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História Linha Tênue - Capítulo 15


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Notas do Autor


Desculpem a demora! Mas prometo que agora, durante a quarentena, as coisas ficarão mais rápidas por aqui. Espero que gostem!

Capítulo 15 - Rebekah and Elijah


Fanfic / Fanfiction Linha Tênue - Capítulo 15 - Rebekah and Elijah

Candice Salvatore

Me sinto aliviada por conseguir entrar e sair de casa sem que meus irmãos me vissem e começassem com mais uma seção de insistências e questionamentos. Pego o carro de Stefan dessa vez, jogo as bolsas de sangue que roubei do estoque dos meus irmãos no banco do passageiro e dou partida, fazendo-o cantar pneu antes de correr pelas ruas pouco movimentadas de Mystic Falls. Meu dedo indicador vai direto para o botão do rádio quando percebo que estou mais nervosa do que esperei que estivesse, aumento o volume o máximo que consigo e sorrio ao ouvir “Arabella” soar por todo o automóvel.

“Arabella's got a 70's head

But she's a modern lover

It's an exploration, she's made of outer space

And her lips are like the galaxy's edge

And her kiss, the color of a constellation falling into place”

Canto alto e consigo sentir a adrenalina se formando aos poucos, tomando parte por parte do meu corpo até que não haja mais temor quanto ao que estou prestes a fazer. Essa sensação é incrível, mal posso acreditar que fiquei tanto tempo sem deixar que ela me tomasse. Todo o entusiasmo é causado exclusivamente pela liberdade que sempre lutei para ter. Fazer as coisas por mim mesma. Lutar sozinha. Correr até estar cara a cara com o perigo. E vencê-lo. São essas as coisas que me fazer ser eu mesma e eu quase me esqueci delas. 

- Ok, Mikaelson, agora você me surpreendeu. - falo sozinha quando, algumas horas depois, paro o carro em frente a uma indústria de transportadoras. Tudo parece muito quieto e suspeito, como se ninguém trabalhasse nesse lugar. Mas quanto mais eu me aproximo, mais consigo escutar alguns poucos passos do lado de dentro. 

Encontro uma janela semi-aberta, é um pouco alta, mas nada que eu não possa resolver. Provavelmente teremos que sair por um lugar mais prático, mas a janela serve por enquanto. Seguro as bolsas de sangue com uma mão e uso a outra para pegar impulso, passando facilmente pela abertura e pulando para o outro lado. 

- Isso vai me atrasar. - comento quando observo algumas dezenas de caminhões por todo o espaço amplo e, para pior, há alguns caras vindo em minha direção. 

Posso contar cinco homens me rodeando, todos com algum tipo de arma que presumo não serem normais, assim como seus olhares vazios e compenetrados. Eles foram compelidos, sem sombra de dúvidas. Desvio do primeiro e consigo pegá-lo pelo braço, torcendo-o e empurrando-o para o mais longe que consigo. Essas pessoas não merecem morrer, o que faz com que eu me sinta mal por saber que provavelmente só terão concluído o “serviço” quando tiverem suas vidas tiradas por mim ou por eles mesmos. Acerto um chute certeiro no estômago do segundo, mas meu próximo golpe é impedido por um estrondo e uma dor agonizante no abdômen. Ergo meu olhar para o objeto que disparou a bala de madeira contra mim e o tomo da mão do homem de meia idade que a segura. A dor me irrita e toda essa enrolação de Klaus apenas intensifica os sentimentos que me fazem pensar em como agir nos próximos segundos. Não espero por mais nenhum ataque para atirar contra os cinco, uma bala cravada com precisão na testa de cada um deles.

Respiro fundo antes de enfiar meus dedos em meu machucado, gemendo um pouco com a dor ao tirar o projétil de madeira. Avanço alguns passos para o centro da transportadora para ter uma visão melhor dos caminhões estacionados em plataformas organizadas. Preciso pensar como ele se quero achar algo que ele escondeu. Dou uma volta em volta de mim mesma e examino cada carroceria, todas perfeitamente iguais. 

- Exceto… - observo enquanto falo comigo mesma e caminho em direção ao único caminhão que tem um adesivo de “cuidado, frágil” em sua traseira. - Cínico. - dou risada pela ironia contida nisso, pois ele não se preocupa com seus irmãos, sua intenção sempre foi causar esse tipo de reação e bom, Niklaus sempre consegue o que quer. 

Abro a caçamba, subo no container e me permito sorrir ao ver dois caixões bem envernizados, embora haja uma fina camada de poeira sobre eles, o que significa que não são visitados desde que foram colocados aqui. Sento de frente para um deles e deixo as bolsas de sangue ao meu lado, sem saber quem se encontra dentro. Tento abrir a caixa fúnebre, mas é óbvio que um Mikaelson não facilitaria tanto assim para mim. Tateio meus bolsos em busca de algum grampo e dou graças quando encontro um. Está na hora de colocar em prática algo que há muitos e muitos anos eu não faço, afinal, só usava grampos para abrir as coisas quando precisava fugir pela janela para que meus pais não me vissem indo para bares de madrugada. 

Encaixo o objeto pequeno no fecho e com um pouco de insistência posso ouvir o estalo na madeira maciça. Não demoro a retirar a tampa pesada e enxergar Elijah deitado com a estaca em seu peito e seu rosto cheio de veias escuras, deixando-o ainda mais sério do que quando está vivo. Retiro o que o mantém adormecido e guardo no bolso da minha jaqueta, ter a arma que apaga um Original em mãos nunca é demais. Algo no meu peito me incomoda por vê-lo dessa forma, tão vulnerável, entretanto, minha razão me alerta incessantemente que foi ele mesmo que deixou chegar a esse ponto. Sou puxada de volta dos meus pensamentos por um grunhido baixo que rasga a garganta seca do vampiro a minha frente. 

- Sei que consegue me escutar, mesmo que não tenha forças para sair daí. - começo antes de furar a bolsa com meu dedo e sujá-lo com sangue. - Sei também que está sentindo o cheiro disso. - seus olhos se abrem e me encaram atentos enquanto chupo meu dedo. - Terá uma bolsa inteirinha pra você e em troca, ficará me devendo uma… ou duas, afinal, eu vim te salvar. - sorrio irônica e volto minha atenção para a bolsa de sangue, esticando o indicador para tocar novamente no líquido. 

- Me dê logo isso. - sua impaciência me faz sorrir, talvez eu esteja me vingando de sua burrice ao me trair e acreditar em seu irmão. - Por favor, Candice… 

- Só porque falou a palavrinha mágica. - encosto meu dedo em seus lábios escuros e em poucos segundos é possível ver seu rosto tomando sua cor habitual. - É a vez dela. - aponto para o caixão de sua irmã e ele me encara confuso, sentando-se. 

- Você arrumará encrenca com Niklaus. - me alerta parecendo estar preocupado.

- E você me tirará da encrenca. - dou de costas enquanto abro o de Rebekah da mesma forma como abri o de Elijah. - Afinal, está no negativo comigo, Elijah. Me deve muito e sabe disso. - termino a frase puxando o punhal do peito da loira e a alimentando em seguida. Foram necessários apenas alguns segundos até que ela acordasse assustada por me ver. - Bem vinda de volta, vadia loira. - sussurro.

- Até que essa pose de heroína lhe cai bem. - sorri antes de me envolver em um abraço, mas o desfaz rapidamente apenas para me dar um tapa ardido no rosto. - Isso é por ter ido embora sem se despedir de mim.

- Acho que foi merecido. - esfrego a bochecha que queima. - Tenho muitas coisas pra contar e vou avisando que não aceito mais tapas.

- Então não são coisas boas. - diz de boca cheia enquanto suga o sangue da pequena bolsa. - Vou querer saber de cada vírgula, só estou em dúvida se mato meu irmão antes ou depois disso.

- Não haverá morte alguma. - contesta Elijah e recebe um olhar de reprovação de nós duas. 

- Não até que eu diga, pelo menos. - o corrijo. - Digamos que seu irmão armou um plano gigantesco para matar Niklaus e deixou o coração falar mais alto de última hora. - reviro os olhos para a expressão irritada e chateada do Original. - Agora ele está me devendo algumas.

- Vamos conversar sobre isso, Candice, por favor. - toca em meu braço, mas eu me esquivo. 

- Não tenho tempo para suas desculpas, sua palavra e nada para mim são a mesma coisa agora. - sou dura demais e tento não me arrepender quando sua feição se torna completamente desolada. - Vamos embora logo, antes que Klaus mude de ideia.

- Ele sabe que você está aqui? - Rebekah pergunta assustada enquanto se levanta e me segue para a porta gigantesca do galpão. - Céus, minha roupa está um trapo. 

- Ele facilitou pra mim e quero saber o porquê, então vocês descobrirão. - aponto para os irmãos e volto a fazer o caminho para o lado de fora.

- Desde quando é tão mandona? - a loira me pergunta em um misto de diversão e seriedade enquanto o outro vampiro não tira os olhos de mim. - E tão confiante? 

- Desde que decidi que estou no controle da situação. - empurro o portão de ferro até que haja espaço o suficiente para passarmos. - Deixei minha vida nas mãos de todo mundo nos últimos meses, menos na minha, não preciso dizer que os resultados não foram nada bons, não é? 

- Eu sinto muito por ter traído sua confiança. - Elijah se manifesta, me fazendo parar para encarar o homem. - Prometi a você e seus irmãos que ajudaria e fui egoísta. Eu não consigo suportar ser tratado assim por você. 

- Espera… irmãos? - Rebekah se intromete antes que eu possa responder o Original. 

- Permita-me me apresentar. - estico a mão para ela e estico um dos cantos do lábios em um sorriso travesso. - Candice Salvatore. 

- Não brinca! - ela gargalha quando aperta minha mão e a chacoalha. - Eu deveria estar muito brava por ter escondido isso de mim, mas não consigo parar de imaginar a cara do Nik ao descobrir. - fico um pouco incomodada com o apelido que há muito tempo não escutava. 

- Acredito que não tenha sido nada boa, já que agora ele quer me matar. - volto a andar em direção ao carro e posso ouvir Elijah bufar por ter sido ignorado. - Temos algumas horas de viagem, entrem logo no carro. 

Bekah senta ao meu lado e não para um só minuto de tagarelar ou mudar as músicas da rádio, se fosse qualquer outra pessoa eu provavelmente deixaria no meio da estrada, mas é minha melhor amiga e ela me faz rir a todo o momento com seus dramas. O vampiro no banco de trás fica quieto do começo ao fim da viagem, ele parece chateado e muito pensativo, nossos olhares se encontram vez ou outra pelo retrovisor, mas faço questão de desviar. 

O sol já está se pondo quando chegamos em frente à mansão. Meus irmãos mal me deixam estacionar para começar com as perguntas e julgamentos. 

- Perdeu mesmo o juízo, não é? - Damon apressa seus passos em minha direção, mas Stefan o segura antes que ele me alcance. - Você não é mais uma adolescente, Candice! Pare de agir como uma! 

- Eu não vou discutir com você, irmão. - faço um gesto com a cabeça para Rebekah e Elijah me seguirem. - Elena, deixe Rebekah entrar. - praticamente ordeno para a garota que está em pé, de braços cruzados, no meio da sala. 

- Não deixe, Elena. - Stefan a para antes que se aproxime da loira que espera do lado de fora com um sorrisinho cínico. - Não é o certo.

- Minha tia morreu, Stefan. - enumera nos dedos. - Minha última figura paterna morreu. Bonnie quase morreu. - é nítido que a garota segura as lágrimas. - Eu não posso e não vou deixar que mais ninguém morra. - pisa duro até ficar cara a cara com Bekah. - Entre. 

- As mulheres mandam aqui, meus amores. - abro os braços, mostrando a loira e a morena atrás de mim. - Esse é o famoso matriarcado. - sorrio abertamente com o sentimento de estar no controle.

- Aí está o lado que se dá bem com Klaus Mikaelson. - Damon provoca e meu sorriso some involuntariamente, se transformando em uma careta. - O que vai ser, afinal? 

- Rebekah e Elijah irão atrás de Niklaus… 

- Iremos? - a loira me interrompe, totalmente confusa. - Eu não lembro de ter concordado com isso. - estreito os olhos em sua direção. - Mas você me libertou, então te devo uma. - conserta com um sorriso sem graça. 

- O objetivo é não deixá-lo chegar perto de Mystic Falls novamente. - explico. - Não me importa mais se conseguem ou não matar Klaus, afinal, continuam sendo irmãos dele. - suspiro e me aproximo dos Mikaelson. - Mas precisam me prometer, pra valer dessa vez, que não deixarão que ele machuque outra pessoa. 

- Faremos o que for preciso para que isso não aconteça novamente. - Rebekah me garante. - Inclusive matá-lo.

- Eu prometo. - Elijah segura minha mão e olha no fundo dos meus olhos. - E prometo que ganharei sua confiança de volta. 

- Eu espero que sim. - assinto com sinceridade. - Mas de qualquer forma, eu amo vocês. - alterno meu olhar para os dois irmãos e os abraço. - Tomem cuidado e mantenham contato comigo. Eu ficarei com as adagas, sabe, por precaução. 

- Amamos você, pequena. - sinto um beijo em meus cabelos. 

- Amamos você, vadia mandona.



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