História Little Toy - Capítulo 15


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bts, Flex!taekook, Hoseok, Jikook, Jimin, Jin, Jinkook, Jinmin, Jungkook, Kooktae, Kookv, Long-fic, Mas Vkook É O Endgame, Namjoon, Otp, Quase Surubangtan, Ship Flop, Taehyung, Taekook, Taeseok, Tem Todos Esses Ships, Vhope, Vkook, Yaoi, Yoongi, Yoonjin, Yoonkook, Yoonmin, Yoonminkookjin, Yoonseok
Visualizações 623
Palavras 4.798
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Dia 7, como prometido YAY
Se eu falar que já tinha esse capítulo escrito mesmo antes de postar o outro, vocês brigariam comigo?
ASDHASDHAUSDUASD

Have fun~~~

Capítulo 15 - Toys shouldn't Like Addicts


O garoto de madeixas roxas nem tinha batido a porta de casa ainda quando ouviu uma voz melódica chegar até si:

– Bom dia, hyung.

Apesar de ter se enrijecido pela abordagem repentina, após alguns segundos reconheceu o timbre familiar do dongsaeng e logo deixou que seu corpo relaxasse. Ou não. Taehyung se virou para analisar o outro que sustentava um sorriso caloroso, ombro esquerdo apoiado nas grades do portão e ambas as mãos nos bolsos da calça de lavagem clara que usava.

Era uma imagem assustadora.

Não que ele temesse Jungkook.

Pff, Jungkook era só um pirralho.

O Jeon ainda guardava dezenas de brinquedos no seu quarto, fazia birra para os pais quando queria alguma coisa – isso se estivessem em casa e não viajando pela Ásia inteira – e tinha uma mania de grandeza sobrenatural.

Deveria ser fácil sustentar o pensamento de que ele era só um pirralho com todos os fatos citados acima. Taehyung, inclusive, com muita dedicação, fazia questão de se recordar deles todos os minutos em que via o garoto chamando sua atenção.

Mas não era fácil, porque a imagem de Jeon Jungkook tinha se tornado assustadora e um potencial perigo iminente. Não no sentido de deixar alguém horrorizado, ou simplesmente levar crianças a terem insônia e fazer xixi nas calças. A questão era que o adolescente colocava medo na sanidade de Taehyung; fazia com que todo o teatro de “pirralho mimado e megalomaníaco” fosse para os ares junto com as casinhas de palha e madeira que o lobo mau dos três porquinhos soprou.

O lobo mau, na realidade fora das histórias infantis, era o próprio Jungkook. Como ele ousava destruir toda a imagem tão bem construída – durante anos – que Taehyung tinha dele com apenas um sopro – uma noite?

Talvez os materiais que foram usados na estrutura da casa fossem fracos e instáveis, não tão fortes quanto Taehyung achou que seriam? E então alguma hora tudo iria voltar ao chão, acabando com a farsa?

Claro que não.

Taehyung se negava.

O que ele via de diferente no dongsaeng neste exato momento também? Nada.

Porque Taehyung se negava a isso também.

Obviamente que não tinha nada a ver com começar a notar melhor os traços delicados, mas bem marcados do rosto de Jungkook. Ou então se pegar, acidentalmente, admirando o cabelo sedoso, os olhos grandes e brilhantes, a boca com um tom avermelhado natural e, bem, o corpo forte que o rapaz demorou anos construindo na academia. E nas caminhadas matinais de ida e volta da escola acompanhando Taehyung pela cidade inteira – mais de oito quarteirões sofridos só da casa dele até a do Kim.

Se esse discurso fazia sentido? – Se sentir ameaçado sem reconhecer ameaça? Ficar preocupado com algo que era bobagem? Se abalar sendo que nada havia mudado?

Não diante dos olhos de qualquer um, muito menos na própria mente de Taehyung.

Mas era mais fácil só negar e fingir que as coisas estavam bem, quem sabe suas loucuras passassem e tudo voltasse ao normal?

Afinal de contas, seu coração ainda estava doendo por causa de Hoseok – mesmo que não tanto quanto nos primeiros dias. Talvez essas emoções conturbadas apenas estivessem ajudando a confundir sua cabecinha.

Taehyung, depois de fazer as pazes com seus próprios pensamentos, desceu a escadinha da frente e foi em direção ao portão. A bolsa com os materiais pesava suas costas, mas era uma distração para qualquer outra ideia absurda que ousasse cruzar sua linha de raciocínio novamente.

Abriu o portão e viu Jungkook desencostar do apoio, ficando um pouco mais alto e jogando na cara, mesmo que silenciosamente, que era do mesmo tamanho do mais velho. O Kim foi para fora, franziu a testa e fechou o cadeado.

– Bom dia? – Finalmente respondeu, vendo que o outro não pararia de lhe encarar com aquele sorriso maldito no rosto até que o fizesse. O tom, entretanto, saiu incerto. O sorriso, já citado, maldito, novamente atrapalhou seus pensamentos.

E lá ia toda a história do lobo mau e os três porquinhos de novo.

Jungkook, ignorante em relação ao turbilhão de efeitos que causava no mais velho, teve a ousadia de aumentar ainda mais a curvatura dos lábios, exibindo seus dentes brancos e relativamente pequenos, com uma pequena falha de alinhamento que era, sem dúvidas, um charme.

Você leu charme?

Não, Taehyung quis dizer que era uma esquisitice.

Bem fácil de confundir as duas palavras.

E enquanto o Kim enfrentava seus paradoxos mentais, o Jeon se encontrava em sua perfeita paz de espírito. Depois de uma semana de noites mal dormidas e sonhos mais quentes que o obrigavam a ir direto ao banheiro depois de abrir os olhos, no dia anterior finalmente adormeceu poucos minutos depois de deitar a cabeça em seus travesseiros, acordando com a coluna relaxada e o coração leve – tudo bem, ele ainda teve que ir ao banheiro, mas não era exatamente um grande problema.

Ter seu brinquedinho de volta consigo era como se o mundo tivesse voltado a funcionar novamente. E Jungkook criaria uma redoma sobre Taehyung se fosse necessário, apenas para manter ele ao seu lado, protegê-lo de qualquer ameaça externa que tentasse acabar com o lindo laço que compartilhavam. Ele não queria que as coisas desandassem novamente.

Taehyung, todavia, parecia um tanto perturbado no momento.

– Está tudo bem? – Perguntou quando começaram a caminhar em direção ao colégio. O Kim não estava nem chutando pedrinhas, o que era bem costumeiro.

Ele assentiu lentamente, mas a cara continuava enfezada:

– É estranho você voltar a me acompanhar. Mas, ao mesmo tempo, parece que foi ontem o último dia que andamos juntos.

Jungkook teve o coração retumbando dentro do peito, sendo impossível de controlar que mais um sorriso fácil se desenhasse no rosto.

– Não acho estranho. Apenas parece certo.

E incrivelmente necessário, porque ele andou oito quarteirões respirando o ar mais puro e leve que seus pulmões já tomaram. Suas pernas tinham sentido muita falta da distância.

Um silêncio pesado caiu entre os dois durante uns cinquenta passos. Sim, o Kim tinha contado enquanto decidia se deveria tocar no assunto ou não. Como era possível ver pelo número, ele estava bem indeciso.

– Dongsaeng. – Por fim, o chamou. Sem apelidos pejorativos ou tons brincalhões.

Jungkook respondeu com o olhar e sua atenção total, quase parando os passos. Ele captou a seriedade na face alheia e aliou ao timbre controlado e puro de qualquer tipo de malícia. Não pôde negar que temeu o assunto, já que era meio óbvio sobre o que o Kim queria falar.

– Sobre a noite em que dormimos juntos, – o arroxeado suspirou após as palavras desentalarem da garganta, – podemos só enterrar no baú de coisas que nunca deveríamos ter feito, pensado ou...

– Desejado. – O mais novo pontuou a frase, não perdendo a oportunidade.

Porque Jungkook não era um cara de perder oportunidades.

O baú de coisas que nunca deveriam ter feito, pensado ou desejado, foi criado quando eram ainda criancinhas e que, impulsionados por sentimentos infantis de egoísmo, ganância e vontade de perturbar a paz alheia, acabavam magoando um ao outro. Era simples, um baú cravejado de silêncio, construído pela mente usando vergonha como material. Se colocassem naquele baú qualquer ato, ideia ou vontade que não deveriam ter cometido, imaginado ou sentido, criavam um pacto de perdão mútuo e discrição.

Tudo bem que até então só usaram para questões de biscoitos roubados, ofensas como “você é um idiota analfabeto” e brigas por ciúme infantil e infundado. Nada de noites de sexo, mas para tudo tinha uma primeira vez.

Jungkook começou a perceber. Na verdade, desde semana passada ele já tinha visto. Talvez Taehyung realmente estivesse magoado ou traumatizado, mas o Jeon sabia muito bem que não era o único que tinha aproveitado a noite. Existia algo o motivando a não parar de persistir porque, ao invés de ter voltado alguns passos naquele tabuleiro, sua intuição dizia que tinha conseguido avançar mais da metade de casas.

Era complicado jogar um jogo que não podia ser visto claramente, mas ele tinha uma certa experiência em blackjack e pôquer. A alma deste tipo de diversão eram as apostas, o fato de você não saber o que havia na carta do outro jogador – sendo que esta poderia ser sua fortuna ou miséria – e ainda assim agir de acordo com o apenas o que achava, e não o que tinha de certeza.

E ele apostava que os atos de Taehyung não eram de total descontentamento. Quem sabe nem o mais velho soubesse disso, mas aos poucos estaria começando a ver Jungkook como este queria ser visto. Seria ilusão do pobre coração apaixonado do Jeon? Talvez fosse.

Mas quem é confiante, aposta.

E quem aposta, arrisca.

– Podemos colocar no baú, Taehy. – Sua voz soou certa, ainda que baixa. Taehyung o observou com mais atenção para não perder suas palavras; o coração do arroxeado, no leve mencionar do assunto, já começava a perder o compasso. – Mas eu quero saber de algo antes.

O mais velho engoliu em seco e fechou os olhos.

Tudo bem, Taehyung. Está tudo bem.

Ele se preparou e então assentiu silenciosamente. Jungkook sorriu de canto, a curvatura mal sendo percebida pela suavidade no ambiente cheio de atrativos visuais – as árvores grandes e floridas, carros passando rapidamente e algumas poucas pessoas andando de cá pra lá. O mais novo contou poucos segundos até segurar forte na mão do outro e rapidamente jogar suas costas contra uma parede de tijolos de alguma casa aleatória.

Taehyung perdeu o ar e mal viu o que aconteceu quando rodopiou e quase foi de encontro ao seu dongsaeng contra a superfície vertical. Por reflexo, apoiou as mãos no muro, parando a poucos centímetros do rosto do melhor amigo. Jungkook sorriu um tanto atrevido enquanto era encurralado e se encontrava no meio dos braços de um Kim em completo choque.

– Você é louco? – O mais velho exclamou sentido a dor do impacto atingir seus braços e a tontura ainda continuar rondava sua cabeça. Ele continuou parado, o corpo ainda se recuperando do susto.

Jungkook ignorou a reprovação das próprias costas e o outro desestabilizado, apenas manteve o sorriso no rosto:

– Você repetiria?

– O quê? – Os olhos do Kim se arregalaram, o choque ficou ainda mais estampado em seu rosto. O cérebro, tentando se recuperar de muita coisa em pouco tempo, tropeçou nos próprios pensamentos. – C-como...?

Jungkook suavizou suas expressões, inclinando a cabeça mais para frente, fazendo os narizes resvalarem e Taehyung quase engasgar, as pupilas perdidas nas íris aproximadas de Jungkook – um caleidoscópio hipnotizante.

– Eu perguntei... – Os olhos do moreno desviaram para baixo, observando os lábios do mais velho tão perigosamente perto dos seus –  ...se você faria sexo comigo de novo, Taehy. – E então as pupilas subiram de novo, apenas para enxergar os olhos alheios se alargarem mais ainda, quase saltando das órbitas.

Dessa vez Taehyung finalmente acordou para a vida e começou a se afastar cambaleante e desesperado, quase como se Jungkook pudesse queimá-lo com um mínimo toque. Sentiu as bochechas quentes e imaginou que elas estariam coloridas com um vermelho forte naquela hora em que ele ainda duvidava do que seus ouvidos escutaram.

– Ficou maluco? Cl-claro que não. – O discurso rompia pela sua boca, os olhos piscando rapidamente e a cabeça balançando. – Isso é loucura, seu... – Taehyung nem conseguiu pensar em qualquer xingamento apropriado, ele estava começando a se odiar diante do olhar bem humorado do outro e a queimação persistente nas suas bochechas. – ...filho de uma figa.

Jungkook continuou parado, costas apoiadas no muro e então, braços cruzados. A cabeça se inclinou e os olhos continuavam atentos nas reações nervosas do mais velho. Seu coração se encheu e ele teve certeza. O sorriso aumentou lindamente em seu rosto.

É, ele tinha avançado mais da metade do tabuleiro.

– Era brincadeira, hyung. Eu só queria ver sua reação. – E uma gargalhada fácil brincou na sua garganta, o fazendo ganhar um olhar raivoso do mais velho que continuava sem jeito e vermelho.

– Isso é ridículo, seu escravo desgraçado de Lilith.

– Vamos logo ao colégio. – O Jeon, ainda rindo, desencostou do muro e ajeitou sua mochila que tinha sido esmagada com o impacto.

Ele viu o olhar do outro se tornar ainda mais irado.

– Agora você fala com se a culpa fosse minha, já estaríamos lá se não fossem suas brincadeiras estúpidas e sem o mínimo pingo de noção.

– Só siga em frente, Taehy.

Claro, seguir em frente. Era o que Taehyung estava sempre planejando fazer, mas de alguma forma, o desgraçado do seu dongsaeng fazia questão de bagunçar tudo. Mas isso era o que pirralhos faziam, o que apenas comprovava ainda mais o fato de o Jeon ser um.

Exatamente, só um pirralho – que o deixou com uma maldita e nada bem-vinda queimação nas bochechas.

-# LT #-

– Então tudo voltou ao normal. – Foi a primeira coisa que Yoongi disse assim que Jungkook e Taehyung se aproximaram dos três little toys sob a marquise do colégio, esta que ultrapassava as grades e fornecia uma cobertura completa na calçada.

No caso, não fazia sol ainda, então tinham poucas pessoas por ali, entre elas, os little toys. Parecendo terem recuperado a aura etérea que possuíam antes, ninguém mais ousava ficar perto deles. Então o ambiente era formado por Yoongi, encostado na grade e mascando um chiclete de menta, devidamente vestido com tons monocromáticos de roxo; Jimin, sentado no chão enquanto terminava alguma tarefa que tinha se esquecido de fazer, dessa vez usando uma blusa de frio rosa e com pompons brancos despencando dos dois bolsos frontais; e Seokjin, usando um terno com corte mais elegante do que o normal, tomando algo fúcsia da garrafa de canudo.

– O que seria anormal? – O Kim perguntou com olhos estreitos.

Seokjin afastou o canudo dos lábios cheios e matizados de laranja suave.

– Vocês separados. – Respondeu pelo Min, franzindo a testa para a garrafa rosa em suas mãos e então descendo olhar para o Park que estava concentrado em suas lições de álgebra. – Até que esse suco de framboesa é bom.

Jimin ergueu os olhos, agradecendo por ter sido tirado daquelas contas horríveis.

– Não é? Eu só tinha ficado com medo que tivesse algum boa noite Cinderela no meio, mas parece que ‘tá limpo. – Ele disse sem um pingo de vergonha, afinal, era perigoso tomar algo que ganhou de desconhecidos. Principalmente se a desconhecida era uma fã maluca que estava muito empenhada em se tornar little toy. – Também não acho que tenha qualquer outra droga, não ‘tá salgado nem nada.

Taehyung apenas trocou olhares com Jungkook que parecia estar tão alheio e confuso ao discurso do rosado quanto aquele. Seokjin pareceu igualmente reflexivo, encarando a garrafa com incerteza e Yoongi apenas sorriu. Jimin reviu sua fala no próprio pensamento e franziu a testa, abrindo a boca e a fechando, sem conseguir fala nada.

– É... Quero dizer, é o que falam nas reportagens. – Deu uma risada baixa e nervosa. – Gosto salgado e essas coisas. – Seu tom foi decrescendo aos poucos até que ele desistisse e abaixasse os ombros, começando a brincar com os próprios dedos como distração.

 Jungkook inspirou e arqueou uma sobrancelha.

– Jimin...

– E aí, pirralho. – Interrompendo sua fala, Namjoon chegou como um relâmpago de óculos escuros e mochila nas costas. Ele enganchou o pescoço do mais novo com seu braço e sorriu largo. – Vejo que já roubou de novo meu único amigo.

O Park rezou internamente em agradecimento; ele nunca esteve tão feliz em ter que voltar a fazer suas contas de matemática, quietinho no próprio canto. Taehyung, ao ser citado indiretamente, riu deixando que o humor soasse tão sarcástico quanto aquela frase era:

– Você conversa com todo mundo, Namjoon hyung.

Ele deu de ombros.

– De fato, mas os outros são apenas colegas. Laço que eu tenho orgulho de chamar de “amizade” é só entre a gente, ‘saeng. – E para o final arrebatador, ele uniu o polegar e o indicador para formar um coração.

Jungkook começou a sentir o peso do braço em volta da sua nuca e fez careta, removendo rapidamente o garoto folgado de perto de si. Estralou o pescoço algumas vezes, massageando a parte que ficou pesando. Por que aquele garoto tinha que começar a perturbá-lo logo pela manhã? Não faltavam ainda nem dez minutos para bater o sinal para a primeira aula.

– Enfim, eu preciso discutir umas paradas contigo, Jungkook. – Namjoon falou, o sorriso largo ainda sustentando as covinhas. O mais novo lhe dirigiu olhos estreitos. – Paradas relacionadas a eu preciso de nota em biologia. – A frase fez com que as pálpebras se afastassem ligeiramente. O azulado suspirou, seu tom se tornou mais forte no final, o sorriso intacto, mas não tão brilhante. – Por favor.

E então Jungkook entendeu tudo.

Ele crispou os lábios, a raiva voltando a se apossar do seu corpo como um filho que retornava para casa.

– Jinnie, Yoongie e Jiminie, fiquem com o Taehy e não deixem ninguém se aproximar de vocês. – Tinha um aviso claro em seu olhar que os little toys souberam ler muito bem. – Eu volto daqui a pouco. 

Taehyung ia reclamar, mas ele também não estava lá com tanta vontade de ficar sozinho. Não que ele tivesse passado apreciar a companhia dos garotos apenas depois de uma aula vaga, claro que não, mas depois de uma semana se enfiando em tudo quanto é canto que fosse vazio e solitário, o Kim sentia falta de um pouco de força vital ao redor.

Jungkook saiu com Namjoon em seu encalço, os dois passando pelo portão da escola e entrando na construção, desaparecendo da visão de qualquer um.

Depois que os dois se ausentaram, um clima silencioso e não tão desconfortável assim recaiu sobre o grupo. Jimin já estava em sua penúltima questão, Yoongi mexia nas redes sociais do seu celular de última geração que ganhara recentemente do seu mestre e Jin, bem, ele continuava olhando com dúvida para a garrafinha emprestada.

O little toy finalmente levantou os olhos, encarando Taehyung e abrindo um sorriso gentil.

– Você não quer um gole? Ou dois? Ou o resto do suco inteiro?

Ele abriu a boca enquanto analisava o aspecto do líquido empelotado e com cor atraente, um arroxeado misturado ao rosa.

– Obrigado, eu dispenso.

Seokjin voltou a olhar para a garrafinha e fez um muxoxo, se abaixando para guarda-la na bolsa de Jimin. Depois do assunto das drogas e das memórias da garota maluca, ele tinha ficado um pouco desconfiado.

Yoongi guardou seu celular no bolso, entediado. Ele olhou para frente e estreitou os olhos, o chiclete parando em sua boca e os músculos sem se atreverem a fazer qualquer movimento. Taehyung, curioso e igualmente entediado, se virou, seguindo com as pupilas o que tinha despertado curiosidade no campo de visão do little toy.

– Aquele ali é o Hoseok hyung? – Sua voz pronunciou em um rompante de alegria, mas que logo foi substituído por melancolia e um tom quebrado.

O garoto de cabelos alaranjados estava parado na outra esquina, olhando para os lados antes de atravessá-la. Com passos largos e cabeça inquieta, parecia mais apressado do que o normal. Quando ergueu o rosto e viu a frente do colégio, seus olhos se iluminaram e ele aumentou a velocidade nos pés.

– Taehyung, nós precisamos ir. – Yoongi ditou e simplesmente puxou o mais alto pelo braço, sem se importar em ser suave.

O Kim lutou contra a ação, entretanto. Ele firmou os pés no chão e dirigiu um olhar questionador para o Min, alguma ira dançando nas íris do arroxeado.

– Ir para onde? – Seu olhar logo voltou para Hoseok, este que acenou à distância. Os cabelos laranja balançavam com o vento conforme seus passos pareciam ficar mais famintos. – Acho que Hoseok hyung quer falar comigo.

Yoongi o olhou com intensidade, incredulidade se apossando da sua testa e franzindo-a.

– E você quer isso? Depois de ele ter rejeitado seus sentimentos tão friamente?

O garoto ficou com mais raiva ainda, os dedos delgados segurando seu braço começaram a distribuir uma coceira incômoda na pele. Ele tentou se livrar do aperto, mas Yoongi tinha mãos fortes.

– Como você sabe- Esquece, não é porque ele não corresponde meus sentimentos que eu deva continuar fugindo. – Taehyung falou com dor na alma, porque era isso que ele tinha feito a semana inteira: evitado o garoto de cabelos alaranjados apenas porque estava se sentindo desiludido. Criando uma raiva injusta dentro de si, que não deveria ser direcionada ao Jung, não era culpa dele não ter se apaixonado.

Yoongi ia protestar, mas para a surpresa do Kim, Seokjin se aproximou e tirou a mão do braço alheio, esticando suas mãos de encontro aos ombros do garoto abalado. O little toy puxou Taehyung em direção ao seu corpo, o resgatando em um abraço terno e respeitoso.

O arroxeado estava muito chocado para poder lutar ou falar qualquer coisa.

– Eu entendo sua dor, Taehyung-ssi. – E tão rápido como chegou, mais suave ainda do que quando o abraçou, Seokjin afastou Taehyung ligeiramente pelos ombros, passando a encarar o outro frente a frente. Seus olhos eram dóceis e o Kim mais novo continuava sem palavras. – Porém, não é certo você judiar do seu coração dessa forma. É uma ferida muito recente ainda, você tem que dar tempo a si mesmo para cicatriza-la antes de se expor ao perigo de novo. Eu vou te fazer uma pergunta e dependendo da resposta, não tentarei te segurar mais aqui.

– Jinnie- – Yoongi grunhiu, um aviso oculto na voz.

Tudo o que ele recebeu de resposta foi um olhar curto do outro toy, outro aviso.

Taehyung estava em um estado singular: sua respiração parecia se acalmar gradativamente, enquanto seu lado rebelde não conseguia ficar bravo com Jin. Aquele little toy desgraçado mantinha um sorriso afável demais e os seus dedos seguravam seus ombros como se eles fossem frágeis.

Jurou que tentou lutar e dizer coisas ríspidas ao outro, como “eu tenho direito à liberdade de vir e ir para onde eu quiser e não é você que vai me impedir por causa de uma resposta estúpida”, ele realmente formulou a frase inteira na cabeça, mas, de alguma forma, parecia impossível de dizê-la. Se odiou, mas não conseguiu fazer nada além de abaixar seus escudos e apenas escutar o que o Kim mais velho tinha a dizer.

Seokjin avaliou a quebra de resistência no outro e não se demorou em fazer a pergunta:

– Ainda dói muito?

Taehyung abriu a boca para dizer um “não”, mesmo que estivesse mentindo na cara dura.

– Sim.

Ele também jurava que era para sair um não.

Seokjin crispou os lábios e entregou um olhar explícito para Taehyung: não o deixaria ir com Hoseok. O arroxeado pensou em lutar mais um pouco, mas parecia que até seu próprio corpo queria fugir agora. O rompante de coragem ficava cada vez mais fraco conforme o ainda dono da sua paixão se aproximava da escola.

Ele tinha amor próprio, afinal. Havia ficado a semana inteira tentando juntar as partes do seu coração e fizera um trabalho precário, e isso sem ao menor trocar uma palavra com o Jung, imagina se abaixasse suas barreiras de novo? Era como esmurrar seu músculo cardíaco juntado com cola infantil: ia tudo se repartir de novo.

– Nós podemos ir para a sala de música. – Jimin sugeriu, brotando do além com sua tarefa completamente feita na mochila. – Só quem faz o extracurricular tem a chave.

Antes que o little toy terminasse a fala, Yoongi já levantou um molho de chaves prateado, brilhando com o reflexo do sol que começava a subir mais no horizonte.

Taehyung não teve tempo para pensar direito porque os little toys logo começaram a praticamente correr para dentro da escola. E com a mão de Seokjin nas suas costas, o fazendo andar com uma pressão controlada, quase gentil, ele não teve escapatória a não ser deixar seu sentimento de autopreservação vencer.

-# LT #-

Um boato começou a se espalhar na segunda aula. Taehyung não fazia ideia da origem dele, se foi de alguma aluna ou aluno do terceiro ano que comentou sobre o assunto com um colega de outra sala ao pedir para ir ao banheiro, ou então compartilhou por mensagens no celular. A questão é que, de alguma forma macabra, já que o Kim não tinha realmente muitos amigos, o assunto acabou chegando aos seus ouvidos e revirando seu estômago.

– Hoseok hyung foi expulso da escola? – vomitou as palavras que estivera ouvindo aos murmúrios a primeira parte da manhã inteira para a única pessoa que saberia confirmar se a informação era verídica.

Namjoon se assustou ao ter sido abordado tão subitamente, mas não poderia dizer que estava surpreso. Ele suspirou e abandonou a comida sem gosto da bandeja para se concentrar em um dongsaeng desesperado e angustiado, com as duas mãos apoiadas sobre a sua mesa e o rosto quase se fundindo ao seu.

Ele suavizou a curvatura das sobrancelhas e sorriu amarelo, ajeitando os óculos com a ponta dos dedos.

– Sente-se, Taehyungie. – Apontou para o lugar vazio à sua frente.

O Kim mais novo ficou possesso. Ele teve que aguentar mais de uma hora e meia de fofocas e incertezas sem ter como tirar a prova. O que mais queria era dar uma desculpa esfarrapada para poder vigiar a aula que o Jung estaria fazendo, mas não podia porque simplesmente não sabia os seus horários. Portanto, não pôde fazer nada além de algumas questões de biologia e química enquanto o clima de tensão pairava sobre todas as salas.

Alguns diziam que Hoseok tinha levado advertência, outros falaram que era bobagem – o Jung nunca se deixaria ser pego. A maioria, todavia, não negava: ele tinha sido expulso pelo próprio diretor.

Ainda assim, ninguém tinha confirmação de nada. Taehyung viu os minutos se arrastarem demoradamente enquanto esperava pelo intervalo para poder tirar sua dúvida, afinal, Namjoon conversava bastante com Hoseok e deveria saber de primeira mão.

E agora ele simplesmente lhe dizia para sentar?

– Me diga logo, hyung. Eu estou ficando louco com tudo isso. – Mesmo que contrariado, sentou. Só faltava demorar ainda mais para lhe responder apenas por frescura.

Namjoon suspirou e tirou os óculos escuros, colocando-os sobre a mesa. Taehyung sentiu-se desmoronar um pouco mais.

– Alguém denunciou Hoseok-ah para a direção na primeira aula. – Ouvir as palavras sérias acompanhadas ao tom pesado de Namjoon matou Taehyung por dentro. Ele teve vontade de sair xingando o mundo inteiro. O azulado manteve os olhos focados na comida da bandeja, mesmo que o arroz fosse o mesmo de sempre. – O diretor foi até a sala dele junto com um conselheiro. Eles abriram a mochila de Hoseok e- porra, eu sempre falei para ele tomar mais cuidado com o lugar que coloca as ervas. – Namjoon suspirou, a testa franzida e os dedos segurando o talher que brincava com as misturas no prato. – Enfim, acharam maconha na bolsa dele e já ligaram para os pais. Nem precisaram expulsá-lo, o próprio senhor Jung decidiu que o colocaria em um colégio militar. A escola disse que não vai comunicar a polícia, mas eu acho que os Jung tiveram que passar alguma grana para o diretor.

Taehyung sentiu a boca seca e o viu o terror diante dos olhos, imaginando a cena toda. Parecia que ele nunca seria pego, já que todos sabiam que Hoseok fumava – menos a direção –, e ninguém contaria porque ele era uma figura amada por todos. E mesmo sabendo que o uso recreativo da Cannabis sativa era completamente ilegal na Coréia do Sul, ele não pôde conter a raiva crescente em seu peito a respeito de quem teria entregado seu ainda-um-pouco-crush.

– E quem denunciou o Hoseok hyung? – A pergunta nem tentou ser contida pela garganta, saindo com tanta ansiedade quanto a anterior.

Contudo, Namjoon apenas balançou a cabeça e comeu uma colherada do arroz.

– Eu não sei, ‘saeng. – Disse com simplicidade, e Taehyung se frustrou, mas também não tinha tantas expectativas. O cara estaria sendo caçado agora se revelasse a si mesmo. – Mas ele conseguiu coletar algumas inimizades no decorrer desses anos, às vezes foi algum moleque que não conseguiu nenhum cigarro dele e ficou puto.

O arroxeado expirou o ar pesado dos seus pulmões, estava um tanto com raiva, outro tanto, triste. Namjoon sorriu reconfortante e passou sua sobremesa de limão para o amigo que parecia amoado:

– Come um bolo que tudo melhora. – Viu Taehyung abrir o pote com muito esforço em ser o mais lerdo o possível. – Como eu decidi matar aula só para averiguar o assunto, consegui falar com ele antes que fosse embora. – O arroxeado mal foi tocado por seus dizeres, continuava olhando o bolo como se pedisse para que ele o devorasse, e não o contrário. Namjoon aumentou o sorriso. – Hoseok disse que sentirá sua falta e que deseja apenas o melhor para você.

O outro deu um suspiro que apenas doeu ainda mais em si mesmo.

– Ele vai ficar bem, hyung?

Tomou um gole do seu suco e reviveu suas covinhas.

– Ele vai, ‘saeng.


Notas Finais


NOOO
WAIT
COMO ASSIM
HOSEOK FOI EXPULSO
WTF
e ainda antes de falar tudo™ para o TaeTae????
;-;

Espero que vocês tenham percebido o que aconteceu ali, porque não sou eu que vou dizer explicitamente ¯\_(ツ)_/¯

NÃO ME MATEM PLS, EU SOU MUITO NOVA PRA MORRER

Próximo capítulo no dia 7 de setembro?
Well, não ouvi nenhum tiro aqui perto
Acho que está tudo certo então
:D

XOXO


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