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História Lionheart - Erwin Smith - Capítulo 1


Escrita por: CaroIinautora

Capítulo 1 - Prólogo


Ano 854

Sinto um arrepio percorrer minha espinha quando sinto o chão tremer sob meus pés, sinal de que eu estava me aproximando de onde a batalha estava de fato acontecendo. Meus olhos viajam pelos rostos das pessoas que passam correndo por mim, especialmente os soldados. Mas nenhum deles é ele, nenhum dos rostos apavorados que correm de um lado para o outro é Ethan. Os prédios têm partes da estrutura faltando enquanto blocos de concreto caem sobre a rua estreita. Desvio por pouco de algumas vigas de madeira que caem em meu caminho, quase sendo acertada nas costas.

A praça está cada vez mais perto e praguejo mentalmente por não ter ido tantas vezes ao distrito de Liberio. Não fazia ideia de como faria para sair dali depois, afinal, havia entrado em tantas ruas e passado por tantas pessoas que ao menos me lembro do caminho que fiz. Balanço a cabeça me obrigando a continuar a correr, os tremores no chão ficando cada vez mais fortes e os sons da luta chegando até meus ouvidos entre gritos, tiros e algumas explosões.

Tento ignorar os pedidos de ajuda das poucas pessoas que haviam sobrevivido ali, usando de suas últimas forças para pedir socorro para qualquer um que passasse. Ignoro os corpos esmagados, o sangue sobre a calçada e as mãos que se esticam debilmente em minha direção.

- Amarie! - Ouço Angela gritar meu nome e paro de súbito, me virando para a direção onde ela está. - É você mesma?

- É claro que sou eu. - Digo ofegante ao me aproximar dela.

A mulher tem sangue seco sobre os fios curtos do cabelo grisalho e ambas as pernas esmagadas contra um bloco de concreto grande o suficiente para que qualquer um saiba que ela não voltaria a andar. Cerro os dentes me abaixando ao seu lado e guardo as lâminas, esticando as mãos até encontrar a dela. Angela tem os olhos caídos, tento imaginar a dor que deve sentir nesse momento quando minha visão fica turva pelas lágrimas que começam a se acumular em meus olhos.

- Agora não. - Angela diz com a voz firme. - Você não vai chorar, Amarie. Vá atrás de alguém que você possa de fato ajudar.

- Mas, Angela...

- Chega. - Ela aperta minha mão. - Eu vou ficar bem, agora vai.

Solto sua mão, relutante, me levantando e indo em direção a praça, dando uma última olhada nela por cima do ombro, engolindo a seco em uma tentativa de segurar as lágrimas que queriam sair. Angela havia sido minha única amiga e a melhor professora que poderia ter. Balanço a cabeça, me obrigando a não pensar naquilo e sacar novamente as lâminas.

Chego até a praça e a visão que tenho faz com que meus pés parem de imediato, assim como minha respiração, que faz uma pausa longa e involuntária. O Titã de Ataque tem os punhos cerrados acima da cabeça e acerta inúmeras vezes o oponente, caído no chão. O Martelo de Guerra estava a poucos instantes de ser derrotado. Meus olhos viajam até o topo dos prédios ao redor do que havia sobrado da praça, agora coberta por escombros. Pieck e Galliard observam a luta, assim como outros soldados, como se seus rifles fossem fazer de fato alguma diferença contra aqueles titãs.

- Ethan... Onde você está? - Encaro os telhados aflita, até finalmente o ver de relance no topo de um dos edifícios.

Não penso duas vezes antes de correr até a entrada destruída do prédio, tendo que pular alguns degraus que haviam sido destruídos, formando buracos nos degraus de madeira. A única coisa que ouço são os sons abafados do lado de fora e minha própria respiração ofegante. Não tem como negar que estou cansada e que os ferimentos de algumas horas antes começam a cobrar de mim algum descanso. Chego ao último andar e abro a porta em um movimento amplo, alcançando o terraço.

- Jean, Connie! Não... - Apoio as mãos sobre os joelhos, cansada. Ergo o corpo novamente e olho para os garotos, que estão prestes a atirar em Ethan. - Não o matem.

Mas já era tarde demais. O som do rifle disparando contra o garoto parece ser ainda mais alto do que os gritos dos titãs que lutam atrás de nós. Ethan olha em minha direção antes de levar a mão ao peito e inclinar o corpo para trás, deslizando por cima da baixa amurada e caindo em direção aos escombros, junto dos outros corpos que estão logo abaixo deles.



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