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História Like Stars - Jeon Jungkook - Capítulo 1


Escrita por: e jeonbixcoitinho


Notas do Autor


Like Stars é uma história que nasceu em nossas imaginações a um tempo, mas demorou pra ficar pronta. Estou passando ela para minha conta mais ativa, não há nenhum motivo específico... Na capa, um dos usuários está errado, (na verdade é Kim_Taenu e não Taenu_ ), porém, desconsiderem? 👉🏻👈🏻

Meu amor por essa história é enorme, eu e a @jeonbixcoitinho amamos muito ela, e eu gostei. Vale a pena deixar ela no site... Dê amor pra ela... ❤😔

Boa leitura.

Capítulo 1 - Jeon Jungkook


Jeon Jungkook. 

Há um tempo atrás esse nome era apenas uma lenda na minha cabeça. Um sonho no qual não queria me arriscar a acreditar por medo de ser improvável demais. Eu me limitava a pensar que era impossível alguém como ele apenas me olhar, talvez eu tivesse razão. 

Como um completo babaca do terceiro ano, ele ficava bêbado nas festas e tinha qualquer garota que quisesse. Visualmente, parecia autêntico, cheio de si, sem medos, repleto de orgulho. Talvez ele fosse mesmo desse jeito. Jungkook me olhava às vezes, sim, ele me olhava, eu nunca entendi o porquê, mas ele sempre estava ao meu redor. Isso era uma faísca acesa em meu coração. 

Me recordo como se fosse ontem, do dia em que nos encontramos por coincidência na biblioteca, achei estranho vê-lo lá. Jungkook lia um livro atento, não quis atrapalhar, mas acabei esbarrando em uma estante. Seu olhar se ergueu até o meu e estremessi. Ele pareceu tímido, e posso jurar que suas bochechas coraram. Não sabia que ele gostava de bibliotecas.

— Oi. — Disse se levantando com o livro em mãos. Pude ver a capa e constatar que era um livro sobre astronomia. 

— Oi. — Disse, tímida. 

— Pensei que estava sozinho. 

— Vim apenas pegar um livro e já vou indo. 

— Se puder… — Coçou a nuca e eu o observei em cada movimento. — Não comentar com ninguém sobre ter me visto aqui…

— Não seria legal se eles souberem que o Jeon Jungkook lê livros, né? — Lanço uma tentativa de descontração e fico satisfeita quando ele sorri. 

— É que eu queria muito ler esse livro, talvez conseguisse ler só hoje. 

— É sobre o que? — Perguntei, apesar de que já soubesse a resposta, com o coração acelerado por ter conseguido sustentar nosso diálogo

— Astronomia. Exclusivamente estrelas. — Mostra a capa do livro. — Chegou hoje de manhã, queria ler antes de qualquer um. 

— Gosta de astronomia? 

— Eu amo. — Sorri e logo após abaixa a cabeça. — Não conte isso a eles também. Por favor. 

— Qual o problema em gostar de astronomia? E gostar de ler? 

— Você também gosta de ler? 

— Sim. Mas nunca li astronomia. 

— Deveria experimentar, se quiser posso te emprestar. Tenho vários livros em casa. 

— Me emprestar? — Me espantei. 

— Sim. Talvez você goste. 

E gostei. 

Não só da história sobre as estrelas, mas gostei de estar com ele. De termos algo em comum, isso me encantava de uma forma mágica. Jungkook me emprestou vários livros, tantos que nem pude contar. Ele realmente tinha uma biblioteca em casa, era gentil e me dava spoilers às vezes. Ríamos juntos e aos poucos a timidez se despedia… Me lembro que em uma noite, ele me chamou para ver o céu, disse que naquele dia às estrelas estavam bonitas e que deveríamos ver. Fui. E realmente estavam lindas.

— Não parece uma pintura? Uma enorme pintura! — Disse animado com as mãos estendidas em direção às estrelas, admirando o céu acima de nós.  

— Sim. Parece. — Concordei e sorri. 

— Aquela ali, parece brilhar com mais intensidade. Não acha Dain-ah? — Comentou contente e eu olhei para a direção que seu dedo apontava. 

— Acho que brilha como as outras. — Eu disse em resposta ao seu comentário. 

— Discordamos de algo, finalmente. Achei que isso nunca ia acontecer. — Soltou uma risadinha. 

O clima estava agradável naquela noite. Estávamos deitados sobre a grama verde, com os olhos focados no céu estrelado daquela noite de domingo. Eram mais de onze horas, mas não ligava pra aula do dia seguinte. Jungkook sempre dizia que quanto mais tarde, mais bonitas eram as estrelas. Aquele dia foi especial, por que eu quis saber, finalmente, o porquê de sua paixão por estrelas e astros celestes. Perguntei sem hesitar. 

— Por que gosta tanto de estrelas Jungkook-ah? 

— Por que eu gosto de estrelas? — Me olhou atencioso, mas por pouco tempo. Logo seus olhos voltaram ao céu.  

— Uhun. 

— Acho que somos como estrelas. Cada um tem seu brilho, seu lugar, seu tamanho, seu valor. Cada um tem a hora de começar e parar de brilhar.  

— E por que sente vergonha de gostar delas? — Minha pergunta o calou. Eu não entendi o porquê. 

— Não tenho. 

— Jungkook-ah, no dia em que nos vimos na biblioteca, você disse que gostaria que eu não contasse a ninguém sobre aquilo. Por que? 

— Não sei dizer, eu só não queria. Nunca encontrei alguém que me entendesse em relação a isso. — Disse e senti dor em seu tom de voz. — Quem me ensinou a gostar de estrelas foi minha mãe. Ela me ensinava que todas as pessoas que partiam, se tornavam estrelas. Para que seus parentes pudessem vê-lo ainda que ele não estivesse mais presente. 

— Que lindo. 

— Ela me ensinou a ser um bom menino, aconteceram umas coisas depois… Mas desde aí eu sempre amei estrelas. 

— Por que… Por que eu nunca vi sua mãe, apesar de ter ido na sua casa duas vezes? — Perguntei curiosa e recebi seu olhar de dor.  Me arrependi da pergunta logo depois. 

— Moro com minha madrinha. Ela cuida bem de mim. — Disse ainda fascinado pelos pontinhos brilhantes no céu. — Meu pai morreu quando nasci, sofreu um acidente de carro. Eu não o conheci, mas as histórias que minha mãe contava me incentivaram a amar ele mesmo não o conhecendo. 

— Eu sinto muito. 

— Minha mãe morreu há três anos. Teve uma parada cardíaca. A morte dela doeu muito, e dói até hoje para ser sincero. 

— Eu não sabia, desculpe. — Disse desesperada para concertar meu erro. Ele apenas ignorava meus pedidos e se concentrava em me contar mais sobre seu passado doloroso.

— Quando ela morreu, eu comecei a sair toda noite, pra admirar o céu. Olhando às estrelas eu me sentia mais perto dela. É como se ela estivesse me olhando lá de cima, cuidando de mim em segredo e me esperando. 

— Você não vai morrer tão cedo. É jovem, e sua mãe ficaria triste se ouvisse isso da sua boca.  

— Gosto de estar com você Dain-ah. Nunca tive uma pessoa que me entendesse, depois da minha mãe. 

Aquela frase tinha encerrado o diálogo naquela noite. Fui embora pra casa meio chateada pela tristeza de Jungkook, nunca o tinha visto tão vulnerável a dor. Vi que ele segurou várias lágrimas, e ocultou partes da história. Mas ele disse com todas as letras que gostava de estar comigo. Aquilo aqueceu meu coração. 

Como se fosse possível, eu e Jungkook ficamos ainda mais próximos. Ele me ensinava ainda mais às coisas que sabia, íamos ao parque, a biblioteca, admirávamos às estrelas, eu contava algumas piadas ruins, ele ria de todas elas... Com o passar dos dias, passei a ter sua companhia nos intervalos. Surgiram conversas sobre nós dois, mas ambos não reagimos a isso. 

Jungkook não tinha vergonha de mim, uma vez pegou lanche para nós, e dividimos a comida. Todas as garotas nos olhavam perplexas. Cada vez mais eu sabia mais um pouco sobre ele e ele sobre mim. 


— Pra onde estamos indo Jungkook-ah? — Perguntei sem enxergar nada, havia uma bandana tampando minha visão. Ele me guiava e dava risadinhas durante o caminho, pedia cuidado e segurava firme minha mão. 

— Não seja curiosa, já estamos chegando. 

Andamos mais um pouco depois dessa frase. Foi quando ele me disse pra tirar a venda, e tirei. Quando abri os olhos, reconheci o lugar onde ficávamos olhando o céu, mas estava um pouco diferente. Havia luzes ao meu redor, como pisca-piscas de Natal… Faziam um círculo ao nosso redor. Bom, foi o que eu achei antes de olhar mais atentamente. Era na verdade, um coração desajeitado. 

Sorri. Ele também. 

— O que significa isso? — O encarei, seus fios castanhos escondiam parte da testa, e os brincos que ele usava eram discretos. Jungkook estava bem arrumado, e cheiroso. Já eu, vestia a roupa mais simples que tinha, all star vermelho, short jeans e um moletom amarelo da overcome. Fiquei com vergonha. 

— Gostou? 

— O que é exatamente isso? Aish. Estou tão mal arrumada, e você… Devia ter me ligado antes dizendo que eu devia estar apresentável. 

— Você está linda Dain-ah. Não se preocupe. 

— Okay, mas o que é isso? — Olhei ao redor. 

— É para você, pra quem mais seria? 

— Para uma garota legal do terceiro ano? 

— Eu te observo tem tanto tempo que… — Esperei a conclusão de sua frase, mas uma tosse forte o interrompeu. Mais uma, e mais uma. Jungkook cobriu a boca e pensei em perguntar se estava tudo bem. Mas ele parou antes. — Desculpe. 

— Está tudo bem? 

— Sim. — Respondeu e pegou minhas mãos. — O que eu queria dizer é que eu gosto muito de você. 

— Jungkook… 

— Não, me deixa dizer. — Me interrompeu. — Você tem deixado meus dias mais completos, mais iluminados e felizes. Tem colocado sentido na minha vida. Um sentido que eu pensava ter perdido a muito tempo. — Seu olhar transmitia sinceridade, aquilo tocou meu coração. — Eu talvez não te mereça, por inúmeros motivos, mas queria aprender. Me deixa fazer parte da sua vida. Por favor. 

— Eu, nem sei o que dizer. — Disse ao garoto, que me olhava no fundo dos olhos a espera de uma resposta. Mas eu nem sabia direito qual era sua pergunta, não quis criar expectativas. 

— Você quer namorar comigo Dain-ah? Iremos ver todas as estrelas juntos, eu posso te levar para o colégio, podemos ler juntos e fazer coisas que você goste. Eu só quero estar com você, sendo mais do que um bom amigo. — Suas palavras sinceras saíram de supetão, suas bochechas coraram e ele me entregou uma caixinha cinza.

Peguei o objeto em suas mãos e Jungkook se mostrou tímido, eu sorri. E aquilo pareceu ter o confortado um pouco. Abri a caixinha e lá estava, um lindo anel com uma pedrinha azul cintilante. Meu coração se agitava na caixa torácica, ainda me lembro da sensação. Ergui o olhar até Jungkook e ele parecia perdido em suas  próprias palavras. 

— Eu nunca fiz isso sabe? Foi horrível. Horrível. — Disse mais pra si mesmo do que pra mim. 

— Jungkook. — Chamei e seus olhos se encontraram com os meus. 

Dei um passo com cautela, mais um e vi que depois, apenas alguns centímetros nos separavam. Seu olhar desceu até meus lábios, e analisei seu rosto tão de perto. Levei minha destra até sua bochecha e lentamente me coloquei na ponta dos pés. Antes que pensasse em me arrepender, selei nossos lábios em uma pressão delicada que agitou meu coração. 

Naquele dia, quase pulei quando senti suas mãos tocaram minha cintura e permaneceram lá. Me afastei para olhar seu rosto e ele sorria. Sorri também. Quando Jungkook me puxou e nos beijamos de verdade, me senti tão... Feliz. 

E aquele foi o primeiro de muitos outros. Ali eu tive a plena certeza de que amava Jeon Jungkook. 


— Vamos! Às estrelas estão a nos esperar… — Chamou enquanto eu colocava uma pequena mochila nas costas. 

Naquele dia, estávamos fazendo dois anos de namoro. Jungkook estava feliz, já tinha se formado. Eu também, mas muito recentemente para possuir qualquer coisa. Um dia antes, ele havia me chamado para passar um fim de semana em uma das casas que sua família possuía. " — A vista de lá é belíssima, vamos comigo, por favor! ", ele pediu. Aceitei a proposta. Não era tão longe, decidimos ir no sábado a noite, chegar lá antes de amanhecer e ainda poder admirar o céu. Esses eram nossos planos. 

— Eu espero que você goste Dain-ah. — Disse enquanto dirigia pela rodovia. — Lá é uma propriedade minha, se gostar, podemos ir quando quiser. 

— Eu vou gostar, com certeza. — Afirmei com um sorriso no rosto. 

Jungkook dirigiu com cuidado naquela noite, foram menos de meia hora de viagem. Assim que chegamos ele entrou na garagem, e vi que se tratava de uma mansão linda. Jeon tirou sua mochila do carro e fiz o mesmo com minhas coisas, saímos e ele me guiou até a sala de estar. 

— Tem empregados, mas eles vêm de manhã. Só os seguranças ficam por perto. 

— É linda Jeon. 

— Era aqui que eu passava as melhores férias com minha mãe. Eu amo essa casa. 

— Aonde posso deixar minhas coisas? 

— Me siga. — Pediu e eu o fiz. 

Subimos uma escada grande, a casa era realmente muito bonita. Havia muitos quartos, e Jungkook me guiou pra dentro de um deles, entrou e eu fiz o mesmo. 

— Pode ficar aqui. — Disse. — Mas antes, vem… 

Me aproximei da sacada, ele também. Foi quando parou, olhou em direção ao céu e sorriu. 

— Olhe. 

— Que lindo. — Disse após olhar. Haviam muitas estrelas naquela noite, constelações, e a lua também estava em nossa vista. 

Jungkook começou a falar sobre ele e sua mãe. Eu ouvi com atenção e carinho, ele gostava de falar da mãe, e eu gostava de ouvir. Falou um pouco sobre as estrelas e eu também palpitei no assunto, era bom conversar com ele. Porém, houve um momento em que percebi que seus olhos estavam fixos em mim, me analisando. O olhei e ele sorriu. 

— O que foi? 

— Não posso te olhar mais? — Disse brincalhão e deu um passo a frente. Colocou a mão em minha cintura e eu o olhei carinhosa.

— Pode. Mas por que está tão pensativo? 

— Eu te amo. — Disse simplesmente, o olhei perplexa e ele se manteve sério. 

Jungkook e eu nunca havíamos dito que amávamos um ao outro. Apesar de que isso já estivesse claro... Sabíamos que um dia diríamos com certeza, seria algo natural, e um encorajaria o outro. E eu me senti encorajada naquela noite. 

— Eu também te amo Jungkook-ah. — Disse e seus olhos brilharam. 

Nós nos amávamos. Estava explícito em nossos olhos. 

Nem percebi quando ele deu mais um passo e nos beijamos, levei a mão até seu rosto e apreciei o modo como nossos lábios dançavam em sintonia. Quando pensei que já fosse o momento de parar, Jungkook aprofundou nosso beijo, senti sua carícia minha cintura e meu corpo respondia a todas as suas investidas. 

Naquela noite, nem me dei conta de quando ele começou a me guiar de volta ao interior do quarto. Me assustei quando meus joelhos e minhas panturrilhas encontraram a beirada da cama, nesse momento o afastei e olhei em seus olhos. Ofegante ele ainda sorriu, e não pude evitar sorrir também. Como um pedido silencioso Jungkook tirou a camisa e a soltou no chão. E eu o autorizei a fazer o que quisesse  comigo quando o beijei de novo. 

Ainda consigo  lembrar das sensações, da brisa fria que entrava pela sacada, da lua e as estrelas nos observando de espreita. Me lembro de seu olhar quando nossos olhos nos encontram mais uma vez antes de eu tirar mais uma peça de roupa.

— Jungkook-ah… Eu… E-eu nunca fiz isso antes… Eu não sei... — Senti que minhas bochechas coraram, me sentia nervosa naquela situação. 

— Tudo bem, só confie em mim. Não vou ir além do que você permitir. — Disse enquanto eu tentava ver seu rosto com mais clareza em meio a luz fraca da noite.  

Apenas confiei. Todas as sensações, sentimentos, lembranças, ficaram marcados em mim para sempre. Jungkook e eu nos tornamos um só naquela noite, não era apenas desejo, ou hormônios, foi amor. O amor mais puro que já senti em toda minha vida. 

Naquele fim de semana ficamos mais íntimos, segredamos algumas coisas, planejamos viagens, e tudo mais. Eu até o perguntei se ele já sabia o que ia acontecer entre nós, afinal, quem anda com preservativos para todo lado? Sua resposta foi bochechas coradas e um sorrisinho sapeca.

Eu estava feliz, e ele também estava. 


Quando completamos três anos de namoro decidimos viajar apenas nós dois novamente, queríamos ir pra Tóquio havia meses. Era uma cidade linda, Jungkook e eu juntamos o dinheiro necessário, compramos as passagens de avião, alugamos uma boa hospedagem. Éramos apenas nós dois durante um mês. Eu estava ansiosa. Passamos dias inteiros juntos, comemos, nos divertimos. Foi tudo tão bom. 

Íamos dormir tarde sempre, Jungkook ainda não tinha perdido sua mania de olhar as estrelas. E foi numa noite como essa, fresca, com o céu brilhante, que aconteceu algo que ficará marcado em mim para sempre. 

Estávamos na sacada, como de costume. Eu olhava a paisagem natural diante de nós, mas senti que seus olhos se cravavam em mim. O olhei, e notei que eles brilharam. Jungkook sorriu e pegou minha mão. 

— Eu não quero te perder. — Disse fixo em meus olhos. — Se um dia eu te perdesse, seria como se o céu perdesse todas as estrelas. Você sabe disso né Dain-ah? 

— Eu te amo Jungkook, você nunca vai me perder. — Disse inocente, e foi aí que percebi seu nervosismo. Ele desviou o olhar por um segundo, e logo voltou a me observar. — Também não quero te… 

— Ei… — Se aproximou interrompendo minha frase. — Tenho algo para te dizer. 

— O que é? — Perguntei curiosa, mas fiquei preocupada quando vi tristeza em seus olhos. 

— Dain, mês passado eu fiz uns exames de rotina. Eu estava me sentindo mal, e aproveitei para checar tudo. — Contou e eu me lembrei do dia em que ele fez esses exames. — Coletamos as amostras e tudo mais, eu estava confiante que não havia nada de errado. Era só uma gripe ou um mal estar passageiro, algo do tipo. Mas, quando fui pegar os resultados, o médico pediu para conversar comigo e minha madrinha.

— O que… 

— Escute. — Pediu e acariciou minha mão. — O médico disse que realmente tinha algo de errado comigo. E disse que era grave, grave demais. Disse que eu estava definhando aos poucos já fazia muito tempo, e que já era tarde demais para tentar fazer alguma coisa. Eu só sofreria com o tratamento. 

— O que você tem Jungkook? — Não pude conter o aperto no coração, e ele engoliu em seco tentando ser forte. 

— Leucemia. — Disse com o semblante caído e eu desabei. — Não chore, por favor. 

— Por que não me disse antes?! Podíamos tentar resolver juntos. 

— Resolver o que? Não tinha mais nada pra resolver. O estado já era grave demais. 

— Você sobreviveu até hoje, talvez se tivesse feito os tratamentos…

— Eu só ia sofrer, e no final, não adiantaria nada. Eu até mesmo o perguntei se era contagioso. A primeira coisa que veio em minha mente foi você, eu nunca me perdoaria se tivesse passado isso pra você. 

— Aonde quer chegar com tudo isso? 

— Me sinto fraco, sem fome, pálido, sem energias e tenho me esforçado muito para parecer normal e saudável para você, não queria que se preocupasse. Mas não dá mais. Sinto que posso morrer a qualquer momento e não queria que fosse uma surpresa para você quando acontecesse. 

— O que eu vou fazer sem você? — Perguntei banhada em lágrimas de desespero. Jungkook sorriu fraco e levou uma mão até meu rosto. 

— Você tem pais que te amam, uma boa família, um futuro próspero. Sonhos… Isso é o suficiente. Quanto a mim, bom, eu vou estar lá em cima. Enfeitando o seu céu todas as noites, vou te olhar, e prometo te escutar quando precisar conversar. 

— Você não vai mais voltar. É uma viagem só de ida. 

— Vou estar sempre por perto, no seu coração minha princesa, e se você se concentrar vai conseguir ouvir minha voz algumas vezes. Seja feliz por mim, hm? Eu te amo demais! 

Chorei mais. Mas me dei conta de que não podia ficar brava com ele, seria um desperdício de tempo. Naquela noite eu o abracei forte. Não via seu rosto, mas sei que Jungkook chorava tanto quanto eu. Foram horas de carinho, beijos, abraços, sem malícia. Apenas momentos antecedentes a uma saudade que nunca acabaria. 

— Eu te amo Jungkook. 

— Eu te amo Dain. Se quiser, voltamos pra Seul hoje mesmo. 

— Não. Quero ficar aqui até você… 

Naquele dia, não terminei a frase por que Jungkook me abraçou antes. Foi uma noite dolorosa, mas ao mesmo tempo estávamos unidos. Prontos para o pior, juntos. Se passaram apenas três dias depois daquele ocorrido. Jungkook e eu fomos dormir e ele como de costume, se despediu e disse que me amava. Fiz o mesmo, mas tinha esperança de ele acordar no dia seguinte. Ao invés de ser assim, acordei com sua agitação. Busquei seu olhar e vi que ele estava sofrendo. 

— Eu não aguento mais. Tá doendo muito. 

— Vamos pro hospital! 

— Não, você sabe que não vai adiantar. Eu só… Eu te amo. Obrigada por t-tudo. 

— Eu também te amo Jungkook. 

— Desculpe, eu não aguento mais. Seja…

 

Feliz. Essa é a pergunta que me faço hoje. Sou mesmo feliz? Ou ao menos tenho esse direito? 

Depois da morte dele, a única coisa que pude fazer foi seguir minha vida tentando pensar que ia ficar tudo bem. Não me relacionei com mais ninguém, tive amigos, dei risadas. Mas sempre me lembrava dele, era inevitável. E como em muitos outros dias, hoje estou mais uma vez admirando as estrelas, repassando nossa história em minha mente, captando cada detalhe. Converso com os pequenos pontinhos brilhantes, e tento pensar que Jungkook está lá brilhando para mim, me ouvindo. Sorrio com a sensação de talvez tê-lo por perto. O imagino sorrir para mim, e uma lágrima cai. Tento me concentrar, fecho os olhos e bem no fundo, consigo escutar o som de sua voz. O vejo sorrir, sinto seu abraço, mas quando abro os olhos me acho sozinha em cima do telhado. 

— Sei que está feliz, e eu também. Estou feliz por que tive você na minha vida. — Mais uma vez lágrimas tomam conta de mim. — Sinto sua falta, ainda amo você Jeon Jungkook, minha eterna estrelinha. 

E em meio a tantas estrelas no céu, posso jurar que uma delas sorriu pra mim. 

*   *   * 


Notas Finais


Boa noite.
Obrigada por ter lido até aqui.
Tu gostou? 👉🏻👈🏻 Por favor, queremos saber... Damos nosso melhor... 🥺
@Kim_Taenu @jeonbixcoitinho


Até...


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