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História Linha Vermelha - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oiê gente, como está a quarentena de vocês?
Bom, aparecendo mais uma segunda para vocês, e dessa vez mais cedo por causa da quarentena mesmo e de eu não conseguir segurar esse capítulo comigo kkkkk
bom, espero que gostem e aproveitem o primeiro beijo chanbaek...

betado pelo meu amor, Fernanda

Capítulo 6 - Vagões abandonados


Chanyeol se sentia um bobo estando de frente para o menor com aquele sorriso bonito que ele tinha nos lábios pequenos. Se sentia um completo idiota por estar levando as mãos geladas até o cachecol dele e o colocando em cima da cabeça, para cobrir as orelhas e ver as bochechas tomando um tom rosado. 

Mas não tinha como não fazer aquilo, como não se sentir assim e acabar sorrindo junto com o outro, que procurou por sua mão assim que colocou-se ao seu lado novamente. Não tinha como não se sentir bem ao ter seus dedos entrelaçados aos pequenos de Baekhyun, sentindo a palma quente dele contra a sua enquanto caminhavam em silêncio pelas ruas, como se quisessem matar o tempo para conseguirem ficar mais tempo um ao lado do outro, ainda que sem falar nada. 

A neve estava começando a engrossar quando passou o braço ao redor do menor do mesmo jeito que fez antes, o puxando para perto enquanto o céu entrava em uma mistura de alaranjado com um roxo bonito, fazendo o engenheiro suspirar enquanto olhava para o vasto céu, os olhos vacilando assim que virou o rosto, vendo que Byun já lhe olhava. Nunca pensou em sua vida que estaria em uma situação como aquela, com uma pessoa que conhecia a poucos dias e que tinha encontrado em um dia de rush, nunca em sua vida pensou que seu coração fosse bater tão rápido por um homem, que fosse achá-lo mais bonito que o céu que límpido sobre sua cabeça. 

— Quer ver o pôr-do-sol? — A pergunta escapou pelo lábios grossos de Chanyeol, que ainda encarava o ruivo, este que tombou a cabeça para o lado, mordendo o lábio inferior enquanto seguiam caminhando meio sem rumo. Tinham acabado de sair do cinema e estava frio ali fora, mas não queria perder a companhia do mais novo tão rápido, queria aproveitar até os últimos segundos. 

— Vai me levar a um dos seus lugares especiais? — Baekhyun devolveu a pergunta, aumentando seu sorriso, vendo o maior concordar tímido, os óculos meio embaçados pelo frio e pela respiração quente dele, assim como a ponta do nariz estava rosada pelo vento frio. — Se continuar a me levar a lugares especiais, vou realmente achar que sou a sua pessoa favorita. 

— Mas você é — cortou o pensamento do mais velho, o puxando para mais perto enquanto olhava ao redor, fazendo os dois pararem de caminhar e atravessarem a rua com cuidado, seguindo um caminho diferente da estação que deveriam pegar para ir embora. — Eu não menti quando disse que você está se tornando a minha pessoa favorita, e quero que se torne — confessou baixinho, seguindo um caminho que a um bom tempo não fazia, vendo as casinhas residenciais acenderem as suas luzes assim como os postes. — Mas, Baek, nós precisamos ir um pouco mais rápido, tudo bem? — perguntou, soltando o outro do abraço, vendo o mesmo lhe encarar com os olhos brilhando, desviando eles para encarar o céu colorido, entrelaçando seus dedos pequenos nos de Chanyeol, que abriu o maior sorriso que conseguia, o puxando com força quando se pôs a correr, fazendo o cachecol que cobria os cabelos vermelhos voar, deixando os flocos de neve pintarem a imensidão vermelha.  

Fazia anos que não corria, que não seguia aquele caminho e agora estava o fazendo enquanto segurava a mão de uma pessoa incrível, sentindo o peito acelerar, mas nunca saberia dizer o motivo exato daquilo. 

Olhava para trás algumas vezes, vendo o sorriso grande e o riso solto do mais velho que segurava o cachecol com a mão livre enquanto a mochila pulava nas costas, o fazendo rir ainda mais e tirar risadas altas de Park, que o puxava para mais perto, seguindo um caminho estranho na visão do ruivo, que pela primeira vez não tinha medo do que poderia acontecer consigo ao apenas se deixar levar por uma pessoa, por um homem como Chanyeol. 

— Eu juro que você vai amar. — O mais alto disse. parando aos poucos de correr, entrando em uma rua deserta e sendo seguido por Baekhyun, que lhe apertou a mão, receoso com a pouca iluminação naquele lugar. — Não precisa ter medo, eu não vou fazer nada — sussurrou quando sentiu o corpo do menor se aproximar do seu, respirando pesado pela corrida enquanto céu começava a ficar escuro. — E eu acho que a gente perdeu o pôr-do-sol… 

— Acho que isso não é tão importante quando você conseguiu que eu fizesse mais exercícios do que normalmente faço — brincou com o engenheiro, puxando o ar com força para os pulmões, rindo logo em seguida enquanto se apoiava no ombro do mais alto, encarando-o logo em seguida, vendo Park pegar o celular no bolso e ligar a lanterna. — Onde fica esse lugar especial? Ainda quero conhecer — sussurrou baixinho, deixando a mão que estava no ombro do maior escorregar pelo braço longo dele, segurando o pulso enquanto o mesmo olhava para o horizonte. 

— Tem certeza que quer conhecer? Não prefere ir para a casa? — Chanyeol perguntou, ainda olhando para o horizonte, vendo a placa pendurada na grade com os dizeres “proibido ultrapassar”. 

— Parece que eu vou me arrepender se eu te seguir. — Baekhyun respondeu rindo, encarando o outro, que virou o rosto, negando com a cabeça. — Não tem nada demais nesse lugar, né? Eu posso ser preso por isso? 

— Não. — Chanyeol soltou uma risada alta, sentindo a mão pequena do ruivo escorregar pela sua até entrelaçar os dedos novamente, apertando a sua mão. — Você se importa de passar comigo por aquela grade e entrar em um lugar que, se você se furar, pode pegar tétano? — perguntou, virando-se para o menor, que fez uma careta, olhando para cima antes de dar de ombros. 

— Eu vou te vacinar depois, Park Chanyeol. — O mais velho disse ainda encarando o outro, que tinha os olhos brilhando em sua direção e os óculos escorregando pelo nariz grande, fazendo Baekhyun levantar uma das mãos e com o dedo do meio empurrar a armação no rosto do outro, que desmanchou de leve o sorriso, virando o rosto logo em seguida. 

Foi Chanyeol quem deu os primeiros passos novamente, puxando o ruivo, que apenas acompanhou iluminando o caminho com o celular, vendo a enorme placa, fingindo não ler a mesma quando o mais novo soltou as mãos para abrir a grade, pedindo para ele passar primeiro. O mato quase alcançava o joelho do enfermeiro, que sentiu uma das mãos do Park em seu ombro assim que o barulho da grade bateu; era estranho estar em um lugar como aquele, caminhando por um chão desnivelado e molhado pela neve que caía do céu. Apertou os dígitos ao redor do pulso de Chanyeol assim que o mesmo passou à sua frente, vendo o mesmo com o celular enquanto pulava os trilhos enferrujados que não eram  mais usados, fazendo o mais velho perceber onde estava finalmente. 

— Por que aqui? — A pergunta escapou dos lábios do enfermeiro enquanto eles caminhavam pelos trilhos em direção a um único vagão abandonado. 

— Eu achei esse lugar quando tinha 12 anos, acabou se tornando um refúgio para mim — explicou o maior, que continuava a caminhar, olhando para o vagão velho e caindo aos pedaços, mas ainda com as pichações que tinha feito quando era mais jovem. — Costumo vir para cá sozinho, você é a primeira pessoa que trago para conhecer — disse, olhando por cima do ombro, vendo os cabelos vermelhos cheios de pontinhos brancos de neve, assim como o cachecol vermelho. 

— É um lugar legal, eu diria que é fascinante, se parar para apreciar. — Byun disse sincero olhando para os próprios pés, tentando não tropeçar nos trilhos, deixando um carinho leve no pulso do engenheiro, que sorriu com a frase, olhando para o horizonte que começava a ficar ainda mais escuro. — Costuma fazer o que aqui? 

— Antigamente eu era um menino rebelde, vinha até aqui pichar e ler uns livros, só para fugir da confusão que é a minha família — respondeu sincero novamente, saindo do caminho do trem para dar a volta no mesmo, o vagão com as portas abertas e com toda a decoração velha e especial de Chanyeol ali dentro. — Assim, sinta-se à vontade, mas não mexa nos parafusos, vai que cai tudo — brincou, sentindo o mais velho soltar o seu pulso e parar ao seu lado, observando tudo sob o breu quase completo do céu. 

Baekhyun não disse nada, arrumando o cachecol no pescoço antes de subir no vagão, sentindo o olhar do mais novo lhe acompanhar enquanto acendia a pequena luz que havia instalado anos atrás, iluminando todo o local e mostrando tudo o que escondia naquele lugar. Cruzou os braços com o vento frio que passou, observando o violão desenhado e as diversas latinhas de tinta ali; era um lugar confortável, havia uma manta dobrada ao lado de dois travesseiros velhos, desenhos espalhados pelas paredes de metal e um pouco de grama entrando pela abertura da porta, mas ainda parecia ser confortável e especial. 

— Você toca? — Baekhyun perguntou, virando-se em seguida e encarando o mais novo, ainda parado do lado de fora, a roupa toda preta coberta por pequenos flocos de neve; ele observava cada pequeno movimento que Baekhyun fazia naquele lugar. 

— Sim — respondeu com um pequeno sorriso nos lábios. — Mas não era exatamente aqui que eu queria te mostrar, e sim lá em cima. — Apontou para o céu, fazendo o menor levantar o rosto, franzindo o cenho antes voltar a olhar para o Park, que tinha sumido de sua vista. 

— Onde você se meteu? — perguntou alto, largando os braços ao lado do corpo, ouvindo batidas vindo de uma das paredes do vagão. Pulou de susto antes de caminhar para a lateral do trem, vendo o mais velho subindo em uma escada demasiadamente nova, comparada ao resto do vagão enferrujado. — Sabe o quanto de doença pode ter aí em cima? — perguntou alto novamente, o outro terminando de subir com calma, somente a risada ecoando por todo o lugar abandonado. Não reconhecia o local ainda, mas já sabia que era um dos caminhos que foi abandonado pelo governo anos e anos atrás. 

— Você vai querer vir? Consigo ver uma boa parte da cidade aqui de cima — Chanyeol disse, colocando apenas a cabeça para o outro ver, a luz que ainda vinha do vagão fazendo o engenheiro ver a careta que o ruivo vez. — Tem um cobertor aqui para você sentar, e eu prometo que não vai acontecer nada. Eu sou vacinado, e aposto que você é também — brincou com a última parte, vendo Byun negar antes de limpar as mãos molhadas para subir a pequena escada, respirando fundo algumas vezes até ver a mão estendida do mais novo, que o puxou  de vez para o telhado do vagão. 

Era bonito, quase como subir no topo de uma colina e observar a cidade de cima, todas as luzes fortes se acendendo aos poucos, fazendo as poucas estrelas sumirem do céu de vez. A lua brilhava tímida no céu e Chanyeol nem ao menos conseguia olhar para a mesma enquanto tinha o mais velho à sua frente, observando tudo. Pela primeira vez em todos os anos que vinha ao seu lugar especial, não queria olhar para o horizonte — como Baekhyun fazia —, gostaria apenas de olhar para o mais velho e mesmo que parecesse louco, gostava de ideia de passar um bom tempo apenas olhando ele, admirando-o. 

Ainda estavam de pés sobre o vagão quando viu o Byun fechar os olhos, respirando forte quando um vento gelado passou entre os dois, o fazendo aproximar-se um pouco sem ao menos perceber, buscando pelo calor do corpo do maior. Chanyeol deixou um pequeno sorriso escapar quando sentiu as mãos tímidas do ruivo segurarem sua cintura, o abraçando. Poderia ficar ali para sempre, daquele jeito que estavam, observando o resto do pôr-do-sol e o início de uma bela noite fria. 

Park Chanyeol nunca foi um grande fã de metrô. Na maioria das vezes que usava o transporte público, era por ser obrigado, já que lhe faltava a coragem para conseguir tirar a carteira de motorista e o dinheiro para conseguir comprar um carro. 

Mas, na maioria das vezes, ele apenas agradecia àquele grande e movimentado transporte, e bom, naquele momento, era uma das vezes que ele agradecia muito ao lindo metrô por existir. Estava praticamente tudo vazio, por conta do horário, sabia muito bem que daqui duas horas o burburinho de pessoas começaria, mas ainda conseguia se sentir grato pelas poucas horas de tranquilidade. Estava sentado em um dos bancos de dois lugares, bem de frente a uma das portas e ao banco preferencial, com os dedos entrelaçados aos de Baekhyun, que tinha os olhos fechados e a cabeça deitada no seu ombro enquanto o silêncio era muito confortável . E aquilo era a atualização da coisa mais fofa que Chanyeol já tinha colocado os olhos, o mais velho conseguiria superar muito fácil gatinhos e bebês gordinhos, e ele não estava brincando enquanto pensava aquilo. 

Estava prestando atenção, deixando um leve carinho na mão pequena do menor, que suspirava baixinho, bem encostado no engenheiro que sorria que nem um bobo, vendo as pessoas saindo e entrando cada vez que paravam em um estação, a mochila de Byun no meio de suas pernas. Pensava até mesmo em fechar os olhos e encostar a cabeça na do menor e aproveitar até a estação chegar, mas quando se ajeitou no banco para fazer isso, seus olhos se focaram em dois músicos. A sua parte favorita de todo o transporte público, com toda a certeza do mundo, eram os artistas que ele possuía no meio de tanta gente. 

Acabou abrindo um sorriso enorme assim que a mulher de cabelos coloridos tirou de dentro da case o violino escuro, o apoiando no ombro enquanto deixava um pequeno chapéu no chão, ao seus pés. 

— Eu acho isso tão fascinante. — Fora Byun que disse baixinho, fazendo o maior virar o rosto meio assustado para observá-lo, os olhinhos meio inchados pelo cansaço de ficar andando por aí o dia inteiro o deixando ainda mais fofo. O alarme disparou dentro do vagão, anunciando que as portas estavam se fechando e o mesmo voltaria a se mover. 

A melodia começou logo em seguida, uma música conhecida de um filme que Park tinha assistido a um bom tempo atrás. Sorriu ao lembrar-se que aquela era uma das suas músicas favoritas da trilha sonora de todo o filme. ‘Memories’ tinha uma melodia gostosa de se ouvir no violino, mesmo que nunca tivesse imaginado um dia ouvir ela daquele jeito. 

— Acho que não tinha como o dia acabar melhor — disse, virando o rosto para o menor, que concordou com a cabeça, o sorriso aumentando enquanto fechava os olhos. Voltou a apoiar a bochecha no ombro largo do mais novo, que suspirou, tombando a cabeça para trás, aproveitando a música também. 

O fim da música acabou fazendo os dois abrirem os olhos devagar, o vagão anunciando que estariam parando na estação de Baekhyun dali alguns minutos. Chanyeol enfiou a mão no bolso, pegando os poucos trocados que tinha dentro da carteira quando a mulher se aproximou, colocando dentro do chapéu e a elogiando por tocar tão bem. Byun fez o mesmo, sorrindo gentil para ela, que apenas agradeceu, devolvendo o sorriso para os dois. O vagão voltou a ficar silencioso conforme a mulher guardava o violino dentro da case, e não era desconfortável e nem uma novidade, pois tinham descoberto juntos que era gostoso sim ficar apenas em silêncio um com o outro. 

Byun se arrumou no banco quando o anúncio de sua estação ecoou por todo o vagão novamente, desencostando-se do maior, que virou o rosto em sua direção, sorrindo para si. Deu de ombros, meio envergonhado.

— Bom, eu vou ter que descer na próxima — disse baixinho, não querendo que mais alguém além de Chanyeol ouvisse sua voz. — E… Acho que poderia acabar de outro jeito além da música — propôs, virando-se para o mais novo, que foi pego de surpresa, levantando uma das sobrancelhas meio escondida pelo chapéu. 

— Como? — perguntou curioso, observando o outro arrumar as madeixas vermelhas e enxugar as mãos na calça, o joelho dele encostando no seu. Chanyeol deixou o corpo tombar para o lado, se encostando na cadeira enquanto observava o outro, que desviou o olhar nervoso, mordendo a pontinha do lábio inferior. 

— Eu nunca fiz isso — sussurrou mais para si do que para o outro, que inclinou o corpo para perto, querendo ouvir, fazendo as bochechas de Baekhyun esquentarem pela vergonha. — Você está livre daqui duas semanas? — perguntou rápido, virando o rosto para encarar os olhos grandes do outro por detrás dos óculos. Juntou as próprias mãos que suavam, desviando o olhar do mais novo, um medo nascendo dentro de si, como se um alerta surgisse para que contasse de uma vez o que estava engasgado. Mas não sentia que aquele era o momento… Tinha que ter mais confiança nele, precisava disso antes de contar que era um homem trans. Precisava se sentir seguro para isso. 

— Byun Baekhyun, você está me convidando para um encontro? — A voz rouca chamou a atenção do enfermeiro, que levantou o rosto para ver o sorriso largo e bonito do outro, o fazendo concordar várias vezes, ouvindo a risada gostosa do Park. 

— Assim eu vou ter a chance de te pagar um cinema e um sorvete… Bem clichê — brincou com aquilo, vendo o maior concordar, levantando uma das mãos, os dedos grandes e grossos entrando dentro dos cabelos vermelhos e macios de Byun, que diminuiu o sorriso deixando os olhos caírem sem pensar para os lábios cheinhos que ostentavam um sorriso bonito. 

Ele deixou um carinho no couro cabeludo do enfermeiro, o fazendo afundar no banco, aproximando-se mais aos poucos, levantando os olhos rapidamente, observando que os olhos grandes escondidos atrás da armação também olhavam para os seus lábios. Passou a língua entre eles, sentindo toda a boca ficar seca e o ar faltar por breves segundos. 

— Eu vou poder esperar algum beijo seu também nesse próximo encontro? — A voz de Chanyeol era baixa e suave, mesmo que tivesse um tom bem rouco. Ele encarava Baekhyun sério, sem nenhum rastro de sorriso, fazendo o menor engolir em seco com a vontade de se aproximar do outro, a mesma vontade que sentiu quando estava no telhado daquele vagão, quando olhou para ele enquanto estavam abraçados e o quis beijar, do mesmo jeito que queria naquele momento, no meio de várias pessoas. 

— Eu… — A voz de Byun falhou, assim como a coragem momentânea que veio em um turbilhão para contar de uma vez o que estava escondendo. — Desculpa… — pediu, meio perdido. A mão direita que estava apoiada na própria perna foi para a coxa de Chanyeol, que enfiou ainda mais os dedos dentro do cabelo vermelho do menor. 

— Não precisa se desculpar por nada, de verdade — sussurrou, vendo Baekhyun desviar o olhar novamente, rindo de nervoso. — Se um dia precisar conversar comigo, quando estiver pronto, eu vou estar aqui, não precisa se desculpar ou ficar com essa carinha, sério — disse no mesmo tom rouco e calmo, continuando com o carinho nos cabelos dele, descendo os dedos para a nuca, vendo o Byun fechar os olhos com o gesto. 

— Às vezes eu acho que você já me conhece por inteiro, e a gente nem ao menos se conhece direito — respondeu rindo, levantando os olhos novamente, estes que estavam brilhando em direção ao mais novo, que abriu outro sorriso. Baekhyun suspirou alto, fechando os olhos e deixando a cabeça cair no ombro largo de Park, que escondeu os dentes no sorriso, virando o rosto e encostando o nariz na cabeça do menor, sentindo o cheiro do xampu do outro, que negou com a cabeça enquanto sorria também. 

O anúncio ecoou mais uma vez, daquela vez o último antes deles pararem na estação, fazendo o enfermeiro se aproximar ainda mais do outro, buscando pelo dedos de Chanyeol, entrelaçando os mesmos sobre a coxa dele. Não se importava com as pessoas ao redor, mesmo que o olhar da violinista estivesse preso neles, carregando consigo um sorriso gentil nos lábios pintados. O transporte foi parando lentamente, anunciando a estação. O Byun se afastou do mais novo, pegando a mochila jogada no chão antes de levantar os olhos para observar o engenheiro. 

Baekhyun se levantou, jogando a mochila nas costas e abriu um pequeno sorriso para responder à altura o que ganhava de presente do maior; gostou tanto daquele sorriso que guardaria todos que ganhasse dele daquele dia em diante, como se fosse um presente único que somente ele poderia dar para si. 

— A gente continua se falando, não é? — questionou baixo, mas sabia que ele tinha ouvido quando o viu concordar com a cabeça. Não queria ir embora, queria ficar ali, aproveitar mais uma hora ao lado de Chanyeol e guardar aquilo para sempre dentro da caixinha que tinha dentro da sua cabeça. Só queria ter aquele dia como uma boa lembrança, sem nenhuma insegurança falando mais alto do que a sensação gostosa que estava sentindo. 

— Vai ser complicado eu parar de falar com você, mesmo se você quiser. — Piscou um dos olhos na direção do menor, que negou com a cabeça, enfiando uma das mãos no bolso da calça. Nunca sentiu tanta vontade de beijar alguém como estava sentindo no momento. Queria saber qual seria a sensação de juntar seus lábios com os gordinhos de Chanyeol. 

O metrô parou em uma freada suave, fazendo o corpo de Baekhyun balançar com calma antes do alarme avisar que as portas iriam se abrir para liberar os passageiros. 

— Até, eu diria? — Chanyeol disse, inclinando o tronco para frente, vendo o ruivo concordar, concentrado demais nos próprios pensamentos e deixando uma careta bonitinha se formar na face enquanto o encarava. — Até… — repetiu as palavras, vendo o outro piscar forte, negando com a cabeça antes de se inclinar. Não estava esperando por aquilo, na verdade, nem preparado quando Baekhyun colou os lábios finos nos seus, em um selinho que era para ser apenas o colar dos lábios. 

Park estava de olhos arregalados quando deixou uma de suas mãos rumarem para a nuca do menor, que suspirou quando o outro retribuiu o selinho, movendo lentamente os lábios, beijando mais o inferior dele do que os dois lábios. Queria ficar naquele momento para sempre, mas o mais velho se afastou segundos depois, assim como o beijo durou, segundos. 

— Até — disse, ofegante pelo nervosismo, sentindo algumas pessoas olharem para si. As bochechas estavam vermelhas quando se virou de costas para o engenheiro, que deixou um sorriso pequeno nascer nos lábios, fazendo até as narinas dilatarem um pouco e a armação do óculos escorregar pelo nariz.  

Chanyeol observou o ruivo correr para fora do vagão, a mochila pulando nas suas costas quando a porta se fechou, separando eles de vez quando o metrô se moveu, deixando Baekhyun para trás, parado na plataforma enquanto observava o metrô partir. 

O Byun sorriu para o nada, lambendo os próprios lábios como se pudesse sentir o gosto do mais novo novamente, negando com a cabeça enquanto sentia as orelhas esquentarem conforme tomava seu caminho para fora da estação. Naquele dia, Baekhyun correu direto para casa, sentindo o vento frio bater contra seu rosto e o cachecol vermelho em volta de seu pescoço esvoaçar. O sorriso se manteve preso no rosto, até mesmo quando entrou dentro de casa, meio ofegante; correu para o quarto, onde se jogou sobre a cama, pegando o celular que tinha vibrado no bolso diversas vezes durante o caminho. 

Fechou os olhos assim que abriu a notificação, vendo que era uma mensagem dele: 

Park Chanyeol [20:32]

Acho que eu sou um completo bobo apaixonado por você, Baek…

 Será que é errado demais eu já estar me sentindo assim? 
 

Não, Baekhyun não achava que era errado se sentir daquela forma. Não quando ele próprio sentia exatamente a mesma coisa; não quando ele também era um bobo apaixonado.


Notas Finais


irei deixar dois links dessa vez...
cct: https://curiouscat.me/oursfany
playlist de LV: https://open.spotify.com/playlist/7vXP0SY9sKsRs665wSQ7SK?si=NLm63PAHQZa7ujko1EfMgg

espero que tenham gostado, de verdade... beijinho


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