História Little Sunshine - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alex, Amor, Casal, Original, Romance, Shouju
Visualizações 2
Palavras 2.587
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - One shot - Little Sunshine


Nunca imaginei que pudesse existir uma dor tão avassaladora quanto a qual eu passei. Talvez não fosse tão forte quanto um coração partido, mas o suficiente para tomar todas as minhas forças. 
As minhas fracas arfadas se sustentavam em meus pulmões fragilizados, meus olhos, ambos fixos sobre o teto. Minha visão estava buscando novamente o contraste para que eu pudesse me reencontrar. Eu não ouvia nada, não sentia, e tudo o que passava ao meu redor estava turvo e irreconhecível. Por um momento, eu nem ao menos conseguia pensar em qualquer palavra, em qualquer imagem...
De qualquer modo, nem mesmo a minha inatividade física era o suficiente para me convencer a fechar os meus olhos, nem mesmo a minha falta de forças era o suficiente para me convencer de que talvez estivesse presa a um fim dramático. O meu espírito estava disposto a relutar contra todos aqueles fatores, eu procurava em mim o necessário para não cair, eu não podia dormir ou desmaiar, não agora... Eu precisava ve-lo.
Os segundos nunca foram tão eternos e nem mesmo tão preciosos para mim, logo eu, uma pessoa que sempre fora amante do tempo. Aquele silêncio completamente morto torturava-me sem misericórdia, meu momento de desespero quase se tornará a minha sina, felizmente, ele me salvou. O vácuo tão cruel finalmente havia sido quebrado com o seu choro, um choro tão amargo e desesperado, mas ainda sim, o único som que eu queria ouvir. Era a melodia da vida diante de meus ouvidos, uma música que nunca sairia de minha memória, e que guardaria com tanto carinho, afinal de contas, era esta a minha música, era este o meu filho. 
Os 9 meses que tive de espera, não aparentavam ser tanto se comparados com aquele momento único, aquele milagre. Eu já tinha o ouvido, agora, ansiava em vê-lo diante de mim. Entendia que Will e sua equipe não podiam simplesmente entrega-lo para mim, entretanto, minha alma só se completaria quando eu o tivesse perto de mim. Dar-lhe colo, carinho e alimenta-lo com o meu amor, isso era tudo o que eu queria fazer por ele. 
Meus olhos caçavam a sua imagem, mas só encontrava a equipe médica envolvida em um semicírculo examinando e cuidando do meu bem mais precioso. Eu só podia ser grata por ter irmãos tão atenciosos como todos ali, que se dispuseram a trabalhar ainda antes do nascer do sol e doaram o seu tempo para que aquele momento ocorresse sem por a vida de minha criança em risco. Os meus méritos se inclinavam especialmente para Will, meu braço direito, a pessoa que esteve do meu lado bem antes do ocorrido, que me aconselhou e recomendou os melhores apoios para que eu não ficasse temorosa com essa nova fase de minha vida: a fase de mãe.
Os filhos de Apolo tardaram, porém fizeram o serviço de limpa-lo e em seguida, o envolveram em um cobertor esverdeado em uma tom pastel, logo, Will se aproximava de mim envolvendo-o como um presente frágil em seus braços. Enquanto caminhava, balbuciava algumas palavras, talvez de felicitações. Admito que não o ouvi, apenas esperei que ele terminasse e lhe dei um sorriso fraco enquanto os meus braços se estendiam ansiosos para que ele cedesse a criança para mim. Por algum motivo, o meu corpo voltara a responder os meus comandos. Acredito que aquele pequeno ser e seu lamento acabaram me renovando depois de tanto terror.
Em poucos segundos, o mais velho, um tanto alegre, deixou com que eu finalmente envolvesse aquela criança em meus braços. Meu coração amoleceu no exato momento em que lhe dei o primeiro toque enquanto manhava por ter sido tirado de meu ventre. Aos poucos, ele diminuía o seu lamento. Finalmente, eu podia vê-lo, ouvi-lo e toca-lo. Nossos corações pareciam se acalmar agora com a presença um do outro, estava fascinada com aquele ser tão pequeninho e delicado que aos poucos se aconchegava em mim. As suas mãos eram tão minúscula, seus dedos eram como pequenas bolinhas de algodão, muito fofinhas e aparentavam ser macias, a cor de sua pele era exatamente como a minha, nem tão branca mas também não chegava a ser parda, o tufo de cabelo que possuía era composto de pequenos fios emaranhados e castanhos, um pouco mais escuro que os meus. Mal nos conhecíamos e eu já podia dizer o quanto eu o amava e também já podia ter certeza de que ele era tudo no meu mundo. Olhar pra ele agora me fazia pensar que cada noite acordada, cada lágrima, cada canção de ninar e cada chute que senti não valiam nem metade do que ele estava fazendo na minha vida agora.
- Oi... – essa fora a única palavra que consegui dizer em meio a tantas que eu desejava. Eu o aproximava de minha face, para não ter necessidade de irritar a sua audição com a minha voz -... Você é tão lindo meu amor... Esperei tanto por você querido... – falava aquelas palavras com serenidade e o observava, era impossível tirar os olhos dele, se pudesse eu ficaria daquele jeito pela eternidade, o zelando e amando.
Eu contive minhas lágrimas até o momento em que eu o vi abrindo os seus olhinhos pela primeira vez. Aqueles olhos, por mais que os meus também fossem castanhos, eram iguais aos de Alex, o coautor daquela obra de arte. Os mesmo olhos que me cativaram, que me apaixonaram e que em alguns momentos me alentaram, agora, estavam ali fazendo parte daquilo que eu mais amava. De fato, como pude me esquecer? Aquela criança era a nossa história contada de uma maneira totalmente viva, todos os nossos momentos preciosos, do dia em que nos conhecemos até o dia em que aceitamos ser um diante de Deus em nosso casamento, estavam ali, em cada traço do nosso pequeno. Pensar e relembrar sobre tudo aquilo me fazia chorar, as lágrimas escorriam como um rio sobre minhas bochechas, mas dessa vez, eram lágrimas alegres e gratas, agradecidas por tudo, agradecidas por meu... Nossos momentos, nossas aventuras, nossas histórias... E por nosso filho.
Em uma posição confortável daquela maca, o menino estava encostado em meu tronco, com um braço, eu o segurava, e com o outro, a minha mão, que no momento estava inquieta, ajeitava os fios do tufo emaranhado e acariciava o rosto e a barriga de meu bebê. Eu comecei a graceja-lo com meus beijos carinhosos e logo cobri o seu corpinho tão quentinho. Como estávamos no outono, não queria que ele já ficasse resfriado sentindo aquele frio batendo contra os pulmões dele. Em todos os minutos em que estive ali, eu não conseguia tirar a minha atenção dele, estava pensando em algum nome para ele, em minha mente, não podia ser qualquer nome, tinha que algo especial. Eis que, tirando-me de meus pensamentos, eu ouço pela primeira vez a porta abrindo desde que tinha entrado em trabalho de parto. 
- Giu... – Quando volto meus olhos para a porta, Alex estava lá e, diferente de outros dias, o seu nervosismo estava bem aparente, seus músculos estavam todos tensionados, acredito que ele estava tão temoroso quanto eu naqueles últimos dias. Quando nossos olhares se encontraram, tudo o que eu fiz foi sorrir calorosamente e muito contente para ele, e também o chamei com o olhar, tentando convence-lo a não se acanhar tanto, afinal, ele fazia parte daquilo.
Em passos lentos ele se aproximava de nós, podia sentir um pouco da sua insegurança nos seus paços extremamente pesados. Eu sabia que tudo era muito novo para nós, mas não imaginava ver o ex-capitão tão diferente. Ele estava com a sua guarda tão baixa, até mesmo os seus olhos tão alertas estavam desorientados sem saber em que direção deveria olhar e suas mãos, geralmente soltas, se encontravam agarradas na camisa em suas costas. Ao chegar perto da maca, ele optou em fica do meu lado direito. Agora que estava bem perto, podia ver que estava inquietamente apreensivo.
-... Como você se sente? – Perguntou-me com delicadeza, a fim de não assustar ou agitar o tesouro em meus braços. 
- ... Eu estou tão feliz... – Respondi juntamente com um sorriso alegre em sua direção, em resposta, deu-me um pequeno sorriso desajeitado. Não era como se não tivesse gostado do presente, ele apenas não entendia ainda a maneira como lidar. Em uma tentativa de aliviar um pouco o nervosismo de Alex, a minha mão que acobertava o pequeno agora se dirige para sua bochecha direita - ... Muito obrigada querido... – Acreditava que essas palavras resumiriam todo um discurso que eu não estava hábil para realizar. Os meus dedos acariciavam a sua pele um tanto áspera por conta de sua barba rala. Como eu amava aquela barba, ou melhor dizendo, como eu amava aquele homem, mesmo com o seu jeito frio e reservado, ainda sim, fora o únicos que soube como me amar verdadeiramente. 
O pequeno sorriso tensionado finalmente se solta aos poucos, seu olho, voltado para mim, aparentava estar um pouco mais relaxado. Sem que eu percebesse, a mão esquerda dele veio ao encontro da minha, e com um carinhoso aperto, o rapaz moveu-lhe de sua bochecha para seus lábios, depositando um beijo sobre a palma da minha mão. Diante daquilo, admito que me emocionei novamente, pois estávamos ali, éramos uma família de três agora, e mesmo nervosos, ainda sim, estávamos juntos. 
- Eu que devia agradecer, por tudo...- As suas palavras se faziam tão doces quanto mel, ouvir o que dizia me fazia cair de amores por ele como se fosse a primeira vez. Era como se eu me apaixonasse por ele mais uma vez, a cada dia, sendo sincera. Lembro-me da dificuldade de confessar sobre a minha gravidez, das vezes em que teve de me aguentar em meus níveis de bipolaridade hormonal, das noites em que levantara e até mesmo saíra de casa para me trazer algo que desejava por conta daquela mudança em meu corpo e lembro-me de suas tensões a cada consulta em que íamos para saber sobre a saúde de nosso bebê. Por tudo o que ele fez e faz por mim, agradecer é o mínimo que eu deveria fazer. 
Chegado um momento, eu pude sentir um agitamento de origem do pequeno que estava com uma careta de quem iria começar a chorar, por isso, tirei a minha mão de meu marido e a voltei para confortar o menino, que acabou acalmando-se enquanto segurava um de meus dedos. “Acho que já acabei por mima-lo...” dizia isto internamente enquanto olhava meu filho apertando e olhando fixamente para meu indicador. Contudo, a atenção dele logo fora desviada ao levantar os seus olhinhos e achar a outra pessoa que tanto o queria ver. Ele encarava Alex admirado e aos poucos fora me soltando para ficar com as suas mãozinhas estendidas na direção do papai, pedindo pra ficar com ele. 
- ... Você quer ir com o Papai não é?... – Disse enquanto sorria com a atitude do pequeno que, além de seus bracinhos estendidos, abria a boquinha como se quisesse chamá-lo, fazendo sons que, daqui a algum tempo, seria a sua linda voz.
Quando voltei-me para Alex, percebi que a ideia de segurar nosso menino não lhe parecia segura. Estava olhando para ele, mas seus braços não pareciam seguros. Estavam trêmulos, especialmente o seu braço mecanizado.
- Eu não sei se... Isso seria uma boa ideia amor... – Ele diz com o seu olhar nervoso -... Não que eu não queira segura-lo mas... – Ele próprio se interrompeu quando percebeu que eu o estava encarando. Nosso olhar se encontrara mais uma vez, observei de que o temor dele se dava ao fato de estar um tanto perdido, afinal, éramos pais de primeira viagem, e, eu não sabia se ele já tinha experiência com crianças pequenas. De qualquer modo, peguei em sua mão que, diferente de quando estamos em batalhas, estava desenfaixada, deixando exposto a visão de suas veias e a boa definição delas. 
- Esta tudo bem querido... – enquanto tentava o alentar, eu aproximava a sua mão do bebê -... Eu sei que da um certo medo de machuca-lo pela sua fragilidade e também, entendo que é estranho esse primeiro contato, mas, confie em mim, vai ficar tudo bem...- Percebi que, o seu olhar desviou-se de minha face ao acabar minha frase. Sua mão agora estava sobre o nosso filho. 
Se comparada com a minha, a mão de Alex tinha quase o dobro do tamanho dela, e acredito que a criança notara isto também, pois olhava pra mesma impressionado. Segurando e apertando, o bebê brincava com cada dedo do seu progenitor, que depois de tanta tensão, se maravilhava com aquele presente de Deus. Usando seu indicador, o ex-capitão começou por acariciar o pequeno, sentindo a pele nova e macia do nosso recém nascido. Aos poucos, abria um sorriso acolhedor de um pai para seu filho. No meio daquela interação eu me alegrava ao ver Alex e o bebê interagindo e criando afeição um pelo outro. Neste momento, ele estava nos meus braços, mas se alentava com o amor de seu pai. 
De pouco em pouco, meu marido ia cedendo de seu nervosismo e medo para dar espaço ao pequeno, ajeitando até mesmo o seu braço biônico para segura-lo. Olhei para ele e ele me encarou bem mais sereno do que antes.
- Acho que agora é uma boa hora... – Afirmei enquanto nos preparávamos para passar o menor. Ambos tentávamos praticar cada movimento com o maior cuidado do mundo, para não incomodar e nem machucar nosso filho. No começo, ambos hesitávamos, mas, fomos nos resolvendo e criando a confiança para que Alex finalmente pudesse tê-lo em seus braços. Quando percebi, estava com meus braços vazios, e Alex já estava com o cobertor verde-pastel envolvendo e ajeitando o mesmo para proteger o serzinho que era tão especial para nós.  
- Oi garotão... – Pela primeira vez ele consegue se dirigir ao bebê. Era maravilhoso ver ele olhando tão de perto o nosso amorzinho, enquanto dava alguns passos para frente e para trás, sorrindo enquanto aproximava ainda mais o pequeno de si. Chegou um momento em que, de tão próximo, as pequeninas mãos do menino estavam passeando sobre a barba de seu pai, aprendendo a usar de seu tato.
- ... Ele tem os seus olhos... - Disse-lhe enquanto descansava os meus braços e a minha alma depois do parto. 
-... Mas com certeza é bem parecido com você, por isso é tão bonito... - respondeu-me enquanto observava e zelava pelo nosso filho. Admito que aquele comentário fez-me rir por um momento, só Alex para dizer algo do tipo. Em um pequeno momento de desvio, o recém nascido quase começou a chorar por querer a atenção do progenitor só para ele – Acho que alguém já nasceu meio ciumento aqui, com certeza é filho da Giu... 
- Engraçadinho... – dei a minha resposta seguida de uma risada baixa.
- ...Já pensou em algum nome para ele? – O ex-militar me fita logo após a fazer esta pergunta.
- Não tenho nada em mente ainda... 
- ... O que você acha de Eddie?... – Ele me pergunta enquanto balançava a criança, a ninando - ... Eu pensei nesse nome pois... Durante a minha participação da Guerra do Iraque, o meu braço direito foi um tenente chamado Eddie, e lutamos juntos por muito tempo, até o fim dele em Bagdá...
- ... Eddie.... – Repeti aquele nome por um momento. A sonoridade daquele nome agradava os meus ouvidos, e também, agora tinha um peso emocional sobre ele - ... Adorei o nome... 

Bem-vindo ao nosso mundo Eddie...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...