História Linha Tênue - Capítulo 17


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Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Erick Jacquin, Henrique Fogaça, Paola Carosella
Tags Farosella, Henriquefogaca, Paolacarosella
Visualizações 372
Palavras 4.366
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá cariños 😍

Esse capítulo vou dedicar a Anajudts, que me mandou uma mensagem linda sobre a fic e toda vez que leio, morro de amores. 🤩🤩

E, claro, a todas vocês, minhas calmas e pacientes leitoras, que seguem comigo, firme e forte.

Obrigada! 💗

Capítulo 17 - Linha Tênue


Fanfic / Fanfiction Linha Tênue - Capítulo 17 - Linha Tênue

 

Eu te amei não por escolha

Te amei como quem transborda.

(@da.arte)

 

 

 

POV Fogaça.

 

–– Jason? –– Pronunciei com certa incredulidade. –– O que está fazendo aqui?

–– Tudo bom Fogaça? –– Respondeu simplesmente. –– Posso entrar? Eu e você precisamos ter uma conversa. De homem para homem.

–– A essa hora porra –– Não acreditei. –– Espera aí é a Paola? Aconteceu alguma coisa com ela?

–– Ela está bem –– Passou contra minha vontade e entrou no meu apartamento, discretamente o avaliando. Irlandês metido a besta.

–– Como é que tu entrou aqui hein mano? Por que não te anunciaram?

Não respondeu de imediato, e só então notei seu olhar aéreo... estava levemente alcoolizado. Puta que pariu!

–– Estou hospedado aqui –– Deu de ombros. –– É um apartamento bem agradável. Mora sozinho?

–– É o quê? –– Aquilo só podia ser um pesadelo. –– Diz logo o que você quer mano! São duas horas da manhã para um cara que levanta às seis!

Ele concordou com a cabeça e tudo nele me irritava.

–– Ouviu o que eu disse? –– Caminhou até minha adega e serviu-se de um drink. –– Aceita?

–– Não! –– Respondi com ódio. –– Ouvir o quê?

–– Estou hospedado aqui Henrique.

–– E daí? –– Meu tom não era amigável e eu preferia que continuasse assim.

–– Não sabe o que isso significa?

Pensei a respeito começando a entender o porquê daquela maldita conversa. Provavelmente ele e Paola tinham brigado, concluí.

–– Sinceramente onde tu se hospeda não é bem do meu interesse.

–– Mas a Paola é, certo? –– Apontou a taça para mim. –– Por que não está sendo cordial como antes? Eu deveria te odiar... RAPAZ!

–– Ah cacete –– Ri da forma mais irônica possível. –– Só pode ser brincadeira mano! Devo te tratar bem por quê? Magoou a mulher que eu amo –– Joguei sem pudor.  –– Irlandês miserável!

–– Pode me ofender à vontade Fogaça, eu não ligo. Não vim aqui para brigar. –– Fez um gesto de paz com as mãos. –– Só vim para ter certeza de que ainda a ama, mas já vi que sim.

–– Por que isso te interessa? Ela não te escolheu nessa porra? Vê se faz ela feliz e me deixa dormir em paz caralho –– Eu, não me reconhecendo.

–– Você se faz ou o quê? –– Finalmente vi certa rispidez na sua fala e gostei. Odiava aquele jeito tão certinho. –– Ela terminou comigo para ficar com você idiota! Por que acha que eu estou aqui?

Ouvi bem o “idiota” e em outros tempos o mataria, ali mesmo, mas a informação que ele me deu ofuscou todas as outras.

–– Ela o quê? –– Cocei a barba de nervoso. –– Não! Você está alto mano! precisa ir para casa... é melhor ir para casa

–– Ficou nervoso, Chef? –– Ironizou o maldito. –– Você a ama mesmo...

–– É claro que a amo mas isso não importa mais. Decidi recomeçar a minha vida sem ela já que você voltou para ficar... irlandês inconstante da porra

–– Estou achando você meio xenofóbico.

–– Porra nenhuma! Amo o povo europeu e a Europa, meu problema é só com você mesmo.

–– Engraçado dizer isso... –– Jason tomou um gole de whisky e aquilo estava me tirando do sério. –– Sabe Henrique... quando eu voltei sabia que não seria fácil reconquistar a Paola. O que eu fiz não foi correto, traí a sua confiança e isso é algo imperdoável para ela.

–– Imperdoável para qualquer um! Trocou a vida com ela por dinheiro, que espécie de homem você é?

–– Controle seus impulsos rapaz e me deixe falar!

Cruzei os braços como um menino mimado. Talvez estivesse exagerando na reação, mas cada vez que eu pensava em Paola, minha doce Paola, linda, atraente, gostosa, com aquele gringo mercenário, eu queria socar a cara dele. 

–– Como eu ia dizendo... eu estava disposto a tudo, tudo, absolutamente tudo para ter ela de volta e assim o fiz. Vendi minhas propriedades em Londres, rompi com os negócios em andamento e vim... com a coragem e todo o meu amor.

–– Por que está me contando isso? –– Indaguei impaciente, ou talvez com ciúme.

–– Você já vai descobrir –– Retrucou bebendo o whisky. –– Eu achava que dizer a ela todas as coisas que fiz seriam suficientes para que ela considerasse uma reconciliação... ela queria uma demonstração de amor e eu lhe dei. Deixei tudo para trás para recomeçar ao seu lado mas como você pode imaginar, não foi bem assim.

Jason largou a bebida na mesinha do centro e sentou no sofá enquanto eu o encarava de pé com meu olhar duro e indiferente.

–– A frieza com que ela me tratava me fez ver que eu precisava de mais para alcançar o seu perdão e não hesitei. Todos os dias, por um minuto sequer. Fiz de tudo para que ela voltasse a confiar em mim e no meu amor... flores, jantares surpresas, assuntos que eu sei que eram do interesse... respeitei seu tempo, seu espaço, me fiz de morto quando preciso e disse a ela, não um ou dois, mas todos os dias que ela era a mulher da minha vida, ouviu isso? Todos os dias.

Revirei os olhos nauseado. Queria muito socar a cara daquele gringo.

 –– E ainda assim Henrique, mesmo fazendo tudo isso VOCÊ, jovenzinho abusado, estava lá. Tua presença era mais real que eu inferno! Queria me convencer que não era em você que ela pensava mas quem eu queria enganar? Ela vivia pelos cantos, dispersa... não me ouvia mais, não aceitava os meus carinhos, não sorria como antes e volta e meia ficava em agonia com o celular na mão, eu sei que ela te manda mensagens. Eu disfarçava, fingia que não percebia, mas sabia até quando ela havia chorado por sua causa. A Paola nunca foi boa em esconder os sentimentos.

Engoli a seco, imaginei se todas aquelas palavras seriam de fato verdade. Ele não teria razões para inventar aquilo tudo, certo? Ainda assim era difícil acreditar. E eu não sabia discernir o que estava sentindo. Só de pensar que Paola estava sofrendo por minha causa me fazia sentir vontade de ir até ela para resolver “aquilo”. Por outro lado, meu Henrique racional me lembrava o quanto aquela argentina havia me feito sofrer e eu não era mais um cara solteiro. E se havia alguém que eu não pretendia magoar, essa pessoa era Carine.

–– Não vai falar nada?

–– O que você quer que eu diga, Jason Lowe? –– Falei seu nome com ironia. –– A vida é feita de escolhas e a Paola fez a dela que por acaso não inclui a mim. Estou seguindo em frente como toda pessoa normal faria no meu lugar e você, bem, você é um miserável que deixou ela quando ela mais precisava. Mas se ela não te amasse não teria te aceitado de volta porque só tendo muito amor para perdoar o que você fez! –– Cresci e reafirmei minha postura. –– Pode estar confusa agora, ela é assim, mas te escolheu. Haja como homem e fique perto da mulher que você diz tanto amar.

–– Você não entendeu não? Acabou Fogaça! Sem chance de retorno! Nós nem brigamos porque nem motivo para isso temos. Acabou simplesmente, ela gosta de você –– Jason me encarou. –– Vai me dizer o quê? Que não quer ela de volta?

–– Isso não é da sua conta! –– Respondi firme.

–– Tem razão –– Jason se levantou do sofá e andou em direção a porta, levando consigo a garrafa de Whisky. –– Eu só precisava saber se ela vai ficar bem.

 

***

 

POV Paola.

 

Despertei com uma alegria incontida dentro de mim. Queria cantarolar umas músicas da Gloria Gaynor, abraçar a primeira pessoa que encontrasse pela frente, fazer umas viagens loucas ahh, quantas coisas eu sonhava, meu coração estava em festa simplesmente por saber que em breve encontraria o meu amor, meu lindo amor, e lhe diria todas as coisas.

Escolhi um vestido preto com decote em V. Soltei meu cabelo a fim de deixá-lo naturalmente ondulado e não hesitei em usar um batom vermelho, ainda que fosse 07:46h da manhã. Queria impressioná-lo, chamar sua atenção, suprir a saudade de todos esses dias.

Apressada chamei o elevador e o frio na barriga me consumia, de paixão, desejo, como eu nunca havia sentido antes.

–– Henrique Fogaça o que você fez comigo?

 

***

 

POV Fogaça.

 

–– E aê? –– Cumprimentei minha equipe. –– Tudo bem por aqui porra?

 –– Tudo a mil Chef –– Eduardo respondeu enquanto os outros fizeram acenos para mim. –– Bom ver o senhor.

–– Todo melosinho hein mano? –– Falei fazendo graça. –– Vou pro escritório e não quero ser incomodado, beleza?

–– Beleza!

Fui silencioso até minha sala, precisava por minha cabeça em ordem. Se era verdade o que Jason me disse então Paola me procuraria, e eu tinha que estar preparado.

Para não cair, mais uma vez e de novo. Mas só de pensar em vê-la a sós, longe daquela loucura do programa, meu coração acelerava.

Era difícil me controlar quando estávamos só nós dois, pensei em ligar para Carine, passar o dia com ela, mas não era justo com minha namorada. Não poderia ficar usando-a como estepe o tempo todo.

Decidi me concentrar no projeto do novo menu do Sal quando meu funcionário bateu à porta.

–– Porra mano, não pedi para ficar sozinho?

–– Pois é Chef, mas é que tem uma visita aqui e ela disse que é um pouco urgente.

–– Não vou receber ninguém agora, Nogueira. Se for o paisagista fala para voltar amanhã.

Voltei para minha papelada e ouvi a porta se abrir. Todos os palavrões que eu conhecia me vieram a mente e eu seria capaz de demitir o Nogueira naquele momento se não fosse... ela.

–– Desculpas Henrique... mas nós dois precisamos conversar.

 

***

 

POV Paola.

 

–– Paola...

Ouvir meu nome sendo pronunciado por aquela voz me acalentou a alma de tal forma que meus olhos encheram d’água. Eu não queria chorar de novo, não queria parecer tão frágil e dependente daquele amor, mas não consegui evitar. Henrique estava tão lindo e eu o via ali, comandando o próprio negócio e a sua vida, com a força do seu trabalho e talento, o admirava demais. Sentia um orgulho avassalador daquele homem que semanas atrás me fazia como ninguém, e eu precisava dele, de tudo dele.

Emocionada me aproximei e acariciei o seu rosto, imaginando sua dor ao me deixar livre para tentar a felicidade nos braços de outro, e sofri mais uma vez com a nossa falta de sabedoria.

–– Paola o que está havendo? –– Me chamou de novo, mas eu estava numa espécie de transe ou sei lá e não respondi. Só queria contornar o seu rosto e quem sabe assim fazê-lo entender que Paola Carosella amava Henrique Fogaça. Simples assim.

Ele fechou os olhos para sentir o meu carinho e nesse instante o abracei, forte. Senti seu cheiro, seus braços relutantes em me corresponder e enfim, o desejo, compartilhado por nós dois.

Henrique me apertava contra o seu corpo, cheirava o meu cabelo e eu só queria adorá-lo, parar o tempo para aquele momento e fazer valer a pena por todas as horas que estivemos separados.

–– Deus, como senti sua falta... –– Murmurei.

–– Não! –– Disse num rompante, se afastando. –– O que você quer Paola?

–– Não ficou claro o que eu quero? 

–– Sinceramente, não.

Mordi o lábio de nervosismo, era difícil me render ao que eu estava sentindo, coisa poderosa e arrebatadora que me tirava o chão e o controle de pessoa controladora que sempre gostei de ser.

–– Eu e o Jason... terminamos. Eu terminei, na verdade. –– Comecei pelo óbvio.

–– É, estou sabendo –– Informou, para minha surpresa.

–– Como assim “está sabendo”?

–– Seu noivo me procurou.

–– Ele não é mais o meu noivo! –– Corrigi com pressa. –– Por que o Jason fez isso?! Por que ele faria isso?! –– Indaguei irritada.

–– Eu sei lá Paola! Falou que vocês brigaram, me perguntou sobre nós... enfim...

–– E o que você respondeu?

–– A verdade, é claro. Que não existe mais “nós”... falei para ele te procurar, tentar resolver, brigas acontecem... quem nunca né?

–– É isso que você quer? –– Provoquei.

–– É isso que VOCÊ quer Paola, não tenho mais nada a ver com a história de vocês.

–– Fogaça não fala assim...

–– Você quer que eu fale como? Mano sinceramente não te entendo!

–– Eu também não me entendia, mas é diferente agora. Eu e o Jason não vamos mais voltar, não há a menor possibilidade disso acontecer.

Ele me olhava profundamente e passava a mão sobre a cabeça, coisa de quando estava extremamente nervoso.

–– Como pode ter tanta certeza? Como pode estar tão convicta de que vocês não vão voltar?

Dei o meu melhor sorriso e o encarei da forma mais sedutora que eu conhecia.

–– Ora você não sabe?                                                                          

 

POV Fogaça.

 

–– Você poderia ser um pouco mais clara comigo –– Instiguei, eu queria ouvir o que ela tinha para me dizer, por mais que minha vontade fosse outra, na verdade.

Não queria conversar.

E me surpreendia a cada segundo com meu autocontrole, ficava orgulhoso até, pois enquanto falava minha mente fantasiava atrocidades que envolviam prazer com aquela mulher... queria tirar aquele maldito batom vermelho com a língua mesmo sabendo que sua escolha foi proposital, Paola Carosella nunca brincou em serviço e sabia mexer com um homem quando queria.

–– Você foi embora Henrique, me ignorou por todos esses dias, e nós, que nos falávamos todos os dias, passamos a não nos falar mais e doeu tanto. Nunca saberá o quanto me fez sofrer, eu sei que a culpa é minha. Deixei você inseguro sobre nós dois e quando devia tomar uma decisão, não fiz.

–– Eu...

–– Me deixe falar –– Pediu. –– Sei que tudo isso te machucou muito, mas eu preciso que você entenda que eu estava numa grande linha tênue de sentimentos. Não foi fácil para mim. Primeiro Jason me decepciona, depois veio você com todo aquele afeto cuidando de mim e me amando de formas que eu nem sei se merecia e aí... bem, Jason volta e o resto você já sabe. Eu me sentia na obrigação de dar uma chance a ele Henrique e ao mesmo tempo...

–– Queria estar comigo, eu sei bem Carosella.

–– Não seja injusto, tente entender o meu lado, por fabor –– Segurou o meu braço e fez um carinho, pedindo com os olhos que eu a compreendesse. –– Todas as coisas que eu te disse foram reais, verdadeiras, sinceras... tudo foi real para mim.

–– Não precisa me dizer isso, eu sei. De verdade. Eu sentia você Paola, mesmo você se debatendo contra o meu sentimento, e contra os seus, mesmo você insistindo em colocar o Jason entre a gente, e criando regras para nós dois, eu te senti... sei que por algum momento você esteve só comigo –– Fiz uma pausa para me fazer o mais claro possível. –– Mas você fez uma escolha, e eu sinto muito! Essa linha tênue que você diz eu já ultrapassei há muito tempo lindinha, quando deixei que meu carinho por você virasse... “algo a mais”. E toda essa conversa não faz sentido agora, afinal, o que você quer? Nem tem coragem de se declarar Paola! É reticente, ambígua... e eu juro que entenderia, se não fosse o fato de ter acompanhado o seu relacionamento com o Jason e saber que você expõe muito bem os sentimentos quando quer. E agora –– Falei, desgastado. –– Eu te pergunto, por que acha que devo entender? O que veio fazer aqui Paola Carosella?

 

***

 

POV Narrador.

 

–– Vim até aqui porque eu quero e preciso de você, Henrique Fogaça –– Mandou na lata. –– Acha que não posso me declarar para você? Eu faria qualquer coisa por você Henrique

–– Paola... isso não

–– Não tente me calar agora! –– O repreendeu, rompendo com a distância entre eles para acariciá-lo enquanto dizia, pois só palavras não eram suficientes para expressar a grandeza do seu sentimento. –– Me apaixonei por você... e queria eu poder te explicar em palavras mas não consigo –– Sentiu lágrimas envolverem seus olhos novamente e não as reprimiu. –– Você me tem completamente e da forma que quiser, eu amo você. Ouviu o que eu disse? –– Perguntou segurando o seu queixo, forçando-o a olhar para ela. –– Eu amo você... sou apaixonada por você... morro de tesão em você...

Henrique ouvia aquelas palavras e era estranho, como perfeita e doce mentira, falso oxigênio e ainda assim, respirava, sentia o suor escorrendo pela testa e o frio na barriga que homens Bad Boys como ele não deveriam sentir, mas Carosella era uma quebradora de regras e abria seus portões sem dó, mesmo que à frente deles fora proibida sua entrada por medidas de segurança.   

Paola que o via irresistível de camisa preta envolveu seu rosto com as duas mãos e o beijou desesperada e sem jeito e ahhh, quantas saudades sentira daquele lábio tocando o seu, suas línguas se enroscando... ela perdia o ar. Fogaça enterrou-se em seus cachos macios a fim de puxá-la mais para si e a Chef gemeu com manha ao sentir a brutalidade daquele homem, sentia sua intimidade umedecer só com o seu toque e com voracidade ele lhe tomava, saciando-se da insaciável vontade que tinha dela. Com pressa a empurrou até a mesa do escritório e se encaixou entre suas pernas, enquanto suas mãos alternavam desde a panturrilha até os seios de Paola Carosella, acariciando-os por cima do fino tecido que a cozinheira escolheu com segundas intenções, e ele sabia. Desceu com os lábios para o seu pescoço e se perdia no perfume floral da mulher... como sentira saudades daquela pele... daquele cheiro...

–– Cariño... ahhh... eu sou sua –– Sussurrou manhosamente enquanto ele lhe chupava –– Eu te amo

Aquilo parecia estar acontecendo de novo... e palavras doces, declarações de amor... eram como entorpecentes perigosos e deixava cego, mas Henrique era pessoa experiente naquele universo e tal como tantas vezes, se obrigou a voltar à sobriedade.

Separou seus lábios dos dela e seu olhar era frio, enigmático, ela não se importava, sentia em seu corpo que o sentimento era correspondido.

–– Eu... eu não posso fazer isso. –– Comunicou, se afastando.

–– Por quê?

–– Porque as coisas mudam Paola! –– Manifestou irritado. –– Desculpa mas você não tem o direito de brincar comigo dessa maneira, dizer que ama agora? Porra! Você quer foder com a minha vida!

–– Com a sua vida não, eu quero foder com você, é bem diferente.

–– Não me provoque argentina! –– Repreendeu-a seriamente. –– Nós dois não podemos ficar juntos! Agora é tarde caramba!

–– Tarde por quê? Henrique isso não faz o men...

–– Me apaixonei por outra pessoa! –– Revelou com certa rispidez.

–– O quê?

–– Isso que você ouviu –– Afirmou. –– Eu não te amo mais Paola.

 

***

 

–– Não pode ser verdade, é aquela Carine? A que vi no seu celular?

Pensou a respeito e se sentiu um perfeito idiota por lhe dizer aquela mentira deslavada. Porque amava e queria demais aquela mulher, mas lembrar do seu sofrimento de dias atrás, do seu olhar o deixando ir embora da sua casa e da sua vida, e pensar nela com Jason era mais do que poderia suportar. Sequer pensar em suportar. O orgulho ferido o consumia, e sua descrença em relação àquele suposto sentimento nunca esteve tão forte.

Balançou a cabeça para confirmar.

–– Canalha!

Ouviu o xingamento e ficou em silêncio. Sabia que mil coisas deviam estar se passando naquela cabecinha linda enquanto seu corpo se movia de um lado para o outro no seu escritório.

–– Está fazendo isso para me ferir Henrique? É essa sua intenção?

Ele fechou a cara para sua pergunta egoísta. E lhe irritava demais, lhe tirava do sério pensar que ela tinha tanto controle sobre ele. Tentava se convencer para lhe dizer que não, não Paola Carosella, tudo que lhe disse era verdade e não a amava mais, mas quem ele queria enganar?

–– Você acha o quê Paola? Que eu vivo em função de você é? –– Atacou, sua melhor defesa.

–– Não seria a primeira vez que tenta me provocar ciúmes com outras mulheres!

–– Esse tempo já passou! Eu e a Carine é coisa séria, estamos namorando e tudo.

Ela mordia o lábio e ele não sabia se era de mágoa, tristeza ou raiva, talvez as três coisas juntos. Batia na mesa com força e Henrique sentia vontade de rir em vê-la daquele jeito, tão brava (e sexy), como ela poderia acreditar numa bobagem daquela? Depois de tudo que viveram...

–– Duas semanas separados e você vem me dizer que ama outra? –– Perguntou com ironia, parecendo ter ouvido seus pensamentos. –– Acha que eu sou alguma idiota Henrique? Não desafia minha inteligência!

–– Em duas semanas pode acontecer muita coisa Paola Carosella –– Insinuou, irritando-a ainda mais.

–– Não... –– Balançou a cabeça enquanto repetia, duvidando completamente de suas palavras patéticas e sem fundamento algum. A razão de tudo aquilo, já imaginava. –– Não acredita que eu te amo... é disso que isso se trata não é? Por que não fala de uma vez canalha?!

–– Ah claro –– Pronunciou irritadíssimo com suas acusações e caindo em armadilhas sem sequer perceber. –– Devo acreditar em você nessa porra e por que mesmo? Ah sim, pela grande confiança que depositou em nós, tanto que bastou seu noivo mercenário retornar para que me enxotasse da sua vida!

–– Eu nunca fiz isso! Nunca! Caralho Fogaça para de me acusar do que eu não fiz! 

–– É claro que não –– Henrique sorriu perversamente, sem se importar em proferir palavras tão duras, ou era isso ou era se render a ela, e não permitiria que acontecesse. –– Você fez EU te deixar Paola e tudo para quê? Para vir até aqui duas semanas depois e dizer que me ama, nem coragem para bancar tua decisão você teve, o que acha que eu sou? Vivi o verdadeiro inferno quando nos separamos, você era minha salvadora lembra? –– Atirou e não conseguia mais parar. –– Me apresentou o céu, me fez acreditar em nós e no primeiro impedimento me deixou ir embora da sua vida e agora, depois de tudo –– Segurou o seu braço com firmeza. –– Quer mesmo que eu acredite em você?

Olhavam-se profundamente e logo aquela eletricidade quando estavam perto demais.

–– Eu te amo –– Fora tudo que ela conseguiu dizer para aquele homem descrente e ferido de amor.

E, apesar de sua fama, Fogaça não era tão forte quanto parecia, pois logo a envolvia com os braços e colava o seu rosto ao dela, deixando que suas respirações conversassem em sintonia.

–– Não faz isso comigo porra –– Pediu (em vão) e a beijou vorazmente, contradizendo suas palavras amargas e se deliciando com o doce lábio de Paola Carosella que lhe correspondia sem dó, deixando claro quem é que mandava naquelas quatro paredes... e entre beijos molhados e ferozes de paixão, uma das pernas da Chef já estava sob a mão do Cozinheiro tatuado que desfrutava sem piedade daquele corpo que amava e sentira tantas saudades.

Entre tantos momentos sem ar clamaram por oxigênio e o beijo intenso se transformou em repetidos selinhos e Paola sorria como quem sonha.

–– Me ama... –– Sussurrou com olhos brilhantes acariciando sua barba por fazer e encantada de amores por Henrique Fogaça. –– Nem mesmo engana...

–– Paola... não...

–– Você está me beijando por quê? –– O questionou sorrindo enquanto o Chef ora beijava o seu pescoço ora lhe tomava a boca sem aviso prévio, calando-a de modo intenso.

–– Isso é uma coisa carnal, não vai mais acontecer... eu tenho namorada porra –– Justificou andando a contragosto para o outro lado do escritório, indignado consigo mesmo e sedento para foder aquela mulher.

Foder muito.

E ela que via sua reação, o conhecia demais para acreditar em mentiras tão falsas como aquelas e não o culpava – como poderia – por usar de tamanho artifício para afastá-la. Depois de tantos nãos era natural que Fogaça duvidasse do seu sim.

Sim para aquele amor tatuado, para as aventuras e promessas que ele lhe fazia ao pé do ouvido depois de tórridas noites e para o futuro, que sua mente sonhadora demais projetava para os dois.

–– O que eu preciso fazer para provar que eu te amo?

–– Não começa Paola –– Implorou. –– Caralho é melhor você ir embora

–– Eu vou –– Disse pegando a sua bolsa. –– Mas se pensa que irei abrir mão de você, está muito enganado. Sabe que abomino qualquer tipo de traição mas é você quem está brincando com essa moça e tudo isso para que cariño? Eu estou bem aqui

–– Não fode Carosella! Eu vou te provar que amo a Carine!

–– E eu vou provar que eu te amo, seu idiota –– Assegurou, eliminando a distância entre eles e apertando seu queixo másculo, que moveu-se para frente. –– Você quer me beijar Henrique? –– Perguntou sedutora e Fogaça estava a um fio para fazê-la – ali mesmo – e acabar de vez com aquela vontade (e saudade).

E ia, se alguém (in)felizmente não tivesse batido à porta naquele exato momento.   

–– Chef! Chef! Desculpa te incomodar mas o pessoal do Oitão está aí.

–– Fala que eu já vou Nogueira.

–– Ok.

Henrique voltou sua atenção à Paola e não queria deixá-la ir embora, ainda que seu orgulho fosse grande demais para admitir. Segurava sua mão com força e pedia em segredo que ela ficasse.

–– São lindas juntas –– Carosella murmurou referindo-se a elas entrelaçadas. –– Assim como eu e você –– Sorriu lindamente. –– Eu vou mas eu volto –– Avisou lhe dando um beijo demorado no rosto. –– Eu te amo... muito. Não esquece disso.

Saiu porta a fora e não olhou para trás, sentia-se mal pela inocente que Henrique chamava de namorada, desde sempre abominara traição e não era sua intenção fazer isso com a pobre moça. Sonhava, tinha fé, que o homem másculo e sensual que acabara de beijar logo acreditaria no seu sentimento e todos aqueles erros seriam por fim corrigidos.

Seguiu pelo corredor, sorrindo, ao pensar no amor inconfessável de Henrique mas tão visível e certo para ela.

–– Paola espera –– Aquela voz lhe chamando de novo, será que algum dia se cansaria daquilo?

Virou-se de frente para ele que a encarava com certa nudez de sentimentos, desejo ardente que fez sua virilha esquentar.

E como tantas outras vezes se conectaram da melhor forma que sabiam e se beijaram desesperadamente, com urgência, sem se importar que o lugar tinha câmeras e poderiam ser facilmente flagrados.

E foram.

–– Fogaça...

Um murmúrio ao longe fez o casal se separar. Paola em grande constrangimento por ter sido pega naquela situação, não era mais uma menina para ser flagrada aos beijos em corredores, ainda que o homem tatuado a fizesse se sentir como tal. Ele, em grande mar de culpa no qual se afogava, aquilo merecia um brinde: “À desgraça de Henrique Fogaça, o homem mais azarado do mundo”, pensava de si mesmo.

–– Carine eu posso explicar!!!

 


Notas Finais


É treeetaaa 😅🙈

Até loguinho! 💙💙💙


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