História Lindos e Estranhos - Park Jihoon e Park Woojin - 2park - Capítulo 4


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Categorias Wanna One
Personagens Jihoon, Jisung, Kang Daniel, Seongwoo, Woojin
Tags 2park, Chamwink, Colegial, Kang Daniel, Lai Guanlin, Lee Daehwi, Loona Yyxy, Nayeon, Ong Seongwoo, Ongniel, Twice, Wanna One, Yaoi
Visualizações 105
Palavras 5.299
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, como estão?
Podem me perdoar pela demora? Por favor~~
Espero que gostem do capítulo de hoje!!

Capítulo 4 - Eu também gosto de você


Fanfic / Fanfiction Lindos e Estranhos - Park Jihoon e Park Woojin - 2park - Capítulo 4 - Eu também gosto de você

- Tem certeza que ele vem? – perguntou Nayeon, já impaciente na porta do restaurante.

- Ele me disse que sim, mas isso foi à tarde.

- Jihoon, tenta ligar para ele, às vezes aconteceu alguma coisa.

- Não posso – Jihoon tirou seu celular do bolso – minha bateria vai acabar, e eu preciso disso para falar com o Woojin. Ei, hyung, me empresta seu celular? – se dirigiu a Jisung, que nada falava.

Na verdade parecia que nem estava prestando atenção nos amigos. Jihoon e Nayeon, que aguardavam a resposta do mais velho, olharam para ele e viram uma espécie de “Jisung Zumbi” olhando fixamente a uma única direção: Nayeon. A moça estava linda a seus olhos, com um vestido rodado amarelo com pequenas bolinhas pretas. Parecia um vestido sem mangas, mas a moça tinha coberto os ombros com uma jaqueta de couro curta, calçava uma bota de salto médio da cor preta e tinha seu cabelo solto ao vento. Essa tinha sido a primeira vez que Jisung tinha a visto sem o uniforme do colégio, e isso estava o hipnotizando. Se antes achava a moça muito bonita, agora teve a certeza que ela era perfeita a seus olhos. Jihoon tentou algumas vezes chamar seu nome enquanto Nayeon estalava os dedos em frente a ele, mas nada tirava o rosto bobo de Jisung para a moça.

- Deixa ele, pode usar o meu – Nayeon estendeu seu celular a Jihoon, que assentiu com agradecimento.

- Ligando pra mim? – uma voz falou manso no ouvido de Jihoon e depositou um beijo em seu pescoço. Jihoon surpreso logo virou para trás pra ver quem estava o assediando daquele jeito, mas aquela pessoa ele deixava.

- Você me assustou! – disse Jihoon, batendo no ombro do amigo.

- Ligando pra mim? Porque se for, eu já cheguei.

- Não, estamos ligando para Kang Daniel – suspirou Nayeon.

- Por quê? Quem o chamou? – perguntou Woojin, envolvendo um dos braços por cima do ombro de Jihoon, que ainda tentava ligar para Daniel.

- Nós o chamamos. Ele é uma pessoa bacana, Woojin, vai gostar dele. Nós conversamos um pouco na quadra.

- Se eu for gostar dele do nível que gosto de você – Woojin suspirou – acho que não vai dar muito certo.

- Grosso! – gritou Nayeon, surpreendendo Woojin.

Era obvio que Woojin desde a primeira vez que a viu não deu oportunidade para a moça ser sua amiga, muito menos amiga dos seus amigos, mas como não podia mandar nas pessoas, assim deixou. Mas com ele mesmo era diferente, não precisava fingir nada e mostrava quando fosse necessário que sua presença o incomodava. O porquê daquilo ele não sabia, mas que sua presença o incomodava bastante, isso ela tinha certeza.

Quanto a Nayeon, ela também via que não era muito querida por ele na roda de amigos, mas tentava ignorar a situação, até porque sua mais nova amizade era Park Jihoon e isso ela estava adorando.

- Me chamou de que, garota? – perguntou Woojin num tom intimidador.

- Ele não atende, esquece, vamos entrando e comendo – interrompeu Jihoon, devolvendo o celular a Nayeon e olhando os dois, com feições de raiva, quase bufando um pro outro – e para com isso vocês, que chatos!

Ainda emburrados, seguiram as ordens de Jihoon e entraram no restaurante. A mesa redonda comportava cinco acentos, dois em cada lado e um ao centro.  Jihoon sentou na primeira cadeira a direito, vendo uma pequena correria ao seu lado como uma disputa para quem sentasse primeiro, vencendo Woojin, que empurrou a garota que estava quase se sentando. Ele deu um sorrisinho bobo, pensando “eu ganhei”, e fez Nayeon bufar de raiva. Bufar e erguer os punhos, prestes a elevar seu dedo do meio da mão direita a ele, mas Jisung não deixou que isso acontecesse. Segurou sua mão e a puxou para se sentar no assento ao seu lado, de frente a Woojin.

Saía raios e faíscas enquanto um encarava o outro. Jihoon nem quis se meter, apenas revirou os olhos e pegou o cardápio para escolher o pedido. Ele sabia que a chegada da comida não faria ninguém mais pensar em briga, e assim aconteceu. Quando a montanha de carne e vários acompanhamentos pousaram na mesa dos amigos eles não pensaram em outra coisa a não ser comer aquilo tudo. Nayeon às vezes tentava alimentar Jihoon, mas quando o amigo abria a boca em sua direção, era brutalmente empurrado por Woojin, que comia em seu lugar – Woojin jamais iria deixar que alimentassem o companheiro, ainda mais Nayeon, que ultimamente despertava sua raiva interior. O rapaz então repetiu o ato do sorrisinho bobo, pensando “eu ganhei de novo”, mas dessa vez Nayeon não quis mostrar nenhum dedo a ele, apenas bufou e tentou disfarçar o acontecido.

- Você pode fazer isso comigo, Nayeon – disse Jisung, abrindo a boca em direção a garota.

- Não, obrigada – respondeu no automático, revirando os olhos, descrença pela audácia do mais velho, fazendo Jisung fechar a boca com um olhar um pouco cabisbaixo.

Pobre Jisung.

Terminaram então com toda a comida na mesa. Jihoon com o restante de bateria que tinha, tentou entrar em contato com Daniel, mas ele nada respondeu e nem atendeu suas ligações. Achou aquilo estranho ou suspeito, mas como ainda tinha o Karaokê depois da refeição, deduziu que o mesmo pudesse aparecer por lá mais tarde, além disso seu estomago estava pedindo por mais, ou melhor, pela exclusiva taça de sorvete de chocolate amargo que praticamente pulava do cardápio. Discretamente, mostrou apenas a Woojin, num pedido mudo para que dividisse a taça com ele. Woojin negou com a cabeça, ele não gostava de chocolate amargo. Não satisfeito Jihoon fez bico, e mesmo conseguindo arranca um sorriso de Woojin, ele voltou a negar, o que fez Jihoon cruzar os braços como uma criança birrenta, e isso chamou atenção dos dois amigos em sua frente. Jisung perguntou o porquê de ele estar assim, e a explicação de Woojin foi muito bem recebida por Nayeon:

- Eu divido com você, eu amo chocolate amargo! – disse com os olhos brilhantes pela ideia de dividir uma taça de sorvete com Jihoon.

- Sério? Eu quero sim, Nay!

- Você não quer nada! – gritou Woojin a Jihoon – Como diz que quer dividir uma taça com ela se vai dividir uma taça comigo?

- Você acabou de dizer que não gosta de chocolate amargo – retrucou Nayeon.

- Cala a boca que eu não falei com você.

- Não me manda calar a boca, Woojin! – Nayeon grita, se levantando em frente a mesa.

- Se não o que? Vai fazer o que? – se levantou também.

- E você vai fazer o que se ela fizer... O que ela ia fazer, hein? Vai fazer o que? – afrontou Jisung, também se levantando da mesa.

- Ninguém vai fazer nada aqui, gente, parem com isso! – disse Jihoon, puxando o braço de Woojin o sentando novamente – qual o problema com vocês agora?

- Você não queria comer a porcaria do sorvete? Então, vamos comer! – respondeu Woojin, meio irritado.

- Ou você é louco ou é implicante. Acabou de dizer que não ia dividir uma taça comigo, Woojin.

- Pois é, e só por que eu falei que ia dividir com você ele ficou com raivinha – debochou Nayeon, fazendo Woojin se levantar novamente e encarar a moça com agressividade.

- Você está me irritando garota, toma cuidado – ameaçou Woojin, mostrando-se mais irritado que da ultima vez.

Jihoon não estava gostando nada do rumo que aquela briguinha irritante estava tomando. Ele conhecia o amigo. Sabia que ele tanto era uma pessoa alegre e divertida quanto era um briguento de pavio curto, e isso já o preocupava. Ele lia no olhar que Woojin dava para Nayeon que o amigo estava perdendo a paciência de verdade. Mas em sua mente ele não faria nada com ela, ou faria?

- Senta Woojin, sossega, é só um sorvete – puxou novamente o amigo para que se sentasse ao seu lado, mas Woojin puxou forte seu braço e continuou a encarar irritado o rosto de Nayeon.

- É Woojin, qual seu problema? Tem medo de eu roubar o Jihoon de você? – provocou Nayeon – Isso é ciuminho?

Woojin havia aguentado demais. A voz da garota o perturbava de uma maneira inexplicável. Ele poderia ter fama de pavio curto ou briguento, mas aquela garota pelo visto não sabia desses fatos e continuava a provocá-lo. Sem pensar muito e não aguentando mais as provocações de Nayeon, Woojin levou seus olhos a mesa, e num ato impulsivo, derramou o conteúdo da panela com caldo em cima de Nayeon, que gritou pelo choque do liquido quente contra seu corpo. Todos do restaurante viraram sua atenção até os gritos de Nayeon, que se debatia e retorcia pelo liquido quente que tinha ido a seu rosto e manchado todo seu vestido.

Jihoon, mesmo desconfiando que algo de bom não sairia daquela briguinha, ficou surpreso pelo que Woojin havia feito.

- Eu não acredito que você fez isso – disse, correndo em direção a Naeyon com alguns guardanapos. A garota chorava em pranto, fazendo um escândalo até maior do que o necessário para aquela situação, gritando em coro que seu rosto estava ardendo.

- Eu mandei ela tomar cuidado – disse Woojin, ainda esboçando raiva vendo Jihoon socorrer a amiga.

- Você brigar? – perguntou Jisung, e num pulo levou seu punho contra o rosto de Woojin, que caiu ao chão pelo impacto – Então briga com alguém do seu tamanho!

Ele então montou em cima de Woojin e levou novamente seu punho até o rosto do amigo, dando um segundo soco. Jihoon tentou gritar o hyung, mas antes que o mesmo pudesse depositar o terceiro soco, Woojin num golpe empurrou Jisung para o lado e preparou seus próprios punhos para a revanche, mas não conseguiu acertar o alvo graças aos seguranças do restaurante que o seguraram e já o levavam para a saída, com Woojin se debatendo e gritando para que o soltassem.

- Hyung, você está bem? – perguntou Jihoon, que via Jisung se levantando do chão – cuide da Nayeon, eu vou ver o Woojin.

Jisung assentiu e trocou de lugar com Jihoon nos cuidados da garota queimada pela sopa quente. Outras pessoas do restaurante também foram ao encontro de Nayeon para acudi-la, enquanto ainda chorava em prantos como se tivesse quebrado um osso ou levado o triplo dos socos. Já Woojin fora jogado na rua pelos seguranças, e ainda bufava de raiva e inconformidade pela situação. Ele estava com raiva da garota que o provocara, dos socos que tinha levado de Jisung, uma pessoa que ele considerava não ter coragem nem de matar um mosquito. Pensar que havia levado dois socos dele era realmente inacreditável.

Ele sentou a beira da calçada, ergueu suas mãos até a cabeça e tentou respirar fundo para sua raiva passar – ou ao menos diminuir. Pena que nada estava funcionando. Levantou e chutou uma bolsa de lixo imaginando ser a cabeça da garota, ou a cabeça do seu hyung, realmente não crendo no que tinha acontecido há alguns minutos atrás. Aquele deveria seu um dia de comemoração, um dia feliz, um dia que comemorariam mais um ano de reinado junto de Jihoon, que estava dentro do restaurante acudindo a tal garota que o irritava.

Sentou novamente na calçada, ainda buscando se desligar da raiva que sentia, mas quando pensou que algo não pudesse piorar, piorou, e umas gotas d’agua começaram a cair do céu. Olhou para cima e elas desciam acelerando o ritmo. Era a chuva, chuva naquele momento. Levantou da calçada, olhou em volta procurando algum abrigo, e deu de cara com Jihoon correndo em sua direção.

- Vem, vamos sair da chuva – Jihoon segurou seu braço e o arrastou até um canto entre dois restaurantes. O local apesar de meio deserto e escuro, era o mais próximo que eles poderiam se abrigar embaixo da lona.

- Por que veio aqui, pensei que estivesse ocupado com sua amiguinha.

- Eu deveria te dar mais um soco, sabia? – disse Jihoon com a voz imposta, enquanto Woojin mexia em seu rosto revirando os olhos – tá doendo?

- Não precisa se preocupar comigo, você pode voltar a cuidar dela lá.

- Tá vendo como é impossível falar contigo? Nayeon que estava certa, você é um grosso e bruto. Ela é uma garota, como teve coragem?

- E você, como teve coragem? Hoje era pra ser um dia nosso, mas você colocou essa garota e ainda chamou o outro bonitão lá. – retrucou Woojin, que passava do tom médio indo pro alto, enquanto Jihoon o acompanhava.

- Então agora a culpa é minha?

- Sendo bem sincero Jihoon, a culpa sempre foi toda sua – virou-se, dando as costas ao amigo – sempre sua.

- Ah, então prefere colocar a culpa em outras pessoas do que assumir o que fez?

- Eu não tô jogando a culpa em você em vão – ele voltou a virar para o amigo, falando mais calmo que antes – estou dizendo a verdade.

- Verdade?! – se aproximou do amigo, também falando em tão mais baixo – que verdade?

- Que eu gosto de você, Jihoon – observava Jihoon, que ainda mantinha seus olhos no dele com a mesma expressão.

- Eu também gosto de você, Woojin, mas nem por isso – Woojin voltou a dar as costas ao amigo, bagunçando todo seu penteado com as mãos num ato de inconformidade – eu fico jogando sopa quente em cima de uma menina! – Jihoon voltou a aumentar sua voz.

- Eu digo que gosto de você e tu continua falando dela? – gritou Woojin, um pouco irritado, voltando a olhar Jihoon.

- E eu também disse que gostava de você, mas nem por isso devemos ocultar que aquilo que foi errado!

- Seu idiota – se aproximou de Jihoon novamente, segurando os dois lados do ombro do rapaz, quase o chacoalhando – eu disse que gosto de você, mas é de uma maneira diferente.

- Tá Woojin, e eu também gosto de você.

- Não, não Jihoon... É diferente!

- Diferente por que? – perguntou Jihoon, ainda mantendo sua calma enquanto Woojin quase berrava e o chacoalhava pela entonação de sua voz.

Buscando mais calma, Woojin respirou fundo, ainda com suas mãos em Jihoon, e continuou agora quase como um sussurro.

- Por que eu vejo você como o garoto mais especial daquele colégio, da nossa empresa, desse país, desse mundo inteiro. É assim que eu gosto de você, como alguém que pode ser meu namorado, e não só meu amigo.

Confessou, vendo Jihoon ainda com as mesmas expressões calmas o olhando.

- Entendi Woojin, eu entendi. E qual a parte do meu “eu também gosto de você” que não entendeu? – Jihoon sorriu tímido, ainda observando Woojin sair do semblante um pouco tímido para confuso, parecendo que em sua cabeça havia formado um verdadeiro nó.

- Espera... – disse, soltando Jihoon e dando novamente suas costas a ele, mas agora pensando no que tinha acabado de dizer e na resposta de Jihoon.

Naquele momento na cabeça de Woojin tinha Nayeon que havia o irritado ao máximo, seu hyung mais próximo que tinha o socado no rosto, ele sendo expulso do restaurante e agora Jihoon concordando com o que tinha dito. Ele entendia, de uma maneira literal, o que significava um “eu também”. Porém receber um “eu também” naquela situação era algo completamente diferente do que ele imaginava – ou se imaginava um dia que isso poderia acontecer.

Jihoon e ele sempre foram amigos, amigos briguentos, mas sempre próximos como amigos. Um pouco depois que Woojin o conheceu, passou a perceber que toda aquela beleza que há no rosto de Jihoon também havia em sua alma. Percebeu que Jihoon era mais calmo que ele, mais paciente, mais fofo, odiava as matérias de exatas, fazia vários atos e feições fofas sem perceber e ainda por cima adorava chocolate amargo, outra coisa que ele odiava. Jihoon era como seu inverso, que poderia se encaixar perfeitamente na outra metade dele, a metade mais barulhenta, brincalhona e briguenta – as vezes. Com o passar dos anos em que esteve ao lado de Jihoon, todas as características que tinha percebido se tornava mais intensas, como um sentimento que ele guardava em secreto.

Era insuportável para si ver Jihoon com outras pessoas a não ser ele e seu hyung. Aquilo o deixava com raiva e irritado, não pelo fato de Jihoon apenas falar com outros seres humanos, mas por imaginar que um dia, aquele menino que usava franjas e tinha o sorriso mais lindo do mundo, que tinha o mesmo sonho que o seu em debutar, que cantava em uma voz doce e fazia um popping bem sexy, que aquele menino, aquele seu melhor amigo, fosse embora da sua vida assim como o vento levava uma folha. Isso o assustava demais, e isso sempre o assustou. Mas para sua sorte, poderia continuar observando as delicadas feições no rosto de Jihoon enquanto dormia na aula, assim como também poderia o abraçar quando estivesse com problemas. Até mesmo as varias broncas e puxões de orelha que Jihoon fazia era fofo e essencial para o manter vivo.

Então se naquele momento ouvir um “eu também” , saindo da boca de alguem que você sabe que é a pessoa mais especial do mundo para sua vida, é se tornar realizado, Woojin estava realizado.

- Pois é... – Jihoon riu singelo, cruzando os braços – acho então que pela primeira vez na minha vida não vou sofrer de amor não correspondido.

Woojin o olhou, tímido, mas sorriu. Era isso mesmo que ele estava pensando, era exatamente isso e ele pode confirmar nos olhos de Jihoon.

- Mas é sério, não anula a besteira que você fez no restaurante, Woojin!

- Ah, não é possível, você ainda vai brigar comigo?! – resmungou Woojin, indo em direção a Jihoon e envolvendo seu braços ao redor da cintura dele, apoiando o queixo em seu ombro.

Surpreso, Jihoon estremeceu.

- Eu vou falar, claro que vou falar, até você pedir desculpas a Nayeon.

- Ei – sussurrou no ouvido de Jihoon – eu tô tão feliz... Podemos falar disso mais tarde?

Jihoon soltou um pequeno riso cortado, surpreso pelo corte no assunto feito por Woojin.

- Tá, tudo bem – envolveu também seus braços no pescoço de Woojin, apoiando a cabeça em seu ombro – falaremos depois.

- Obrigado, assim é melhor

- Falarmos depois?!

- Abraçar você. – disse Woojin, ouvindo como resposta um sorriso preso de Jihoon.

De repente tudo se tornou tão inesperadamente perfeito naquela situação, até mesmo o barulho da chuva que caia ao redor dos dois, como se estivesse abençoando uma nova união entre os dois Park.

 

...

 

A rua estava deserta demais e a chuva incansavelmente continuava a cair. Daniel achou tudo aquilo muito incomum já que não houve nenhum anuncio de chuva pelos meteorologistas. Já era tarde da noite, ele precisava voltar para casa antes que sua mãe colocasse a polícia para procura-lo, e isso o fazia pensar que deveria ter ligado antes e a avisado que ia na sala de jogos depois das aulas, mas aquilo estava tão divertido que se nem do compromisso com os amigos ele lembrou, imagina avisar sua mãe. Para piorar sua bateria tinha ido pro espaço, e para piorar mais ainda, taxis naquela região eram terríveis de aparecer – e só lhe restava taxi, já que as frotas de ônibus já tinham encerrado os turnos.

Daniel sempre adorou jogos eletrônicos, todos os tipos deles. Em sua casa o que não faltava eram consoles de videogames e outros aparelhos espalhados por todos os cantos. A adrenalina que sentia por estar jogando o deixava mais relaxado, por isso sempre que podia ou tinha algum tempo disponível, Daniel não perdia tempo e jogava. A maioria das vezes sua mãe reclamava bastante, pois ao invés de lavar uma louça ou comprar alguns mantimentos que ela pedia, ele desviava o caminho e ia para alguma sala de jogos – ou se mantinha em frente ao computador no quarto. Apanhava mais tarde, mas ele não perdia a oportunidade, e naquele momento, olhando a chuva cair embaixo de uma pequena marquise no ponto de ônibus, ele sabia que também ia apanhar quando chegasse em casa.

Pior, Daniel nem tão cedo poderia voltar. O rapaz se entreteu tanto na sala de jogos que perdeu brutalmente a hora de todos os seus compromissos naquele dia, mas ele necessitava relaxar, aquele trabalho de física havia o deixado louco, então apenas se deixou levar pela distração dos jogos, mesmo não imaginando que a hora passaria tão rápido a ponto de ficar preso no pequeno bairro.

Sem nenhuma saída, colocou de novo as mãos no bolso com esperança de ter contado errado o valor. E contou, contou para mais. Aquilo que ele tinha não daria para pagar um taxi até em casa, no máximo conseguiria chegar até o metro, mas e depois? Como pagaria o metrô? Levou as mãos na cabeça em desespero, andando de um lado ao outro tentando pensar em uma solução, não vindo nada em sua mente, simplesmente porque não havia nada a ser feito. Ele estava sozinho, em baixo de uma marquise, em meio a um temporal e longe da cidade. Pois é, Daniel só faltou chorar, mas não chorou. Sentou no pequeno banco que ali tinha e esperou seu taxi pacientemente, observando todos os tipos de carros passarem, menos seu Taxi.

Já estava quase adormecendo vendo o trafego de veículos a sua frente quando estranhamente notou um dos carros parar. Observou que o carro freou um pouco a frente do ponto, e do nada a luz de freio estava ligada e o mesmo dando ré. Daniel se levantou assustado, se fosse um assaltante ou um sequestrador ele estava pronto para correr. Mas não, era pior, realmente era pior. Assim que o carro parou em sua frente e o vidro abaixou, ele teve certeza que era pior.

- Kang Daniel? – perguntou o motorista.

- Professor... Seongwoo?

- Kang Daneil! O que faz aqui, não tem mais ônibus.

- Eu sei, estou esperando um taxi.

- Taxi? – ele riu, como um deboche – acha que conseguiria um taxi nessa estrada nervosa?

Daniel nada disse, apenas assentiu como resposta, e estranhamente em sua mente repetia um mantra o mandando ir embora.

- Vem, eu te dou uma carona – Seongwoo estendeu o braço e abriu a porta do carona para Daniel.

- Ah, não precisa, não precisa mesmo! – ele negou assustado. Uma carona realmente salvaria sua vida, mas ele se sentia estranho com aquilo, e não sabia porque, mas sabia que preferiria esperar do que pegar aquela carona.

- Daniel, meu carro está molhando, estou fechando o transito – outros carros atrás começaram a buzinar  - entra logo!

Sem ter como fugir, Daniel olhou rapidamente para os lados e viu que realmente uma fila se formava. Bufou e logo se jogou dentro do carro a sua frente, fechou a porta e assim seguiram ao som das buzinas nervosas atrás. Dentro do carro estava escuro, e gelado, bem gelado, mas mesmo na escuridão dava pra perceber  que tratava-se de um carro de alta classe. Os bancos eram em couro, muito confortáveis. Cheirava como algo novo, ou algo bem limpo. Imaginou que o carro deveria ser organizado e moderno assim como o dono, e isso o fez rir singelo. Seongwoo mesmo olhando para frente percebeu sua risada e perguntou do que se tratava, mas Daniel apenas balançou a cabeça em negação e se encolheu pelo frio afinal, ele ainda estava molhado pela chuva que recebeu involuntariamente no ponto de ônibus.

Mesmo olhando para frente, Seongwoo o perguntou se estava com frio, e Daniel não querendo muito contato, negou com a cabeça de novo, não sendo suficiente, pois seu professor levou a mão livre até o banco de trás e colocou um pano pesado em seu colo.

- Ah não não não, obrigado, eu estou bem – negou nervosamente.

- Eu aumentaria o ar condicionado, mas se eu fizer isso os vidros embasam e eu não enxergo a estrada. Sei que está frio – olhou rapidamente para Daniel – pode usá-lo. – sorriu singelo.

Aquele sorriso Daniel percebeu que era diferente, era algo mais amigável, diferente do sorriso profissional que tinha recebido mais cedo na aula. Assentiu concordando afinal, estava realmente fazendo muito frio no carro. Desfez o embolado do pano e notou que era um casaco, deduzindo seu um sobretudo pelo tamanho. Estendeu em sua frente como um cobertor, e assim que deixou o pano pesado cair sobre si, a mesma sensação que havia sentido tinha voltado.

Aquele cheiro. Era aquele cheiro hipnotizante de novo. Aquele aroma de floresta com algo de luxo. Involuntariamente aproximou seu nariz do pano e inspirou o aroma. Era absurdamente bom para ele, e único, como algo que ele nunca havia sentido antes. Era bom e trazia uma sensação estranha, como um frio na barriga, um nervosismo, uma vontade de rir sem motivo. Um misto de sensações desconhecidas e envolventes.

- Professor Seongwoo... Posso lhe fazer uma pergunta um pouco aleatória?

- Claro – disse no automático

- Esse casaco pertence ao professor?

- Qual?

- Esse casaco que está comigo.

- Não, qual sua pergunta aleatória? – um breve silencio formou. Daniel não sabia o que dizer, ele se sentia nervoso perto daquele homem bonito e rico, aparentemente rico – não vai dizer?

- Era apenas isso, professor – riu envergonhado, fazendo Seongwoo rir singelo.

- Ele é único, só eu tenho. Era isso que queria saber?

- O casaco?

- Não, o cheiro nele – Daniel estremeceu. “Esse cara lê mentes? Como ele sabe que gostei do cheiro?”, pensou – e antes que pergunte, você estava inalando forte o aroma aqui ao lado, não tive como não perceber – riu simpático.

Daniel nada fez. Apenas agradeceu em silencio o ambiente escuro, pois teve certeza que naquele momento seu rosto poderia ser comparado a um camarão.

- Quando fui estudar na França, descobri um lugar que criava fragrâncias de acordo com a sua personalidade, seus gostos e um pouco das suas preferencias também. Eu pedi para fazerem a minha. Eles me entregaram uma lista imensa de perguntas sobre tudo, então depois me entregaram um vidro bem pequeno – ele olhou para Daniel, a fim de conferir se o mesmo estava prestando atenção na sua história, percebendo que ele  estava o olhando fixamente, ainda com o casaco abaixo do seu nariz.

“Ele realmente deve ter gostado do meu cheiro”, pensou Seongwoo, e continuou:

- Você gostou do cheiro assim que sentiu? – perguntou a Daniel, e o mesmo automaticamente assentiu delicado – eu não gostei, achei forte e rustico, mesmo que pareça algo caro. Mas é feito só para mim, então eu resolvi usar.

- E deu? O pequeno frasco ainda deu? – perguntou Daniel, já totalmente entretido no assunto do perfume.

- Não deu. Aquele era uma amostra. Depois eu mandei fazer mais daquela amostra. Eu sempre tenho aquela amostra, e dela eles fazem a fragrância. Entendeu?

- Isso é muito banaca, professor! – respondeu sincero.

- Também achei bacana – ele o olhou – você gostar do meu cheiro.

Daniel novamente estremeceu. Aquele homem realmente o fazia estremecer e de um jeito bem estranho e curioso. A vontade de sair daquele carro havia voltado. O que antes estava tão confortável e quentinho, coberto por aquele aroma de floresta e luxo, ou melhor, o aroma Seongwoo. Foi aí que sua ficha caiu: era o cheiro dele, literalmente o cheiro dele, feito de acordo com ele. E era muito bom. “Será que ele é tanto quanto o cheiro dele? Aish, Daniel, que pensamentos são esses!”, brigou consigo mento em silencio.

- Kang Daniel – Seongwoo o despertou dos pensamentos, o assustando – posso lhe fazer uma pergunta?

A resposta negativa vinha em sua mente e ele seriamente pensou em dizer. Já estava apavorado de novo, como numa prova de física. Aquele homem o deixava bem estranho. Preferiu não dizer nada, mas percebeu de relance que Seongwoo fixou os olhos em si a espera de uma resposta, enquanto parados no sinal.

- Onde você mora?

- Oi? – perguntou surpreso, ainda meio apavorado sem motivo, ou havia um motivo, mas ainda desconhecido.

- Preciso saber onde você mora primeiro, ou você vai para casa comigo?

- O... que? – gaguejou – Como assim ir pra sua casa?

- Ué, você não me diza onde mora, na rua que eu não vou te deixar.

- Ah... Pode me deixar numa estação de metro, sem problemas – disse, tentando evitar o olhar do professor, que suspirou depois da fala.

- Por que isso?

- Isso o que?

- Por que está hesitando desse jeito? – Daniel nada respondeu – Sou seu professor, também sou responsável por você.

As palavras “responsável por você” fez Daniel estremecer novamente. Seria como uma pessoa que cuidasse de si ou tomasse conta da sua vida, e isso estranhamente o fez gostar.

- Eu... não quero dar trabalho, professor. É isso – mentiu, pois na verdade ele estava sentindo tantas coisas diferentes  que queria sair de lá o mais rápido possível, mas Seongwoo estava tão amigável, bem diferente do temido de física mais cedo. Resolveu dar uma chance.

- Sem problemas  - sorriu simpático, e assim que o sinal de transito abriu, Daniel o explicou o caminho.

Ong ficou chocado com o quão longe Daniel morava do bairro aonde havia o encontrado. Fez trilhões de perguntas e o orientou sobre os perigos daquela região. Descobriu que Daniel gostava muito de jogos e se falasse um pouco mais desse assunto, o menino sorria como uma criança feliz. Na verdade, ele sorria como para sua idade. Ong sabia que Daniel ainda era uma criança quase terminando o ensino médio, mas tinha um sorriso muito fofo, e gostava do seu cheiro, ao contrario de muitas pessoas que o renegavam. Daniel falou tanto que se cansou. Seongwoo notou que um silencio se formou no carro, e quando conferiu de relance, Daniel havia adormecido, totalmente envolto por seu sobretudo.

Aquilo foi tão fofo a seus olhos que o fez sorrir, e acelerar um pouco mais no caminho afinal, Daniel precisava descansar adequadamente. Em menos de vinte minutos chegaram ao endereço dado pelo menor. Ong delicadamente o balançou, despertando do que parecia um sono profundo. Daniel ao acordar, olhou em volta e percebeu sua casa, e sua mãe, na porta de casa.

- Ai, é minha mãe... – disse amedrontado.

- Eu falo com ela – Seongwoo saiu do carro, junto com Daniel, que logo foi abraçado por sua mãe preocupada.

- Onde você estava? Eu te liguei e você não me atendeu, Kang Daniel! – disse sua mãe, dando pequenas palmadas em seu braço.

- Boa noite – Seongwoo se dirigiu a mãe de Daniel, que o olhou curiosa – me chamo Ong Seongwoo, sou o professor de Física do seu filho. Eu o encontrei próximo a escola em um local seguro e bem... – Seongwoo olhou para Daniel, que negava com a cabeça discreto, como uma clemencia para que não dissesse a verdade para sua mãe – educativo. A fim que não se cansasse, ofereci uma carona e Daniel foi um bom garoto em aceitar.

- Ah... – a mãe sorriu, olhando Daniel assentindo, confirmando toda a mentira – eu fiquei preocupada. Muito obrigada, professor. Uma boa noite!

Ong se curvou em agradecimento e acenou para Daniel, que se curvou em agradecimento também. Poucos segundos depois o carro havia saído, e mesmo com a mentira Daniel não tinha se livrado das palmadas da mãe até chegar em seu quarto. Enquanto tirava seu uniforme, prestes a tomar um banho, novamente veio aquele aroma tão bom que estava quase virando seu favorito. Naquele momento seria impossível para Daniel sentir ele, já que Seongwoo havia ido embora, mas logo depois percebeu que o cheiro estava fisicamente ali, em seu casaco. Aproximou o nariz do pano e inspirou profundo. Era exatamente o cheiro.

“Aquilo é tão forte que passou pra minha roupa”, pensou rindo, dobrando o uniforme e se aprontando para o banho, que lhe trouxe muitos pensamentos, e muitas perguntas sem resposta.



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