do pai dela, então era direito dela de saber. Se perguntava como explicaria isso pra ela.

- Qual seu problema hoje em? - Gaara ouviu a voz de Deidara e retirou o pulso dos olhos o encarando. Suspirou e se desencostou do encosto do sofá.

- Também quero saber. - Seu tom saiu como o de um idoso cansado.

- Pois trate de descobrir, tá prejudicando o ensaio, mané. - Reclamou, mas logo sorriu fraco. - Kiba falou pra gente meter o pé antes do almoço. Disse que não vai alimentar marmanjo não. - Se jogou pra trás suspirando. - Aquele mão de vaca.

- Eu ouvi isso. - A voz de Kiba soou um pouco ao longe. O moreno guardava os papéis com cifras e letras.

- Falei pra ouvir mesmo! 

Gaara rolou os olhos vendo o loiro ao seu lado dar dedo pro guitarrista. Se esforçou para se levantar e voltou a tirar a guitarra do pedestal. Iria guardar pra ir logo.

- Foi mal, na próxima eu vou estar melhor.

- Errar no ensaio tá tudo bem, o problema é errar na hora H, né.  - Lee riu se aproximando do ruivo. - Descanse hoje para amanhã você estar perfeito.

- Vamos fazer o próximo ensaio à tarde. - Kankuro sugeriu.

- Não mesmo. - Kiba falou terminando de guardar as músicas. - Sabe que estudo a tarde. Você é chato em.

- Eu também. - Lee levantou a mão.

- Caraca, vocês são um saco. - Kankuro fechou a capa do seu contra-baixo e a colocou pendurada no ombro. - Se eu não gostasse de tocar, vir cedo de manhã seria uma tortura.

Gaara que até então estava calado arrumando suas coisas, colocou a alça da capa da guitarra pendurada no ombro e os olhou.

- Eu vou indo, ainda tenho que cozinhar o almoço. O ensaio foi bom, apesar dos meus erros. 

- Você quase estragou ele né… Ai! - Lee fez uma cara de dor com a cotovelada de Kiba. Gaara soltou uma fraca risada.

- Desculpa, prometo que foi só hoje.

- Tudo bem, cara. - Deidara disse e em seguida Kiba os apressou em ir embora. Literalmente, expulsando o grupo.

Cada um foi para um lado depois de uma rápida conversa. Gaara, como sempre, pegou um ônibus e foi para sua casa. Quando chegou, notou que a porta estava entreaberta. Provavelmente culpa de seu pai, que nunca prestava atenção. No mesmo instante que abriu, tomou um leve susto com uma moça do lado de dentro pronta para sair.

Ela era morena e alta, sua maquiagem era forte assim como o cheiro de cigarro que devia estar em todas as partes de seu corpo. O cabelo da mesma estava desgrenhado, porém ela parecia ter tentado arrumar em algum momento. O vestido vermelho escuro parecia ter embalado a vácuo seu corpo, de tão apertado. Fazia os grandes seios quase pularem para fora. 

Todo o perfil da mesma não o deixava com muitas dúvidas do que estava acontecendo. 

Ela encarava o ruivo com uma cara nada envergonhada e até um pouco debochada. 

- Com licença. - Pediu. 

O ruivo soltou o ar deixando seus ombros caírem e deu passagem para a mesma. Sua expressão de poucos amigos não abalou em nada a mulher, que apenas ignorou. 

- Obrigada. - Respondeu antes de voltar a andar. A observou andar despreocupada na calçada.

Gaara entrou em casa. Sua vontade era dar meia volta e não entrar ali, mas acabou entrando e fechando a porta. Observou a sala por um tempo antes de ir direto para seu quarto. Tentaria excluir isso das suas memórias, apenas para não aumentar ainda mais seu ódio por seu pai que devia estar no quarto dele.

Assim que chegou no quarto, colocou sua guitarra no canto ao lado de sua cama e caminhou até seu guarda-roupa o abrindo e procurando um remédio pra dor de cabeça. Assim que achou, saiu do quarto e caminhou até a cozinha. Abriu a geladeira e pegou um pouco de água para tomar com o remédio. Após o fazer, ouviu passos entrarem no local. Nem se virou para ver quem era, afinal, já sabia.

- Chegou que horas? - Perguntou o pai.

- Não devia estar trabalhando? - Respondeu com uma pergunta.

- Fui demitido. - “De novo.” Gaara completou em seus pensamentos.

- E mesmo assim gastou dinheiro com uma prostituta?

- O que faço com meu dinheiro não é problema seu. 

Gaara se virou olhando o homem ainda na entrada da cozinha. Ele estava com a barba mal feita, uma bermuda e o cabelo grande e bagunçado. Não sabia se sentia nojo ou pena do próprio pai.

- Ainda bem que não é. - Resmungou. - Você só joga dinheiro no lixo.

- Olha como fala comigo, sou seu pai.

- Pai. - Gaara o olhou diretamente nos olhos. - Você já perdeu qualquer tipo de respeito que eu tinha por você. - Disse sério, por mais que soasse como rebeldia, Gaara falava aquilo lamentando por dentro. - Você bebe e se droga todos os dias, trouxe uma prostituta meio dia pra casa. Como você ainda tem coragem de me mandar falar direito com você? - Perguntou mantendo seu tom sereno.

- Quem você pensa que é?! - Seu pai se alterou levantando a voz. - Está sob meu teto!!

- Você mal consegue manter essa casa. Se não fosse por mim, nem comida tinha nesse lugar. - Se virou indo até a geladeira, pegou o frango temperado para fritar.

- Saia.

Gaara parou o que estava fazendo. 

- Não quero ver sua cara aqui agora, saia da minha casa. - Mandou e pegou uma maçã que estava na cesta em cima da mesa.

O ruivo suspirou pesado fechando os olhos. Se ele não tivesse a calma que tinha, provavelmente já teria socado seu pai em algum momento como esse. 

Fechou a geladeira depois de guardar novamente o que tinha pego e se virou olhando o pai. 

- Certo. - Saiu da cozinha passando pelo homem e foi até seu quarto. Assim que chegou, pegou sua mochila colocando a ampulheta dentro e algumas coisas simples que precisava no dia a dia. 

Ele sempre fazia isso quando Gaara jogava verdades na sua cara. O expulsava por um dia ou dois, mas depois corria atrás dele. O homem não conseguia viver sozinho, precisava do filho e do seu dinheiro. Gaara fazia tudo, limpava a casa, comprava comida, cozinhava. Sem ele ali, a casa virava um caos.

Gaara rapidamente saiu de casa e passou a andar pela calçada. Não entendia porque aguentava isso ainda. Por que se submetia a isso? Estava pronto para ligar para Temari ou Kankuro, sempre se refugiava na casa deles nessa situação. Mas assim que pegou seu celular para fazer a ligação, notou que tinha uma mensagem ali.

A mensagem era de Ino. 

Fechou os olhos levando a mão até a testa se recordando daquele problema. 

“Merda.” Pensou.

Voltou a olhar o celular e devagar abriu a mensagem.

Ino

Preciso encontrar você agora! Me diga onde está, irei até você.”

Parou de andar assim que terminou de ler. Pela mensagem, parecia ser algo sério. Mordeu fraco o lábio inferior pensando em como responderia a mesma. Passou a digitar assim que decidiu.

"Diga você onde está. Estou livre, posso ir até você.” 

Poucos segundos depois, Ino mandou o endereço e o ruivo notou ser perto de sua antiga universidade. Que havia abandonado. Gaara confirmou que sabia ir até lá e se apressou em ir pegar um ônibus até o local que ela havia recomendado.

No caminho, a consciência de Gaara pesava. Não havia decidido se contaria a ela ou como contaria se fosse contar. Estava hesitante em encontrar a mesma. Sabia que não tinha para onde escapar, mas adoraria ter um método mais fácil. 

12:14

Na frente do restaurante que ela havia escolhido, Ino maltratava suas unhas com os dentes por causa da ansiedade. Estava nervosa e não conseguia esquecer a cena que tinha presenciado mais cedo. Ao menos agora, Gaara não a chamaria de louca e acreditaria nela.

Olhou ao redor procurando a cabeleira ruiva em algum lugar no seu campo de visão e, por coincidência, acabou o enxergando, caminhando na mesma calçada em que estava. Por alguns segundos se esqueceu do que a estava perturbando no momento. Seu foco estava todo em Gaara que vinha em sua direção.

O ruivo olhava para frente ao andar, não olhava para baixo nem para para se prevenir de tropeçar em algo. Sua mão esquerda estava dentro do bolso frontal da calça bege clara e a outra segurava a alça da mochila marrom no ombro. Em cima o mesmo usava uma camisa branca e uma jaqueta jeans azul claro. Ino desceu os olhos até os tênis pretos do mesmo admirada. 

Naquele momento, imaginar Gaara andando numa passarela deixou a loira inspirada. Ele andava naturalmente bem e roupas cleans o deixavam tão lindo, que teve certeza que podia chorar ali mesmo. Notou que ele estava ficando mais próximo e rapidamente deu uma leve chacoalhada de cabeça para espantar os pensamentos. O olhou logo em seguida e encarou o mesmo assim que ele parou alguns passos à sua frente.

Gaara olhou a loira a sua frente e, por algum motivo, sentiu como se não tivessem se visto a muito tempo. Achou estranho, então ignorou.

- Demorou, em. Estava quase entrando sem você. - A loira passou por ele e seguiu até a porta do restaurante a abrindo e voltando a encarar o rapaz, dava espaço para ele entrar primeiro.

- Por que não entrou? Não precisava me esperar. - Perguntou indo até ela subindo os três degraus que haviam ali. Ino o olhou sorrindo sem vontade.

- Apenas quis ser legal por consideração. Vou me lembrar disso na próxima vez.

Gaara entrou no restaurante guardando por alguns segundos a frase da mesma em sua mente. Ela o seguiu logo depois. Os dois escolheram uma mesa do local e se sentaram, Ino soltou todo o ar de seus pulmões se preparando para falar sobre o que tinha que falar com ele. Já o ruivo, se mantinha um pouco hesitante na frente dela. Um clima estranho se instalou ali, de um lado a ansiedade e nervoso reinava e do outro hesitação e dúvida. Mas não durou muito, já que o garçom chegou mostrando os cardápios e avisando que quando precisassem poderiam chamar. Ambos agradeceram e ele se foi. Sem saber o que fazer de imediato, Gaara abriu o cardápio para escolher seu pedido, mas quando o viu, teve seu estado de negação ativado.

- Por que escolheu esse lugar mesmo? - Perguntou colocando o cardápio na mesa. Sentiu o fino caderno até ficar mais pesado.

- Hm? Ah, por que era o local mais perto. - Disse calma abrindo o cardápio. No instante que a mesma abriu o cardápio, Gaara viu a loira o fechar devagar e colocar em cima da mesa. Franziu o cenho a vendo calada olhando a mesa, mas logo o olhou com um sorriso gentil. - Se importa em levantarmos e sairmos daqui? - Gaara olhou a loira demorando para entender que ela havia pensado o mesmo que ele.

O cheiro de fritura deixava Ino com ainda mais fome e com muita vontade de beber alguma coisa para acompanhar. Os dois haviam decidido deixar aquele restaurante e saíram escondidos do garçom que havia os atendido. Quando saíram, Ino conseguiu ver um homem vendendo Takoyaki na rua e, no mesmo instante, puxou Gaara até o senhor e o encorajou a comprar junto com ela.

Até então, o ruivo ainda estava surpreso com o comportamento da Yamanaka, então, a olhava curioso enquanto ela esperava ansiosa seus Takoyakis. Assim que ficou pronto, eles pagaram cada um o seu pedido e se despediram do senhor que agradeceu.

- Eu estava morrendo de fome, passei a manhã toda sem comer. - Disse Ino enquanto abria o pote de plástico em que estava os bolinhos fritos.

- Por que não quis ficar no restaurante? Achei que já havia comido lá.

- Ah não. - Negou com a cabeça. - Só passo na frente. Não achei que fosse tão caro, não valia a pena.

Os dois caminhavam, quase parando de tão devagar, lado a lado na calçada.

- Não achei que o preço ia te fazer evitar comer. - Sorriu fraco. Ino o olhou cerrando os olhos e logo afirmou com a cabeça como se finalmente tivesse compreendido.

- Você acha que sou uma loira rica bancada pelos pais que gasta sem limites. 

- Nunca disse isso. 

- Mas pensou. - Ino riu baixo o olhando e ele olhou para frente não podendo desmentir.

- Ok, mas não pensei que fosse rica, apenas… Descontrolada.

- Descontrolada? - Perguntou ofendida.

- É a imagem que passa na primeira impressão. - Ino deu uma mordida indignada em seu bolinho.

- Tanto faz. Posso até parecer, mas não sou… Descontrolada. - Disse a palavra como se fosse um absurdo. - Mas sou bancada pelos meus pais. - Assumiu. - É o suficiente para não querer gastar tanto em uma refeição. E os Takoyakis estão uma delícia. - Sorriu. Ino percebeu, um pouco mais a frente, uma loja de conveniências com algumas cadeiras e mesas na entrada. - Vamos comprar bebidas e sentar ali! - Apressou o passo quase correndo na direção da loja.

Gaara observou a loira correr um pouco desesperada na frente, notava pela primeira vez a bolsa minúscula que ela carregava. Se perguntou o que que cabia dentro daquilo. Sorriu fraco lembrando do que ela disse. Ao menos ela não era uma dissimulada completa e se preocupava um pouco com o dinheiro dos pais. Caminhou atrás dela e quando chegou na frente da loja viu a mesma sair com dois refrigerantes. 

- Comprei um pra você! - Sorriu e se aproximou de uma das mesas colocando as coisas ali. O ruivo também se aproximou e se sentou junto a ela, ficando ao seu lado. - Eu amo refrigerante, mas tomo pouco. Faz mal pra saúde. - Justificou. Se prontificando para abrir sua bebida. 

- Nós estamos enrolando, não é? 

Gaara perguntou de repente enquanto abria a embalagem com os bolinhos que havia comprado. Ino parou de tentar abrir o refrigerante que estava lutando contra e o colocou devagar sobre a mesa.

- Nós? Você tem algo a me dizer também? - Ino perguntou o encarando. Gaara engoliu em seco e abriu seu refrigerante.

- Por que mandou a mensagem? O que aconteceu? - Ignorou a pergunta e a questionou. Sem pressa, pegou o refrigerante da mesma, que antes não conseguia abrir, e abriu para ela.

- Promete não surtar?

- Por que sempre pergunta is-

- Encontrei o terninho de novo! - Disse eufórica o interrompendo.

- O QU- - O mesmo teve sua fala cortada quando Ino pegou um bolinho e enfiou na boca dele, olhando em volta rapidamente para ver se estavam mesmo sozinhos. Gaara retirou o bolinho da boca e encarou Ino surpreso. - Encontrou ele? Onde? Como? Quando? Hoje?

- Quando ficou tão tão falante?

- Ino! - Chamou a atenção. - Descreva como aconteceu.

- Tá, calma. - Suspirou colocando a franja para o lado. - Eu estava na universidade, acho que era 10 e pouco, não lembro a hora exata. Tava andando pelo corredor com meus materiais do curso. Eu ouvi alguns passos pesados atrás de mim no corredor que eu havia acabado de sair e do nada… Ele apareceu. Foi muito rápido mas não foi confusão minha, estava bem claro lá e consegui ver muito bem. Tentei correr atrás dele, mas o perdi. Depois disso até o procurei de novo, só que não achei em lugar algum.

A expressão de surpresa de Gaara deu lugar a uma expressão séria e pensativa. 

“O que ele estaria fazendo na universidade?”

- Gaara. - A voz de Ino chamou a atenção do ruivo. Ela parecia temerosa. - Primeiro, ele foi até a floricultura da minha mãe. - Engoliu em seco. - Agora na minha universidade. Acha que… Pode estar atrás de mim? Eu não entendo, eu conheço você a muito pouco tempo, se existe alguém tão idêntico a você, o que eu teria a ver com isso? Posso estar achando que o mundo gira ao meu redor… - Desviou o olhar. - Mas depois de pensar tanto… Estou com um pouco de medo. - Afirmou.

Gaara abaixou o olhar pensando nas palavras da mesma. Por isso sentiu a mesma nervosa para falar. Ela estava começando a ficar preocupada. Não a culpava, aquilo era realmente esquisito, mas se ela estava assim apenas por causa daquilo, como ficaria se dissesse o que tinha que dizer pra ela? Seria, claramente, mais uma preocupação e uma loucura difícil de lidar. 

- Fico pensando… - Ela voltou a falar. - E se ele aparecer na minha casa? - Perguntou e Gaara levantou o rosto rapidamente a olhando.

- Não acho que vá acontecer, não se preocupe com isso. Não fique com medo.

- Eu não quero ficar. 

Gaara notou os olhos da mesma mudarem junto com sua expressão. Agora Ino deixou transparecer sua determinação. Se aproximou do ruivo apoiando seu cotovelo na mesa.

- Por isso, precisamos descobrir quem é ele e se ele é perigoso. Você tem algo a me dizer não tem? Disse que tinha uma forma de descobrir algo sobre ele, que ia fazer uma experiência. - Ela tentava lembrar do que ele havia dito.

Gaara ficou em silêncio desviando o olhar para o lado. Ela se lembrava disso. Claro. Voltou a olhar a mesma, que o olhava cheia de expectativas.

- Vamos! Fale e não me esconda nada.

- Ino… Você… Acredita em viagem no tempo?


Notas Finais


Olha eu aqui de novo hehehe Se tiver erros, me perdoeeeem! Obrigada de verdade por ler até aqui!! Até o próximo capítulo! <3


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