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História Lilith livro 2 - Flores Mortas - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Oieeee queridos leitores, tudo bem?
Já os aviso que esse capítulo pode ser especialmente... Chato? Tedioso? O fato é que trabalhei um pouco um personagem que desde o começo estava na história, mas nunca tinha recebido muita atenção.
Peço que leiam tudo, há detalhes que futuramente serão essenciais.

Comentem se estão gostando, se estão entendendo tudo, qualquer coisa estou a disposição ;)

Sem mais enrolações, boa leitura <3

Capítulo 25 - Cadáver


Povs Raven


Acordo tremendo. Gritando. Suando frio. As duas sombras me encaram confusas, perguntando o que aconteceu.

- Só um pesadelo meninas - digo respirando fundo para me acalmar - só um pesadelo.

Olho para o quarto. A luz do sol já invade o cômodo por uma fresta entre as cortinas, devem ser umas oito horas da manhã.

Caramba como eu dormi.

Levanto e vou olhar o berço. O bebê ainda está dormindo, deve estar tão cansado que nem a luz o acorda.

- Está mais descansada princesa? - Alya pergunta.

- Um pouco - respondo - estou bem melhor, mas ainda me sinto fraca.

- Princesa se você está muito fraca precisa se absorver a energia de alguém...

Elas olham para o berço.

- Não vou fazer isso - digo rápido.

- Princesa, crianças são as fontes de energia mais poderosas. Você não vai machucá-la, só vai pegar energia. Ela está dormindo, vai se recuperar rápido.

- Não vou fazer isso - repito séria - eu vou atrás do Jeff, vocês vão ficar aqui?

- Na verdade... - as duas se olham.

- Pedimos permissão para ir até a cidade. Precisamos absorver energia de alguém também.

- Não faríamos isso com ninguém da casa - Alya se apressa em explicar - por isso frequentemente precisaremos sair.

- Nós voltaremos antes do fim da tarde.

Penso um pouco. As duas me encaram com os olhos negros meio foscos, é perceptível que estão esgotadas e cansadas. Bom, eu vou tentar aguentar ao máximo, mas elas foram acostumadas a fazer esse tipo de coisa.

- Ok, podem ir - digo - se cuidem.

Elas saem, me deixando sozinha no quarto com a criança, que dorme profundamente. Ouço-o se remexer no berço, provavelmente está sonhando. Me aproximo e inclino sobre o berço, encarando a criaturinha.

- Oi pequenino - sorrio ao ver seus olhinhos se abrindo - estava sonhando?

Ele coça os olhos, me fitando com curiosidade.

- Curtiu a festa ontem?

Ele sorri, balançando os braços tentando me alcançar.

- Deve ter sido legal, queria ter ido - digo apoiando o rosto na mão.

Ele solta mais uma risada.

- Faz um favor - me aproximo para sussurrar, mesmo que seja inútil - dá uns puxões de cabelo na Dina se puder.

Ele pisca e sorri, parecendo que diz "vou sim".

- Volte a dormir, ainda é cedo - estendo minha mão para fazer carinho, mas me contenho.

A criança boceja e volta a fechar os olhos, caindo no sono logo em seguida.

Por um momento me tento a ficar no quarto cuidado dele para protegê-lo, mas lembro que preciso ver Jeff.

Saio da enfermaria, caminhando pelos corredores escuros até encontrar a região dos quartos. Entro pela porta onde está escrito bem claro "JEFF" e me surpreendo ao ver que ele não está aqui.

Deve ter decido para tomar café.

Aproveitando a deixa, procuro no quarto pelo diário da senhora Morg. Se conheço Jeff ele deve ter escondido no meio dos moletons, já que todos - inclusive eu, por experiência própria - sabem como é ciumento com suas roupas ninguém ousa mexer.

Tenho que focar muito para conseguir mexer nas roupas. Isso exige muito de mim, mas é mais fácil do que as outras vezes, tanto que em pouco tempo consigo encontrar o diário. Mais um tempo depois consigo segurar e levá-lo até a cama, onde sento e começo a ler, apesar de estar com a visão turva e me sentir fraca.

Respiro fundo e começo a folhear o caderninho, ele é bem simples, possui marcas amareladas nas bordas e sinais de uso, apesar de ter resistido bem ao tempo. Em letras terrivelmente tortas e desproporcionais, estão as palavras de uma senhora Morg de anos atrás, não sei exatamente quanto porque ela não anotou as datas, mas deve fazer muito tempo.

 Ele começa assim:

<><><>

Olá querido diário, sou Helena Morg, sua dona e amiga. Quer dizer, espero que sejamos amigos, papai nunca deixou eu me aproximar de ninguém, então não sei como isso funciona. Eu tento falar para ele que já tenho 10 anos e preciso sair e fazer amizades, mas ele... bem, isso é assunto para outro dia.

Sinto que vou precisar parar de escrever por hoje, daqui a pouco papai volta para casa e preciso me esconder. Ele provavelmente vai estar bêbado como as outras vezes e não quero apanhar de novo.

Até amanhã querido diário! :)

<><><>

Engulo em seco, lembrando da foto da menina triste que era a senhora Morg mais nova.

Helena... Caramba, é quase como se estivesse lendo as palavras de outra pessoa. Nunca pensei que a senhora Morg se chamasse Helena ou que tivesse escrito um diário como forma de desabafar, já que não tinha amigos.

Após esta pausa para reflexões, volto a ler o diário com a curiosidade ainda maior do que antes.

<><><>

Oi querido diário, desculpe por não escrever ontem... Papai estava muito agressivo e precisei sair de casa. Me escondi na floresta, papai costumava dizer para nunca ir lá porque era perigoso, mas é o único lugar onde consigo ficar longe o suficiente de casa para não ouvir seus gritos de raiva. Eu acho que papai também chora quando não o estou vendo, tem sido assim desde que mamãe foi embora com o tio Denis. Não entendi porque ela nos deixou, mas papai a xinga de nomes muito feios, assim como o tio, que antes era bem próximo de papai.

Agora tenho que ir querido diário, se não limpar a casa antes de papai chegar ele vai ficar bravo.

Tchau :)

<><><>

Pulo algumas páginas querendo saber mais da história.

<><><>

Querido diário, hoje é meu aniversário de 17 anos. Eu deveria estar feliz, mas não consigo. Papai está estranho, ele disse que conheceu minha mãe com 17 anos e ela era igualzinha a mim, tanto que me chama de Margareth às vezes.

Por outro lado, ao invés de despertar a saudade meu rosto parece fazê-lo ficar com ainda mais raiva. Talvez seja por isso que ele me bate, eu o lembro muito de minha mãe.

Bom, tirando isso tenho uma novidade: fiz um amigo! O nome dele é Arthur e nos conhecemos quando fui buscar frutas no bosque. Nós conversamos até o final da tarde, quando precisei ir embora. Ele pediu se podia me visitar para conversarmos mais e na empolgação do momento eu disse sim, mas agora me arrependo.

E se meu pai descobrir? O que fará com ele?

Espero que dê tudo certo querido diário.

Tchau.

<><><>

Meu deus.

Papai bateu em Arthur. O espancou tanto que precisou ir no hospital.

Não sei se ele vai sobreviver.

<><><>

Papai me mandou fazer as malas, vamos ter que ir embora ou a polícia vai nos pegar.

Não sei se aguento mais isso na minha vida. 

<><><>

Não aguento mais.

Não aguento mais.

Não aguento mais.

Não aguento mais.

<><><>

Não sei porque continuo escrevendo nesse caderno velho. Não vai trazer Arthur de volta ou a minha mãe.

Não sei o que fazer. Papai e eu estamos na rua.

Tenho fome e frio, mas todo o dinheiro foi gasto com mais bebida para papai. Pensei em queimar algumas folhas suas, mas... Não consigo. 

No fim, você ainda é o único com quem posso conversar.

<><><>

Eu o vi, tenho certeza. Faz tempo que o estou tentando chamar, mas meu desespero dessa vez foi tão forte que funcionou, só precisei me cortar um pouco para sair sangue suficiente. Não sei como sabia invocá-lo, apenas fiz.

Eu vi o homem pálido e esguio. Ele disse que pode me ajudar.

Tenho esperança.

<><><>

Nosso acordo está feito.

<><><>

Pronto. Acabou.

Meu pai está morto.

Assim como o homem prometeu.

<><><>

Ele disse que posso ficar com ele. Estava com medo de ficar sozinha, mas ele vai cuidar de mim desde que o ajude, seja lá com o que for. Estou tão feliz!

<><><>

Nos mudamos para uma velha mansão. É enorme. Terei trabalho para limpar e cuidar de tudo isso, mas nem que esteja prestes a desmaiar de cansaço irei fazer isso. Faria de tudo pelo homem que me tirou daquele inferno de vida.

Ele está me ensinando a escrever e ler melhor, antes só sabia o básico, agora já tenho uma letra melhor e consigo entender textos mais complexos. Disse que vai ser importante para que eu possa ajudá-lo.

Se pudesse juro que o ajudaria mais, mas ainda sou muito fraca e inexperiente. Vou aprender o máximo que posso com ele para ser ainda mais útil.

<><><>

Querido diário, sinto que já estou muito velha para escrever em você, por isso este será meu último relato.

Minha vida com o senhor Slender está melhor do que eu poderia imaginar. Somos praticamente só nós dois nessa mansão enorme, mas não me sinto solitária, pelo contrário, sua presença é a única que preciso. Sinto que ele é o pai que eu nunca tive, as pessoas o chamam de monstro, mas acho que precisam rever seus valores. Monstro mesmo foi o meu pai.

Vou fazer o possível para retribuir tudo o que o senhor Slender fez por mim, por isso mesmo pararei de escrever. Não tenho tempo para essas coisas infantis, preciso ajudá-lo.

Bem, isso é um adeus querido diário.

Tchau.

<><><>

Fecho o diário sentindo o peito pesado. Meu Deus, nunca imaginaria que a senhora Morg teria passado por tanta coisa, me sinto mal demais por não ter conversado mais com ela.

Mal posso esperar para contar ao Jeff sobre isso.

Como se por mágica, no instante seguinte ouço a porta do quarto abrindo.

- Jeff, você não vai acreditar - digo sem erguer o rosto - estava lendo o diário da senhora Morg e...

- Você deveria prestar mais atenção pirralha.

Ergo a cabeça ao reconhecer a voz, já sentindo o coração bater forte.

- Éris? O que tá fazendo aqui?!

Ela me encara com os olhos brilhando de raiva. Percebo que, diferente da outra vez ela está toda machucada, um fio de sangue seco mancha seu rosto, descendo da cabeça, seus braços e pernas estão cobertos por hematomas e cortes profundos, me fazendo perguntar como ela ainda está de pé.

- Eles me mandaram matá-la - ela diz, os olhos perdidos em devaneios e lembranças dolorosas - eles me machucaram. Mataram Ayphos. Mephisto sumiu. E é tudo por sua causa.

- Minha?! - pergunto me levantando da cama, cambaleando de leve.

Caramba, estou muito fraca.

- É, você - ela diz com uma voz afiada - sempre foi você, não? O centro das atenções, a filhinha querida do chefe.

Será que ela esqueceu o tanto seu eu sofri nas mãos de Zalgo?

- Você está louca Éris.

- Não, não estou - ela cerra os punhos - eu fui capturada e torturada porque você não é capaz de fazer uma única coisa útil e morrer!

- Ah, então Andras te pegou é? - digo seca - Te torturou e mandou vir aqui como cadelinha dele? Pois saiba que você apenas sentiu na pele por alguns dias o que eu sofri por anos! Além disso, esqueceu que foi você quem resolveu puxar conversa com a gente? E ainda diz que a culpa é minha?!

Ela tira um canivete do bolso da calça.

- Você não sabe de nada pirralha. Eu não merecia isso - ela avança um passo - você sim, mestiça de merda. Era só você ter morrido!

- Vai resolver isso agora então? - aponto para o canivete.

- Isso? Não, não é pra você - ela ergue a arma na altura do pescoço, bem na jugular - é pra mim.

Então, com um movimento brusco ela enfia o canivete no pescoço. Só o que vejo antes do seu corpo tombar é muito sangue jorrando e seu sorriso diabólico. 



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