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História Linx Black e a Pedra Filosofal - Capítulo 4


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Capítulo 4 - O guardiã das chaves


Bum. Bateram outra vez. Duda acordou assustado.


– Onde está o canhão? – perguntou abobado.


Ouviram alguma coisa cair atrás deles e tio Válter entrou derrapando pela sala. Trazia um rifle nas mãos – agora sabiam o que era aquele pacote fino e comprido que ele carregava. 


– Quem está aí? – gritou. – Olha que estou armado!


Silêncio. E em seguida...


TRAM!


Linx soltou um grito agudo e Harry a apertou com mais força contra si.


A porta levou uma pancada tão violenta que se soltou das dobradiças e, com um baque ensurdecedor, desabou no chão.


Um homem gigantesco estava parado ao portal. Tinha o rosto completamente oculto por uma juba muito peluda e uma barba selvagem e desgrenhada, mas dava para se ver seus olhos, luzindo como besouros negros debaixo de todo aquele cabelo.


O gigante espremeu-se para entrar no casebre, curvando-se de modo que a cabeça apenas roçou o teto. Abaixou-se, apanhou a porta e tornou a encaixá-la sem esforço no portal. O ruído da tempestade lá fora diminuiu um pouco. Ele se virou para encarar todos.


– Não poderia preparar uma xícara de chá para nós, poderia? Não foi uma viagem fácil... 


E dirigiu-se ao sofá onde Duda estava paralisado de medo.


– Chegue para lá, gordão – disse o estranho.


Duda soltou um guincho e correu a se esconder atrás da mãe, que parara encolhida, aterrorizada, atrás de tio Válter.


– Ah, e aqui está o Harry! E a pequena Linx também!– disse o gigante.


Linx ergueu os olhos para a cara feroz e selvagem em sombras e viu que os olhos de besouro se enrugavam em um sorriso.


— Jay...— Linx chamou com um fiapo de voz. Harry apenas assentiu nenhum dos dois conseguia falar alguma coisa.


– A última vez que os vi, vocês eram bebês – disse o gigante. – Você parece muito com o seu pai, mas tem os olhos da sua mãe, Harry. Já você é o contrário, Linx. Parece muito com sua mãe, mas são os olhos do seu pai.


Tio Válter fez um som estranho e rascante.


– Exijo que saia imediatamente! – disse. – O senhor invadiu minha casa!


– Ah, cala a boca, Dursley, seu cara de passa – disse o gigante; esticou o braço para trás do sofá e arrancou a arma das mãos de tio Válter, vergou-a no meio como se ela fosse de borracha e atirou-a a um canto da sala.


Tio Válter fez outro som esquisito, como um camundongo sendo pisado.


– Em todo caso, Harry – disse o gigante, dando as costas para os Dursley –, feliz aniversário para você. Tenho uma coisa para você aqui; talvez tenha sentado nela sem querer, mas o gosto continua bom.


De um bolso interno do casaco preto ele tirou uma caixa meio amassada. Harry abriu-a com os dedos trêmulos. Dentro havia um grande e pegajoso bolo de chocolate com a frase Feliz Aniversário escrita em glacê verde.


Harry olhou para o gigante. Quis dizer obrigado, mas as palavras se perderam a caminho da boca, e em lugar disso o que disse foi:


– Quem é você?


O gigante deu uma risada abafada.


– É verdade, não me apresentei. Rúbeo Hagrid, Guardião das Chaves e das Terras de Hogwarts.


Estendeu uma mão enorme e sacudiu o braço inteiro de Harry. Depois repetiu o gesto com Linx.


– E que tal o chá, hein? – perguntou esfregando as mãos. – Eu não diria não a uma pessoa mais forte, se é que você me entende.


Seus olhos bateram na lareira vazia em que ficara o pacote carbonizado de cereal e ele soltou uma risadinha desdenhosa. Curvou-se para a lareira; não viram o que ele estava fazendo, mas quando se afastou um segundo depois, havia dentro dela um clarão ribombante. 


O fogo estrondoso encheu todo o casebre úmido com sua luz tremeluzente e Linx sentiu o calor envolvê-la como se tivesse mergulhado em um banho quente.


O gigante se recostou no sofá, que afundou um pouco sob o seu peso, e começou a tirar coisas de todo gênero dos bolsos do casaco: uma chaleira de cobre, uma embalagem amassada de salsichas, um espeto, um bule de chá, várias xícaras lascadas e uma garrafa de um líquido âmbar de que ele tomou um gole antes de começar a preparar o chá. 


Logo o casebre se encheu com o ruído e o cheiro de salsichas fritas. Ninguém disse nada enquanto o gigante trabalhava, mas assim que ele empurrou as primeiras salsichas gordas e suculentas, ligeiramente queimadas, do espeto, Duda se mexeu. Tio Válter disse com rispidez:


– Não toque em nada que ele lhe der, Duda.


O gigante deu uma risadinha ameaçadora.


– Esse pudim de banha do seu filho não precisa engordar mais, Dursley, não se preocupe. 


E passou as salsichas para Harry e Linx, que estavam tão famintos e nunca provaram nada tão maravilhoso, mas ainda assim não conseguiam tirar os olhos do gigante. Finalmente, como ninguém parecia disposto a explicar nada, Linx disse:


– Me desculpe, mas continuamos sem saber realmente quem você é.


O gigante tomou um grande gole de chá e limpou a boca com as costas da mão.


– Me chame de Rúbeo, é como todos me chamam. E como lhes disse, sou o guardião das chaves de Hogwarts, vocês sabem tudo sobre Hogwarts, é claro. 


– Ah, não – disse Harry.


Hagrid pareceu chocado.


– Sentimos muito – apressou-se Harry a dizer enquanto Linx concordava com a cabeça.


– Sentem muito? – vociferou Hagrid, virando-se para encarar os Dursley, que tinham recuado para as sombras. – Eles é que deviam sentir muito! Eu sabia que vocês não estavam recebendo as cartas, mas nunca pensei que nem ao menos sabiam da existência de Hogwarts, para apelar! Vocês nunca se perguntaram onde foi que seus pais aprenderam tudo?


– Tudo o quê? – perguntou Linx.


– TUDO O QUÊ? – berrou Hagrid. – Ora, esperem aí um segundo!


Ele se levantara de um salto. Na raiva parecia encher o casebre todo. Os Dursley se encolhiam contra a parede.


– Vocês vão querer me dizer – rosnou para os Dursley – que estas crianças, estas crianças!, não sabem nada, de NADA?


Linx achou que a coisa estava indo longe demais. Afinal tinham frequentado a escola e suas notas não eram ruins.


– Nós sabemos alguma coisa – falou. 


– Sabemos, sabe, matemática e outras coisas.— completou Harry.


Mas Hagrid dispensou-os com um abano de mão e disse:


– Do nosso mundo, quero dizer. Seu mundo. Meu mundo. O mundo dos seus pais.


– Que mundo?— os dois perguntaram em uníssono.


Hagrid parecia prestes a explodir.


– DURSLEY! – urrou ele.


Tio Válter, que ficara muito pálido, murmurou alguma coisa ininteligível. Hagrid olhou alucinado para Harry.


– Mas vocês devem saber quem foram sua mãe e seu pai.– disse. E continuou se virando para Harry.– Quero dizer, eles são famosos. Você é famoso.


– Quê? Meu pai e minha mãe eram famosos?


– Você não sabe... você não sabe... – Hagrid correu os dedos pelos cabelos, fixando em Harry um olhar perplexo.


“Vocês não sabem quem são?”, perguntou finalmente.


Tio Válter de repente encontrou a voz.


– Pare! – ordenou. – Pare agora mesmo! Eu o proíbo de contar qualquer coisa a eles! 


Um homem mais corajoso do que Válter Dursley teria se intimidado com o olhar furioso que Hagrid lhe deu; quando Hagrid falou, cada sílaba tremia de raiva.


– Você nunca contou? Nunca contou o que Dumbledore deixou escrito naquela carta para eles? Eu estava lá! Eu vi Dumbledore deixar a carta, Dursley! E você escondeu deles todos esses anos?


– Escondeu o que de nós? – perguntou Linx, ansiosa.


– PARE! EU O PROÍBO! – gritou tio Válter em pânico.


Tia Petúnia deixou escapar um grito sufocado de horror.


– Ah, vão tomar banho, vocês dois – disse Hagrid. – Harry, Linx, vocês são bruxos.


O casebre mergulhou em silêncio. Ouviam-se apenas o mar e o assobio do vento. 


– Somos o quê ? – ofegou Linx.


– Bruxos, é claro – repetiu Hagrid, recostando-se no sofá, que gemeu e afundou ainda mais –, e bruxos de primeira, eu diria, depois de receberem um pequeno treino. Com uma mãe e um pai como os de vocês, o que mais vocês poderiam ser? 


E acho que já está na hora de lerem as suas cartas.


Harry e Linx estenderam a mão finalmente para receber os envelopes meio amarelos, endereçados em tinta verde para Sr. H. Potter, O Soalho, Casebre-sobre-o-Rochedo, O Mar e para Srta. L. Black, O Soalho, Casebre-sobre-o-Rochedo, O Mar.


Linx puxou a carta e leu:


ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Diretor: Alvo Dumbledore

(Ordem de Merlim, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)

Prezada Srta. Black,

Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.

O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall Diretora Substituta


As perguntas explodiam na cabeça de Linx como fogos de artifício, e ela não conseguia decidir o que perguntar primeiro. Passados alguns minutos, Harry perguntou:


– O que querem dizer com “estão aguardando a minha coruja”?


– Gárgulas galopantes! Isto me lembra uma coisa – disse Hagrid, batendo a mão na testa com força suficiente para derrubar um cavalo, e de outro bolso interno do casaco tirou uma coruja, uma coruja de verdade, viva, meio arrepiada, uma longa pena e um rolo de pergaminho. Com a língua entre os dentes, ele rabiscou um bilhete que Linx pôde ler de cabeça para baixo:


“Prezado Sr. Dumbledore,

Entreguei as cartas a Harry e Linx. Vou levá-los amanhã para comprar o material. O tempo está horrível. Espero que o senhor esteja bem.

Hagrid.”


Hagrid enrolou o pergaminho, entregou-o à coruja, que o prendeu no bico, depois ele foi até a porta e lançou a ave na tempestade. Quando voltou, sentou-se como se aquilo fosse tão normal quanto pegar o telefone.


Linx percebeu que sua boca se abrira e fechou-a rapidamente.


– Onde é que eu estava? – disse Hagrid, mas, naquele momento, tio Válter, ainda cor de cera, mas parecendo muito furioso, adiantou-se até a luz da lareira.


– Eles não vão– falou.


Hagrid resmungou.


– Eu gostaria de ver um grande trouxa como você impedi-los – respondeu.


– Um o quê? – perguntou Harry, interessado.


– Um trouxa – disse Hagrid –, é como chamamos gente que não é mágica como nós. E vocês tiveram o azar de ser criados na família dos maiores trouxas que já vi na vida.


– Juramos quando os aceitamos que poríamos um fim nessa bobagem – disse tio Válter –, juramos que erradicaríamos isso neles. Bruxos, francamente!


– Você sabia? – perguntou Linx. – Você sabia que somos... bruxos?


– Sabia! – guinchou tia Petúnia de repente. – Sabia! Claro que sabíamos! Como poderia não serem, a maldita da minha irmã sendo o que era? Ah, ela recebeu uma carta igual a essa e desapareceu, foi para aquela... aquela escola... e voltava para casa nas férias com os bolsos cheios de ovas de sapo, transformando xícaras em ratos. Eu era a única que a via como ela era... um aborto da natureza! Mas para minha mãe e meu pai, ah não, era Lílian isso e Lílian aquilo, tinham orgulho de ter uma bruxa na família!


Ela parou para suspirar profundamente e aí continuou seu discurso. Parecia que estava querendo dizer aquilo havia anos.


– Então ela conheceu Potter na escola e eles saíram de casa, casaram e tiveram você, e é claro que eu sabia que você ia ser igual, esquisito, anormal, e então ela vai e me faz o favor de se explodir e nos deixar entalados com você! E como se não bastasse aqueles amiguinhos dela, o Black e a McKinnon, decidiram desparecer e tivemos que ficar com a garota também!


Harry ficara muito branco. Linx estava chocada. Assim que encontraram a voz, disseram:


— Você conhecia meus pais!


– Se explodir? Você me disse que eles morreram num acidente de carro!


– ACIDENTE DE CARRO! – rugiu Hagrid, erguendo-se com tanta raiva que os Dursley voltaram correndo para o canto da sala. – Como é que um acidente de carro poderia matar Lílian e James Potter? Isto é um absurdo! Um escândalo! E Harry Potter não conhecer a própria história, quando qualquer garoto no nosso mundo conhece o nome dele! Linx Black sequer saber quem eram os próprios pais!


– Mas por quê? O que aconteceu? – perguntou Harry, ansioso.


— Quem são meus pais?— Linx adicionou desesperada por informações.


A raiva desapareceu do rosto de Hagrid. Ele pareceu repentinamente aflito.


– Eu nunca esperei isso – disse numa voz contida e preocupada. – Eu não fazia ideia do quanto vocês desconheciam, quando Dumbledore me disse que eu poderia ter problemas para encontrá-los. Ah, Harry, Linx, não sei se sou a pessoa certa para lhes contar, mas alguém tem de contar, vocês não podem viajar para Hogwarts sem saber.


Ele lançou um olhar feio aos Dursley.


– Bom, é melhor vocês saberem o que eu puder lhes contar, mas não posso lhes contar tudo, é um grande mistério, algumas partes...


Ele se sentou, fitou o fogo durante alguns segundos e então falou:


– Começa, eu acho, com... com uma pessoa chamada, mas é incrível vocês não saberem o nome dele, todo o mundo no nosso mundo sabe...


– Quem?— Linx perguntou.


– Bom... não gosto de dizer o nome dele se puder evitar. Ninguém gosta.


– Por que não?


– Gárgulas vorazes, Harry, as pessoas ainda estão apavoradas. Droga, como é difícil. Olha, havia um bruxo que virou... mau. Tão mau quanto alguém pode virar. Pior. Pior do que o pior. O nome dele era...


Hagrid engoliu em seco, mas não conseguiu dizer nada.


– E se você escrevesse? – sugeriu Linx.


– Não, não sei soletrar o nome dele. Está bem, Voldemort. – Hagrid estremeceu. – Não me façam repetir. Em todo o caso, esse... esse bruxo, faz uns vinte anos agora, começou a procurar seguidores. E conseguiu, alguns por medo, outros porque queriam ter um pouco do poder dele, sim, porque ele estava ficando poderoso. Dias funestos, Harry, Linx, ninguém sabia em quem confiar, ninguém se atrevia a ficar amigo de bruxas ou bruxos desconhecidos... Coisas horríveis aconteciam. Ele estava tomando o poder. É claro que algumas pessoas se opuseram a ele, e ele as matou. Terrível. Um dos únicos lugares seguros que restaram foi Hogwarts. Acho que Dumbledore era o único de quem Você-Sabe-Quem tinha medo. Não ousou se apoderar da escola, não no começo, pelo menos.


“Ora, os pais de vocês eram os melhores bruxos que eu já conheci. Primeiros alunos em Hogwarts no seu tempo! Suponho que o mistério era por que Você-Sabe-Quem nunca tentou convencer os quatro a se aliar a ele antes... provavelmente sabia que eram muito chegados a Dumbledore para querer alguma coisa com o lado das Trevas.


“Talvez ele achasse que podia convencê-los... talvez quisesse tirar os dois do caminho. Só o que sabemos é que ele apareceu na vila em que vocês estavam morando, Harry, num dia das bruxas, faz dez anos. Na época você só tinha um ano. Ele foi à sua casa e... e...”


Hagrid puxou depressa um lenço muito sujo e manchado e assoou o nariz, fazendo o barulho de uma buzina de nevoeiro.


– Desculpe – disse. – Mas é muito triste, conheci sua mãe e seu pai e não podia existir gente melhor, em todo o caso...


“Você-Sabe-Quem matou os dois. E então, e esse é o verdadeiro mistério da coisa, ele tentou matar você. Queria fazer o serviço completo, acho, ou então tinha começado a gostar de matar. Mas não conseguiu. Você nunca se perguntou como arranjou essa marca na testa? Isso não foi um corte normal. Isso é o que se ganha quando um feitiço poderoso e maligno atinge a gente; destruiu os seus pais e até a sua casa, mas não fez efeito em você, e é por isso que você é famoso, Harry. Ninguém nunca sobrevivia depois que ele decidia matá-lo, ninguém a não ser você, e ele já havia matado alguns dos melhores bruxos da época, os McKinnon, os Bone, os Prewett, e você era apenas um bebê, e sobreviveu.”


Algo muito doloroso passou pela cabeça de Harry. Quando a história de Hagrid ia terminando, ele viu de novo um lampejo ofuscante de luz verde, com mais clareza do que se lembrava antes – e se lembrou de mais uma coisa, pela primeira vez na vida – uma risada alta, fria e cruel.


Hagrid o observava com tristeza.


– Eu mesmo o retirei da casa destruída, por ordem de Dumbledore. Trouxe você para essa gente... A sua mãe, Linx, era uma bruxa extraordinária. Mas infelizmente Você-Sabe-Quem a considerou uma ameaça ao seus planos e mandou que seus seguidores a matassem.


Linx sentiu as lágrimas começarem a rolar sem controle pelo seu rosto. Sentiu Harry a envolvê-la em um abraço em uma tentativa de consolo.


Quando finalmente achou voz, a garota perguntou:


— E o que aconteceu com meu pai?


— Acho melhor deixar que outra pessoa explique essa parte...—Hagrid disse com tristeza na voz.


– Um monte de baboseiras antigas – disse tio Válter.


Harry e Linx se assustaram, quase esqueceram que os Dursley estavam ali. Tio Válter, sem dúvida, tinha recuperado a coragem. Olhava ameaçador para Hagrid e tinha os punhos fechados.


– Agora, ouçam aqui, moleques – vociferou –, aceito que vocês sejam meio estranhos, provavelmente nada que uma boa surra não pudesse ter curado, e quanto aos seus pais, bem, eles eram excêntricos, não há como negar, e o mundo está melhor sem eles, receberam o que mereciam por se meter com essa gente dada a bruxarias, foi o que previ, sempre soube que iam acabar mal.


Harry cerrou os punhos preparada para voar no pescoço do tio Válter.


Mas naquele instante, Hagrid ergueu-se de um salto do sofá e puxou um guarda-chuva cor-de-rosa e arrebentado de dentro do casaco. Apontou-o como uma espada para tio Válter, e disse:


– Estou lhe avisando, Dursley, estou lhe avisando, nem mais uma palavra...


Ameaçado de ser furado pela ponta de um guarda-chuva por um gigante barbudo, a coragem de tio Válter fraquejou outra vez; ele se achatou contra a parede e ficou em silêncio.


– Assim está melhor – disse Hagrid, arquejando e tornando a se sentar no sofá, que desta vez afundou de vez até o chão.


Linx, nesse meio tempo, continuava a ter perguntas a fazer, centenas delas.


– Mas o que aconteceu ao Vol... desculpe... quero dizer, Você-Sabe-Quem?— Harry perguntou na frente.


– Boa pergunta, Harry. Desapareceu. Sumiu. Na mesma noite em que tentou matar você. O que faz você ainda mais famoso. É o maior mistério, entende... ele estava ficando cada dia mais poderoso, por que foi embora?


“Tem quem diga que ele morreu. Besteira, na minha opinião. Não sei se ainda tinha humanidade suficiente para morrer. Tem quem diga que ainda está lá fora esperando, ou coisa parecida, mas não acredito. Gente que estava do lado dele voltou para o nosso. Uns pareciam que estavam saindo de uma espécie de transe. Acho que não teriam feito isso se ele fosse voltar.


“A maioria de nós acha que ele ainda anda por aí, mas perdeu os poderes. Está fraco demais para continuar. Porque alguma coisa em você acabou com ele, Harry. Aconteceu alguma coisa, naquela noite, com que ele não estava contando, eu não sei o que foi, ninguém sabe, mas alguma coisa em você o aleijou, para valer.”


Hagrid fitou Harry com calor e respeito iluminando seus olhos, mas Harry, em vez de se sentir contente e orgulhoso, teve a certeza de que tinha havido um terrível engano. Bruxo? Ele? Como era possível? 


Passara a vida dominado por Duda e infernizado pela tia Petúnia e pelo tio Válter; se era realmente um bruxo, por que eles não tinham se transformado em sapos toda vez que tentaram prendê-lo no armário? Se uma vez derrotara o maior feiticeiro do mundo, como é que Duda sempre pudera chutá-lo para cá e para lá como se fosse uma bola de futebol?


– Rúbeo – disse calmo –, acho que você deve ter cometido um engano. Acho que não posso ser um bruxo.


Para sua surpresa, Hagrid deu uma risadinha abafada.


– Não é bruxo, hein? Vocês nunca fizeram nada acontecer quando estavam apavorados ou zangados? 


Harry e Linx olharam um para o outro em um compartilhamento de pensamentos. Pensando bem... cada coisa estranha que deixara os seus tios furiosos tinha acontecido quando eles, Harry e Linx, estavam perturbados ou com raiva... perseguidos pela turma de Duda, puseram-se de repente fora do seu alcance... receoso de ir para a escola com aquele corte ridículo, conseguira fazer os cabelos crescerem de novo... e da última vez que Duda batera neles, não mandaram uma cobra atacá-lo?


Harry olhou para Hagrid, sorrindo, e viu que ele ria abertamente para ele.


– Viu? – disse Hagrid. – Harry Potter não é bruxo? Espere, você vai ser famoso em Hogwarts.


Mas tio Válter não ia ceder sem brigar.


– Eu já não disse que eles não vão? – sibilou. – Eles vão para a escola secundária local e vão me agradecer por isso. Li aquelas cartas e dizem que eles precisam de um monte de lixo... livros de feitiços, varinhas mágicas e...


– Se eles quiserem ir, um trouxão como você não vai poder impedir – resmungou Hagrid, raivoso. – Impedir o filho de Lílian e James Potter de ir para Hogwarts! Ou ainda a filha de Marlene e Sirius Black! Você enlouqueceu. Eles estão inscrito desde que nasceram. Vão frequentar a melhor escola de bruxos e bruxedos do mundo. Sete anos lá e eles nem vão se reconhecer. Vão estudar com garotos iguais a eles, para variar, e vão estudar com o maior mestre que Hogwarts já teve, Alvo Dumbled...


– NÃO VOU PAGAR A NENHUM VELHO BIRUTA E PATETA PARA ENSINÁ-LOS A FAZER MÁGICAS! – gritou tio Válter.


Mas ele finalmente fora longe demais. Hagrid agarrou o guarda-chuva e girou-o por cima da cabeça.


– NUNCA – trovejou – INSULTE... ALVO... DUMBLEDORE... NA... MINHA FRENTE!


E girou o guarda-chuva no ar baixando-o até apontar para Duda – houve um lampejo de luz violeta, o estalo de uma bombinha, um grito agudo e, no segundo seguinte, Duda estava dançando no mesmo lugar com as mãos apertando a barriga banhuda, guinchando de dor. Quando Duda virou de costas, Linx viu um rabo de porco enroscado saindo de um buraco nas calças dele.


Tio Válter urrou. Puxando tia Petúnia e Duda para o quarto, lançou um último olhar aterrorizado a Hagrid e bateu a porta ao sair.


Hagrid olhou para o guarda-chuva e coçou a barba.


– Não devia ter perdido as estribeiras – disse arrependido –, mas em todo o caso saiu errado. Queria transformá-lo em porco, mas acho que ele já parecia tanto com um que não pude fazer muita coisa.


E olhou de esguelha para Harry e Linx, por baixo das sobrancelhas peludas.


– Fico agradecido se não contarem isso para ninguém em Hogwarts – falou. – Não, hum, tenho permissão para fazer mágicas, rigorosamente falando. Permitiram que eu fizesse alguma coisa para seguir você e entregar as cartas e coisas assim, uma das razões por que eu queria tanto este trabalho.


– Por que você não pode fazer mágicas? – perguntou Linx com a voz ainda um pouco trêmula.


– Ah, bom... eu estive em Hogwarts, mas... hum... fui expulso, para falar a verdade. No terceiro ano. Eles partiram a minha varinha ao meio e tudo o mais. Mas Dumbledore me deixou ficar como guarda-caça. Grande sujeito o Dumbledore.


– Por que você foi expulso?


– Já está ficando tarde e temos muito o que fazer amanhã – disse Hagrid em voz alta. – Temos que ir à cidade, comprar os seus livros e etcétera.


Ele tirou o grosso casaco preto e atirou-o a Harry.


– Podem ficar com ele. Não se assustem se ele se mexer um pouco, acho que ainda tenho uns ratos do campo em um dos bolsos.


Hagrid desmoronou no sofá e rapidamente caiu no sono.


Linx e Harry se sentaram no chão com o casaco de Hagrid sobre seus ombros, mas ainda não estavam prontos para dormir.


— Tudo bem?— Harry perguntou para a amiga por fim.


— Eu só... acho que sempre tive a esperança de que meus pais ainda estivessem vivos. Ainda estivessem por aí. E que um dia eles iam voltar e nos tirar da casa daqueles idiotas.— Linx respondeu com um suspiro.— Agora sei que isso não é mais possível. Eles estão mortos.


— Não sabemos o que aconteceu com seu pai. Talvez ainda esteja vivo e vá nos tirar daqui.— Harry argumentou tentando animar a amiga.


— Acho que se ele fosse fazer isso já teria feito. É um sonho bobo.— a garota bufou.


— Não é um sonho bobo! E eu não vou deixar você desistir tão fácil assim.— Harry pegou a mão de Linx entrelaçando seus dedos.— Vamos passar todo o ano escolar longe dos Dursleys e vamos descobrir o que aconteceu com seu pai, ok?


Linx abriu um pequeno sorriso, que fez Harry sorrir também, e apertou a mão do menino com força.


— Parece um sonho, não? Parece que vamos acordar e tudo vai voltar ao que era.— Linx disse encarando o fogo e Harry assentiu.


— Acho melhor dormimos um pouco.— Harry disse depois de um tempo.


Os dois se deitaram e se enrolaram com o casaco de Hagrid. Embora o casaco fosse grande, eles permaneceram abraçados como faziam toda noite. Tinha se tornado um costume.


— Jay?— Linx chama em sussurro.


— Li?— Harry responde.


— Feliz aniversário!— A garota deseja antes dos dois caírem em um sono profundo.


Notas Finais


Oi, bruxinhos! Capítulo novo! Espero que gostem.

Comentem e favoritem por favor!!!

Até a próxima!


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