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História Lilly - Capítulo 3


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Notas do Autor


Para Lillian: “Você não tá sozinha, nunca se esqueça disso"

Capítulo 3 - Quando tudo começou...


Amanhã não foi melhor, nem amanhã nem depois.

Na ida para a escola, Lilly não conversa muito com o Hunter, fica sentada na janela do bonde.

- Por que você não falou comigo no intervalo ontem?

- Por nada...

Responde Lilly discretamente disse ela enquanto desciam do bonde.

- Achei que tinha ficado brava por ter te deixado sozinha antes da aula.

Sim eu fiquei, nós não íamos ficar juntos?

Sem prestar atenção na resposta, ele interrompe levando-a ao meio de um grupo.

- Pois então você vai ficar com meus amigos e eu hoje!

- Pessoal essa é minha irmã Lillian.

- Podem me chamar de Lilly.

No inicio eles até conversaram com ela, mas com o tempo Hunter começou a chamar mais atenção e roubar a cena.

- Talvez fosse culpa minha de não ser interessante o bastante.

Ela pega seus livros e vai sentar sozinha, eles não perceberam que ela saiu, nem Hunter que estava distraído com a conversa.

- Tudo bem. Ele sempre foi melhor que eu em conversar, em lutar, em jogos ou qualquer outra coisa, com o tempo eu faço amigos também.

Ela tentava se consolar, mas não tinha certeza do do que dizia a si mesma.

Os sinos tocam e eles vão para a primeira aula, Educação física, a sala vai a um campo gramado cercado por cercas vivas, bancos e com estátuas gregas feitas por alunos. O professor pergunta qual deles tem experiência com arco e flecha, Os irmãos e alguns outros levantam a mão.

- Ótimo! Mostrem o que sabem.

Eles atiram algumas flechas, o professor corrige algumas coisas e começa a aula com os outros. Lilly acerta fora do alvo, então Hunter dá uma dica:

- Tenta fazer assim.

- Não precisa! eu consigo sozinha!

Ela erra repetidas vezes pelo mesmo erro que Hunter havia dito, ele acerta o centro do alvo por sorte e é elogiado. Lillian começou a ficar com inveja ao pensar que eles haviam treinado juntos, mas ele sabia atirar melhor que ela.

- Ele não é tão bom assim!

E passou o dia com raiva dele sem motivo aparente, deixando ele confuso e a sala gostando menos ainda dela.

- Lilly?

- O que?

- Responde rispidamente.

- Você ainda está brava comigo? Está a um bom tempo sem dizer nada.

- Não!

- Pode falar qual o problema então?

- Você é o problema!!!

Por que você e não eu? Eu sei que é egoísta, mas por que ninguém gosta de mim e todos gostam de você?

- Então é isso? Eu falo com eles amanhã, tá bom?

Não! Isso só piorou tudo, deixa.

Eles voltaram em um silêncio pesado e desconfortável que para o Hunter parecia uma eternidade, olhando para ela que sentou do lado oposto do bonde, ela ficou olhando a cidade de casas coloniais e ruas de

paralelepípedos com os trilhos que passavam em frente á Academia Hemingway até perto da casa deles no norte da cidade.

Ao chegar em casa, Hunter pediu ajuda para sua mãe, ela foi falar com a Lillian:

- Lilly querida, seu irmão me disse que você ainda está tendo problemas na escola, quer falar sobre isso?

- Não!

- Tudo bem. Se quiser falar, estou aqui por você.

Sabe, eu tive os mesmos problemas na escola. Eu sei como é difícil fazer amizades no primeiro ano de escola.

- Por que eles não gostam de mim? Por que só do Hunter?

- Já Tentou falar com eles? Talvez ajude.

- Como você resolveu?

Essa foi a época em que ela havia conhecido o John, um tinha ao outro em tempos difíceis desde essa época até então. Infelizmente Jasmine não tinha uma resposta, mas tentou disfarçar, mas Lilly notou.

- Ok mãe, deixa.

Com certa decepção e raiva, deixou a mãe que não tinha mais nada a dizer, Ela ainda queria ajudar, mas não podia, Jasmine não se sentia da mesma forma que Lilly desde antes de conhecer ao John, ela pediu a ele:

- Ajuda a Lillian... Eu não quero que ela passe por isso sozinha!

Quando somos amados, raramente damos valor àqueles que se importam conosco, e quando passamos por um momento difícil, não notamos, mas essas pessoas sofrem conosco.

Dias depois, Hunter estava com seus colegas no intervalo. No mesmo grupo, dois garotos olhavam para a mesa onde Lillian comia um sandwich e um suco, sozinha em outra mesa de mármore:

No intervalo ela senta sozinha em uma das mesas do refeitório, seu irmão estava em outra mesa com seus amigos. Alguns deles começam a comentar, não tão discretamente.

- Olha ela lá de novo, se acha boa de mais pra sentar com alguém.

- Ela se acha mas é só uma idiota!

- Alguém precisa acabar com essa arrogância!

Lillian notou que eles estavam falando dela, ela tirou os fones e foi falar com eles.

- Vocês estão falando de mim?

- Sai daqui sua ABERRAÇÃO!

Eles empurravam ela enquanto a xingavam:

- ABERRAÇÃO! ABERRAÇÃO! ABERRAÇÃO!

Ela cai no chão e vê seu irmão em pé na frente dela junto aos outros com o olhar semelhante ao de aversão dos outros, ele estava em congelado, sem reação. Lillian olha para eles, seu irmão no meio, ela sai correndo chorando.

- Lilly!

Ele corre atrás dela até o banheiro feminino enquanto os outros riam.

- Lilly, abre a porta...

- Sai daqui! Você não pode entrar aqui!

Grita ela chorando.

- Me desculpa...

- Desculpa?! Eles me chamaram de aberração! Tem ideia de como isso foi horrível?

- Mas eu não...

- Você devia ficar do meu lado! Mas ficou contra mim, meu próprio irmão... Por quê?!

O sinos tocam, um coordenador da escola pede para eles voltarem às suas salas.

Ela sai sem conseguir olhar para ele, Hunter se sente tão mal quanto ela pela culpa de tê-la traído. Na sala Hunter encontra seus “amigos” sendo observado pela irmã que desvia o olhar para baixo, mas ainda ouvindo do outro lado da sala de aula.

Na sala de aula, antes do professor chegar, Peter pergunta ao Hunt:

- E aí Hunt, onde você foi?

- Você saiu correndo do nada.

- Tive que pegar uma coisa...

- Enfim! Vocês viram a cara daquela esquisita quando a gente empurrou ela? – eles riam enquanto Hunter observava segurando sua raiva. Lillian põe fones para não ouvir, e deita a cabeça nos braços cruzados para esconder suas lagrimas.

- Não é tão arrogante agora!

- Eu ouvi que ela tem um irmão.

- Deve ser um merda que nem ela. Por que não a protegeu?

- Deve ser um fracote que nem ela! Se fosse o meu irmão...

- Aquela esquisita é minha irmã, seu idiota!

Eles olham para ele, e tentaram se desculpar.

- Desculpa nada! Saiam daqui!

- Agora eu entendi, a arrogância é de família.

- Sai!

Eles saem de perto da carteira dele. Na volta para casa, Lillian sai antes dele, quando Hunter chega na estação, ela já tinha saído. Ao chegar em casa, ele a viu em seu quarto no celular com headphones , Lilly o vê e vai em direção a ele: Antes do Hunter falar, ela fecha e tranca a porta. Lilly o evita o dia inteiro, criando um clima estranho durante o dia, John decide que irá falar em particular com ela, como da última vez.

No piano de cauda da sala de madrugada, ela tocava “Clair De Lune" – Debussy

- Lembra quando você era pequena e a gente tocava junto essa música?

- Sempre foi a minha favorita.

Disse Lilly concentrada nas teclas.

- Depois que cresceu você só toca o piano quando está triste. Seu irmão me contou o que aconteceu. Quer falar sobre isso?

- Não.

Disse Lilly enquanto continuava a tocar.

- Você sabe que não foi de propósito, ele nunca faria algo assim com você.

- Então o que foi aquilo? O que eu fiz para ele ser assim comigo?

Ela para de tocar e olha para ele.

- Lembra do que te falei lá na praça?

Eles não são maus.

- Você não entende! Não viu como eles me olhavam! Era um olhar de desprezo, como se eu fosse um monstro!

Disse ela com voz embargada.

John percebe o quanto Lilly lembrava a mãe, falando as mesmas coisas, talvez ele devesse dizer o mesmo a ela:

- Ei! Deixa eles pra lá! Um dia você encontra alguém que veja como você é especial!

- Você acha que eu especial John?

- Pra mim você é a pessoa mais legal do mundo, Jasmy!

A Academia Hemingway não era muito diferente naquela época, Jasmine era parecida com a Sua filha, mas com cabelos curtos, John era como Hunter de cabelo preto e óculos, diferente do cabelo loiro do filho.

- E o seu irmão também te ama muito.

Lillian disse cabisbaixa:

- Não... acho que não...

E o Hunt, ele me odeia agora, não sei por quê, mas odeia, e acho que odeio ele também. Boa noite pai.

John responde com um suspiro:

- ....Boa noite filha.

John vai para cama, Lilly fica tocando mais algumas músicas até ficar com sono e ir dormir também.

Hunter e Lillian estavam juntos deitados na grama debaixo de uma árvore observando as nuvens, Hunter fala para ela calmamente:

- Eu te odeio Lilly, eu te odeio com todas as minhas forças, você é fraca, covarde, por que você não se mata? Por que você não faz esse favor a todos nós? Até quando vai fazer a gente te aguentar?

- Acorda! Acorda! Acorda!

Hunter a empurrava freneticamente tentando acorda-la.

- Que foi?

- A mãe falou para te acordar, você estava dormindo e começou a chorar, muito.

Ela notou que seu rosto estava cheio de lágrimas assim como seu travesseiro. Então se lembrou do seu sonho, e olhou para o Hunt.

- Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

Se levantando da cama ela diz:

- Não, está tudo bem...

O fim de semana continua quase como de costume, os dois trocavam mensagens com os amigos e amigas da outra cidade. Vão ao teatro no sábado a noite. No domingo, os pais, com ajuda das crianças, fazem aquele pequeno banquete de domingo.

No fim do dia John e Jasmy assistiam juntos “O brilho eterno de uma mente sem lembranças” no quarto, Hunt lia “Sociedade dos poetas mortos” no seu quarto enquanto ouvia Lilly tocar a “gymnopédie No. 1” de Satie.

Alguns dias depois, John e Hunt tinham planejado de fazer um café da manhã especial para a Lilly. Ela acorda e, como sempre, vai para a sala de jantar e vê a mesa ainda vazia, eles ainda estavam preparando o café da manhã dela, por terem acordado mais cedo, seus pratos e copos já estavam vazios na mesa.

- Mãe, por que o pai não fez o meu café da manhã?

- Não sei querida, eu acordei e não vi os dois.

Ela não queria estragar a surpresa para a filha.

Enquanto John e Hunter estavam na dispensa, Lilly fez um waffle queimado e um copo de leite frio. Quando voltou para a mesa, Jasmy já tinha saído para trabalhar, John e Hunter chegaram com bolos, doces, panquecas com calda de chocolate (as favoritas da Lilly) e croissants recheados enchendo a mesa.

Quando chegaram na mesa, viram Lillian saindo com a mochila pela porta da sala mesmo sendo muito cedo. Hunter vê um prato com um waffle queimado que ela não terminou.

- Lilly...

Diz ele pensando nela preocupado.

Andando nas ruas de paralelepípedos em frente da casa dela, Lillian pensa:

- Do Hunter eu até poderia esperar algo assim, mas até o meu pai? Por que é que todo mundo me odeia agora?

Droga! esqueci o livro de Matemática.

Da calçada pela janela ela vê a família rindo e comendo um café da manhã com panquecas com calda de chocolate.

- Talvez eles não me queiram ali com eles para atrapalhar...

Pensava ela. Lillian entra sem ser notada pega seu livro e um croissant de chocolate na cozinha, e sai. Ela começa a se questionar sobre o que sentia por eles, ela não queria acreditar naquilo.

- Vocês são inacreditáveis.

Diz ela para eles enquanto saia em silêncio sem ser ouvida.

Na escola, algumas horas antes da primeira aula na estação perto da Academia, Peter a vê sentada num banco estudando.

- Além de esquisita você é nerd também? Sabe que horas são?

- Sai daqui.

Diz ela com tom de ameaça.

- Só estou perguntando sua estúpida!

- E você? Está aqui por quê? Pelo que eu sei tem aulas de recuperação do primeiro bimestre nesse horário.

- Isso não é da sua conta!

Diz ele envergonhado.

- Tinha que ser.

Diz Lilly com desdém.

Peter se vira e diz:

- E o trouxa do seu irmão? Ele...

Lillian avança para cima dele com um soco por impulso, ele agarra o punho dela com um golpe de rasteira jogando ela de costas no chão, rasgando seu casaco azul.

- Pelo menos o Hunter não lutava tão mal, nem é tão covarde para atacar alguém pelas costas.

Ela volta, com o casaco sujo e rasgado para a casa vazia, e mata aula nesse dia, e alguns dias não consecutivos, no início se sentia mal por mentir aos pais, depois de algumas vezes virou costume, ela nem se importava mais, com nada.

Hunt se preocupou com as notas dela, mas não contou aos pais para ela não ser castigada, ele ia falar com ela mas não conseguia um diálogo:

- Sai do meu quarto, ele está trancado por um motivo!

- Por quê?

- Para você não entrar nele.

- Você faltou de novo hoje, eu não quero te cobrar mas você deveria parar de faltar.

- Isso não é da sua conta! Sai daqui!

- Ok, ok, desculpa.

As brigas também passaram a ser recorrentes no segundo bimestre.

Lilly estava andando com a bandeja com o lanche do intervalo para o mesmo lugar que ela sempre ficava, em uma das mesas de mármore perto da saída do refeitório.

Ao passar, sem perceber, em frente à mesa da turma do Peter, ele derruba a bandeja dela e um dos garotos empurra ela no chão.

Dessa vez Lillian acerta um soco nele que o joga no chão. Os dois começam a brigar, considerando que ambos tinham certa experiência de luta, cercados pelos outros alunos torcendo pelo Peter. Um coordenador separa a briga.

- O que aconteceu?

- Essa louca começou a me bater por nada!

- Você derrubou meu lanche de propósito!

- Por quê eu faria isso?!

O coordenador pergunta aos outros alunos, todos confirmam a versão do Peter.

- Lillian, para a reitoria!

- Mas eu não fiz nada!

- É isso ou chamar seus pais.

- Lillian Stevenson? Eu sou o reitor Luke, prazer em conhece-la.

- O que você quer?

- Direto ao ponto, tudo bem. Já faz um tempo que tenho observado uma grande queda no seu desempenho escolar e no seu comportamento nos últimos meses, está tudo bem em casa?

- Não tem nada a ver com isso, é o Peter... Não! O Hunter... É meio complicado.

- Sim, Me parece que os amigos do Peter e ele tem implicações com você, já tentou falar com eles.

- Por que todo mundo fala isso! conversar não resolve nada!

O reitor pensa em falar com eles, talvez se ele visse os dois lados...

- Tudo bem Lillian, pode voltar para sua sala.

O reitor Luke conversou com Peter e ele foi suspenso, Lilly teve uma semana de certa paz depois do ocorrido.

Em casa, Jasmy conversa com ela:

- Por que você não usa mais a sua prisilha de joaninha? Faz tempo que não te vejo com ela.

- Porque não quero.

- Mas você fica fica tão linda com ela, você tem um rostinho lindo, por que ficar cobrindo com o cabelo.

- Para de encher o saco mãe! Me deixa em paz!

- Filha...

Lilly sai da sala para o quarto enfia a cara no travesseiro, em seus pensamentos:

- Eu acho que fui grossa de mais com ela... Não! Ela nunca me ajuda em nada! Se ela fosse uma mãe de verdade faria alguma coisa, é isso, ela merece! Eu odeio ela! Odeio essa droga de família! Odeio essa droga de cidade! queria que todos queimassem no Inferno!

Ela começa a chorar, como se estivesse perdendo algo. Ela ainda os amava mas negava isso para si mesma.

Um dia na Academia, Lilly estava em um dos corredores da Biblioteca, distraida em uma das estantes enquanto ouvia música com seus fones, Peter empurra Lillian contra a parede:

- Você me fez ser suspenso sua...

Ela o empurra.

- Me larga! Se você foi suspenso foi por que mereceu seu retardado!

Ele começa a brigar com ela, Lillian perde o controle pela raiva da briga, e faz algo que não queria fazer. Enquanto ela, em choque, olhava suas mãos de criança sujas de sangue, os gritos de Peter com o lápis no olho ecoam pela biblioteca e chamam a atenção dos coordenadores. Na sala de espera da reitoria, Lillian não parava de chorar enquanto seus pais conversavam com o reitor.

- Lillian. Entre por favor.

Ela seca as lágrimas e entra na sala. O reitor pergunta:

Sabe por que está aqui?

- Porque eu ceguei aquele bostinha com o lápis?

- Isso mesmo, seus pais me convenceram a não te expulsar, frente aos seus desafios recentes em se relacionar, que essa não é sua primeira vez nessa sala e também porque os pais do Peter não quiseram prestar queixa.

- Então eu não vou ser expulsa?

- Não, mas terá que ser suspensa por alguns dias, tenho certeza que os pais poderão resolver isso.

O reitor Luke já sabia sobre todo o passado da família, afinal tinha dado aula à Jasmine e ao John quando eram crianças.

- Nós iremos, obrigado.

Os pais agradecem e saem da sala, na sala de espera da sala do reitor, Hunter pergunta roendo as unhas:

- Como foi?

- O que você está fazendo aqui seu adotado?

Pergunta Lillian constrangida e com raiva.

- O pai e a mãe não queriam que eu viesse, mas eu vim porque eu me importo com você Lilly.

- Isso tudo que está acontecendo, é tudo culpa sua!

Diz ela seria olhando para ele. Ela entra no carro e põe os fones de ouvido (Limp Bizkit Behind Blue Eyes).

- Era por isso que não queríamos que você viesse.

Diz a mãe colocando a mão nas costas dele guiando-o para o carro.

No primeiro dia de suspensão, Hunter levanta, se arruma, passa pela porta trancada do quarto dela e vai á escola. Essa era a primeira vez que ele ia sozinho para a escola, era quase a mesma coisa, na estação ainda antes de amanhecer, ele manda uma mensagem para ela:

- “ Você não está sozinha, nunca se esqueça disso, te amo".

Lillian acorda horas depois, vê a mensagem e a ignora. Sem nada para fazer, ela vai ao escritório do pai que trabalhava com vários computadores ligados a um sistema de realidade virtual.

Ele trabalhava em um projeto de treinamento militar de defesa da cidade no qual se entra na realidade virtual por um sensor na lateral da cabeça. A pessoa é levada a uma simulação de um ataque à cidade sendo um dos soldados. É como a Matrix. Esse projeto era, entre outros, o motivo pelo qual se mudaram para lá.

Lillian, apesar de já ser tarde, estava ainda de pijama, ao chegar no escritório no mesmo corredor do seu quarto, fica olhando para o pai trabalhando, criando coragem para falar com ele, John sabia que ela estava ali, olhando pelo reflexo de um monitor, ele queria saber se a filha ainda era capaz de ir falar com o seu pai. Em pensamento ele pede que a filha o chame enquanto trabalhava.

- Ele está ocupado, não vai querer conversar agora.

Lilly sai sem dizer nada em silêncio, ele tira os óculos e esfrega os olhos cansados, se levanta e vai falar com ela na sala de estar:

- Filha, podemos conversar?

- Não quero conversar! – Diz ela no celular.

- Oi Lilly.

Diz ele sentando ao lado dela no sofa.

- Você acordou tarde, Ficou no piano até tarde de novo?

- Não, não posso simplesmente dormir até tarde? Eu não tenho aula hoje.

- Não é isso. É que faz tempo que não ouço você tocar. Como você está?

Como eu estou?! Quer realmente saber como eu estou?! Por algum motivo todos da minha vida me odeiam, e eu nem ao menos sei o porquê, eles fingem se importar, mas não se importam. O Hunter fez a sala inteira se voltar contra mim, então sim pai, eu estou ótima! Diz ela chorando de raiva.

- “As pessoas não são más, elas só estão perdidas, ainda há tempo” lembra?

- Não pai! Eles são maus! Eu vi! Eles me odeiam! de verdade!

- E eu? Eu também? Eu te amo Lilly.

- Se me amasse teria me ajudado antes. Você é um pai horrível, eu te odeio. E já que o piano me lembra de você, odeio ele também, agora sai daqui.

Assim como a maioria deles, Lilly estava se perdendo e não havia notado, ela não havia notado mas John sim.

Sem a escola, ou amigos, sem falar com ninguém, passa os dias trancada dentro do quarto, saia só para comer, os pais e o irmão tentavam inclui-la no que faziam juntos, era o que ela mais queria, mas não podia, foram eles que a levaram ela esse ponto.

Mais tarde, Hunter chega da escola e, mais uma vez, tenta falar com ela que estava no quarto.

- Lilly? Como passou o dia? Deve ser legal ficar em casa o dia inteiro não é?

Diz ele com uma risada sem graça. Ela olha para ele por cima do livro com raiva nos olhos e não diz nada.

Ele fala um pouco alterado:

- Ok, ok, entendi, você está com raiva e é culpa minha! Mas ficar remoendo isso não vai resolver, tenta fazer algo que te ocupe enquanto estiver em casa.

Por mais que a Lilly odiasse admitir, em uma coisa o Hunt estava certo, ela precisaria fazer algo a respeito.

- Você sempre disse que queria melhorar sua luta, eu pensei sobre isso hoje, nada te impede de ir para a área de treinamento, elas abrem das seis às seis.

Ela pensa um pouco sobre isso e decide ir, então vai avisar ao pai que iria sair cedo, ele vai gostar de saber, talvez.

- Que bom Lilly! vai sim, vai querer carona?

- Não... não precisa... eu vou a pé mesmo...

- Mesmo depois do que eu disse ele ainda me oferece carona?

Pensa ela com culpa do que disse.

Ao amanhecer do dia seguinte, Lillian veste seu kimono e vai à estação e de lá para a Academia, lá agenda uma das salas de treino.

A parte de cima do kimono é como um casaco de um pano fino, macio e ultraresistente fechado por longas tiras de velcro, a parte da calça é presa na cintura por um barbante por dentro do mesmo material da calça só que mais grosso, a calça é solta por fora e apertada por dentro, uma tira elástica prendendo pela sola do pé até a parte interna da calça, o kimono também tem uma sapatilha com cadarço em cima e entre o calcanhar e a frente do tornozelo, uma faixa no caso dela azul. O kimono inteiro a prova de corte e de atrito.

Lillian começa a dar golpes em uma coluna cilíndrica com estacas para fora que se moviam revidando o ataque. Conforme descontava golpes com mais raiva, acelera a velocidade dos golpes e batia com mais força e menos controle, até que é acertada por uma das estacas na sala de treino, ela é jogada no chão com a mesma força dos seus socos, então levanta de joelhos.

*Lilly:

Eu sei que eles não fizeram o que me fizeram de propósito, eu não quero ne afastar de ninguém! Mas porque que toda vez que tento sempre me machuco? Eu não quero ficar sozinha, só isso...



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