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História Lives Next Door - Taegi - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo 08


Fanfic / Fanfiction Lives Next Door - Taegi - Capítulo 8 - Capítulo 08

— Jinho, o que aconteceu? —Yoongi colocou o irmão de Taehyung para dentro de seu apartamento. Jinho se jogou no sofá e cobriu o rosto com as mãos. Vários segundos se passaram antes de ele conseguir falar.

 

— Descobri que Dylan está envolvido com outro homem. Encontrei os dois juntos, em nossa cama. Fiquei com o estômago embrulhado de tanto nojo. Não acreditei. Como pude ser tão burro?

 

— Ah, Jinho! — Yoongi o abraçou. — Sinto muito!

 

— Taehyung me disse que Dylan estava com outro, mas não acreditei. Eu o amava. Eu realmente o amava. Como pude ser tão burro? — Ele enterrou o

rosto no ombro de Yoongi. Ver Jinho arrasado desse jeito era quase como ver um reflexo de si mesmo no espelho. Yoongi entendia a sensação devastadora de traição que Jinho estava sentindo.

 

— Sei exatamente pelo que está passando — Yoongi disse quando os soluços de Jinho diminuíram. Ele lhe trouxe uma xícara de chá com bastante açúcar, para ajudá-lo a sair do choque.

 

— Como assim? — Jinho perguntou e olhou para Yoongi, o rosto sem maquiagem. Seus olhos transpareciam uma dor profunda e familiar. A manta de crochê que a mãe de Yoongi havia feito como presente de Natal cobria os ombros do irmão de Taehyung, como se ele estivesse morrendo de frio. Parecia que Jinho tinha 6 anos de idade.

 

— É como se seu mundo inteiro tivesse virado de cabeça para baixo. Mas é muito mais que isso. A sensação de traição é a pior dor emocional que existe.

 

— Você também?

 

Yoongi fez que sim.

 

— Meu marido, ex-marido agora, me deixou por outro homem. Aparentemente, eram amantes havia meses, mas eu não fazia ideia. Quando Peter pediu o divórcio, pensei que fosse morrer. — As lembranças daquele último confronto voltavam à cabeça de Yoongi. Mas ele percebeu, para sua surpresa, que, embora essas lembranças o entristecessem, não sentia mais a agonia esmagadora que sentiu durante um ano e meio.

 

— O que... o que você fez depois? Yoongi pegou na mão de Jinho. — Depois que o divórcio saiu, juntei tudo o que tinha e me mudei para São Francisco.

 

— Então não deve fazer tanto tempo assim.

 

— O divórcio saiu no fim do ano passado, mais ou menos nesta época do ano.

 

Jinho deu um gole em seu chá.

 

— Não percebi o que estava acontecendo. Confiei em Dylan de verdade. E quase deixei que ele destruísse meu amor por meu irmão.

 

— Não é culpa sua.

 

— É minha culpa sim! — Jinho chorava. — Olhando para trás, não acredito que fui contra meu irmão. Ele nunca mentiu para mim e, mesmo assim, acreditei em tudo o que Dylan me dizia sobre meu irmão ser ciumento e todas aquelas  outras besteiras.

 

— Eu também acreditei — Yoongi disse. — Mas quando amamos uma pessoa, a confiança é automática. Por que suspeitar que um homem está nos traindo se fazer o mesmo jamais se passaria pela nossa cabeça? A própria ideia de trair o Peter era repugnante para mim.

 

Jinho segurou a xícara com as duas mãos.

 

— Você acha que um dia conseguirá confiar novamente em outro homem?

 

— Sim — Yoongi respondeu depois de alguns segundos. — Mas não serei tão cego quanto antes. Não suportaria viver desconfiado. Este fardo arruinaria qualquer relacionamento futuro. Não sou o mesmo homem de dezoito meses atrás. A traição de Peter me marcou para sempre. — Ele hesitou, sem saber ao certo o quanto deveria admitir sobre as mudanças que Taehyung havia trazido para sua vida.

 

— Até pouco tempo atrás, achei que jamais diria isso, mas acho que essa situação toda fez com que eu mudasse para melhor.

 

— O que quer dizer?

 

— Foi uma longa e dolorosa provação. Só no mês passado confrontei a realidade e passei a entender o que aconteceu. Por muito tempo achei que odiava meu ex-marido, mas não era verdade. Como poderia odiá-lo se não tinha deixado de amá-lo?

 

— O que você sente por ele agora?

 

 Yoongi teve de pensar na resposta.

 

 — No geral, não sinto nada. Eu o perdoei.

 

— Você? Ele deveria ter implorado pelo seu perdão!

 

Yoongi sorriu, conhecia Peter muito bem.

 

— Eu poderia esperar uma eternidade e isso jamais aconteceria. Peter acha que fui eu quem fracassei com ele. Ele precisava de uma desculpa para justificar o que estava fazendo comigo.

 

— Dylan também me culpou. Como pôde perdoar o Peter? Não consigo entender.

 

— De fato, ele não pediu meu perdão. Mas não fiz isso por ele, eu o fiz por mim. Caso contrário, sua traição teria me destruído.

 

— Mesmo assim, não consigo entender.

 

— No início, não conseguia lidar com a dor, então fingia que não estava machucado. Mas no último mês, percebi que precisava superar Peter e o fim do meu casamento. E a única maneira de fazer isso foi admitindo minhas falhas e o perdoando. Se não fizesse isso, talvez jamais me livrasse da mágoa que sentia — disse Yoongi.

 

Novas lágrimas correram o rosto de Jinho.

 

— Nunca serei tão sábio quanto você.

 

Yoongi riu.

 

— Ah, Jinho! Se ao menos você soubesse quanto tempo levei para aceitar esse divórcio. Devo isso a Taehyung e o meu amigo Jimin. Até mesmo Chou teve um papel importante nisso.

 

— Taehyung é maravilhoso — Jinho admitiu e mordeu o lábio inferior. — Fui horrível com ele.

 

— Esta é a vantagem dos irmãos: eles conseguem perdoar. Podemos confiar que Taehyung vai perdoá-lo. Ele é especial, Jinho, e acho que vocês não terão mais problemas depois de se acertarem.

 

Eles se sentaram e conversaram, e, conforme as horas iam se passando, Yoongi percebeu o quanto tinham em comum. Eram quase dez horas da noite quando a campainha tocou. Os dois se entreolharam.

 

— Não precisa se preocupar. Tenho certeza de que não é Dylan — disse Jinho.

 

Yoongi olhou pelo olho mágico mesmo assim. Era Taehyung. Removendo a corrente da porta, ele a abriu e o abraçou. Taehyung o beijou como se não se vissem havia semanas e não apenas algumas horas.

 

— Taehyung! — A voz de Jinho interrompeu a neblina de paixão que cercava Yoongi.

 

Taehyung parou de beijá-lo, surpreso com a presença do irmão, mas manteve o braço ao redor de sua cintura. Yoongi observou o rosto dele enquanto Taehyung via seu irmão no sofá, embrulhada na manta de Yoongi. Seu olhar foi de Jinho para Yoongi e, então, de volta para o irmão.

 

— Sente-se — Yoongi disse, soltandose de seus braços. — Jinho tem algo para lhe contar. Então, como sabia o quanto seria difícil, inclinou-se no ouvido de Taehyung e sussurrou:

 

— Seja gentil com ele.

 

♡♡♡

 

— Yoongi! — Taehyung disse irritado. — Não levante isso. É pesado demais para você.

 

— Não se preocupe — ele insistiu, tirando a caixa de papelão do porta malas da van alugada. Estava pesada, mas ele aguentava. Jinho havia encontrado um apartamento e Taehyung e Yoongi estavam ajudando com a mudança. Foi um mês repleto de acontecimentos. Jinho morou temporariamente com Yoongi e os dois conversaram muito, geralmente noite adentro.

 

— Acho que já deu — Jinho disse, enquanto Yoongi colocava a caixa sobre o balcão da cozinha. Ele olhou por cima do ombro de Yoongi e sussurrou: — O que Taehyung tem? Ele ficou mal humorado demais a manhã inteira e, ontem à noite, também não estava muito legal. Você percebeu?

 

Yoongi havia percebido, mas não quis dizer nada.

 

— Não sei o que ele tem. — Mas de fato havia acontecido alguma coisa.

 

— Se alguém pode fazer com que ele fale, esse alguém é você.

 

Yoongi se perguntou se aquilo era verdade. Depois do último mês, ele e Jinho eram como irmãos. E, nesse meio tempo, ele chegou a outra, e mais profunda, conclusão: estava completamente apaixonado por Taehyung. Para alguém que estava convencido de que jamais seria capaz de se apaixonar outra vez, essa era uma ótima notícia.

 

— Devo tanto a vocês dois! — Jinho disse quando Taehyung voltou da van. — Não sei o que teria feito sem vocês nessas últimas semanas. — Jinho os abraçou e então se virou em uma tentativa de esconder as lágrimas, que faziam seus olhos escuros brilharem.

 

— Estou bem agora. Podem ir e se divertir. Não quero que se preocupem comigo.

 

Taehyung hesitou.

 

— Tem certeza?

 

— Absoluta. — Jinho começou a arrumar as coisas, removendo vários itens da caixa mais próxima e colocando-os sobre o balcão. O tempo todo de costas para eles.

 

— Por favor — acrescentou.

 

Lembrando-se de sua própria experiência, Yoongi sussurrou: — Ele ficará bem. Só precisa de tempo.

 

Juntos, Yoongi e Taehyung saíram do prédio de Jinho e foram até onde Taehyung havia estacionado a van. Ele abriu a porta do passageiro e o ajudou a entrar. Yoongi removeu sua bandana e chacoalhou a cabeça para soltar as mechas de cabelo que estavam grudadas no rosto. Taehyung se sentou no banco do motorista. Ele percebeu que suas mãos estavam tensas, segurando o volante. Por vários segundos Taehyung simplesmente ficou ali, sentado. Então, deu a partida e saiu com o carro. Mas ainda parecia absorto em seus pensamentos. Havia algo errado.

 

— Taehyung — ele disse —, está preocupado com alguma coisa?

 

Sua voz o tirou do devaneio e ele sorriu como se não estivesse preocupado com nada.

 

— Com absolutamente nada. Que tal dividirmos um sundae com calda quente depois de devolvermos a van?

 

Parecia uma ótima ideia, mas Yoongi havia descoberto, nas últimas semanas, que quase todos os minutos que passava na companhia de Taehyung eram especiais.

Ele era especial.

 

— Você está preocupado com seu irmão? — Yoongi perguntou com cuidado, preocupado com seu ar triste. Ele não podia forçá-lo a dizer o que estava acontecendo. Ele falaria com Taehyung quando estivesse pronto, decidiu.

 

— Não tanto como quando ele estava morando com Dylan. Embora tenha sido difícil para ele, descobrir exatamente que tipo de homem Dylan é foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

 

— Ele ficará bem — Yoongi disse, confiante.

 

— Graças a você.

 

— Imagine. Ele sairá dessa experiência um pouco mais maduro e bem mais esperto. Foi assim comigo. Mas leva tempo, Roma não foi construída em um dia.

 

— Eu que o diga. Olha o tempo que levei para conseguir me aproximar de você.

 

— Mas valeu o esforço, não valeu?

 

Taehyung tirou uma mão do volante e bateu de leve no joelho dele. Estavam sentados tão próximos um do outro que seus quadris se tocavam. A manhã estava quente e úmida, mas nenhum dos dois se mexeu, apreciando essa leve intimidade.

 

— Valeu cada segundo de espera — Taehyung concordou. E então completou, com os olhos escuros e sérios: — Sou louco por você, Yoongi. Há meses sou louco por você.

 

— Também sou louco por você — Yoongi respondeu.

Mas o que era definitivamente louco era que eles estavam admitindo seus sentimentos um pelo outro em uma van em movimento, no meio do fluxo intenso das ruas de São Francisco. Depois de falarem tão abertamente, os dois pareciam um pouco constrangidos, e bastante apaixonados. Yoongi se sentia como se estivesse de volta à faculdade.

Os anos de casamento e as consequências do divórcio haviam se esvaído, como se nunca tivessem acontecido. Deixando o carro de Taehyung no estacionamento subterrâneo, eles pegaram o elevador. No instante em que as portas se fecharam, Yoongi caiu nos braços de Taehyung. A boca de Yoongi procurou pela dele com o desespero de um homem trancado em um quarto escuro, incapaz de encontrar a saída. Os braços de Taehyung o levantaram levemente do chão, dando a Yoongi a desculpa perfeita para abraçá-lo mais forte ainda.

 

— Sou louco por você — Yoongi disse. Sentia-se embriagado, como se tivesse passado as últimas horas em um bar, e não os últimos minutos em seus braços. Taehyung pegou o rosto dele com as mãos e o beijou até Yoongi estremecer e gemer. Ele também gemeu.

 

— Taehyung! — De algum lugar em seu âmago, conseguiu tirar forças para protestar, mesmo que minimamente.

 

— Ainda estamos no elevador.

 

Taehyung levantou a cabeça e olhou ao redor.

 

— Ah, é?

 

Taehyung pôs os braços na cintura dele e inclinou a cabeça para trás, sorrindo.

 

— Onde está seu lado aventureiro? — Taehyung o provocou beijando seu nariz. Ele se esticou e apertou o botão do quarto andar.

 

O sentimento intenso de desejo era novo para ele. Yoongi achou que morreria se em algum momento Taehyung parasse de beijá-lo, amá-lo ou tocá-lo. Era como se anos de espera contido se libertassem dentro dele, tomando conta de todos os seus sentidos.

Taehyung o beijou novamente e ele se apoiou no corpo dele assim que o elevador se abriu no quarto andar.

 

— No seu apartamento ou no meu? — Yoongi perguntou e então tomou a decisão por ele.

 

— No seu.

 

A mão de Yoongi tremia enquanto dava as chaves a Taehyung. Yoongi ficou satisfeito ao ver que os dedos dele também não estavam lá muito firmes. Naquele momento, Yoongi o amava tanto que achava impossível esperar mais um único segundo. Os braços dele circularam a cintura de Taehyung e ele beijou seu pescoço, logo abaixo do maxilar, provocando-o com sua língua, descendo-a e então beijando suavemente a cavidade na base do pescoço.

 

— Yoongi, pare — ele protestou. — É isso mesmo o que você quer? — ele sussurrou levantando o rosto.

 

— Não. Nunca pare de me amar. — A porta se abriu e eles entraram cambaleantes. Foi quando ele ouviu o miado choroso de Chou. Taehyung também ouviu. Ele olhou para trás e, então, voltou o rosto para Yoongi com os olhos bem fechados.

 

— Chou está tendo os filhotes — ele anunciou e então se afastou de Yoongi.

 

 



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