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História Little Things - Capítulo 5


Escrita por: sincemay96

Notas do Autor


Oi genteee
Primeiramente, desculpem a demora, eu fiquei um pouco doente. Mas a noticia boa é que fiz um capítulo maior.
Guys, esse capítulo tá muito legal, eu gostei muito de escrever.
A música é algo que se encaixou perfeitamente aqui. É sempre opcional ouvir, mas cara essa música vale muito a pena.

I found - Amber run

Capítulo 5 - I found


 

Cap 5

Pov Emma

- Anda Emma vamos. - Era a terceira vez que Ruby me chamava, me apressando para o cinema com nossas professoras.

Eu demorei muito para encontrar uma roupa confortável e que me agradasse ao mesmo tempo. Não sei por que estava tão nervosa, eram só Regina e Zelena, certo? Por fim eu estava usando uma calça preta com rasgos nos joelhos, dois shorts de compressão por baixo, uma blusa de botões vermelha xadrez e uma jaqueta de couro preta por cima. Ruby estava vestida para acabar com Zelena. Uma meia calça por baixo de um vestido marsala que delineava todo seu corpo. Cabelos soltos e uma maquiagem que destacava seus olhos.

- Se você não fosse uma irmã Rubs, eu te pegava.

Ruby estava mais uma vez olhando para sua amada através da minha janela. Ela ficou pendurada ali o dia todo enquanto eu estudava.

Nós demos mais uma última espiada na janela secreta e chamamos um uber até o local marcado. Preferíamos as encontrar lá, do contrário elas saberiam que somos suas vizinhas, e esse é um trunfo que queríamos ter na manga. Era um endereço fora da cidade, imaginei que Zelena e Ruby não queriam ser reconhecidas. Bem, eu mesma odeio sair na rua e ver gente que conheço, então não contestei.

O lugar não era um cinema tradicional dentro de um shopping. Era um daqueles cinemas onde você para o carro e o telão está lá na frente, e particularmente este, era perto da praia. Bastava caminhar alguns metros para se estar pisando na areia. Era lindo. Decorado com luzes leves amarelas espalhadas pelo local dando um ar rústico e romântico. Eu estava perdida admirando o local quando Ruby puxa meu braço.

- Aquele é o carro da Zel.

Era uma picape preta. Perfeita para podermos deitar na parte traseira para assistirmos ao filme. Zelena estacionou de ré, deixando a parte traseira direcionada ao telão e nós fomos até o carro e lá estavam as irmãs Mills saindo.

- Boa noite senhorita Luccas, senhorita Swan. – Regina nos cumprimentou com um aceno de cabeça.

- Boa noite professora Mills. – Retribui.

- Não estamos na escola Emma, me chame de Regina, ok?

 Sorri com aquilo.

- Está bem.

- Oi gatinha!! – Zelena deu um super abraço em Ruby. – Uau, como você tá gostosa. – Acho que ela tentou falar baixo a última frase, mas eu e Regina ouvimos. Ela arqueou as sobrancelhas para mim.

- Você sabia sobre essas duas? – Regina me perguntou e eu neguei.

- Só descobri recentemente. – Respondi olhando para as duas que agora retiravam cobertores do carro para colocar na parte traseira. - Acha que isso vai dar certo, ou terei que catar os caquinhos da minha amiga? – Perguntei enquanto as duas pegavam as guloseimas e se acomodavam. Regina respirou fundo.

- Acho que Zel gosta muito da senhorita Luccas, mas minha irmã é cabeça dura. Tem medo de se entregar sabe. - Percebi que eu compreendia e partilhava do medo de Zelena.

- É, acho que eu entendo. – Regina me olhou confusa e eu abaixei a cabeça envergonhada. Ela pôs a mão sob meu queixo e levantou meu rosto.

- Acho que você não tem nada para se sentir insegura querida. – Ow, isso foi um elogio?? Oh se ela soubesse. – Vamos o filme vai começar.

Olhei em volta e as luzes já tinham sido apagadas e os trailers passavam no telão. Me perdi tanto naquela pequena conversa com Regina que nem notei. Ao subirmos na picape, as meninas tinham colocado vários travesseiros e cobertores. Havia também pipoca e doces de todos os tipos. Zel estava deitada em um canto grudada em Ruby, deixando um espaço para mim e Regina. Eu me sentei com as pernas cruzadas e Regina se sentou ao meu lado pegando um balde de pipocas que dividiu comigo.

O filme era um suspense sobrenatural até interessante. O problema é que o perfume da mulher sentada ao meu lado estava me inebriando tanto que era difícil me concentrar. Regina era, sem dúvidas, uma mulher linda. Seus cabelos acima dos ombros lisos e brilhantes, suas feições, seu batom vermelho. Eu sempre gostei de observar os detalhes, e durante as aulas, eu me pegava reparando demais em Regina. Era uma admiração sem igual. Eu queria ser como ela algum dia.

Ela parecia ser uma mulher reservada, contida, dona de uma inteligência incomparável, e ainda assim, uma mulher doce que já havia sido machucada pela vida. Ela não era o tipo de professora fechada, que evitava manter relações de amizade com seus alunos, mas ao mesmo tempo, mantinha certa distância como se tivesse receio de que alguém poderia machucá-la novamente.

- Sabe, eu e minha irmã já viemos aqui assistir a esse filme um monte de vezes.

A olhei surpresa.

- Por que vieram de novo então? – Regina deu de ombros.

- Ela queria se reconciliar com Ruby, e bem, acho que o filme era a última coisa na mente dela. – Ela indicou o casal ao nosso lado e eu, pela primeira vez na noite, prestei a atenção nelas.

Ruby e Zelena estavam em um beijo apaixonado. Apaixonado até demais para um lugar onde não estavam sozinhas. Elas tinham puxado uma coberta sobre seus corpos, mas eu podia ver suas pernas entrelaçadas, e tinha medo até de imaginar o que acontecia ali embaixo.

- Você quer hm... – Comecei receosa me dirigindo a Regina. – Deixar elas sozinhas?

- Quero, apesar de que se sairmos, elas vão ultrapassar os limites do que é permitido em público. – Ela respondeu com uma risada.

Discretamente, saímos da picape e fomos em direção à praia. Era uma noite fria e bonita. A lua estava cheia e iluminava todo o caminho. Ao chegarmos na praia, retirei meus sapatos sob o olhar intrigado de Regina.

- O que? Andar na areia descalça é a melhor sensação do mundo.

- E se tiver um caco de vidro na areia? Você pode se machucar.

- Acho que vale o risco. – Me levantei e fechei os olhos sentindo a areia entre meus dedos. – Vamos lá Regina, é bom, confia em mim.

Ela hesitou por um momento, mas por fim retirou os sapatos se juntando a mim.

- Ai que coisa esquisita. – Ouvi ela dar uma gargalhada e fiquei em transe por um momento.

- Espera, você nunca andou descalça na areia? – Ela pareceu sem graça.

- Minha mãe era superprotetora. Ela morria de medo de pegarmos alguma doença. – Regina olhava para os próprios pés sem acreditar que estava fazendo aquilo.

- Gostou?

- Sim. É realmente bom. – Ela se sentou na pedra e eu fiquei em pé admirando seu sorriso discreto.

- Vem vamos dar uma volta. – Estendi minha mão para ela.

 

Pov Regina

Ao pegar a mão de Emma eu percebi que ela era uma pessoa tão diferente. Eu me sentia leve ao seu lado. Ela era espontânea, graciosa e livre de uma forma que eu sempre quis ser.

- Uau, a lua está linda hoje.

Balancei a cabeça em negação. É exatamente disso que estou falando. Ela reparava na lua, nas folhas, nas estrelas, em coisas com as quais quase ninguém se importava. Olhei para o céu, e realmente a lua estava linda, em seu auge da fase cheia. Sorri para ela.

- Sabe existe uma lenda de que tudo o que brilha muito é solitário. – Ela continuou ainda encarando o astro acima de nós. – Veja só a lua, quando é fase de lua nova, você consegue ver as estrelas bem próximas a ela. Mas quando a lua está cheia, com seu brilho máximo, ela cria esse halo em volta e é como se ele repelisse as estrelas. Como se ela precisasse ficar sozinha para refletir sua luz sobre o mundo.

- Assim como o sol. – Completei seu raciocínio. Ela sorriu assentindo.

- E é assim também com as pessoas. Dizem que as pessoas mais solitárias são as mais gentis. – Eu sorri porque aquilo se encaixava perfeitamente na personalidade dela e duvido que Emma tinha consciência disso.

Nós seguimos caminhando pela areia fria e devo confessar que aquilo tudo parecia surreal demais para minha mente. Mas era bom. Era libertador.

- Oh tinha tanto tempo que não vinha à praia. – Emma disse antes de sair correndo em direção à água. Me espantei, ela não vai entrar, não é?

- Emma o que está fazendo? Você é louca? – Tentei correr atrás dela, mas era difícil correr na areia solta.

Ao chegar perto da água ela parou, eu tentei parar ao seu lado, mas escorreguei na areia molhada e fechei os olhos esperando o impacto. Este que não chegou porque a menina me segurou a tempo. Emma tinha as mãos em volta da minha cintura me abraçando por trás. Estava tentando não pensar na sensação dos braços dela no meu corpo, na sensação do corpo dela no meu, para ser mais específica. Céus, acho que fiquei sozinha por muito tempo. Enfim, se ela não tivesse me segurado, eu teria caído direto na água da beira da praia. Vamos nos concentrar nisso.

- Cuidado. – Ela sussurrou trêmula perto do meu ouvido e eu senti algo se derreter dentro de mim. – Você está bem? – Perguntou me soltando.

- Estou. – Respirei fundo. – Obrigada senhorita Swan.

- Hey, se eu devo te chamar de Regina, você também tem que me chamar de Emma, ok?

Sorri envergonhada por ter sentido algo inapropriado com minha aluna.

- Por que você veio correndo afinal? – Ela fez uma expressão de criança sapeca.

- A segunda coisa melhor que andar na areia, é andar na beira da água à noite. – Ela é inacreditável.

- A água é gelada Emma.

- Não é não. Ela fica quentinha durante a noite, vamos venha ver.

Novamente a mão dela estava ali, me chamando para fazer alguma loucura. E eu, sendo uma pessoa que viveu presa por anos e agora estava sentindo o gosto da liberdade, aceitei de prontidão.

- Oh. Emma isso é incrível. – Ela tinha razão. A temperatura da água era quente. Ela sorriu para mim. Deus que sorriso lindo ela tem.

- Eu te disse.

Nós seguimos caminhando por ali até que vimos que já estávamos longe do cinema. Não havia quase ninguém na praia àquela hora. Em determinado ponto decidimos parar, estendi meu cachecol na areia e nos sentamos nele. Emma parecia feliz, satisfeita. Ela olhava para o horizonte como se tivesse alcançado a plenitude da vida. E eu só conseguia admirar aquilo.

- Como você faz isso? – Perguntei e ela me olhou confusa.

- Faço o que?

- Isso... você observa coisas que ninguém se importa, você faz um simples caminhar na praia se tornar algo incrível e cheio de sensações boas.

Ela estava vermelha.

- Ah bem... eu não sei. – Continuei a encarando. – Acho que... acho que eu não tive as diversões digamos normais da vida. – Ela faz aspas com as mãos. – Eu nunca fui de ter muitos amigos ou sair para festas, beber e essas coisas. Então eu passava muito tempo sozinha e – Ela respira fundo. – E eu precisava achar coisas que me mostrassem a beleza do mundo, que a vida vale a pena. Coisas pelas quais viver, entende.

- Sim, eu entendo. – Oh como eu entendia. Por algum motivo, eu queria me abrir com ela.

- Entende? – Assenti e respirei fundo olhando para o céu.

- Há dois anos, eu estava noiva. Daniel e eu nos apaixonamos rápido e intensamente. Tínhamos acabado a faculdade e o mundo estava à nossa frente. – Emma me olhava atentamente. - Eu engravidei, e ele me pediu em casamento. Tudo estava certo, nós já havíamos até escolhido o nome do bebê, seria uma homenagem a meu pai, Henry. Ou caso fosse uma menina, seu nome seria Elise. Mas nós dois queríamos um menino. – Ela sorriu para mim admirada. – Bem, certa noite estávamos voltando da casa dos meus pais. Estava chovendo muito. – Minha respiração ficou intensa e me senti tonta. Nunca tinha falado sobre aquilo com ninguém. – A pista estava escorregadia. Daniel dirigia com cuidado, mas... – Minha voz falhou. - O motorista que vinha na nossa direção não. – Meus olhos queimaram com as lágrimas que chegavam. Aquilo estava preso há tanto tempo. Me sufocava. Precisava sair.

- Regina, você não precisa continuar. – Emma disse enquanto me olhava preocupada e passava uma mão em minhas costas me dando conforto.

- Tudo bem Emma, eu preciso falar sobre isso alguma hora. – Ela assentiu e eu continuei. – Daniel jogou o carro para o lado para evitar a batida, mas acabamos saindo da pista e o carro caiu pela encosta. Eu quebrei um braço e uma costela e Daniel... bem ele não resistiu.

- E quanto a Henry? – Emma perguntou e aquilo foi o que faltava para eu me derramar. Chorei, chorei como não chorava há muito tempo.

Emma me abraçou forte, sem dizer nada, apenas deixando que eu colocasse tudo para fora. Eu nunca havia conseguido dizer aquilo em voz alta. Era como se eu falasse, aquilo realmente se tornasse realidade, mas ao mesmo tempo saísse de dentro de mim, me permitindo respirar. E céus, aquela dor era demais. Depois de alguns minutos minhas lágrimas foram cessando, mas ela não me soltou. Eu precisava desabafar sobre aquilo alguma hora, estava guardado há tanto tempo dentro de mim.

- Bem, eu perdi o bebê. – Eu contei por fim.

Emma limpou minhas lágrimas delicadamente com um lenço que tirou do bolso.

- Foi assim também que conseguiu essa cicatriz sexy? – Ela disse olhando para minha boca, e por um momento eu não soube dizer se ela estava flertando comigo ou tentando mudar de assunto. Soltei uma risada.

- Bem, não. Consegui ela subindo em uma macieira que tinha na casa de minha mãe. Eu tinha feito bagunça e minha mãe estava me procurando para me colocar de castigo, então decidi me esconder na árvore. Mas escorreguei e caí.

Aquilo arrancou uma risada dela. Emma continuou me olhando admirada e me abraçou novamente. Quando me soltou, olhou no fundo dos meus olhos.

- Eu estava certa, você é uma pessoa de lua cheia. Triste e solitária, mas que emana uma luz incrível para o mundo. Você é uma mulher extremamente forte. Nunca se esqueça disso. – Oh então ela estava me comparando com a lua. A olhei por um momento perdida em seus traços. Mas quando percebi o que seria capaz de fazer naquele momento, me repreendi.

- É exatamente isso que queria dizer. Eu entendo o que é precisar de algo que te convença que o mundo ainda é bonito. E entendo também o fato de que você tome um remédio pra te ajudar nisso. – Me referi ao comprimido que ela tomou aquele dia enquanto conversávamos debaixo da árvore na escola.

- Bem, às vezes precisamos de uma ajuda química, não é? – Ela parecia constrangida.

- Emma, eu não sei ainda sobre os seus motivos, mas posso te garantir que você é uma pessoa incrível e o modo como você vê o mundo é único, é algo admirável. – Me viro para ela. – Obrigada por me mostrar um pouquinho do seu mundo hoje. Eu adorei.

Eu segurei suas mãos, e ela sorriu para mim.

- Bem, se você quiser, posso te mostrar muito mais. E conhecer um pouco do seu também, se me permitir, é claro. – Céus eu nunca conheci alguém tão doce.

- Claro, eu adoraria.



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