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História Linx Black e o Cálice de Fogo - Capítulo 18


Escrita por: BiaMBlack

Capítulo 18 - Fama, Brigas e Broches


Quando Linx chegou ao Salão Principal no domingo de manhã, recebeu a notícia de que Harry e Rony tinham brigado.


No instante em que Harry apareceu, os colegas que já haviam terminado o café, mais uma vez, prorromperam em aplausos, o que só fez Rony fechar ainda mais a cara. Então Linx achou melhor pegar algumas torradas e ir até o melhor amigo. Eles precisavam conversar.


– Olá – exclamou ela, estendendo uma pilha de torradas que carregava em um guardanapo, quando se aproximou. – Trouxe para você... quer dar uma volta?


– Boa ideia – respondeu Harry agradecido.


Os dois atravessaram depressa o saguão e pouco depois estavam caminhando pelos jardins em direção ao lago, onde o navio de Durmstrang, ancorado, se refletia escuramente na água. Fazia uma manhã fria e os dois amigos não pararam de andar, comendo as torradas, enquanto Harry contava a Linx exatamente o que acontecera depois que se separaram, na noite anterior.


– Bem, é claro que eu sabia que você não tinha se inscrito – disse a garota quando eles começaram a discutir o que aconteceu na sala ao lado do Salão Principal. – A cara que você fez quando Dumbledore o chamou! Mas a pergunta é, quem inscreveu você? Porque, Moody tem razão, Jay... acho que nenhum estudante teria sido capaz de fazer isso... nunca teria sido capaz de enganar o Cálice de Fogo nem de anular o feitiço de Dumbledore...


– Você viu o Rony? – interrompeu-a Harry. 


Linx hesitou.


– Hum... vi... estava tomando café.


– Ele ainda acha que eu me inscrevi?


– Bem... não, acho que não... não para valer – disse ela sem jeito.


– Que é que você está querendo dizer com esse não para valer?


– Ah, Jay, ele nunca acharia isso para valer – respondeu Linx enganchando seu braço ao de Harry. – Ele está com ciúmes! 


– Com ciúmes? – repetiu o garoto sem acreditar. – Com ciúmes de quê? Será que ele quer fazer papel de babaca na frente da escola inteira?


– Olha – disse Linx pacientemente –, é sempre você que recebe todas as atenções, você sabe que é. Sei que não é sua culpa – acrescentou ela depressa, vendo Harry abrir a boca, indignado. – Sei que você não quer isso... mas, bem... sabe, Rony tem todos aqueles irmãos competindo com ele em casa, e você é o melhor amigo dele e é realmente famoso, Rony é sempre deixado de lado quando as pessoas veem você, e ele aguenta isso sem reclamar, mas acho que mais essa vezinha foi demais...


– Ótimo – disse Harry com amargura. – Realmente ótimo. Diga a ele que troco de lugar quando ele quiser. Diga a ele que o meu lugar está às ordens... gente olhando de boca aberta para a minha cicatriz para todo lado que vou...


– Não vou dizer nada a ele – falou Linx cortando-o. – Diga você mesmo, é o único jeito de resolver isso.


– Não vou correr atrás dele para fazer ele crescer! – disse Harry, tão alto que várias corujas pousadas em uma árvore próxima levantaram voo assustadas. – Talvez ele acredite que não estou me divertindo quando me partirem o pescoço ou...


– Isso não tem graça – disse Linx baixinho. – Não tem a menor graça. – Ela estava extremamente ansiosa. – Jay, estive pensando... você sabe o que precisamos fazer, não sabe? Depressa, assim que voltarmos ao castelo?


– Sei, tacar no Rony um bom chute na b...


– Escrever ao meu pai. Você tem que contar a ele o que aconteceu. Ele pediu para o mantermos informado de tudo que estivesse acontecendo em Hogwarts... é quase como se ele esperasse que uma coisa dessas fosse acontecer. Trouxe pergaminho e uma pena comigo...


– Corta essa! – exclamou Harry, olhando à volta para verificar se havia alguém ouvindo; mas os jardins estavam muito desertos. – Ele voltou ao país só porque a minha cicatriz doeu. Provavelmente invadiria o castelo furioso se eu contasse que alguém me inscreveu no Torneio Tribruxo...


– Sirius iria gostar que você contasse a ele – disse Linx com severidade. – Ele vai descobrir de qualquer jeito... 


– Como?


– Jay isso não vai poder ser abafado – disse ela seriamente. – Esse torneio é famoso e você é famoso. Eu ficaria realmente surpresa se já não tiver saído alguma coisa no Profeta Diário sobre a sua entrada no torneio... você já aparece em metade dos livros que tratam do Você-Sabe-Quem... e Sirius iria preferir saber por você, eu sei que sim. E se você não escrever, eu vou.


– OK, OK, vou escrever – disse Harry atirando o último pedaço de torrada no lago. Os dois ficaram parados observando o pão flutuar por um instante, antes de um grande tentáculo emergir e engoli-lo por baixo. Depois disso retornaram ao castelo.


– Vou usar a coruja de quem? – perguntou Harry, quando subiam as escadas. – Ele disse para não usar Edwiges e Shade outra vez.


– Pergunte ao Rony se você pode pedir emprestada...


– Não vou pedir nada ao Rony – disse o garoto decidido.


– Bom, então peça uma das corujas da escola, qualquer pessoa pode pedir – disse Linx parando e forçando Harry a parar também. — Mas em algum momento você vai precisar falar com ele. É seu melhor amigo.


— Você é minha melhor amiga.— Harry corrigiu.


— Obviamente.— a garota disse revirando os olhos.— Mas isso não torna Rony menos seu melhor amigo.


— O que isso quer dizer?


— Estamos crescendo, Jay. Eu preciso de amigas e você precisa de amigos.— Linx respondeu.— É normal que eu tenha uma melhor amiga e você um melhor amigo. E isso não nos torna menos amigos.


— E por que você acha que Rony é o meu melhor amigo? Poderia ser o Theo.


— Por favor, Jay.— Linx pediu quase rindo.— Você é mais próximo do Rony do que do Theo. Todo mundo sabe disso.


— Você que é bem próxima dele.— Harry disse com um tom que fez a garota rir de verdade.


— Isso é ciúmes, Harry James Potter?— Linx perguntou divertida, enganchando novamente seu braço ao de Harry e voltando a andar.


— Claro que não.— ele negou revirando os olhos, levemente corado.


— Theo é como meu irmão mais novo, ok?— Linx disse.— Agora vem, temos uma carta para enviar.


Os dois subiram até o corujal. Linx deu a Harry um pedaço de pergaminho, uma pena e um tinteiro, depois saiu percorrendo as longas filas de poleiros, examinando as diferentes corujas, enquanto Harry se sentava encostado à parede e escrevia a carta.


– Terminei – disse ele a Linx, levantando-se e sacudindo a palha das vestes. Ao fazer isso, Edwiges veio voando para o seu ombro e estendeu a perna.


— Deixa eu ver.— Linx disse pegando a carta enquanto Harry falava com a coruja.


– Não posso usar você – disse Harry a ela, correndo o olhar pelas corujas da escola ao redor. – Tenho que usar uma dessas...


Edwiges soltou um pio muito alto e levantou voo tão inesperadamente que suas garras cortaram o ombro do garoto. E ficou de costas para Harry.     


Caro Sirius,

Você me disse para mantê-lo informado do que está acontecendo em Hogwarts, então aqui vai: não sei se você já sabe, mas vão realizar um Torneio Tribruxo este ano e, na noite de sábado, fui escolhido para ser o quarto campeão. Não sei quem pôs o meu nome no Cálice de Fogo, mas não fui eu. O outro campeão de Hogwarts é Cedrico Diggory da Lufa-Lufa.

Espero que você esteja OK, e Bicuço também. 

Harry


— É. Você com certeza está de mal-humor.— Linx disse e enquanto ele tentava prender a carta a uma grande coruja-de-igreja. 


— Não estou de mal-humor.— Harry reclamou.


Depois que a coruja partiu, o garoto estendeu a mão para acariciar Edwiges, mas ela estalou o bico, furiosa, e voou para os caibros do telhado fora do seu alcance.


– Primeiro Rony, e agora você – disse Harry aborrecido. – Não é minha culpa.


— Calma, ok?— Linx disse suavemente abraçando o melhor amigo.— As coisas vão se resolver.


Mas se Linx pensou que as coisas iam melhorar uma vez que Harry se acostumasse à ideia de ser campeão, o dia seguinte lhe provou que estava enganado. Ele não poderia evitar o resto da escola quando voltasse às aulas – e era visível que o resto da escola achava que Harry se inscrevera para o torneio. Ao contrário dos garotos de sua Casa, porém, os outros não pareciam estar bem impressionados.


Os da Lufa-Lufa, que normalmente conviviam em excelentes termos com os alunos da Grifinória, tinham se tornado bastante frios. Uma aula de Herbologia foi suficiente para demonstrar isso. Ficou claro que os alunos da Lufa-Lufa, com exceção de Linx, achavam que Harry roubara a glória do seu campeão; um sentimento talvez exagerado pelo fato de que a Lufa-Lufa raramente conquistava alguma glória, e Cedrico era um dos poucos que lhe dera alguma, tendo uma vez derrotado a Grifinória no quadribol. Ernesto MacMillan e Justino Finch-Fletchley, com quem Harry habitualmente se dava tão bem, não falaram com ele, embora os três estivessem reenvasando bulbos saltadores na mesma caixa – embora tivessem rido de modo bem desagradável quando um dos bulbos saltadores escapuliu da mão de Harry e bateu com força no rosto do garoto. Tampouco Rony estava falando com Harry. Hermione se sentou entre os dois, procurando a custo manter uma conversa, e embora os dois lhe respondessem normalmente, evitavam se olhar. Linx achou que até a Profa Sprout parecia estar distante com ele – mas, afinal, ela era a diretora da Lufa-Lufa.


Previsivelmente, Malfoy chegou à cabana de Hagrid para a aula de Trato das Criaturas Mágicas com o conhecido sorriso desdenhoso atarraxado no rosto.


– Ah, olha só, pessoal, é o campeão – disse ele a Crabbe e a Goyle no instante em que se aproximou de Harry o bastante para ser ouvido. – Trouxeram os cadernos de autógrafos? É melhor pedir um agora porque duvido que a gente vá vê-lo por muito tempo... metade dos campeões do Torneio Tribruxo morreram... quanto tempo você acha que vai durar, Potter? Aposto que só os primeiros dez minutos da primeira tarefa.


Crabbe e Goyle deram risadas para agradá-lo, mas Malfoy teve que parar por aí, porque Hagrid surgiu dos fundos da cabana, segurando uma torre instável de caixas, cada uma contendo um enorme explosivim. Para horror da turma, Hagrid começou a explicar que a razão pela qual os bichos tinham andado se matando era o excesso de energia acumulada, e que a solução era cada aluno pôr uma coleira em um bicho e levá-lo para passear um pouco. A única vantagem desse plano foi distrair Malfoy completamente.


– Levar essa coisa para passear um pouco? – repetiu ele enojado, olhando para dentro de uma das caixas. – E onde exatamente você quer que a gente amarre a coleira? No ferrão, no rabo explosivo desse treco?


– No meio – respondeu Hagrid, fazendo uma demonstração. – Hum... é, vocês talvez queiram calçar as luvas de couro de dragão, assim como uma precaução a mais. Harry, vem até aqui me ajudar com esse grandalhão...


A verdadeira intenção de Hagrid, no entanto, era falar com Harry longe do restante da turma.


Ele esperou até todos terem se afastado com os explosivins, depois se virou para o garoto e disse, muito sério:


– Então... você vai competir, Harry. No torneio. Campeão da escola.


– Um dos campeões – corrigiu-o Harry.


Os olhos de Hagrid, negros como besouros, pareciam muito ansiosos sob as sobrancelhas desgrenhadas.


– Não faz ideia de quem o meteu nessa fria, Harry?


– Você acredita então que não fui eu que me inscrevi? – perguntou Harry, escondendo com esforço o arroubo de gratidão que sentiu ao ouvir as palavras de Hagrid.


– Claro que acredito – resmungou Hagrid. – Você diz que não foi você e eu acredito em você, e Dumbledore acredita em você e tudo.


– Eu bem gostaria de saber quem foi – disse o garoto com amargura.


Os dois olharam para os jardins; a turma agora andava espalhada por lá, toda ela em grande apuro. Os explosivins tinham alcançado uns noventa centímetros de comprimento e se tornado extremamente fortes. Já não eram sem casca e descolorados, tinham desenvolvido uma espécie de escudo acinzentado grosso e reluzente. Pareciam uma cruza de enormes escorpiões com caranguejos alongados – mas ainda não possuíam cabeças ou olhos reconhecíveis. Tinham-se tornado imensamente fortes e difíceis de controlar.


– Parece que eles estão se divertindo, não acha? – comentou Hagrid alegremente. Linx presumiu que ele estivesse se referindo aos explosivins, porque seus colegas certamente não estavam; de vez em quando, com um alarmante estampido, a cauda de um deles explodia, fazendo-o saltar vários metros à frente e mais de um aluno estava sendo arrastado de bruços enquanto tentava desesperadamente se levantar.


– Ah, eu não sei, Harry – suspirou Hagrid de repente, voltando a encará-lo, com uma expressão preocupada no rosto. – Campeão da escola... parece que tudo acontece com você, não é?


O garoto não respondeu. É, parecia que tudo acontecia com ele... era mais ou menos o que Linx dissera quando andavam pela margem do lago, e essa era a razão pela qual Rony deixara de falar com ele.


Os dias que se seguiram foram alguns dos piores que Harry passara em Hogwarts. O mais próximo que ele chegara desse sentimento fora durante aqueles meses, no segundo ano, em que grande parte da escola suspeitara que era ele que atacava os colegas e Linx tinha se afastado. Linx achava que ele poderia suportar a atitude do resto da escola se ao menos pudesse ter Rony outra vez como amigo, mas não ia tentar persuadi-los a voltarem a se falar se eles não queriam.


Linx podia entender a atitude de seus colegas de casa, mesmo que não lhe agradasse; tinham um campeão próprio para apoiar. Não esperara menos do que agressões verbais dos alunos da Sonserina – Harry era muito impopular entre eles e sempre o fora, pois ajudara a Grifinória a derrotá-los muitas vezes, tanto no quadribol quanto no Campeonato Intercasas. Mas alimentara a esperança de que os colegas da Corvinal tivessem a bondade de apoiar Harry tanto quanto a Cedrico. Mas ela se enganara. A maioria dos alunos daquela Casa parecia pensar que ele estivera desesperado para conquistar um pouco mais de fama fazendo o Cálice de Fogo aceitar seu nome.


Depois, havia ainda o fato de Cedrico se enquadrar muito melhor no papel de campeão do que Harry. Excepcionalmente bonito, nariz reto, cabelos escuros e olhos cinzentos, era difícil dizer quem era o alvo de maior admiração ultimamente, se Cedrico ou Vítor Krum. Linx chegou a presenciar as mesmas garotas do sexto ano que se empenharam tanto para obter um autógrafo de Krum, suplicando a Cedrico para assinar suas mochilas na hora do almoço.


Entrementes não havia resposta de Sirius, Edwiges se recusava a se aproximar do dono, a Profa Sibila Trelawney andava predizendo a morte de Harry com uma certeza ainda maior do que de costume, e ele estava se saindo tão mal nos Feitiços Convocatórios na aula do Prof. Flitwick que recebera dever de casa suplementar – a única pessoa a receber, à exceção de Neville.


– Na realidade não é tão difícil assim – Melinda tentou tranquilizá-lo quando saíam da sala de Flitwick, a garota fizera os objetos dispararem pela sala em sua direção a aula inteira, como se ela fosse uma espécie de ímã exótico para espanadores, cestas de papel e lunascópios. – Você simplesmente não se concentrou como devia...


– E por que teria sido isso? – perguntou Harry sombriamente, quando Cedrico Diggory passou por eles, cercado por um grande grupo de garotas que sorriam debilmente e olharam para Harry como se ele fosse um explosivim particularmente grande. – Mesmo assim, deixa para lá, não é? Dois tempos de Poções à espera da gente hoje à tarde...


A aula de Poções sempre fora uma experiência terrível, mas ultimamente chegava quase a ser uma tortura. Ficar trancado em uma masmorra durante uma hora e meia com Snape e os alunos das outras casas, todos decididos a castigar Harry o máximo por se atrever a ser campeão da escola, era a coisa mais desagradável que se poderia imaginar. Harry já aturara uma sexta-feira, com Hermione sentada ao seu lado, entoando entre dentes “Não ligue, não ligue, não ligue”, e ele não conseguia ver por que esta seria melhor.


Quando Linx e os amigos chegaram à porta da masmorra de Snape depois do almoço, encontraram os alunos da Sonserina esperando à porta, cada um deles usando um distintivo no peito. Por um instante delirante, Linx pensou que fossem distintivos do F.A.L.E. – mas logo viu que todos continham a mesma mensagem em letras vermelhas luminosas, que brilhavam vivamente no corredor subterrâneo mal iluminado.


Apoie CEDRICO DIGGORY –

o VERDADEIRO campeão de Hogwarts.


– Gostou, Potter? – perguntou Malfoy em voz alta, quando Harry se aproximou. – E isso não é só o que eles fazem, olha só!


E apertou o distintivo contra o peito, a mensagem desapareceu e foi substituída por outra, que emitia uma luz verde:


POTTER FEDE


Os alunos da Sonserina rolaram de rir. Cada um deles apertou o distintivo também, até que a mensagem POTTER FEDE estivesse brilhando vivamente a toda volta do garoto.


– Vai se f… – rosnou Linx avançando para cima de Draco, mas Harry e Theo a seguraram antes que ela conseguisse.


— Li, não vale a pena.— Harry murmurou para a garota, que lançava olhares faiscantes para os sonserinos.


Rony estava parado encostado à parede com Dino e Simas. Ele não estava rindo, mas tampouco defendia Harry.


– Quer um, Granger? – perguntou Malfoy, oferecendo um distintivo a Hermione. – Tenho um monte. Mas não toque na minha mão agora, acabei de lavá-la, sabe, e não quero que uma sangue ruim a suje.


Linx fez menção de avançar de novo, mas Theo a segurou com mais força.


Mas Harry  apanhou a varinha. As pessoas em volta se afastaram correndo, recuaram pelo corredor.


– Harry! – gritou Hermione em tom de aviso.


– Anda, Potter, usa – disse Malfoy em voz baixa, puxando a própria varinha. – Moody não está aqui para proteger você  e seus amiguinhos agora, usa, se tiver peito...


Por uma fração de segundo, eles se encararam nos olhos, depois, exatamente ao mesmo tempo, os dois agiram.


– Furnunculus! – berrou Harry.


– Densaugeo! – berrou Malfoy.


Feixes de luz saíram de cada varinha, colidiram em pleno ar e ricochetearam em ângulo – o de Harry atingiu Goyle no rosto e, o de Malfoy, Hermione. Goyle berrou e levou as mãos ao nariz, de onde começaram a brotar furúnculos enormes e feios – a garota, chorando de dor, apertou a boca.


– Mione! – Rony correu para ela para ver o que acontecera.


Linx se virou e viu Rony tirando a mão de Hermione do rosto. Não era uma visão agradável. Os dentes da frente da garota – que já eram maiores do que o normal – cresciam agora a um ritmo assustador; a cada minuto a garota se parecia mais com um castor, pois seus dentes se alongavam, ultrapassavam o lábio inferior em direção ao queixo – tomada de pânico, ela os apalpou e soltou um grito aterrorizado.


– E que barulheira é essa? – perguntou uma voz suave e letal. Snape chegara.


Os alunos da Sonserina gritavam tentando dar explicações. Snape apontou um dedo longo e amarelado para Malfoy e disse:


– Explique.


– Potter me atacou, professor...


– Atacaram um ao outro ao mesmo tempo! – gritou Mel.


– ... e ele atingiu Goyle, olhe...


Snape contemplou Goyle, cujo rosto agora lembrava a ilustração de um livro doméstico sobre cogumelos venenosos.


– Ala hospitalar, Goyle – disse o professor calmamente.


– Malfoy atingiu Hermione! – disse Rony. – Olhe!


O garoto obrigou Hermione a mostrar os dentes a Snape – ela se esforçava ao máximo para escondê-los com as mãos, embora isso fosse difícil, porque agora tinham ultrapassado o seu decote. Pansy Parkinson e as outras garotas da Sonserina se dobravam de rir em silêncio, apontando para Hermione pelas costas de Snape.


Snape olhou friamente para Hermione e disse:


– Não vejo diferença alguma.


Hermione deixou escapar um lamento, seus olhos se encheram de lágrimas, ela deu meia-volta e correu, correu pelo corredor afora e desapareceu.


Foi uma sorte, talvez, que Linx, Theo, Mel, Harry e Rony tenham começado a gritar com Snape ao mesmo tempo; sorte que suas vozes tenham ecoado tão forte no corredor de pedra, porque, na confusão de sons, ficou impossível o professor ouvir exatamente os nomes de que o xingaram. Mas ele captou o sentido.


– Vejamos – disse, na voz mais suave do mundo. – Cinquenta pontos a menos para a Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal e uma detenção para cada um de vocês cinco. Agora, entrem ou será uma semana de detenções.


Os ouvidos de Linx zumbiram. A injustiça daquilo a fez desejar amaldiçoar Snape, desintegrá-lo em mil pedacinhos nojentos. Ela passou pelo professor e se dirigiu com os amigos para o fundo da masmorra, largando com força a mochila sobre a carteira. Rony tremia de raiva, também – por um instante, pareceu que tudo voltara ao normal entre ele e Harry, mas, em vez disso, Rony se virou e se sentou entre Dino e Simas. Do lado oposto da masmorra, Malfoy deu as costas para Snape e comprimiu o distintivo, rindo-se. O POTTER FEDE lampejou mais uma vez pela sala.


Linx se sentou e ficou encarando Snape quando a aula começou, visualizando coisas horríveis acontecendo ao professor...


– Antídotos! – disse Snape, abrangendo a turma toda com o olhar, seus olhos negros e frios, brilhando de forma desagradável. – Vocês já tiveram tempo de pesquisar suas fórmulas. Quero que as preparem cuidadosamente e depois vamos escolher alguém em quem experimentar...


Os olhos de Snape encontraram os de Harry e Linx percebeu o que vinha a caminho.


Então uma batida na porta da masmorra invadiu os pensamentos de Linx.


Era Colin Creevey; o garoto entrou discretamente na sala, sorrindo para Harry, e dirigiu-se à escrivaninha de Snape diante da turma.


– Que foi? – perguntou Snape com rispidez.


– Por favor, professor, me mandaram levar Harry Potter lá em cima.


Do alto do seu nariz de gancho, Snape baixou os olhos para Colin, cujo sorriso desapareceu do seu rosto pressuroso.


– Potter tem mais uma hora de Poções para completar – disse Snape friamente. – Subirá quando a aula terminar.


Colin corou.


– Professor, o Sr. Bagman é quem está chamando – disse nervoso. – Todos os campeões têm que ir, acho que querem tirar fotos...


Harry parecia querer fazer qualquer coisa para que Colin parasse de falar. Rony contemplava o teto decidido.


– Muito bem, muito bem – retorquiu Snape. – Potter deixe o seu material, quero que volte aqui depois para testar o seu antídoto.


– Por favor, professor, ele tem que levar o material – disse Colin com uma vozinha esganiçada. – Todos os campeões...


– Muito bem! – disse Snape. – Potter, apanhe sua mochila e desapareça da minha frente! 


Harry atirou a mochila por cima do ombro, se levantou e se encaminhou para a porta. 


— Boa sorte.— Linx desejou baixinho quando ele passou por ela.


Ao passar pelas carteiras dos alunos da Sonserina, o POTTER FEDE lampejou para ele de todas as direções.


Então Snape terminou sua aula ainda mais mal-humorado que nunca.


— Como foi com os outros campeões?— Linx perguntou assim que Harry apareceu para o jantar. 


Mel e Theo estavam cada um em sua mesa. Rony já tinha sumido e Hermione ainda estava na Ala Hospitalar.


– Tirando os repórteres, foi até que bem – disse ele dando de ombros. 


– E temos que cumprir as detenções amanhã à noite na masmorra do Snape.


— Certo.


Foi então que uma coruja pousou na mesa da Grifinória trazendo uma carta para eles. Linx pegou a carta para que os dois pudessem ler.


Harry,

Não posso dizer tudo que gostaria em uma carta, é arriscado demais se a coruja for interceptada – precisamos conversar cara a cara. Você pode dar um jeito de estar junto à lareira na Torre da Grifinória à uma hora da manhã, no dia 22 de novembro? 

Se puder dar um jeito para que Linx também estivesse lá seria bom.

Sei melhor do que ninguém que você é capaz de se cuidar e, enquanto estiver perto de Dumbledore e Moody, acho que ninguém conseguirá lhe fazer mal. Porém, parece que alguém está tendo algum sucesso. Inscrever você nesse torneio deve ter sido muito arriscado, principalmente debaixo do nariz de Dumbledore.

Fique vigilante, Harry. Continuo querendo saber de tudo que acontecer de anormal. Mande uma resposta sobre o dia 22 de novembro o mais cedo que puder.

Sirius



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