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História Lista De Sangue (Suspense) - Capítulo 8


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Notas do Autor


Olá, leitores! Espero que estejam bem e prontos para mais um capítulo de "Lista De Sangue".
Boa leitura! 📖💜

Capítulo 8 - Capítulo 7


Fanfic / Fanfiction Lista De Sangue (Suspense) - Capítulo 8 - Capítulo 7

O clima extremamente frio e acinzentado, abraçava o dia triste e lamentoso da família Figueiredo. Abraços de consolo, lágrimas compulsivas e inconformismo, poderiam definir de modo geral o adeus de Daniel. Nina sentia algo arder dentro de si, talvez o descontentamento de ver o seu pai ser morto enquanto era acusado de um crime que não cometeu, mesclado com o desejo de vingar-se do assassino do mesmo. Helena, Flávia e Daniel. Três vítimas. Três vidas ceifadas por alguém indubitavelmente cruel e frio. A jovem queria poder ficar frente a frente com o homem que destruiu sua família. Embora fosse indiscutivelmente perigoso, ela sentia que não tinha mais nada a perder. Não depois de tudo o que aconteceu. Ainda que o seu último suspiro fosse consequência de algo causado por ele, Nina almejava ver Pedro. Olhar em seus olhos e conhecer de fato o rosto do maldito homem.

A mulher de vestido escuro e óculos da mesma cor, se aproxima com um copo de água em mãos. Abre um sorriso fraco e oferece a água para a mais nova.

-  Karina, você tem que ser forte agora. As coisas vão se ajeitar com o tempo e você vai superar tudo isso. Eu tenho certeza- a mão permanecia estendida na direção da jovem ao mesmo tempo que a mais velha continuava com o sorriso tênue estampado no rosto

- Não me peça para ser forte. E não me fale coisas clichês que ao invés de ajudar, apenas incomoda quem as escuta.

A mulher encosta o copo no seu peitoral e fecha o sorriso com os olhos tristes.

- Eu só estava tentando ajudar- disse praticamente em um sussurro .

- E eu já disse que não ajuda.- se retira do local

Dentro da residência havia mais algumas pessoas. Nina se recordou do caixão afundando na terra e sentiu o peito doer. Tentou afastar seus pensamentos, mas era impossível tendo em vista que alguns de seus parentes estavam no mesmo ambiente que ela. Com vestes escuras e olhos vermelhos. O único que ela consideravelmente não sentia raiva por estar por perto, era Rafael. O homem se encontrava sentado no sofá, seus olhos extremamente inchados denunciavam o excesso de choro. Ele estava sozinho, repousado em um canto e exacerbadamente calado.

- Minha querida.- uma mulher de quarenta anos, pele bronzeada, olhos castanhos e cabelo escuro abre os braços para Nina.

- Fica longe de mim.

Alguns rostos se viraram para a mesma e a jovem repreende a todos.

- Nina.- Débora segura no braço da mesma- Eles só estão tentando ser gentis

- Eles não foram nem um pouco gentis quando o papai desapareceu. Eu não lembro de ter visto alguém ter entrado por aquela porta oferecendo apoio emocional. Agora que ele está morto, todos aparecem.- a jovem fez questão de pronunciar em voz alta e o silêncio por parte dos familiares foi ensurdecedor.- Ficamos eu e a Débora suportando a barra esse tempo todo. Duas jovens sozinhas cuidando de tudo sem ninguém por perto. O pior já aconteceu. Podem voltar à suas vidinhas medíocres e façam de conta que eu não existo.

Todos continuaram em silêncio, espantados com a reação da jovem. Nina afasta seu braço das mãos da irmã.

- Ela só está um pouco nervosa.- Débora comenta com uma tia paterna que ela sequer conhecia

Após alguns minutos as pessoas vão deixando a residência e se despedindo de Débora. Nina continuava sozinha em um cômodo qualquer da casa e com receio de chegarem perto, os familiares pediram encarecidamente para que a ruiva tentasse acalmar a outra. Rafael fora o único a permanecer no local. Ele e Débora conversam por algum tempo. A filha mais velha de Daniel, conta ter se arrependido de passar tanto tempo longe do pai. Disse que visitas anuais poderiam ter sido feitas e essa atitude lhe deixaria muito provavelmente, menos angustiada no momento. Ele insistia em dizer que a culpa não poderia cair sobre ela, porque se tratava de um crime executado por alguém extremamente insensível. Débora chorou por algum tempo e o amigo de seu pai, soube lhe oferecer um pouco de conforto.

- Ele era um ótimo amigo. Um dia lhe mostrarei fotos de nós dois em algumas viagens. Imagens fotografadas por ele mesmo inclusive.

- Eu me arrependo de não ter aproveitado mais tempo com ele.- disse ela enxugando as lágrimas

Rafael comprimiu os lábios ao tentar buscar outros argumentos para tentar amenizar a culpa da jovem. Mas não os encontrou.

- Maldita hora que ele foi atrás do assassino da Helena.- resmungou a ruiva

- Eu entendo que seja difícil aceitar essa situação. Porém, o Daniel tinha os seus motivos.- ela o encarou espantada- Eu sinto muito mesmo, pelo o que aconteceu. Mas não se pode negar que uma barbárie dessas precisa de punição. A Helena era tudo pra ele, imagina receber a notícia de que alguém que você ama se foi... E por um delinquente que ficará impune?

Ela não conseguia pronunciar uma palavra sequer.

- Você perdeu seu pai, Débora. Sabes como é difícil e doloroso… Eu mesmo tentei obrigar o Daniel a contatar a polícia, todavia ele me disse ter sido impedido de fazer isso. Eu queria poder voltar no tempo e ter feito ele desistir de se encontrar com esse cara. Mas eu sentiria novamente o que senti naquele dia.

- O quê?- inquiriu ela

- Sede de justiça.- o coração da ruiva acelera- Você não sente vontade de colocar esse infeliz atrás das grades?

Ela hesitou um pouco.

- Claro. Mas eu não teria a coragem que ele teve de arriscar à sua própria vida. Adiantou alguma coisa?

- Não.- respondeu Rafael

- O papai cavou a própria cova. E eu tenho medo que aconteça o mesmo com a Karina.- pronunciava pensativa

- A Nina fez alguma coisa que pode colocá-la em perigo?

Débora engole seco e respira fundo.

- Ela me relatou ter conversado com você esses dias.

- Sim, nós conversamos. Mas ela não me falou nada consideravelmente arriscado.- põe seus cotovelos nas coxas aproximando o seu rosto da jovem ao cruzar as mãos

- Bom, é que…

- Fala, Débora!- disse apreensivo

- É difícil explicar. Acho que não acreditará em mim.

A jovem de cabelos ruivos deu início ao relato gaguejando algumas vezes, estava completamente nervosa e só o fato de pensar nas atrocidades que Pedro seria capaz de fazer, sua pele arrepia. Enquanto falava, de modo simultâneo sentia-se aliviada de alguma maneira. A tarefa de relatar ao amigo de seu pai o que estava a incomodando, fez uma considerável diferença no interior da mesma. Rafael era confiável e ela sabia que podia contar com ele sempre que precisasse. Observava a relação do homem com a irmã, era perceptível a confiança na relação extremamente amistosa de ambos. Seu pai confiara o segredo do diário nas mãos do mesmo. Por qual motivo esconder o episódio da mensagem exibindo a lista?

- Nomes? Que doente…

- Sim. Muito provavelmente ele descarta os que já foram mortos porque os nomes da Helena e da Flávia estavam riscados. Logo após o do papai e então saiu a confirmação da morte.

Rafael colocou a mão direita na boca e balançou a cabeça algumas vezes tentando assimilar o que fora dito pela jovem.

- Se o nome da Nina foi escrito…

- Isso mesmo. Ela é a próxima.- disse a jovem com a voz trêmula


Rafael se põe de pé e caminha de um lado para o outro com as duas mãos na cabeça. Esfregava-as pelo rosto e suspirava impacientemente.

- Onde ela está?

- Rafael, a Karina não vai querer falar com você, eu tenho certeza.

- Tem razão- passou as mãos pelo rosto mais uma vez, a sua extrema preocupação era nítida- Ela explodiu na frente de todos há pouco tempo.

A ruiva assentiu.

- Eu tenho que ir para casa agora. Se vocês precisarem de qualquer coisa…

- É só chamar.- falou em um tom descontraído- Nós sabemos. Obrigada pela preocupação.

Eles se abraçam e o outro se despede mais uma vez ao se retirar da residência.

A jovem de cabelos vermelhos se dirige ao banheiro e liga o chuveiro aos poucos, sentindo um sono intenso tomar conta de si. As águas escorriam pelo seu corpo, a sensação era relaxante e o líquido quente a confortava imensamente. A fragrância do sabonete era prazerosa e o conjunto de tudo-especificamente no banho- era deliciosamente confortante. O único empecilho se baseava na morte de Daniel. As lembranças do enterro lhe fizeram chorar bastante. De um lado, as águas quentes e prazerosas do chuveiro lhe banhavam enquanto a faziam se sentir bem. Do outro, as lágrimas quentes e salgadas de uma dor permanente. Por que Pedro tinha quer ser tão maldoso? O que leva alguém a cometer uma barbaridade desse nível? Matar pessoas deve ser prazeroso para o dito. Desligou o chuveiro. Havia passado muito tempo no banho e se tratando do quesito consciência ambiental, o fato se torna algo ruim. O espelho estava embaçado, ela desliza as mãos sobre o mesmo e nota seus olhos vermelhos. O rosto inchado e tristonho, desanimou-a ainda mais. Era como se tudo ao seu redor estivesse triste. Nada seria como antes e isso tornava a situação pior do que já se encontrava. Vestiu-se e preparou algo rápido para saciar a sua fome. O dia fora tão triste que mal comera e sequer percebera isso. Foi até o quarto que dormia junto à irmã e não a encontrou. Fez o mesmo no cômodo em que Daniel passava as noites e nenhum sinal da jovem. Deixou a comida na mesa e procurou seu casaco. Ao encontrar notou um bilhete antes não visto na porta do guarda-roupas.

                 “Não me procura.”

                              ***

Deslizava as mãos pelos braços na tentativa extremamente falha de aquecer-se, o nariz ardia tanto pelo frio quanto pela intensa vontade de chorar que se fazia presente na jovem. Os olhos já vermelhos começaram novamente a lacrimejar e um forte nó na garganta acabara de ser formado. Nina olhou para o céu e voltou seus olhos para frente, encarando o frio invisível e intenso. Seus dedos estavam gelados. Permitiu-se chorar copiosamente. Ponderou as três últimas mortes. Em pouco tempo estava pensando em absolutamente tudo o que se recordava ao longo de seus dezanove anos. Todas às vezes em que se sentiu triste, todos os momentos de dor, sendo eles emocionais ou físicos. Deixou sua alma sangrar. Sofreu o máximo que pôde e em um breve momento súbito, gritou. Gritou muito alto. Sentiu a garganta arder. Tossiu um pouco e logo depois mais lágrimas saíram de seus olhos. Nina mal podia respirar, soluçava muito e sentia-se extremamente sufocada. Notou algo tocar suavemente seu ombro, enxugou a face e virou-se para o lado direito quando percebeu alguém sentar-se ao seu lado.

- Precisa de ajuda menina?- perguntou um homem desconhecido de aparentemente setenta e poucos anos- Eu estava caminhando para casa quando avistei você aos prantos…

Ela ficou em silêncio.

- Eu sei que a vida é difícil. Entendo que às vezes parece não ter jeito.- Ele pausou para respirar fundo- Sei que nem sempre ganhamos. Nem sempre conseguimos o que queremos. Porém… Sofrer faz parte.

Nina olhou rapidamente para o mais velho e permaneceu calada.

- Não posso imaginar o que está sentindo. Mas posso te afirmar o que senti quando ouvi seus gritos.

Ela o encarou ainda um pouco hesitante e desconfiada.

- Pensei que fosse desisti. E… Imaginei que talvez esse velho rabugento e intrometido pudesse lhe ajudar de alguma forma.- ele abriu um sorriso doce e suave

- Por quê?- perguntou ela

Ele olhou para o céu e limpou a garganta antes de começar a falar.

- Hoje faz três anos que a minha neta se suicidou.

Nina levantou as sobrancelhas em sinal de surpresa e seu semblante demonstrou melancolia concomitantemente- Ela devia ter a mesma idade que a sua. Era tão jovem e tinha tanta coisa ainda para viver.

- Eu sinto muito…

- Eu também sinto muito pela sua dor. Mesmo não tendo conhecimento a respeito dela.

- Meus pais morreram.

Ele olhou para baixo sem saber o que falar e voltou a fitar a jovem.

- Você não tem mais ninguém? É sozinha no mundo.

- Eu tenho uma irmã um pouco maluca.- eles riram sucintamente- Acho que foi a única coisa que me restou.

- Mas e os seus tios, tias…

- Eles nunca foram próximos da gente.- interrompeu o outro

Ambos ficaram olhando para um ponto qualquer durante algum tempo.

- Você estava pensando em desistir?- perguntou o homem

- Não.- ele sorriu- Quer dizer… Acho que não.

- És muito nova ainda. Mas gostaria que soubesse o que não tive tempo de contar para a minha neta… Você não pode fugir da dor. Ela sempre vai existir em seu caminho. Irá te fazer derramar muitas lágrimas e pensar em muitas coisas ruins. Vai te desesperançar e você vai querer jogar tudo para o alto. Porém, tente sempre lembrar do que te motiva a levantar da cama todos os dias. Do que te faz sorrir genuinamente. Impulsione toda a sua força e esperança…

- O que resta delas.- interrompeu ele mais uma vez

- Isso. Transmita o que ainda resta de bom e esperançoso em você para o que mais te faz feliz. Enxergue isso como o propósito de sua vida, menina. Ser forte no mundo em que vivemos é difícil, por isso, temos que de qualquer modo tentar prosseguir. Não importa se andando, tropeçando, rastejando. Você precisa seguir em frente.

Nina sentiu algo confortar seu coração, um pobre homem chegará mais tarde em casa ao tentar ajudar alguém que sequer conhecia. Empatia. É disso que o mundo anda precisando.

- Obriga…- ela procurou em sua volta e não encontrou o homem. Levantou-se rapidamente e vasculhou todo o seu campo de visão, apenas ela se encontrava no local

Um tanto quanto assustada e levemente mais calma, a jovem caminha em direção ao seu lar. As palavras do homem se repetiam em sua mente e ela sem perceber, enfeitou a face com um breve sorriso. O celular em seu bolso começou a tocar.

- Alô?

- Oi, Nina. Aqui é o Rodrigo.- Karina sentiu o coração bater mais forte- Estava esperando que me ligasse, mas com tudo o que aconteceu eu compreendo que tenha se esquecido.

Rodrigo tentou confortar a jovem com palavras singelas, porém a única coisa que a interessava no momento era outro tipo de auxílio proporcionado pelo mesmo. Ele relatou que a namorada já o havia explicado a situação, poupando Nina de executar a tarefa

- Bom, você se lembra do seu antigo email?

- Não exatamente. Mas eu tenho quase certeza que posso encontrá-lo anotado em algum canto da casa. Eu já estou a caminho da mesma.

- Ótimo. Assim que chegar, faz um print da conta e senha e me envia, certo?

- Certo.- disse com os olhos brilhando

"Seria essa a minha chance de finalmente desvendar a identidade desse maldito assassino?"

- Rodrigo?

- Sim?

- Você acha que há grandes chances de descobrir o dono do celular que me enviou a imagem?- inquiriu ela

- Eu posso garantir que sim.

"Finalmente, esse desgraçado vai ter o que merece." Ponderou a jovem. 


Notas Finais


E aí? O que acharam do capítulo? Vocês concordam com a decisão da Karina? Será que o Rodrigo vai mesmo conseguir descobrir? Façam suas apostas! Lembrando que o favorito ou comentário de vocês é muito importante.
Nos encontramos no próximo capítulo. Agradeço a leitura 💜


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