História Lista Negra (Nyongtory) - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Big Bang
Personagens D-Lite (Daesung), G-Dragon, Personagens Originais, Seungri, T.O.P, Taeyang
Tags Gdragon, Gri, Máfia, Nyongtory, Nyongtorystan, Policial, Scotland Yard, Seungri
Visualizações 31
Palavras 4.253
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oii gente! Como vocês estão hoje? Dando muitas visualizações em Where Are You From? Espero que sim! Como sempre, tem coisas importantes nas notas finais! Então, por favor, leiam tudo de lá!
Sem mais para o momento,
~Boa leitura! <3

Capítulo 4 - Let's Not Fall In Love


Não espere muito de mim

Eu também não quero te perder

Antes que tudo se aprofunde tanto e antes que você se machuque

Não confie em mim

— Let's Not Fall In Love (Big Bang)

 

 

 

Choi Seunghyun estava tomando seu chá habitual enquanto conferia alguns documentos. Era fadigoso ser um homem de negócios como ele. Sempre tão atarefado…

Sebastian avisou que havia um homem querendo vê-lo e que não podia mandá-lo embora. Era da polícia.

Apreensivo, mas sem demonstrar, Choi deixou com que o homem entrasse. Ele realmente não esperava que fosse o detetive Lee à sua frente.

— Detetive Lee. — Choi falou cordialmente ao ser deixado sozinho em seu escritório com o homem. — É uma honra receber sua visita.

— É bom te rever também, hyung. — Exibiu um sorriso ardiloso, sentando-se na poltrona à frente do velho conhecido.

— Que bom que ainda me considera seu irmão mais velho.

As farpas nas entrelinhas sempre estavam presentes. A confiança não pairava sobre os dois homens, um sempre estava querendo ler através dos olhos do outro. Lee e Choi são conhecidos de longa data. Seungri sempre saberia que Choi era esperto e egocêntrico, enquanto que o outro sempre saberia que a profissão de detetive era a que mais se encaixava com a personalidade deste.

— As coisas mudaram muito. — Seungri falou, analisando o escritório bem decorado e seus detalhes luxuosos. — Mas você parece o mesmo. Vejo que tem cuidado muito de si.

Choi sorriu.

— Acredito que essa não seja uma simples visita de velhos amigos, estou certo, Seungri?

Seungri sabia que não conseguiria enganar T.O.P, muito menos estava em sua casa para tal. Estava na hora de parar com os rodeios e ir direto ao ponto.

— Na verdade, vim tirar satisfações. Soube que deu uma festa e nem ao menos me convidou. — A voz saiu certeira e o olhar buscava qualquer sinal de expressão em T.O.P. Seungri jogou o jornal do ano anterior sobre a mesa de carvalho, este que foi segurado com precisão e graciosidade por parte de Choi.

— Ah. Eu lembro disso. — Suspirou. — Sinto muito não ter lhe convidado. Pensei que ainda não queria ter contato comigo. Além do mais, você estava na Coréia. Como andam as coisas por lá? Ainda muito destruídas, como a reputação do seu papai? Pensei que iria ficar lá com ele por mais um bom tempo.

Cada palavra saía da boca de Choi como veneno, Seungri percebia isso. No entanto, engana-se quem acredita que o Seunghyun mais novo temia alguma atitude por parte do outro. T.O.P conseguia ser venenoso, mas Seungri estava imune, e conseguia ser bem mais ácido do que seu hyung professor.

— Não vim aqui para falar sobre o velho, T.O.P. — deu ênfase ao codinome de Choi, deixando claro sobre quais circunstâncias eles iriam ter aquela conversa. —, muito menos sobre o passado. — Pigarreou. — Não tenho o mínimo interesse em saber sobre essa festa ridícula de fachada que você fez para a sociedade. O que eu quero saber é: qual é a sua relação com Daniel Han e  Dong Hee Shin? Por que eles estavam nessa festa juntos?

T.O.P analisou a cena que se passava diante de seus olhos e se acomodou melhor em sua poltrona grande e macia. O detetive Lee estava investigando sobre Han e Shin. Se descobrisse algo sobre Han que o ligassem a ele, seria péssimo. No entanto, T.O.P conhecia Seungri bem. Ele próprio o ensinou diversas coisas, inclusive a ir atrás de informações que desejava como ninguém. Ele iria descobrir, haveria um crime. O que T.O.P precisava era encontrar outro criminoso para pôr em seu lugar.

Não era como se Seungri não soubesse do histórico de T.O.P. Sabia que o homem era astuto e perigoso, mas não agia por impulso nem com objetivos que não o favorecessem. Mas não haviam provas, e Seungri também nunca se empenhou em procurá-las. Por saber justamente quem Choi Seunghyun era, Seungri sabia que não seria bom atrapalhar seus planos. Mas agora era diferente. Haviam outras pessoas envolvidas, pessoas que ele não conhecia. E se fosse necessário expor T.O.P, era isso que Seungri iria fazer.

— Suponho que você precise apresentar provas físicas para suas conclusões sobre os casos que se envolve, estou certo, Seungri? — T.O.P falou com a voz distante, mirando em um ponto qualquer do jardim através da janela. A resposta de Seungri não veio. T.O.P poderia não estar vendo-o diretamente, mas sabia que em seu rosto residia uma expressão impaciente. — Então, veja bem. O meu testemunho não conta como prova. — Virou-se para o detetive, o olhando duramente nos olhos, o avisando que estava falando sério. — Eu não posso falar o que eu sei sobre eles dois, nem sobre o que os outros homens que eu tenho certeza que descobriu alguns nomes.

— Então não irá me ajudar? — A voz saiu sem emoção.

— Não disse isso. — Sorriu. — Eu irei lhe dar um conselho. — Viu Seungri revirar os olhos, mas não deu importância. — Como já é bastante óbvio, todos os seus investigados têm alguma relação com a Coréia, antes mesmo da Guerra. Isso não é algo recente, Seungri. Você tem que parar de olhar apenas em volta e olhar além, enxergar as possibilidades no horizonte.

— O que quer dizer com isso?

— Que o pôr do sol é mais bonito em Busan. Você deveria vê-lo qualquer dia.

— Você quer que eu vá até a Coréia.

— É Coréia do Sul agora. — T.O.P respondeu divertido.

— Não brinque com isso, Choi.

T.O.P ficou sério. Levantou-se e apoiou as mãos sobre a mesa, inclinando o corpo para que ficasse mais próximo de Seungri. Os olhos poderiam queimá-lo de tão penetrantes que estavam.

— É tudo que eu tenho a dizer, Seungri. Eu não me interesso com o que aconteceu com o desprezível do seu pai, mas ele tem as respostas. Não perca tanto tempo investigando a vida do Han, eles só vieram aqui porque, caso não lembre ou não saiba, eles viviam uma vida de aristocrata. Minha imagem para todos aqui em Londres é uma, você não vai querer estragar isso, não é, Seungri? — A última parte saiu como uma ameaça e Seungri engoliu em seco, mas não demonstrou temor. — O seu pai conhece muito bem o Shin, ele era seu aliado de confiança. Investigue o passado deles, investigue a razão que eles vieram para Londres antes mesmo de eu e você termos nascido. E então, vá atrás de respostas do seu queridinho pai.

O silêncio se instalou no escritório. Os olhos de T.O.P continuavam mirando Seungri, como se fossem de uma cobra prestes a dar o bote. Seungri, por sua vez, desviou o olhar e encarou os próprios dedos entrelaçados. Investigar através de Choi não levaria a lugar nenhum, mas suas dicas foram preciosas. Entretanto, havia um problema.

— T.O.P. — Seungri o chamou. — Eu não sei onde meu pai está.

 

(***)

 

— Você parece tenso hoje, Seungri. — Jiyong comentou. — Dia cansativo no trabalho?

— Tudo é cansativo, Jiyong.

Seungri olhou para o céu. O entardecer parecia infinito, e os tons alaranjados que dançavam entre as nuvens faziam Seungri refletir. Estava ali naquele passeio de sábado com Jiyong em um parque, deveria estar feliz e esquecer um pouco da investigação, mas não era fácil.

Desde que teve a conversa com T.O.P dias antes, Seungri passou a ver o que acontecia por outra perspectiva. Choi não parecia ter muito a ver com o que realmente tinha acontecido. Ele era próximo de Han e Shin, mas Seungri não conseguia pensar em um motivo para que T.O.P mandasse que alguém os matasse. Além do mais, o que ele conseguiria com isso? Se Choi estava envolvido nos negócios de drogas com Han, ele não iria querer que Han morresse, traria investigações para si, como foi o caso. Seungri que havia pegado essa investigação, mas e se fosse outro detetive?

Começou a pensar em tantas pessoas que Choi Seunghyun não já fez desaparecer do mapa, não duvidava que o homem fosse capaz de tal coisa. Mas muitas coisas ainda estavam foram de seu encaixe. O que Han estava fazendo em Ibiza? Os negócios com T.O.P estavam em Londres e Seungri sabia que eles não eram tão grandiosos assim. No máximo, um passatempo para alguém como T.O.P.

Han estaria fugindo de alguma coisa?

Ou melhor… de alguém?

— Oh, desculpe. Sinto muito em lhe aborrecer com isso. — Jiyong falou e desviou o olhar para os próprios pés estirados no gramado que começava a ficar seco pelo outono.

— Você não me aborrece, querido. — Seungri segurou sua mão discretamente. — Sinto muito. Eu estou apenas estressado.

— Tudo bem. — Sorriu, mesmo estando chateado.

— Jiyong…

— Hm?

— Por que você veio morar em Londres?

A pergunta pegou Jiyong de surpresa. Por que Seungri estava lhe perguntando sobre aquilo?

— Por que essa pergunta de repente, Seungri?

— Me passou pela cabeça agora. — Deu de ombros. — Você veio por causa da Guerra?

— Na verdade, eu nasci aqui. — Focou os olhos no horizonte, abraçando os joelhos discretamente. Não queria lembrar da tragédia de sua infância, mas como não sabia exatamente aonde Seungri queria chegar com aquilo, mentir talvez não fosse uma boa ideia. — Meu pai era coreano.

— E por que ele veio para a Inglaterra?

Jiyong olhou para Seungri, ele estava curioso, mesmo tentando esconder. Talvez Seungri tenha encontrado algo sobre seu passado, talvez ele tenha encontrado alguma pista sobre o passado dos ex-mafiosos que agora estão mortos. Seu pai era um deles. Será que ele havia encontrado algo que levasse até Jiyong?

No entanto, Kwon não se deixou abalar. Mostrou seu sorriso inocente e se aproximou de Seungri.

— Eu não sei. Ele nunca me disse. — respondeu com naturalidade.

Antes que Seungri pudesse entrar em um patamar mais aprofundado sobre sua família, Jiyong foi mais rápido. Baixou o olhar para os lábios de Seungri, demonstrando que tinha algum interesse. Mordeu os próprios lábios e aproximou-se um centímetro de Seungri, parando no meio do caminho.

— Aqui não é lugar para isso. — Jiyong concluiu e se afastou de volta ao seu lugar inicial, fazendo com que Seungri até esquecesse o próprio nome por um segundo.

— De onde eu conheço aqueles dois…? — Seungri falou sozinho, mas Jiyong prestou atenção.

Olhando para onde o detetive olhava, notou um casal familiar. Ela trabalhava na cafeteria, foi a mesma que Jiyong deu um jeito de colocar o sonífero na bebida de Seungri.

— Ah, lembrei. — Seungri concluiu. — É aquela moça da cafeteria. Será que aquele é o namorado dela daquela época? — Jiyong prestou atenção em cada detalhe do casal de mãos dadas a alguns bons metros de distância. — Fico feliz que tenham se acertado.

— Vamos para algum lugar mais reservado, Seungri. — Jiyong chamou sua atenção.

 

(***)

 

Jiyong suspirou.

Ah, o parque de diversões.

Era realmente algo clichê, mas a roda gigante chamava a atenção.

Jiyong tinha dado a ideia de passear em um lugar mais privado com Seungri. Talvez a roda gigante fosse uma boa opção. Jiyong lembrava que costumava ir algumas vezes quando era adolescente a parques como aquele. Em nenhuma delas ele estava feliz.

— É uma bela vista. — Seungri comentou observando a paisagem londrina. — Acredita que nunca tinha andado em uma roda gigante antes?

— Fico feliz que sua primeira vez tenha sido comigo. — Jiyong falou e sentiu-se estranho assim que percebeu realmente o que tinha falado. Havia soado tão sincero… e não somente para Seungri.

— Eu sempre tive o sonho de voar. Acho que isso é o mais perto que vou chegar do céu.

— Não desista ainda, Seungri. — Jiyong segurou sua mão, assim que a cabine que estavam parou no topo da roda gigante e os últimos raios de sol adentraram o ambiente. — Não é como se você fosse morrer amanhã. Ainda há tempo.

Seungri refletiu sobre as palavras de Jiyong. Olhou para as mãos entrelaçadas e em seguida para os olhos castanhos do homem ao seu lado. Aqueles olhos tão convidativos… o brilho que eles emanavam poderia iluminar uma cidade inteira, Seungri pensou.

— Jiyong… o que você faria se hoje fosse seu último dia?

A pergunta pegou Jiyong de surpresa novamente. Não costumava perder seu tempo com questões tão frívolas, mas esta saindo da boca de Seungri chamou-lhe a atenção. Pensou sobre o real significado dela, refletiu de verdade sobre o que faria. Iria se arrepender de algo? Iria desejar voltar no tempo?

A mente de Jiyong o fez voltar para 15 anos antes. O que havia acontecido antes da morte de seus pais? Como era sua vida? Quem eram os seus amigos? Como sua mãe o chamava? Ele gostava de esportes?

Como era sua vida antes de decidir vingar a morte de seus pais?

E como seria ela se eles nunca tivessem morrido?

Jiyong acabou ficando triste. O homem que estava com ele não tinha culpa do que tinha acontecido. Mesmo que fosse próximo de seu pai, Seungri era apenas uma criança na época. E se Jiyong matasse o pai de Seungri… como ele reagiria?

Seungri era um homem bom e com a alma sonhadora. A carranca de detetive era diferente da face doce e gentil que ele sempre mostrava quando estava sozinho com Jiyong.

Seungri merecia aquilo tudo?

No momento, o detetive apenas admirava a boca semi-seca de Jiyong. Os lábios não muito grossos estavam um pouco vermelhos e bastante convidativos. Mas Seungri não podia. Jiyong poderia se assustar novamente, poderia se afastar, e Seungri definitivamente não desejava isso. Sentiu-se tão mal apenas com alguns dias de separação, não poderia arriscar de novo. Acima de tudo, Seungri via Jiyong como um bom e atento amigo. Seria péssimo que a amizade dos dois acabasse daquela forma. Se Seungri soubesse…

Enquanto estava perdido em devaneios, Seungri foi surpreendido com um beijo singelo no canto de seus lábios. Ficou sem reação durante longos segundos. Jiyong realmente havia tomado a iniciativa?

A cabine era fechada, mas não era por isso que Jiyong estava sem ar. Estava pensando tanto que sua cabeça parecia querer explodir. Se aquele fosse seu último dia, o que ele realmente iria querer fazer? O que ele realmente queria ser?

A resposta, para Jiyong, era óbvia. Ele queria ser apenas um homem normal na companhia de alguém que gostasse. Jiyong queria ter gostado de alguém. Se isolou tanto durante sua vida. Sua adolescência foi conturbada, e os hormônios que afloraram eram ignorados em função de seu objetivo vingativo. Jiyong só pensou em como iria atrás do chefe Lee, como o faria sofrer.

Se aquele fosse seu último dia, ele queria esquecer que é um assassino em busca de vingança. Ele queria apenas beijar Seungri.

 

(***)

 

— Você está calado hoje, Jiyong. — Novamente, Youngbae com suas sentenças desnecessárias na hora do jantar. — O que houve?

— Nada demais. — Jiyong suspirou.

Youngbae analisou o primo, como era de seu costume. Passaram praticamente a vida inteira juntos, Youngbae sabia quando Jiyong estava mentindo. Ele estava naquele momento, e a curiosidade não o deixava relaxar.

— Alguma coisa deu errado com o detetive Lee? — Youngbae perguntou por instinto, mas acabou recebendo uma resposta que não esperava: o silêncio e o olhar distante de Kwon. — Sabe, G Dragon… Você sempre foi competente em relação aos nomes da lista negra. Já fazem alguns meses que você está enrolando o caso do chefe Lee. Você disse que se aproximar do detetive traria algum resultado, e eu confio nos seus planos. Até agora nada aconteceu. Eu venho prestando atenção na Scotland Yard como sempre e sei que o caso está avançando. Não se esqueça que o seu pai era mafioso também. — Finalmente Youngbae teve a atenção que queria. — Há a possibilidade do detetive chegar até você. Remota, mas ela ainda está lá. Então, vai deixar que ele nos descubra ou vai fazer alguma coisa logo?

— Imprevistos acontecem, Youngbae. — Jiyong falou após um longo minuto em silêncio absoluto. — As coisas não estão saindo como eu planejei.

Dong refletiu sobre a fala do primo. Seu garfo brincou com as ervilhas, e, de soslaio, viu que Jiyong parecia estar no mundo da lua.

— Talvez seja a hora de você tentar entrar em um caminho mais profundo com Seunghyun, assim ele teria mais sua confiança, Jiyong.

— Fala sobre dormir com ele, não é?

— Nós já tivemos essa conversa. — Viu Jiyong revirar os olhos e levantou um pouco o tom de voz, mas não chegou a gritar. — Pelos céus, Jiyong! É só sexo! Você consegue as informações necessárias e de quebra sai um pouco do tédio. Fale a verdade, há quanto tempo você não se deita com alguém?

— Você já sabe a minha opinião sobre isso, Youngbae. — Jiyong falou impaciente. — Sabe que isso pode soar antiquado, mas eu não consigo gostar de sexo assim. Por muito tempo eu achei que eu tinha algum problema, sei lá. Eu dormia com pessoas e apesar de ser… interessante, eu acho, não chegava a ser bom de fato. Você tem uma opinião diferente da minha porque somos pessoas diferentes. Eu não sei se tem algum nome para o que eu sou e porque eu ajo dessa forma, mas é assim que as coisas funcionam.

— Então você não quer de maneira nenhuma dormir com ele?

Mais uma vez, o silêncio surpreendeu Youngbae. O primo, sempre decidido e confiante, agora desviava o olhar e mordia o lábio como se estivesse irritado consigo mesmo.

— Meu Deus, Jiyong… Você… Você quer dormir com ele. — Youngbae olhava para o primo incrédulo. Como ele foi capaz? — Diga que estou errado, por favor.

Jiyong suspirou profundamente, dessa vez, tentando voltar a quem realmente era.

— Por favor, vamos apenas terminar de comer, Youngbae. — A voz saiu rude e seca, indicando que queria fugir daquele assunto.

Mas como o próprio Jiyong iria fugir de si mesmo?

 

(***)

 

Seungri realmente esperava que sua equipe trouxesse notícias. Realmente esperava que as investigações que estava fazendo o levasse a algum lugar que não fosse a Coréia. Simplesmente o detetive não gostava de mexer no passado. A vida finalmente estava parecendo entrar nos eixos desde que se mudou para Londres. Por que o destino tinha que o colocar na Coréia mais uma vez?

Já era tarde da noite e Lee não havia abandonado o escritório. Desejava a todo custo juntar mais pistas, mas as peças continuavam sem um encaixe certo.

Como sempre, Marie estava ali para salvar a sua noite com um copo de café.

— Obrigado, Marie. — Seungri mostrou um sorriso cansado ao pegar o copo das mãos da mulher. — Eu estava realmente precisando.

— Onde estão os outros? — Ela olhou ao redor.

— Como sempre, Firmann e Turner devem estar perdendo tempo em algum bar por aí. — Seungri revirou os olhos. — Aqueles dois… Aish!

— É engraçado quando você mistura coreano com inglês. — Marie apontou. — Sente saudades de casa, Seungri?

— Não muito. — Bebericou o café. — Estou curioso, Marie… — Seungri tentou desconversar, como sempre fazia quando o assunto família aparecia. — Por que não quis sair com os outros dois?

— Aqueles idiotas? — Marie riu alto. — Faça-me o favor, Seungri. Além do mais, tenho que trabalhar para compensar a minha folga da semana que vem.

— Você vai me deixar sozinho um dia aqui semana que vem com aqueles dois? — Seungri fingiu-se de ofendido. — Belo momento para me avisar sobre isso.

— Mas eu já tinha dito, Seungri! — disse divertida, batendo de leve no ombro do colega. — Você que anda muito distraído e acabou esquecendo. É o casamento da minha amiga Gina, eu tenho certeza que comentei com você. Ela é uma das garçonetes daquela cafeteria que eu te recomendei quando nos conhecemos. Sei que você gostou porque vi você voltando lá muitas vezes.

Aos poucos, os pensamentos de Seungri foram clareando. Agora ele lembrava. Era a mesma moça com quem vivenciou o incidente do sonífero. Ao lembrar disso, uma questão pairou sobre sua cabeça.

— Ah, então ela se resolveu com o namorado. Isso explica a cena que eu presenciei sábado no parque, eles estavam juntos. Fico feliz com isso.

— E eles tinham brigado alguma vez? — Marie perguntou. — Nós somos melhores amigas, ela sempre me falou muito bem sobre o Tommy. Do que você está falando?

— Eles nunca terminaram ou brigaram sério? Tem certeza?

Marie acenou positivamente com a cabeça.

— Quer dizer, eles já passaram por muitas dificuldades juntos… mas o importante é que não perderam a fé. As coisas estão começando a dar certo. Quero encontrar alguém como Tommy encontrou a Gina. Sou amiga dos dois e posso dizer com certeza que ele gosta tanto dela que duvido que faça alguma coisa que a magoe de propósito.

Seungri franziu o cenho. Lembrava perfeitamente daquele dia, até porque foi o mesmo dia que conheceu Jiyong. Por que agora aquilo não fazia mais sentido?

 

(***)

 

A lápide de seus pais estava coberta de folhas secas, o outono realmente havia chegado. Jiyong observava a pedra com os dizeres sobre quem havia sido cada um. Um bom pai, uma mulher memorável. Nada relacionado à máfia, assassinatos e espionagem.

Por que aquilo não poderia ser verdade?

Desde que beijara Seungri, Jiyong vivia num conflito interno. A maciez da pele e o calor da boca do outro retornavam à mente de Jiyong com força e determinação. Havia gostado e ansiava por mais.

A trajetória até ali começou a ser relembrada aos montes de memórias e anotações mentais. Queria que o responsável pela morte de seus pais pagasse o preço pelos seus atos. Mas aproximar-se de Seungri para encontrar Lee Guk Do não parecia mais uma boa ideia. Seungri era um homem bom, responsável e amoroso. Seungri não merecia estar sendo usado.

Mas quando Jiyong passou a querer ficar ao lado de Seungri somente por prazer, deixando o objetivo inicial esquecido?

Não podia mais usar Seungri para chegar até Guk Do. Mas também não podia simplesmente virar as costas e deixar Seungri. Jiyong não queria ir embora, seus sentimentos não deixariam. De todos os seus adversários, Jiyong nunca pensou que fosse ter seus planos arruinados pelo próprio coração.

Fazia um certo tempo que não ia até o cemitério. A última vez que o visitou foi quando matou o primeiro da lista. Buscava determinação e coragem, era seu primeiro assassinato. Seu coração agora estava tão perturbado quanto naquela época, mas agora era diferente, os motivos não eram os mesmos.

Lembrou-se de sua infância. Sua mãe dava bons conselhos, por mais que ele não os compreendesse bem naquela idade. O que Jiyong mais desejava era que sua mãe estivesse viva e com saúde, ao seu lado. Ela daria um bom conselho e o abraçaria depois. Jiyong sentia o peito pesar, uma sensação estranha o queimar por dentro. A dúvida estava o consumindo, e o pensamento de ir embora começava a lhe sufocar. Abandonar tudo era o que deveria ser feito?

Não. Jiyong não poderia fugir.

G Dragon nunca fugiria.

— Preciso fazer alguma coisa. — Falou em voz alta para si mesmo.

 

(***)

 

Caminhando sozinho pela rua da casa de Seungri, Jiyong estava pensativo. A tarde já havia ido embora, e os amantes e boêmios começavam a surgir à sua visão. Em sua mente, a trajetória do seu plano passava em câmera lenta. Mesmo se sentindo culpado pelo o que estava fazendo com Seungri, não iria se perdoar se simplesmente esquecesse seus objetivos. Além disso, agora era tarde demais para voltar atrás. Seungri descobriria tudo e jamais o perdoaria.

Jiyong não teria outra alternativa a não ser sumir.

Apertou a campainha da casa do detetive e o esperou sair, o chamaria para um passeio. Por mais que sua mente lhe dissesse o que deveria ser feito, Jiyong tinha que obedecer o seu coração durante um instante. Os últimos meses, em especial, as últimas semanas, fizeram com que Kwon Jiyong olhasse Lee Seunghyun com outros olhos.

— Ah, olá, Jiyong. — Seungri surgiu com um sorriso à porta, animado por ver o professor alí. — A que devo a honra de sua visita?

— Eu estava passando por aqui e… — sorriu, constrangido. — Bem, eu queria passear com você.

— Ah, tudo bem! — Mostrou outro sorriso. — Por favor, apenas espere que eu pegue meu casaco, sim? Ele está lá em cima. Se quiser, pode entrar e esperar!

— Não, pode ir. Eu espero aqui.

— Já volto!

Enquanto Seungri partia, Jiyong suspirou e pôs as mãos dentro dos bolsos. Aquele sorriso no rosto de Seungri… ele definitivamente não merecia perdê-lo!

Jiyong foi surpreendido por um carro parando em frente à casa de Seungri, justamente no local que estava em pé. Através do vidro pôde ver um homem distinto usando um terno completamente preto.

Eles trocaram um olhar quando o vidro baixou no banco de trás, onde o homem estava, e Jiyong engoliu em seco.

— Choi Seunghyun. — Jiyong falou com a voz dura. — O que faz aqui?

T.O.P olhou além de Kwon, observando a casa. Em seguida, soltou um pequeno riso de escárnio.

— Eu te faço a mesma pergunta, professor Kwon. — Na voz de Choi era evidente o sarcasmo. — Por acaso tem assuntos a tratar com o detetive Lee?

A mente de Jiyong trabalhou rápido. Se T.O.P estava ali, na casa de Seungri… significava que…

— Não ouse chegar perto dele, T.O.P. — ameaçou. — Seungri não tem nada a ver com isso.

T.O.P riu alto, era inevitável.

— Tem certeza disso, Kwon? — Encarou o outro friamente. — Ele está na pista certa. Tic toc. Você não tem muito tempo.

Jiyong iria responder, mas escutou a porta sendo aberta e virou para trás instintivamente. Quando mirou novamente T.O.P, este lhe lançou um sorriso esperto e ordenou que seu motorista fosse embora.

— Quem era, Jiyong? — Seungri pergunta assim que fecha o portão.

— Ninguém importante. — Jiyong suspira. — Vamos?

Mesmo desconfiado, Seungri assentiu. Teve a impressão de ter visto T.O.P, mas não podia afirmar nada. O que ele estava querendo consigo? E ter visto Jiyong ali em sua casa não poderia significar algo bom. Seungri acreditava ter que proteger Jiyong de seu velho conhecido.

Algumas coincidências são estranhas.

 

 


Notas Finais


Então, gente... referências!
Algumas eu deixei de falar sobre os capítulos anteriores, então vou deixar tudo aqui.
Para quem gosta de Bon Jovi, foi fácil ver a referência de Tommy e Gina. Nas músicas de Bon Jovi (como Livin' on a Prayer — mais conhecida como a música que toca no final de Todo Mundo Odeia o Chris haha — e It's My Life), ele fala sobre eles dois. Eu sou uma grande fã de Bon Jovi, então essa referência está aí só por capricho meu mesmo! :v
Então, sobre os problemas na Coréia que os personagens falam tanto: vamos lembrar que a Coréia é um país rico há pouco tempo, ele já sofreu muito (por isso tantas desconfianças sobre a vida do Guk Do e como ele conseguiu tudo isso) com coisas como a ocupação japonesa que durou de 1910 até 1945 e ainda a Guerra da Coréia em 1950, que dividiu a península em norte e sul (e todo mundo sabe que guerras trazem muitas consequências financeiras para os habitantes).
Em outro capítulo, eu falei sobre bolo da Índia, que o T.O.P tinha pegado a receita em um dos negócios dele e tal. Só que eu coloquei isso só para fazer uma referência que ele viaja o mundo inteiro, eu nem sei se na época em que a fanfic se passa existia essa receita, eu comprava esse bolo de vez em quando no supermercado daqui, é muito bom! :v
E por último (e que estou lembrando até agora), mas nem tão importante, o nome do mordomo é Sebastian como uma referência ao anime Kuroshitsuji (inclusive recomendo).

Então... descobrimos hoje mais um pouquinho sobre o passado de Seungri e T.O.P. O que estão achando? Vejo vocês na próxima. Até mais, gente! <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...