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História Lilith - Capítulo 57


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Capítulo 57 - Judas


Povs. Raven

Não. 

Ir pra casa é o caralho. 

- Não vou com vocês a lugar nenhum! - digo olhando primeiro para Andras e depois para o resto dos demônios que me cercam.

- Ah, vai sim! - ele avança em minha direção e me agarra pelo pulso.

- Quero ver você me obrigar! - grito e tento me soltar, mas ele é incrivelmente forte.

  - Precisando de ajuda pra controlar a pirralhinha aí, Andras? - uma mulher se aproxima.

  - Éris - Andras nem se vira para a mulher, continua me segurando com força - o quê você está fazendo aqui? Seu trabalho era de...

  - Eu sei qual era a minha função - ela tira o capuz - já terminei o meu trabalho, estava vindo atrás de você quando achei uma coisa muito interessante no caminho...

Ela faz uma pausa dramática, enquanto isso analiso seu físico. Deve ter uns 20/22 anos, cabelo loiro longo e meio ondulado, a pele clara e os dentes estranhamente afiados, deixando seu sorriso agressivo, selvagem. Assustador.

Tem cara de puta. Não gostei.

  - Desembucha - Andras finalmente se vira pra ela, ainda me segurando - o quê você achou?

Ela sorri.

  - Tragam aqueles dois aqui.

Ah, não.

Não.

Não pode ser...

  - Jeff! Ben!

Os dois estão com as mãos amarradas atrás do corpo e sendo acompanhados por três brutamontes. Dois deles estão segurando o Jeff.

  - Diabinha! Você tá bem? - Jeff olha para a mão de Andras segurando meu pulso com força, na hora seu semblante se transforma - EI, SEU VERME! TIRA AS PATAS DA MINHA DIABINHA!

Jeff tenta se soltar, os dois grandões que o seguram têm dificuldade em controlá-lo. A mulher loira revira os olhos.

  - Você não sabe se comportar - ela diz, então tira uma arma de algum bolso da roupa e se vira para o Jeff, apontando-a para ele.

  - Ei! Vai apontar isso aí pra cara da sua avó, sua puta dentuça!

Quase ouso rir, mas então...

Ela atira.

Eu grito.

Jeff cai de joelhos.

  - Se você me insultar mais uma vez, juro que da próxima vez atiro direto na sua cabeça!

Jeff está com uma enorme mancha de sangue no braço direito. Sei que ele é forte, mas...

Não é imortal.

Já fiz ele se machucar muito.

Já causei muita dor para ele.

Para todos.

Tento me soltar, mas o demônio que me segura só dá risada e aperta ainda mais meu pulso.

  - Você tem problema? - Ben encara a mulher -  quem você pensa que é pra...

Ela aponta a arma pra ele.

  - O quê você estava dizendo? Nada?

Ele fica em silêncio e lança um olhar de ódio pra ela.

Jeff se levanta.

  - Ei, sua vaca, só eu posso cortar o Ben!

Ela aponta a arma de novo pra ele.

Me preparo para fazer alguma coisa quando vejo um vulto loiro pular na mulher e puxar seu cabelo com toda força pra trás.

Ben desfere um soco bem na lateral do seu seu maxilar. Uns quatro homens se aproximam para ajudar, mas o loiro entra naquele estado "imaterial" e ninguém consegue fazer nada. Ele se afasta de todos e avança de novo para a mulher, bem na hora que vai dar outro soco Andras pega a sua arma do bolso (ainda sem me soltar) e atira no loiro.

  - Desgraçado! - Ben cai no chão arrancando alguma coisa da coxa esquerda.

Me viro com raiva para o demônio que me segura.

  - O quê você...

Andras coloca o indicador sobre meus lábios.

A tentação de mordê-lo e arrancar um dedo seu é grande.

  - Se acalma, gatinha, eu só ajudei o seu amiguinho a tirar um cochilo pra se acalmar.

Ele me puxa para mais perto, ficamos praticamente colados. Me dá arrepios.

Ele me encara com um leve sorriso, seus olhos negros como uma noite sem estrelas correm por toda a extensão do meu corpo, isso me faz ficar com mais nojo ainda dele.

- Pelo jeito você é do tipo encrenqueira, que nem aqueles dois - ele se inclina para baixo, ficando mais próximo do meu rosto - eu sou o braço direito do seu pai, gatinha, tenho certeza que ele vai dar toda a liberdade necessária pra mim colocar você na linha, então aconselho que você seja uma boa menina.

Ele fala a última parte em um tom de ameça e malícia, não posso evitar ficar um pouco preocupada.

  - Você não vai fazer nada comigo - digo séria, com um movimento rápido consigo soltar meu pulso - se você ousar tocar um só dedo em mim...

  - Você vai fazer o quê? Chamar aquele branquelo pra te proteger? - ele ri - ouviram isso, rapazes?! A filhinha do patrão vai chamar o amiguinho pra cuidar dela! Que medo!

Eles explodem em gargalhadas selvagens, animalescas, desumanas. A raiva faz minhas mãos coçarem de vontade de matar todo mundo, cerro os punhos e tento fechar os olhos com força pra me acalmar, mas não adianta.

O gatilho foi puxado.

Pow.

  - CALEM A BOCA AGORA, CARALHO!

Sinto a raiva correr pelas minhas veias feito sangue.

Ela é o meu combustível.

O meu alimento.

O meu veneno.

Ela me torna poderosa.

Mortal.

Ela me torna um demônio.


Eles param de rir, mas já é tarde.

Sinto as sombras virem como serpentes até mim, elas deslizam delicadamente sobre o chão como graciosos fios de escuridão.

Meu corpo formiga com sua aproximação, tamanha a força contida nelas.

Como se fossem pequenas nuvens de tempestade, elas se aglomeram no centro da palma das minhas mãos, que estão levemente estendidas para frente. Raios púrpuras parecem cortar as formas nebulosas como lâminas de eletrecidade.

Tenho certeza que são mortais.

  - Soltem os meus amigos agora.

Os demônios ficam indecisos. Olham para mim com curiosidade, surpresa, e depois uns pros outros, com medo.

  - Seu pai não vai gostar nada se souber que você nos ameaçou - Andras começa.

Me viro pra ele com raiva.

  - Que se foda! Eu tô cagando e andando pra ele! Nunca nem deu bola pra minha existência e agora quer simplesmente que eu me curve aos pés dele? - ele abre a boca para falar algo, mas não deixo - ELE QUE VÁ SE FUDER, CARALHO! ELE NÃO MANDA E NUNCA MANDOU EM MIM!

O chão parece tremer aos meus pés, as paredes do túnel racham e soltam fios de poeira. Um dos pequenos canos explode, liberando gás e fazendo um barulho irritante.

  - Lilith, você não...

  - ESSE NÃO É MEU NOME! - explodo de novo.

A intensidade dos raios nas minhas mãos aumenta, eles ficam mais fortes, brilhantes e agressivos.

Quero ver o estrago que podem fazer, ah, quero muito fazer isso!

  - Senhorita Raven.

Essa voz...

  - Slender?

Me viro para trás. A figura alta, pálida e esguia me encara, mesmo que não tenha um rosto.

  - Criança... você precisa se acalmar.

  - O quê você está fazendo aqui? - o ignoro.

  - Eu vou explicar tudo, mas peço que primeiro você controle essa sua raiva - ele abaixa o olhar para minhas mãos - desfaça essa materialização de energia. É muito perigosa.

  - Perigosa é apelido - Andras dá um passo para frente - você não disse pra nós que essa pirralha tinha força o suficiente pra causar um terremoto!

Espera...

Andras conhece o Slender?

Mas...

  - Slender, como...

Ele ergue uma mão.

  - Eu disse que já explico, mas primeiro...

Ele mal termina de falar e consigo fazer as "nuvens" negras sumirem.

Eu não estou mais com raiva.

Não.

Por algum motivo, estou triste.

Sinto uma dor no peito.

Eu acho que alguma coisa está muito errada aqui.

  - Agradeço a sua colaboração - o gigante albino dá um passo para mais perto de mim - vou tentar explicar a situação o mais breve possível, para não causar mais atrasos...

Ele para, ergue o olhar para Andras e logo volta para mim.

  - Eu e seu pai...

  - Não me diz que é verdade - corto-o já com lágrimas nos olhos .

Slender assente.

  - Seu pai foi mantido preso lá na mansão por mim durante muito tempo devido a um certo desentendimento entre nós e os demônios. Na noite em que você e o senhor Woods fugiram, creio que talvez você tenha aberto a porta do quarto onde ele estava...

  - Você sabia que eu estava lá - digo sentindo as pernas  amolecerem.

  - Sim, eu sabia - ele faz uma pausa - eu só deixei que se aproximasse e tocasse na maçaneta, o que já foi o suficiente para soltá-lo, pois  uns dias antes tínhamos feito um acordo.

Meu coração bate mais rápido.

  - Como você sabe, um dos meus irmãos foi levado pelos demônios por ordens do seu pai e descobri que ele está vivo até hoje, sendo mantido em cárcere privado em algum lugar - ele faz outra pausa - seu pai e eu decidimos fazer uma troca, ele devolvia meu irmão e eu lhe entregava a sua filha... Você.

Caio de joelhos no chão áspero.

Meu coração parece bater tão forte que machuca o meu peito.

Não acredito.

Eu confiei no Slender.

Confiei de verdade.

Acreditei que ele seria diferente.

Acreditei que ele poderia ser o pai que eu nunca tive.

  - Você não pode estar falando sério - digo com a voz fraca.

  - Peço perdão por ter tomado uma decisão que envolvesse  você mesmo sem ter te consultado - ele baixa a cabeça - mas entenda... Eu precisei...

  - Proteger seu irmão - completo - e claro, proteger a casa, porque eu sou como uma bomba relógio e você não queria arriscar a segurança do pessoal - ergo o olhar para a face pálida - eu sou um demônio, vai que eu matava todo mundo como se não tivesse o mínimo de consideração por tudo o que vocês fizeram por mim, como se fosse um monstro igual aos que você está prestes a me entregar ou um ser sujo e egoísta igual ao meu pai - dou de ombros - vai que eu sou igual a todos eles, não é?

Slender nega com a cabeça, mas eu sinalizo que ele pare.

  - Eu entendo a sua decisão. De verdade. Não tente me consolar.

Ouço passos vindo até mim.

  - Diabinha...

Me levanto e encaro Jeff.

  - Você sabia de tudo, não sabia? 

- Esse plano era só para o caso de uma emergência - Jeff se vira com raiva para Slender, mas não diz mais nada.

Sinto como se alguém enfiasse uma faca no meu coração.

  - Eu... - fungo - eu confiei em vocês dois. De verdade. Como nunca tinha confiado em alguém antes.

Baixo o olhar.

  - Vão embora, por favor  - as lágrimas começam a cair - esqueçam que eu existo e nunca mais me procurem.

Slender coloca  mão gélida sobre meu ombro, mas eu a tiro.

  - Sai daqui! Vai embora, por favor! - me viro para Jeff - vê se não deixa o Kage ir me procurar  no Inferno também, eu não quero ver nada que me lembre de vocês nunca mais.

Ele me encara com uma expressão indecifrável. Me afasto deles e ando em direção a Andras com a cabeça baixa, lançando um último olhar para trás. 

  - Vocês morreram pra mim. Todos vocês. 




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