História Linha Tênue II - Capítulo 19


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Categorias David Luiz, Oscar Emboaba
Personagens David Luiz, Oscar Emboaba, Personagens Originais
Tags Brasil, Chelsea, Londres, Paris, Psg, Seleção Brasileira
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Palavras 5.612
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Esporte, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi meus amores!
Não falei que eu voltava? Pois bem, estou aqui e trago comigo mais um capítulo de Linha Tênue II. Demorei um pouco para escrevê-lo, foram muitas ideias para organizar no roteiro desse e dos próximos...
Arrisco dizer que estamos quase chegando na reta final de LT II, QUASE... Mas acalmem os corações, ainda tem muita história para se desenrolar e muito Gavid para shippar!

Quero saber de vocês: gostariam de ler Linha Tênue I e II novamente, só que agora com modificações e muitos acontecimentos diferentes do enredo atual? Respondam aqui para a tia Jú. Estou pensando em algo, mas preciso da opinião de vocês! :)

Agradeço todo o carinho de vocês para com a história e comigo. Vocês são demais!
Qualquer coisa me mandem mensagem por aqui. Deem uma olhadinha na nota final, deixarei o link do nosso grupo no WhatsApp!

Mil beijos,
Júlia

Capítulo 19 - Singular


  – Amores, cheguei! – Gritei assim que passei pela porta, largando a bolsa e seguindo para a cozinha com as sacolas.

    Passei no mercado depois da aula e comprei ingredientes para fazer bolo de chocolate e cobertura de brigadeiro.

    – Oi amor! – David apareceu segundos depois e selou os nossos lábios como cumprimento. – Deixa que eu arrumo essas coisas…

    Ele pegou as sacolas e começou a guardar o conteúdo. Não deu tempo nem de perguntar onde estavam as crianças, porque os dois pequenos furacões invadiram a cozinha e agarraram as minhas pernas, animados por me verem.

    – Mamãe! – Gritaram felizes.

    Eu sorri, o meu coração se aquecia sempre que chegava em casa e tinha Maitê, Caio e David a minha espera. Aquilo era a felicidade na sua melhor forma.

    – Oi meus bebês! – Beijei a testa de cada um, e continuei – Como foi na escola?

    Começaram a falar e gesticular sobre o que tinham feito pela manhã.

– Nós fomos na praça e um menino empurrou o Caio, mãe. – Mai pareceu lembrar do ocorrido enquanto contava atônita.

Caio me olhou chateado e fiz um carinho em seu cabelo cacheado como o do pai.

– Como você está, meu bem? – Perguntei ao meu filho, e lancei um olhar sério para David.

– Tá doendo o meu braço… – Ele passou a mão no braço direito, abaixei-me para ficar da sua altura e dei um beijinho no local.

– Eu conversei com a professora, amor… – O meu marido começou a explicar, e suspirei; não estava adiantando muito. Ele seguiu – Ela disse que eles se resolveram na hora, não foi proposital…

– Foi o Henry? – Perguntei e o meu menino concordou. – David, é a segunda vez que esse menino implica com o Caca! – Murmurei indignada.

Havíamos nos mudado há seis meses para Lisboa, em Portugal, e nessa escola as crianças haviam começado a um pouco mais de dois. Desde a primeira semana Caio reclamava que o Henry dizia que ele falava errado - o errado para ele era o nosso português brasileiro misturado com o inglês que os nossos filhos aprenderam em Londres -, e eu e David sempre estávamos lá reclamando.

– Se for preciso eu falo com os pais dele! – David afirmou, e eu concordei séria.

Aquilo já estava passando dos limites. O meu pequeno Caio tinha só 3 anos… Mesmo se tivesse 30, eu iria protegê-lo, ainda mais sabendo que não estava fazendo nada de errado.

As crianças saíram da cozinha logo depois, porque estavam assistindo filme e estavam curiosos para saber o final de Lilo & Stitch, mesmo que fosse a décima vez que assistiam.

– Ei… – Meu marido chamou, aproximando-se. – Vamos resolver isso. – Prometeu abraçando-me pela cintura.

Ele sabia que eu estava indignada com essa situação.

Escorei a cabeça em seu peito e respirei fundo. O meu marido passou a mão em meu cabelo e beijou o topo da minha cabeça, carinhoso e delicado como sempre.

– Como foi a sua aula? – Ele quis saber ao desvencilharmos.

– Foi boa até descobrirem que o meu marido é o David Luiz… – Lembrei fingindo não suportar esse fato, e ele me olhou de um jeito engraçado, indicando para que eu prosseguisse. – O meu professor é torcedor do Benfica. Disse que viu as nossas fotos e confirmou hoje vendo o meu nome na chamada… Ele perguntou se não tem como eu levar um autógrafo seu no nome dele.

– E você disse o que, Senhora Gabrieli Emboaba Marinho?

(...)

Abri os olhos com certa dificuldade, ouvindo o celular notificar mensagens no criado mudo. A claridade invadia o quarto por uma fresta da cortina, o que irritava os meus olhos. O meu coração estava acelerado, eu poderia jurar que era real, que eu estava casada, que as crianças tinham 3 anos e morávamos em Portugal...

– Vocês ainda estão aqui… – Falei baixinho para os meus filhos, fazendo carinho leve na barriga.

Respirei fundo e fechei os olhos.

Eles se mexiam dentro de mim, era um alívio senti-los. Eu os queria nos meus braços mais que tudo, mas tinha tanto medo… O que eu faria quando já não fôssemos um? As coisas já não eram fáceis, e o depois me assustava mais ainda. O futuro parecia incerto demais às vezes, isso me preocupava. Eu tinha muitos planos, queria cuidar dos meus filhos da melhor forma possível, eu sabia que me dedicaria ao máximo, porém, a angústia de não ser boa como mãe era recorrente. Eu tinha muito o que aprender, e não me via preparada para isso, só sabia que era necessário estar.

O celular apitando me trouxe para o agora. Eu o peguei e vi que eram 10:50, havia dormido bastante. No visor vi várias notificações com o nome de David Luiz, coloquei a senha para abri-las e ler melhor.

Bom dia linda! 09:07

Como vocês estão? 09:08

É possível eu já estar com saudades? Porque é o que eu to sentindo… 09:10

A minha mãe perguntou se você quer tomar café conosco? 09:15

Bom, conhecendo como te conheço, sei que está dormindo (emoji rindo)‍ vou me arrumar e tomar café com os meus pais. 09:17

Me liga quando acordar 09:18

    Se antes de engravidar eu já acordava tarde, agora grávida e com dificuldade para dormir, quando conseguia pegar no sono dormia até não aguentar mais ficar na mesma posição e ter que levantar ou virar - o que estava se tornando cada vez mais difícil, para não dizer impossível.

    Continuei lendo as suas mensagens e me deparei com as seguintes:

Os jornalistas não param de ligar, já bloqueei uns 8 números. Não sei como conseguem 10:47

Vou ter que falar algo para pararem 10:48

Estou pensando em postar isso no instagram, mas só vou postar se estiver ok pra você 10:48

Sonho em ser pai desde que me entendo por gente, então sempre foi algo que esteve nos meus pedidos e orações. Só Deus sabe o quanto pedi, mas eu sabia que demoraria… Tem toda uma construção social em volta do ser pai, ser mãe, ter uma família no geral. Dizem que você precisa estar estabilizado em todas as áreas da sua vida e isso não é uma mentira, afinal, é difícil cuidar e dar amor a alguém (ainda mais nos dias de hoje), dizem que você precisa ter isso, fazer aquilo, precisa casar. Precisa estar casado para pensar em ter filhos, para construir uma família. Confesso que planejei por muito tempo baseado nessa ideia, achei que fosse casar primeiro e uns anos depois ser pai, mas os planos de Deus foram outros…

Depois de achar que eu já sabia o suficiente sobre o amor e sobre a vida, Gabrieli surgiu. Foi um reencontro, não foi especificamente amor à primeira vista, foram muitos sentimentos que nos levaram ao amor. Mas isso não é sobre eu e Gabrieli como um casal, é sobre nós como uma família… O meu maior desejo foi atendido e fomos presenteados em dobro: são gêmeos, e se chamam Maitê e Caio. Em pouco tempo os nossos filhos estarão em nossos braços. Estou muito feliz e ansioso!

Decidi anunciar em respeito a todos aqueles que me acompanham, vocês são muito carinhosos comigo e vejo a necessidade de ser sempre transparente com todos. Jornalistas, peço encarecidamente que compreendam esse momento, não atenderei ligações para falar sobre isso e tampouco gostaria que ficassem atrás de nós, é um momento nosso e queremos privacidade.

Obrigado,

David Luiz 10:49

O texto acompanhava uma das fotos que havíamos tirado ontem à noite. Confesso certo nervosismo enquanto lia, tendo em vista que tudo e todos saberiam sobre nós e fariam deduções de tudo o que já vivemos. Senti muito pelo Oscar porque sabia que era algo que poderia incomodá-lo ainda, e senti também por ter que expor os meus filhos, mas tanto um quanto o outro não poderia ser evitado. O pai dos bebês e o meu irmão são pessoas públicas, em consequência também sou conhecida e todos aqueles que estiverem conosco estarão expostos.

Bom dia David 11:01

Nós estamos bem, e você? 11:01

Eu confesso que é complicado saber que os bebês estarão sob os holofotes, mas não temos como evitar e viver fugindo é loucura 11:02

Pode postar 11:02

Pode ser que assim aliviam um pouco para nós 11:03

Enviei e deixei o celular de lado, movendo-me para fora da cama. Levantei e fui até o banheiro, precisava urgentemente esvaziar a bexiga. Aproveitei para tomar um banho morno com o intuito de começar o dia mais relaxada.

Antes de vestir a calça e o moletom mais confortável, olhei no espelho e fiquei presa àquela imagem. Às vezes olhar no espelho se torna algo tão banal que deixamos passar os detalhes e ignoramos a imagem que ele nos mostra, não saberia dizer se fugia dele ou simplesmente estava tão ocupada nos últimos dias para parar e me observar…

O meu rosto tinha traços mais pontuais do que alguns meses atrás, as olheiras eram mais evidentes pelo cansaço de noites mal dormidas. O meu cabelo estava mais escuro, pois agora não podia pensar em pintar para mantê-lo loiro e nem tinha mais vontade, estava gostando da minha cor natural. A minha pele estava um tom mais pálido pela falta de sol já que em Londres estava chovendo a todo instante. Os meus peitos estavam o dobro do tamanho e aquilo me assustava um pouco, estavam sensíveis e doíam só de encostar. Fechei os olhos por um momento e respirei fundo; aquilo tudo é parte de quem sou, é reconhecimento do meu eu, não precisava ser difícil.

Encarei o espelho novamente agora observando a minha barriga, que estava num tamanho jamais imaginado. Eu a alisei com as duas mãos e olhei diretamente para uma estria que aparecia ali, mais uma linha para a minha história… Fiquei perdida nos meus pensamentos enquanto vestia a roupa.

Ao sair do banheiro encontrei com o meu irmão no corredor, ele estava com a Julinha nos braços.

– Bom dia, Gabi. – Ele sorriu e se aproximou para dar um beijo na minha testa. Fechei os olhos com aquele gesto delicado.

– Bom dia. – Sorri, e fiz um carinho leve no seu braço e na bochecha da minha sobrinha.

– Vocês dormiram bem? – Oscar perguntou com a sua habitual atenção.

– Sim, maninho. Estão acordados faz tempo? – Perguntei enquanto caminhava para o meu quarto.

– Sim… A Juju acordou chorando com cólica lá pelas 06:00, e voltou a dormir só agora. – Ele respondeu na porta do quarto.

Suspirei. Ficava com dó da minha pequena com dor e sem saber o que fazer, mas os seus pais sempre davam um jeito para fazê-la ficar bem, o que me tranquilizava. Eu tinha bons professores para me ensinar a cuidar dos meus filhos.

Oscar foi para o quarto de Julia coloca-la no berço e disse que ia tirar um cochilo com a Ludy que já o esperava deitado. Eu peguei o celular para ver as respostas de David, mas antes aproveitei para dar um oi para a minha mãe; eu estava morrendo de saudades daquela mulher.

Oi mãe, como você tá? 11:35

Estamos morrendo de saudades! Vem logo! 11:35

Mandei foto do espelho do quarto, mostrando os seus netos na barriga. Em Londres estamos quatro horas a frente do horário de São Paulo, ou seja, lá era 15:35, um bom horário para conversar. Às vezes tínhamos esse pequeno probleminha de fuso.

Fui até o nome de David para ler o que havia recebido.

To bem 11:06

O que acha de passar o dia comigo e com os meus pais? 11:06

    O que eu acho disso? Pensei comigo mesma por um instante… Há algum tempo eu acharia loucura ficar por muito tempo no mesmo local que a sua mãe, mas hoje, depois de ver a sua felicidade e carinho comigo e com os bebês, não saberia negar. A dona Regina não era mais a minha sogra, tampouco apenas a mãe do homem que eu amo, agora ela assumiu o papel de avó e isso significava muito.

    Eu acho ótimo 11:39

    Você vem me buscar? 11:40

    Coloquei o celular no bolso do moletom e fui até a cozinha, peguei uma banana e fiz um pouco de leite com achocolatado. Não demorou muito para que eu sentisse o celular vibrar com novas notificações, sentei no sofá e beberiquei um pouco do líquido. Deixei o copo de lado, descasquei a banana e peguei o aparelho para ler e responder enquanto comia.

    O pai dos meus filhos respondeu que em alguns minutos passaria para me pegar, e a minha mãe respondeu que pretendia vir nos ver o mais rápido possível.

    Terminei de comer e sequei o cabelo, escolhi um casaco mais quentinho e o vesti. Passei pelo quarto de Oscar e Ludy e coloquei o rosto para dentro, vi a minha cunhada mexendo no celular.

    – Lu, vou passar o dia com o David e os pais dele. – Avisei.

– Se cuida, Gabi. Qualquer coisa me liga, viu? – Respondeu com a voz sonolenta, e eu concordei. – Vou dormir mais um pouquinho… – Largou o celular e ajeitou o travesseiro.

Me aproximei para dar um beijo em sua testa e ela sorriu com os olhos fechados. O meu irmão dormia profundamente ao seu lado. Eu nunca me cansaria de dizer o quanto amo esse casal; o meu irmão por simplesmente ser o melhor do mundo, o mais carinhoso e atencioso sempre, e Ludmila por ser a minha irmã e melhor amiga em todos os momentos, sempre pensando no meu bem e em como me ajudar com tudo.

O David avisou que havia chegado, peguei uma bolsa com os documentos, carteira e celular e saí do apartamento. Não demorou para o elevador chegar ao nosso andar e em poucos minutos cheguei na portaria, onde encontrei o cabeludo escorado na bancada conversando com o porteiro num inglês engraçado, e que eu tinha certeza que só ele entendia e as pessoas fingiam compreender.

– Good morning. – Disse o porteiro gentilmente.

– Good morning. – Sorri de volta, e olhei para David. – Vamos?

Ele concordou e despediu do porteiro, estendeu a mão para mim e eu encarei por alguns segundos meio perdida. Resolvi não hesitar, peguei em sua mão e entrelaçamos os nossos dedos. Não olhei em seus olhos, fitei qualquer coisa a minha frente e foquei em andar; o que eu senti foi indescritível. Os meus lábios formaram um sorriso involuntário e uma sensação gostosa tomou o meu peito, não conseguia lembrar qual a última vez que havíamos andado de mãos dadas, talvez nunca…

O David abriu a porta do carro, eu entrei e me ajeitei enquanto ele contornava para entrar no lado do motorista.

– Queria ter dormido com você… – David soltou simplesmente e ficou me encarando.

– Ah, David… – Fiquei pensando no que dizer, e ele riu de uma forma gostosa. – Sonhei com você. – Mexi no cabelo um pouco sem graça.

– O que sonhou? – Perguntou rápido, curioso.

Contei resumidamente como foi o sonho e David prestou a atenção, ele sorria a todo instante, me deixando com vontade de beijá-lo e não soltar nunca mais.

– Estávamos casados? – Observou olhando em meus olhos, e eu assenti. – Espero que isso um dia se realize… – Murmurou.

Pensei em respondê-lo, mas aquele não era o momento... Acho que precisávamos viver outras coisas para termos a resposta para aquele sonho. Ou não, não sei dizer... Escolher ficar com alguém para o resto da vida envolvia muitas coisas além do amor.

Ficamos por um tempo em silêncio, foi um tanto constrangedor. Sabe quando você sente que devia ter falado algo, porém, deixou o momento passar? Foi o que senti. Resolvi me redimir, estendi o braço até a sua nuca e fiquei ali fazendo um carinho leve na sua pele e em parte dos seus cachos. Vi ele se arrepiar e um sorriso largo no seu rosto.

– Você já postou a nossa foto? – Perguntei ao lembrar disso.

– Ainda não… Estava esperando te encontrar pra isso. – Respondeu concentrado na rua. – Quer fazer isso pra mim? Pega o meu celular, deixei o texto nas notas…

Concordei. Ele tirou o celular do bolso, desbloqueou com a digital e me deu. Outra vez não contive um sorriso ao ver que o seu plano de fundo era nós dois em uma das fotos da noite passada. O David Luiz é um homem lindo por dentro e por fora, e eu sabia que nunca deixei de amá-lo, pelo contrário, eu o amo cada dia mais.

Copiei o texto e entrei no seu Instagram, escolhi a foto e colei. Li uma última vez às suas palavras, me convencendo de que era necessário para as nossas vidas.

– Foi.  – Falei ao clicar em compartilhar.

– Espero que se contentem com isso… – David comentou baixo, talvez pensando alto.

Assenti. Tudo o que eu queria era paz, ainda mais nesse momento tão delicado para as nossas vidas.

O caminho até o hotel foi tranquilo, não era longe, então chegamos em poucos minutos. O David já havia avisado os seus pais que estávamos chegando, assim nos esperavam em frente. A dona Regina fez questão de abrir a porta e me dar um abraço, conversou com os netos e fez carinho em minha barriga; o seu Ladislau foi atencioso também.

– Quais são os planos de hoje? – Regina quis saber.

– Bom… – David pensou por um tempo, e continuou – Vocês já conhecem quase todos os pontos turísticos daqui… Então pensei de irmos no The Shard, que é o maior prédio da União Europeia. Podemos ver a cidade lá de cima e almoçar.

– É uma boa ideia. – Ladislau comentou.

– Eu já ouvi falar… Acho que a Ludy e o Oscar foram há alguns meses, e eu não quis ir porque estava no início da gravidez e bastante enjoada… – Lembrei vagamente e fiz uma careta.

Os primeiros meses de gestação foram de muitos enjôos, ficava com o estômago embrulhado só de pensar… Se me perguntassem sobre o que foi pior nesse tempo, em primeiro lugar estaria os meus desmaios no final do ano e em segundo os primeiros três meses. Mas, agora estava tudo bem e eu só precisava ter cuidado que nada de mal aconteceria.

– Gabi, se você preferir podemos ir em outro lugar. – David respondeu casual.

– Não! – Neguei rapidamente, seguindo – Foi só um comentário aleatório, eu nem sinto mais enjoos. Podemos ir sem problemas! – Os tranquilizei.

Decidimos enfim ir para esse lugar, tendo em vista que estava próximo do horário de almoço, sugeri que comprássemos os ingressos pela internet para não ter que esperar muito para entrar. Eles aceitaram e David mais uma vez me deu o seu celular para manusear, deixando claro para eu selecionar o seu cartão que já estava cadastrado porque seria mais rápido – ele me conhecia, eu não aceitava que ficassem pagando coisas sendo que eu poderia pagar, entretanto, dessa vez concordei que era o mais viável a ser feito.

Cerca de vinte minutos, David estacionou próximo ao Shard, desceu e contornou o automóvel rapidamente para me ajudar. Às vezes carregar os gêmeos exigia mais do que eu podia encarar e toda ajuda se tornava bem vinda.

A fila para entrar tinha umas vinte pessoas, me senti mais aliviada ao ver a indicação para fila preferencial. Os pais de David ficaram na fila normal e ele me acompanhou; assim que chegamos perto do funcionário responsável de validar os ingressos, ele nos encarou por um tempo e eu vi que era impossível querer levar uma vida desconhecida por um dia que fosse.

O inglês pediu para tirar foto com David Luiz e o seu autógrafo. Percebi certo alvoroço vindo da fila, pessoas indicando que era o jogador do Paris Saint-Germain que estava ali e respirei fundo pedindo mentalmente que permanecessem nos seus lugares. Eu não via problema algum em David tirar fotos com todos ali, sabia que por ele estava tudo bem também, mas o que não queria era gente se intrometendo nas nossas vidas, especulando sobre a nossa relação e os nossos filhos.

Fiquei inquieta e David passou o braço pelo meu ombro, me abraçando de lado. Ele conversou com o funcionário sobre os pais que estavam esperando e conseguiu que entrassem conosco. Eu sei que isso é péssimo e ninguém deveria usar a sua visibilidade para passar na frente, mas essa situação poderia gerar incômodo tanto para nós quanto para o prédio pelo tumulto que iria causar.

Fomos encaminhados para um dos elevadores e disseram que logo Regina e Ladislau subiriam. Assim que as portas fecharam olhei para David e ele sorriu, aquele sorriso era o meu ponto de paz em meio a toda confusão instaurada nos meus dias. Eu sorri de volta e agradeci mentalmente por tê-lo reencontrado.

Em poucos minutos estávamos há mais de 200 metros de altura. Fiquei impressionada como subimos rápido e, quase sem sentir, chegamos ao 72º andar – o último andar do mirante, a partir do 73º a 87º é a agulha do arranha-céu e os seus últimos andares não são utilizados. Saímos do elevador e arregalei os olhos ao ver as paredes de vidro nos apresentando uma visão 360º da capital inglesa.

Logo que vim para Londres fui a London Eye e já havia ficado surpresa com a vista proporcionada na roda gigante. Agora caminhando para mais perto de uma das paredes do mirante, vendo a cidade a se perder de vista, David pegou na minha mão e entrelaçou os nossos dedos. A sensação de sentir o seu toque, a sua presença, conseguia superar o encantamento de ver a cidade do alto.

Paramos próximos ao vidro. Percebi que Regina e Ladislau chegaram, mas não tirei os olhos da cidade. Um sorriso largo se fez nos meus lábios; eu sentia o meu peito sorrir junto. Eu não havia sonhado com o momento de sermos nós outra vez, em meio a tantas mágoas eu não conseguia enxergar ou me neguei a ver que tudo o que eu sempre quis foi estar bem ali. Não no The Shard, tampouco em Londres… Tudo o que eu sempre quis foi estar ao lado de David Luiz como estava agora, segurando a sua mão, com os seus pais ao lado, os nossos filhos mexendo em meu ventre como se soubessem exatamente o que estava acontecendo – e, de fato, sabiam. Eu me sentia grande e forte, capaz de enfrentar todas as barreiras e qualquer problema que nos atingisse.

– Olhem para a foto! – ouvi Regina falar um pouco mais alto que o habitual.

Assim que viramos ela estava a alguns passos a frente com o celular em mãos pronta para registrar o momento. Eu sorri um pouco sem jeito e perdida, David passou a mão pela minha cintura abraçando-me e posamos para a foto.

– Vai acostumando, Gabi… A dona Regina adora uma foto! – David comentou após, e eu ri.

– Ah, eu gosto mesmo! Ainda mais agora que a Gabi tá grávida, quero registrar tudo com vocês! – Ela se defendeu de forma engraçada.

O seu carinho comigo e com os netos era surpreendente. Único e muito bonito.

Tiramos mais algumas fotos, tanto de nós quanto da vista e quando o nosso ponto começou a encher decidimos almoçar. Fomos para um dos andares com restaurantes, e escolhemos o mais vazio; um restaurante italiano, o que me fez desejar imediatamente um prato imenso de massa.

– Preciso ir ao banheiro. – Falei assim que escolhemos a nossa mesa.

– Eu também. – Regina se manifestou e veio para o meu lado.

– Vou chamar o garçom e pergunto para vocês onde é. – O cabeludo disse, logo acenando para o senhor de terno.

– Deixa que eu falo… – Fiz um sinal para David ficar quieto, e ele riu. – Please. Where is the toilet? – Me esforcei com o inglês.

Por mais fraco que fosse o meu inglês, considerava mais entendível que o de David Luiz. O dele era engraçado, eu sempre sentia vontade de rir quando o via falando. E o mais cômico não era ele não saber falar fluente, mas sim achar que era ótimo e que todos entendiam tudo.

O garçom indicou onde ficava o banheiro e nós duas fomos até lá. Entrei assim que vi um vago, estava com a bexiga pedindo socorro. Dei graças a Deus por não ser daqueles banheiros apertados que mal dá para respirar dentro, grávida e com a barriga desse tamanho ficar em lugares fechados e pequenos me deixava sufocada.

Fiz o que precisava e saí para lavar as mãos. Pouco tempo depois Regina saiu e fez o mesmo, nos olhamos através do espelho e sorrimos gentilmente uma para a outra.

– Sabe, Gabi, se me dissessem que hoje eu estaria aqui com você depois de tudo o que cada uma já viveu, eu não conseguiria acreditar. – Disse enquanto secava as mãos. Sorri fraco, não sabia o que falar sobre. Ela seguiu – Fui muito grosseira quando soube do seu relacionamento com o David… Eu achava que você era muito nova, só queria brincar com o meu filho. – Suspirou, fiz menção de dizer algo, mas Regina continuou – Deixa eu terminar, por favor. Sinto que precisamos dessa conversa. – Foi delicada em suas palavras, e eu apenas assenti. – Eu não conhecia a Gabrieli que conheço agora, e me arrependo muito de não ter dado abertura para que nos conhecêssemos melhor naquela época. Eu devia ter apoiado vocês desde o início, devia ter aconselhado e não julgado vocês… Eu não enxergava o modo como você e o David se amavam, o quanto queriam ficar juntos. Só posso pedir desculpas e…

– Não, dona Regina… – Interrompi rápido. – Não precisa se desculpar. Isso ficou lá atrás.

– Não, minha filha… – Negou e percebi os seus olhos marejados. – Eu preciso te pedir desculpas. E eu quero que você saiba que tem a mim, que estou aqui para o que você precisar! Estou aqui para você e para os meus netinhos! – Sorriu emocionada e tocou na minha barriga. – Você e o David merecem ser felizes, viver o amor de vocês e construir um lar de paz, amor e cuidados para os filhos de vocês que logo chegarão.

Eu estava emocionada também. Não conseguia segurar as lágrimas de alegria por estar ouvindo aquelas palavras da mãe do cara que eu amo. Nunca imaginei ter o apoio da Regina, não esperava por isso, e quando o recebi um sentimento único tomou conta de mim.

– Mesmo que não sejamos mais um casal, ouvir essas palavras da senhora é muito confortante. – Afirmei, passando a mão pelo rosto

Ela riu e negou com a cabeça. Analisei sem compreender.

– Vocês se amam. – Soltou naturalmente. – Não vão ficar juntos porque são pais, vão ficar juntos porque antes de qualquer coisa, se amam. Eu vejo a forma como David fala de você… Ele andava tão para baixo em Paris, foi te reencontrar que os olhos dele voltaram a brilhar e o sorriso não sai mais do rosto. – Ela disse sorrindo, e fez uma pausa parecendo lembrar de algo. – E você, Gabi… Eu não te conheço tanto, mas eu vejo como se comporta quando está com o David. Vocês transmitem amor.

Eu respirei fundo, absorvendo todas aquelas palavras e todas as outras que os seus olhos passavam. Transmitimos amor… Isso ecoou na minha cabeça junto com um apanhado de sorrisos que David me presenteava toda vez que nos víamos.

– Eu… Eu não sei o que dizer…

Tentei buscar palavras que expressassem a loucura dos meus pensamentos e sentimentos naquele instante. Era uma confusão, mas uma confusão boa que fazia cócegas no meu peito. Ao mesmo tempo que eu sorria boba, lágrimas teimaram em cair pelo meu rosto.

– Vocês… Principalmente você, Gabrieli, precisa aceitar que não adianta fugir dos seus sentimentos pelo meu filho. Precisa passar por cima de toda mágoa que ainda resta e dar uma chance para vocês dois. – Olhou nos meus olhos, e deu um passo, tocando com as pontas dos dedos a minha face na tentativa de secá-la. Regina suspirou, continuando – Não ache que estou me intrometendo no relacionamento de vocês, tá? Eu conversei sobre isso com o David também, e vi como necessário falar com você. Acho que vocês estavam precisando de um puxãozinho de orelha. – Piscou engraçada.

Ela estava exercendo o seu papel de mãe de uma forma incrível. Tudo o que consegui foi abrir os braços e envolvê-la o mais apertado que pude, como um agradecimento silencioso por ter feito eu enxergar por cima de toda e qualquer mágoa que restava.

– Vem… Vamos lavar esse rostinho lindo, nada de chororô! – Falou assim que nos soltamos.

Abri a torneira, enchi as mãos de água e lavei o rosto. Peguei o tanto de papel necessário para secar e assim o fiz. Olhei-me mais uma vez no espelho para checar se estava tudo certo.

– Vamos lá antes que venham atrás de nós… – Brinquei e Regina concordou.

Saímos do banheiro e caminhamos calmamente até a mesa que nos esperavam. Assim que David nos viu, levantou e puxou a cadeira para que eu sentasse, certificando-se de que estava confortável.

– Poxa Lau, podia ser cavaleiro assim também né? – Dona Regina resmungou de um jeito engraçado e cutucou o marido.

 – Ô meu bem, desculpa. – Ele deu um beijo no rosto da sua esposa.

Eu e David trocamos um olhar rápido e não conseguimos segurar a risada.

– Ai, ai… – David expressou enquanto abria o cardápio. – Vamos fazer os nossos pedidos?

– Sim. To faminta! – Exclamei também pegando para ver.

Cada um fez a sua escolha. Eu optei por fettuccine de espinafre ao sugo. Se eu não estivesse gestando dois bebês, escolheria vinho para acompanhar, mas nessa situação fiquei com o suco de uva e água sem gás mesmo.

– Espero que não demore. – Luiz comentou para nós, e eu concordei.

– Bom, como pai e avó, preciso perguntar como serão as coisas daqui pra frente… – Seu Ladislau começou a falar um pouco sem jeito, e eu senti as sobrancelhas se unirem em questionamento. – Não me olhem assim, por favor. – Pediu para mim e para David, e continuou – Eu não levo jeito para essas coisas de ter que ser invasivo, mas a Regina não soube me responder e eu me sinto no dever de zelar pelo bem estar dos meus netos, do meu filho, e, claro, de você porque me sinto até um pouco seu pai. – Falou me olhando e eu sorri abertamente pelo seu jeito carinhoso. – O que eu quero saber é: vocês vão criar os bebês nessa ponte-aérea Londres-Paris?

Acho que Regina e Ladislau haviam combinado de tocar em assuntos como este, porque não era possível tanta sintonia. Eu fiquei um tanto sem saber o que responder, olhei para David e encontrei os seus olhos em mim também. Os nossos olhos se conversavam, no entanto, os nossos lábios não colocavam em palavras, mas senti que era preciso tomar a frente disso.

– Não conversamos sobre isso ainda… Mas, eu não pretendo deixar Londres porque aqui tenho o meu irmão, a minha cunhada e a minha afilhada. De certo modo eu gosto de viver aqui, e eu tenho a minha família por perto… E eu suponho que o David não pretende sair de Paris, porque tem o seu trabalho lá, não é? – Respondi calma, e por fim busquei apoio de David.

– É… Ahm… Eu tenho contrato com o PSG. – Ele confirmou e sorriu fraco.

– Acho que isso quer dizer que vamos viver na ponte-aérea Londres-Paris. – Falei olhando para os avós dos bebês e tentei esboçar um sorriso mesmo que sem jeito.

Não tínhamos muita escolha para esse assunto. Eu não iria largar a minha vida em Londres e não esperava que David Luiz fosse largar a sua em Paris. Cada um tinha os seus motivos e já havíamos passado da fase de se magoar por isso. Tínhamos muito mais o que fazer e pensar do que ficar remoendo assuntos passados justo agora que somos pais. Um bem muito maior nos uniu e se Deus trabalhou para que estivéssemos nos reencontrado, Ele cuidaria de todo o resto… Isso não quer dizer que eu não sinta falta de David quando ele está na França.

– Eu tenho certeza que vocês encontrarão um jeito que ficará confortável tanto para vocês quanto para os bebês… Vocês ainda tem alguns meses para isso. – Regina disse pondo um fim nesse assunto.

Os nossos pratos vieram em seguida, o que foi um alívio para o meu estômago. Comemos conversando sobre assuntos aleatórios, em sua maioria sobre os bebês e as nossas expectativas para eles.

Ficamos mais algum tempo no prédio, e então resolvemos ir embora. Como o caminho de volta passava pelo hotel, os pais de David se despediram e nós dois seguimos para a minha casa.

Assim que o carro parou, ele me olhou com um bico fofo formado nos lábios. Quase pulei em seu colo para morder e beijar, mas o que eu fiz foi tirar o cinto e abrir a porta para sair. O Luiz fez rapidamente o contorno no automóvel para me ajudar a descer, quando as nossas mãos se encontraram senti uma carga elétrica no meu corpo. Senti-lo era singular.

Ficamos próximos o bastante para que eu sentisse a sua respiração em meu rosto, ele curvado e eu quase na ponta dos pés. Pôs a mão direita em minha cintura e a esquerda acariciou o meu rosto; fechei os olhos aproveitando cada segundo do seu toque. As minhas mãos estavam em seu peito e puxaram a sua camisa quando os nossos lábios encostaram. Estávamos envoltos no nosso mundo particular, onde tudo o que importava era o nosso amor; sem brigas, intrigas, medos ou chateações, só o nosso amor e toda a paz que continha nos nossos beijos.

Quando o beijo cessou, o David me cercou em um abraço. Abracei de volta com todo o carinho que tenho guardado para ele, senti o seu cheiro e me vi no sonho que tive essa noite. Eu tinha a impressão de estar em casa toda vez que estava envolvida pelo seu abraço; era paz, muita paz e muito amor numa pessoa só. E eu queria sentir isso para sempre.

 


Notas Finais


E aí, gente! O que vocês acharam?
Me contem aí nos comentários. A opinião de vocês é fundamental! ♥

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