História Linha Tênue - Capítulo 3


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Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Oh Se-hun (Sehun)
Tags Baekhun, Baekhyun, Exo, Hunbaek, Sebaek, Sehun
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Palavras 5.157
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olá, vim com o último capítulo! boa noite e boa leitura~

Capítulo 3 - Quebrada.


Minha semana estava sendo uma bosta total. 

Além de estar em época de testes, provas e trabalhos, eu tinha gastado muito dinheiro em menos de três dias desde sábado. A senhora Byun até veio tirar satisfação comigo para saber com o que eu andava gastando tanto. Claro que eu disse que foi com coisas importantes como folhas sulfites, pastas de trabalhos escolares e remédios – porque já não bastava estar num tempo frio, eu ainda tinha que ter uma saúde toda fodida. Mas com certeza isso não foi o suficiente para fazer minha mãe acreditar, até porque não havia nenhum pingo de verdade nessas desculpas. É, sou descarado, e daí? 

Lembrar e admitir que sou descarado apenas me deu mais vontade de chorar. 

Chorando copiosamente peguei mais um lencinho da caixinha para limpar minhas lágrimas e assoar o nariz. Chanyeol ao meu lado fez uma cara de nojo impagável, mas nem com isso eu estava me importando no momento, por isso só decidi ignorar e pegar mais uma colherada do meu pote de sorvete. Sim, eu tinha gastado mais da metade do meu dinheiro em porcarias diabéticas de baixa qualidade e caixinhas de lenços. Mas na minha cabeça, tudo isso era por um motivo válido o bastante. 

— Baekhyun, não acha que está exagerando um pouco? – ouvi Chanyeol perguntar. 

Joguei meu lencinho sujo no lixo e me virei pra ele. 

— Por acaso eu estou com cara de que estou exagerando? – perguntei de volta bastante ofendido. 

Chanyeol olhou atentamente para mim. Passou seus olhos pelos meus cabelos desgrenhados e sem lavar, em seguida pelo cobertor que eu estava todo enrolado, o pote de sorvete em minhas mãos, o lixo cheio de lencinhos e a caixinha ao meu lado. 

— Sim. – respondeu simplesmente. Fiquei ultrajado. 

— Saia da minha casa então, falso amigo. – eu disse alto, sentindo meus olhos lacrimejarem com vontade de chorar. Já não bastava Sehun me magoando, agora tinha que ser o cunhado dele também. Chanyeol respirou fundo e veio me abraçar pelos ombros. 

— Olha, Baekkie. Eu sei que você está chateado por causa das coisas que o Sehun te disse, e confesso que fico um pouco feliz por você estar assim porque isso significa que está pensando e refletindo sobre você mesmo. – disse baixinho. — O que ele disse não é totalmente mentira, você é bem difícil de lidar e sabe disso. Mas tem coisas que precisamos primeiro escutar dos outros para poder ver que é verdade. Eu te amo demais, mas também amo Sehun. Vocês dois são como meus irmãozinhos, e por isso fico triste de ver que não se dão bem. Então pense bem em tudo isso okay? Você também disse coisas que o magoaram, por mais que não ache. 

Fiquei em silêncio após ouvir aquelas palavras, não esperava escutar elas vindo de Park Chanyeol, meu melhor amigo. Eu sabia que ele tinha um laço forte com Sehun porque os dois eram cunhados e obviamente passavam tempos e momentos juntos. Mas eu não queria acreditar que uma das únicas pessoas em que eu confiava não estava totalmente do meu lado, não era possível isso. Era somente Sehun, Sehun e Sehun. Todo mundo sempre apoiava mais Sehun do que qualquer coisa, e isso me deixava puto da vida. Não era inveja, claro que não. Era que eu não via ele como uma pessoa boa e inocente igual todos pintavam. Mas no fundo eu sabia que queria ver como eles. 

Chanyeol ao ver que eu não responderia nada se desvencilhou de mim, indo pegar suas coisas em cima da mesinha de centro. Ele iria embora. 

— Estou indo, tá bom? Tenho que me encontrar com Seulgi hoje. – me avisou baixinho. Eu não disse nada, apenas comi mais do meu sorvete. 

Então ele saiu. 

Eu estava cansado de ver as pessoas irem embora após me dar sermões de vida e de condutas, era estressante e sufocante isso. 

Por isso não impedi de que várias lágrimas escorressem dos meus olhos, eu precisava libertar aquele amargor do peito. Libertar aquele cansaço maldito de sempre ser o errado da história, eu não conseguia mais aguentar isso. Só queria que mudasse. Só queria mudar. 

Estava tão ocupado chorando e comendo que nem escutei passos vindo em minha direção. Só fui perceber que havia outra pessoa no mesmo espaço que eu quando braços finos e delicados me rodearam de forma amorosa, como se quisesse me ninar. Chorei ainda mais quando vi que era minha mãe. Ela era um anjo, eu tinha certeza absoluta disso. A pessoa que mais se importava comigo. A outra pessoa em que eu confiava totalmente. 

— Mãe… – murmurei abraçando ela de volta. 

— Querido, não chore, huh? Mamãe está aqui. – respondeu fazendo carinho nos meus cabelos. Após escutar isso me veio um sentimento de alívio. Alívio por ela estar comigo. — O que acontece? Conte-me tudinho que a mamãe vai te ajudar. – disse colocando minha cabeça no seu colo. 

Comecei a contar tudo o que estava acontecendo comigo, contei sobre o porquê de eu e Sehun não nos darmos certo, do porque pegamos detenção, das coisas que ele me disse, do que eu havia sentindo após escutá-las, do Chanyeol, os motivos dos meus choros, dos potes de sorvetes e dos lencinhos. Ela escutava atentamente, sem falar nada e nem opinar. A expressão estava serena e os carinhos no meu cabelo continuava leve e atenciosos. Eu amava minha mãe demais e eu sabia que ela seria a única que me daria uma luz para tudo aquilo. 

Eu confiava minha vida a minha mãe, até mesmo os meus sentimentos mais profundos. 

— É realmente muita coisa acontecendo. Não que eu não soubesse de muitas delas, mas quem diria que era bem mais afundo, huh? – ela soltou uma risadinha. — Sabe bebê, se você se sente assim, devia dar uma chance de mudar se é isso que quer. Mostre pra eles que você não é a pessoa ruim que eles pensam. 

Ao escutar seu conselho, me levantei inspirado e joguei o cobertor no chão. 

— Você está certa mãe, eles não pagam por esperar. – disse convicto. 

— Calma lá, querido. – riu se levantando também. — Você tem que ir com calma. Hoje ainda é terça, amanhã você pode fazer o seguinte… – e foi me contando o que eu deveria fazer para que o nosso plano desse certo. Escutei tudo atentamente, feliz por receber uma ajuda tão brilhante de minha mãe. 

Assim que ela acabou de contar, nos sentamos para discutir os prós e contras. Ficamos comendo sorvete e conversando sem perceber o tempo passar, quando de repente ouvimos a porta da sala abrir. Era meu pai chegando do serviço. Ele olhou para nós dois juntinhos embolados no cobertor e sorriu. 

— Trouxe filmes de comédia para a gente assistir. – disse fechando a porta. 

Sorri ao ouvir suas palavras. Meus pais eram os melhores. Com eles eu sabia que tudo daria certo, até mesmo o plano meio sem pé nem cabeça da minha mãe. 


×××



No horário de entrada a escola ficava cheia igual a um formigueiro. Como eu tinha faltado segunda e terça, não estava sentindo nenhum pouquinho de falta daquela muvuca. Queria era ter faltado mais, porém minha mãe insistiu para que eu viesse hoje colocar nosso plano em prática. Eu estava nervoso, ansioso e com vontade insana de ir ao banheiro por causa disso. Chanyeol ao meu lado não havia dito nada desde o momento em que tinha chegado, com certeza não queria falar comigo por causa de ontem mas eu preferia acreditar que ele não estava falando comigo por causa do sono. Ele não sabia do meu plano porque eu não tinha contado e também nem iria contar, sinto que se contasse ele fazeria de tudo para que eu desistisse. 

Andei até meu armário para pegar os livros que eu teria que usar nos horários seguintes; estava entretido arrumando-os quando escutei a voz de Sehun. Virei-me em direção a sua voz e vi que ele chegava rindo com seus amigos, mas assim que percebeu meu olhar sobre ele fechou a cara numa expressão desgostosa e continuou seguindo seu rumo. 

Fechei meu armário com força, fazendo com que Chanyeol escorado no armário ao lado desse um pulo. 

— Meu Deus, você tá bem? – perguntou quando viu que eu estava um pouco irritado. 

— Não há nada, pode continuar dormindo. – murmurei. O Park fez uma careta confusa ao ouvir minhas palavras mas também não insistiu, após isso fomos andando até nossas respectivas salas. 

Assim se passou até o horário do intervalo. 

Eu já não aguentava mais ter que escutar sobre contas matemáticas, nem sobre gramáticas ou história da arte. Era tudo um saco. Por isso quase me ajoelhei no chão e rezei ao ouvir o sinal do intervalo, mas ao mesmo tempo me deu um rebuliço no estômago. Estava ainda mais nervoso do que quando eu tinha chegado na escola. Era naquela hora que eu iria começar o plano. Tinha que dar certo senão eu daria um treco ali mesmo. 

Decidi agir normalmente e segui até o refeitório com Chanyeol colado em mim, ele falava sobre algum assunto que eu não conseguia prestar atenção e por isso eu nem estava dando bola. Pegamos a fila do lanche que estava enorme, e aproveitando esse tempinho que tinha passei a procurar Oh Sehun no meio daquele tanto de gente. Assim que o avistei sentado na mesa de sempre com as pessoas de sempre, senti um calafrio transpassar pelo meu corpo. Caralho, será que daria certo? Fiquei um tempo considerável surtando internamente que nem havia percebido que já era nossa vez de sermos atendidos. Chanyeol como sempre pagou pelo meu lanche, e após pegarmos a comida nós nos viramos. 

Okay, estava na hora. 

— Chanyeol, me segue. – disse firmemente para o mais alto que me olhou desconfiado, mas que mesmo assim me seguiu. 

— Para onde vamos? A nossa mesa fica do outro lado, Baekkie. – perguntou, recebendo nada mais do que o silêncio pela minha parte. — Cara, hoje você está estranho. Tem certeza que não tem algo acontecendo? Porque sério, você está me dan– parou de falar assim que viu o que eu havia feito. 

Na verdade todo o refeitório ficou em um silêncio mortal ao perceberem que aquilo estava de fato acontecendo. Fiquei meio agoniado, é claro. Afinal todos os olhares estupefatos e chocados estavam em nossa direção. Sehun ao meu lado era o que estava mais surpreso. Eu via em sua expressão que ele queria algum tipo de explicação para aquilo, talvez estivesse esperando que eu dissesse que havia batido a cabeça, ou perdido vários neurônios. Mas nada o preparou para as minhas seguintes palavras. Eu poderia explicar, lógico. Porém quem disse que eu faria isso? 

— Bom dia, Sehun. Quer um pedaço de torta? – perguntei sorrindo para ele. 

— O que você pensa que está fazendo? – perguntou ele murmurando entre dentes. Conseguia ver a sua irritação. 

— Ora, estou sentado ao seu lado lhe oferecendo torta. – sorri. — Tem certeza de que não quer um pedaço? – perguntei novamente, porém assim que vi que ele não responderia e apenas ficaria me encarando, me virei para o outro palerma que ainda estava de pé. Empurrei uma cadeira vazia na minha frente e acenei pra ele. — Senta aí, Chan. Hoje iremos comer com o Oh. 

— Baekkie, o que é isso? O que está acontecendo? – perguntou Chanyeol baixinho, se sentando na cadeira que eu havia empurrado. 

— É Byun, explica isso agora. – disse Sehun no mesmo tom. 

O refeitório aos poucos voltava ao normal, com todos continuando suas ações e suas conversas. Claro que ainda tinha alguns que olhavam para a mesa em que estávamos como se estivessem vendo alienígenas. Não podia julgá-los, o plano da minha mãe era realmente uma coisa sem noção. Porém era o que daria certo. Sehun havia dito que eu era um egoísta e o caralho a quatro, mas ele não me conhecia totalmente. Mas iria conhecer. Iríamos ter uma amizade ele querendo ou não. 

Por isso ignorei as perguntas que estavam sendo derramadas em mim e me virei para Oh Sehun estendendo a mão. 

— Me dê o seu celular. – disse simplesmente. 

— O quê?! – perguntou ele chocado. — Claro que não! Me diga o que está fazendo aqui, Byun Baekhyun! – tá bom, ele estava ficando mais irritado. Mas eu não iria ficar esperando a criancinha parar de birra. 

— Me dá essa merda logo. – disse enquanto tentava pegar o celular de seu bolso. Quando consegui o meu objetivo, sorri bem grande. 

Felizmente o celular não tinha senha, então fui logo anotando meu número e mandando uma mensagem para que eu pudesse salvar seu número depois. Quando eu terminei, entreguei o celular de volta. Sehun mantia uma expressão indecifrável, como se estivesse processando o que realmente estava acontecendo ali. Chanyeol olhava de mim para Sehun com um choque quase palpável. Queria muito rir dos dois, porém apenas voltei minha atenção para minha torta, comendo e bebendo meu suco. 

Depois de alguns minutos, ouvi a risada de Sehun. 

— Você é realmente um idiota, Byun. – disse ele. 

— Não mais que você, Oh. – respondi. 

É, por enquanto o plano da minha mãe estava dando certo. Estava tudo indo nos conformes. Oh Sehun iria me conhecer, nem que para isso eu tivesse que aguentar meu ódio por ele calado. 



×××


Tenho que admitir, nunca me imaginei conversando por telefone com Oh Sehun. 

Fala sério, estamos falando da pessoa que eu odeio e que me odeia mais ainda. Muitas pessoas que nos conhecem, que já viram nossas brigas e nossas intrigas, nunca imaginou que algum dia Byun Baekhyun e Oh Sehun estariam conversando por telefone e passando a se sentar na mesma mesa durante o intervalo da escola. Justo o intervalo, porra. A hora sagrada do lanche. Mas realmente aconteceu e nem eu consegui acreditar por uns três dias. 

No mesmo dia em que eu inventei – graças a minha mãe – de me sentar na mesma mesa que o Sehun, ele me mandou uma mensagem. 


Sehun: o que voce pretende com tudo isso, baekhyun? 

Baekhyun: quero apenas amigar, pô

Sehun: conta outra mano, voce tá aprontando, eu tenho certeza  

Baekhyun: pq vc acha isso? nao to aprontando nd

Sehun: a gente se odeia desde pequenos, byun. voce nao iria querer amigar do nada

Sehun: isso tudo foi por causa do que eu te disse na biblioteca? 

Baekhyun: em partes sim, mas nao fique se achando tanto



Fiquei surpreso por ele ter tido a iniciativa de mandar a primeira mensagem, já que a que eu tinha mandado para salvar seu número não contava. Após esse breve diálogo, ficamos conversando por um bom tempo colocando nossas desavenças na mesa e levantando bandeira branca como um acordo de trégua. Mas é claro que chegamos a um consenso de que nós ainda nos odiávamos, porque nosso ódio ainda existia mesmo com aquela pitadinha de começo de amizade. Era uma coisa de louco, entretanto eu nunca esperava que fosse normal mesmo. O plano era esse, me aproximar de Sehun e mostrar que eu não era uma pessoa ruim. Eu queria mostrar a ele que eu era uma pessoa legal. 

Assim se passou por uns três dias. Nos falávamos por mensagem e na hora do intervalo nos sentávamos juntos mesmo que não trocássemos uma palavra pessoalmente. Nesse ritmo chegamos ao terceiro sábado de detenção. 

Eu não podia negar que estava com um pouco de nervosismo em relação a esse dia em especial. Desde que ele havia dito todas aquelas palavras para mim no sábado passado, eu vinha refletindo sobre elas e consequentemente me trazia um nervoso do caralho ao ficar perto dele. Então pensar que ficaríamos juntos por quatro horas seguidas com um 'acordo de paz' entre a gente era insano.

 Confesso que também havia ficado surpreso com o rumo que as coisas tinham tomado, não esperava isso de mim. 

Mas era preciso. 

— Vai dar tudo certo, querido. – ouvi minha mãe dizer. — Vá e diga ele o que vocês dois precisam ouvir. – disse sorrindo me dando um abraço e um beijinho nos cabelos. 

Respirei fundo e sorri para ela. 

— Obrigado, mãe. – respondi. — Você vem me buscar mais tarde? – perguntei tirando o cinto de segurança e abrindo a porta.

— Claro que sim. Agora vai. – respondeu quase me empurrando do carro. Saí rindo pela animosidade dela.

— Tá bom, tchau. 

Assim que me virei, pude escutar minha mãe arrancando com o carro. Puxei um pouco do meu cachecol para cima, cobrindo parte do meu rosto daquele vento frio e segui para dentro da instituição. Não havia visto nenhum sinal de Sehun do lado de fora então presumi que já estivesse dentro da biblioteca. 

Quando entrei no local, presenciei o mesmo tirando a poeira das prateleiras com o espanador. Não consegui segurar uma risada que me acometeu. 

— Hoje você chegou bem cedo. – comentei. 

— Foi preciso, já que semana passada não fiz nada. – respondeu sorrindo. 

— É verdade. Espero que hoje a gente consiga arrumar pelo menos metade desse lugar. – disse me aproximando. Pude sentir o perfume amadeirado emanar de Sehun, fazendo com que meu coração batesse um pouco mais forte. Fiquei um pouco assustado, claro. Aquilo não deveria me atingir. 

— Conseguiremos sim, prometo não dormir hoje. – riu. Dei apenas um sorrisinho, ainda meio abalado pelo estado dos meus batimentos. 

Saí praticamente correndo para o meu lado da biblioteca. Era imensamente estranho ficar daquela forma com Sehun, me deixava desnorteado. Eu passei parte da minha vida toda odiando aquele cara – ainda odiava –, então para mim era diferente aquele sentimento. Comecei a pensar se o plano meu e da minha mãe não havia falhas, porque sentir tudo aquilo não estava nas ideias. Com certeza aquilo não ia ter cem por cento de eficácia, eu devia começar a ter medo? 

Ficamos em silêncio por um bom tempo, arrumando alguns livros pra cá e limpando outros lugares pra lá. 

Aquele silêncio todo estava me incomodando mas eu não sabia exatamente como quebrá-lo. Sehun também parecia querer falar alguma coisa, mas o nosso receio dificultava demais a situação. Por fim, escutei o mesmo suspirar fundo e se virar para mim, olhando diretamente nos meus olhos. Eu também parei de guardar os livros e encarei-o, questionando silenciosamente. 

— Eu quero te falar algo, Baekhyun. Mas não sei como começar isso. – disse nervoso passando as mãos pelos cabelos negros. — Pensei a semana inteira em como te falar isso, e inicialmente eu nem queria ter que te dizer porque eu achei que eu estava com razão. – respirou fundo. 

— O que você está querendo dizer? – perguntei quase sem voz, surpreso. 

— Que eu me sinto mal por ter te dito tudo aquilo semana passada. Eu te odeio sim, mas eu não precisava ter dito aquilo. Disse porque estava muito puto com você, principalmente quando tocou naquele assunto. – me respondeu desviando o olhar e voltando a arrumar os livros. — Quando você faltou dois dias da escola eu fiquei me sentindo mais culpado ainda, Chanyeol até me disse que chorou. – murmurou. 

Fiquei um tempo processando aquelas palavras. Estava surpreso, é claro. Confesso que já esperava elas de Sehun, ele que tantas vezes disse coisas que me magoaram mas agora estava ali pedindo desculpas indiretamente. Acho que já estava na hora de dizer o que nós dois precisávamos. Assim como minha mãe disse. 

— Desculpa. – disse baixinho, olhando para o chão. — Eu nem devia ter falado aquilo pra você. Sei que foi difícil ter que suportar uma rejeição da pessoa que gosta, sei muito bem disso. Acho até que mais que você. – soltei uma risadinha, também arrumando os livros nas prateleiras. — Deve que ainda é um pouco doloroso, já que ele namora a sua irmã. – olhei-o. Sua expressão era indecifrável, e não saber o que ele pensava ou o que sentia com as minhas palavras me deixava agoniado. 

— Na verdade já nem sinto mais nada pelo Chanyeol. O vejo só como amigo, agora. – respondeu. 

— Pelo menos você teve coragem de se declarar, sou um covarde, afinal. Você não mentiu quando disse. – quis consolá-lo. 

Ele voltou seu olhar para mim, me analisando e querendo descobrir algo que eu não pude presumir o que era. 

— Quem era? – perguntou. 

— Huh? Quem era o que? – perguntei de volta.

— Quem era a pessoa que você gostava e não teve coragem de se declarar? – expressou suas dúvidas. Olhei surpreso para ele e segundos depois eu estava rindo. 

— Acha mesmo que eu vou te contar, somos inimigos e você poderia espalhar para a escola toda. – balancei a cabeça, desacreditado. Mas as palpitações do meu coração de repente voltaram a ficar mais rápidas. Caralho, eu vou morrer, pensei. 

— É, somos inimigos. Mas já que somos inimigos, quero fazer uma coisa. – o ouvi dizer. 

Assim que virei-me para o indagar o que ele queria dizer com aquilo, eu senti. Senti meu sangue correr mais rápido, senti minhas pupilas dilataram com o choque, senti meu coração quase sair do peito de tanto que ele começou a bater. E também senti os lábios de Oh Sehun por cima dos meus. Sua boca perigosamente colada a minha, pressionando-os e quase sugando-os. Minhas emoções estavam à flor da pele naquele momento. Porque, caralho, Oh Sehun estava me beijando e eu estava me sentindo bem com aquilo! 

Eu odiava ele, e ele me odiava. Mas por quê ele estava me beijando? 

Com tanta coisa sentidas de uma só vez, fiz uma coisa que eu nunca imaginei que iria fazer. 

Eu desmaiei. 


×××



— NÃO QUERO IR! – gritei em prantos. 

— VOCÊ VAI SIM – gritou minha mãe de volta. — E daí que você está com vergonha de ver o garoto? Só porque beijou ele? Meu Deus, você só fez o que sempre quis fazer. – decretou ela irritada. Me senti ultrajado. Não fui eu que beijei ele, foi ele que me beijou!

— E-Eu nunca quis isso, mãe! – disse envergonhado. — Para de dizer coisas sem sentido, e eu não vou para a escola hoje. Estou doente. 

— Quis sim, Baekhyun. – ouvi Chanyeol dizer calmamente, me puxando da cama com uma força descomunal. — Na verdade vocês dois quiseram, não vem pagar de santo. Agora levanta dessa cama que você faltou a semana toda, tem que ir pelo menos hoje. – disse severamente. 

— Mas hoje é sexta, faltar hoje não vai fazer diferença nenhuma. – reclamei quase chorando. 

Tá, eu estava com vergonha. Muita para falar a verdade. Sábado passado foi o auge dos micos que eu já passei na minha vida, pior que foi na frente do Sehun. Eu realmente não quis beijar ele e nem ser beijado – mesmo que tenha gostado muito… –, mas porra, eu desmaiei porque eu estava sentindo aquela boca macia na minha. Depois disso, minha mãe disse que ele ligou para ela do meu celular todo desesperado porque eu tinha desmaiado bem no meio da biblioteca. Quando ela chegou lá, eu estava meio tonto ainda, sem saber qual era o lugar e por quê eu existia. Muito louco. 

Desde então eu tinha faltado a semana toda. 

Minha desculpa era de que eu estava doente demais, tendo febre e tudo de ruim. Claro que minha mãe e Chanyeol não havia caído nessa – o meu pai sim, tadinho – porém mesmo assim eles não insistiram para que eu fosse. Mas aparentemente, hoje estava sendo diferente. Não sei bem o motivo que levou eles a mudarem de idéia justo na sexta, entretanto continuei negando minha ida a escola e negaria até que fosse possível. Não queria ter que ver Oh Sehun. Eu não tinha face o suficiente para encarar ele frente a frente, sério, que ideia foi aquela de me beijar? Ele mesmo disse que éramos inimigos e tenho certeza absoluta que pessoas que se odeiam não se beijam! Estou muito indignado e com vergonha. É isso. Não vou e pronto. 

— Claro que vai fazer diferença, bebê. Aliás, amanhã é sábado, esqueceu? Seu último dia de detenção junto dele. – disse minha mãe respirando fundo, cansada de ver minha teimosia em relutar. 

Droga! Esqueci de amanhã. Pelo menos era o último dia. 

E porra, se fosse possível eu voltaria ao dia em que eu tinha jogado meu precioso tênis na cara do Sehun e me impediria de fazer aquilo. Só para não ter que chegar justo ao dia de hoje, para não ter que passar por tudo o que passei com ele. Nem mesmo as brigas, nem mesmo o coração enlouquecido. Não queria nem mesmo odiá-lo. Seria mais fácil? Sim. Lógico que sim. Mas como esquecer que um dia já gostei de Oh Sehun? Como esquecer que comecei a odiá-lo porque ele gostava de Park Chanyeol e não de mim? Era muito rancor guardado, poxa, e eu ainda nunca consegui me declarar. Não tinha como controlar isso. 

Pensando nisso comecei a chorar. Eu sou emotivo mesmo e daí? 

— Bebê, por que está chorando? – perguntou minha assustada. 

— O que houve, Baekhyun? – Chanyeol também estava assustado, mas pudera, comecei a chorar do nada. 

— E-Eu a-acho que estou gostando do S-Sehun de novo. – e voltei a abrir o berreiro. 

Park Chanyeol estava revirando os olhos para mim! Olha a audácia! 

— Conta uma novidade, Byun Baekhyun. Você nunca deixou de gostar dele, entende? Eu já sabia disso, sua mãe já sabia disso, a escola já desconfiava e acho que até Sehun sabe sobre isso. Não é atoa que ele está todo deprimido pelos cantos porque acha que você realmente odeia ele. – disse irritado. — Fala sério, duas pessoas não ficam se implicando sem motivo. Infelizmente parece um daqueles clichês sem graça que mostra que onde há ódio há amor. – continuou dizendo sem pausas, me puxando de vez para fora da minha cama. — Agora levanta sua bunda daí e vá se arrumar, já são quase oito horas ou então não poderemos assistir às aulas.

Nossa, por essa eu não esperava. 

Então isso significa que Oh Sehun gosta de mim? E eu simplesmente desmaiei quando ele me beijou! Meu Deus que tipo de retardado eu era? Não é possível que exista uma pessoa tão ignorante barra idiota quanto eu, estava tudo na minha frente e eu não havia percebido. Cacete, era isso que ele queria dizer quando disse que eu não enxergava o que estava na minha cara… Devia ter facilitado para mim, Oh Sehun. Agora você vai mesmo fazer eu ir naquela droga de escola só para poder te dizer que eu também gosto de você. Tsc, que complicado. 

Peguei o par de roupas que minha mãe estendia para mim e segui em direção ao banheiro. Estava determinado a me declarar para ele. Dessa vez eu perderia meu medo de declarações e todas as coisas ruins que esse medo me trouxe, eu tinha que superar e não deixar que me atrapalhasse novamente. Eu não perderia minha chance.

Porém era mais difícil do que eu pensava. 

Quando cheguei na porta da escola, minhas pernas começaram a tremer tanto que eu cheguei a achar que ia cair ali mesmo, se não fosse Chanyeol colocando a mão em meu ombro eu teria dado meia volta e corrido de lá. Mas o olhar do meu melhor amiga dizia que se eu desistisse ali ele iria me dar um soco bem no meio da cara. Logicamente eu não queria isso, e também não queria desistir tão facilmente de finalmente olhar para Sehun e dizer que eu gostava para um caralho dele. 

Olhei ansioso ao meu redor, procurando por ele em meio ao tumulto de alunos. 

Meu coração batia tão freneticamente que eu podia senti-lo nos meus ouvidos, enviando também ondas de adrenalina pelos meus poros. 

— Onde que ele está?  – murmurei para mim mesmo. 

— Procurando por quem? – ouvi a voz dele atrás de mim perguntar. Pude sentir meu estômago afundar de surpresa e ansiedade. Ele estava ali. Bem pertinho de mim. Virei-me a tempo de vislumbrar um sorriso em seu rosto. — Finalmente você apareceu, não ter meu arqui inimigo para me implicar durante toda a semana é meio chato. – disse sorrindo. 

Ah, cacete. Aquele maldito sorriso lindo. Droga, eu parecia uma colegial apaixonada pelo senpai. Eu não podia demonstrar que eu estava totalmente caidinho por ele, tinha que ser discreto. Afinal, eu ainda odiava imensamente ele. Odiava-o por saber que ele mexia para um caralho comigo. 

— Estava te procurando. –  o respondi também dando um sorriso. Meu corpo todo agradecia em alívio, eu fui tão besta por não perceber que eu precisava vê-lo para tirar aquele peso de mim. Até aquele momento.— Queria te dizer umas coisas, já que eu não tive a oportunidade…

Seu rosto ficou sério de repente quando sentiu solenidade em minhas palavras. 

— Essas coisas estão relacionadas ao passado ou não? 

— Estão relacionadas com tudo. Sehun e-eu, droga, eu fui tão burro. – eu disse exasperado. — Eu já não sei de mais do que eu achava que sabia e isso me desespera, mas por favor, me diga. Você realmente me odeia?

Ele deu passo para mais perto de mim, fazendo com que nossos rostos ficassem a centímetros de distância. Me senti desnorteado por um momento, ansioso. Oh Sehun me deixava daquelas formas: ansioso, leve, desesperado, em paz, com medo, com coragem, ódio, paixão. Era como se tivesse uma maldita linha delimitando uma emoção a outra. A porra de uma linha fina, frágil. 

— Sim, te odeio e muito, Baekhyun. – ele suspirou segurando meu rosto. — Mas também sou apaixonado por você, louco por você. E isso me faz odiá-lo ainda mais. – chegou mais perto. 

Merda, eu me sentia exatamente da mesma forma. Por tanto tempo achei que o odiasse de um forma descomunal, tinha raiva de tudo o que ele fazia, das coisas que falava e do jeito que agia. Tinha ódio em ver que ele mudava tudo ao seu redor porque sabia que ele também me mudava quando estava perto, ele mudava meu ódio em desejo, minha raiva em paixão. Por isso aproximei mais ainda nossos corpos, sem me preocupar com o mundo alheio. Porque o meu mundinho estava na minha frente. 

— Então me beija. Me beija e não me solta, Sehun. – murmurei. 

E ele me beijou, me beijou apaixonadamente e odiosamente. 

Porque nós tínhamos quebrado a linha com a força de nosso ódio e paixão. Uma linha tênue que nós sabíamos que existia mas que não demos atenção, quebramos ela em pedaços porque ela nos afastava ao mesmo tempo que nos aproximava. E nós apenas queria ficar juntos da nossa maneira. 

Ele riu quando me soltou. 

— Ainda temos mais um sábado. – comentou. 

— Eu não me importo de trancarmos a porta da biblioteca e fazermos o que quisermos lá. – respondi sorrindo e abraçando-o. Eu estava me sentindo leve como uma pluma.

Era por isso que eu recapitulava tudo o que acontecia comigo. Para relembrar de tudo o que já fiz, passei e senti. Relembrar que agora Sehun estava comigo não importa a situação, não importava o sentimento. Mesmo sendo ódio ou mesmo sendo amor. 


Notas Finais


é isso, consegui postar essa ficzinha que tava guardada kkkk ufa <3


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