História Linha da vida - Capítulo 4


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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Itachi Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Linha Da Vida, Sasosaku, Sasusaku
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Palavras 6.730
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpe pela demora em atualizar! Além do pouco tempo, eu tive uma pequena crise de falta de inspiração para seguir com a história :( Mas já passou hahahaha

Sem mais, boa leitura e espero que gostem <3

Capítulo 4 - Quarto Ato


Fanfic / Fanfiction Linha da vida - Capítulo 4 - Quarto Ato

O casal andava despreocupado entre as lojas de comércio, quem não os conhecia poderia jurar que tratava-se apenas de dois jovens fazendo compras e não da Princesa e o Tenente. Sakura apontava para as bancas explicando o que cada uma fornecia e Sasuke mantinha atenção em suas explicações, pois ainda não tivera a oportunidade de conhecer a região comercial do Reino.

Assim aproximaram-se de uma banca de doces, onde Sakura pediu dangos para eles. Sasuke recusou imediatamente, avisando não gostar de nenhum tipo de guloseima. A Princesa revirou os olhos, ignorando o seu aviso, e pagou a dona do estabelecimento ao pegar o seu pedido. Sem pedir permissão enfiou um espetinho dentro da boca do Tenente que tomou um enorme susto. A rosada gargalhou ao ver a reação dramática dele e, mais ainda, quando ele roubou outro doce da sua mão e comeu.

ㅡ Pensei que não gostava de doces, Uchiha. ㅡ Comentou brincalhona.

ㅡ Você é uma pirralha irritante, sabia? ㅡ Disse antes de puxar outra bolinha do espeto. ㅡ Admito que este tem um sabor gostoso.

ㅡ Admita que tenho as melhores ideias. ㅡ Sakura piscou o olho.

Sasuke deu uma leve risada e ficou com o rosto na altura dela para dizer. ㅡ Nem por um decreto real.

A surpresa pelo moreno usar um dos seus bordões transpareceu no rosto dela. Abriu a boca para o repreender, porém desistiu da ideia ao ver o sorriso alegre que Sasuke estampava. Ainda não o tinha visto sorrir dessa maneira, sentiu o coração dar uma pequena acelerada. Sakura tratou em devorar o seu doce e esquecer daquela sensação que acendeu no seu peito, dando leves batidinhas com a mão na região para a acalmar.

ㅡ Finalmente. ㅡ O moreno disse ao apontar para a loja logo em frente. ㅡ Encontrarei o que precisamos ali.

ㅡ O que estamos esperando? ㅡ Questionou retórica. ㅡ Vamos entrar.

Sasuke colocou o braço para impedir a passagem dela. ㅡ Para que as coisas sejam simples e objetivas, Princesas aguardam do lado de fora. ㅡ Riscou uma linha no chão perto dos pés de Sakura. ㅡ Passe a linha e aguente as consequências.

ㅡ Isso não é justo. ㅡ Protestou. Ele levantou os cantos dos lábios e ela sabia que viria um comentário irônico. ㅡ O que foi? ㅡ Disparou.

ㅡ Por que quando quer tentar me persuadir infla as bochechas assim? ㅡ Esmagou as bochechas dela com as palmas das mãos formando um bico nos lábios dela. ㅡ Sua fofura não irá te ajudar agora, Princesa.

Sakura puxou o pulso dele para sair do seu aperto, enquanto o Tenente dava as costas rindo da forma como a irritou. Ela levou o dorso de suas mãos até as maçãs do rostos para resfriar o local aquecido pelo o toque dele e praguejou por estar sentindo, novamente, aquelas malditas sensações. Continuaria xingando o moreno de diversas maneiras, porém sua atenção foi direcionada para a coloração exótica de cabelos há poucos metros.

Suas pernas quase dispararam para encontrar com a prima, mas acabou lembrando da linha no chão traçada por Sasuke. Não tinha ideia das consequências que o Tenente falara, só que não queria o irritar depois da ajuda que estava recebendo dele. Assim como, não queria que ele pensasse que poderia mandar nela a partir de agora. Sakura demorou tanto decidindo que Naruto e Karin a alcançaram primeiro.

O estabelecimento comercial era bastante simples e não tinha muitas opções de produtos, porém, Sasuke recebeu boas recomendações sobre a qualidade e cortesia dos vendedores dali. Segundo as concubinas, a costureira era a melhor da região, mas não estava recebendo muitas encomendas por causa dos atritos entre os seus familiares. Aparentemente, há uma disputa entre os membros da própria família que possuem mais de uma loja no Reino.

No entanto, essas brigas não interessavam ao Uchiha, apenas queria alguém de confiança e habilidoso para preparar a sua encomenda. A situação precária da loja o preocupava um pouco, mas resolveu confiar no bom senso das servas do Palácio. Essas que ficaram, extremamente, animadas quando o moreno comentou do seu interesse em presentear a Princesa. As mulheres gritavam histéricas e começaram a falar sem parar sobre os gostos e medidas de Sakura, e o incentivaram para seguir em frente com a ideia do presente.

ㅡ Bom dia. ㅡ Cumprimentou a vendedora atrás do balcão. ㅡ Procurando por um modelo em especial?

ㅡ Na verdade, gostaria de saber se conseguiria fazer isto. ㅡ Sasuke retirou um papel do seu bolso e mostrou para mulher. ㅡ Desculpe pelo desenho, não sou bom nisso, mas creio que dá para ter uma noção do que desejo.

Enquanto ela analisava o esboço mal feito pelo Uchiha, ele passou a reparar nos traços da vendedora. Os seus cabelos tinham o tom tão escuro quanto os dele, a pele clara e bem cuidada para uma plebéia, porém, o que destaca a sua beleza são os os olhos. Um par de pérolas brilhavam no rosto feminino.

ㅡ Ah, esse modelo é um tanto feminino. ㅡ Respondeu insegura, mordendo o canto da boca. ㅡ Não acredito que ficaria bem para o senhor. ㅡ O Uchiha levantou a sobrancelha e ela ficou nervosa. ㅡ Mil perdões, não queria o ofender.

Ele sorriu para a tranquilizar. ㅡ É um presente para… ㅡ Pensou em como deveria definir Sakura. ㅡ Para minha aprendiz.

ㅡ Oh. ㅡ A morena arregalou os olhos. ㅡ Não sei se posso fazer algo do tipo. Poderia ter problemas com a Guarda Real. ㅡ Deixou os ombros caírem. ㅡ Infelizmente, nossas leis não permitem que as mulheres exerçam essas atividades.

ㅡ Não se preocupe quanto isso. ㅡ Estendeu a mão para ela. ㅡ Sasuke Uchiha, Tenente à serviço do Imperador.

ㅡ Hinata Hyuga. ㅡ Retribui o cumprimento. ㅡ Mesmo assim, não posso fazer este modelo. ㅡ Bateu os dedos indicadores um no outro, nervosa por estar recusando o pedido de um servo do Imperador. ㅡ Minha loja tem sofrido nos últimos tempos e não posso arrumar problemas.

ㅡ Por favor, confie em mim. ㅡ Sasuke implorou. Algo que não era de seu costume. ㅡ Não permitirei que sofra por causa da minha encomenda. Este presente é muito importante para mim.

Hinata avaliou o homem à sua frente. Ela acreditava na bondade das pessoas, e, dificilmente, se enganava. E conseguia distinguir na expressão do moreno o quanto o pedido era importante. Em suas orbes negras brilhava o sentimento que a Hyuga considerava essencial na vida de alguém; amor. Suspirou profundamente. Antes de confirmar que iria arriscar o pescoço para costurar a sua encomenda, outro cliente cruzou o portal de sua pequena loja.

Quando seus olhos fitaram o homem que adentrava a loja, o seu coração parou de bater e em seu estômago parecia que mil borboletas rodopiavam por ali. Hinata perdeu a fala e, apenas, assistiu quando os dois homens se cumprimentaram animados e trocaram algumas palavras até que as orbes azuladas direcionaram-se para ela.

Então, ela lembrou das boas maneiras e que deveria estar reverenciando o Príncipe Herdeiro. Ao invés de ficar tendo sonhos impossíveis em seus pensamentos. A Hyuga ouvira os comentários que o povo tecia sobre a beleza dos Príncipes, porém estes não faziam justiça à realidade que era apresentada para ela.

ㅡ Vossa Alteza. ㅡ Hinata disse prestando reverência ao loiro.

ㅡ Isso não é necessário. ㅡ Naruto sorriu. ㅡ Por favor, não precisa me tratar tão cordialmente.

Conforme o pedido do Príncipe, Hinata arrumou sua postura. A surpresa de Naruto ao reparar na comerciante não passou despercebida por Sasuke. Este que sorriu discreto ao ver o espanto no rosto do melhor amigo. O loiro não conseguia reagir, como se tivesse sido paralisado por algum veneno.

ㅡ Hinata, poderia trazer algumas cores de tecido para eu escolher. ㅡ O Tenente pediu.

ㅡ Claro. ㅡ Respondeu a vendedora. ㅡ Os melhores ficam no depósito atrás da loja. Peço que aguarde um instante.

Sasuke assentiu em silêncio e ela deixou os dois sozinhos. Assim que, Hinata deu as costas, o Uchiha passou o dedo pelo canto da boca do melhor amigo e Naruto, finalmente, libertou-se do seu transe.

ㅡ Vossa Alteza estava babando em cima da garota. ㅡ Comentou o moreno sarcástico.

ㅡ Mentira. ㅡ Naruto negou um pouco constrangido.

ㅡ Vossa Alteza é transparente que nem água. Não tente negar o óbvio. ㅡ Sasuke cutucou o amigo que não tirava os olhos da porta que Hinata entrou. ㅡ Está impressionado com a beleza dela, Vossa Alteza.

ㅡ Pare de me chamar assim.

ㅡ Ora, mas parecia ter gostado tanto quando ela fez o mesmo. ㅡ Provocou o melhor amigo.

Naruto o fitou irritado. ㅡ Você está adorando isso, não é? ㅡ Cruzou os braços e sorriu malicioso. ㅡ Quem sabe deva chamar a minha irmãzinha aqui e vamos ver o quanto você baba, Mestre.

ㅡ Não envolva a pirralha nisso. ㅡ Comentou o Uchiha rangendo os dentes. ㅡ Nós dois não temos nada.

ㅡ Nada além do noivado. ㅡ O loiro apontou para o papel no balcão. ㅡ E agora está comprando presentes para ela também. E as alianças já estão compradas? Caso queira posso ir junto, afinal, sei o gosto da minha irmã.

Sasuke não aguentou as provocações do melhor amigo e partiu para cima dele. O temperamento esquentado do Uchiha somado as brincadeiras do Uzumaki são uma péssima combinação.

Por isso, quando Hinata retornou carregando os rolos de tecido, encontrou os dois homens rolando pelo chão de sua loja. Os dois trocavam socos, pontapés e xingamentos; assemelhando-se com duas crianças fazendo birra. Nem ao menos notaram a presença de outra pessoa no ambiente. Somente quando ela aproximou-se para apartar a briga antes que os dois quebrassem as mercadorias.

Naruto notou o par de sapatos femininos próximo dele e levantou os olhos encontrando o semblante preocupado da vendedora. Imediatamente soltou a gola do quimono de Sasuke, este que aproveitou e desferiu um soco potente no nariz do melhor amigo. Sangue escorreu pelo o rosto do loiro. Hinata arfou ao ver o estado do Príncipe e tratou de arrancar o moreno de cima dele.

Esquecendo das posições sociais, sentou o loiro no chão e colocou a cabeça dele para trás apoiando no braço dela. Hinata puxou a manga do seu quimono e estancou o sangue que escorria. Naruto sentiu os músculos do corpo tenso com a aproximação repentina dela. Estava extasiado ao ponto que não conseguia pensar em mais nada além das mãos delicadas que o seguravam. Enquanto isso, Sasuke batia suas vestes e balançava a cabeça ao ver a cena.

O Príncipe segurou o pulso da morena e o afastou um pouco. ㅡ Estou bem, não se preocupe. ㅡ Comentou sorrindo. ㅡ Estamos acostumados a brigar assim. Sinto muito por ter presenciado isso.

ㅡ Os dois são amigos? ㅡ Hinata questionou confusa.

ㅡ Melhores amigos. ㅡ O loiro coçou a cabeça envergonhado. ㅡ O sonho da vida do Sasuke é ser da minha família.

ㅡ Mais uma palavra e juro que vou cortar sua língua. ㅡ O Uchiha ameaçou.

Imediatamente, Hinata posicionou-se na frente do Uzumaki e o olhou ameaçadoramente para o moreno. Este estreitou os olhos para a postura protetora da mulher e Naruto abriu a boca abismado. Nunca antes alguém o defendeu daquela maneira, sendo que eles mal se conheciam.

Sasuke deu um passo para testar a mulher. A morena não hesitou em puxar o grampo que prendia os seus cabelos, libertando os fios do coque e os deixando cair por suas costas. Hinata segurava o mesmo como se a sobrevivência do Príncipe dependesse dela. Naruto reparou que não se tratava apenas de um simples acessório feminino, a ponta do grampo era afiada e serviria como uma arma.

O que ela não deve enfrentar para precisar disso para se defender, pensou o Uzumaki.

O Herdeiro do Trono colocou a mão sob o ombro da Hyuga, a fim de a acalmar e ela virou um pouco a cabeça, porém não desviou os olhos de Sasuke. Naruto sorriu e disse calmo.

ㅡ Hinata, é só uma brincadeira. ㅡ Com sua outra mão livre segurou a dela, a que tinha o grampo entre os dedos. ㅡ Guarde isso, por favor.

ㅡ Oh. ㅡ Fora o que ela conseguiu pensar ao sentir o toque delicado do loiro em sua pele.

Levantou rapidamente do chão, notando o quanto havia invadido o espaço pessoal do Príncipe e retornou para trás do balcão em silêncio. Escondeu o rosto por baixo do cabelo para nenhum dos dois ver suas bochechas coradas. Apresentou os modelos de tecido para Sasuke e sugeriu algumas melhorias no desenho que havia trazido para ela.

Assim que, acertaram os detalhes finais, despediu-se dos homens e não ousava fitar o rosto de Naruto novamente. Não tinha coragem para isso depois da maneira que se portou diante dele. Xingou-se mentalmente por ter sido invasiva e não ter notado que os amigos brincavam entre eles.

Quem sou eu para defender o Príncipe? Pelo amor dos Deuses, coloque-se no seu lugar Hinata. Você não passa de uma ninguém diante dele, a Hyuga pensou ao ver os homens deixar sua loja.

As primas conversavam animadas enquanto aguardavam o retorno do Príncipe Herdeiro e do Tenente. Eram inúmeros assuntos para colocar em dia, tantas novidades na vida das duas. Mas, definitivamente, Karin mal se aguentava de curiosidade em conhecer o famoso noivo de Sakura. Exigiu detalhes precisos sobre o homem, tanto de sua personalidade quanto aparência, porém a rosada o definiu apenas como um desgraçado arrogante.

No entanto, no fundo sentia que o considerava mais do que apenas isto. Mas em hipótese alguma admitiria esses pensamentos em voz alta. Mesmo que fosse o último dia na face da Terra, não deixaria ninguém saber que nutria uma imensa gratidão pelo o Uchiha. Ainda mais, quando se tratava de sua prima, ela iria inventar algo que não condiz com a realidade.

ㅡ Me disseram que ele é um Tenente. ㅡ A ruiva comentou empolgada. ㅡ Ele deve ser bem forte, não é? ㅡ Aproximou do ouvido da prima para sussurrar. ㅡ Por acaso, ele é musculoso? Diga que já aproveitou para ver ele sem…

ㅡ Ei, ficou maluca? ㅡ Sakura gritou dando um pulo para trás. ㅡ Ah, você continua a mesma perturbada de sempre.

ㅡ Nossa. ㅡ Karin exalou com a boca aberta. ㅡ Quem é aquela perfeição ao lado do Naruto? ㅡ Apontou na direção atrás da Princesa.

A rosada virou para verificar o que já sabia. ㅡ Sasuke.

ㅡ Sasuke? ㅡ A ruiva questionou. ㅡ Sasuke Uchiha? Seu noivo? ㅡ Sakura assentiu em silêncio. ㅡ Queria ser abençoada pelos Deuses como você, prima. Parabéns. ㅡ Aplaudiu de forma dramática.

Os olhos da Princesa reviraram com a cena que sua prima fazia. Ela detestou ouvir os elogios feitos para o Uchiha, parecia causar um efeito hipnotizante nas pessoas que a primeira vista já se encantam por ele. Primeiro, fora o seu irmão, depois seu pai e agora sua prima. Graças aos céus, ela não fora afetada pelo mesmo.

Claro, não vou negar que ele é bonito, mas… Sakura pensou ao analisar o Tenente enquanto se aproxima. Bateu na cabeça com força. Nada de pensamentos desse tipo.

Sasuke exibia um sorriso irônico em seus lábios. Reparou na outra mulher que acompanhava a Princesa. Aparentemente, cabelos chamativos são a marca da família Uzumaki. Porém, sua atenção estava focada na Princesa que havia cruzado a linha desenhada por ele no chão.

ㅡ Ora, ora. Parece que alguém não cumpriu o acordo. ㅡ Comentou o Tenente arrogante. ㅡ Como devo punir minha aprendiz desobediente? ㅡ Bateu com o indicador no queixo fingindo pensar.

ㅡ Meu coração vai explodir. ㅡ Karin deixou escapar.

Sakura a condenou com olhar. ㅡ Controle-se. ㅡ Ajeitou a postura antes de dizer. ㅡ O quer que eu faça? Corra, faça flexões, pague com abdominais? Pode dizer, não tenho medo das suas ameaças.

ㅡ Não, não, não. ㅡ Balançou o dedo perto do rosto dela. ㅡ Isso não seria como punição para você, Princesa. Provavelmente, acabaria até se divertindo. Por este motivo, terá que jantar comigo essa noite e irá me servir como sua professora ensinou.

ㅡ Nem por um decreto real. ㅡ Os dois disseram juntos. Sakura arregalou os olhos, surpresa por ter adivinhado o que ela iria dizer. ㅡ Como sabia?

ㅡ Você é tão simples de ler. ㅡ Bateu com o dedo indicador na testa dela.

ㅡ Oh, vocês são tão fofos. ㅡ Naruto comentou para irritar o casal. ㅡ Não concorda, Karin?

ㅡ Totalmente. ㅡ Confirmou. ㅡ É um prazer conhecer o noivo da minha prima.

ㅡ O prazer é todo  meu. ㅡ Sasuke pegou na mão dela e deu um leve beijo.

Karin corou instantaneamente e desviou o olhar morrendo de vergonha. Enquanto Sakura exibia um semblante irritado. O nariz franzido da rosada e os punhos cerrados. O que não passou despercebido para Naruto, que tentava não rir da pequena crise de ciúmes da sua irmã. Por instinto, a Princesa agarrou a mão da prima e saiu arrastando para longe dos dois.

Itachi transitava pelos corredores do Palácio, acabará de sair da reunião com o Imperador, e sua mente fervilhava com as notícias que recebeu. Não tinha certeza se corresponderia às expectativas de Minato sobre ele. O Uchiha é humilde em relação as suas habilidades e não pensou que seria reconhecido tão logo por estas. De certa forma, não lhe saía da cabeça a ideia de que fora favorecido em função do noivado do seu irmão com a filha do Soberano.

Apesar dessa confusão mental, estacou no meio do corredor ao ouvir uma conversa suspeita acontecendo na sala a sua esquerda. As vozes eram sussurradas, mas ele conseguia distinguir algumas palavras mencionadas.

ㅡ A Cerimônia de passagem do ano será perfeita para executar nosso plano. ㅡ Disse o primeiro.

ㅡ Creio que o Imperador estará vulnerável nessa ocasião por preferir estar entre o seu povo, por este motivo podemos o executar sem levantar suspeitas. ㅡ Respondeu o segundo animado.

O som dos passos ficaram mais altos e Itachi resolveu se afastar e continuar observando ao longe quem sairia do local. Demorou menos de dois minutos para ver as silhuetas que aparecem juntas no final do corredor. No entanto, o jovem Uchiha preferia não ter presenciado tal fato.

Retornou para os seus aposentos em silêncio, apesar de em sua mente ecoar alertas sobre os próximos acontecimentos no Palácio. Escondeu suas mãos por dentro do seu quimono para que o seu pai não notasse seus ânimos exaltados. Itachi necessitava pensar e raciocinar. E não dividiria as informações até ter certeza das suas suspeitas.

Durante a semana inteira Karin e Kushina fizeram Sakura experimentar vários modelos diferentes de roupas para seu casamento. Porém, conforme previsto, a Princesa não colaborou nem um pouco. Quando questionada se havia gostado de algum modelo apenas bufava ou grunia uma resposta indecifrável.

No final daquela noite até mesmo a paciência de Karin acabou. Ordenando que a prima desse um passeio na noite fria para que acalmasse seu humor. Sakura não pensou duas vezes antes de aceitar. Pegou seu casaco com um capuz revestido de pelos para aguentar a temperatura baixa do inverno.

Mesmo com poucos dias a estação veio rigorosa, o gelo já cobria a maior parte do chão e nevava constantemente. O que fez com os treinos com Sasuke diminuíssem. Apesar de, o Tenente conseguir alternativas como treinar arco e flecha dentro do complexo dos soldados reais. Sakura só entrava no local quando nenhum outro estava lá.

Sentia falta desses momentos ao lado do Uchiha.

ㅡ Oh céus, não, não. ㅡ Sakura corrigiu os pensamentos. ㅡ Digo, os treinos. Sim. Exatamente.

ㅡ Um tanto tarde para estar conversando sozinha, não é mesmo Princesa? ㅡ Comentou uma voz masculina.

Sakura levantou os olhos surpresa ao ver Sasori. Não tinha conhecimento que ele ainda estava hospedado no Palácio. ㅡ Acredito é saudável conversar consigo mesmo. Ajuda a refletir.

ㅡ Ah, definitivamente. ㅡ O ruivo deu um pequeno sorriso. ㅡ Parece que somos destinados a nos encontrar em seus passeios noturnos.

ㅡ Aparentemente. ㅡ Respondeu a Princesa um tanto desconcertada.

ㅡ Ontem estava caminhando pelo Palácio e encontrei um lugar fascinante para ver as estrelas. Gostaria de me acompanhar até lá? ㅡ Sasori lançou um olhar acolhedor para ela.

Sakura engoliu em seco. ㅡ Não sei se seria apropriado.

ㅡ Oh, entendo. ㅡ Sasori disse e começou a dar voltas ao redor dela a analisando. ㅡ Fora uma ideia inusitada mesmo, desde quando uma mulher tão frágil iria gostar de se aventurar desse jeito. ㅡ Ele estalou a língua ruidosamente enquanto balançava a cabeça. Sakura estreitou os olhos para o ruivo. ㅡ Peço desculpas, deveria ter ciência que uma menina não iria querer correr riscos, talvez se a chamasse para um chá ou…

ㅡ Não sou frágil. ㅡ A rosada deixou escapar entredentes. ㅡ E muito menos iria me interessar por tomar chá. Mostre o caminho quero ver esse tal lugar que disse. ㅡ Mudou de postura e levantou o queixo mostrando sua coragem.

Sasori deu as costas para a Princesa e começou a guiar pelo caminho. Ele procurou esconder o sorriso que teimava em aparecer em seus lábios, mas era difícil, com apenas um jogo de palavras havia convencido Sakura de o acompanhar. Em pouco tempo juntos conseguiu aprender a dobrar a rosada e como fazer que cedesse aos seus encantos. Internamente se questionava de qual outra forma poderia usar isso ao seu favor.

Sakura esfregava as mãos por baixo do casaco, em que momento deixou se levar por sua arrogância? E agora teria que seguir ao mensageiro até onde não sabia. Por algum motivo, seus instintos emitiram um alerta. Manteve os olhos grudados nas costas do homem e não perdia nenhum movimento dele. Então, reparou que os pés deles ficaram marcados na neve deixando um rastro da passagem dos dois. E que também Sasori possuía quase o mesmo tamanho de sapato dela, ela riu e pisou dentro da pegada dele. Ainda era um pouco maior, mas quase igual.

O mensageiro não demorou para reparar no que a Princesa fazia. Pisando dentro de suas pegadas. Decidiu dar um passo mais longo e ver o que ela faria. Estendeu a perna no máximo que conseguia, deixando a marca do seu pé na neve e quando Sakura tentou acompanhar acabou perdendo o equilíbrio por conta do seu pesado casaco.

Sakura emitiu um grito antes de pender o corpo para frente. Que acabou sendo amparado pelo mensageiro e que perdeu a fala ao sentir a respiração dela tão próxima do seu rosto. Sem pensar nas consequências, Sasori levantou a rosada pela cintura e a trouxe para próximo do seu corpo. Ela piscou um tanto aflita, seu coração disparou e, apesar do frio, sentia o calor deles se misturarem. Permaneceram trocando olhares em silêncio enquanto analisavam as feições um do outro. Seria impossível negar que os dois estavam atraídos um pelo o outro. Caso ele se inclinasse um pouco tocaria nos lábios dela.

Deveria permitir que ele me beijasse?, pensou inquieta. Seria o primeiro beijo que daria. Sem contar o incidente anterior que Sasuke presenciou. Sua cabeça deu um giro em torno do nome e ela se afastou um pouco do ruivo.

Sakura arranhou a garganta antes de dizer. ㅡ Devo lhe informar que tenho um compromisso com outro homem. ㅡ Manteve os olhos no chão, pois não queria o fitar agora.

O mensageiro arregalou os olhos surpreso. ㅡ Perdão, não pensei… ㅡ Coçou a cabeça constrangido. ㅡ Poderia saber quem é o sortudo de tê-la como companheira, Majestade?

Ela lambeu os lábios. ㅡ Tenente Uchiha.

ㅡ Sasuke? ㅡ Dizer o nome dele trouxe um gosto ácido a boca de Sasori. ㅡ Sasuke Uchiha é seu prometido? ㅡ Exalou frustrado. ㅡ Havia dito que era seu instrutor.

ㅡ Eu menti. ㅡ Sakura olhou para o ruivo. ㅡ Nosso compromisso foi arranjado por nossos pais, sem nosso consentimento, por este motivo menti que não tínhamos nada.

ㅡ E o que a levaria a mentir para um simples mensageiro? ㅡ Comentou irônico.

ㅡ Porque estava interessada.

ㅡ No que precisamente? ㅡ Ele deu um passo a frente fechando o espaço final entre os dois. Sakura tentou abaixar a cabeça novamente para fugir dos olhares de Sasori, mas ele segurou o seu queixo firme. ㅡ Seu constrangimento a entrega, Princesa Namikaze. No entanto, posso lhe afirmar que não fora a única interessada.

ㅡ Mas não deveria…

ㅡ Deveria. ㅡ O ruivo cortou seu raciocínio. ㅡ Não somente deve, como pode. Ser Princesa deste Reino deve lhe trazer vantagens, além de problemas. Saiba como usar o poder ao seu favor.

Sakura refletiu sobre as palavras que ele usou. Ela sempre viu o poder como um problema, algo que a impedia de fazer os seus maiores desejos e que a prendia de diversas maneiras. Será que o mesmo poderia a libertar também? Sasori viu a confusão estampada no rosto dela. Aproveitou que estava desprevenida e selou os lábios dele aos da Princesa.

A rosada arfou assustada com os lábios quentes do ruivo nos seus. O fitou ansiosa e viu os olhos do homem fechados, antes que percebesse havia fechado os seus e o permitido amplificar o contato. Sasori aguardou que ela encontrasse o ritmo dele e, aos poucos, aprofundou o beijo. Quando estavam quase sem ar separaram um pouco, mas o ruivo manteve os braços ao redor da cintura dela.

Enquanto um turbilhão de pensamentos se formavam na mente de Sakura. Havia sido seu primeiro beijo e ela sentiu tantas sensações novas. Fora incrível! E, no entanto, o seu coração não acelerou na mesma intensidade de quando treinava junto com Sasuke. Sentia vontade de sair correndo e contar tudo que acontecerá agora, e ao mesmo, não queria que ele soubesse de nada.

O foco dela deveria ser o primeiro beijo que deu em sua vida, mas só sentia o desejo de correr e implicar com o Uchiha até que ele a xingar de pirralha irritante.

Os raios de sol da manhã mal haviam iluminado o quarto de Sasuke quando uma batida na porta o despertou do sono. Um tanto perdido saiu trôpego para atender a porta, assim que a abriu se deparou com uma das concubinas da Princesa Namikaze. A mulher tinha as bochechas coradas e olhava discretamente para o seu dorso, o que fez o Tenente perceber que o seu quimono estava aberto deixando exposto o seu peito.

Franziu os lábios constrangido e pegou o papel que a mulher estendia para ele. Ajeitou as vestes rapidamente e acenou para a dispensar. Passou a mão pelo rosto sonolento para livrar da preguiça matinal. Sentou na sua cama e começou a ler o pequeno bilhete.

Sasuke,

Infelizmente não estou em condições de o encontrar nesta manhã. Peço que adie nosso treinamento por uma semana.

Obrigada,

Princesa Namikaze

 

Demorou menos de dez minutos para que o Uchiha atravessasse o pátio do Palácio. Suas passadas eram longas e pesadas, determinado buscava o que fora procurar na Ala Sul do lugar. As concubinas que passavam pelo o local olhavam para ele espantadas e logo abriam o caminho para que o Tenente passasse. Nenhuma conseguiria o impedir de seguir em frente, assim como nenhuma teria coragem para isso.

Os guardas o fitaram com o estranheza quando se aproximou, bastou um olhar severo de Sasuke para que eles fingissem que tinha outras tarefas e sumissem da sua frente. Dispensando a educação, abriu num rompante as portas e alguns femininos histéricos ecoaram pelo ambiente.

ㅡ Saiam todas. ㅡ Disse firme. ㅡ Desejo ter uma conversa particular com a Princesa Namikaze.

Sakura escorreu por trás do seu biombo, amaldiçoando os céus por terem permitido que o Uchiha chegasse em seu quarto daquele jeito. Ela não queria o ver e, muito menos, conversar sozinha com ele. Precisava de um tempo para colocar seus pensamentos em sintonia e compreender o que estava acontecendo na sua cabeça.

ㅡ Você é completamente perturbado, Uchiha. ㅡ Gritou raivosa. ㅡ Ninguém está autorizada a deixar o meu quarto. Chamem os guardas e tirem ele daqui. ㅡ Ordenou a Princesa.

Sasuke estreitou os olhos antes de dizer. ㅡ Caso alguém acate a ordens da Princesa, começarei a contar sobre as atividades extras que esta pratica fora do Palácio.

Sakura deu um pulo e saiu de trás do biombo. ㅡ Saiam todas do quarto. ㅡ As concubinas trocavam olhares confusos entre o moreno e a rosada. ㅡ AGORA!

Rapidamente o quarto ficou vazio. Sobrando apenas os dois em cada canto do ambiente. Sasuke colocou as mãos para trás das costas e começou a analisar a mulher a sua frente.

Nenhuma lesão. Sem cortes e machucados aparente. Não parece estar doente. Ele fazia uma lista na sua cabeça dos motivos que a impediam de treinar. Sua expressão é de raiva, porém seus olhos mostram outro sentimento.

ㅡ O que você está escondendo pirralha? ㅡ Disparou a pergunta que surpreendeu a rosada.

ㅡ Nada.

ㅡ Mentirosa. ㅡ Continuou. ㅡ Tem dois minutos para abrir a boca antes que suas concubinas avisem o quartel inteiro da minha visita inesperada.

ㅡ Apenas não desejava treinar hoje. ㅡ Sakura manteve a sua desculpa.

O canto direito do lábio do Tenente levantou um pouco. ㅡ E eu não acredito. ㅡ Virou de costas como se fosse deixar o quarto. ㅡ Bom, vou até o Imperador e conversar sobre o nosso acordo e ver o que ele pensa a respeito disso…

ㅡ Não seria capaz. ㅡ Ela não cedeu a primeira ameaça. ㅡ Sua punição seria duas vezes pior do que a minha.

ㅡ Provavelmente, mas pago para a ver. ㅡ Olhou por sobre o ombro para a rosada. ㅡ E você?

Sakura exalou o ar dos pulmões e esfregou as mãos, estavam suadas por conta do nervosismo. ㅡ Tudo bem, eu conto. ㅡ Disse derrotada. ㅡ Eu beijei o... 

Sasuke não precisou que ela terminasse a frase. ㅡ Um comando seu e encerro nosso compromisso, Princesa. ㅡ Voltou a ficar de frente para ela. ㅡ Seja como for, não terei alguém ao meu lado contra sua vontade.

Os guardas romperam pelas portas, armados até os dentes, prontos para retirar o Tenente dos aposentos da Princesa. O moreno não ofereceu resistência. Somente levantou as mãos e permitiu ser conduzido para fora do local, antes que ele fosse embora Sakura reparou que ele sorria. Porém, parecia um pouco triste.

UM MÊS DEPOIS...

O cerimonial do casamento da Corte exigia uma série de tradições, estas devem ser seguidas precisamente para que não hajam falhas e para a união ter prosperidade. Os noivos até o dia do casamento deveriam permanecer em constante preparação.

Sakura recebia conselhos sobre como deveria se portar em sua noite de núpcias e o que não deveria fazer para desagradar seu marido. Além de ser imersa constantemente em águas aromatizadas, como se o cheiro pudesse impregnar por seus poros, após isto, vinham os cremes e outros cosméticos. Durante trinta dias provou inúmeros modelos de vestidos. As lições com sua tutora dobraram o tempo e quase ocupava o horário que deveria treinar com o Tenente.

Sasuke era uma bomba relógio para explodir a qualquer segundo. O problema não era conhecer todos os cantos dos territórios do Palácio e ser ensinado a como se portar na Família Real. E sim, o fato de pensar em forçar a Princesa a se casar com ele contra a sua própria vontade. Atar a sua vida com alguém que não gostava, por este motivo, declarou para a rosada que bastava uma palavra dela e iria dar um jeito de os livrar daquilo. Ele fugiria, não importando para onde, e a deixaria livre. Ou ajudaria a rosada a escapar junto ao seu amado. Quando realizou a proposta viu nos olhos dela a dúvida. Doeu, mas aguentaria. Por Sakura, pela felicidade dela.

Faltava um dia, e Sakura ainda decidia-se aceitar a oferta de Sasuke ou encarar a cerimônia. Durante aqueles dias, o moreno deixou claro que apoiaria em qualquer uma de suas decisões. Porém, tinha dúvidas do que poderia acontecer com o Uchiha se fosse descoberto que colaborou com a fuga da Princesa. Seu pai poderia ter prestígio e uma boa relação com o Imperador, mas ninguém conseguiria o livrar de enfrentar as consequências. E Sakura sabia muito bem quais eram. Morte. Morte lenta e dolor. Traidores do Império recebiam esse tratamento.

Suas espadas tocaram-se novamente, o metal tilintou, o som assemelha-se a música nos ouvidos dela. A Princesa olhou para o semblante concentrado do seu Mestre, e em nada ele parecia preocupado ou ansioso com as celebrações no próximo dia. Ela o invejou tanto por isso. Como gostaria de estar da mesma maneira, mas sentia-se sufocada ao pensar no compromisso inadiável.

Por culpa da distração permitiu que Sasuke atravessasse sua defesa, e por pouco, não deixou um corte na bochecha dela. A lâmina passou há poucos centímetros de sua face e os olhos esverdeados dobraram de tamanho.

Incomodado, o moreno abaixou sua espada e deu as costas para sua aprendiz. Sua passada era pesada e lenta, a respiração descontrolada, não somente pela atividade física. O semblante preocupado da Princesa o lembrava do que aconteceria na manhã seguinte. Caso fosse do desejo da garota.

ㅡ Torna-se impossível treinar alguém que não está presente em suas lições. ㅡ Suspirou alto e continuou caminhando para longe. ㅡ Continuamos amanhã.

Sakura engoliu em seco. ㅡ Amanhã será impossível. ㅡ Sussurrou.

As pernas o travaram. Pego desprevenido, soltou um longo suspiro antes de falar. ㅡ Então, vejo que já se decidiu. ㅡ Sasuke virou a cabeça sobre o ombro para a fitar.

A Princesa mantinha o olhar baixo. ㅡ Sim. ㅡ Demorou para prosseguir que o Tenente pensou que não falaria mais, porém ela levantou a cabeça com as maçãs do rosto coradas. ㅡ No princípio, pensei que era uma punição dos Deuses ter minha vida atrelada a um homem que nunca tinha visto em minha vida. O qual designavam como o Ceifador de Vidas. Foi desta forma que ouvi minhas concubinas o chamarem na noite que jantamos juntos pela primeira vez.

O Uchiha sorriu. ㅡ Não vou negar que fiz por onde pertencer esse apelido.

Ela balançou a cabeça e apertou o cabo da espada buscando coragem para continuar. ㅡ Como uma garota mimada o julguei sem lhe conhecer. Criei inúmeros planos para o enlouquecer e fazer com que me odiasse, assim desistiria do casamento. Qual homem iria querer uma Princesa malcriada e irritante ao seu lado? ㅡ Percebeu que ele ia fazer alguma piada, então estendeu a mão para o calar. ㅡ No entanto, mostrou ser exatamente ao contrário. Mesmo quando força sua espada sobre a minha, faz de forma gentil. Ao executar os inimigos é preciso e não os tortura. ㅡ Soltou um riso anasalado. ㅡ Bom, não vou me estender. Só penso que uma vida ao seu lado será agradável, não nos amamos ou temos qualquer sentimento romântico envolvido em nossa relação, porém nos respeitamos e somos ótimos parceiros. Creio que isto basta. ㅡ Sakura deu um longo sorriso. ㅡ Até amanhã, caso não lembre, serei aquela de branco.

Por fim, acenou levemente e saiu correndo por trás do arsenal. A espada do Tenente escorregou por sua mão e caiu no chão. Considerou que a Princesa não tinha noção do que aquelas poucas palavras significavam para ele. Queria ir ao seu encontro, no entanto, seu orgulho o impedia. O que mudaria se ele lhe deferisse algumas palavras tolas sobre os sentimentos dele? Nada.

O coração da Namikaze não o pertencia. E mesmo tocado por seu discurso, decidiu que não iria influenciar no tratamento que dispensaria com ela. Apesar de que, a partir de amanhã, seria sua esposa; não mais a pirralha chorona e irritante.

Chegou o dia do seu casamento.

Sakura foi presa entre milhares de camadas de panos, que dificultava muito sua respiração, e depois por cima foi colocado o quimono para o cerimonial. A cor branca demonstrava sua pureza, e tinha detalhes vermelhos, a cor da realeza Uzumaki. Seu foi cabelo foi preso em um coque alto e colocado um véu branco.

Em Sasuke, fora colocado um quimono azul petróleo, tão escuro quanto sua alma nesse momento. Sua máscara era de um guerreiro Susanoo, os antigos têm várias lendas sobre como estes defendiam a terra, combinava com ele. E sua mensagem era que deveria proteger a princesa e a linhagem real.

Faltavam poucas horas para que a cerimônia fosse iniciada, então Sasuke deixou seus aposentos e dirigiu-se para o Salão do Dragão onde o seu destino seria selado junto a Sakura. A ideia não o incomodava como antes, porém não era do seu agrado por completo. Ainda mais que a pirralha não nutria sentimentos por ele. O que ele não imaginava é que não chegaria ao local naquela tarde.

Sasuke fora capturado. Após três dias de interrogatórios, que envolviam perguntas que ele não tinha respostas, somado a surras intermináveis. Seu corpo começou a chegar ao seu limite. Precisava agir racionalmente, guardar suas energias para formar algum plano para escapar. Fingindo que dormia, aguardou pela troca de plantão dos homens que o cuidavam, e era nesse momento que trocavam informações relevantes. Conseguiu captar pouco do que diziam. No entanto, um pronome se destacava.

ㅡ Ela virá para o buscar. Ela tem até o anoitecer de hoje. ㅡ Disse o sujeito que tinha o açoitado a algumas horas atrás.

Ela. Aquilo era como se cravasse uma faca em seu peito. Por que havia apenas uma ela que se incomodaria em aparecer por ele.

ㅡ Se vocês encostarem nela. ㅡ A voz carregada e rouca, por ter sido privado de tomar água. ㅡ Vou dilacerá-los com as próprias mãos. ㅡ Sasuke sabia contar, não tinha vantagem ali entre os vinte, talvez, até trinta homens. Os capangas se voltaram para o Tenente. Exibiu a arcada dentária manchada com seu sangue. ㅡ Basta que toquem em um mísero fio do seu cabelo, vou estripá-los.

O mais alto, que aparentava ter em torno de 40 anos, gargalhou próximo do moreno. Descrente das palavras que o prisioneiro pronunciara. ㅡ Boa sorte com isso. ㅡ Se posicionou até o ponto que Sasuke não o alcançaria. ㅡ Reze para quaisquer deuses que acredite para que sua pequena aprendiz tenha coragem de aparecer por aqui.

ㅡ O que querem dela? ㅡ Questionou num piscar de olhos.

ㅡ Quanta curiosidade. ㅡ Deu leves tapas no rosto do Uchiha, abusando de sua posição impotente, para debochar dele. ㅡ Mantenha a boca fechada Tenente quando ela chegar, ou arranco sua língua real imunda. ㅡ Concluiu que o desgraçado não era simpatizante com a realeza. Mesmo que ele não pudesse ser enquadrado em tal posição.

Sasuke tentava juntar os pedaços para descobrir o quebra cabeça ali, mas ansiedade que sentia em imaginar Sakura vindo em seu resgate, atrapalhava o seu discernimento. Precisava sair dali. E tinha que ser agora, ou seria tarde. Forçou os braços contra as correntes, que produziram um barulho estridente, capturando a atenção do homem novamente.

ㅡ Faça isso e vou apagá-lo de novo. Para o Tenente tão lendário, você foi fácil de capturar. ㅡ Novamente o sarcasmo. Os olhos do Uchiha brilharam, a raiva ardendo em seu interior.

ㅡ Seus meios foram covardes. Em uma luta justa, um inseto igual a você não duraria segundos em minhas mãos. ㅡ Sua mandíbula trincou, ao apertar os lábios notou que havia um corte ali.

ㅡ Covarde? ㅡ O traidor soltou um riso anasalado. ㅡ Penso que esperto, seria mais apropriado.

ㅡ Que tal tolo condenado? ㅡ Disse Sasuke com o semblante sério. ㅡ Não creio que entenda com quem está lidando.

O homem à sua frente estalou a língua. ㅡ Se fosse bom assim, seria mais do que apenas um Tenente. ㅡ O sorriso estampado no rosto dele, passou a diminuir com o olhar intenso que Sasuke deixou cair sobre ele. ㅡ O que tanto olha, desgraçado?

O moreno respirou profundamente, não conseguindo conter uma risada baixa. ㅡ Não estava falando de mim.

ㅡ Não demorou para descobrir seu pequenos segredinho. ㅡ Disse para inferiorizar a sua aprendiz. Mas ele sentiu a dúvida percorrer pelos olhos do maldito. ㅡ Ela é apenas uma garota.

Mesmo com estômago revirando ao imaginar Sakura naquele lugar, no meio daqueles homens de baixa índole, mesmo ponderando todas as chances para sair sozinho daquele pardieiro e ela dali com vida, Sasuke sorriu maliciosamente para o homem.

ㅡ Então vai mesmo ter uma surpresa.



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