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História Like a Photograph - Capítulo 1


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Notas do Autor


EU TO SURTANDO
olha eu de novo, depois de muitos anos.
Espero realmente que vocês leiam com carinho, eu estou preparando umas cenas muito especiais para essa fanfic, então tomem conta dela.
Amo vocês

Capítulo 1 - Prólogo


Jungkook

         — Pegou todas as suas malas que estavam no seu quarto, querido?

— Sim, Mãe.

— Já viu o dinheiro que nós transferimos para você na sua conta?

— Já vi sim, Mãe.

— E você já... —

— Já, Mãe. Eu já peguei tudo para a mudança, não se preocupe com nada. Eu vou me virar em Jeju. — Respondi já cansado de toda aquela conversa. Do jeito que conheço a minha mãe, esse bate-papo de "como vou me sair com uma vida independente" vai durar até eu chegar no meu novo apartamento, talvez até mais do que isso. No fundo, sei que tudo isso é apenas a preocupação natural de mãe em sintonia com o seu lado superprotetor, claro; Porém é difícil manter a cabeça com toda essa proteção, ainda mais quando ela está falando com um jovem de 23 anos de idade.

Mas Jeon, Como você vai lidar em momentos de queda de energia? Já sabe em qual supermercado frequentar? Acho melhor você não sair muito durante à noite, mesmo se mudando para uma cidade pequena, nunca se sabe quando você vai enfrentar um assal—

— Mãe!! - Exclamei, sempre tentando ao máximo não alterar o tom de voz, mesmo sendo bem notável o meu timbre cansado e impaciente — Será que posso desligar? Eu estou dirigindo, pode ser bastante perigoso.

De fato, não estou dirigindo nas melhores condições de viagem: enquanto a destra segura o meu celular  — e tenta ao máximo não desligar a chamada — a canhota segura firmemente o voltante. Mesmo eu sendo um bom motorista e o trânsito estando tranquilo no momento, os riscos de um acidente não diminuem.

Acredito que minha mãe morreria do coração se soubesse que sofri um acidente sem nem seque ter chegado no meu apartamento. Ela provavelmente não ia me deixar sair de casa nunca mais.

— Mas Jungkook, morar sozinho pode ser uma tarefa muito difícil para quem é acostumado a dividir o mesmo teto com uma família grande como a nossa. Vai conseguir se acostumar com a ausência dos gritos, choros e risadas de suas irmãs? Já sabe qual linha de metrô e ônibus pegar para ir para a faculdade caso o carro não funcione? Já aprendeu a lavar suas roupas sem a máquina de lavar? Já sabe quais remédios você deve comprar caso tenha uma dor de barriga? Ou uma febre? E se estiver pensando em comer miojo para o jantar por preguiça de cozinhar, eu vou te forçar a voltar para cas-

— MÃE!!! — Interrompi minha mãe, e, dessa vez, elevando um pouco o tom de voz.

Talvez agora ela pare. Pensei. Não é muito animador quando sua própria mãe duvida de sua capacidade de viver sozinho.

Por mais que eu sabia que tudo isso não passe apenas de uma preocupação natural, não deixa de ser exaustivo ter que aturar tudo aquilo.

Chegando a um cruzamento, bem ao lado de uma enorme praça central, aproximei-me de um semáforo que piscou a sua típica luz vermelha. Naturalmente, diminui a velocidade do meu carro à medida que ouvia minha mãe falando pelo outro lado da linha do telefone. Agora com a atenção totalmente à ela, ouvi alto e claro minha progenitora falar:

— Desculpa, meu amor. Mas é tão difícil ver o meu filho mais velho indo morar tão longe de mim... Só de imaginar que não vou te ver mais tocando o seu violão na varanda durante às noites, ou que eu não vou ver mais o Jin e a Chae contigo quando vocês fizerem um encontro de amigos em casa, ou que você nunca mais vai vir para meu quarto quando tiver um pesadelo... meu filhinho lindo — O tom nostálgico se fez presente na voz da minha progenitora. Quantas lembranças não devem estar passando pela cabeça dela?

Não foi fácil nada fácil convencer a minha mãe de me mudar para uma cidade distante como essa. Contudo, para a infelicidade dela, a cidade de Jeju é a única que apresenta o curso de música que eu quero fazer. Mesmo sendo muito difícil para ela, minha mãe não podia interromper meu sonho de estudar música por causa da sua superproteção. Até porque, uma hora ou outra ela tem que me deixar ir viver a minha vida fora de sua proteção.

— Mãe, primeiro, eu não durmo com você desde os meus 8 anos de idade. Segundo, eu vou me virar, não vai ser tão difícil assim... Certo? — Dou uma pequena pausa quando me concentro em contornar uma rua estreita, prosseguindo logo depois de fazer tal ato — Qualquer coisa, caso algo de errado aconteça, prometo que volto para morar na mesma rua que a senhora, prometo. Mas agora eu tenho que ficar aqui. Mas enquanto eu estiver longe, vou ligar sempre que puder, okay?  Quando o apartamento estiver pronto, você pode vir me visitar com as meninas, eu vou adorar mostrar meu cantinhos 'pra elas.

Um suspiro alto e pesado ecoou pela ligação. É. Não está sendo fácil para ela.

Desde quando meu pai se separou de minha mãe, à uns oito anos atrás, ela diminuiu a carga horária do próprio trabalho e prometeu que iria conviver mais tempo comigo e com minhas irmãs gêmeas — Joy e Seulgi — afirmando que não iría permitir que  perdêssemos o sentimento de uma família unida, e que a separação não iria interferir na nossa convivência quanto pais e filhos. Desde então, minha progenitora — e até mesmo meu pai — praticamente não desgrudam mais de nós.

Parece irônico, mas é verdade. A separação dos meus pais só aumentou a nossa união quanto família

Minha figura paterna, apesar de não morar na mesma casa que nós, sempre faz questão de relembrar do quanto nos ama e que ele sempre vai estar presente nas nossas vidas, mesmo não morando mais com a gente.

Ah, Eu amo muito minha família.

— Você tem razão, filho. Você não é mais uma criança que precisa de cuidados o tempo todo como antes. Agora, você é um homem que vai começar sua vida sozinho, certo?  Lembre-se que a mamãe sempre vai estar aqui se você precisar, ouviu? — Uma pequena pausa se fez na ligação. Por um momento, pude jurar que ouvi um pequeno fungado sentimental pelo outro lado da linha —  Eu te amo muito, meu filho.

Senti meu coração amolecer com todo esse amor de mãe e involuntariamente sorri. Meu peito transbordava um conjunto de emoções que eu não sabia explicar — Talvez medo, insegurança, aflição — Mas o amor de família agora palpita mais alto.

Abri um grande sorriso para a minha mãe e, apesar de saber que a mesma não conseguia enxergar minha alegria, tenho certeza que ela fazia o mesmo ato agora.

Não tem sensação melhor do que saber que é amado.

— Eu te amo, mãe.

— Eu te amo, meu amor. Espero que você seja feliz com sua nova vida, que conheça lugares novos e pessoas maravilhosas. Sei que morar longe do Jin, da Chaeyoung e de sua família deve estar sendo difícil no momento, mas eu não duvido que em algumas semanas você me apresente novos amigos e colegas tão maravilhosos quanto a gente.

— Obrigada Mã—

— Será que esse ano você desencalha??? — Fui interrompido novamente pela animação de minha mãe. Minha cara se fechou na hora.

Revirei os olhos — mesmo sabendo que minha genitora não podia me ver — e respirei fundo, já esperando aquele assunto novamente. 

Céus, Por que comigo?

— Mãe...

— Não vejo a hora de te ver com uma namoradinha, Céus! Imagina ver uma garota que mexa com o coração gelado do meu filho? Ela tem que ser muito boa mesmo para conseguir te conquistar. Será que ela vai ser uma menina doce e delicada ou uma garota forte e animada?

— Mããe...

—Verdade, verdade, pode ser um namoradinho, esqueci. Eu sei que você é hétero e que já ficou com várias meninas, mas nunca se sabe quem o coração escolhe para amar, viu? Então se você aparecer com um namoradinho aqui em casa, mamãe vai amar muito também. Está vendo como eu sou uma mãe superhipermegaatual?

— Tá bom Mã-

— Mas lembre-se de usar camisinha, ouviu mocinho? Não é porque você não engravida nas relações homoafetivas que você não deve se prevenir de doenças sexua—

— MÃE!!

(...) 📷  

Era início da tarde quando estacionei meu carro bem em frente ao meu novo lar: Um apartamento não tão chique ou luxuoso, porém, aparentava ser confortável para alguém que iria morar sozinho, como eu. O prédio fica bem no meio de uma rua paralela a uma avenida não tão movimentada da cidade de Jeju, o que transmitia uma sensação de tranquilidade pelo bairro.

Já no prédio em si, há a prevalência de uma paleta de cores variando com o branco, bege e o verde — Apesar de pequenas falhas na pintura em algumas regiões; o imóvel não deixava de ser bonito e bem cuidado.

Parei de fitar a minha nova casa e desci do meu carro. O coração batendo a mil. As mãos suando de nervosismo..

Eu não estou acreditando no que está acontecendo. Eu vou morar sozinho!!! Finalmente. Pensei, uma sensação gostosa de independência percorreu todo o meu corpo

Acompanhado com uma de minhas malas —  a única que não foi no caminhão da mudança — e com meu fiel companheiro, meu violão, fui andando em direção a portaria, sempre me dando o trabalhado de analisar cada detalhe do condomínio.

Logo na portaria, alguns moradores entravam e saiam de modo habitual pelo hall de entrada, ocupados demais com suas próprias atividades para notarem a presença de um novo residente do edifício.

Entrei no hall de entrada. Os pensamentos negativos gritando em minha mente.

É melhor voltar.

Isso não vão dar certo.

Você fugiu apenas para tentar preencher o vazio de sua vida com a sensação de independência.

Parei bruscamente na calçada com os olhos arregalados. Eu não posso permitir esses pensamentos, não agora que eu cheguei tão longe.

Respirei fundo uma, duas, três vezes para voltar ao meu destino.

Respire. Um, dois, três. Respire. Um, dois, três.

Logo de cara pude ver uma figura masculina sentada desleixadamente — Embora apararentava-se atento com as pessoas que passeavam pela calçada — na área onde permanecia o porteiro. Provavelmente aquele homem devia exercer tal função.

Quando me viu descer do carro, o homem, de uma maneira desastrada e atrapalhada, sentou-se com uma postura exageradamente ereta e falou de forma formal:

— Sr Jeon?

— Sou eu sim. — Respondi enquanto adentrava o edifício com os meus pertences. Com um pouco de dificuldade — afinal, não era nada fácil sair andando sozinho com uma mala de mão relativamente grande e um violão nas costas — fiquei frente a frente com o porteiro, com apenas uma pequena divisória de vidro nos separando.

— Você é o novo morador do 701°, certo? 

— Sim, sou eu mesmo.

— A sua mãe me ligou faz umas duas..... Três? — O porteiro adquiriu um aspecto pensativo na face enquanto tentava lembrar com exatidão o tempo que minha mãe informou que eu chegaria. Se eu não estivesse tão agitado para entrar logo em meu apartamento, eu acharia graça de sua expressão — Sim, sim, faz três semanas mesmo. Enfim, ela avisou que você iria chegar provavelmente hoje.

A figura de porte mediano começou a procurar por algo perdido no bolso do seu uniforme azul. Ao mesmo tempo que ele parecia distraído em suas buscas, pude analisar o porteiro mais atentamente: O homem não devia ter uns 40 anos de idade, apesar de transmitir uma áurea jovial e desastrada, ele deve ser bem simpático e muito alegre. Seus cabelos são loiros com apenas alguns sutis fios de cabelo brancos, que deixavam suas madeixas ainda mais elegantes. Sua face levemente enrugada revelava facilmente alguns traços da idade. Tinha um aspecto de ser alguém bem leve e social.

Depois de alguns minutos — no qual pareceram horas para mim graças ao meu nervosismo — Notei que o porteiro retirou uma pequena chave do bolso e estendeu para mim pela única abertura na região inferior da divisória de vidro. Na hora, pude sacar do que se tratava aquilo: É a chave do apartamento!

Duas semanas antes de eu organizar meus pertences pessoais para a mudança, minha mãe avisou que não conseguiu pegar a chave com o proprietário do apartamento. Quando perguntei o porquê, minha genitora respondeu que o antigo proprietário do imóvel estava tão ansioso para deixar o apartamento que nem me esperou chegar: Partiu cinco dias depois que fechamos o negócio com ele.

Agora, com o objeto em minhas mãos, pude verificar que a pequena chave tinha um chaveirinho preso nela: Uma imagem de uma máquina fotográfica estilo Polaroid. Estranho, mas adorável

— Meu nome é Hungook, e, como poder ver, sou o porteiro daqui. Qualquer coisa que esteja fora de ordem, pode me interfonar que eu vou correndo te ajudar. — O porteiro falou com a áurea formal, ainda que simpática.

Sorri tímido quando o funcionário permitiu minha entrada pela catraca. Só agora tive a sensação completa de ser um morador daquele ambiente.

— Obrigado Hungook, é um prazer conhece-lo — Estendi a destra para um aperto de mão com o porteiro, gesto que foi educadamente retribuído — Peço que me avise quando o caminhão da mudança chegar enquanto eu subo e verifico as coisas com o apartamento.

Hungook acenou com a cabeça e abriu sorriso de boas-vindas para mim. Andes de eu entrar de fato no edifício, ele me informou onde ficava o elevador social, o elevador de serviço e as ademais atrações sociais do prédio: O salão de festa, a piscina e o salão de jogos. Agradeci com uma referência e pus-me a adentrar a parte interna do prédio. A primeira área que eu visualizei foi uma pequena área infantil externa, onde algumas crianças brincavam entre si nos brinquedos do parquinho, na companhia de alguns adultos que estavam concentrados em seus pupilos. Já no interior do prédio, havia uma sala totalmente espelhada e larga que, ao final, seguia aos elevadores. Ainda no hall, havia duas lindas poltronas verdes-ciano com um conjunto de quadros logo atrás, e entre elas, um centro de canto amarelo com um delicado vaso de flores contendo lindas orquídeas cor-de-rosa.

Finalmente entro no elevador, ainda com as chave nas mãos, e pressiono o andar de número 7. Foi só nesse momento que percebi que meu coração estava a mil, além de minhas palmas estarem encharcadas de suor.

Só agora que a ficha realmente caiu para mim. Eu vou morar sozinho.

Será que eu realmente vou conseguir viver bem?

Um sensação estranha percorreu meu peito.

Pela primeira vez em anos, estou com a sensação de realmente estar só. Agora, vai ser minhas decisões, meus horários, minhas regras, minha vida.

Será que vou conseguir fazer amigos?

Tive um sobressalto quando as portas do elevador se abriram e revelaram o meu andar. Talvez agora eu possa me desprender de meus pensamentos e focar no meu objetivo principal.

Logo de cara pude ver uma grande porta marrom com os números " 7. 0. 1 " em destaque. Os outros apartamentos pareceram sumir do meu campo de visão, meus olhos só focavam no imóvel à minha frente.

Apartamento 701. Lá está ele, bem em minha frente.

Novamente peguei minha mala e meu violão e saí em direção ao apartamento. Minhas pernas pareciam que iam despencar a cada passo receioso que eu dava em direção à porta.

Calma, Jungkook, agora é a sua vida. Você vai conseguir! Você vai viver feliz sozinho

Parei bruscamente quando fiquei frente a frente com a grande porta marrom, fitando-a de cima para baixo. Meu futuro, minha nova vida, ia começar ali, bem atrás daquela porta.

Levei à destra trêmula — que segurava firmemente a chave — até a maçaneta, ouvindo o barulho da tranca se abrindo logo em seguida. Cada vez mais, a ponta dos meus dedos iam adquirindo uma colocação branca pela força que eu fazia ao segurar a maçaneta.

Antes de abrir a porta do meu apartamento, um suspiro apavorado e pesado escapa de mim. Respiro fundo para tentar me recompor, o que pareceu ser uma tarefa difícil quando os meus pensamentos não ajudavam em nada. Eles só aumentavam ainda mais a minha ansiedade.

Será que fiz a coisa certa?. Mesmo a contragosto, não consegui evitar esse tipo de pensamento. Será que era isso mesmo que eu queria para mim?

É inegável que por trás minha da animação de morar sozinho, há o medo de eu não conseguir me virar com aquela nova vida. Afinal, é uma mudança de rotina muito brusca, que não tem mais volta. Será que minha mãe estava certa? Será que vou viver bem?

De repente, como um ímã prendendo a minha atenção, desviei o olhar da grande porta em minha frente para minha mala azul, esquecida aos meus pés.

Meu violão também ganhou uma atenção minha: O peso dele parecia ser maior em minhas costas.

Como se eles estivessem me relembrando do maior motivo de eu estar aqui.

Essa é a minha decisão, não vou amarelar agora.

Não Jungkook, você não vai fracassar. Este é o seu sonho.

Segurei a maçaneta com mais força, a motivação correndo por minhas veias. A animação começou a ganhar voz em minha mente.

Nunca desista do seu sonho.

Encorajei-me uma última vez antes de fechar meus olhos e abrir de vez a porta do meu apartamento.

E eu nem percebi que prendi a respiração no processo.

Mesmo com os olhos fechados, sinto a brisa da ventania atingir-me com leveza em meu rosto pálido devido à ansiedade. Obriguei-me a relaxar a medida que os fracos ventos da tarde brincavam com minhas madeixas amorenadas como a cor das folhas do outono.

Respire. Respire. Respire

Respirei profundamente, tentando ao máximo controlar as batidas frenéticas de meu coração. O cheiro suave de lavanda atinge minhas narinas, trazendo uma sensação gostosa de conforto.

E, Principalmente, trouxe uma sensação de casa.

Ao menos o antigo proprietário limpou todo o apartamento com uma ótima fragrância.

Já tive uma ótima impressão do imóvel, mesmo de olhos fechados e com a minha mente obrigando-me a voltar atrás.

Movido pela coragem e pela boa impressão,  nem hesitei ao abrir os olhos de vez, dando de cara com um ambiente totalmente vazio, limpo e muito bem cuidado.

Tive a sensação de alguém ter tirado um peso de minhas costas.

Soltei o ar preso em meus pulmões. Meus olhos arregalaram-se surpresos. Senti-me tão leve quanto uma pena.

E olhe que meu pesado violão ainda está sobre elas.

Apesar do apartamento não ser tão grande, ele é visivelmente muito bem dividido. O primeiro cômodo que vi foi a grande sala de estar, com uma linda varanda logo adiante dela. Logo na direita, vi que tem uma cozinha americana, com alguns móveis mobiliados cor de madeira. Adiante, há um largo corredor, que provavelmente vai para a suíte principal, o banheiro e o quarto de visitas.

Dou os primeiros passos para dentro do imóvel, olhando para todos os lugares que eu pude enxergar. A mobília foi muito bem cuidada pelo antigo morador: não havia uma única rachadura, uma única falha na pintura ou manchas pelas paredes. O antigo proprietário teve o senso de preparar bem o imóvel.

Deixo minha mala e meu violão bem ao lado da porta e adentro o cômodo. Mesmo com ele totalmente vazio, já imagino onde vai ficar cada objeto meu. Uma pequena organização coma a surgir em minha mente.

Naquela parede vai estar o sofá com o centro de minha mãe comprou e  o meu conjunto de quadros da Marvel. Ali vai ficar a raque, a tv, e depois vou comprar um vaso pequeno e colocar bem ali. Na varanda vou pôr uma rede e uma prateleiras para colocar gumas plantas e um bebedouro de passarinhos. No balcão da cozinha posso colocar dois bancos altos, e bem ali....

Sigo para o corredor e trato de abrir a primeira porta à esquerda. Achei o banheiro.

Então, ali, naquele pequeno armário, vai ficar as toalhas de visitantes, junto com os sabonetes e cotonetes. Preciso de um tapete para pôr bem aqui. Esse banheiro vai ficar lindo.

Vou para o quarto de visitas, que não é muito grande, como imaginei. Lá, já havia mobiliado um guarda roupa e algumas prateleiras totalmente brancas.

Certo, então aqui vou deixar por último para arrumar.

Segui em direção ao último quarto do imóvel: a suíte.

Indo em direção à última porta, notei que meus pensamentos calaram-se em minha mente. Sorri vitorioso.

Agora estou bem mais calmo. Talvez agora tudo dê certo.

Abri com cuidado a última porta do corredor, ansioso com o meu quarto. Os raios de sol que entravam forte pelo cômodo ofuscavam a minha visão, mas pude ver o quanto o quarto é grande o suficiente para caber tudo o que eu precisava. Ou até mesmo tudo que eu não precisava.

A suíte é muito bem iluminada e muito bem ventilada pelo clima do outono. Mesmo com as janelas ainda fechadas, o som do vento se chocava forte contra o vidro, fazendo um som gostoso de se ouvir.

Entrei no quarto, admirado com o cômodo, com a casa, com a minha vida. Eu estava tão admirado com o imóvel que eu nem percebi que tropecei em algo que estava bem aos meus pés.

Mas o que...

Por sorte, consegui me equilibrar a tempo de não cair com a cara no chão.

Mas o que é isso?

Olhei para o chão, confuso. Eu estava tão admirado que nem notei que há uma pequena caixa ali.

Com o cenho franzido, sentei no chão e peguei a pequena caixa com cuidado. Não havia nenhum bilhete ou aviso ao redor dela, e não parecia uma caixa de alguma  embalagem de algum produto de uso doméstico.

Chacoalhei-a, notando que havia um certo peso dentro dela. Há algo dentro daquela caixa, algo pesado.

Com certo medo, coloquei a pequena caixa novamente no chão.

Será que eu devo abrir? Pensei. Hm... Por que não?

Abri o objetivo com cuidado e com certo receio. O que será que poderia ter ali?

Arregalei os olhos quando vi o que tinha ali dentro.

Há uma câmera fotográfica ali.

O antigo dono deve ter esquecido ela.

Fico um tempo observando o objeto. Como alguém consegue esquecer aquilo?

Era notável que a câmera não era uma câmera qualquer. Uma dessas no mercado deve ser bastante cara, além dos equipamentos extras que vinham nela, como o enorme flash que destacava toda a câmera.

Droga

Rapidamente, peguei o celular do bolso e disquei o numero da minha mãe.

Talvez ela deve saber de algo.

Após alguns toques na linha de espera, ela finalmente atendeu.

— Alô?

— Oi Mãe, sou eu.

— Jungkook meu filho!! Mas você já chegou? Que rápido. Já queimou alguma coisa na cozinha e você tá pedindo ajuda?

— O que??? Não!! Não mesmo. Olha, preciso de sua ajuda. — Falei ansioso.

Uma leve risada se fez presente do outro lado da linha. O que será que ela está pensando?

— Puxa, mal chegou na cidade e já está querendo dicas de como conquistar alguém? Poxa querido, pelo menos chame a garota para um encontro. Não seja tão apressado assim. Amor a primeira vista nem sempre te leva para um bom caminh—

— MÃE!! — Gritei enquanto ria desacreditado. Não é possível que ela só pensa nisso. — Eu não estou apaixonado...—

—Ainda...— Ela me interrompeu como sempre. Revirei os olhos, frustrado.

— Enfim, preciso de sua ajuda. A senhora ainda tem o número do antigo proprietário?? Acho que encontrei algo que pertencia a ele...

Um longo silêncio se fez presente pela ligação. Talvez ela esteja pensando na possibilidade de alguma malícia vinda do meu pedido

— Não querido, não tenho mais. Excluí o número dele quando assinei o contrato da casa, sinto muito.

— Mas você se lembra do nome dele? Ou de como ele era? — Perguntei. Inconscientemente levei as unhas à boca, descontando o nervosismo na minha úngula

—Hm... Poxa agora você me pegou. Qual era o nome dele? Jiheon? Taeboon? Droga... Eu realmente não lembro.

Um suspiro decepcionado escapou de mim. Isso vai ser mais difícil do que eu pensava

— Mas como ele era? Você se lembra de algo dele? — Perguntei esperançoso

Qualquer informação sobre ele é bem importante agora.

— Bom, da última vez que o vi, ele tinha um cabelo vermelho, já desbotando para o rosa. Provavelmente ele deve ser mais alto que você, por uma diferença muito mínima de altura. Hm.... Ah!! Ele tinha um estilo meio... diferente? Não sei explicar... Um estilo bem singular, mas ainda sim bem bonito.

— Só isso? Não tem mais nada?

— Bom, ele era bastante bonito. O menino mais bonito que eu já vi. Se eu tivesse idade ainda eu 'pegava...

Senti minha face ganhar uma coloração avermelhada. Droga. Por que eu sou tão expressivo?

O ruim de ter uma mãe solteira é ter que ouvir os seus encontros românticos... E outras coisas.

Lembro de uma vez que minha genitora saiu com um cara para um encontro romântico em um restaurante. Nesse dia, ficamos na casa do meu pai porque ela só chegou em casa no dia seguinte, com o batom todo borrado e algumas marcas não tão discretas no pescoço.

O pior foi ter que ouvir todo a descrição do encontro quando ela chegou.

— Mãe...

—Ele parece ter sua idade, filho. Por que você não investe? Ele parecia ser um cara bem legal, deve ser um bom namorado. Por que você não...

— Obrigada pela ajuda, Mãe, mas agora eu tenho que ir, tenho muito que arrumar ainda. Tchau!!

Desliguei antes que ela me deixasse constrangido com algum assunto desse tipo novamente.

Desviei o olhar para a câmera que ainda estava em meu colo, tentando achar alguma pista sobre o dono do objeto.

A câmera é bem pesada e tem uma lente de um tamanho consideravelmente grande. No painel, há vários botões no qual eu não tenho a mínima ideia do que se trata. Um botão um pouco maior do que os outros, provavelmente o botão de ligar e desligar, se destaca na parte superior do objeto. Por fim, há uma fitinha vermelha que servia para apoiar a câmera no pescoço.

Analisei de perto a fitinha delicada. O vermelho da fita não é tão vivo, pelo contrário, é um tom bem leve, quase opaco. Notei que tem gravado nessa fita tem em destaque um nome em amarelo vivo.

"Vante"

Vante? O que é isso? Uma marca de eletrônicos?

Guardei o objeto na caixa com cuidado — Um daqueles deve ser muito caro, afinal— com a mente rondando.

Como caralhos alguém esquece um item tão valioso?

Como eu vou encontrar o dono se minha mãe apagou o número dele?

E por onde eu começo a procurar?

Pela câmera!. Uma voz distante sussurrou em minha mente.

Talvez alguma foto tirada pelo antigo dono possa me ajudar.

Mas vasculhar algo tão pessoal não seria invasão de privacidade?

Olhei para o objeto, aflito. Eu não tenho outra opção: se eu quiser encontrar o proprietário, tenho que vasculhada as fotos

Não é?

Com resseio, peguei a caixa mais uma vez. Suspendendo-a de meu colo.

Não custa tentar, certo? Qualquer coisa eu me desculpo pela invasão de privacidade com o do—

Triiiiiiim

Tive um sobressalto quando ouvi o telefone da portaria ecoar pelo apartamento vazio. Provavelmente o caminhão da mudança deve ter chegado

Deixei a caixa — que eu quase tinha derrubado com o susto — no chão e corri, ainda trêmulo, para atender o telefone.

— Boa tarde?— falei, ainda tentando controlar o tom de voz que ainda tinha requisitos de nervosismo.

— Sr Jeon? É da portaria. O caminhão da mudança acabou de chegar. Posso autorizar a entrada?

— Claro, Hugkook. Já estou descendo para ajudar o pessoal.

— Okay!

Desliguei o telefone e dei uma última olhada para a caixinha na suíte antes de sair do apartamento em direção ao elevador.

(...)

— Onde coloco essa caixa aqui, Sr. Jeon?

— Pode colocar ali

— E esta?

— Aqui mesmo

— E esta?

— Aí mesmo — apontei para o lugar indicado.

Eu, Hugkook e o pessoal da mudança estávamos a mais de meia hora só subindo  com caixas e mais caixas, móveis e mais móveis. Parecia que não ia acabar nunca. Quando pensávamos que as caixas tinham acabado, mais caixas apareciam de algum canto do caminhão.

Meus braços reclamavam devido à força excessiva e constante para deslocar meus pertences ao apartamento. Meus cabelos estavam grudados na minha testa por causa do suor devido ao esforço. Minhas pernas pareciam que iam ceder a qualquer momento.

Eu preciso descansar urgentemente.

Uma pena que a minha cama ainda não está construída, porque provavelmente eu nunca mais iria sair de cima dela.

— Pronto, Sr. Jeon, todos os eletrodomésticos estão devidamente instalados em seus devidos lugares — Hugkook disse enquanto carregava uma caixa de ferramentas junto com si. O porteiro parecia tão cansado quanto eu e todos que estavam ali.

— Esta é a última caixa do caminhão —Uma das pessoas que trabalhava na equipe da mudança avisou. Finalmente acabou! — Onde eu coloco essa caixa aqui?

— Pode deixar aí mesmo — Falei sem interesse para a caixa. Eu só queria tomar um bom banho e deitar no sofá da sala, talvez eu dormisse até o início das aulas . — Amanhã eu arrumo o restante das coisas. Muito obrigada pela ajuda pessoal — Fiz uma referência exagerada e cansada, porém necessária. Sem eles, eu nunca iria conseguir organizar tudo em um único dia sequer, devo agradecer muito pela ajuda de todos ali.

— Então, já vamos indo, obrigada por escolher nossa equipe de mudança para o serviço. — Toda o grupo começou a ir embora de minha nova casa, só restando eu e o Hugkook.

— Bom, se não precisa de mais nada, eu vou também — Hugkook estava prestes a cruzar a porta quando eu gritei para ele:

— ESPERA! Hugkook, você ainda tem algum contato com o antigo proprietário? Eu encontrei algo que possa pertencer a ele.

Hugkook pulou no susto e olhou para mim com os olhos arregalados. Seria cômico se meu não estivesse tão ansioso por respostas, quaisquer que sejam elas.

Depois de se recompor, o funcionário falou:

— Bom, a portaria se desvincula de todo e qualquer número de antigos moradores quando eles não moram mais aqui, então não posso te ajudar muito...

Droga...

— Mas você não se lembra nem do nome dele? Ou de como ele era? — Nem notei que eu passei a falar mais rápido, ou até desesperado, pela resposta

Hugkook pareceu se assustar com o meu desespero, mas o porteiro não deixou de me responder.

— Por incrível que pareça, mesmo sendo um porteiro, eu sou péssimo com nomes.  Só lembro do seu porque ele é parecido com o meu, mas o nome dele eu nunca conseguia acertar — ele fez uma pausa enquanto pensava. Seu silêncio e a flata de respostas me fez cogitar na possibilidade de desistir de tudo aquilo — Eu lembro que ele não era tão social assim, era mais quieto e na dele. Às vezes vinham uns dois ou três amigos, mas na maioria das vezes ele não saia de casa. Também não lembro o nome dos amigos dele... Ah! Lembrei que ele tinha um cabelo azul e tinha um estilo bem vintage.

Que? Azul?

Mas não era vermelho...

Que estranho...

— Oh, certo. Muito obrigada mesmo assim Hugkook — Agradeci com o semblante desanimado, que não deixou de ser notado pelo funcionário.

— De nada, mas se você se importa tanto com o objeto do antigo dono, você deve investigar mais. Até mais Jeon.

O porteiro fechou a porta com um barulho audível, me deixando sozinho com o meu mistério.

Parado no meio da sala totalmente bagunçada, refleti sobre a fala do porteiro

Por que que eu me importo tanto?

Peguei meu violão e segui em direção à suite novamente. A caixa ainda estava lá, jogada em um canto qualquer do cômodo.

Coloquei meu violão em um canto qualquer do quarto e peguei-a do chão e, mais uma vez, retirei o objeto da caixa para analisá-lo melhor.

Essa câmera parece ser bastante cara. Não é qualquer um que consegue uma dessas. Para alguém comprar um objeto tão caro, deve ser importante para ele. Pensei.

Se eu perdesse meu violão, eu iria querer que alguém devolvesse para mim

Para alguém comprar algo tão caro, deve ser porque esse objeto é especial.

Apertei o botão superior da câmera, e, como eu esperava, ela começou a iniciar.

Sentei de pernas cruzadas no chão da suíte, escorado em algumas caixas, que esperavam para serem devidamente guardadas, e esperei a câmera ligar.

Eu me importo. É questão de empatia. Não vou deixar isso de lado sem nem ao menos tentar fazer algo pelo dono do objeto

Quando a câmera ligou, fui direto para a galeria vasculhar algumas fotos previamente salvas no objeto.

Uau....

As fotos são muito mais do que bonitas... São incríveis!!

As fotos pareciam terem saído de uma pintura de tão magníficas que são. É uma foto mais bonita que a outra!

Eu não entendo nada de fotografia, mas a cada foto que eu via, um ângulo, um efeito, uma paisagem, tudo parecia ficar mais bonito a cada foto que eu vasculhava.

Para a minha infelicidade, não havia nenhuma foto de alguma pessoa ali. Só têm fotos de lugares que eu não conhecia ou objetos com um filtro muito elegante. O dono desse item realmente é um fotógrafo profissional.

A última foto tirada é uma foto tirada de frente de o que parecia ser um enorme parque, ou até mesmo uma praça muito grande. É a foto mais linda que eu já vi.

Espera...

Eu conheço essa praça!

No caminho da mudança, eu lembro de ter visto um parque muito parecida com esta da foto. Se não me falha a memória, foi no momento em que eu estava sobrando um pequeno cruzamento, enquanto eu conversava com a minha mãe pelo telefone...

Deixei a Câmera repousando em meu colo enquanto eu buscava pelo meu celular.

Que não seja tão longe, que não seja tão longe, que não seja tão longe...

Desbloqueei o meu aparelho e fui ao Maps. Coloquei a palavra chave "praça" e cliquei no botão de busca.

Que seja perto, que seja perto, que seja perto...

Em poucos segundos, o aplicativo mostrou as informações que eu precisava:

"Praça central de Jeju: 7 minutos de distância de sua residência"

Talvez alguém de lá conheça o famoso fotógrafo!

Em um sobressalto animado, fiquei em pé, ainda com a câmera e meu celular em minhas mãos. Um sorriso vitoriosos começou a surgir em meus lábios. Rodopiei sozinho em meu quarto

Dava para ir andando até lá!

Quando parei de girar, meu sorriso morreu quando olhei para toda àquela bagunça. Será que vale o esforço? Gastar o tempo que você precisa para arrumar tudo para procurar alguém que você nem conhece?

Desviei o olhar para meu violão, ainda parado no canto do quarto, e voltei a encarar o objeto em minhas mãos.

Alguém neste exato momento deve estar louco procurando o seu objeto mais precioso. Alguém deve estar procurando por cada cantinho da rua, avenida, ou até mesmo cada cantinho da cidade por essa câmera.

Eu não sei o que eu faria se eu perdesse o meu violão.

Então sim, Eu vou procurar pelo dono da câmera.







Notas Finais


AAAAAAA EU TO AMANDO ESCREVER!!
Fiquem atentos com todas as informações, falas, cenário e afins da fanfic, pois ela é cheia de plot twits e alguns mistérios.
A gente se vê na próxima


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