História Linha Tênue (Camren) - Capítulo 4


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Categorias Fifth Harmony, Harry Styles, Louis Tomlinson
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Fifth Harmony, Moda, Norminah
Visualizações 68
Palavras 4.474
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, LGBT, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei rápido dessa vez, capítulo fresquinho dessa noite clã!

Aqui teremos um gostinho de como é a vida da Camila no dia a dia, então, indico a lerem ouvindo qualquer música que lembrem desfiles de moda, se quiserem uma dica Tiko's Groove feat Gosha - I Don't Know What To Do e SEREBRO - Mi Mi Mi são as músicas perfeitas pra esse capítulo. Vou deixar o link nas notas finais...

Boa leitura, gays!

Capítulo 4 - Paris Fashion Week


tempo (s.m.): duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro, período contínuo no qual os eventos se sucedem.

"É melhor sofrermos uma injustiça do que praticá-la, pois sendo justo, o tempo se encarregará de trazer à tona a verdade." - Ivan Teorilang

Point Of View Camila Cabello

Rabiscos. Riscos tortuosos, e que nada representam, feitos com pena, lápis, caneta e papel. Não possuem formas ou características bem definidas, podendo assim revelar algo a mais sobre quem o faz, porque no momento em que seu consciente perde o controle sobre a conduta, o subconsciente é quem assume o lápis e começa a revelar os verdadeiros motivos da ação, partindo do início de uma linha turva até o final da curvatura.

Rabiscos os quais levam escritores, escultores, pintores, matemáticos, físicos ou até mesmo a criança a desenhar aquilo o que vem a sua mente, sem se prender a conceitos e preceitos da ressurgência de cálculos algébricos ou da próxima pintura inspirada no retrato de Monalisa, e se eles não existissem, nenhum desses poderiam ter sucesso na vida, já que tudo se inicia através de pequenos traços, dos míseros esboços.
 

Flash Black On

- Mama, mama... - a pequenina menina de dois laços na cabeça entrou na sala de estar correndo, procurando pela mãe no meio das várias mulheres bem vestidas e elegantes presentes no recinto.

Logo pouco mais atrás, Dona Leocádia, governanta da família e nas horas vagas, babá de Camila, parou no meio da porta de entrada e viu a garota caminhar puxando as roupas de algumas mulheres para encarar seus rostos, e com isso, suspirou pesadamente ao imaginar a bronca severa que sua patroa lhe daria por causa da menina.

- Camila, o que faz aqui? - uma delas acabou por reconhecer Camila e se aproximou da mesma, ficando numa altura razoável para encara-la. - Sabe que isso não é lugar para crianças, não sabe?

- Eu quelia mostrar isso pra minha mãe... - ela levantou uma folha com duas bonecas cheias de traços usando vestidos e salto altos. -  meu desenho de etilita!

- Meu amor, eu acho que sua mãe não gostaria de ver você por aqui agora, tenta mostrar a ela depois, tudo bem? - a ruiva sorriu terna para Camila, mesmo estando preocupada caso Sinuhe a visse ali.

Todavia, a preocupação e o pedido não adiantaram de muita coisa, Sinuhe já havia visto a garota assim que entrou pela porta e só esperou o momento para chegar próximo a menina e puxar seu braço com certa brutalidade para fora dali, conseguindo disfarçar no caminho ao sorrir quando alguém estava prestar a notar o que estava de acontecer .

- Karla... - Sihune pois-se para fora do local com a filha, fechando a porta atrás de si, enquanto ainda a apertava fortemente. - 
Quantas vezes eu lhe disse para não se meter em lugares onde há adultos?

- Mama...eu só queria...

- Onde está a inútil de Leocádia? Ela deveria ter lhe mantido presa e fora daqui! - esbravejou enquanto praticava força nos braços minúsculos da menina de lacinhos e vestido florido, seus olhos amendoados teimavam por querer descer gotículas de água pela dor causada no aperto.

- Dona Leocádia não tem nada a ver com isso. Não brigue com ela... eu fugi pra lhe mostrar o meu desenho!

Sinuhe soltou a filha e arrancou a folha a qual possuía na outra mão, queria se livrar logo daquilo, então tirou os óculos de grau presos no bolso do paletó Armani colocando-os no rosto, e examinou a folha recheada de riscos, rindo assim, sem humor algum.

- Que desenho mais tosco é esse Karla Camila?

- Meu desenho de etilita, mama! Igual os da tia Millicent, ela me ensinou a fazer os taços das pernas da bonequinha e dessa parte aqui ó... - apontou para seu quadril de criança enquanto sorria alegremente por estar explicando a mãe.

- Se quer ser estilista pode ter certeza que nunca irá a lugar algum se continuar a desenvolver desenhos tão horríveis e grotescos iguais a esse. - amassou a folha de papel com os desenhos e jogou a no lixo. - Pare de sonhar tão alto e ouvir as besteiras que Millicent enfia nessa sua cabecinha influenciável!

Flash Black Off

Uma coisa é fato: nunca iria lugar algum com aqueles rabiscos. Isso tinha de admitir em concordância com Sinuhe Cabello.

Em contrapartida, meus rabiscos, no caso, os famosos croquis, os quais demorei anos para aprender a fazer uma perfeita - ou quase - silhueta feminina da anatomia humana, levaram-me ao patamar de uma das estilistas mais jovem a ter três coleções obtendo vendas acima da média nas lojas, lotando por mais de 3 semanas diversas vitrines da marca C'Cabello. Além do mais, se não fosse por eles e principalmente por mim, o sobrenome da minha família já estaria completamente ao léu, na beira do abismo, esquecido como uma caixa de sapatos em baixo da cama, não teria todo o renome que consegui durante esses anos por lembrar ao mundo todo de eu ser o único legado da família Cabello.

Larguei o lápis em cima da mesa e sorri largo ao encarar os quatro esboços faltando poucos empecilhos para estarem prontos.

- Pois é mamãe, acho que eu ter sido uma menina tola e influenciável por um tempo serviu pra alguma coisa! - ri de escárnio com um dos desenhos nas mãos, sem dúvida aquela seria uma das roupas principais da coleção, os detalhes do corselete vinho realçava os quadris e busto da boneca, seus cabelos cascatas cairiam reluzentes presos ao lado da cabeça por uma presilha de pena negra, e eu já sabia exatamente quem chamar a fim de desfilar utilizando deste modelito.

O interfone na minha mesa tocou, fazendo eu semicerrar os olhos, lembro-me de ter pedido de forma bem explícita de não querer ser perturbada de jeito algum, em razão de estar em fase de criação.

- Sim?

- Srta. Cabello...

- Achei que havia explicado bem pontualmente a você que não queria ser importunada nem que fosse pelo papa, Srta. Berger.

- Senhora, é que...

- É difícil entender essas simples palavras: não quero ser importunada? - alterei um pouco a voz ao ser contrariada. Stefany era uma das melhores secretarias nas quais já trabalharam nesta empresa, mas sua teimosia na desobediência de minhas ordens tiravam-me do sério. - Você está ouvindo bem?

- Srta, Cabello é que a equipe de...

- Esses assuntos você tem que tratar com Dinah, ela é a encarregada de tudo referente as agências de modelo. Aliás, comunique a ela de marcar uma reunião urgente entre o assessor de Vanessa Hessler, outro de Jon Kortajarena e...anotou o que falei ou terei eu mesma de ligar a cada um deles?

- Sim, sen-sen-hora! - gaguejou nervosa. Eu entendia sua reação, na verdade não entedia não, se determinada pessoa deseja trabalhar dentre outros maiores, precisa aprender a ter pulso firme e dar jus ao seu trabalho e pensar muito bem no seu salário. - É que a conferência entre os patrocinadores é daqui meia hora no segundo andar, às 15 horas tem a entrevista na escolha dos novos designers e costureiras da grife, as 16 horas e meia tem a visita de excursão da escola de Moda La Chambre pela área de criação e montagem e...

- Era só isso? - cortei-a antes de eu decidir cancelar tudo e forjar minha morte de uma vez só.

- A Srta. Hansen pediu para avisar que a equipe de maquiagem e cabelo estarão às 18 horas no seu apartamento e ela disse pra senhora para não se atrasar já que o desfile acontecerá às 22 horas!

Desliguei o interfone sem esperar mais nenhuma palavra de Stefany e bufei alto quando encostei a cabeça no estofados da cadeira couro-marfim.

Havia simplesmente esquecido da reunião, dessa entrevista, de absolutamente tudo, principalmente da Paris Fashion Week à noite. Os planos de passar a tarde desenhando, depois ir para casa e escutar na vitrola amadeirada as melodias de Edith Piaf e Chopin, uma garrafa de vinho em mãos , subitamente, encarar a lua nova da varanda de meu apartamento foram perdidos num vão de sonhos inalcançáveis.

Minha teoria de o Universo estar todo contra mim acabara de ser comprovada e eu tinha a certeza de que não podia ficar pior.

[...]

Jazia mais de uma hora a começar do início daquela reunião, os homens de meio-idade, vestidos de ternos de grifes caras, estavam sentados nas cadeiras uniformemente atrás da mesa de vidro branco, encaravam em silêncio outro homem falar defronte a um reprodutor de vídeo, repleto de números e gráficos com linhas azuis e vermelhas.

Essa era a parte mais chata do meu trabalhar: aturar reuniões cansativas e ouvir falatórios desnecessários desse tipo de pessoas os quais só se preocupavam em três coisas: fama, sucesso e fortuna, assim como eu. No entanto, a diferença entre nós é simples, eles não estavam nenhum pouco preocupados com a arte e sim com o lucro que ela trás em seus bolsos.

- E o que você acha dessa ideia, Camila? - perguntou William Wolckerman, um dos sócios da grife de sapatos Givenchy.

- Bem... - peguei a caneta sob a mesa e apontei para a projeção dos números de vendas da C'Cabello pelo mundo a fora.- O crescimento é evidente, principalmente com a jogada de marketing nas conferências de rádio e televisão na região da França e países filiados, isso chama atenção do público e tudo mais, só que eu ainda não entendi o porque aumentar as ações das roupas em valor maior e quantidade irá ajudar a alavancarmos por 3 meses, funcionaria por no mínimo duas ou três semanas, porque ficaríamos supervalorizados, mas depois, tudo vai despencar, e o prejuízo vai ser imenso.

- Srta. Cabello, pense bem... não jogue está oportunidade fora! - outro falou por trás.

- Camila, a compra de uma parte da mídia seria uma ótima estratégia também. Você sabe, sua fama não é muito boa, várias revistas já relataram seu temperamento exacerbado fora das câmeras. Aquela sua ex-secretária por pouco não destruiu a sua carreira a alguns anos atrás porque demos uma boa quantia de dinheiro a ela, mas sempre surge alguém e solta algo relacionado a você.

- Por esse motivo eu tenho a Dinah Jane, Sr. Wolckerman. Ela gerencia tudo relacionado a mídias e afins, o caso de Melody foi como você mesmo disse a anos atrás, óbvio que isso não irá acontecer novamente.

- Tem certeza mesmo disso?

Ele abriu uma pasta e tirou uma revista dali, folheou algumas páginas e começou a lê-la:

- Segundo a revista Runway: "Filha de um ex grande empresário de cosméticos franceses, Alejandro Cabello, falecido em 23 de maio de 2002, e da socialite Sinuhe Cabello, Camila Cabello é a estilista vislumbre da nova década, seus trejeitos e traços acentuados dão ar de sofisticação e eventualidade nas roupas criadas por ela. Todavia, seu lado artístico e criativo podem ser apenas a única parte boa de si. De acordo com fontes extraconjugais e próximas da estilista francesa, sua personalidade temperamental, agressiva e fria fazem-na parecer não ser aquilo que ela aparenta ser em suas entrevistas. Alguns até dizem que ela possui um instrutor de teatro para conseguir ensaiar certamente suas falas a cada reportagem em que Camila Cabello participa."

- Miranda não cansa de querer afrontar-me, incrível essa obsessão dela por mim! - cruzei os braços abaixo dos seios. A perseguição dos editores de revistas já estavam realmente me tirando do sério.

- Camila, isto é algo sério.- foi a vez de Olaf Bullert se pronunciar, empresário de finanças e contabilidade. - A Runway é uma das maiores revistas de moda de New York, só este paragráfo pode abalar ainda mais sua carreira, imagina se ela conseguir informações a mais.

- Se ela conseguir informações a mais o problema é dela e da revista dela. Você são tolos demais, ela fez isso para que eu possa responde-la de volta, coisa que eu não vou fazer, não irei entrar no seu joguinho de farpas e vocês muito menos vão me obrigar a fazer caridade em instituições caindo aos pedaços.

- Srta. Cabello, você não está pensando com a cabeça!

- Na verdade Sr. Bullert, os únicos que não pensam com a cabeça de cima é o senhor e o resto desses homem que ficam babando em cima da minha secretária. - elevei a sobrancelha e sorri debochada quando vi a expressão fechada e raivosa nas faces de cada um presente na mesa. Bingo, Cabello.- Reunião encerrada!

Sai da sala batendo o salto Brian Atwood no chão propositalmente afim de afrontar aqueles empresários hipócritas e irritantes. Quem eles acham que são pra decidirem o que devo ou não fazer? Eu encho o bolso deles cada vez mais com essa grife e eles ainda querem transformar-me em uma marionete, controlar cada coisa da minha vida a moldes de suas idealizações gananciosas, agindo como se eu fosse um produto para a sociedade brincar e subjugar apenas no intuito de divertimento, idêntico as pessoas rente a um fantoche preso a uma linha de nylon num palco de teatro.

Ainda enfurecida, rumei a um novo destino: entrevista dentre os novos funcionários. Stefany e mais dois assessores nos quais me acompanhariam durante todo o processo passavam-me as coordenadas de cada candidato, seus nomes, se tinham pré-requisito, de onde eram, quais as razões de quererem vir trabalhar na C'Cabello e a quantidade de vagas para cada cargo a ser ocupado caso algum deles fossem escolhidos.

Paramos no saguão onde concentrava-se o elevador, a cabine infelizmente ainda não estava no nosso andar. Fechei os olhos e comecei a contar silenciosamente no intuito de acalmar os nervos.

- Camila Cabello?

- Sim, pois não? - virei-me de cenho franzido para seja lá quem tivesse acabado de me desconcentrar.

- Desculpe se estou atrapalhando você Srta.Cabello sei que provavelmente está bem ocupada...

- Tenho uma entrevista a fazer daqui alguns minutos, então diga, não tenho todo tempo do mundo.

- Bem...- o rapaz pigarreou e então decidi reparar de quem se tratava. Um homem alto, não aparentava ter mais de 23 anos, a barba feita dava-o certo charme, principalmente o terno azul-marinho na qual usava, carregava consigo também uma pasta negra. Sua beleza era de se apreciar e apesar de estranho, ele parecia ser familiar. - Sou o novo representante da Allure Diamants.

- Manuel Mendes resolveu vender a empresa? Que inovador...

- Não, meu pai nunca venderia a Diamants, ele considerava muito seu pai antes disso.

- Espera, o que... - encarei-o confusa.

- Sim Camila, sou eu o Shawn Mendes. Seu elevador está chegando. Nós vemos em breve!

Ele sorriu para mim antes de a porta do elevador se abrir, revelando as pessoas saindo  em disparada pelo saguão.

[...]

Quando estilistas passam a atuar como artistas ao criar conceitos que vão além do vestuário e sua funcionalidade, questionar a superficialidade e a efemeridade ou estabelecer uma ruptura impactante, a moda se torna notável por sua performance e passa a se enquadrar como categoria artística. Entretanto, ainda que moda e arte sejam dois campos da cultura, a moda tende a atuar de modo mais afirmativo, ao reforçar valores já estabelecidos no meio social e de consumo, ao passo que a arte opera de forma mais crítica ao questionar esses mesmos valores.

Visando dar continuidade a busca de uma cultura legítima, a Semana de moda torna-se um evento da indústria com duração de aproximadamente uma semana, o que permite os criadores de vestuários, calçado, acessórios, joalharia, entre outros, mostrarem suas últimas coleções em desfiles nas principais capitais do mundo: New York, Londres, Milão, e finalizando os acontecimentos em Paris.

Faltava apenas por o par de brincos prateados banhados a ouro branco puro e eu estaria pronta. Harry bateu na porta avisando que a limousine chegaria em alguns minutos. Dei o último lomotf no cabelo com o spray fixador de penteado, assentando assim o coque frouxo, deixando a franja e alguns fiapos de cabelos soltos.

" - Você está tão linda, mon ange."

Olhei para o espelho rente a mim e foi como se eu visse meu pai ao meu lado, segurando meus ombros e sorrindo abertamente da mesma forma de sempre, ele parecia feliz e orgulhoso, ele encarava-me com os olhos brilhando. Senti a fisgada no estômago tirar o ar e as lágrimas quererem descer. Parecia tão real...

- Eu sinto tanto a sua falta, papa... - fechei os olhos fortemente.

Era mais uma peça provocada por minha mente afim de descontrair-me e fazer entrar-me no mundo da ilusão mais uma vez durante todos esses anos, estava farta daquilo.

Batidas na porta fizeram-me acordar e voltar novamente a dura realidade da vida.

- Vamos, Mila? Uau...- Harry entrou no quarto e mordeu o lábio, arrancando-me uma risada alta.- Quer matar quem essa noite, hot queen?

- É mais fácil Dinah me matar se nos atrasarmos pelo menos dois minutos a mais. - revirei os olhos e suspirei.  - o tapete da Paris Fashion Week hoje é nosso, querido!

As famosas placas azuis com o nome das ruas de Paris demonstravam estarmos perto do local. Aquela noite cintilava feito as estrelas após suas explosões no imenso céu azulado, denunciando ser uma das coisas mais belas de toda cidade, a Torre Eiffel era vista de longe nas avenidas de Pont de la Tournelle, entrando pela Saint-Louis conseguia ser possível ver os turistas andando tranquilamente, pessoas nas tavernas a fora dos estabelecimentos comendo seus lanches noturnos, as atrações nos pontos turísticos, apresentações de  grupos de dança e músicas ao vivo e iluminavam ainda mais a cidade das luzes.

Um pouco a frente a rue Rivoli mostrava sua movimentação exagerada de carros e paparazzis por toda extensão do Petit Palais, os gritos dos apaixonados pela moda - e/ou pelos famosos na qual frequentariam o desfile - foi possível de ser ouvido mesmo na entrada da avenida.

- Seguinte, Camila e Harry vocês vão entrar depois de mim quando os três seguranças aparecerem, vou ir na frente primeiro pra dar cobertura, vai entrar um segurança  na retaguarda e dois atrás, mais dois vão estar comigo esperando o carro partir, temos cerca de cinco minutos no máximo porque vai entrar mais um carro assim que sairmos - Dinah dizia calmamente enquanto ouvia seu interfone no ouvido e digitava no IPad. Nunca vou entender como ela conseguia ser assim tão concentrada em tantas coisas assim. - o chofer só irá abrir a porta e sigam pelo tapete vermelho, pelo que estão me dizendo tem muito fã pela área, deu até confusão já e não são nem nove horas!

- Tá, é pra seguir o tapete vermelho mas e se algum repórter parar eu ou a Camila?

- Aí é com vocês - a loira nos encarou e apontou pra mim. - Camila, você sabe todo o roteiro, não é?

- Nunca falar da nova coleção, fugir de perguntas que não tenho a ver com a minha profissão, de romance e blá blá blá!

- Ótimo, eu estarei esperando os dois mais a dentro do Palais na área do desfile, qualquer coisa só me darem um toque e apareço!

Foi a última frase de Dinah antes de ela sair do carro e chamar os seguranças tentando tapar a visão dos paparazzis que apareciam um atrás do outro igual formigas quando descobrem comidas à deriva.

O barulho da música alta, o gritos ensurdecedores, o cheiro de perfume dos variados tipos, as roupas elegantes de de diversos estilos, os flashs a todo lado não importava aonde se olhasse, famosos de diversos cantos do mundo sendo parados a cada andar ou por fã, por outros artistas seja da moda, cinema ou arte ou por repórteres e fotógrafos em busca de uma foto privilegiada ou a fofoca bombástica daquela magnífica noite.

Fui parada umas seis ou sete vezes, pose pra foto, dar autógrafos e por último a entrevistadora da E!NEWS puxou-me do nada quando eu estava passando no seu lado, ela acenou ao câmera e antes de começar a gravar elogiou meu vestido rapidamente e sorriu ladino quando fingiu tropeçar e apertar minha cintura usando a desculpa de arrumar a parte de trás do meu vestido. Não que eu curtisse mulheres, não é meu forte, todavia, aquilo subiu meu ego num nível absurdo, entendo ela perfeitamente.

- Por ser uma das estilistas mais bem sucedidas da nova geração, você vive de transformar os desejos e necessidades das mulheres em realidade, através das suas coleções de roupas e acessórios que compõem um guarda-roupa perfeito.- a loira perguntou-me lendo seu papel nas mãos mas ainda sim encarando a câmera e a mim. Engoli em seco, o medo de vir perguntas invasivas é quase comum nas entrevistas. - Qual é a parte mais difícil de ser mulher numa perspectiva diferente sobre o trabalho como estilista?

- Assim como qualquer mulher, enfrento suposições sobre quem eu sou e o que posso fazer. As mulheres precisam provar que são mais que os homens, têm de lutarem para serem ouvidas. - Suspirei aliviada por não gaguejar nenhum momento e abri um sorriso continuando a falar, o assunto de ser mulher no ramo da moda era o que eu mais gostava. .- E claro, os tempos mudaram e as coisas estão ficando cada vez melhores para nós. Podemos ser tudo o que quisermos ser e não precisamos de ninguém para nos dizer o que fazer!

Foram jogadas mais três perguntas rápidas e segui a caminho do meu lugar favorito de todos os eventos: o coquetel de bebidas.

Ainda segurando o corpo de martini de frutas cítricas, conversei com conhecidos os quais passaram por mim, Louis Vitton, que nunca aparece em desfile algum, parou e trocou palavras ligeiras comigo, disse baixinho de meu vestido ser uma das apostas da noite  e de estar feliz em conhecer a estilista revelação do mundo fashion. Depois dele se despedir Donatella Versace apareceu e deu-me dois beijinhos no rosto, típico dos italianos.

- Camila, meu bem, sua roupa está um escândalo! - seu sotaque era perceptível por quem passasse por nós.

- Você também está linda, Donatella. Dourado definitivamente é sua cor.

- É por isto mesmo que eu amo a moda, ela pode ser uma arma...

- Que você pode usar quando precisar. - falamos uníssono sua frase chave.

- Perfeita, além de bonita, inteligente, é minha fã também! Preparada pro desfile de hoje?

- Chanel e Dior nunca erram no quesito apresentação, você sabe disso, apesar do desfile do ano passado da Chanel ter sido...

- Um desastre, o mundo da moda está em decadência total. Por isso vendi a Versace, essa nova geração veio com uma áurea futurísticas demais para mim!

Conversamos animadamente uma lado da outra até a área onde aconteceria o desfile, ao adentrar o local, a plateia estava imensa, e vê, além de mulheres de todas as idades, homens e crianças, estas sempre com babás engomadas com seus aventais alvos. Mas as pessoas que nunca tiveram a oportunidade de assistir a tamanho espetáculo espera a hora da "liberdade", quando assessoras de imprensa e suas frilas anunciam pelos microfones que as pessoas sem convite podem entrar. Claro, desde que ficassem nas últimas filas, aquelas onde a cabeça bate no teto e os pés são colocados em ponta como se fossem de bailarinas.

A iluminação começou a se acender e, no lusco-fusco, as cortinas do palco abriram seus panos, como saias imensas de divas operísticas. Um silêncio dá uma pausa no local, mas ao mesmo tempo o som repercute seu grito. Está na hora? Ainda não, darlings! Na verdade o atraso passa de 60 minutos, deixando alguns indiferentes e mudos de emoção.

Durante este intervalo, aproveitei para checar minhas redes sociais as quais eu não via desde cedo, de todas o Twitter e o Instagram eram meu prediletos. Rodei as mídias sociais e todas falavam do desfile de hoje, marcações de famosos juntos de fotos comigo no Red Carpet e próximo a ala de coquetéis e apresentação de artes conceituais, outras no Twitter dos fãs elogiando-me de todas as formas possíveis. Quando entrei no Instagram, apertei a aba do busca e apenas uma foto chamou a minha atenção: muros de New York grafitados e preenchido de luzes coloridas, idênticas aquelas usadas no natal. Printei a imagem e decidi abrir a conta da foto, outras diversas fotos estavam ali no mesmo estilo da primeira, apesar do fotógrafo não parecer famoso e provavelmente ser armador pela quantidade de seus seguidores, não deixava de ser um trabalho lindo, eu ia salvar a conta mas infelizmente alguém pisou no meu pé e acabei por sair da aba sem querer.

Ia praguejar a pessoa, só que, ao levantar o olhar não resisti e puxei-a para um abraço.

- Saudades de você também, Mila! - sussurrou a menor dentre o abraço caloroso.

- Ariana, quanto tempo, saudades também, já ia xingar você.

- Eu sei disso, wifey. Conheço minha amiga de anos. Sabia que Miranda Pristley está aqui?

- Aquela mulher insuportável, mandou fazer uma coluna me difamando, acredita?

- Eu sei disso, era trend topics no Twitter nessa semana, coleção de abril e ela já arrumou um jeito de te provocar.

- Se eu trombar com ela vou sentir vontade de voar no pescoço de velha ranzinza dela. Argh!

- Vai com calma, Elsa Fashion. - ela riu usando um dos apelidos dados pela mídia a mim. Revirei os olhos. - Aliás, cadê a...?

- Ariana Grande, a senhora me vê e não fala comigo, que engraçado! - Harry surgiu atrás dela abraçando-a de lado.

- Aí Harry, cansei de olhar sua cara por um mês todinho desde aquela seção da Vogue.

- Eu também cansei das frescuras de um anão de jardim.

- Calem a boca os dois.

Dinah sentou no meu lado reclamando como sempre.

- Se estava perguntando sobre Dinah Jane, ai está meu cão de guarda. - respondi e Dinah encarou-me mortalmente. Apenas sorri e acenei a ela.

- Bem, girls and boy, o papo está ótimo mas irei pro meu lugar, fileira de cima. - Ariana se despediu de nós e ambos voltamos a nos concentrar no palco.

O clima às vezes é tenso, principalmente nos grandes desfiles, assim como o Paris Fashion Week. São sapatos que apertam ou então são maiores que os pés, meias que se rasgam, o cache-sexe esquecido em casa, o maquilador que, sem querer, borra com rímel o olho de uma top-model. Todos a postos nos seus lugares e a chamada para a primeira modelo se iniciou. Roupas coloridas, estilos diferentes, apresentações de músicas, e por fim aplausos e assobios dos vários lados do palco.

 


Notas Finais


Quero tentar postar ao menos alguns capítulos por mes, só se torna difícil pela rotina de vestibular e disposição pra escrever, prometo arrumar isso.

link das músicas: Tiko's Groove feat Gosha - I Don't Know What To Do https://www.youtube.com/watch?v=GV7FSJDwjME

SEREBRO - Mi Mi Mi https://youtu.be/nlt5Wa13fFU


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