História Linha Tênue - Capítulo 10


Escrita por:

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Emma Swan, Monique Tayah, Once Upon A Time, Regina Mills, Swan Queen, Swanqueen, Swen
Visualizações 217
Palavras 4.576
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu sei que estão ansiosos pelo beijo, mas não é só de beijo que se faz uma história de amor verdadeiro. Eu imagino que em quase todas, se não todas as fics elas logo se beijam... mas aqui eu tentei fazer diferente... tentei ser leal a série... para mim é como seria exatamente na série... se Regina e Emma fossem ficar juntas em OUAT, para mim seria desse jeitinho aqui... por isso ainda não tivemos um beijo.
Espero que tenham paciência, as coisas vão acontecer no momento certo, e espero que gostem.

Boa leitura!

Capítulo 10 - Estava com saudades - Emma


Tirando o fato de Peter Pan ter tentado mais uma vez pegar Henry - mas acabou indo direto para a caixa de Pandora - a viagem de volta para Storybrooke foi tranquila.

Ao chegarmos à cidade fomos recebidos por todos... todos aqueles que nos esperavam ansiosos.

Mesmo eu já me sentindo parte de tudo aquilo, era um pouco estranho ter tantas pessoas me abraçando e me desejando boas vindas. Não que aquela fosse a primeira vez que eu estivesse voltando de uma grande aventura. Mas confesso que era muito bom me sentir amada por tanta gente, mas nem mesmo todo aquele amor era suficiente para preencher aquele vazio estranho que estava dentro de mim. Aquele vazio que apenas uma pessoa poderia preencher.

Como que as coisas seriam dali para frente? Regina não estaria mais por perto vinte a quatro horas por dia, ela não precisaria mais da minha ajuda. Todos nós voltaríamos as nossas realidades, eu como xerife e ela como prefeita. Nos veríamos pouco, ou quase nunca, talvez apenas nas vezes em que eu fosse levar ou buscar Henry em sua casa. Talvez nos esbarraríamos pelas ruas, ou até mesmo no Granny’s. Mas nunca mais seria como os dias naquela ilha. Eu nunca mais a teria tão perto de mim, nunca mais acordaria com ela dormindo a poucos metros, nunca mais teríamos aquelas conversas, nunca mais ela viria atrás de mim para me oferecer um chocolate, nunca mais ela tentaria me colocar para dormir...

Todos aqueles nunca mais eram de fazer meu coração se desmanchar. Eu não queria ficar longe dela, não queria vê-la quase nunca, a queria todos os dias... Mas talvez fosse melhor assim, talvez fosse o que eu precisava para tentar esquecer toda aquela bobeira de querê-la só para mim. Talvez fosse tudo loucura ou efeito colateral daquela ilha maldita. Porque bem ou mal, fazendo parte ou não daquele conto de fadas, era realmente algo bem surreal eu ter sentimentos pela Rainha má... ou não...

– E devemos muito disso a ela. – Mary Margaret falou em tom alto para que todos ouvissem, ela estava falando de Regina. Meus olhos procuraram os dela de imediato. – Regina ajudou a salvar todos nós. – Mary completou. Já Regina ficou nitidamente confusa ao ouvir aquilo, eu vi em seus olhos que ela não esperava por aquela aceitação. E mesmo com mil coisas se passando em sua cabeça, eu podia ver o alivio e até a felicidade dentro dela. Finalmente ela estava sendo aceita, como sempre quis. Aquilo me deixou feliz.

Antes de irmos ao Granny’s passamos na loja de Gold para guardar a caixa de Pandora. Não podíamos deixar aquilo em qualquer lugar. Pan estava lá dentro, e não podia de jeito nenhum sair de lá. Era a vida de Henry que estaria em risco.

Finalmente um pouco de festa, aquilo sim que estávamos precisando. Beber um pouco sem nenhuma preocupação... nenhuma que envolvesse a vida do meu filho é claro. Porque agora que ele estava bem e a salvo, outros problemas tomavam ainda mais a minha cabeça.

Eu tinha tudo, meus pais, amigos, meu filho, e até dois caras atrás de mim... Mas ainda sim faltava alguma coisa... uma coisa não... uma pessoa. Mas eu ia dar um jeito de esquecer aquilo, eu tinha apenas que pensar... Talvez até mesmo ficar com Hook, ou Neal... Quem sabe eles pudessem fazer com que eu esquecesse Regina um pouco?

Estava tudo indo muito bem, até eu devolver o livro para o Henry, que o olhou como se nunca o tivesse visto na vida, aquilo me deixou bem curiosa, será que aconteceu alguma coisa com ele enquanto esteve nos domínios de Pan? Eu apenas tentei pensar que ele estava cansado, mas que logo voltaria a ser o mesmo de antes.

Em seguida para as coisas ficarem ainda melhores, Neal veio me chamar todo sem jeito para sair, foi até engraçado... engraçado porque mesmo eu lembrado do passado, mesmo todas aquelas memórias do meu primeiro amor vindo na minha cabeça, eu não senti a mínima vontade de querer estar com ele. Sem duvidas ele não ia me ajudar em nada com esquecer aquela mulher.

– Porque em vez de você rir, você não me diz logo se aceita sair comigo? – Neal disse um pouco nervoso assim que Regina passou por nós esbarrando nele. Meus olhos a seguiram, enquanto Neal não parada de falar. – Melhor... vamos fazer assim, amanhã na hora do almoço eu vou estar sentado aqui, se você aparecer eu vou ser o cara mais feliz do mundo, então espero que você apareça... – Enquanto ele não calava a boca Regina se sentou no balcão ao lado de Tinker, que brindaram alegremente. A fada cruzou seus olhos rapidamente com os meus, era como se sentisse que eu estava as olhando, mas eu desviei voltando para Neal – Está tudo bem, Emma? – Ele disse olhando para trás procurando para onde eu estava olhando.

– Está... – Eu disse dando mais uma leve olhada para elas no balcão, mas voltei a olhar para Neal. – Olha... Desculpa, mas não sei se é uma boa ideia.

– Não precisa dizer agora, você tem até amanha para pensar, eu vou vir aqui de qualquer jeito. – Ele disse tentando me motivar.

– É sério, Neal, eu não estou interessada. – Falei mais grosseira do que deveria. – É melhor deixar as coisas como estão. – Tentei ser mais legal.

– Ta... De qualquer jeito eu vou estar aqui amanhã na hora do almoço, se mudar de ideia. – Cheio de esperanças, será que eu havia falado grego?

Eu ri daquela situação e sai de perto dele. Não estava a fim de ficar dizendo não e não repetidas vezes, se ele queria levar um bolo era problema dele.

Sem nem pensar muito o que eu iria fazer ou dizer, fui em direção a Regina e Tinker, que conversavam e riam ao bebiam. Elas pareciam tão amigas, tão intimas... Que tipo de história complicada elas tiveram no passado? Para falar a verdade eu nem queria mais saber, porque aquilo estava começando a me deixar com... com... não... isso não.

– Precisamos conversar. – Falei meio grosseira, como se Regina estivesse fazendo algo errado. Ela me olhou meio assustada como se eu tivesse a ofendido, já Tinker estava com um sorriso de canto como quem está preste a contar uma besteira.

– O que? Vai me pedir para ficar com Henry enquanto você tem um encontro amoroso com o seu passado? – Se eu não a conhecesse bem, eu diria que tinha algo como ciúmes em sua voz. Na verdade era só o meu coração idiota querendo ver evidências em tudo. Mas foi inevitável não sorri por achar que ela estava com ciúmes. – Qual é a graça, Emma? 

– Nenhuma. – Eu ainda sorria. Se eu falasse o que estava pensando, era bem provável que ai sim ela ficaria com raiva, talvez ela até se sentisse ofendida por eu pensar tal coisa. Mas que era engraçado achar que ela estava com ciúmes era.

– Bem... é tudo muito... Interessante. – Tinker frisou a palavra “interessante” com um sorriso de uma criança levada. – Mas eu tenho que ir ali rapidinho. – Ela lançou um olhar bem estranho para Regina, junto com um sorriso mais estranho ainda. Aquilo não era muito legal, fazia meu coração doer, e querer Tinkerbell bem longe de Regina.

– Não... – Regina tentou impedi-la de ir, que a olhou pela ultima vez do mesmo jeito que antes. Era como se ela soubesse de alguma coisa... E como uma bomba, as imagens daquele dia na caverna... do coração de Regina na mão da outra, vieram em minha mente. Alguma coisa tinha acontecido ali. Ela não frisou “interessante” atoa. Tinker estava querendo dizer alguma coisa, só não sei se era para mim ou para Regina. – Fala, o que você quer? 

– O que aconteceu de tão interessante aquele dia com o seu coração? – Eu perguntei a analisando. Seu olhar mudou completamente, o medo a invadiu repentinamente.

– O que? – Seus olhos confusos. - Eu já disse que não sei, Emma! – Regina agora parecia estar com raiva, mas eu ainda via o medo em seus olhos. Ela estava mentindo e eu tinha que descobrir o que havia acontecido. – Você veio mesmo até aqui para me perguntar sobre meu coração, Swan? – Alerta vermelho, ela não queria mesmo falar sobre aquilo.

– Não... – Eu respirei fundo e me senti meio mal. Olhei ao redor e vi todos tão felizes, como eu queria me sentir como eles. E ter lembrado daquele dia, foi como se por alguns segundos eu tivesse tido a esperança de que aquele coração havia feito alguma coisa por causa de mim, mas deveria ser apenas coisa da minha cabeça. – Só quero saber como a gente vai ficar.

– A gente? – Ela perguntou ainda mais confusa, arregalando aqueles olhos que sempre me diziam tudo.

– É... – Eu disse descontraída, mas logo em seguida me dei conta do quanto aquela pergunta tinha sido estranha. – Não... quero dizer... Henry. Como vamos fazer agora? Com o Henry... – Eu tentei me explicar ficando nitidamente nervosa. Será que ela havia reparado alguma coisa?

– Eu não sei, Emma... – Ela disse mais calma, mas seus olhos pareciam querer me entender. – Vamos revezar...

– Não queria ter que ficar longe dele... – Eu disse meio tristonha, na verdade eu não queria ficar longe de nenhum dos dois.

– Nem eu, Emma. – Ela disse séria. – Mas é algo que vamos ter que aprender a conviver não é? E agora com o doador... – Ela disse com desdém se referindo a Neal. – Quero dizer... – Ela tentou se concertar, era como se ela achasse que havia me ofendido. – Agora que seu segundo namorado está aqui, vamos ter que dividir esse tempo ainda mais.

– Ele não é meu namorado. Nem ele e nem Hook. – Eu sorri mais uma vez achando mais graça de mim do que dela. Incrível como quando a gente gosta de alguém fica vendo coisa em tudo.

– Qual o seu problema, Emma? – Ela me perguntou confusa, mas fiquei feliz por perceber que não estava mais de fato com raiva. – Porque está sorrindo tanto? Ansiedade para seu lindo encontro? – Eu sorri ainda mais, balançando a cabeça negativamente. Eu tinha que parar de achar que ela estava com ciúmes de mim.

– Se eu não te conhecesse, Regina... – Eu me segurei para não falar. – Bem, eu vou ver se Henry quer alguma coisa. – Eu disse ao me levantar. – Depois a gente resolve isso.

– Se você não me conhecesse o que? – Ela perguntou curiosa também se levantando.

– É melhor eu não dizer, acredita em mim. – Eu disse ainda sorrindo de canto.

– Hey... – Henry se aproximou – Estou cansado. – Ele disse olhando para Regina. – Posso ir para casa com você, mãe? – Como assim ir para casa dela? Ele estava realmente diferente, alguma coisa nele estava muito estranha.

– É-é... claro! – Regina sorriu tão lindo, não só nos lábios como nos olhos também. Ela me olhou meio confusa em seguida, como se perguntasse se estava tudo bem.

– Amanhã você me liga na hora de ir buscá-lo. – Eu tentei não demostrar toda a tristeza que eu senti com aquilo.

E lá se foram meus dois amores... Não, calma... pensar que sentia amor pela Regina ainda era muito para minha cabeça. Eu já estava muito ferrada em saber meus loucos sentimentos por ela, agora dizer que era amor...

Mas que doía vê-los indo embora como se não precisassem de mim, doía... e muito.

– Talvez ele só queira passar sua primeira noite em seu antigo quarto. – Mary Margaret disse ao se aproximar de mim, como se soubesse que eu havia ficado chateada.

– É, tenho certeza que sim... – Eu disse ao me virar para ela. – Eu vou para casa está bem?

– Pensei que fosse ficar mais, Neal parece querer companhia para beber. – Ela disse sorrindo ao apontar com a cabeça para o balcão.

– Por favor... – Eu disse um pouco impaciente. – Eu só quero tomar um banho quente e deitar em uma cama de verdade.

– Tudo bem, amanhã será um novo dia. – Ela disse feliz. Como minha mãe conseguia ser daquele jeito o tempo todo? – E eu sei que ele te convidou para sair. – Falou empolgada, mas em tom baixo como se fosse um segredo. – É bom mesmo você está descansada para o seu encontro.

– Mary Margaret... – Eu respirei fundo, não queria ser grosseira com ela. – Eu realmente não estou com cabeça para essas coisas, acabamos de voltar, Henry acabou de passar por coisas terríveis... Eu só quero um pouco de paz ok? – Eu disse firme o que a fez desmanchar um pouco seu sorriso, mas não totalmente.

– É talvez você só precise de uma boa noite de sono. – Ainda otimista.

Eu apenas tentei sorrir para ela, me virei saindo pela mesma porta que Henry e Regina haviam saído há menos de dois minutos.

Dormi mal durante toda aquela noite, tive pesadelos estranhos que misturavam Henry e Pan. Era como se Peter ainda estivesse solto por ai e meu filho perdido em algum lugar. Acordei varias e varias vezes assustada, só consegui dormir melhor quando já estava claro, tendo um sono pesado e sem sonhos

Acordei cansada pela noite mal dormida, todo meu corpo doía como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Desci as escadas procurando por meus pais, mas eles não estavam, havia um bilhetinho de David dizendo que haviam ido almoçar no Granny’s, sem duvidas aquilo era para me fazer ir para lá e me encontrar com Neal. Olhei no relógio e levei um susto ao ver que era meio dia.

Tomei um banho, coloquei uma roupa quente e minha jaqueta vermelha, estava com saudades dela. Desci tomei um copo de suco e sai para caminhar. Eu só queria esfriar a cabeça, pensar em como minha vida seria dali para frente, em qual seria a minha próxima aventura, em quem eu teria que salvar...

Andei até próximo ao cais e me sentei esperando as respostas caírem do céu.

Henry estava diferente e aqueles sonhos me deixaram ainda mais preocupada, será que mesmo dentro daquela caixa, Pan ainda poderia fazer alguma coisa? Tentei não pensar naquilo, meu filho estava bem e tudo não se passava de uma pequena preocupação após um trauma tão grande.

Meus olhos fixos no visor do celular, eu só queria que Regina me ligasse logo, confesso que estava ansiosa para ouvir sua voz e vê-la outra vez, mesmo que fosse apenas o tempo de Henry descer as escadas e partir comigo.

Aquele sentimento não era justo comigo, não era justo com a minha vida. Porque tinha que ser daquele jeito. Já não era complicado o bastante da maneira que era. Tinha mesmo que surgir coisas tão intensas dentro de mim...

Fechei os olhos e respirei fundo voltando a fixar os olhos no visor apagado do celular, que refletia minha própria imagem sozinha e até um pouco triste.

Ali, sentada, olhando para o horizonte cinza e frio... Lembrei-me de todas as vezes em que estive junto de Regina, desde o primeiro encontro até o dia anterior. Nossa relação havia mudado bruscamente, passamos de inimigas a mães companheiras. Lembrei-me de todas as vezes em que falamos meu filho! não, ele é meu!... e agora soava até estranho se não falássemos que era nosso. Lembrei-me de todas as vezes em que gritamos uma com a outra, meu coração sempre ficava triste quando isso acontecia. Lembrei-me de todas as nossas conversas por olhares, em como sempre foi uma coisa unicamente nossa. Lembrei-me de como pouco a pouco fui derrubando os muros de Regina, de como ela foi se abrindo cada vez mais comigo. Lembrei-me de como sempre acreditei nela, mesmo quanto mais ninguém acreditava. Lembrei-me de como fiquei decepcionada quando achei que ela estivesse mentido. Lembrei-me de como ela nunca saiu da minha cabeça, depois que meus olhos cruzaram os dela pela primeira vez...

Lembrando-me de tantas coisas ao mesmo tempo, me dei conta que de fato esses sentimentos sempre existiram dentro de mim, que eles surgiram no mesmo instante em que nos conhecemos, mas que só naquele momento eu tinha me dado conta do que eles significavam.

Nunca acreditei em destino, mas olhando para toda a minha vida, vendo como tudo se encaixava perfeitamente, não tinha como não dizer que ele não existe. O destino, realmente havia preparado tudo aquilo para mim e de algum jeito louco ele tinha me guardado Regina também. Certo ou errado, eu gostava dela e aquilo não era um mero acaso. Era o destino querendo me mostrar algo ainda maior por trás daquela loucura de sentimento.

Eu havia voltado a caminhar e quando me dei conta, lá estava eu, em frente a mansão de Regina. Fui até a porta e toquei a campainha, eu não tinha ideia do que ia dizer ou fazer, se é que eu faria alguma coisa. De qualquer jeito, caso as coisas saíssem do meu controle eu colocaria a culpa em Henry, como sempre fiz, conscientemente ou inconscientemente.

– Emma? – Regina disse espantada ao abrir a porta da frente. Meu coração acelerou ao vê-la, não era como antes... era como se agora que eu havia descoberto o que sentia, todos pudessem ver, e aquilo me deixava ainda mais nervosa. – Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou preocupada ao ver meus olhos assustados.

– Não. – Respondi meio aérea tentando pensar em algo a dizer. – Só estava com saudades... – Não era bem o que eu tinha em mente.

– O que? – Seus olhos se estreitaram e sua cabeça virou levemente, como se não entendesse o que eu havia dito. Já seus olhos se encheram de um medo indecifrável.

– Do Henry, Regina. – Eu disse como se fosse obvio. – O recuperamos ontem, não fiquei com ele direito... E eu o achei meio estranho ontem à noite.

– Ele está ótimo, Emma... – Ela disse calma, mas com aquele leve ar de impaciência. – Não tem que se preocupar com isso. E não precisava ter vindo aqui agora, eu já ia leva-lo para ficar com você.

– Eu realmente estava preocupada... – Eu disse com as mãos no bolço da calça jeans, tentando não parecer uma idiota por ter ido até lá. Mas eu precisava vê-la. Não só ela, como nosso filho também.

– Entra Emma... – Ela disse dando passagem. – Henry subiu para escovar os dentes e pegar algumas coisas, já vai descer. – Ela parecia um pouco incomodada talvez até um pouco nervosa.

– Você está bem? – Eu perguntei curiosa, querendo entender o que a incomodava.

– Estou. – Ela me olhou desconfiada. – Você que não me parece muito bem. – Me analisando.

– Dormi mal essa noite... – Me lembrei dos pesadelos.

– Você precisa dar um jeito nesse seu sono Emma, isso não é normal... – Por segundos ela pareceu realmente preocupada comigo, mas logo me olhou com um sorriso debochado. - Se quiser posso preparar uma maldição do sono para você. – Sua voz era irônica, mas ela tinha um leve sorriso nos lábios.

– Não tem nada mais forte? – No mesmo tom que ela, também com um leve sorriso debochado.

– Talvez... – Ela parou de falar quando ouvimos gritos vindo ao longe.

– Que diabos foi isso? – Eu perguntei olhando para a saída.

– Alguma coisa está acontecendo, vou chamar o Henry. – Já subindo as escadas.

Algo realmente havia acontecido, ao chegarmos próximo ao Granny’s lá estava a Fada Azul caída ao chão. Tinker, Neal, Hook, Mary e David já estavam lá. Tinkerbell nos disse que foi a sombra de Pan que a matou, arrancado a sombra dela. Hook em seguida falou que apenas Peter Pan controlava a sombra e se ele estava a controlando, aquela porcaria de caixa de Pandora não estava servindo de nada. Tínhamos que tira-lo de lá e o matar, não dava mais para meu filho ficar correndo perigo por causa de um garoto maluco.

Tinker, Neal e Hook logo foram atrás da sombra. Deixando apenas nós cinco ali, com a Fada Azul coberta ao chão.

– Então Pan ainda pode me machucar? – Henry disse de maneira estranha, eu apenas fiquei o observando, ele simplesmente era ele, mas não se parecia com ele.

– Não sabemos... – Regina estava preocupada.

– Temos que admitir que ele ainda é uma ameaça. – Mary Margaret também preocupada. - E que ele quer o Henry 

– Então o que eu faço aqui? – Henry disse completamente diferente, até seu tom de voz era irreconhecível.

– Ele está certo, Henry não está seguro ao ar livre. – Charming disse olhando para mim e para Regina.

– Vai me proteger, não vai mãe? – Henry disse diretamente a Regina, como se só ela fosse mãe dele. Definitivamente alguma coisa estava muito errada ali.

– É claro que sim meu filho. – Ela o abraçou como se pudesse o proteger de tudo no mundo. Como ela não conseguia ver que ele estava diferente?

– Vão... – Eu disse para eles dois. - Eu vou cuidar da sombra. – Diferente ou não, Henry realmente tinha que ser protegido, mas mesmo assim eu senti que tinha que avisa-la e dizer a Regina que ele não se parecia com ele. - Regina espera. – Eu disse assim que eles se viraram para partir.

– O que? - Apenas Regina voltou para falar comigo. Eu realmente estava com um pressentimento ruim, como se algo ruim pudesse acontecer a Regina e a Henry.

– Por favor... Fique de olho nele. – Eu disse em tom baixo, para ninguém ouvir.

– Eu já disse que vou ficar. – Seus olhos me analisando, querendo entender o motivo da minha preocupação.

– Eu sei... – Eu não sabia como dizer para ela, que Henry não parecia ele. - É que ele não me parece o mesmo de sempre, está estranho. – Eu tentei não parecer uma maluca ao dizer aquilo.

– Sério? Só porque ele pediu para eu protege-lo? – Regina disse como se não acreditasse naquilo, como se eu tivesse com ciúmes, mas não era de ciúmes que se tratava, era do meu pressentimento, aquele que sempre está certo.

– Não quis dizer isso... – Eu neguei com a cabeça.

– Não, foi exatamente isso que quis dizer! – Ela disse com convicção. Como se realmente soubesse os meus motivos. - Não aguenta o fato de que sou mãe dele também. – Não tinha mesmo nada a ver com aquilo, eu só queria que eles ficassem bem - E que talvez ele me queria quando está com medo... – Ela estava cega com todo aquele amor que Henry estava dedicando a ela. Regina não estava conseguindo ver que ele não parecia o mesmo. - Parece que você esquece que eu cuidei dele sozinha por 10 anos. – Eu não disse nada, não ia adiantar mesmo. - Ele está bem! – Ela concluiu, como se tudo que eu disse não havia servido de nada.

– Não é sobre você... – Eu tentei convence-la com os olhos. - Só que eu tenho um mau pressentimento Regina... Estou preocupada com ele, e com você também. – Não consegui não dizer que era por ela também. Com seu cenho franzido seus olhos me perguntaram porque, mas ela logo voltou a seu eu normal.

– Talvez deva usar isso para achar a sombra. – Um pouco fria. - Ao invés de querer ver que vai confortar nosso filho... – E me deu as costas indo na direção que Henry estava a esperando. Ele realmente não me parecia ele.

Estávamos eu, Mary, David, Bela e Rumple na linha de saída da cidade. Íamos libertar Pan da caixa, mas apenas do outro lado da linha, para que não tivesse seus poderes e eu pudesse atirar nele para acabar logo com aquilo.

Mas as coisas mudaram bruscamente... O corpo de Peter de fato estava na caixa de Pandora, mas era meu filho que estava dentro daquele corpo. Eu nem sabia que era possível, mas depois daquilo, tudo fazia sentido, Henry de fato, não era Henry, era apenas seu corpo com a alma de Pan.

Tínhamos que dar um jeito de fazer a troca, mas a única coisa que eu conseguia pensar naquele momento era... Regina estava sozinha com Peter Pan em seu cofre, sozinha, em perigo... Tínhamos que tira-la de lá, antes que algo pior acontecesse, eu nunca me perdoaria, se Pan fizesse algo contra ela.

Eu estava realmente em desespero por dentro. Se Peter ainda tivesse com ela, eu não poderia simplesmente atirar nele, aquele ainda era o corpo do meu filho. E tinha a Regina também, o que será que ele estava fazendo com ela, eu não queria nem imaginar do que eu seria capaz de fazer se ele a machucasse.

E lá estava eu, sendo a salvadora mais uma vez. Aquilo realmente nunca iria parar...

Foi difícil entrar naquele lugar, Regina havia colocado um feitiço forte de proteção, levou algum tempo até Rumple conseguir desfaze-lo para entrarmos.

A primeira coisa que avistei ao descermos foi Regina caída ao chão, Mary Margaret quem correu até ela. Eu não consegui me mover, fiquei em choque a olhando de onde estava. E se ela já estivesse morta e se chegamos tarde demais? Só de pensar aquelas coisas eu senti parte de mim morrer por dentro, uma dor tão grande e diferente, que eu nem sabia mais como respirar.

Rumple se aproximou dela e passou sua mão sobre seu corpo, mas sem encostar de fato nele. Usou magia para acorda-la, fazendo-me voltar a respirar aliviada. Ela não estava morta, apenas desmaiada.

– O que aconteceu? – Regina disse ao se levantar, meio desnorteada, com a mão na cabeça, será que ela estava com dor?

– Pan e Henry... – Eu estava preocupada com ela. – De alguma forma Pan trocou de corpo com nosso filho. – Eu só queria perguntar se ela estava bem, mas não perguntei.

– E eu cai nessa. – Regina ficou decepcionada com ela mesma se encostando a alguma coisa, ela parecia tonta.

– Todos nós. – Mary disse como se quisesse mostrar a ela, que não estava sozinha naquela situação.

– Queria tanto acreditar no que ele dizia que não vi os sinais. Que não ouvi você... - Regina tinha a voz triste, seus olhos me pediam desculpas. – Queria tanto acreditar que ele ainda precisava de mim como mãe... – Seus olhos começando a lagrimejar, era golpe baixo ela fazer aquilo, porque sempre me dava vontade de abraça-la e dizer que tudo ficara bem.

– Ainda preciso. – O corpo de Peter Pan com nosso filho preso lá dentro, que disse ao surgir onde estávamos. Era estranho ter Henry no copo de um inimigo.

– Henry? – Regina disse espantada, mas aliviada ao mesmo tempo. Eles se abraçaram e eu achei aquilo lindo.

– O que exatamente Pan veio buscar aqui? – David perguntou assim que eles soltaram do abraço. Rumple por sua vez olhava diretamente para uma caixa, ele estava com a mão sobre ela, sua expressão não era boa, eu podia sentir que algo de errado havia ali. – O que? – David perguntou para ele curioso.

– Por favor, diga que não a guardava aqui. – Rumple perguntou diretamente para Regina.

– Onde mais eu guardaria? – Regina respondeu assustada. Algo realmente estava muito errado.

– O que é? O que Pan pegou de tão importante? – Eu perguntei sentindo um enorme aperto no coração.

– A maldição... – Regina falou olhando para mim, mas logo voltou a olhar para Rumple, seus olhos estavam confusos. – Mas porque Pan iria querer a maldição. Eu já a lancei...

– E eu a quebrei... – Eu também queria entender tudo aquilo.

– Não significa que Pan não possa lança-la outra vez... – Rumple disse com a voz preocupada, aquilo era realmente muito ruim. – Mas dessa vez, não vai ter o entrelaçar do amor verdadeiro dos seus pais. – Ele disse para mim - Isso quer dizer, que nem mesmo você poderá quebrar a maldição de Pan...

– Não entendo... – David disse, todos estavam muito confusos. – Já estamos nesse Reino...

– O que aconteceria agora, em Storybooke? – Mary perguntou também confusa - Qual seria o efeito dessa maldição? – O silêncio se formou no lugar, todos, incluindo Rumple e Regina... todos estávamos muito assustados com aquilo.


Notas Finais


E ai, mesmo sem beijo ainda estão curtindo?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...