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História Lives Next Door - Taegi - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo 01


Fanfic / Fanfiction Lives Next Door - Taegi - Capítulo 1 - Capítulo 01

— Sou tão firme quanto uma minhoca — Mi Yoongi murmurou enquanto entrava em seu apartamento. Jogou a correspondência sobre uma mesa de canto e olhou para Chou.


— Não disse uma palavra ao Sr. Sullivan, não soltei nem um pio.


Chou, sua gata da raça abissínia, entrelaçou o corpo amorosamente nos tornozelos de Yoongi. O rabo dela se enrolou em volta de sua canela como um boá de penas, suave, macio e acalentador.


— Tive a oportunidade perfeita para pedir um aumento, e você acha que a aproveitei? — Yoongi perguntou, chutando o ar para que os sapatos voassem em direções contrárias.


— Ah, não, deixei-a passar. E sabe por quê?


Chou aparentemente não sabia. Yoongi tirou a capa de chuva de vinil verdebrilhante, abriu a porta do armário e a enfiou lá dentro.


— Porque sou um covarde, por isso!


Entrando na cozinha, ele abriu a geladeira, botou a cabeça lá dentro e ficou observando deprimentes sobras de comida, duas embalagens de comida chinesa e os bulbos de tulipa que ele pretendia plantar na sacada outubro passado.


— Estou morto de fome! — Ele abriu a gaveta de vegetais e pegou um talo mole de aipo.


— Você sabe qual é o meu problema, não sabe?


Chou miou e se esfregou nos tornozelos de Yoongi novamente.


— Ah, desculpe! Você também deve estar com fome. — Yoongi abriu o armário da cozinha e pegou uma lata de comida para gatos. Para sua surpresa, Chou não demonstrou nem um pingo de interesse, levantou o rabo e empinou o traseiro.


— O que está havendo com você? Sério, Chou, esse não é o momento para bancar a esquisita. Preciso conversar! — Levando seu talo de aipo consigo, foi até a sala e se jogou no sofá.


— Trabalho como um escravo, aguento todo tipo de hora extra sem receber nem um tostão por isso, aliás, e tudo isso para quê? O Sr. Sullivan não me dá valor. E ainda usa as minhas ideias de decoração. A pior parte é que ele nem se dá ao trabalho de me dar crédito. — Ele abocanhou a ponta do aipo e mastigou-a com se estivesse se vingando de algo. O talo balançou de um lado para outro com o ataque e, então, curvou-se lentamente para baixo.


Yoongi estudou o aipo.


— Parece comigo, de tão mole! — Sem conseguir ficar sentado, começou a andar pela pequena sala.


— Não tive aumento durante o ano todo em que trabalhei para ele, mas assumi muitas outras responsabilidades e completei projetos que ele não podia ou não queria fazer. Se não fosse por mim, o Sr. Sullivan não saberia o que estava acontecendo no próprio negócio. — Nesse ponto, ele já estava sem fôlego e furioso.


— Trabalho mais que ele, mas ele quem é o dono, por Deus!


Obviamente Chou concordava, pois soltou um gemido grave e choroso. Yoongi nunca havia tido um gato, mas, depois de um divórcio devastador, sentiu que precisava de alguém. Ou de uma coisa. Que veio a ser Chou. Ele avistou a gata pela primeira vez na vitrine de um pet shop, com um olhar desamparado. O irmão e a irmã de Chou haviam sido vendidos duas semanas antes e ela estava sozinha. Abandonada, a gata, já um pouco crescida, olhava, sem esperança e triste, o mundo passar diante de seus olhos.


Yoongi estava sofrendo com as mesmas emoções e, logo que se conheceram, os dois se tornaram amigos. Nada bobo, o dono do pet shop reconhecia uma boa venda de longe. Ele usou toda sua lábia para convencê-lo de que Chou era um ótimo investimento. Se ele a cruzasse e vendesse os filhotes, dentro de mais ou menos um ano, de acordo com o vendendo, o investimento original seria compensado. Yoongi não estava muito interessado em criações, mas parecia algo que deveria tentar. Ele queria companhia, e, depois de seu casamento desastroso, não queria mais saber de homens em sua vida. Um gato não mentiria para ele, não o trairia nem o faria sofrer. Peter, no entanto, havia feito tudo isso com uma precisão cirúrgica. Ah, o velho Peter! Ele lhe deveria agradecer por todas as lições preciosas que Peter o havia ensinado. Talvez um dia ele se lembrasse do casamento sem sentir aquele dor esmagadora. Peter prometeu amá-lo e respeitá-lo, e então anunciou, calmamente, em uma tarde de domingo, sem aviso prévio, que o estava deixando para ficar com outra pessoa. A tal da outra pessoa era um louro alto com olhos azul-piscina e um corpo voluptuoso. Yoongi analisou a concorrência, decidiu que não tinha nenhuma chance de ganhar a disputa e assinou o divórcio. Ah, houve outros


tipos de disputa, mas ele deixou seu advogado tratar disso e fez o máximo para ficar de fora. Assim que o divórcio saiu, cortou seus laços com a cidade, mudou-se para São Francisco, encontrou um trabalho que amava e recomeçou a vida.


Mais ou menos isso.


Dessa vez ele seria mais esperto.


Homens estavam completamente fora de questão. Pela primeira vez, estava se sustentando. Pela primeira vez, não precisava de mais ninguém; porque poderia acontecer tudo de novo: outro louro poderia destruir sua vida uma segunda vez. Era melhor não arriscar. Quem precisava desse tipo de sofrimento? Ele, não! Yoongi não estava se menosprezando. Com cabelos loiros esculpidos ao redor do rosto e os olhos escuros, parecia um boneco adorável. Ele não chegava a ter um metro e meio de altura, enquanto seu irmão, cinco anos mais velho, tinha quase um metro e oitenta. Ele nunca entendeu por que a natureza havia economizado tanto em sua altura. Após o divórcio, Yoongi ficou aos frangalhos e se sentiu perdido. Trazer Chou para sua vida o ajudou muito, tanto que achava ser possível viver sem a companhia de um homem. Sua gata era a companhia de que precisava.


— Tudo bem, tudo bem, você está certa — Yoongi disse, olhando para sua inquieta amiga felina.


— Concordo plenamente com você. Sou um covarde. O verdadeiro problema é que não quero largar esse emprego. Só quero ganhar o que mereço, que é bem mais do que ganho agora. — Ele saiu do divórcio com um acordo generoso. Caso contrário, estaria passando por um tremendo aperto. Chou concordou com um choramingar grave, diferente de qualquer som que já fizera antes.


Yoongi estudou a gata. — Você está bem, garota? Sua voz está estranha.


A gata empinou novamente o traseiro e saiu como um tiro pela sala para atacar seu rato de tecido. O que quer que a estivesse incomodando, havia passado. Pelo menos, Yoongi esperava que sim.


Resmungando para si mesmo, voltou à cozinha e reexaminou o conteúdo da geladeira. Não havia nada lá dentro que o deixasse com água na boca. As embalagens de comida chinesa estavam cheias de arroz duro e seco, e de um molho vermelho grosso que um dia havia sido carne de porco agridoce. A carne já não estava mais lá e o molho parecia gelatina de cereja. Os únicos itens comestíveis eram os bulbos de tulipa, não que pensasse na possibilidade de comê-los. Ele esperava se dar o luxo de celebrar seu aumento. A pizza do Domino era a coisa mais extravagante que conseguia pensar. Mas não estava celebrando nada naquela noite. Se quisesse jantar, teria de preparar alguma coisa.


O conteúdo dos armários da cozinha não estava promissor: algumas latas de sopa no meio de quinze latas de comida gourmet para gatos.


Sopa.


Sua vida se reduziu a uma escolha entre creme de cogumelo ou sopa de vegetais. Às cegas, pegou uma lata de sopa de vegetais. No freezer, havia uma embalagem de pão de fôrma. Suas opções de sanduíche se limitavam ao de pasta de amendoim com geleia ou queijo quente.


— Às vezes acho que odeio você! — As palavras atravessaram a parede da cozinha com tamanha clareza que parecia que a pessoa que as dizia estava a seu lado.


Yoongi suspirou. Seu vizinho, Kim Taehyung, e o namorado estavam brigando outra vez. Não havia sido apresentada a ele, mas tudo bem. O cara sofria de problemas graves com homens. Pelo que ouvia através da parede, parecia que o casal precisava de terapia desesperadamente. Yoongi evitava o vizinho como o diabo evita a cruz, apesar de Taehyung já ter tentado estabelecer contato inúmeras vezes. No entanto, tinha de lhe dar algum crédito: Taehyung não aceitava “não” como resposta tão facilmente. Com o passar dos meses, seus métodos se tornaram cada vez mais criativos. Taehyung tentou flores, recados presos à porta e, uma vez, tentou atraí-lo até seu apartamento com a oferta de um jantar. De todas as táticas, a promessa de uma refeição havia sido a mais atraente, mas Yoongi reconhecia uma encrenca de longe, então, resistiu bravamente.


Sair com Taehyung estava fora de questão, principalmente porque ele já estava envolvido com outra pessoa. Yoongi perdeu a conta das vezes em que pôde ouvi-lo discutir com o namorado. Em algumas noites, teve de ligar o rádio para abafar o barulho.


Como era educado e preferia evitar problemas, nunca reclamou. Yoongi era o tipo de pessoa que deixava que os outros passassem por cima dele.


— Antes eu não era mole assim — ele se queixou para Chou.


— Foi nesse último ano que perdi a autoconfiança. Gostaria de culpar o Sr. Sullivan, mas não posso. Não quando sou eu o culpada. Você pensa que é fácil, que é uma coisa pequena, pedir aumento, né? Mas não é, e, para piorar, fico me sentindo como o Oliver Twist.[1] Ao menos ele teve coragem de pedir mais. O Sr. Sullivan deveria agradecer aos céus. Sou bom no que faço, mas ele lá percebe? Ah, não! Ele simplesmente não reconhece meu valor.


Terminado o discurso, percebeu que Chou havia desaparecido. Até mesmo a gata havia desertado. Ele o encontrou no peitoril da janela, miando pateticamente. Yoongi pegou a gata no colo e a afagou.


— Será que estou tão envolvido com meus problemas que deixei você de lado?


Chou saltou de seus braços e correu até o quarto.


A discussão continuava no outro apartamento.


— Jinho, pelo amor de Deus, seja sensato! — Taehyung gritava.


— Solte os cachorros em cima dele — Yoongi disse em voz baixa. — Aposto que você não sabia que taehyung estava saindo com outros, né? Bem, não se martirize. Eu também não sabia que Peter era tão galinha.


Jinho aparentemente seguiu seu conselho, pois a gritaria se intensificou. Taehyung, que geralmente era o mais calmo dos dois, já estava começando a perder as estribeiras.


Se ouvisse com bastante atenção, talvez descobrisse a causa da briga, mas, na verdade, Yoongi não estava tão interessado assim.


— Eu o vi com outro semana passada — ele complementou, só por diversão. Yoongi havia encontrado Taehyung nas caixas de correio. Havia um homem com ele e não era Jinho. Mas era sempre Jinho que voltava. Era sempre com Jinho que ele gritava. Pelo jeito, o pobrezinho gostava muito dele. Que azar!


— Vou tomar a sopa de vegetais — Yoongi informou Chou enquanto entrava no quarto, achando que a gata gostaria de saber. 


— Não é nada que lhe interesse, infelizmente. — O que estava incomodando sua gata antes parecia estar sob controle.


Com o jantar pronto, Yoongi colocou a tigela de sopa fumegante e o queijo quente sobre a mesa. Havia acabado de se sentar quando algo atingiu a parede do apartamento ao lado. Por reflexo, deu um pulo.


O volume das vozes furiosas aumentou. Taehyung já não estava mais tão calmo nem no controle. Na verdade, parecia que ele havia perdido completamente a razão. Os dois estavam gritando, um tentando gritar mais alto que o outro.


Yoongi suspirou. Era demais para ele. Deixando o guardanapo de lado, foi até a parede da cozinha e bateu gentilmente. Ou eles não escutaram ou optaram por ignorá-lo, algo que faziam com frequência cada vez maior. Ele havia acabado de se sentar quando uma explosão quase o fez cair da cadeira. Um dos amantes enfurecidos decidiu ligar o rádio. No volume máximo.


O rádio foi desligado abruptamente, seguido por um discurso de Taehyung.


E foi ligado de novo.


E então desligado.


Mais uma vez, com a mesma gentileza, Yoongi bateu com a palma da mão na parede. Eles o ignoraram. Então, por alguma razão, houve um silêncio. Um silêncio abençoado. O problema havia sido resolvido ou eles se mataram. Qualquer que fosse a razão, o silêncio era uma bênção. Quando Yoongi terminou o jantar, lavou a louça. Chou continuava a se entrelaçar em seus tornozelos, miando e choramingando o tempo todo.


— O que há de errado com você, garota? — Yoongi perguntou outra vez. Agachando-se, correu a mão sobre a espinha da gata.


Chou arqueou as costas e choramingou um pouco mais.


— Você está diferente — Yoongi comentou, preocupado. Então, finalmente se deu conta.


— Você está no cio! Ai, meu Deus, você está no cio! — Como ele poderia ser tão burro?


Saindo da cozinha, procurou em sua agenda o nome que o dono do pet shop havia passado. Se ia cruzar a gata, precisava falar antes com essa mulher.


— Coitada da Chou — Yoongi disse


com compaixão.


— Pode confiar em mim, querida, os homens não valem esse trabalho todo. — E rapidamente encontrou o número.


— Meu nome é Min Yoongi — ele disse apressada. — O dono da Pet’s World me deu seu número. Comprei uma gata da raça abissínia alguns meses atrás.


Logo depois que se apresentou, a discussão no apartamento ao lado recomeçou.


— Sinto muito, querido, mas não consigo entendê-lo! — a mulher do outro lado da linha disse com um sotaque irlandês suave. — Disse que comprei uma gata da raça abissínia.


— Parece que você está em uma festa.


— Não tem festa nenhuma — Yoongi disse mais alto, quase gritando também. — Talvez seja melhor me ligar quando seus convidados forem embora — disse a irlandesa, gentil, e desligou o telefone.


Yoongi teve um estalo. Sua educação que lhe dizia para nunca causar problemas foi por água abaixo em um segundo. Ele bateu o telefone no gancho e cerrou os punhos.


— Estou farta disso! — ele gritou. E de fato estava. Farta dos homens que não sabiam o significado das palavras: “fiel” e “compromisso”. Dos patrões que tiravam vantagem dos empregados. E dos vizinhos que levavam um homem atrás do outro para dentro de seus apartamentos sem ao menos pensar duas vezes.


Yoongi saiu de seu apartamento para o corredor. Seus passos eram rápidos e largos. Entretanto, quando chegou ao apartamento de Taehyung, o fogo de seu ódio havia abrandado. A raiva não resolveria nada. Bateu à porta calmamente e esperou.


A discussão parou abruptamente e a porta se abriu. Yoongi levou um susto, que até o fez dar um pulo para trás. Jinho também saltou para trás e olhou para ele. Era evidente que o outro homem não o havia ouvido bater.


— Olá — Yoongi disse com os batimentos cardíacos zunindo em seus ouvidos.


— Queria saber se vocês dois podiam falar um pouco mais baixo.


O homem, jovem e bonito, piscava tentando conter as lágrimas.


— Não precisa se preocupar. Já estou de saída.


Então Taehyung apareceu, parecendo cortês e calmo. Seu rosto se iluminou quando viu que era Yoongi.


— Yoongi — ele disse dando-lhe um sorriso afável — que surpresa agradável!


— Com essa gritaria toda não consegui nem dar um telefonema — ele explicou, sem querer dar uma impressão errada. Não era uma visita social.


— Me perdoe! — Taehyung olhou para Jinho.


— Isso não vai se repetir.


O queixo de Jinho caiu enquanto ele pendurava a bolsa no ombro.


— Eu... eu acho que não temos mais nada a dizer um para o outro. — Passou por Yoongi e foi em direção ao elevador.


— Jinho! — Taehyung colocou as mãos sobre os ombros de Yoongi e o colocou de lado, virando-se novamente para Jinho.


— Estou avisando... só não faça nenhuma besteira.


— Como ouvir você?


Taehyung suspirou e olhou para Yoongi, como se tudo fosse culpa dele. Yoongi abriu a boca para dizer exatamente o que pensava dele, mas, de repente, mudou de ideia. Taehyung não o escutaria.


Por que perder tempo? Sem nada mais a dizer, voltou ao apartamento. Para sua surpresa, percebeu que havia deixado a porta aberta. Imediatamente pensou em Chou e correu para dentro, em pânico.


Parou assim que a avistou.


— Chou! — A gata estava em meio ao fogo da paixão com um gato que nunca havia visto antes.


Colocando as mãos sobre a boca, Yoongi soltou o corpo apoiando-se na parede. Não precisava mais da irlandesa. Chou já havia encontrado seu par.




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