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História Lilith - Capítulo 56


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Capítulo 56 - Andras


Fanfic / Fanfiction Lilith - Capítulo 56 - Andras

Povs. Raven


Os ecos dos meus passos são o único som que ouço além das batidas do meu próprio coração. 

Quer dizer, espero que sejam os meus passos.

A cada minutos dou uma olhada para trás, checando os cantos mais escuros  com atenção á procura de alguém que possa estar me seguindo. Merda, nem sei se realmente tem alguém aqui comigo. Pode ser só paranóia, loucura minha.

Ou não.

Viro á minha esquerda em um túnel um pouco menos iluminado que os outros. Não gosto do escuro. É um medo infantil, eu sei, mas também é natural temer um inimigo que você não consegue ver, mas sabe que ele está lá, escondido em algum lugar só esperando para te pegar.

É normal temer o desconhecido. 

Respiro fundo. É só coisa da minha cabeça. 

Se alguém quisesse me pegar já o teria feito com certeza, faz quase uma hora que estou caminhando sozinha.

Sou uma presa fácil. Muito fácil.

Alguma coisa parece cair perto de mim, o som faz uma descarga de adrenalina correr pelo meu corpo e meu coração quase sair pela boca, tamanho o susto que levo. Olho em volta atenta a tudo e qualquer coisa, mas não vejo nada.

Não tem nada nem ninguém atrás de mim.

Volto a andar. Dou três passos. De repente, sinto uma mão tampar a minha boca, sou puxada com força para trás e minhas costas batem contra o peito de alguém. Quero gritar, mas minha garganta dói, assim como o resto do meu corpo. A pessoa que está me segurando aperta meu braço com força, o que faz com que eu já sinta sangue quente começar a sair pelos machucados e molhar as faixas de tecido improvisadas. Apesar da dor eu me remexo, tento gritar, me soltar e piso no pé do meu agressor diversas vezes até que sinto ele afrouxar a mão sobre minha boca. Aproveito. Mordo-a com toda as forças que me restam.

Ele grita e me solta, me empurrando para frente e fazendo eu quase cair, mas consigo manter o equilíbrio e correr para longe.

- Você não vai fugir de mim!

Viro pra trás bem na hora que meu agressor avança na minha direção, me desvio, mas ele é rápido e consegue me pegar pelo capuz do moletom. Sou puxada e prensada com força contra a parede, tirando o ar dos meus pulmões e me deixando ainda mais fraca. Vulnerável.

- Quem você pensa que é para vir aqui e...

Abro os olhos. O ser á minha frente para e me encara com um misto de curiosidade e confusão.

Não sei como percebi isso, já que ele usa uma máscara azul que cobre todo o rosto e, aparentemente, não tem olhos.

Tento afastar seu antebraço do meu pescoço para conseguir respirar, mas ele não se mexe nem um centímetro.

Ele é forte, eu sou fraca.

- J-Jack... - sussurro com o pouco fôlego que me resta.

Ele fica surpreso.

- Como sabe meu nome?

Pisco com força na tentativa me manter acordada. Não posso apagar agora.

- Jeff... Ben...

Não consigo terminar. Não preciso.

Ele me solta na hora. Minhas pernas fraquejam e preciso me apoiar na parede para permanecer de pé, assim consigo reunir forças para erguer o olhar e encarar o mascarado.

- Quem é você? Como conhece o Ben e o Jeff? - ele faz uma pausa - estava atrás de mim?

Assinto, tentando colocar os pensamentos no lugar.

- Eu sou Raven - estendo a mão em direção ao mascarado, ele nega.

- Esqueceu que você me mordeu?

Ah, vai se catar! Como se não tivesse sido ele que me atacou primeiro!

- Bom, desculpa ter feito isso em legítima defesa, já que você nem se deu o trabalho de conversar comigo antes de já ir me atacando!  - não me seguro - aliás, obrigada por ter colocado a merda daquela bomba lá atrás, terminou de foder com o meu dia!

Ele fica surpreso.

- Ei, calma lá, não fui eu quem fez aquilo não! pensei que tivesse sido você, tanto que foi por isso que quase te matei. Eu moro aqui em baixo, e a explosão fez um dos principais túneis fechar com o tanto de coisa que se entulhou lá.

  - Eu sei, nós estávamos lá bem na hora que tudo aconteceu - comento.

Merda.

Se não foi ele...

Então quem foi?

  - Vocês chegaram a ver alguma coisa? Talvez o responsável por aquilo?

Nego.

- Não vimos nada, foi tudo muito rápido... - tenho uma sensação estranha, alguma coisa me diz que não devemos ficar aqui - vamos, a gente precisa sair daqui agora - digo séria.

  - Por quê? Você acha que...

Ele não precisa terminar.

Assinto para o mascarado.

- Acho que aquela bomba era para ter matado eu, o Ben e o Jeff - faço uma pausa - precisamos encontrar eles. Talvez ainda tenha alguém atrás…

Ouço um grito.

  - ELA ESTÁ ALI!

Olho para trás. Um homem vestindo um capuz preto e uma capa da mesma cor aponta diretamente pra mim, é impossível ver seu rosto nesta penumbra, mas por um momento seus olhos brilham quando caem sobre mim novamente.

É um brilho escuro, vazio, opaco, apesar de carregar um certo ar de malícia e diversão.

Maldade.

É um olhar de demônio.

Não espero mais nem um segundo, saio em disparada para qualquer lugar longe daqui. Ouço mais vozes seguidas de passos apressados e gritos desumanos.

Querem me assustar.

Jack me segue, logo me alcançando.

  - Quem são aqueles caras?

  - Não faço ideia!

Não minto, mas também não falo toda a verdade.

  - Você que conhece esse lugar, guia a gente pra um local seguro!

Ele assente.

  - Me segue.

Corremos por uma série de túneis, descemos uma escadaria e seguimos sem parar até o final de outro túnel.

Um paredão se ergue à nossa frente.

Não tem saída.

  - Jack! Pra onde você...

  - Confia em mim! - ele grita.

Ele corre até o final da parede, que em sua parte de baixo tem um buraco fechado com uma grade de ferro. Jack se abaixa e puxa a grade, que com certo esforço sai inteirinha, deixando a passagem aberta.

  - Vai!

Oi? Ele quer que eu...

Ah, foda-se. Já estamos na merda mesmo.

Me abaixo, ficando de quatro, e passo sem em muitos problemas pelo buraco. Agradeço em silêncio que ele está seco e vazio, apesar do fedor. Jack vem logo atrás de mim, fechando novamente o buraco com a grade. Nós logo saímos do outro lado da parede, em outro túnel um pouco mais iluminado e limpo.

  - Será que...

Pulo para o lado e fico em silêncio ao ouvir vozes se aproximando.

  - Onde ela está?

  - Para onde ela foi?

  - Vocês perderam ela! Idiotas! - ouço uma voz familiar gritar com raiva.

  - Ela não está sozinha, tem um outro cara junto, mas não é nenhum daqueles outros dois - uma mulher comenta.

  - Eu sei, deve ser aquele estranho cegueta que mora aqui - o suposto líder do grupo diz em tom de deboche - Temos ordens de não machucar ninguém e só pegar a garota, mas se qualquer um desses idiotas resolver atrapalhar... Sabem o que fazer.

Um arrepio desce pela minha espinha.

  - Se separem em grupos! Vamos achar aquela demoninha, ela não pode estar longe!

Droga.

Jack me cutuca e lança um olhar confuso.

  - Demoninha? - ele sussurra.

  - Depois explico. Vamos sair daqui, temos que achar o Ben e o Jeff.

Ele assente, mas sinto que ficou desconfiado.

No máximo é mais um que vai entrar pro clube de pessoas que querem me matar. 

Seguimos com uma corrida mais lenta, não faço ideia pra onde estamos indo, mas o mascarado diz que tem uma sala com câmeras para monitorar os esgotos. Lá podemos procurar pelos dois e ainda ver onde estão os demônios.

  - Você não conhecem mesmo aqueles caras?

Acordo dos meus pensamentos com a voz do Jack.

  - Não, só nos encontramos uma vez... Eles tentaram pegar eu e o Jeff faz um tempo, mas conseguimos fugir.

Ele assente.

  - Eles parecem te conhecer - ele diz em um tom de acusação - eu sei quem são.

Apesar de sentir que o rumo da conversa está muito perigoso, peço para o mascarado me explicar sobre eles.

  - O chefe deles se chama Andras, é um demônio metido, egoísta, manipulador... - ele olha pra mim curioso - você sabe sobre os demônios, né? Que eles existem e têm treta com...

  - As creepy's, sim, eu sei disso.

Ele assente.

  - Então, esse cara sempre está arrumando confusão com a gente - Jack bufa - ele já veio aqui me encomodar diversas vezes, sem contar que foi ele quem liderou um grupo para sequestrar o irmão do Slender... Sabia disso?

Assinto novamente.

  - Ele diz que sempre está seguindo ordens de um "chefe", mas ninguém sabe quem é ou se existe mesmo.

Suspiro.

Lembro de quando esse tal Andras disse que sou a "filha do chefe".

Me recuso a acreditar que o Diabo, Satanás ou seja lá qual for o nome dele exista e seja meu... Pai.

Não. Isso já é muita viagem.

Eu, filha do Satanás.

Cruzes.

Não, não. Deve ser outro manda-chuva do Inferno. 

  - Você acha que...

  - Shhh - ele diz, então para de caminhar - acho que ouvi alguma coisa.

  Presto o máximo de atenção, consigo ouvir um leve som de passos e vozes ecoando, vindos da nossa frente.

Eles começam a se aproximar.

  - Droga - o mascarado sussurra - vamos voltar...

Pow.

Ouço um tiro.

Jack grita e cai de joelhos no chão.

  - Jack! Puta merda! Você tá legal?! 

Me abaixo, vejo um dardo tranquilizante no seu braço, tiro-o e jogo longe.

  - Raven, sai daqui - ele diz - eu vou apagar logo, vai embora, acha o Jeff e o Ben e vazem logo daqui!

Jeff.

Ben.

Meu Deus, será que estão vivos ainda?

Caralho, o quê eu faço?

Jack.

Não faz nem uma hora que conheço ele e já consegui ferrar com o cara.

Eu sou um imã de coisa ruim. Só machuco quem tenta me ajudar.

Deus, por quê?

Por quê não sou uma garota normal?

Por quê tenho que viver sempre no meio de todo esse sofrimento?

Por quê eu nasci?

  - Eu não vou te deixar aqui - digo pro mascarado com lágrimas nos olhos - vou mostrar pra esses filhos da puta que eles não têm o direito de ficar brincando comigo e meus amigos!

Ouço passos.

Vozes.

Risadas.

Em questão de segundos estou cercada por uma horda de capas negras.

  - Ora, ora, ora, será que a nossa amiguinha não quer mais brincar?

Uma voz se sobressai em meio aos coro de gargalhadas desumanas.

Eu conheço ela.

  - Andras.

O jovem demônio se aproxima de mim com um sorriso malicioso. Ele tira o capuz que cobre seu rosto e me encara com um misto de alegria e deboche.

Ele me pegou.

  - Então você já sabe meu nome - ele sorri - que bom, me poupa do esforço de me apresentar.

Não escondo nem por um segundo meu olhar de ódio.

Não tenho medo dele.

Não.

Tenho nojo. Repulsa.

Eu o odeio.

- Deixa eu te ajudar a levantar, princesa - ele estende a mão em minha direção.

Cuspo nela, então me levanto.

  - Vai pro Inferno! Não preciso de nada que venha de você!

Ele me lança um olhar decepcionado e limpa o cuspe na capa.

  - Você é uma demoninha muito mal educada. Seu pai certamente não vai gostar... - ele olha pros seus companheiros - será que o chefe vai querer que demos uma aula de boas maneiras pra ela?

As risadas desumanas e os gritos fazem meus nervos virem à flor da pele.

Olho para o mascarado, ele ainda está acordado, mas não vai aguentar muito tempo.

  - O quê vocês querem de mim?

Eles param de rir.

  - Não é óbvio, gatinha? - Andras ri - Queremos te levar pra casa! 

 



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