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História Lips On You (NaruHina) - Capítulo 6


Escrita por: e ZolaUzumaki


Notas do Autor


Boa noite nenis, não é o melhor dos capítulos, porque ultimamente tem sido muito difícil escrever, e realmente é difícil fazer algo que me agrade. Mas eu não podia procrastinar de novo, e privá-los de att... Juro que os próximos serão melhores ❤️

Capítulo 6 - Bad Guy


Gaara observava enojado toda a algazarra em torno da volta de Ino. Não podia negar que fora uma surpresa e tanto, e que parte de si até o deixou eufórico com a sua presença. Sentimento esse, que logo foi ofuscado pela raiva e frustração de vê-la aparantemente tão bem, e tão feliz, depois de tudo o que ocorrera entre os dois.

Se afastou imediatamente assim que a mesma chegou, mas mesmo distante, equanto entornava a terceira dose de martini, ainda era capaz de ouvir os risos altos de Sakura e Shion, enquanto a amiga recém chegada, contava os irritantes detalhes de sua carreira no Canadá.

Naruto mais ao canto, conversava com Shikamaru que de alguma forma que não lhe interessava nem um pouco, havia se tornado acessor de Ino. Portanto, a única que dava atenção a Gaara era a irmã, Temari, que sabendo de toda a história e o conhecendo bem, logo notou que ele provavelmente beberia o suficiente para fazer coisas que o fariam se arrepender depois. Por isso, se aproximando de forma sutil, tirou o copo de suas mãos, se abrigando em uma das cadeiras abaixo de um guarda sol, ao seu lado.

– Sabe que não pode ignorá-la por todo o tempo, não é? – Ele nada respondeu, apenas permaneceu encarando a água, pensativo e atípicamente sério. – Gaara, já faz anos. Você é um homem feito, e teve tempo para superar. Sei que o que viveram foi intenso, mas não pode cobrar que uma pessoa fique em sua vida para sempre.

– Essa mulher acabou com a minha vida, Temari. Não se trata de superar, mas sim de não esquecer o que ela fez. – Fitou o rosto da irmã, com um vinco enorme entre as sobrancelhas. – Nós tínhamos tudo pronto, estava perfeito, só bastava esperar para o grande dia. Mas ela jogou tudo fora na primeira oportunidade de se ver livre de mim.

– Eu entendo a sua frustração, entendo mesmo. – Segurou a mão do mais velho, lembrando-se de seu último relacionamento e do quanto havia terminado mal. Afinal, aquele devia ser um carma na vida dos irmãos No Sabaku. – Mas não pode ficar aqui sentado como um menino cujo os pais não deixou brincar de bola. Todos nós crescemos juntos praticamente, somos amigos a anos. Não deixe nossa relação com os outros azedar por conta do seu passado com a Yamanaka.

– Não gostei nem um pouco do que fizeram. – Crispou os lábios, irritado. – Se tivessem me dito, eu certamente não estaria aqui, brincando de jardim de infância. – Temari sorriu com pena, não sabia o que dizer para deixar o irmão melhor, e de repente se recordou que aquela sempre fora a tarefa de Kankuro. Mas o irmão do meio já não fazia parte da vida de Gaara.

– As vezes eu gostaria de saber como o Kankuro agiria nessa situação. Porque eu nem sempre sei lidar com as suas angústias, e isso me assusta um pouco. –  Vendo sua preocupação, Gaara acariciou suas mãos geladas.

Temari era a caçula entre os três, e apesar do temperamento forte com tudo e todos, para Gaara ela mostrava o seu lado mais doce. A mãe morreu dando a luz a ela, quando o ruivo tinha quatro e Kankuro três anos. E a pouca diferença de idade fez com que os três fossem muito próximos. Porém, Gaara sendo o mais frágil, em questão de problemas pessoais, sempre recebeu mais atenção da mais nova, que em parte se culpava pela morte da mãe. Tudo o que podia fazer pelo ruivo, ela fazia, pois ao seu ver era aquilo que a mãe desejaria.

– Kankuro é um traidor de merda, e só não digo que é da mesma laia que a Ino, porque nem mesmo ela merece ser comparada aquela caçamba de lixo. – Suas palavras frias, fizeram a mais nova se encolher um pouco. Sabia que a índole do irmão não era das melhores, e que ele havia errado gravemente com alguém importante para Gaara. Mas mesmo assim, era doloroso ouvir tamanho desprezo saindo de sua boca.

– Ele ainda é o nosso irmão. – Cansado do assunto, o ruivo se levantou, pegando novamente o seu copo, qual Temari havia pego.

– Fale por você, imouto. – Piscando para ela, se encaminhou em direção a casa, ignorando o par de olhos azuis, que entre uma conversa e outra, o acompanhava.

Para Hinata era curioso ver toda aquela movimentação na casa, que se não fossem os funcionários desempenhando suas funções diárias, quase sempre viveria silenciosa. Todos os amigos do senhor Uzumaki, por sua primeira impressão eram muito educados. Em especial o ruivo que lhe lançara gracejos, e a tão falada Sakura Haruno. Dona Kushina vivia a fazer comentários sobre ela, e perguntar ao filho por ela, sempre que tinha oportunidade. Kiba e Shino disseram que era a melhor amiga de Naruto, e também um grande afeto da senhora Uzumaki, que a conhecia desde pequenina. De qualquer forma, tudo o que ouvira dizer sobre a mesma, foi comprovado assim que trocaram suas primeiras palavras. Além de linda, era uma mulher gentil, e carismática.

A loira com quem Naruto conversava, segundo o Shino se tratava de Shion. Mas quando ia cochichar algo a mais sobre ela, Kiba apareceu, e ele mudou de assunto, dando a impressão de que não queria que o amigo escutasse. A outra, Temari, pelo que Hinata notara era irmã de Gaara, e a morena não tivera muita interação com ela para saber como era. Quanto aos demais que haviam acabado de chegar, Hinata também não tivera oportunidade de trocar palavras. Mas algo ficara bem claro pela expressão de Gaara, que havia acabado de adentrar a cozinha, a assustando com sua aparição repentina; ele não estava nem um pouco feliz comparado a como ela o viu momentos antes.

– Senhor No Sabaku – desligou a torneira, secando as mãos no pano que usava sobre os ombros, ainda com a respiração ofegante. – Deseja alguma coisa? – Com os olhos entristecidos ele a encarou, se forçando a dar um breve sorriso.

– Vitamina de maçã, pode fazer isso? – Mesmo sem entender o que levava um homem que estava bebendo todas, de repente aparecer em sua frente pedindo vitamina de maçã, Hinata notou que havia algo errado, e preferiu não fazer perguntas por horas.

A garota apenas assentiu e passou a caminhar pelo cômodo a procura dos ingredientes, enquanto escorado no mármore da pia, de braços cruzados, o ruivo observava, um pouco alheio, recordando-se de elementos de seu passado.


– Casar, Gaara? – Os olhos brilhavam para si com ansiedade, enquanto fitava a aliança recém colocada em seu dedo. Eles estavam em Paris, em uma viagem planejada nos mínimos detalhes para que o pedido fosse feito, da forma que fizesse jus aos caprichos de Ino. Na cobertura de um restaurante, com vista para o imponente monumento da torre Eiffel. – Isso significa passar uma vida ao lado do outro. –  A Yamanaka suspirava em admiração, parecia tão feliz depois de dizer sim, e ele podia jurar que nunca a vira sorrir de forma tão pura antes. – Significa que vamos construir nossa própria casa e a nossa família. Que vamos jantar juntos quase todos os dias, e eu não vou ter que esperar muito para te ver, porque no fim do dia você vai estar sempre ao meu lado na cama. – Seu coração batia de forma desenfreada, porque aquilo era tudo o que mais desejava. Ino era seu raio de sol, e ele a amava desde que eram apenas adolescentes. Por mais que tivessem demorado a admitir a atração que se escondia por trás da implicância, em um dia qualquer apenas aconteceu, e desde então não se separaram mais.

– Eu nem acredito que disse sim. – Disse voltando a respirar aliviado. –  Ensaiei meses esse pedido e mesmo assim foi completamente assustador. – Segurando sua mão com carinho, acariciou com o indicador. Ela estava adorável no vestido elegante de mangas japonesas em tom anil.

– Soube que havia algo errado quando pediu vitamina de maçã. – Ambos riram. – Você parece um bocó tomando isso em um restaurante chique desses. Mas é a única bebida que realmente tem a capacidade de te deixar mais calmo, não é?

– Odeio que conheça tanto meus pontos fracos. – Revirou os olhos.

– Ora eu serei a sua esposa, tenho que conhecer cada um deles. – O verde dos olhos vívidos praticaram cintilaram para ela, tornando-se mais intensos do que jamais foram. A ideia lhe era tão excitante que causava arrepios por todo o seu corpo. Foi inevitável segurar a mão da noiva com mais firmeza, apenas para certificar-se de que não se tratava de um sonho. – O que foi?

– Pode repetir o que acabou de dizer? O que será minha, Ino Yamanaka? – Estreitando os olhos para ele, ela sorriu abertamente.

– Serei a sua esposa, e você o meu marido.


Gaara voltou a si com um movimento de mão em frente ao seu rosto, e notou que estava viajando quando viu a figura miúda de Hinata diante de si, sengurando um copo.

– Aqui está, sua vitamina.

– Obrigado. – Retribuiu com uma piscadela, e assim que provou do conteúdo seus olhos se arregalaram. Nunca havia provado uma tão boa. – Nossa! É a melhor vitamina de maçã que eu já tomei, garota. O que colocou aqui?

– Pedacinhos de canela e uma pitada de açúcar mascavo. – Sorriu convencida. – Minha mãe Mikoto costumava dizer, que o doce da canela tem o poder de curar os corações quebrados.

– Eu não duvido nada das palavras da sua mãe. Mas acho que vou precisar de mais copos disso aqui para curar o estrago todo. – Brincou.

– Não seja por isso, tem muito mais ali. – Ela era de fato muito gentil, e se pudesse se esconder embaixo de seu avental e ficar ali para sempre, certamente era o que Gaara faria. – Vou voltar ao trabalho senhor No...

– Me chame apenas de Gaara, Hinatinha. – Dizendo isso, notou que ela pressionava um pequeno corte em seu dedo. – O que houve aí?

– Ah isso? Eu me distraí enquanto cortava maçãs. – Riu quando viu a preocupação tomar conta do rosto do homem, como se tivesse acabado de atropelar uma pessoa e se sentisse culpado. – Não se preocupe, foi só um cortezinho bobo.

–Não vou deixar que saia dessa cozinha antes que eu mesmo faça um curativo. Céus, por que eu fui ter a ideia estúpida de te pedir para fazer vitamina para mim? Onde tem uma caixa de primeiros socorros? – Hinata não conseguia parar de rir.

– Não precisa, olha realmente estou bem.

– Caixa de primeiras socorros, Hinata. – Insistiu agora com seriedade, e com um suspiro em protesto ela apontou para o armário a esquerda, o fazendo ir ate lá.

Sentada em um dos bancos, ela observava admirada a concentração do ruivo em fazer-lhe um curativo. De fato a forma como ele ajeitava a gase em seu dedo com sutileza, depois de desinfetar o ferimento, era muito hábil. Desconsiderando que aquilo não era necessário se tratando de um corte tão pequeno.

– Eu fazia isso o tempo todo quando era escoteiro. – Se gabou com um sorriso ladino, e a moça pareceu surpresa.

– Realmente foi escoteiro? Você não me parece o tipo de pessoa que foi escoteiro na infância. – Sem notar a presença da pessoa que acabava de entrar na cozinha, Gaara fitou Hinata nos olhos, a fazendo engolir em seco. Seus cabelos ruivos em contraste com a pele clara eram tão sensuais.

– Se surpreenderia se tivesse uma pequena demonstração das minhas habilidades, até então desconhecidas por você, Hinatinha. – A garota abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Ao invés disso, os olhos captaram a figura pouco simpática que agora estava posicionanda atrás do homem, suas orbes se arregalaram, e a boca ressecou.

– Será que eu atrapalho, Gaara? – O ruivo riu em deboche ao ouvir o tom ameaçador de Naruto, e então da mesma forma que havia se aproximado, ele se afastou, sob o olhar severo do loiro.

– Você é um corta clima, sabia? Não me deixa nem flertar. – Resmungou, voltando a encher o seu copo com a vitamina, antes de piscar mandando um beijo para Hinata. – Conversamos depois, Hinatinha.

Ainda envergonhada com o que havia acabado de acontecer, corando até os fios de seus cabelos, Hinata sentia o coração acelerar cada vez mais em seu peito. Por mais que tentasse recuperar um último resquício de dignidade, a carranca de Naruto não lhe permitia.

– Recomponha-se. – Proferiu com frieza, a fazendo dar um salto do banco, ajeitando o avental. – Sabe, Hinata, eu gosto de andar pela minha casa, sem correr o risco de encontrar funcionários em situações desagradáveis como essa. Espero que não se repita. Se deseja tanto assim se jogar nos braços de alguém que conheceu a poucas horas, sugiro que faça isso do portão para fora.

–Ora, Uzumaki-san não tire conclusões precipitadas! Você nem ao menos estava aqui para saber o que aconteceu. – Retrucou emburrada, fazendo com que o mesmo lhe lançasse um olhar em puro descontentamento. Por que ele parecia tão bravo? Não era como se tivesse a pegado aos beijos com alguém. – O senhor Gaara apenas queria algo, e eu preparei. Mas no processo cortei o dedo, e por insistência dele, deixei que fizesse o bendito curativo. – Pela primeira vez analisando a situação, Naruto compreendia o que se passava. Havia maçãs, vitamina, caixinha de primeiros socorros e uma gase exageradamente grande no dedo de Hinata, que só podia se dar ao fato de Gaara ser um cretino exagerado. – E mesmo que queira me lançar nos braços de alguém que conheci a poucas horas, qual é o seu problema com isso? Por acaso julga por fácil, uma mulher que não se prende as regras, e ao estigma de casta, que a sociedade machista bordou para ela? – Naruto riu, se aproximando dela a passos lentos.

– Eu não tenho problema algum com mulheres livres e liberais em relação a sua vida sexual, Hyuuga. – A garota apertou os punhos para controlar o desejo de recuar. Não daria o braço a torcer. – Na verdade as aprecio muito, de todas as formas que sua mente fértil é capaz de imaginar. – Chegando perto o suficiente para lhe encarar de cima, sorriu com certo cinismo. – Mas você é só uma menina. O que sabe da vida? Me julga por carrasco, mas olha só, eu ainda estou sendo legal em alertá-la a respeito da sua tolice. Não devia cair nas graças de um homem mais velho com tanta facilidade. Para quebrar um coração como o seu basta uma ligação não atendida, criança.

– Ora eu não sou uma... – começou mas foi interrompida.

– Volte ao trabalho. – Foi tudo o que disse antes de dar as costas e sair andando.

Frustrada, a Hyuuga bufou batendo repetidas vezes os pés no chão.

– Insuportável!

[...]

Uma Semana Depois


Sasuke não acreditava que havia realmente feito aquilo, não conseguia compreender a razão pela qual sua boca resolvera agir antes mesmo que o seu raciocínio lógico agisse, quando em uma conversa normal de rotina, onde deveria apenas perguntar se a doutora Haruno estava bem, ele acabou indo além com suas palavras, e cobrando o café que ficaram de tomar juntos. Certamente não contava que ela fosse sorrir e dizer que aceitava tão facilmente.

Agora enquanto a esperava na cantina do hospital, fitava as três xícaras de café vazias diante de si, evidenciando sua tentativa inútil de se acalmar. Afinal o quão idiota poderia ser? Cafeína sempre serviu para deixá-lo agitado. Os pés batiam no chão em um movimento incessante de suas pernas, e mesmo mantendo a mesma expressão séria que exibia pelos corredores do hospital, o seu interior inteiro protestava, praticamente o obrigando a se levantar e ir embora. O que só não ocorreu porque Sakura chegou em tempo de impedir.

– Desculpe a demora, Sasuke. Eu estava conversando com uma paciente e acabei perdendo a noção do horário. – Mentiu, pois não queria que ele soubesse que na verdade estava se arrumando no banheiro.

– Não se preocupe com isso, eu que me adiantei demais. – Disse enquanto a observava se ajeitar elegantemente na cadeira. Seu cheiro era bom, de onde estava podia sentir. Sasuke não gostava nada daquela sensação de fascínio que sempre tinha ao fitar seus olhos verdes curiosos.

– Uau, finalmente estamos nos reunindo informalmente. – Não queria usar a palavra encontro, por mais que fosse mais apropriada, pois talvez ele a interpretasse mal. –Tudo bem isso soou bastante formal. – Ele riu, um breve sorriso que a deixou orulhosa de si mesma, afinal era difícil vê-lo rir.

– Como foi o seu dia? – Sasuke sentia que precisava de alguma forma conduzir a conversa, mesmo que fosse difícil de o fazer.

– Uma bagunça enorme! Estão planejando um congresso com alguns residentes que serão escolhidos a dedo pelo chefe de psiquiatria, e parece que esse lugar virou um campo de batalha onde todos estão tentando se mostrar superiores para conseguirem uma vaguinha naquela palestra lotada de gente desconhecida. – Deu um suspiro cansado, enquanto Sasuke acenava para que a garçonete trouxesse outro café, sem deixar de prestar a atenção em suas palavras. – Eu amo o que eu faço, Sasuke. Mas realmente fica difícil quando vejo meus colegas dr trabalho quase passando por cima de mim por alguma coisa tão boba. Oportunidades não vão faltar, então por que raios é que eles precisam ser tão radicais? – Sasuke abriu a boca para responder, mas se calou quando a Haruno voltou a falar. – E como se não bastasse toda essa loucura, meus pais me ligaram hoje. Parece que a gata do meu pai morreu e ele está péssimo, o que significa que vou precisar visitá-lo no fim de semana, e consequentemente desmarcar os planos que fiz de sair com a minha amiga recém chegada do Canadá. Fala sério, aquela gata viveu muito mais do que seria esperado para ela, todo o tempo a mais foi sorte, e eu não compreendo o porquê de o papai estar sendo tão dramático.

– Ele certamente deve estar abalado e...

– Quando foi que pediu o meu café? – O interrompeu, assim que a moça trouxe a xícara com o expresso.

– Bem eu...

– Ah meu Deus! Eu não paro de falar, também não paro de te interromper. Droga acabei de fazer de novo. – Apertou os olhos envergonhada, antes de voltar a abri-los e sorrir sem graça ao ver que Sasuke lhe encarava com descrença. –Desculpe, juro não interromper mais. – Disse baixinho erguendo a xícara para tomar o conteúdo, ela era tão graciosa, e mais uma vez Sasuke sorria aquela noite. Sakura tinha de fato uma espirituosidade peculiar.

– Conflitos são inevitáveis em seu ambiente de trabalho, mas tenho certeza de que saberá lidar com isso da melhor forma. Quanto a morte da gatinha do seu pai, eu sinto muito por ele. Talvez não seja de um todo ruim ir visitá-lo, ele provavelmente ficará feliz em vê-la. E o seu café eu pedi enquanto você respondia a minha pergunta a respeito de como havia sido o seu dia. – Seus olhos negros não se desviaram dos seus por um segundo sequer enquanto falava. E ao fim da frase Sakura já tinha os lábios entreabertos, chocada com a capacidade do moreno de ser breve. – E então, onde moram os seus pais? – Sakura engoliu em seco, antes de piscar os olhos se recompondo.

– Kawagoe, conhece? – O Uchiha ergueu as sobrancelhas em surpresa.

– Como a palma das minhas mãos, afinal eu vim de lá. – Agora foi a vez de Sakura encará-lo surpresa, não imaginaria tamanha coincidência. – Vivia na região norte, em lugar para lá de onde Judas perdeu as botas.

– Seria indelicado perguntar o que te trouxe a Tóquio? – Por um breve momento os olhos de Sasuke vacilaram, e seus dedos contornaram a alça da xícara com um pouco mais de força. Mas antes que Sakura pudesse se desculpar por ter sido invasiva, o Uchiha respondeu com um meio sorriso.

– Meu irmão precisa de um tratamento e aqui é o melhor lugar para ele. Sabe, doutora Haruno, o Itachi já fez muito por mim, e na vida somos apenas nós dois e a nossa irmã caçula. Não há nada que eu não faça pelo bem estar deles. Vir para Tóquio foi apenas necessário. – A forma como seus olhos brilhavam quando falava da família, arrancou um suspiro da garota. Não sabia quem eram e nem como eram, mas de repente desejou conhecê-los um dia.

– Aposto que eles se sentem sortudos por terem um irmão como você. – Sasuke relaxou os ombros, notando que pela primeira vez não estava mais nervoso diante dela. – A propósito, Sasuke. Me chame apenas de Sakura, está bem? Acho que não tem motivos para tamanha formalidade.

– Eu que sou sortudo por tê-los. E tudo bem, Sakura, pedido anotado. – De repente, para o seu desagrado, olhando adiante visualizou a figura entediosa de Kakashi Hatake, andando a passos largos em sua direção, até que chegasse a mesa. Sasuke detestou a forma como a mão grande tocou o ombro de Sakura, enquanto falava.

– Boa noite. Desculpe atrapalhar a conversa de vocês. Mas Sakura, eu preciso que me acompanhe, foi realmente uma sorte te encontrar aqui.

– Aconteceu alguma coisa, Kakashi? – ele assentiu, e então ela soube que teria mais problemas para resolver. – Sasuke... – desviou o olhar para ele, que voltara a ficar muito sério, e com pena soltou um muxoxo desanimado. – Desculpe não poder te acompanhar daqui em diante, mas adorei o café, foi agradável.

– Não tem o que se desculpar, obrigado pela companhia, doutora... - quando a viu estreitar os olhos em desaprovação, apenas riu pelo nariz negando com a cabeça, antes de se corrigir. – Sakura.

Quando ela se foi, acompanhada por Kakashi em seu encalço, conversando sobre assuntos que Sasuke nem sequer se atrevia a chutar o que era, o Uchiha abaixou a cabeça fitando as próprias mãos. Ele não devia se envolver tanto, pois sabia que a muito já sentia por Sakura muito mais do que deveria sentir. Era imprudente de sua parte achar que algum dia uma mulher como ela, teria olhos para um garoto que não tinha nada a oferecer. Afinal, ao seu redor havia um batalhão de Kakashis, dispostos a qualquer coisa por ela. Porque aquela era Sakura, e para Sasuke um homem que não caísse aos seus pés poderia ser julgado de louco. Se sentia tão bobo que chegava a se odiar, e foi com esse pensamento que finalmente deixou o hospital, rumo a sua casa.

[...]

– Você não cansa de ser irresponsável?! Chegou atrasado em uma audiência, Shisui! Afinal para que droga eu pago o seu salário? Será que é tão impossível assim cumprir com as suas responsabilidades? – Itachi ouvia tenso de sua sala, a discussão que Madara tinha com o filho. Já era a terceira só aquela semana, e sempre que acontecia era a mesma coisa. O primo saía do escritório do pai, batendo a porta, e Madara fazia hora extra, se afundando em trabalho, enquanto para Itachi só restava arrumar as coisas e ir embora. – Sai da minha frente, moleque, antes que eu acabe com a sua raça!

Como o esperado, em questão de segundos o primo estava passando pela porta como um furacão. Shisui Uchiha era muito diferente de seu pai, extremamente desorganizado e boêmio, não se importava com os compromissos, e tinha uma péssima fama entre os funcionários da empresa. Não que fosse arrogante, na verdade era uma pessoa divertida, de agradável convivência, na qual  Itachi não tinha reclamações. Mas sua negligência para com o nome de peso que carregava, e as frequentes polêmicas em que era envolvido, o faziam perder total credibilidade. Mal havia se formado e a fama de péssimo advogado já era sua marca registrada.

– Eu definitivamente odeio esse lugar. – Disse enquanto ajeitava suas coisas dentro da bolsa, de forma desleixada, parecendo um adolescente contrariado. – As vezes eu daria tudo para ter a sua vida, primo. – Itachi riu de onde estava, pois se Shisui realmente o conhecesse, mudaria de opinião tão rápido quanto a forma como tirava Madara do sério. – O que ele quer mais? Eu já segui a droga dos passos dele, nem disso eu gosto, mas cá estou para agradar, e tudo o que ele faz é me tacar tijolos.

– Talvez ele só espera que você seja um pouquinho mais responsável, Shisui. – Diante do olhar de ira que recebeu como resposta, resolveu que seria péssima ideia prosseguir. – Tudo bem, não está mais aqui quem falou.

– Não é nada contra você, primo. Mas de chato e piegas já basta o meu pai. – Disse rindo, enquanto lhe jogava uma bolinha de papel. – Ele devia ser igualzinho a você quando novo. É por isso que você é a única pessoa que suporta ele, depois da minha irmã. – Estirou a língua para fora simulando ânsia de vômito. – Vou indo, tenho um compromisso importante agora.

– Na sua agenda não tem nada marcado. – Itachi comentou intrigado, e o outro riu com perversidade.

– Não se coloca esse tipo de coisa em uma agenda de trabalho. Um dia desses você deveria sair comigo. Eu te levaria ao paraíso das mulheres, e então jamais voltaria a me olhar dessa forma, como se eu fosse a pessoa mais imoral do mundo. – Pegou o celular checando as horas, e depois a maleta. – Até amanhã, garotão.

Assim que Shisui saiu, Itachi começou a arrumar sua bagunça. Não que fosse um encargo seu, mas lhe dava agonia ver tamanha desordem em uma mesa. Metade daqueles papéis poderiam ir para o lixo e a outra metade simplesmente precisava ser arquivada na gaveta. Não entendia qual era a dificuldade do primo em manter tudo no lugar, e preferia acreditar que ele tinha algum transtorno referente a hiperatividade.

Após deixar tudo em perfeito estado, estalou os dedos aliviado, pois finalmente poderia ir para a casa. Pegando a mochila e o casaco, desligou o computador, mas antes que pudesse sair, ouviu a porta se abrir e quase não acreditou quando viu Izumi. Desde que se conheceram ele nunca mais havia a visto, e ali estava ela, tão surpresa quanto ele, com um sorriso adorável no rosto.

– Não esperava encontrar você aqui, pensei que já tivesse passado da sua hora. – Caminhou até ele, lhe cumprimentando com um breve aperto de mão. – Como vai, Itachi?

– Eu vou bem, e você? – Ela rolou os olhos, como se estivesse cansada.

– Me sinto exausta. Tinha a intenção de sair para jantar com o papai e o meu irmão, mas adivinha? Pelo que parece eles brigaram de novo. O papai está extremamente irritado e prefere se isolar, enquanto o idiota do Shisui pelo jeito deu no pé. – Disse, enquanto erguia o olhar para além de Itachi, apenas para constatar que a mesa do irmão estava vazia. – Eu nem sei porque ainda tenho esperança.

– Foi um dia difícil para o seu pai, dê um tempo a ele, aposto que amanhã estará melhor. E quanto ao Shisui, bem eu duvido muito que ele iria preferir sair para jantar com vocês, quando... bem...– O Uchiha coçou a cabeça, arrancando uma risadinha de Izumi. Ela sabia que ele era educado demais para falar.

– Foi para alguma boate, afim de terminar a noite com três desconhecidas na cama? Sim eu acho que fui otimista demais. – Observando que o rapaz carregava suas coisas, soube que ele estava de partida. – Não quero atrapalhar você, pode ir para casa ter o seu merecido descanso. – Dizendo isso abriu passagem, mas Itachi ficou onde estava.

– Pretende ficar aqui esperando o seu pai? Sabe que ele só vai embora pela madrugada. Além disso você disse que está exausta, por que não me acompanha? – Analisando bem a situação, Izumi teve que concordar. Não adiantaria nada esperar pelo seu pai, com o humor azedo em que o mesmo se encontrava.

– Tudo bem, vamos lá.

Se lembrando das circunstâncias em que se conheceram, Itachi ao ver os olhos castanhos encararem apreensivos o elevador, de forma gentil ofereceu para que fossem de escada. Nada poderia pagar o sorriso grato e adorável que recebeu em troca, muito menos a oportunidade de ficar ao lado dela por mais tempo. Seu jeito descontraído era confortável, e a forma como contava sobre o trabalho como enfermeira – coincidentemente no mesmo hospital que Sasuke trabalhava – era fascinante. Como se todo o amor e empatia do mundo tivessem se reunido em uma única pessoa. Qualquer um que olhasse Izumi sem conhecê-la poderia facilmente pré julgá-la como uma garotinha fútil e arrogante, mas bastava pousar os olhos em si por mais de um minuto, e observar a forma como sorria com os olhos, que o conceito seria facilmente mudado.

Já para Izumi, a companhia de Itachi não era menos agradável. Além de muito gentil, ele nunca deixava o assunto morrer, e sempre tinha um comentário relevante a fazer a respeito de qualquer assunto. A postura impecável se mantinha a todo momento, enquanto os olhos negros permaneciam fixos nela, demonstrando que prestava a atenção em suas palavras, e ela gostava de se sentir interessante aos olhos de seu ouvinte.

A garota acabou por perder a noção do tempo, enquanto ambos conversavam sobre coisas distintas, pulando de um assunto para o outro em frente ao prédio. Até que em meio a uma gargalhada alta, ocasaionada por uma piada do Uchiha, enquanto recuperava o fôlego, secando o canto dos olhos que lacrimejavam, ela decidiu que precisava parar por ali.

– Droga, Itachi! Eu ri tanto que chorei. Devo estar a cara de uma palhaça de circo agora, com o rímel todo borrado. – O Uchiha que também ria, ergueu o dedo até a altura de seus olhos, limpando a tinta negra que de fato havia se espalhado, e apesar de se assustar com o toque repentino, deixou que o fizesse.

– Uma palhaça não. Agora o Edward mãos de tesoura com certeza. – Com mais uma gargalhada estrídula, a morena lhe deu um tapa no braço.

– Você é um bobo, é por isso que o Shisui gosta tanto de você. Aposto que fazem piadas o dia inteiro. – Respirando fundo, ela se recompôs, ajustando a saia lápis que usava. – Espero que possamos sair qualquer dia desses, já que você é novo por aqui e provavelmente não tem muitos amigos. Tudo bem, eu sei que a sua prima não é a melhor das opções para aproveitar um sábado a noite, mas... – parou de falar quando o moreno lhe tocou o ombro, ofertando um sorriso branco, de arrancar a sanidade de qualquer pessoa.

– Eu vou adorar. – Dizendo isso, chamou um táxi que passava, e quando o mesmo parou, deu um breve abraço na garota, depositando um beijo no topo de sua cabeça. – Bom descanso, prima.

– Obrigada por isso. Bom descanso para você também. – Piscando para ele, entrou no carro, e partiu, imaginando se demoraria muito mais tempo para que se vissem novamente.

Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Shino acabava de estacionar o carro em frente a um dos prédios mais luxuosos de Tóquio. Era ali que Naruto tinha um apartamento, e como o loiro estava ficando uns dias por lá, Kurenai pediu para que Hinata levasse alguns pertences para ele, após o expediente. No banco de trás, a garota segurava a bolsa apreensiva, porque simplesmente não queria subir.

– Shino, jura que não pode fazer isso por mim? – Choramingou cutucando-lhe o ombro, mas tudo o que o motorista fez foi rir junto a Kiba que estava no passageiro, aproveitando a carona de volta para sua casa.

– Não mesmo. Essa é uma missão que a guerreira Hinata terá que enfrentar sozinha. Tudo o que eu posso fazer, é ficar aqui e dar apoio moral. – Revirando os olhos e bufando impaciente, recorreu a Kiba dessa vez.

– Inuzuka, somos amigos, não é? Por favor diga que não preciso fazer isso sozinha. Venha comigo pelo menos. Assim eu não corro o risco de ser envolvida em um ritual satânico, e usada como oferenda. –Olhando por cima do ombro, Kiba quase sentiu pena, mas a situação era engraçada demais para isso acontecer.

– Boa sorte no seu encontro com Satanás, quer um terço para ir rezando enquanto caminha até as moradas de Belzebu? Ouvi dizer que o carrasco Uzumaki coleciona ossos de gente, e que as paredes de sua casa são pintadas com o sangue de suas vítimas.

– Ah! Eu odeio vocês. – Dizendo isso saiu do carro com a enorme bolsa, e antes que atravessasse a rua, ouviu a voz de Shino gritar:

– Se não voltar em dez minutos chamamos a polícia!

– Ou um padre! – Concluiu Kiba, mas tudo o que receberam foi um dedo do meio estirado para eles.

Em seu apartamento, Naruto esperava impaciente a chegada da Hyuuga. Sabia que ela iria, e de alguma forma esquisita estava doido para ver sua cara de espanto quando entrasse em seu quarto. Claro que ele não perderia a oportunidade de fazer a garota gritar, achando que ele era um louco e psicopata. Tanto que não pôde conter o sorriso de satisfação, quando ouviu a campainha tocar.

– Eu não sabia que a distância entre minha casa e o meu apartamento era tão longa. – Disse no exato momento em que abriu a porta, sem lhe dar ao menos oportunidade de abrir a boca. Hinata ponderou por um momento, ao se perder no abdômen definido e nú que o loiro exibia, enquanto usava apenas uma calça de moletom laranja. –O que foi, viu um fantasma? – Havia uma nota de perversão em sua voz, que fazia cada pelo do corpo frágil da garota se arrepiar. E a forma como ele a encarava, como se estivesse ansioso por algo, era de fato suspeita.

– Ora! Boa noite para o senhor também, Uzumaki-san. – Voltou sua concentração para o seu rosto, e nunca odiou tanto ser tão baixa, e ter que empinar o nariz para conseguir manter o olhar no seu. – Eu estou fora do meu expediente, não é minha obrigação trazer seus pertences, mas mesmo assim vim até aqui. Então não ouse reclamar. – Dizendo isso, esticou a bolsa para que ele pegasse, mas Naruto apenas olhou com desdém, e nem se moveu. – Pegue de uma vez.

– Hyuuga... – fez uma pausa dramática, expressando uma falsa incredulidade. – Eu não tenho um braço, vai mesmo fazer com que eu leve essa bolsa pesada? O que custa colocar em meu quarto?

– N-no seu q-quarto? – Gaguejando, não de vergonha, mas sim de medo, olhou para além dele, e precisou resistir ao impulso de sair correndo dali.

– Sim. – Ele estreitou os olhos, notando o nervosismo. – É o último no fim do corredor. – Engolindo em seco, Hinata entrou, e sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir o som da porta sendo fechada.

Contudo, sem olhar para trás, seguiu a passos determinados, firmando o allstar no chão, enquanto tentava apartar de si os pensamentos sobre encontrar um altar satânico no cômodo que estava prestes a entrar. No geral o lugar era bastante sofisticado e luxuoso. O Uzumaki realmente tinha bom gosto para decoração, pois diferente da figura em si, tudo ali era composto por tons vibrantes. Desde os quadros nas paredes, até os móveis.

Assim que alcançou a porta, Hinata respirou fundo antes de entrar, sem imaginar que da sala, Naruto observava tudo pela tela de seu notebook. Sua mão girou a maçaneta, e ele praticamente fez uma contagem regressiva para o primeiro grito de horror, mas contrariando suas expectativas, Hinata não gritou ao se deparar com Emma seminua trancada em uma gaiola, agindo como um animal. A garota apenas parou, tentando processar o que se passava, e quando se deu conta de que se tratava a situação, seu coração deu um solavanco. Conhecia aquela prática, mais do que Naruto era capaz de imaginar.

A loira extremamente bonita e sensual, usava máscara, orelhas de gatinho, e lambia o próprio dorso da mão, como se de fato fosse uma felina. Ela sabia que estava sendo observada, e mesmo assim não podia dizer nada. Claro que não podia, estava submissa ao seu dominador. Aquela situação causou um repentino formigamento pelo corpo da Hyuuga, e mesmo detestando admitir, lhe deixou extremamente excitada. Sua boca ficou seca, e ela precisou umidecer os lábios com a língua. De todas as pessoas no mundo, não imaginou que justamente Naruto Uzumaki fosse um praticante. Mas estava clara a sua intenção ao encaminhá-la até ali. Achou que a assustaria.

– Deu com os burros na água, idiota. – Revirando os olhos, jogou a bolsa sobre a cama, e deixou o quarto.

Na sala, o Uzumaki ainda encarava incrédulo a tela do computador. Apesar de ter sido divertida a expressão de espanto, não foi nem um pouco o que imaginou. Porém, também não estava preparado para o que viria a seguir.

– Suas coisas foram entregues, espero que tenha uma boa noite, Uzumaki-san. – Disse de forma quase inocente, metendo as mãos nos bolsos da blusa enorme. Afinal, por que raios ela tinha que usar aqueles blusões com estampas bobas de animais? Era uma das coisas que ele achava detestável na garota. – Estou indo.

– Hinata! – Ele chamou, assim que ela deu as costas, e tudo o que ela fez foi olhar por cima do ombro. – Uma palavras sobre o que viu e...

– Vi o quê? Deveria ter visto alguma coisa? – Sem dizer mais nada, a garota saiu dali, e entrou rápido no elevador. Seu coração estava disparado, e um desconforto crescente se apossava de sua região íntima, ao passo em que suava frio. De repente, sua mente foi invadida por memórias.


– Professor?  – Sentada em uma das carteiras, mexia as pernas de forma ansiosa, tentando a todo custo chamar a atenção do homem que não desviava os olhos da leitura de seu livro.

As meias pretas três quartos contrastavam em seu tom de pele, e mesmo com uniforme escolar, era difícil dizer que se tratava de uma estudante do ensino médio.

– Humm... – o homem retrucou impaciente.

Por mais que tivesse grande estima por sua aluna mais inteligente e aplicada da turma onze, não compreendia a obsessão da garota em querer ficar depois da aula para estudar.

– O que é BDSM? – agora sim os olhos do homem se arregalaram, e Hinata sorriu ao ver que o mais velho dessa vez tinha a atenção presa em si.

– Por que está me perguntando isso, Hinata? – mordeu o lábio inferior, fingindo inocência com os olhos, enquanto piscava os enormes cílios. Era linda como uma boneca de porcelana, mas para o professor de literatura, não passava de uma criança, pela qual nutria imenso respeito.

– Você me deu a chave de seu armário para pegar uns livros, se lembra? E eu acabei vendo por lá um livro com esse título. Claro que não li, porque não ousaria mexer em suas coisas sem permissão. – Mentiu, pois havia lido sim, e estava doida para que o mais velho começasse a lhe explicar que tipo de coisa era aquela, e se ele fazia aquilo. – Eu só fiquei curiosa.

– Droga. – O homem resmungou para si mesmo, se condenando por ser tão desatento. – Esqueça o que viu. Você tem só dezessete anos, se preocupe em ler obras literárias que caem no vestibular, já passei uma lista delas. – Vendo o bico se formar no rosto da mais nova, quase riu com a birra, mas pacientemente prosseguiu, mantendo a seriedade. – Agora vá para casa, já ficou tempo demais na escola.

– Tudo bem. – Ela se levantou, dando um longo suspiro desanimado, porque gostava da companhia dele, e por mais que ele nem imaginasse, seu coração acelerava toda vez que ouvia a voz grave dizer algo para si. Aquele sentimento era tão novo, que a fazia ir além dos limites para ficar um pouco mais ao seu lado. – Até amanhã, professor.

– Hinata! – olhando por cima do ombro, de costas para ele, ela esperou que prosseguisse. – Não comente sobre esse livro com ninguém, se não  quiser me prejudicar.

 Que livro? – ambos riram. – Fique tranquilo, eu não faria nada que prejudicasse você, Tobirama sensei. 


Notas Finais


"aii autora o que foi isso com o tobirama?" kkkkkkkk me digam o que vcs acham que foi hmmm


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