1. Spirit Fanfics >
  2. Lírio >
  3. Parte três

História Lírio - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - Parte três


Parte 3

 

-Vick...- Disse Emilly.- Não fica assim...

-Não fique assim? Aquela idiota fez isso por ciúmes! - Victória chorava desesperadamente.- Foi o último presente que papai me deu...

Evellyn e Emilly se entreolharam. Não era novidade para ninguém que Victória Vanderpool e Anastásia Evanoff se misturavam tanto quanto água e óleo.

- Não é a mesma coisa, mas...- Emilly olhou para a irmã.

- Use um meu. – Evellyn continuou, oferecendo um vestido.

- Ou um meu. – Também ofereceu Emilly.

- Obrigada meninas...- Victoria agradeceu, sorrindo fraco e limpando as lágrimas restantes com as costas da mão.

- Nossos guarda-roupas estão a sua disposição! - As gêmeas falaram animadamente e saíram do quarto.

Victor andava de um lado para o outro em frente ao dormitório das garotas. Seus cabelos longos estavam presos em uma trança francesa e usava uma calça social preta e camisa de botões branca, com um blazer preto por cima.

Ao ver as gêmeas, parou de andar imediatamente.

- Como ela está? - Perguntou desesperado as garotas.

As gêmeas se entreolharam novamente, respirando fundo antes de responderem.

-Nós recomendamos que termine com Anastásia pelo bem de sua irmã.

Saíram andando logo em seguida, deixando Victor sozinho e confuso, tentando descobrir o que aquilo significava.

O garoto resolveu que esperaria por sua irmã, nem que tivesse que perder o baile para isso, mas em poucos minutos, Victória saiu do quarto.

Seu cabelo estava preso por uma fita de cetim rosa claro e vestia um vestido curto, em rosa-bebê, com uma mine capa na altura do meio das costas.

-Uau...- Victor sussurrou para si mesmo, observando sua irmã de cima a baixo. – Vamos?

- Claro.- O garoto ofereceu o braço direito à irmã, que aceitou, se permitindo ser guiada enquanto seguiam em uma conversa animada até o Salão Principal, agindo como se nada tivesse acontecido.

Ao chegarem no Salão, enquanto Victória observava a decoração, com suas mesas redondas com forros de seda e arranjos florais, com seus Lírios de Calla brancos, Não-Me-Esqueças roxos e Begônias vermelhas, Victor se perguntava quem era a garota ruiva que acompanhava o Diretor.

-Vick...- Chamou pela irmã, sem tirar os olhos da estranha, que começava a sentir o peso de um olhar em si.- Aquela garota é do seu ano?

Victória seguiu o olhar de seu irmão até a garota ruiva de vestido azul que conversava   animadamente com o Diretor, como se fossem velhos amigos.

Seus olhares se cruzaram por um instante e o pulso de Victória acelerou.

-Não, não é....- Parou para olhar a garota direito.- Ela não deve ser estudante, é deviliana, olha.

A música ao fundo fui diminuindo até se tornar inexistente e o Diretor subiu ao palco, limpando a garganta para começar o discurso.

-Alunos, professores e funcionários. – Ele começou.- Bem-vindos ao início de mais um ano escolar. E bem-vindos ao Baile da Meia-Noite, uma tradição no Castelo Belladona desde 1409, anteriormente sob a direção de Charlotte e Donatello Const-Fell.

“É uma honra recebe-los aqui novamente, fazer parte da história de vocês. “

“Desejo a vocês uma boa festa. Aproveitem! ”

Ao acabar, Arthur saiu a procura de Lílian, encontrando-a perto da mesa de aperitivos bebericando uma taça de algo semelhante a vinho, olhando para alguma coisa.

-O que está fazendo, Lily? – Perguntou Arthur ao se aproximar.

A garota tomou um pequeno gole de sua bebida, ignorando a pergunta proferida pelo homem.

-Quem é ela? – Questionou sem tirar os olhos de onde olhava. – Acho que já a vi antes, mas não sei onde...

-Quem? - Arthur perguntou, lançando um olhar reprovador ao ver sua prima virar o restante da taça de uma vez.

- Vamos dançar! – A garota exclamou, puxando seu primo para a pista de dança antes que ele pudesse fazer algo a respeito.

Ao estarem devidamente colocados no meio da pista, Lílian respirou fundo.

- A garota de vestido rosa atrás de mim. – Disse seriamente, respondendo a pergunta antes ignorada de seu primo, antes de sorrir e continuar. – Agora dance comigo, primo. E tente parecer feliz.

Arthur suspirou antes de sorrir, apoiando uma mão na cintura de Lílian e pegando a outra, conduzindo a garota em uma valsa perfeitamente sincronizada.

-E então? Quem é ela? - Perguntou novamente após algum tempo de dança silenciosa.

Arthur olhou por cima de Lílian, certificando-se de a quem a garota se referia.

- Ela é Victória Vanderpool. O garoto com quem ela dança é Victor Vanderpool, seu irmão mais velho. É uma Angelus Dien, se eu não estiver enganado. Família importante, quase tanto quanto a nossa.- Fez uma pausa, tentando se lembrar de algo mais. – Quando não está com o irmão, está com as gêmeas Hermylock. Fora isso, tud_

Arthur parou de falar ao se chocar com alguém. Se separou de Lílian e se virou, encontrando o garoto Vanderpool lhe encarando como se tivesse visto uma assombração e sua irmã encarando Lílian fortemente corada.

-M-me desculpa Diretor Fell. – O garoto gaguejou, suas bochechas adquirindo um adorável tom de rosa.

-Está tudo bem desde que dancem conosco- Antes que Arthur pudesse dizer algo, Lílian exclamou animadamente, recebendo um olhar zangado.

Os irmãos se entreolharam, como se estivessem tendo uma conversa silenciosa, antes de concordarem com um aceno de cabeça.

Se colocaram em posição e começaram junto à lenta batida, rodopiando elegantemente pelo salão, no caso de Arthur e Lílian, e fazendo o máximo possível para imitar os passos, no caso de Victor e Victória.

Mãos direitas no centro, palmas viradas para o chão. Giros sincronizados como em uma valsa, delicadamente se movendo pelo lugar disponível.

A medida que o ritmo aumentava, mais perto eles dançavam. Arthur agora odiava sua prima, por lhe fazer passar por isso.

Giraram novamente, Victória pegava o ritmo, mas Victor pateticamente tropeçava em seus próprios pés, corando cada vez mais.

A parte em que deixariam de se tornar um quarteto se aproximava. Arthur se virou para Lílian, e já havia puxado a garota Vanderpool para si, fazendo a mais nova corar.

Lílian as girou, ficando de frente para seu primo, movendo os lábios como se dissesse “ Dance com ele, quero falar com ela”.

O homem suspirou. Trazê-la havia se tornado uma péssima ideia.

Virou-se para Victor, que parecia devanear.

-Sabe dançar tango? - Perguntou parecendo entediado com o susto que o garoto levou por ser tirado de seus devaneios.

-S-sim, senhor – Respondeu corando um pouco.

- Ótimo. – Arthur deu dois passos até estar frente a frente com o outro. – Eu guio.

E o puxou para si, junto ao ritmo da música, que passara de uma calma valsa para um tango animado.

Victor se sentiu inebriado com o perfume do outro, que só pode sentir devido à proximidade do outro.

- Controle-se, está brilhando.- Repreendeu Arthur, olhando para o garoto cuja cabeça pegava em seu peito.

- Desculpe, senhor. – Murmurou envergonhado.

Um som de desaprovação saiu da garganta de Arthur antes que ele pudesse impedir.

- Não me chame de “senhor”, já me sinto terrível dançando com um menor sem isso.- Resmungou.

- Mas sua acompanhante deve ter no máximo a minha idade sem_ - Victor se cortou antes de pronunciar o resto da palavra sob o olhar pesado de Arthur.- E já tenho 16, sou de maior. – Terminou sua frase olhando nos olhos vermelhos do outro.

-Não que seja da sua conta, Sr. Vanderpool, - Começou Arthur, com um sorriso nos lábios.- mas Lily é mais velha do que eu.

Arthur levantou o mais jovem antes de abaixá-lo até sua cabeça ficar paralela ao chão, assustando-o, fazendo o Diretor soltar um sorriso ladinho.

Ao ver uma figura ruiva vir em sua direção, endireita sua coluna, puxando Victor consigo. Iria ralhar com sua prima se alguém não o houvesse chamado.

- Com licença, crianças.- Disse e foi em direção ao chamado, voltando correndo segundos depois e puxando Lílian consigo para o palco. – A cantora se atrasou, você vai cantar até ela chegar. O que quer que eu toque?

- Sabe que vai estar me devendo uma, né? - Lílian perguntou com a sobrancelha direita erguida, recebendo um aceno positivo em resposta. – Sabe o que tocar então.

Arthur sorriu. Sua prima era impossível.

Se aproximou do piano de cauda dourado trazido de seu escritório especialmente para o Baile, puxou o banquinho e tocou os três primeiros acordes da música favorita de Lílian antes de começar a tocar de fato. Logo, a voz doce de Lílian ressoou por todo o Salão.

“Man came across this old tower one day, It was straight like from a book he once read.”

Enquanto ela cantava vários casais se aproximaram da pista, dançando junto ao compasso da música.

“... Moi je m’appelle Mademoiselle Noir. Et comme vous pouvez le voir, je ne rouris, ni ris, ni vis. Et c’est tout ce qu’elle a dit.”

Cada vez mais pessoas dançavam ao som da suave voz de Lílian.

“...The people, so scared, took their guns and their swords. They ran to the tower and then they saw the pale lady and felt a great fear. When they heard how she said it again…”

A medida que a música prosseguia a garota ficava cada vez mais animada; a suas costas uma leve luz dourada aparecia sem forma.

“... The people, they knew what this all was about, she was clearly a demon from hell...”

A luz ficava mais forte; tomava a forma de gigantescas asas.

“...But the lady was no demon, she was a lonely soul...”

Arthur diminuíra o andamento da música; Lílian não percebera que brilhava.

“...Still waiting for her prince while her hair was on fire. The one last time she said…”

Arthur parou de tocar; Agora a voz de Lílian era o único som do salão.

“...Moir je m’appelle Mademoiselle Noir. Et comme vous pouvez le voir, je ne souris, ni ris, ni vis... Et c’est tout ce qu’ella dit.”

Quando a última nota ressoou pelo salão, a luz desapareceu.

Arthur se levantou e se juntou a sua prima para os agradecimentos finais ao som de aplausos e assovios. Agradeceram e saíram do palco, sendo substituídos pela cantora que havia chegado à pouco.

- Vou estar por aí primo- Lílian falou distraída, se afastando. Arthur apenas assentiu, indo em direção aos professores.

A garota vagou entre os estudantes, ouvindo os sussurros nada discretos de os mesmos proferiam a respeito de quem ela poderia ser e qual sua ligação com Arthur Fell. Riu internamente quando ouviu um garoto dizer que ela poderia ser amante de Arthur. “Meus Deuses!” pensou realmente se esforçando para não rir.

Quando se viu livre dos comentários à seu respeito já estava fora do salão, então resolveu ir para sua torre.

Se deteve ao ouvir uma voz agora familiar levemente chorosa.

- Eu não contei nada, juro! – Choramingou Victória.

Ouviu-se um baque surdo seguido de um baixo gemido de dor.

-Então por que ele terminou comigo sua idiota? - Perguntou uma segunda voz. Era feminina e estava com raiva. Muita raiva.

-Eu não sei! – Gritou Victória, e mesmo sem estar vendo-a, Lílian podia dizer que ela chorava copiosamente.

Resolveu interferir antes que a situação piorasse, portanto, limpou a garganta para chamar a atenção das duas.

A desconhecida era uma Anima mea de pela morena, cabelos cacheados e cor de mal. Seus olhos brilhavam de raiva enquanto a olhava e segurava Victória agora desmaiada por falta de oxigênio pelo pescoço prensada contra a parede. Seu vestido de ombro a ombro era dourado e combinava perfeitamente com seu tom de pele.

- Interrompo algo importante? – perguntou, um sorriso irônico dançando em seus lábios.

A Anima Mea tinhas as presas saltadas e as orelhas abaixadas quase juntas ao crânio, um sinal claro de irritação.

- Interrompe sim ruivinha.- Ela rosnou – Cai fora.

Lílian correu os olhos rapidamente pela garota desmaiada, não encontrando nada que fosse deixar marca além das lombadas da parede e da mão da Anima Mea. Suspirou aliviada internamente com a constatação.

-Não quero. – Respondeu, o sorriso não deixando seus lábios.

 A desconhecida lhe olhou de cima a baixo, parecendo reconhecê-la. Soltou Victória, que caiu de joelhos antes de tombar para frente. Ela colocou as mãos na cintura e deu o sorriso mais falso que Lílian já vira.

- Você é aquela acompanhante do Diretor Fell...- A estranha mordia o lábio inferior, lhe olhando de cima a baixo, como se estivesse lhe analisando.- Se ele lhe trouxe, você deve ser especial. De que ano você é?

-Não sou estudante.- Disse secamente, andando até a outra. Seu sorriso havia desaparecido a essa altura.

-Bom, não importa mesmo.- Deu de ombros.- Sou Anastásia Evanoff. – Ela se exibia.- Já deve ter ouvido falar de mim. Minha família é bem importante.

A deviliana se abaixou ao lado de Victória, pegando-a no colo como se não pesasse nada devido à sua força sobre-humana.

-Na verdade não.- Respondeu dando às costas a Anime Mea.- E também não ligo para quem você é.

A outra rosnou e deu um gritinho histérico.

-Quem você pensa que é, garotinha insolente? - Anastásia perguntou irada.- Eu vou te destruir!

 Lílian parou e olhou por cima do ombro com um sorriso não menos do que macabro estampado nos lábios.

-Lílian Const-Fell. – E desapareceu pelo corredor como se nada estivesse acontecido.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...