História Lilium - Capítulo 5


Escrita por: e TsukkiNoir

Postado
Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Denki Kaminari, Eijirou Kirishima, Hanta Sero, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou
Tags Bakugou, Bakushima, Bakusquad, Kiribaku, Kirishima, Soulmate!au, Tododeku, Yaoi
Visualizações 350
Palavras 8.340
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom.............. Muita coisa aconteceu, TCC, términos, depressão, mas CHEGOU. Se alguém ainda lê, tenha uma ótima leitura, nos esforçamos bastante para dar um bom capítulo para vocês, afinal esse seria o final mas ficou muito grande, então ainda terá mais um capítulo que vamos trazer antes de um ano, confiem kk.

Capítulo 5 - Marks


Fanfic / Fanfiction Lilium - Capítulo 5 - Marks

Escova de dentes OK

Muda de roupas OK

Roupas de banho OK

Calçados OK

Produtos de higiene pessoal OK

Gel para manter o cabelo penteado de forma máscula OK

 

Kirishima conferia os itens a serem levados na pequena viagem pela terceira vez. Devida a ansiedade, o garoto queria ter certeza de que não estava esquecendo nada de importante.

Assim que se deu por satisfeito, fechou a mochila empanturrada de coisas que antes cobriam toda sua cama e levantou-se da mesma em seguida, dirigindo-se até a mesa de seu computador para pegar seu celular que estava esquecido até então ao lado do bloco de notas que agora faltavam-lhe diversas páginas. As folhas amarelas que antes faziam parte do pequeno bloco de notas agora preenchiam a lixeira ao lado da mesa. O ruivo riu levemente da bagunça que havia feito por algo improvável como uma lenda e decidiu levar o item junto consigo mesmo que apenas tivessem apenas algumas folhas sobrando. O garoto estendeu a destra até o objeto, porém parou seu percurso ao fitar a lixeira que estava repleta de páginas com planejamentos bizarros escritos e até mesmo alguns desenhos que havia feito enquanto tentava pensar em algo mais coerente. Dentre os desenhos, existiam algumas flores e até mesmo uma pessoa feita de palitinhos que, se alguém olhasse com atenção o suficiente, poderia associar a um loiro explosivo.

Ao notar que o desenho em questão havia ficado em evidência acima dos demais, Kirishima pegou-o em mãos e observou com mais atenção os traços.

Se não fosse pelo cabelo espetado, provavelmente não seria possível reconhecer quem era, fato que fez o ruivo rir da própria habilidade artística. Bakugo parecia segurar uma flor em suas mãos, no que provavelmente devia ser um lírio e, no canto superior direito da folha, de forma quase imperceptível, havia um pequeno coração desenhado. O garoto não se lembrava de ter desenhado aquilo, teria sido num momento de distração? De qualquer forma, apenas amassou o papel novamente, sentindo suas bochechas já se esquentarem, fator recorrente desde que havia se aproximado de Bakugo.

Antes que tivesse a chance de jogar o pequeno desenho de volta na lixeira, a porta de seu quarto fora aberta bruscamente, fazendo com que o ruivo guardasse o desenho no bolso de sua jaqueta com o susto que levara.

- Ah você ainda está aqui Eijirou! – A mulher sorriu enquanto se dirigia até seu filho com um sorriso no rosto – Achei que não teria tempo de me despedir de você – A matriarca da família envolveu o primogênito em um abraço caloroso e prosseguiu com sua fala – Tome cuidado e se comporte ok?

O rapaz exibiu seus dentes pontudos em seu sorriso ao ouvir as palavras da mais velha e assentiu. - Não tem com o que se preocupar. – Garantiu à matriarca que, assim que ouviu as palavras do filho, depositou um breve beijo na testa do rapaz, acariciando de forma breve os fios espetados do mesmo em seguida.

- Precisa que eu o acompanhe até a porta? – A mulher questionou enquanto desmanchava o abraço e sorria para o ruivo.

Eijirou, que mantinha o sorriso em seus lábios, balançou levemente a cabeça para os lados, negando a proposta feita por sua matriarca – Não se preocupe com isso, eu sei que deve estar cansada à essa hora, eu vou ficar bem – Respondeu antes de voltar-se para sua mesa apenas para pegar seu celular no qual a tela se iluminava com a mensagem que acabara de receber de Todoroki.

O ruivo então informou sua mãe sobre a mensagem que dizia que a van na qual a irmã de Todoroki havia disponibilizado para eles irem para a pousada estava para chegar, ao que sua casa era a última do percurso. Dessa forma, a mulher deu outro abraço no filho, desejando-lhe uma boa viagem e se retirou do quarto do mesmo.

O garoto olhou mais uma vez para suas coisas, se certificando de que nada ficaria para trás, e assim colocou sua mochila nas costas, se retirando de seu quarto após apagar a luz e então fechar a porta, seguindo diretamente para a entrada da casa, onde ficaria à espera de seus amigos. Já na parte de fora de sua casa, sentou-se no penúltimo degrau da escada que havia ali. Não muito depois, sentiu seu celular vibrando em seu bolso e o pegou de prontidão, visualizando a conversa do grupo de amigos.

“S.Hanta: Ficou decidido que vou dividir o quarto com o Denki”

“S.Todoroki: Você não poderia esperar estarmos todos presentes? Não sabemos ainda da disposição de quartos.”

“S.Todoroki: E estamos quase todos juntos, pra que mandar mandar mensagem? Wtf”

“K.Bakugou: Desde que eu não fiquei com os idiotas, não me importo.”

“E.Kirishima: Não acho que vá ter quarto para você ficar sozinho.”

“D.Kaminari: Cara... Você se chamou de idiota.”

“E.Kirishima: Ahaha!”

“I.Midoriya: Mas considerando que você é o único que parece se dar melhor... Kirishima, se importa de ficar no mesmo quarto que ele?”

 ‘Sem problemas’ era o que havia digitado, mas o jovem na verdade via diversos problemas em tudo isso. Seria um momento, talvez, oportuno para o seu plano, isto é, se decidisse um até o fim da viajem, mas ao mesmo tempo sentia que seria complicado. Só de se imaginar na situação de dividir um quarto com o loiro já fazia seu estômago ficar estranho. Estranheza esta que já estava começando a se acostumar, desde aquele incidente com a essência de lírios, essa sensação estava virando rotineira para si e não sabia se tal fato o incomodava ou não.

Respirou de forma profunda e decidiu por enviar sua resposta mesmo assim, porém a conversa sobre o assunto não se estendeu e seus colegas pararam de mandar mensagens. Talvez estivessem entretidos em uma conversa entre eles, de acordo com o pensamento do garoto de olhos cor de rubi, dessa forma preferiu guardar seu celular no bolso. Kirishima então apoiou o cotovelo em uma de suas coxas para que então sua mão servisse de apoio ao seu rosto, adotando uma expressão um tanto entediada pela espera. O ruivo então fitou o céu azulado, estava cedo e o dia aparentava estar ótimo para a viagem em grupo que haviam planejado.

Cinco minutos se passaram desde então e a van parou em frente ao seu portão. Logo a porta de correr se abriu e Midoriya colocou o corpo para fora, demonstrando sua a intenção de se dirigir até a casa do ruivo e tocar a campainha, mas ao avistar o amigo, apenas acenou para ele e sorriu. Eijirou então retribuiu o sorriso de sua forma costumeira, e gritou para sua mãe, a informando que já estava indo.

Trancou o portão da casa e cumprimentou o jovem de fios esverdeados batendo em sua mão antes do mesmo voltar para dentro do veículo e ceder espaço para o ruivo fazer o mesmo. A van possuía um banco para três pessoas na frente, onde ficava o motorista, mais quatro atrás, três ao meio e, ao fundo, mais quatro lugares.

- E aí Kirishima! – Disse Sero que estava no banco atrás de Todoroki e Midoriya, que sempre acabavam ficando juntos nessas ocasiões, e ao seu lado se encontrava Denki, que aparentava entretido com seu celular até o momento, mas que logo o deixou de lado para cumprimentar o ruivo. Ao fundo, no último banco, estava sentado Bakugou, com os braços cruzados enquanto mantinha seu olhar perdido janela afora, se permitindo desviar os olhos para o ruivo por um breve momento ao notar sua presença apenas para que pudesse voltar a observar a janela novamente.

- E aí galera. – Eijirou acenou para todos, tentando se decidir em qual lugar se sentar, afinal seria bastante estranho se deixasse Katsuki sozinho ao fundo, ao mesmo tempo em que seria estranho ficar junto com o mesmo.

- Cara, estou precisando de ajuda nessa fase aqui. – O loiro de mecha escura levantou seu celular, na intenção de mostrar o que estava fazendo até o momento para o ruivo em um convite para que o mesmo se sentasse ao seu lado e o ajudasse a jogar.

Desta forma Eijirou suspirou aliviado pelo outro tê-lo ajudado a se decidir e sentou-se ao seu lado, pegando o aparelho celular das mãos do loiro para tentar derrotar o chefe da tela. – Me dá isso, vou te mostrar como se faz. – Riu enquanto iniciava o jogo que estava pausado até aquele momento. Aquele era um jogo que havia recomendado ao amigo a alguns dias atrás, dessa forma, já tinha conhecimento das mecânicas e do que era necessário para passar pelas fases.

A viagem decorreu de forma rápida, pelo menos era a sensação que os garotos tiveram, ao que permaneceram distraídos entre si. Os três do banco do meio discutiam sobre o jogo e repassavam o celular de um para o outro na tentativa de descobrir quem era melhor em determinada fase. Shoto e Izuku estavam folheando o panfleto da pousada de Fuyumi, a filha mais velha da família Todoroki, discutindo quais atividades iriam realizar por lá. Enquanto o rapaz de fios claros e espetados permanecia com o olhar perdido nas paisagens que se tornavam levemente borradas e inaproveitadas em decorrência da velocidade do veículo, vez ou outra, também trocava sua atenção para observar o ruivo no banco à sua frente, que parecia se divertir naquele jogo de celular aparentemente famoso nos últimos dias, apesar de não ser o tipo que Katsuki gostava. 

Assim que chegaram ao seu destino, o veículo que levava os jovens fez a sua parada no pequeno estacionamento da pousada, tendo a porta de correr rapidamente aberta por Natsuo, um jovem sorridente de fios brancos que estava acompanhado de uma mulher de cabelos da mesma cor, se diferenciando apenas pelas mechas vermelhas.

- Sejam bem-vindos a minha pousada. Shoto, leve seus amigos lá para dentro enquanto eu verifico os quartos disponíveis para vocês. – Fuyumi cumprimentou os convidados antes de se retirar do local junto de seu outro irmão, afinal, ainda tinha trabalho para fazer na pousada.

Todos pegaram suas mochilas e desceram, em ordem, do veículo. Assim que desceram, os garotos logo puderam notar que o lugar seria bem movimentado, ao que muitos carros estavam parados no estacionamento. Dessa forma, o garoto com heterocromia guiou o grupo de amigos para a recepção da pousada, onde Fuyumi já se encontrava folheando seu livro de registros com uma expressão um tanto preocupada, porém, assim que avistou os meninos se aproximando, a mesma sorriu para os mesmos e colocou duas chaves sobre o balcão, anunciando a situação.

- Estamos com uma grande movimentação e vou ter apenas dois quartos disponíveis para vocês. Esse aqui é para um quarto tradicional japonês. – Dizia ao apontar para a chave com chaveiro azul, e logo apontando para o chaveiro branco. – E este é para um quarto com camas ocidentais.  – Finalizou com um breve sorriso que ilustrava um pequeno pedido de desculpas pela falta de quartos disponíveis.

- Ah, então aparentemente a ideia de ficarmos em duplas nos quartos não vai rolar. – Comentou o rapaz de fios avermelhados, enquanto adotava uma expressão pensativa e levava a destra até seu queixo. – Vamos sortear? – Declarou ao voltar-se para os outros garotos.

- É uma boa ideia, Kirishima! Eu trouxe alguns palitos para que pudéssemos sortear times para alguma outra atividade, mas podemos usa-los para isto também. – O jovem de olhos cor esmeralda dizia enquanto retirava sua mochila das costas para procurar pelos palitos mencionados anteriormente, estes que foram facilmente localizados no bolso lateral da mochila junto de algumas canetas que sempre carregava consigo.

-Boa! Prevenido como sempre Midorya! – Comentou de forma animada o loiro de fios mais cumpridos.

Izuku então organizou os palitos em sua mão fechando-os em punho entre seus dedos. Três deles possuíam a ponta vermelha e os outros três possuíam a ponta branca, e, assim que se deu por satisfeito em trocar os palitos de lugar, para que ninguém soubesse qual cor puxaria, estendeu sua mão para que todos escolhessem seu palito em prol de decidir os grupos que ficariam em cada quarto.

Kaminari puxou o palito com a cor branca e Todoroki puxou o vermelho, junto de Kirishima. Em seguida, Katsuki e Sero também saíram com a cor branca sobrando o último palito com ponta vermelha na mão de Midoriya, decidindo assim como ficaria a divisão dos grupos.

- E como ficam os quartos? – Questionou aquele que até então não tinha dito nenhuma palavra, Bakugou, que olhava para as chaves sobre o balcão.

- Hm... Eu queria ficar com o quarto ocidental. – Comentou o rapaz mais baixo do grupo.

- Se o outro grupo não se importar, queremos ficar com o ocidental. –Complementou o jovem com o cabelo divido em duas cores, já levando sua mão até a chave correspondente.

- Se estamos em uma pousada japonesa, devemos ficar em quartos tradicionais! – Kaminari respondeu animadamente enquanto já tomava a chave que havia sobrado para si, decisão na qual recebeu um aceno de aprovação do mais alto, Hanta Sero.

Após decidirem sobre a divisão de quartos, o irmão de Shoto, Natsuo, guiou ambos os grupos a seus respectivos aposentos, informando o horário que as termas estariam livres para que os mesmos aproveitassem.

- Então... Vocês têm das cinco horas até as seis para usarem as termas tranquilamente, já que depois desse horário os clientes começam a frequentar. Isto para as termas aos fundos que fica ao céu aberto, mas caso prefiram, temos as fechadas também, porém elas são bem movimentadas em quase todos os horários. – Dizia o rapaz para os dois grupos.

Os garotos assentiram silenciosamente às recomendações do outro e logo receberam um sorriso como resposta de Natsuo, que prosseguiu pelos corredores para guia-los até seus quartos, que não ficavam muito longe um do outro, sendo apenas um corredor a mais de distância.

Após serem deixados em seus respectivos aposentos, os garotos se despediram do irmão de Todoroki e adentraram seus quartos. Tanto o quarto tradicional japonês quanto o ocidental eram bem espaçosos e criavam um clima de hospitalidade aos garotos, tanto que Midoriya logo jogou sua mochila sobre a primeira cama que avistaram, já definindo sua posse sobre a mesma. Dessa forma, Todoroki automaticamente escolheu a cama ao meio, sobrando apenas a localizada próxima à pequena varanda individual que cada quarto possuía. Com isso, Kirishima então deixou sua mochila sobre a cama e jogou seu corpo sobre a mesma em seguida, apreciando a maciez do colchão contra suas costas que já davam sinais de tensão por conta do tempo de viagem, e esticou os braços para além de sua cabeça, se espreguiçando de forma demorada.

Se pudesse escolher o quarto em que ficaria, provavelmente teria optado pelo de temática tradicional, afinal, compactuava com a ideia dos amigos sobre aproveitar ao máximo da ambientação da pousada japonesa. Mas de qualquer forma, se sentia confortável agora que havia visualizado o que seria seu quarto pelo próximo dia.

Após se dar por satisfeito em relaxar em sua cama, Eijirou ergueu seu corpo de forma que se sentasse sobre a mesma e levou a destra até o bolso de sua jaqueta, retirando seu aparelho celular dali, com a intenção de avisar sua mãe sobre sua chegada na pousada. Com isso, avisou os colegas de quarto enquanto digitava o número de telefone e se retirou do quarto.

Enquanto isso, Midorya, que até então retirava suas coisas de dentro da mochila em uma tentativa de encontrar suas roupas de banho, notou que havia pequena bola de papel amarelada no chão, próxima ao pé da cama na qual Kirishima dormiria. O garoto de fios esverdeados adotou uma expressão confusa em seu rosto enquanto se perguntava se aquilo já estava ali desde o princípio ou se tratava de algo que pertencia ao seu amigo. Seja lá qual fosse a conclusão, só saberia se fosse conferir sobre o que se tratava o papel.  Dessa forma, Midorya deixou de lado suas coisas e se agachou próximo da cama de Kirishima, desamassando a bolinha de papel amarelada para que pudesse verificar seu conteúdo.

Na folha amarelada existia um desenho, bem simples, de uma pessoa que aparentava segurar uma flor. Enquanto Midoriya observava o desenho com mais atenção, foi surpreendido por seu colega de quarto, Todoroki, que se abaixou ao seu lado para ver o que o outro fazia murmurando coisas inaudíveis próximo da cama do ruivo.

- O que é isso? – Questionou com sua voz naturalmente baixa enquanto aproveitava para espiar o que havia de tão interessante na folha amassada que o menor tinha em mãos.

- Acho que o Kirishima deixou cair... Apesar de ser estranho, me lembra alguém. – Divagou enquanto levava a mão livre até o próprio queixo, adotando uma expressão pensativa.

- Não parece com o Bakugou? Julgando pelo cabelo... – O garoto de cabelos bicolores apontou a semelhança no desenho com o garoto explosivo. Assim que parou para pensar na resposta de Todoroki, os olhos de Midorya automaticamente se iluminaram e um “AH!” escapou por seus lábios enquanto seu rosto adotava uma expressão de um misto de surpresa e animação.

O mais curioso para ambos não era apenas o fato de que aparentemente Kirishima havia feito um esboço do outro rapaz, mas sim o fato de que no canto da folha existia um coração que provavelmente havia sido feito pela mesma pessoa, e notar este detalhe fez os olhos esverdeados de Izuku brilharem ainda mais com a empolgação que tomava conta do mesmo.

- Midoriya, não devemos nos meter neste assunto. – Shoto, que desde antes de começar a namorar com o menor teve o costume de o observar, advertiu o mesmo ao notar que ele provavelmente iria tramar alguma coisa em relação aquilo. Aliás, o fato deles serem um casal permanecia oculto aos amigos mesmo que não se esforçassem para esconder tal fato, e a possibilidade de existir mais um casal entre o grupo animava o de fios esverdeados.

- Nós não vamos nos “meter” nisso, vamos apenas dar suporte para o Kirishima! – Replicou prontamente enquanto direcionava seu olhar para o garoto ao seu lado com uma expressão falsa de ofensa.

- Nem ao menos sabemos se o Kirishima quer ajuda, ou se precisa de ajuda com alguma coisa. – Disse em uma tentativa de lembrar ao outro de que também existia a possibilidade daquele desenho significar nada. Tentativa que falhou prontamente ao que a empolgação do namorado não vacilou por um instante qualquer.  

- Como eu esperava, o sinal do celular aqui é péssimo. Mandei uma mensagem, espero que chegue.  - Neste mesmo instante, a porta do quarto voltou a ser aberta pelo ruivo no qual conversavam sobre até o momento, o mesmo trazia consigo uma feição um tanto frustrada enquanto carregava o celular, agora desligado, em suas mãos.

A aparição repentina do ruivo assustou ambos os garotos que, em um ato desesperado, fizera com que Izuku voltasse a amassar a pequena folha de papel e a jogasse para debaixo da cama do ruivo que adentrava o quarto. Tal ato logo foi reprovado por Shoto que direcionou um olhar indignado para o namorado que apenas deu de ombros e o ignorou.

- Então... Vou arrumar minhas coisas. – Kirishima fitou os amigos de forma que a confusão estivesse bem estampada em seu rosto, porém logo decidiu ignorar o fato de seus colegas de quarto estarem agachados próximo de sua cama, ao que sentia que os dois sempre escondiam alguma coisa e, como não se importavam em falar sobre, deduziu que a mesma regra se encaixaria naquela situação.

Todoroki e Midoriya quase suspiraram de alívio ao notarem que o ruivo havia decidido por perguntar nada sobre a situação e logo se levantaram para dar espaço para que o colega pegasse sua mochila e começasse a separar as roupas que usaria ainda naquele dia. Com isso, os outros dois garotos decidiram por fazer o mesmo enquanto trocavam olhares cúmplices sobre o que tinha acabado de acontecer, permitindo que apenas o silêncio pairasse no quarto naquele momento.

- Kirishima, vamos indo para as termas! – Izuku não conteve seu ânimo assim que terminaram de arrumar suas coisas e cortou o silêncio de forma exaltada.

- Eu vou ir ver se os outros já arrumaram suas coisas, podem ir na frente. – Todoroki informou logo que o olhar de Midorya pousou sobre si, cobrando-lhe uma resposta sobre a proposta que fizera ao ruivo.

- Se é assim, vamos! – Eijirou respondeu de forma que correspondesse ao ânimo do outro e logo pegou suas coisas que estavam em cima da cama para então seguir rumo à porta, sendo seguido pelo garoto de fios esverdeados que novamente trocou olhares cúmplices com Shoto ao passar pelo mesmo.

As termas, a coberta e ao ar livre, ficavam ao fundo da pousada, e durante todo o percurso os dois garotos caminharam em quase completo silêncio, perdidos em seus próprios pensamentos. Apesar do jovem de fios esverdeados querer ajudar o amigo, o mesmo não fazia a menor ideia do que poderia ser feito, ao que nem mesmo tinha certeza de que Kirishima possuía sentimentos românticos em relação a Bakugou, além de ter consciência de que aquilo não era algo que poderia simplesmente perguntar sem mais nem menos.

Dessa forma, os dois chegaram ao vestiário masculino sem que trocassem muitas palavras e logo escolheram as cestas nas quais guardariam as roupas que usavam até o momento e pegaram as toalhas que as substituiriam. Sendo assim, os garotos se despiram de forma rápida e amarraram a toalha branca na cintura antes de seguirem finalmente para as termas.

As termas eram bonitas apesar de sua aparência comum, o local era dominado pela névoa provocada pela água quente e a mesma adornava as pedras que haviam em volta do local, criando assim, um clima misterioso e ao mesmo tempo relaxante, ao que o som da pequena cachoeira era a única coisa que era ouvida no local.

Midoriya foi o primeiro a adentrar as águas, retirando sua toalha e a deixando dobrada sobre o chão para que pudesse apoiar seus braços sobre o tecido, enquanto todo o corpo ficava dentro da água. Já Eijirou seguiu com cuidado até uma das pedras dentro da água e sentou-se na mesma, permitindo que a água quente cobrisse apenas de sua cintura para baixo, que permanecia coberta pela toalha.

Assim que se acomodou, o jovem de fios vermelhos apoiou suas costas em uma pedra maior que estava localizada logo atrás de si e fechou os olhos, aproveitando aquela sensação confortante que o calor do ambiente proporcionava à sua pele.

Poucos minutos se passaram e logo Kirishima notou que mais alguém havia chego para se juntar a eles. O ruivo abriu os olhos quando ouviu a voz de Todoroki e o observou a se acomodar ao lado de Midorya. Considerando que provavelmente o garoto não teria vindo sozinho, Kirishima mudou sua atenção para a entrada das termas, sentindo que certa ansiedade dominava seu corpo sem que entendesse exatamente o porquê desse sentimento repentino.

O ruivo apertou os olhos por um momento para que visualizasse da melhor forma possível as pessoas que surgiam na entrada em meio a névoa e logo pôde identificar Sero e Denki, que estavam rindo de alguma coisa enquanto se encaminhavam até o local designado para que limpassem as impurezas do corpo antes de adentrarem as águas termais. Logo atrás, vinha o garoto de cabelos espetados, no qual fizera com que o sentimento que o dominava até aquele momento aumentasse de forma que Kirishima não sabia explicar.

Os olhos vermelhos de Eijirou pareciam se mover por conta própria ao que, mesmo sem querer, fizeram questão de olhar cada detalhe do corpo alheio. O menino sentiu seu rosto esquentar assim que notou que encarava Bakugou a tempo demais e, mesmo imaginando o motivo de tal acontecimento, preferiu julgar ser culpa do calor do local. Dessa forma, Kirishima fez menção de desviar o olhar, porém, em um momento em que a névoa causada pela água quente em contato com o ar mais frio se tornou mais leve, avistou uma mancha próxima da cintura de Katsuki.

No mesmo instante seus olhos mudaram o foco para sua própria perna, onde pouco acima de seu joelho existia uma marca de nascença que nunca havia dado a devida atenção como naquele momento. Não havia parado para refletir sobre seu formato antes, mas naquele momento podia jurar que se assemelhava a uma flor, e a mesma se parecia com a que do loiro de expressão fechada possuía. Tal fato despertou as memórias sobre as pesquisas que fizera anteriormente como em um estalo em sua mente, fazendo com que se lembrasse de tudo relacionado as pessoas predestinadas por uma marca de nascença, crença esta que ainda achava impossível ser real.

Katsuki, que terminava de limpar seu corpo sabendo que recebia alguns olhares de um certo ruivo, imaginava se o mesmo já havia chegado ao ponto de pesquisar sobre a lenda que envolvia as marcas de nascença que possuíam, explicando assim a curiosidade repentina do outro em seu corpo.

O loiro observou com o canto dos olhos o ruivo passar a olhar o próprio corpo após aparentemente encontrar o que procurava e sorriu de canto em seguida. Determinado em provocar o ruivo, Bakugou levantou-se do banquinho em que estava sentado até então e caminhou em passos lentos até finalmente chegar próximo da água, onde puxou sua toalha com a destra, desatando o nó que a mantinha no lugar, e jogou-a sobre o ombro enquanto direcionava seu olhar para Eijirou, que naquele momento detinha as bochechas tão vermelhas quanto os fios de cabelo que cobriam parte de seu rosto.

O loiro permaneceu parado no mesmo lugar enquanto observava o outro garoto abrir a boca em completa surpresa e exibir seus pontudos dentes, ação que não durou mais que alguns instantes, ao que o ruivo tornou a fechá-la e deixou com  que seu corpo escorregasse para dentro da água, permitindo que a mesma o cobrisse até a cabeça, numa tentativa de esconder sua vergonha enquanto o loiro, que ainda o observava, virava o rosto para o lado contrário em uma tentativa de evitar que o vissem rindo da situação.

Após afundar na água, Eijirou contou até cinco antes de voltar emergir na superfície, balançando a cabeça para os lados logo em seguida na intenção de remover o excesso de água em seu rosto e cabelos antes de voltar seu olhar para onde Bakugou estava até alguns momentos atrás, agradecendo mentalmente por notar que o mesmo já estava dentro da água também, ou não saberia como lidaria com a situação novamente.

“Talvez os outros tenham também?” foi o pensamento que se passou na mente do ruivo enquanto refletia sobre as marcas de aparência tão semelhante que possuíam. Com isso, de forma discreta, aproximou-se de Hanta e Denki que estavam distraídos enquanto jogavam água um no outro. Assim que chegou perto o suficiente, encarou-os por alguns instantes enquanto se movia lentamente pela água de forma que pudesse visualizar os amigos de um ângulo diferente.

Kirishima estava tão distraído com sua procura que quase não percebeu quando os amigos pararam de se divertir entre si e passaram a encarar o ruivo com uma clara confusão em seus rostos. Assim que notou a confusão no olhar dos garotos, limitou-se a sorrir de forma sem graça e se afastou rapidamente, mudando seu foco para os outros dois amigos que estavam conversando tranquilamente na borda das águas termais.

O ruivo então manteve uma distância mais segura dessa vez, considerando que já estava constrangido o suficiente naquele dia. Dessa forma, assim que pousou seus olhos sobre os outros amigos, logo pôde identificar uma mancha no braço de Midoriya, na qual o formato parecia indefinido para si. Kirishima então decidiu por se aproximar um pouco mais dos colegas de quarto e, durante um movimento de Shoto, conseguiu visualizar uma marca semelhante à do garoto de fios esverdeados na parte de trás de seu ombro.

- Será que... – Sussurrou para si mesmo enquanto imaginava as possibilidades que aquilo indicava e passou a dar alguns passos para trás para se afastar aos poucos dos amigos.

- Posso saber o que você tanto procura? – Kirishima se sobressaltou ao trombar contra o corpo de alguém atrás de si e ouvir a voz de Bakugou em seguida tão próxima de sua orelha. Com a surpresa, se afastou bruscamente do rapaz atrás de si e virou-se de frente para o mesmo, fazendo com que o rapaz de fios rebeldes risse baixo com a cena que acabava de presenciar.

- Erm.. Nada! Eu estava apenas pensando em já sair da água, estou começando a me sentir mal. – Riu de forma sem jeito e levou uma mão até seus cabelos, arrumando os fios de cabelo para trás em um movimento de puro nervosismo.

- Então é por isso que seu rosto está vermelho, Eijirou? – Bakugou prosseguiu enquanto mantinha um sorriso de canto em seus lábios e observava o rosto de Kirishima se tingir ainda mais de vermelho.

O diálogo não estava indo muito bem para Kirishima, sua mente estava uma completa confusão e não sabia se era culpa do calor das termas ou do rapaz a sua frente, ou se eram as duas coisas. Ele então abaixou sua cabeça, evitando que Katsuki visse mais de seu rosto e logo moveu-se rapidamente para fora da água, porém foi impedido de continuar seu caminho para o vestiário por Izuku, que pediu para que os esperasse ao que logo sairiam também. Dessa forma, o ruivo se contentou em enrolar seu corpo em uma nova toalha enquanto matinha outra sobre sua cabeça e limitou-se a observar seus amigos, onde sempre que encontrava o olhar de Katsuki, desviava sua atenção o mais rápido possível, por mais que poderia jurar que o loiro ria de si em cada uma dessas vezes.

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Assim que voltaram das águas termais, os meninos se reuniram novamente no hall de entrada da pousada, aproveitando a brisa fresca que vinha de fora do local que era cercado por árvores majestosas da área montanhosa.

- Então, o que acham de a gente ir para a sala de jogos agora? – Kaminari logo propôs de forma animada aos demais. Sugestão que logo fora aprovada por Sero, ao que ambos ainda possuíam bastante energia para aproveitar o primeiro dia na pousada.

- Acho uma ótima ideia! – Izuku concordou de prontidão mesmo que já sentisse os primeiros sinais de cansaço devida a viagem e o tempo em alta temperatura nas águas termais. Apesar disto, viu naquilo uma oportunidade para que Kirishima e Bakugou pudessem interagir mais e, assim, caso o ruivo realmente estivesse apaixonado pelo amigo de infância, dar o suporte necessário para que tudo desse certo entre eles.

Dessa forma, o garoto de fios esverdeados olhou esperançoso para Shoto, que o fitava com uma expressão um tanto confusa. O mesmo sabia que precisavam descansar, mas também sabia que se recusasse, o namorado ficaria bravo consigo posteriormente. Com isso, suspirou enquanto admitia sua derrota perante ao olhar do outro e logo correspondeu ao pedido silencioso de Midorya – Podemos ir, irei ver com minha irmã se podemos pegar algumas fichas.

Com tal resposta, os outros quatro garotos comemoraram, menos Bakugou, que mantinha uma expressão entediada em seu rosto.

- Eu passo, estou cansado – Replicou já se virando de costas para o grupo, indo em direção ao seu quarto enquanto o resto dos meninos, não exatamente surpresos pela resposta do loiro, o observavam partir.

- Hey Bakugo, espera! – Kirishima chamou-o enquanto caminhava já atrás do garoto que se separava do grupo. – Eu vou ir também, assim podem jogar em duplas sem problemas – O ruivo se voltou para o grupo enquanto andava alguns passos de costas para o caminho que seguia e mantinha as mãos juntas como um pedido de desculpas por se separar do grupo. Essa era uma ótima oportunidade de executar algum plano, mesmo que nem tivesse parado para pensar em um com clareza ainda. – Oi! Eu falei para esperar! – Kirishima gritou assim que se virou novamente para o garoto explosivo e notou que o mesmo já se encontrava a alguns metros de distância, forçando-o a apressar os passos para alcançar o loiro.

O resto do grupo fitou os amigos se afastarem, alguns com uma expressão um tanto confusa, outros mantinham a mesma expressão de sempre e um, em específico, mantinha um sorriso de canto nos lábios enquanto observava.

Izuku então deu uma cotovelada de leve no braço de Todoroki para chamar sua atenção e fez um sinal com a cabeça para que prosseguissem com o combinado. – Bom... Vamos jogar então!

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Assim que conseguiu alcançar o loiro, Kirishima pensou em ralhar com o mesmo, ao que estava claramente sendo ignorado enquanto o chamava, porém logo desistiu de fazê-lo ao considerar que o loiro não o daria atenção de qualquer forma. Com isso, apenas continuaram caminhando em silêncio até o quarto em que os loiros e o moreno do grupo estavam hospedados.

- Por que está me seguindo? – O garoto explosivo questionou assim que chegaram em frente à porta do quarto, virando-se para o ruivo com uma expressão séria em seu rosto – O seu quarto fica para lá – Prosseguiu enquanto indicava com a mão o corredor oposto no qual se encontravam.

Kirishima abriu a boca algumas vezes enquanto pensava no que seria mais apropriado dizer. Depois de alguns instantes, sorriu de forma sem graça para o loiro que já o encarava com uma sobrancelha arqueada e levou a destra até os próprios fios de cabelo, demonstrando que estava sem jeito com a situação. – Bom, eu pensei que não seria legal deixá-lo sozinho de novo... E também é mais fácil para eles jogarem com um número par de pessoas. – Respondeu ao recordar que havia deixado o loiro sozinho durante toda a viagem.

O loiro estalou a língua no céu da boca com a resposta do ruivo e resolveu apenas ignorá-lo novamente. Kirishima sempre parecia pensar demais nas situações e principalmente nas pessoas, então considerou inútil discutir o quanto não precisava de companhia e não se importava com o fato de ter ficado sozinho durante a viagem, já que além disso, sabia que o outro devia ainda estar confuso sobre os últimos acontecimentos.

Com isso em mente, Bakugou se virou para a porta e tentou abrí-la, notando que a mesma estava trancada e que não havia ficado com a chave do quarto já que Denki e Sero haviam sido os últimos a saírem do quarto anteriormente.

Katsuki xingou baixo e chutou a porta, fazendo com que Kirishima olhasse aos arredores para verificar se alguém havia ouvido alguma coisa antes de tentar acalmar o amigo – Shhh, assim você vai fazer nós sermos expulsos! – Relembrou ao outro que várias outras pessoas de diversas classes sociais se encontravam nas diversas portas ao lado.

- Tch... Você está com a chave do seu? – Katsuki se virou pra o ruivo novamente que assentiu com uma expressão confusa para o outro – Ótimo, eu irei dormir por lá então. – Constatou antes de voltar a caminhar agora em direção ao quarto da outra metade do grupo. A última coisa que queria fazer no momento era ir atrás dos dois idiotas na sala de jogos só por causa de uma maldita chave.

- O que? Mas por quê? – Kirishima questionou enquanto voltava a apressar os passos para acompanhar o loiro. Apesar de tudo, muitas vezes não sabia o que passava na cabeça do outro.

- Você não queria me fazer companhia? Agora não reclama. – Respondeu de volta com certo sarcasmo na voz antes de parar na frente da porta do quarto de Kirishima, encostando-se na parede de braços cruzados enquanto aguardava o ruivo abrir a porta em meio a um suspiro de derrota.

Assim que adentrou o quarto, Bakugou logo identificou a cama em que o ruivo dormiria e se jogou na mesma enquanto o outro fechava a porta e se dirigia até o loiro, sentando-se na cama ao lado antes de suspirar enquanto observava o corpo estirado em sua cama. Havia passado tanto tempo tentando planejar algo para que então pudesse comprovar suas teorias até o momento, mas agora só conseguia se martirizar por se achar egoísta em pensar nessas coisas, afinal, Bakugou não tinha nada a ver com suas dúvidas.

- O que foi? – O loiro perguntou com a voz abafada pelo travesseiro ao notar que era observado em silêncio pelo outro.

-Uh? Ah.. Não é nada, estava apenas pensando – Riu de forma desajeitada antes de se permitir deitar na cama alheia e então passar a observar o teto do quarto.

- Sobre? – Kirishima pensava que o outro não fosse querer conversar naquele momento, mas aparentemente estava enganado ao que o loiro parecia de certa forma preocupado consigo. O que não seria por menos ao que provavelmente fazia uma expressão um tanto quanto contorcida enquanto remoía sobre os pensamentos de tocar o corpo de outra pessoa apenas para que tirasse conclusões tão improváveis. Com isso em mente, limitou-se a apenas suspirar ao decidir não contar ao garoto de olhos tão parecidos com os seus sobre seus reais devaneios naquele momento.

- Ah... Eu estava pensando sobre... Marcas – Começou a falar antes de respirar fundo. Sabia do duplo sentido do que estava dizendo, mas da mesma forma na qual não se referia às de nascença que possuíam, havia decidido não inventar qualquer história para o outro, então resolveu apenas desabafar naquele momento – Cada um já deixou alguma marca no colégio ou até mesmo na vida das pessoas... Você, Midorya e Todoroki além de terem boas notas, são populares. – Constatou enquanto voltava seu olhar para o loiro na cama ao lado – Já o Denki e o Sero são apenas populares – Riu baixo por mais que o humor não chegasse exatamente em seu rosto – Mas eu não fiz nada de significante ainda.

Kirishima fez uma pausa no que dizia enquanto levava a destra até a camisa que utilizava, apertando o tecido em seu peito entre seus dedos antes de fechar seus olhos – Eu sempre tentei não demonstrar isso, mas é como se ao final do dia, tudo o que eu pude fazer foi permanecer à sombra das pessoas. Afinal, não há algo que eu seja bom – Kirishima então voltou a abrir os olhos. Admitir aquelas coisas em voz alta era mais difícil do que conviver com elas. – Ah... Me perdoe Bakugou, eu comecei a falar sem parar, é melhor descansarmos agora. - Disse após deixar com que o ar que prendia até então em seus pulmões fosse liberado em uma lufada e virou-se na cama de forma que ficasse de costas para o loiro.

Bakugou observava o ruivo com certa atenção desde o momento em que o mesmo iniciou sua fala. No primeiro momento, achou que o mesmo falaria sobre as marcas de nascença que possuíam e eventualmente o questionaria sobre algo relacionado aos lírios, porém se surpreendeu ao notar que o outro falava de outro assunto.

O loiro arqueou as sobrancelhas com as ações fora do usual do ruivo e se levantou da cama de forma lenta, deixando com que o silêncio que pairava entre os dois tornasse quase imperceptível os movimentos do loiro para Kirishima, que agora encarava a porta do quarto como se fosse algo muito interessante naquele momento.

Assim que se levantou, Katsuki empurrou a cama na qual estava deitado até poucos instantes atrás com certa força, fazendo com que a mesma e a que Kirishima estava deitado se juntassem. O barulho da madeira se arrastando no chão e o impacto entre os objetos assustaram o ruivo, que logo virou-se para o loiro novamente e, antes que pudesse questionar sobre as ações do outro, Bakugou voltou a se deitar na cama, mantendo seu corpo virado de frente para o ruivo para então levar ambas as mãos até o rosto alheio e fazer com que os olhos escarlates se encontrassem com os seus.

A pressão que as mãos do loiro exerciam no rosto de Eijirou fizeram com que as bochechas alheias se apertassem levemente e assim um leve bico involuntário se formasse em seus lábios – Não é você que decide se você deixou marcas nas vidas das pessoas, idiota. – Iniciou sua fala enquanto Kirishima devolvia o olhar intenso alheio de forma um tanto confusa. – Você não precisa se preocupar com esse tipo de coisa inútil – Finalizou enquanto libertava o outro de suas mãos e então se virava de costas para o ruivo que agora mantinha o rosto levemente avermelhado.

O ruivo sabia que aquela era a forma do outro de confortá-lo e dizer que pensar sobre esse tipo de coisa não o levaria a nada. Dessa forma, sorriu levemente e aproximou seu corpo ao do outro e descansou sua testa nas costas alheias, mantendo os olhos fechados no processo. – Obrigado... – Sussurrou em meio ao perfume do loiro, que era tão diferente dos lírios, porém ainda gratificante. O garoto de dentes pontiagudos ainda pôde ouvir Bakugou resmungar algo como “não precisa agradecer, idiota” e riu brevemente, sentindo-se mais relaxado naquele momento, tanto que em alguns instantes, pôde sentir o cansaço abater seu corpo aos poucos, acabando por adormecer daquela forma.

Quando o loiro notou que a respiração alheia se tornou mais profunda, virou o corpo de forma cautelosa para que ficasse de frente para o ruivo novamente. – Tch.. Você é um idiota mesmo, não é? – sussurrou da forma mais baixa possível para que o outro não acordasse e desprendeu as cobertas que estavam muito bem esticadas na cama em que estava para cobrir o outro, ao que o mesmo havia adormecido por cima das próprias. Assim que terminou de cobrir o ruivo, voltou a se ajeitar na cama e passou a observar a expressão serena do outro, permitindo que um sorriso despontasse de seus lábios antes de deixar que fosse levado ao mundo de sonhos assim como o ruivo.

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- É quase impossível ganhar deles! Eles vivem jog-- - Midorya conversava com Todoroki enquanto abriam a porta que, não havia sido trancada por Eijirou ao que este sabia que os outros precisariam adentrar o quarto posteriormente, até que fora calado pelo namorado ao ter sua boca coberta por uma das mãos do mesmo antes de Shoto fazer um sinal de silêncio na frente dos lábios com a outra.

Todoroki sinalizou com a cabeça os garotos que dormiam tranquilamente um ao lado do outro, agora quase abraçados, ao que a noite fria fizera com que Bakugou inconscientemente se esgueirasse para dentro das cobertas junto com o ruivo, mantendo seus corpos extremamente próximos.

Assim que entendeu a situação, Midorya fechou a porta com cuidado e se voltou para Todoroki com uma expressão extremamente animada – Eu te disse! – Falou em no tom mais baixo que pôde antes de puxar o namorado pelo braço até o quarto dos outros meninos.

- Para onde vamos? – O garoto de fios bicoloridos questionou a afobação do outro, recebendo apenas um olhar, que conhecia muito bem, como resposta. O olhar de que havia um plano mirabolante em sua cabeça e que o estava pondo em ação naquele momento.

- É claro que não podemos ficar lá, então... – Sorriu de forma ampla enquanto batia na porta do quarto onde se encontravam Denki e Sero e aguardou alguns instantes até que finalmente abrissem a porta – Quem está afim de fazer uma noite de filmes?

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Os primeiros raios de sol já iluminavam o quarto quando Kirishima começou a despertar de seu sono. Não sabia se o perfume doce dos lírios que inundavam suas narinas e distribuía sensações por seu corpo eram provenientes do sonho que estava tendo naquele momento, porém sentia uma súbita necessidade de provar mais daquele odor que agora era tão conhecido para si.

Com isso, apertou entre seus dedos o tecido no qual a mesma repousava sobre e puxou-o levemente para si, aproveitando o movimento para aproximar seu rosto da origem de tal odor tão gratificante, em uma busca inconsciente das sensações que o perfume proporcionava a si. Suspirou em deleite ao sentir um breve arrepio percorrer seu corpo e logo procurou mais por seu mais recente vício. Puxou ainda mais o tecido em suas mãos para si e moveu seu rosto para ainda mais próximo do local que provinha a fragrância de lírios, até que sentisse que a ponta de seu nariz tocasse algo macio, o que muito se assemelhava à textura da pele. Com isso, finalmente decidiu por abrir os olhos, notando que se encontrava puxando a camisa de Bakugou para cima enquanto mantinha seu rosto colado em seu pescoço e, consequentemente, era observado pelos olhos tão semelhantes quanto os seus com uma expressão indecifrável, ao que aparentemente o mesmo havia acabado de despertar.

Ainda levou alguns segundos para que Kirishima tomasse consciência de sua situação atual e notasse que aquilo não era mais um de seus sonhos com o loiro, e sim a realidade. Com isso, em um movimento brusco, empurrou Bakugou com ambas as mãos para fora da cama em meio a uma expressão de surpresa que era tanto estampada em seu rosto quando no som que escapou por seus lábios.

- Mas que merda é essa? – O loiro reclamou ao ser empurrado pelo ruivo e inevitavelmente cair no chão de forma repentina, lançando um olhar completamente irritado ao ruivo enquanto se mantinha sentado no chão.

- Ah! Me desculpa, eu fiquei... Foi por impulso! – O rapaz nem mesmo sabia como se explicar, já que ao abrir os olhos ficou tão surpreso que não conseguiu pensar em outra coisa além de se afastar o mais rápido o possível, o que resultou no empurrão. Em um movimento que demonstrava o quão sem jeito estava com a situação, guiou suas mãos até seus fios avermelhados e os bagunçou de forma energética e emitia sons indecifráveis. Assim que se deu por satisfeito, permitiu-se fitar o loiro que permanecia sentado no chão. – N-nós realmente dormimos...

- É obvio, seu idiota. – Katsuki demonstrava seu mal humor através de suas palavras, afinal, havia sido despertado pelo ruivo no momento em que o mesmo passou a puxar suas roupas, o que o deixou surpreso até que notasse que o outro estava agindo por instinto em resultado de estarem em contato com suas marcas de nascença. O loiro então havia prendido a respiração ao sentir não apenas os arrepios e sensações que a essência de lírios, que parecia ter dominado o quarto, proporcionava a si, mas também as que a respiração do outro contra seu pescoço causavam em seu corpo, essas que, particularmente, foram mais difíceis de lidar. Apreciava aquele momento até que o ruivo tomasse consciência de seus arredores e fosse derrubado da cama de supetão, justo quando havia pensado que, após a noite anterior, tivessem ao menos se tornado mais próximos.

Bakugou então fez menção de se levantar do chão quando avistou uma pequena bola de papel amarelada que aparentemente havia sido revelada ao empurrar a cama anteriormente. Normalmente ignoraria tal item, porém, assim que olhou com mais atenção, notou que na parte que ficava à mostra do papel haviam um coração desenhado e, em um momento de curiosidade, alcançou a folha e a desamassou sem muito cuidado para verificar seu conteúdo.

Enquanto isso Eijirou permanecia confuso com tudo o que havia acontecido. Ele tinha realmente dormido abraçado com o loiro, e como se não fosse o suficiente, havia despertado com a fragrância de lírios que provinham do corpo alheio e acabara por agir por instinto devida as sensações que aquilo ainda o proporcionava. Sem nem se dar conta, o ruivo sentiu seu rosto voltar a ficar avermelhado enquanto levava a destra até seu peito, apertando o tecido de sua camisa assim como fizera durante a noite, porém, dessa vez, apenas em uma ação não efetiva em acalmar seu coração, que batia em um ritmo mais acelerado do que o normal. Após alguns instantes daquela forma, guiou seu olhar para o rapaz que ainda estava no chão, pensando em se desculpar novamente com o mesmo, até notar o pequeno papel que este segurava.

Seus lábios tremeram ao se lembrar que no lugar de jogar fora o desenho que tinha feito em sua casa, havia o guardado no bolso de sua jaqueta pelo susto de ter sua mãe aparecendo em seu quarto repentinamente.

Todos os medos do jovem de fios escarlates começaram a aflorar em sua mente. Ao mesmo tempo em que se perguntava em que momento aquele desenho poderia ter caído de seu bolso, também imaginava as reações possíveis do garoto a sua frente ao tomar conhecimento daquele desenho vergonhoso. Dentre as possibilidades que passavam por sua mente, onde todas eram ruins, o que mais temia era que o loiro decidisse por cortar qualquer relacionamento que tinham antes.

Porém, logo os pensamentos pessimistas de Kirishima foram cortados pela risada de Bakugou.

- Você é um desastre mesmo, isso aqui era para ser eu? Precisa de mais cem anos para conseguir me desenhar. – O loiro variava o olhar entre o desenho e o ruivo que estava ajoelhado na cama com uma expressão extremamente assustada em seu rosto. O rapaz de cabelos bagunçados então esboçou um sorriso torto com os lábios e voltou a amassar o desenho, o arremessando para Eijirou. –Tira essa feição estupida da sua cara. Vou ver se já serviram o café da manhã, estou com fome.

Kirishima então permaneceu estático enquanto observava o loiro se levantar para já se dirigir até a porta do quarto.

- O que foi? Vou deixar você pra trás novamente Eijirou – Virou-se novamente para o ruivo, ainda sustentando seu sorriso nos lábios, antes de finalmente abrir a porta e passar pela mesma.

O garoto de dentes afiados agora encarava a porta já fechada de forma atônica antes de finalmente decidir por abrir a bolinha de papel que havia pego ao ser jogada para si e dar mais uma olhada no desenho que havia feito. Realmente, se tinha algum talento, provavelmente este não era artístico.

Kirishima então terminou de desamassar da melhor forma possível a folha amarelada e guardou-a em sua mochila, sorrindo levemente enquanto sentia seu peito se aquecer. Assim que o guardou da melhor forma possível, resolveu por finalmente ir atrás de Bakugou, que já havia desaparecido pelos corredores.


Notas Finais


Desenho feito pelo Kirishima: https://ibb.co/h8vVFp

Esperamos que tenham gostado!
Até o próximo~


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